ESPÍRITO SANTO, PARÁCLITO

por Santo António de Lisboa (c. 1195-1231)
Franciscano, Doutor da Igreja
Sermões para os domingos e as festas dos santos

ESPÍRITO SANTO

«Se Eu não for, o Paráclito não virá a vós; mas, se Eu for, Eu vo-Lo enviarei.»

O Espírito Santo é o sustento que nos reconforta no caminho para a pátria, é o vinho que nos alegra na tribulação, é o óleo que adoça as amarguras da vida. Faltava este triplo socorro aos apóstolos, que tinham a missão de ir pregar no mundo inteiro. Foi por isso que Jesus lhes enviou o Espírito Santo. E ficaram cheios dele – cheios, para que os espíritos impuros não pudessem ter qualquer acesso a eles: quando um copo está bem cheio, não se pode por mais nada dentro dele.

O Espírito Santo «vos ensinará» (Jo 16,13), para que saibais; Ele vos sugerirá, para que queirais. Pois Ele dá o saber e o querer; acrescentemos o nosso «poder», na medida das nossas forças, e seremos templos do Santo Espírito (1Cor 6,19).

O PRINCÍPIO CRISTÃO DA SUBSIDIARIEDADE

Por Cláudio Márcio Pessanha Ferreira

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A subsidiariedade está entre as mais constantes e características diretrizes da doutrina social da Igreja, presente desde a primeira grande encíclica social. É impossível promover a dignidade da pessoa sem que se cuide da família, dos grupos, das associações, das realidades territoriais locais, em outras palavras, daquelas expressões agregativas de tipo econômico, social, cultural, desportivo, recreativo, profissional, político, às quais as pessoas dão vida espontaneamente e que lhes tornam possível um efetivo crescimento social. É este o âmbito da sociedade civil, entendida como o conjunto das relações entre indivíduos e entre sociedades intermédias, que se realizam de forma originária e graças à «a subjetividade criativa do cidadão». A rede destas relações inerva o tecido social e constitui a base de uma verdadeira comunidade de pessoas, tornando possível o reconhecimento de formas mais elevadas de sociabilidade.

“Uma vez que não é lícito tolher aos indivíduos o que eles podem realizar com as forças e a indústria própria para confiá-lo à comunidade, assim também é injusto remeter a uma sociedade maior e mais alta aquilo que as comunidades menores e inferiores podem fazer … porque o objeto natural de todo e qualquer intervento da sociedade mesma consiste em ajudar de maneira supletiva os membros do corpo social, não já destruí-las e absorvê-las”.

Com base neste princípio, todas as sociedades de ordem superior devem pôr-se em atitude de ajuda («subsidium») — e portanto de apoio, promoção e incremento — em relação às menores. Desse modo os corpos sociais intermédios podem cumprir adequadamente as funções que lhes competem, sem ter que cedê-las injustamente a outros entes sociais de nível superior, pelas quais acabariam por ser absorvidos e substituídos, e por ver-se negar, ao fim e ao cabo, dignidade própria e espaço vital. À subsidiariedade entendida em sentido positivo, como ajuda econômica, institucional, legislativa oferecida às entidades sociais menores, corresponde uma série de implicações em negativo, que impõem ao Estado abster-se de tudo o que, de fato, restringir o espaço vital das células menores e essenciais da sociedade. Não se deve suplantar a sua iniciativa, liberdade e responsabilidade. 

O princípio de subsidiariedade protege as pessoas dos abusos das instâncias sociais superiores e solicita estas últimas a ajudar os indivíduos e os corpos intermédios a desempenhar as próprias funções. Este princípio impõe-se porque cada pessoa, família e corpo intermédio tem algo de original para oferecer à comunidade. A experiência revela que a negação da subsidiariedade, ou a sua limitação em nome de uma pretensa democratização ou igualdade de todos na sociedade, limita e, às vezes, também anula, o espírito de liberdade e de iniciativa. 

Agora queridos amigos vejam a aplicação deste princípio na prática através da empresária católica que citei acima:

Empresária católica levou prosperidade ao agreste pernambucano

Há cerca de 60 anos, uma empresária católica chegava com seu marido em uma pequena cidade do agreste pernambucano, e ali abriu uma fábrica de baterias. E naquele lugar, ofertando seus dons no altar de Cristo, ela espalhou prosperidade, beleza e fé.

Na cidade de Belo Jardim havia um grande lixão, de onde muitas pessoas miseráveis buscavam tirar o seu sustento. Inconformada com essa situação indigna, Dona Conceição Moura, matriarca do grupo Baterias Moura, organizou uma cooperativa para que os catadores pudessem viver da reciclagem. O lixão ficou no passado, e agora os trabalhadores têm uma tarefa muito mais segura, digna e lucrativa.

Em uma matéria do Globo Repórter (vídeo abaixo), um dos membros da cooperativa de reciclagem mostra, muito satisfeito, a sua confortável casa: mobília e aparelhos eletrônicos novos, tudo comprado com o suor do seu trabalho capitalista; nada de esmola do governo populista e socialista!

Outra importante frente de geração de renda aberta por Dona Conceição foi o fomento ao artesanato. Ela investiu dinheiro do próprio bolso para capacitar os artesãos, e assim muitos talentos foram descobertos na cidade. Fundado há 16 anos, o Centro de Artesanato Tareco e Mariola comercializa produtos feitos com materiais reciclados, e já é um importante ponto turístico do Estado de Pernambuco.

Essas atividades econômicas refletem no desenvolvimento de toda a cidade, repercutindo na cultura e na educação. Em Belo Jardim, as escolas públicas são bem cuidadas. Nada daquelas imagens deprimentes de um ambiente escolar marcado pela precariedade, tão comuns em escolas públicas de cidades pobres em todo o Brasil.

Mas Dona Conceição sabe que nem só de pão vive o homem. Por isso, no ano passado, ela concluiu uma obra que era o sonho de seu falecido esposo: a construção do Santuário Nossa Senhora de Todos. A primeira celebração realizada no local foi presidida pelo Bispo da Diocese de Pesqueira, Dom José Luiz Ferreira Salles.

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Esse é o exemplo de uma empresária que, sendo bem sucedida em seu negócio, distribui riqueza e prosperidade para a comunidade ao seu redor. Porém, se Dona Conceição fosse socialista, a coisa seria bem diversa! Algumas possibilidades tenebrosas me vêm à mente:

ela provavelmente louvaria o assassino Che Guevara e escreveria em seu MacBook (todo comunista adora Mac) artigos feminazistas defendendo o amplo acesso ao aborto pelo SUS (os vermelhos dizem que adoram pobre, mas torcem para que nenhum deles venha ao mundo);ou então seria hipócrita como o presidente Mujica, do Uruguai, que se faz de pobrinho pra impressionar os ingênuos, mas cujo patrimônio cresceu mais de 70% em dois anos (fonte: Exame);faria doutrinação marxista com os trabalhadores do lixão e fundaria com eles algum grupo revolucionário que ataca a propriedade privada, do tipo “Movimento dos Trabalhadores Sem Terra do Lixão”. E sairiam saqueando os mercadinhos da cidade, em nome da “igualdade social”.

Que pesadelo! O pior rico é o rico socialista: em vez de fazer ações efetivas em prol do bem dos pobres, ele simplesmente se alia hipocritamente às causas românticas da esquerda, e assim fica em paz com sua consciência, como se blábláblá marxista enchesse a barriga de alguém.

Voltando à Dona Conceição… ela soube dividir seus dons. E nós? O que estamos fazendo com os dons que Deus nos deu? Estamos compartilhando com o próximo nosso tempo e os nossos talentos, ou só vivemos para nós mesmos, preocupados somente com nossos problemas?

*****

Há um provérbio russo que diz: “Quando o machado entrou na floresta, as árvores, ao ver seu cabo de madeira, disseram: – Esse é dos nossos!”. O mesmo se aplica a muitos católicos desavisados que, ao ver as propostas de justiça social e a defesa dos pobres divulgadas pelo socialismo, acham que isso tem tudo a ver com os valores do Evangelho. Mas é cilada, Bino!

Quem quiser mergulhar fundo neste assunto, estude o Compêndio da Doutrina Social da Igreja. Ali fica claro que a Igreja defende a dignidade material para todos, e condena o socialismo

– See more at: http://ocatequista.com.br/archives/15000#sthash.BIk8SixS.dpuf   

Agora vejam que interessante observar que na Idade Média haviam as Corporações de artesãos que gozavam de prestígio e cujo a organização reunia trabalhadores e mestres segundo o ofício de cada um.

Nela os artesãos das cooperativas não eram servos, em nenhum sentido ou por qualquer argumento. Eles eram sindicalistas comerciais, cujos sindicatos eram mais ricos, mais responsáveis, mais reconhecidos pelo Estado, e mais respeitados como contribuintes da cultura, do que são hoje nossos próprios sindicatos. Eles exigiam um bom pagamento, como fazem os nossos sindicatos; eles também exigiam um bom trabalho do artesão, o que os nossos sindicatos não conseguem fazer.

NA revolução francesa a perda dos privilégios atingiu os nobres, mas também o clero, que perdia, assim, seus rendimentos e passava a ser subsidiado pelo Estado com rendas fixas, que logo deixaram de ter valor por conta da inflação(que não se conhecia bem então e não se chamava assim).

Mas a perda dos ‘privilégios’ atingiu também ( e isso não foi logo notado) as corporações, que, até então, reuniam os trabalhadores e mestres conforme os diferentes ofícios de cada um. Até então, não havia empregados e patrões. Havia corporações que tinham ‘privilégios’ relacionados com as atividades de cada uma e que reuniam aprendizes, oficiais e mestres numa só organização fundada em princípios profissionais, mas também religiosos e familiares. Nessas organizações, os princípios adotados incluíam a mais adequada e perfeita forma de assistência social possível, que consistia em dar participação na vida familiar dos mestres aos aprendizes que começavam e até aos meio-oficiais, que viviam com as famílias desses mestres. A perda dos privilégios das corporações aboliu esse sistema da noite para o dia e foram os mestres que, transformados em patrões, tiveram as vantagens da ‘liberdade’, já que podiam aliciar os aprendizes e trabalhadores livremente, conforme o mercado dos salários possibilitava, e estes não tinham mais nem os ‘privilégios’ profissionais, nem os cuidados familiares. A miséria e o infortúnio foram as consequências desses primeiros frutos da igualdade.

Vemos assim claramente como descrito no início porque o estado não pode tollir a «a subjetividade criativa do cidadão» e que não é lícito tolher aos indivíduos o que eles podem realizar com as forças e a indústria própria para confiá-lo à comunidade, assim também é injusto remeter a uma sociedade maior e mais alta aquilo que as comunidades menores e inferiores podem fazer.

Querer impor o socialismo é totalmente contrário a Doutrina da Igreja católica e como podemos ver nos nossos irmãos da América Latina e pelo mundo afora só produz ódio e pobreza.

Certamente um sistema que não respeita a liberdade, a propriedade privada e a família não dará nunca certo.

A FÉ DA VIÚVA DE SAREPTA

por Santo Ambrósio (c. 340-397), 
bispo de Milão, doutor da Igreja 
Sobre as viúvas; PL 16, 247-276

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A fé da viúva de Sarepta, que acolhe o enviado de Deus

Num tempo em que a fome desolava a terra inteira, porque terá Elias sido enviado a uma viúva? Há uma graça especial que liga duas mulheres: um anjo é enviado a uma virgem e um profeta é enviado a uma viúva. Ali Gabriel, aqui Elias; e são escolhidos o anjo e o profeta mais eminentes! Mas a viuvez, em si mesma, não merece louvores, se não se lhe acrescentarem outras virtudes. À história não faltam viúvas; contudo, há uma que se distingue entre todas e as exorta com o seu exemplo. […] Deus é particularmente sensível à hospitalidade: no evangelho, promete uma recompensa eterna por um copo de água fresca (cf Mt 10,42); aqui, a profusão infinita das suas riquezas por um pouco de farinha ou uma medida de azeite. […]

Porque nos julgamos donos dos frutos da terra quando a terra é uma oferenda perpétua? […] Invertemos, para nosso benefício, o sentido daquele mandamento universal: «Também vos dou todas as árvores de fruto com semente, para que vos sirvam de alimento; e todos os animais da terra, todas as aves dos céus e todos os seres vivos que existem e se movem sobre a terra» (Gn 1,29-30); ao açambarcar, só encontramos o vazio e a escassez. Como podemos esperar o cumprimento da promessa, se não observamos a vontade de Deus? Obedecer ao preceito da hospitalidade e honrar os nossos hóspedes é um são procedimento; pois não somos também nós hóspedes aqui na terra?

Como é perfeita esta viúva! Embora atormentada por uma grande fome, continuava a venerar a Deus; e não guardava as provisões só para si: partilhava-as com seu filho. É um bonito exemplo de ternura, mas é um exemplo ainda mais belo de fé! Pois esta mulher não deveria preferir ninguém a seu filho, mas eis que coloca o profeta de Deus acima da sua própria vida. Reparai bem que não lhe deu apenas um pouco de comida, mas toda a sua subsistência; não ficou com nada para si. Assim como a sua hospitalidade a inspirou a uma doação total, assim também a sua fé a conduziu a uma confiança total.

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NÃO FAÇA DE SEU FILHO SEU ÍDOLO

Por Maria Emmir Oquendo Nogueira
TT @emmiroquendo
www.facebook.com/mariaemmirnogueira
Coluna da Emmir – www.comshalom.org
Revista Shalom Maná: Artigo “Entrelinhas”

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“Não faça de seu filho um ídolo!”, ouvi, há algumas semanas, de Moysés Azevedo, fazendo veemente apelo aos pais que o ouviam. “Não faça de seu filho um ídolo, seu ídolo” faço eco.

O que é um ídolo? Fundamentalmente, é um falso Deus, um Deus inexistente, que serve mais a nós – com nossos amuletos, superstições, mas, sobretudo, nosso desejo de que ele dê um jeito de fazer nossa vontade – do que nós servimos a ele. Aliás, como não é o verdadeiro Deus, como sequer existe senão dentro de nós, nem tem como servi-lo por amor.

O ídolo escraviza. Deus liberta. O falso deus, surdo e mudo, incapaz de ver, falar ou mover-se, como diz a Palavra, sutilmente faz com que nos tornemos escravos de nossos medos, fantasias, superstições, crendices. Sem falar no nosso próprio ego!

Os ídolos populares, como sabemos, não ficam longe disso, enfeitiçando multidões desavisadas que os tomam por modelo, que adotam suas ideias e têm por fim último ser como eles.

O ídolo, falso deus, é tirano escravizador não por seus próprios poderes – pois que não tem nenhum! – mas pelos poderes que lhe atribuem os que o idolatram.

“Não faça de seu filho seu ídolo!”

significa, então: não coloque seu filho como o centro e sentido de sua vida, não permita que seu filho o escravize com suas exigências e chantagens. Diga-lhe que ele é lindo porque você o ama. Que é inteligente como os outros, mesmo que você o considere o mais inteligente do universo e de todas as gerações humanas. Explique que você o considera o mais belo, inteligente, ágil, sagaz, sábio, feliz, talentoso, atraente, não porque ele seja de verdade, mas porque você o ama.

“Não faça de seu filho seu ídolo!”

Dê-lhe apenas o necessário para brincar, comer, vestir. Evite dar todos os brinquedos e gadgets que aparecem na TV e internet. Ensine-o a partilhar, sempre! Partilhar seus brinquedos, roupas, comida e mesada com os que sofrem, a partilhar seu tempo com os avós doentes, seu quarto com os irmãos, muitos irmãos.

“Não faça de seu filho seu ídolo!”

Ensine-lhe que você o ama muito, imensamente, infinitamente, mas que, a Deus, você ama muito acima dele, seu rebento querido. Você, então, terá um filho feliz. Livre. Não se iludirá acerca de si mesmo, nem será um mini tirano exigente, a querer que tudo e todos gravitem ao seu redor.

Deus como sentido mais profundo. Deus como princípio e fim. Seu filho feliz e santo. Você feliz, a caminhar para a santidade. Deus no centro de tudo. A vontade de Deus como a principal meta. Você e seu filho, não ídolo seu, posse sua. Mas filho amado de Deus e seu, juntos, no paraíso, felizes para sempre.

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ABANDONO É A “DOENÇA” MAIS GRAVE DO IDOSO

Papa Francisco recorda que cuidados com os mais fragilizados é uma atitude humana e testemunha o valor da pessoa, mesmo se ela é idosa ou doente

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O Santo Padre lembrou que os cuidados com os idosos constituem uma atitude humana, de cuidar uns dos outros, especialmente de quem sofre. E testemunha que a pessoa é preciosa, mesmo se idosa ou doente.

“A pessoa, de fato, em qualquer circunstância, é um bem para si mesma e para os outros e é amada por Deus. Por isso, quando a sua vida se torna muito frágil e se aproxima da conclusão da existência terrena, sentimos a responsabilidade de auxiliá-la e acompanhá-la do melhor modo”.

O mandamento bíblico que pede para honrar os pais recorda, segundo o Papa, a honra que se deve dar a todas as pessoas idosas. Ele comentou que a sabedoria que faz reconhecer o valor da pessoa idosa e honrá-la é a mesma que permite apreciar os dons recebidos cotidianamente de Deus.

Honrar, conforme explicou Francisco, poderia ser traduzido hoje como o dever de ter extremo respeito e cuidar de quem, por sua condição física ou social, poderia ser deixado para morrer. O Santo Padre defende que o idoso precisa, em primeiro lugar, do cuidado da família, cujo afeto não pode ser substituído nem por estruturas mais eficientes nem por agentes de saúde competentes.

“O abandono é a maior ‘doença’ do idoso, bem como a maior injustiça que pode sofrer: aqueles que nos ajudaram a crescer não devem ser abandonados quando precisam da nossa ajuda, do nosso amor, da nossa ternura”.

“Exorto todos aqueles que, de alguma forma, estão empenhados no campo dos cuidados paliativos a praticar esse empenho conservando íntegro o espírito de serviço e recordando que toda consciência médica é realmente ciência no seu significado mais nobre somente se se coloca como auxílio em vista do bem do homem, um bem que não se alcança nunca ‘contra’ a sua vida e a sua dignidade”.

A realidade dos idosos também foi o tema central da catequese do Papa Francisco nesta quarta-feira, 4. O Pontífice destacou que as pessoas mais velhas não podem ser ignoradas, pois são a reserva de sabedoria de um povo.

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O AMOR AOS POBRES

por São Gregório de Nissa (c. 335-395), monge, bispo Sermão 1 sobre o amor dos pobres: PG 46, 463-466

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Vivamos segundo Deus

Nós, que por cada palavra da divina Escritura somos convidados à imitação do Senhor que nos criou na sua benevolência, eis que desviamos tudo para nossa própria utilidade, medimos tudo de acordo com a nossa vantagem. Atribuímo-nos bens para a nossa própria vida e reservamos o resto para os nossos herdeiros. E não pensamos nas pessoas que estão na miséria nem nos preocupamos minimamente com os pobres. Oh corações sem misericórdia!

Um homem vê o seu próximo sem pão e sem meios para obter o alimento indispensável e, longe de se apressar a oferecer-lhe a sua ajuda para o tirar da miséria, observa-o como observaria uma planta verdejante em vias de secar por falta de água. E, no entanto, este homem possui uma riqueza imensa e seria capaz de oferecer a muitos a ajuda dos seus bens. Do mesmo modo que o débito de uma única fonte pode irrigar numerosos campos numa grande extensão, assim a opulência de uma só casa consegue salvar da miséria um grande número de pobres, a menos que a parcimónia e a avareza do homem o venha a impedir, tal como uma rocha que cai num ribeiro lhe desvia o curso.

Não vivamos unicamente segundo a carne, vivamos segundo Deus.

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MAS AFINAL, QUE NEGÓCIO É ESSE DE PECADO?

Pecado original, pessoal, venial, mortal, capital… O que é que tudo isso quer dizer?

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O que é o pecado?

O conceito de pecado é bastante simples: basicamente, o pecado é um ato de egoísmo exagerado. É preferir a si mesmo e antepor-se a Deus e aos outros, cedendo às paixões desordenadas que nos colocam no centro da nossa própria existência e negando a nossa natureza, que só se completa quando se abre ao próximo e a Deus. O pecado é a recusa a instaurar com Deus e com os outros uma relação de amor. O pecado é um “converter-se às criaturas” e “rejeitar o Criador”. Em geral, o pecador só deseja os prazeres proporcionados pelas criaturas, e não necessariamente quer rejeitar o Criador. No entanto, ao se deixar seduzir por satisfações fugazes proporcionadas pelas criaturas, o pecador sabe, implicitamente, que está agindo contra o amor do Criador, pois sente que o prazer terreno não o preenche e, mesmo assim, não resiste a ele.
 
É por isso que o pecado fere o próprio pecador, afastando-o da plenitude oferecida por Deus. E é por isso que o pecado ofende a Deus: não porque Deus, como Deus, seja diminuído, mas porque nós próprios, ao pecar, nos diminuímos diante da grandeza que Deus nos oferece.
 
Para Jesus, o pecado nasce no interior do homem (cf. Mt 15, 10-20). É por isso que é necessária a transformação interior, do coração. Para Jesus, o pecado é uma escravidão: o homem se deixa ficar em poder do maligno, valorizando falsamente as coisas deste mundo, deixando-se arrastar pelo imediato, por satisfações sensíveis que não saciam a nossa sede de amor e de plenitude.
 
Quais são os tipos de pecado?
 
1 – O pecado original é a herança que todos recebemos dos nossos primeiros pais, Adão e Eva: eles desconfiaram do amor de Deus Pai e cederam à tentação de deixá-lo de fora das suas escolhas pessoais. Como filhos de uma humanidade que perdeu a inocência, todos nós nascemos com a natureza caída de pecadores e precisamos da graça de Deus, mediante o sacramento do batismo, para purificar a nossa alma.
 
2 – O pecado atual ou pessoal é aquele que cometemos como indivíduos, voluntária e conscientemente. Pode ser cometido de quatro maneiras: com o pensamento, com as palavras, com as obras ou com as omissões. E pode ser contra Deus, contra o próximo ou contra nós mesmos. O pecado pessoal pode ser mortal ou venial:

2.1. O pecado venial ou leve é aquele que cometemos sem plena consciência ou sem pleno consentimento, ou então com plena consciência e consentimento, mas em matéria leve. 
  
2.2. O pecado mortal ou grave é aquele que envolve três fatores simultâneos: plena consciência, pleno consentimento e matéria grave.

O que é matéria grave e matéria leve?
 
A “matéria” é o “fato” pecaminoso em si. É gravequando fere seriamente qualquer um dos dez mandamentos. Alguns exemplos: negar a existência de Deus, ofender a Deus, ofender os pais, matar ou ferir gravemente qualquer pessoa, colocar a si próprio em grave risco de morte sem justa razão, cometer atos impuros, roubar objetos de valor, caluniar, cometer graves omissões no cumprimento do dever, causar escândalo ao próximo.
 
Já a matéria leve é aquela que não fere seriamente nenhum dos dez mandamentos, ainda que consista num ato contrário a algum deles. Por exemplo: roubar é pecado, mas a gravidade desse pecado tem graus diversos. Furtar dez centavos não costuma prejudicar consideravelmente a vítima do furto; já o furto ou roubo de uma quantia cuja perda prejudica a vítima de modo considerável passa a ser matéria grave. 
 
Quais são os efeitos do pecado?
 
O pecado mortal mata a vida da graça na alma, rompendo a relação vital com Deus; separa Deus da alma; faz com que percamos todos os méritos das coisas boas que fazemos; impede que a alma participe da eternidade com Deus. Como é perdoado o pecado mortal? Com uma boa confissão ou com um ato de contrição perfeito, unido ao propósito de confissar-se assim que for possível.
 
Quanto ao pecado venial, ele enfraquece o amor a Deus, vai esfriando a relação com Ele, priva a alma de muitas graças que ela receberia de Deus se não pecasse, facilita o pecado grave. Como se apaga o pecado venial? Com o arrependimento e boas obras, como orações, missas, comunhão e obras de misericórdia.
 
E os pecados capitais, onde é que entram?
 
Os pecados capitais requerem especial atenção porque são causa de outros pecados. Podem ser veniais ou mortais, dependendo das condições explicadas acima. Sempre, porém, são “cabeças” de novos pecados e é daí que vem o termo “capital”. São sete:
 
– Soberba: a estima exagerada de si mesmo e o desprezo pelos outros. 
– Avareza: o desejo desmesurado de dinheiro e de posses. 
– Luxúria: o apetite e uso desordenado do prazer sexual. 
– Ira: o impulso desordenado a reagir com raiva contra alguém ou algo. 
– Preguiça: a falta de vontade no cumprimento do dever e no uso do ócio. 
– Inveja: a tristeza pelo bem do próximo, considerado como mal próprio. 
– Gula: a busca excessiva do prazer pelos alimentos e pela bebida.

Há algum pecado que não pode ser perdoado?
 
Sim: o pecado contra o Espírito Santo (cf. Mt 12, 30-32). Em que ele consiste? Na atitude permanente de desafiar a graça divina; em fechar-se a Deus, em recusar a sua mensagem. Essa atitude impossibilita o arrependimento. E, como Deus respeita a nossa liberdade e o nosso livre arbítrio, Ele próprio se deixa obrigar por nós a não nos dar o seu perdão, que depende da nossa aceitação voluntária. O pecado contra o Espírito Santo pode se manifestar, por exemplo, no desespero da salvação, na presunção de se salvar sem mérito, na luta contra a verdade conhecida, na obstinação em permanecer no pecado, na impenitência final na hora da morte.
 
Então qualquer outro pecado, bastando querermos sinceramente, pode ser perdoado?
 
É claro! Deus quer tanto a nossa plena realização junto dele que não hesitou em morrer na cruz para nos redimir! Deus nos espera sempre de braços abertos como um Pai que se esquece de todas as nossas ingratidões, como Ele mesmo deixa claro na belíssimaparábola do filho pródigo (cf. Lc 15,11ss). Basta querermos de verdade o Seu abraço!

(Com extratos do livro “Jesus Cristo”, do pe. Antonio Rivero, LC)

Fonte: http://m.aleteia.org/pt/religiao/artigo/mas-afinal-que-negocio-e-esse-de-pecado-5798505964634112?page=2

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