GRANDEZAS DE NOSSA SENHORA NA BÍBLIA

Publicado: 19/03/2010 em MARIA!!!

1 – Que a Santa Mãe
do Divino Salvador tenha recebido de Deus prerrogativas que Lhe são exclusivas,
é verdade que se deduz de várias passagens da Bíblia. Para o provar, vamos
examinar  vários textos sagrados, que a Ela se referem.

Note-se desde já que a Bíblia abre-se e se fecha (Gên. 3,15 – Apoc.12,1) sob o
signo da Mulher vitoriosa e bendita, sempre em luta com o dragão.

 2 – Eis alguns textos áureos da Bíblia Sagrada:

a) "Porei  inimizade  entre  ti  e  a 
Mulher, e  entre  a tua descendência e a dEla. Ela te esmagará a
cabeça, e tu tentarás ferir o seu calcanhar". (Gên. 3,15)

Comentário: o texto acima é a 1ª profecia da vinda do Salvador feita por
Deus logo após a queda de nossos primeiros pais. Nele, ao grupo dos vencidos
(Adão e Eva) Deus contrapõe o grupo dos vencedores (Jesus e sua Mãe). – A
"descendência da mulher" (no original: sêmen, prole), é, num 1º 
plano, Jesus Cristo; e, num 2º plano, são todos os remidos que correspondem à
graça da Redenção.  – O termo "Ela",  como sujeito de
"esmagará", se refere diretamente à "prole", a Jesus. Mas,
será através da natureza humana de Cristo, recebida de Maria, que o poder de
Satã será quebrado por Cristo unido à sua Mãe. Logo, também Ela, a "Mulher
invicta" desta profecia, com o seu Filho, quebrará a cabeça de Satã. – O
termo "inimizade" indica a incompatibilidade absoluta entre Cristo e
sua Mãe de um lado, e Satã e os seus aliados, do outro; indica ainda a vitória
completa de ambos sobre o Maligno.

b)  Dois textos de Isaías:"Eis que a Virgem conceberá e dará à luz um
Filho, o Emanuel (Deus conosco)". (Is. 7,14) "Nasceu-nos um menino
…Ele será Deus forte …". (Is. 9,5)

c) Outros textos de S. Lucas:"Ave, ó cheia de graça…" (Lc.
1,28);"…darás à luz um Filho, e Lhe porás o nome de Jesus;  (…)
Ele será Filho do Altíssimo" (Lc. 1,32); e "Filho de Deus" 
(Lc. 1,35); "Bendita és tu entre as mulheres; ( …) donde me vem a dita
de vir a mim a  Mãe de meu Senhor"". (Lc. 1,42-43)

- Esses textos sagrados destacam as várias grandezas singulares de Nossa
Senhora:

3 – A Maternidade Divina:  É  evidente:  -  1º ) 
no  texto "a", a descendência da Mulher é, no 1º plano, Jesus
Cristo. E então a "mulher singular"  da profecia é a sua
verdadeira Mãe. E como Cristo é Deus, Ela pode e deve chamar-se Mãe de Deus.

2º)  Confirma-se isso com os textos da letra "b" (Is. 7,14),
pois "a Virgem" é predita aí como a verdadeira Mãe do Emanuel (Deus
conosco), portanto, Mãe de Deus.

3º)  O mesmo afirmam os textos da letra "c" (Lc.
1,31-32;1,42-43), pois aí se declara que Maria Santíssima é a verdadeira Mãe
"do Filho do Altíssimo", "do Filho de Deus" e a "Mãe
de meu Senhor".

- Argumento de razão  -  Podemos e devemos chamar a Virgem Maria
"Mãe de Deus" porque o objeto-termo de toda maternidade é a pessoa.
Não se diz que a mãe é mãe da natureza do filho, mas da sua pessoa. E a Pessoa,
em Cristo, é a 2ª da Santíssima  Trindade, o Filho de Deus. Na Virgem
Maria se realiza, pois, este mistério: ser Ela, ao mesmo tempo, "Mãe de
Deus e de Deus filha". Ela participa  do mistério do seu Filho que é "Deus
e Homem ao mesmo tempo".

-  Maternidade espiritual – também.  De fato, como no 2º plano,
aquela "Mulher" é Mãe da "prole" também no sentido de
"descendência", Maria Santíssima é Mãe espiritual dos remidos. O que
o próprio Jesus na Cruz confirmou,  na  pessoa de São João, ao dizer
à sua Mãe: "Mulher, eis aí o teu filho".  São João, então,
representava a todos os remidos.

- Medianeira   – também.  Realmente, como Deus deu às mães, como
ofício próprio da maternidade, prover o alimento dos filhos, assim Cristo, ao
dar à sua Santa Mãe o ofício da maternidade espiritual, deu-Lhe também todas as
graças necessárias para a salvação de seus filhos espirituais. Senão esse
título seria meramente nominal. Ela é, pois, Medianeira de todas as graças de
Cristo para nós.

4 – A Imaculada Conceição – Essa prerrogativa é conseqüência da primeira.
Destinada a ser Mãe verdadeira e virginal de Cristo-Deus, não podia Ela ter
contato com o pecado. Ademais, se a alguém fosse dado poder escolher a própria
mãe, não escolheria a mais virtuosa, a mais pura, a mais santa"  E
Jesus não só pôde escolher a Sua Mãe, mas criá-lA, pois é Deus. Ele A fez,
pois, imaculada, isenta de toda a culpa original. É a razão de conveniência.

Mas, essa verdade está contida no próprio texto da Bíblia (Gên. 3,15), pois aí se
prediz para o futuro Salvador e  para a  sua Mãe, uma inimizade
total  com Satã, que implica derrota total deste. Isso é incompatível com
a condição de quem tivesse estado, por um momento sequer, sob o pecado e, pois,
sob o poder do Maligno. É claro que isso pressupõe a concepção imaculada, não
só de Cristo-Homem, mas também de sua Santa Mãe.

5 – O ofício de Corredentora -  Também está  contida no texto de Gên.
3,15 a verdade de que aquela Mulher invicta, posta por Deus em total inimizade
com o Demônio, ia participar de todos os sofrimentos e lutas do futuro
Redentor. De fato, a Virgem Maria participou da Paixão de Jesus no grau máximo,
sofrendo em união com Ele as dores mais atrozes, oferecendo-O a Deus Pai como
Vítima por nós. Ela sacrificou-Lhe também o direito natural de Mãe sobre o
próprio Filho. Todos esses sacrifícios já estavam incluídos na aceitação da
maternidade divina. Ela cooperou voluntariamente para nossa Redenção.

6 – A Assunção corpórea ao céu  – A vitória de Cristo sobre Satã, o pecado
e a morte foi realizada  na Paixão e Morte na Cruz, mas se tornou completa
e patente  com a sua Ressurreição e Ascensão ao Céu. Ora, o texto do
Gênesis associa inseparavelmente  o Messias  e a sua  Mãe na
mesma luta e na mesma Vitória final e completa. Ora, a vitória de Maria
Santíssima não seria completa se o seu corpo imaculado e virginal tivesse
ficado sujeito à  corrupção do sepulcro. Jesus Cristo não o permitiu, mas
A elevou ao Céu em corpo e alma, no fim de sua vida. Assim cumpriu-se
plenamente aquela magnífica
profecia.                            
 

RESPONDENDO OBJEÇÕES

8 – Os protestantes não cessam de injuriar a Jesus, rebaixando a sua Santa Mãe
à condição de uma mulher comum, pela  interpretação errônea que dão a
alguns textos.

Vejamos na Bíblia  como isso é falso:  – No encontro de Jesus no
Templo, Ele não argüiu a Sua Mãe de  não saber que Ele"devia cuidar
dos interesses de seu Pai". (Lc. 2,49)  Não era esse o sentido das
suas palavras no contexto. Era antes o seguinte: "Não sabeis que devo estar
no que é de meu Pai "" (sentido literal) Assim, era normal que sua
Mãe entendesse a resposta no sentido de "ficar  morando  no
Templo", a exemplo de  Samuel. Por isso, em Lc. 2,50 lemos:
"Eles não entenderam o que Jesus lhes dissera".

 9 -  Em  Caná, a Mãe de Jesus Lhe informou ter acabado o vinho
para os convidados. Jesus respondeu usando a expressão semítica (da língua
hebraica): "Mulher, que há  entre mim e ti""  E
acrescentou: "A minha hora ainda não chegou".  (Jo.2,4) A
expressão usada por Jesus tem um sentido próprio daquela língua.

 De fato, verificou-se que ela foi  usada, pelo menos seis (6)
vezes  na Bíblia do Antigo Testamento, nas quais se supõe resposta
negativa: "não há nada"; uma ou outra vez, indica que "não
há  nada" porque há oposição; as outras indicam que as partes estão
de acordo.  (Cf.  2 Reis 3,13; 2 Sam.16,10; 19,22; Jz. 11,12; 1 Reis
17,18; 2 Crôn. 35,21)

 Note-se que essas citações conferem com a tradução literal da frase
latina:"Quid mihi et tibi est"" = "Que há entre mim e ti"",
sem as acomodações ao nosso modo de falar, como por ex., "Que nos importa
isso a mim e a ti"", ou "Que queres de mim "", como
hoje se costuma fazer.

 Em Caná é claro o sentido de pleno acordo quanto ao fato da providência
solicitada (o milagre), com pequena restrição quanto à sua oportunidade. Daí
Jesus dizer:"a minha hora ainda não chegou". Mas antecipou essa hora,
e fez o milagre, atendendo a intenção caritativa de sua Santa Mãe.

 10 – Quanto ao apelativo "Mulher", dizem os peritos da língua
que Jesus falava, o aramaico, que tem um sentido respeitoso equivalente a
"Senhora". E que dizer do acento de respeito desta palavra na boca de
Jesus ao dirigir-se à sua Santa  Mãe!  Sobretudo  no contexto de
Caná  e da Cruz. Jesus, o melhor dos Filhos, deve ter-Se dirigido à sua
santa Mãe com acentuado carinho e respeito filiais. Nesse contexto, tal
apelativo lembra ainda a "Mulher"  da profecia do Gênesis.
(3,15) Então, Jesus Se projeta ao lado de sua Mãe como dando cumprimento àquela
profecia.

 11 – Por fim, Jesus pregava numa casa cheia de gente. Avisam-Lhe que lá
fora estão sua Mãe e os seus (chamados) irmãos. (primos-Ver "F. C. nº
12)  Jesus responde:"Minha Mãe e meus irmãos são aqueles que ouvem a
palavra de Deus e a põem em prática". (Lc. 8,21) É claro que Jesus não
está negando à sua Santa Mãe a honra de ser a primeiríssima entre os ouvintes e
praticantes da palavra de Deus, antes o supõe, e é seu principal título de
glória. O mesmo se diga de Lc.11,27-28.
————————————
Apostolado Veritatis Splendor: AS GRANDEZAS DE MARIA SANTÍSSIMA NA BÍBLIA.
Disponível em http://www.veritatis.com.br/article/806. Desde 24/02/2003.

Postado em: http://www.carloslopes-shalom.spaces.live.com

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