POR QUE A IGREJA É CONTRA O USO DE CAMISINHA?

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Quando a Igreja aborda o tema da educação sexual, se opõe ao uso de preservativos. Eu entendo que ela tem o dever de dirigir a nossa atenção para o sentido cristão da sexualidade; porém, diante da crescente propagação da Aids, não se faz necessário que haja um maior realismo, admitindo o uso do preservativo a fim de salvar vidas, especialmente de muitos jovens?
(Um leitor)

Não podemos ficar indiferentes diante do grave avanço da Aids. Porém, à parte o fato de que o preservativo não é completamente seguro, a linha da Igreja para formar as consciências não pode compartilhar uma proposta deste tipo. Vejamos por quê.

Uma prevenção baseada no uso de preservativos pressupõe e promove um conceito permissivo da sexualidade, que passa a ser vista como uma posse da qual se pode dispor como quiser, como um bem de consumo, ou um jogo, ou um meio para obter prazer. Essa visão considera o instinto sexual como uma força prepotente à qual ninguém pode se opor, e vê a liberdade finalizada a si mesma, voltada só para a própria satisfação. Isso conduz à anticoncepção, às relações pré-matrimoniais etc., obrigando ao uso de preservativos para que as relações sejam “seguras”. E já sabemos quais são os efeitos desta visão da sexualidade: violência sexual; desprezo do matrimônio; degradação da família e da vida conjugal e, de modo geral, das relações sociais; superficialidade e vazio interior.

Resumindo, trata-se de uma visão diametralmente oposta à que o Evangelho apresenta. Cristo vê a sexualidade ligada à dignidade da pessoa, ao valor da vida e da procriação, à grandeza do matrimônio e da família, ao amor como dom de si mesmo, como respeito ao outro, como capacidade para construir esse amor novo é o domínio de si mesmo. Uma sexualidade madura é, acima de tudo, uma questão de verdadeira liberdade: ser livre dos instintos e das paixões egoístas que temos dentro de nós. Hoje se fala muito de sexo livre, porém, na realidade, não existe escravidão maior do que esta.

Cristo veio ao mundo e se entregou para nos libertar de toda escravidão, para nos dar a verdadeira liberdade. Tudo o que parece impossível, como renegar a si mesmo e viver segundo um comportamento contracorrente, se faz possível e se transforma em fonte de verdadeira alegria mediante a sua graça. Cristo não impõe uma lei, mas nos convida a segui-lo para descobrir essa liberdade que somente ele pode nos dar. Infelizmente este importante ponto da moral evangélica é freqüentemente esquecido pelo mundo cristão.

É fácil entender, com estas premissas, por que a Igreja não aceita o uso de preservativos. Ela entraria em contradição com a sua missão de ensinar e ajudar a viver os grandes valores que Cristo lhe confiou. O Evangelho apresenta um Jesus que se inclina diante das feridas físicas do homem para curá-los, mas, antes de tudo, preocupa-se com a sua saúde espiritual. Para ele, livrar da enfermidade física não teria sentido se não fosse também uma libertação da enfermidade do pecado. Do mesmo modo, a Igreja se preocupa se preocupa com a saúde física das pessoas, mas isso não pode levá-la a abrir concessões para a mentalidade da maioria. E já que ela deve se dirigir principalmente aos que se dizem cristãos, fala a eles com a mesma clareza e a mesma franqueza de Jesus.

No plano pastoral, todavia, a Igreja procura se inspirara na prudência e compreensão que a caridade cristã exige, estando atenta ao método e ao tato com os quais nos ajuda a viver os ensinamentos de Jesus.

A sexualidade é um dos instintos mais prepotentes, um dos aspectos em que a natureza humana mais demonstra a sua fraqueza.

Concretamente, trata-se de compreender a situação na qual cada pessoa se encontra e ajudá-la a dar o passo que ela é capaz de dar em cada momento, tendo sempre presente a meta a ser alcançada.

Gino Rocca
Revista Cidade Nova, ano XLIV, n.3, mar/2002, p. 36.
Fonte: http://www.comshalom.org/projetofamilia/index.php?option=com_content&task=view&id=105&Itemid=55

Postado em: http://carloslopes-shalom.spaces.live.com/

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