COMO MORREU O VOLTAIRE…

Fonte: "O DESBRAVADOR" – ANO 2, NÚMERO 23, NOVEMBRO DE 81 – http://www.odesbravador.org.br/

"Aquele que não abandona o pecado antes que o pecado abandone a ele, dificilmente poderá na hora da morte detestá-lo como é devido, pois tudo o que fizer nessa emergência, o fará obrigadamente" (Santo Agostinho). 

TRAGÉDIA OCORRIDA EM PARIS NO ANO DE 1778

Voltaire2

Voltaire, filósofo francês do século VIII dedicou boa parte de sua vida a combater a Igreja Católica. Com suas blasfêmias muito ajudou a preparar a famigerada revolução francesa.

Entretanto, estando prestes a morrer, roído de remorsos, tremeu diante da morte e mandou chamar um padre. Vejamos, então, o que sucedeu como nos narra Armel Kerven no seu livro "Voltaire":

Entrando em casa alta noite, enervado pela emoção, saturado de lisonjas, teve Voltaire um violento acesso de febre.

O marquês de Villete, em cuja casa se hospedara, mandou logo chamar um padre. Lá estava, porém, uma legião de enciclopedistas. Voltaire não quis dar o braço a torcer diante deles… O padre, despedido, retirou-se dizendo que estaria à disposição do doente. Era o padre Gaultier, coadjutor de São Sulpício.

Dois dias depois, teve o filósofo um fluxo de sangue que o debilitou em extremo. Julgou-se perdido, pediu uma pela e traçou com mão trêmula este bilhete ao senhor Padre Gualtier:

"Prometeu-me vir ouvir-me. Peço-lhe o obséquio de vir quanto antes. 26 de fevereiro de 1778. – Voltaire".

Ocupado com outro doente, o padre chegou à casa alta noite. Só no dia seguinte, ao romper do dia, recebeu o bilhete, e mais um outro.

"Mme. Denis, sobrinha do M. Voltaire, pede ao padre Gaultier vir vê-lo. Ficará obrigada. 27 de fevereiro de 1778. Em casa do senhor marquês de Villette".

O padre foi aconselhar-se com o seu Superior, que lhe ordenou exigisse antes de tudo uma retratação. Foi necessário lutar dois dias com os filósofos que não queriam tal coisa. Enfim venceu o padre. Eis o teor exato da retratação:

"Declaro que, sofrendo há dias de vômitos de sangue, na idade de 84 anos, e não tendo podido arrastar-me até a igreja, o senhor vigário de São Sulpício fez-me o obséquio de mandar-me o padre Gaultier; que me confessei a ele e que, com o favor de Deus, morrerei na religião católica em que nasci, esperando da misericórdia divina que ela me perdoe todas as minhas faltas. Se escandalizei a Igreja, pelo perdão a Deus e a ela. – A 2 de março de 1778, em casa do senhor marquês de Villette, em presença do senhor padre Mignot, meu sobrinho, e do senhor marquês de Villevieille, meu velho amigo. Voltaire".

As duas testemunhas assinaram.

Depositado no cartório do "Mestre Monet", tabelião em Paris, esse documento foi publicado.

apenas recebeu Voltaire os sacramentos, melhorou. Os enciclopedistas, seus amigos, que se tinham afastado, voltaram ao aposento do doente, e não o deixaram mais. – E Voltaire começou logo a meter à bulha aquilo que chamava uma "fantasia de penitência", esquecendo seus terrores, à medida que convalescia, e zombando da misericórdia divina, a qual enfim o abandonou.

No mês de maio, caindo de cama com um novo acesso, foi chamado a toda a pressa o Doutor Tronchin, seu médico assistente, que não lhe ocultou a gravidade do caso.

Quis Voltaire chamar de novo o padre; mas a Enciclopédia tinha jurado que venceria. D’ Alembert, Marmontel e Diderot montaram guarda ao doente, ficaram surdos ao seu pedido e só permitiram  que dois padres, vindo de São Sulpício, pudessem aproximar-se do doente, quando o delírio do moribundo lhes impossibilitava o ministério.

Morreu Voltaire em pavoroso desespero. Da vizinhança, todos ouviam seus gritos de raiva.

– "Retirem-se! Retirem-se! Urrava ele, apostrofando os enciclopedistas. Foram vocês que me perderam! Eu não carecia dos senhores. Vocês é que não podiam passar sem mim. E que miserável glória me arranjara!"

– No meio dos temores e angústias, ouvia-se simultaneamente ou sucessivamente, invocar a Deus e blasfemar… Ora em voz lamentável, ora com o tom do remorso, e mais amiúde em acessos de furor exclamava;

– Jesus Cristo! Jesus Cristo!

Richelieu, testemunha desse espetáculo, fugiu dizendo: É demais! Não se pode aguentar!

O horrível drama continuou. O moribundo se contorcia no leito e rasgava o peito com as unhas. Chamava pelo padre Gaultier, mas os adeptos, reunidos na antecâmara, tampavam os ouvidos e não quiseram que esse sacerdote, recebendo os últimos suspiros do seu patriarca, estragasse a obra da filosofia.

Ao chegar o momento fatal, nova crise de desespero:

– Sinto que me arrastam ao tribunal de Deus! E, voltando para a parede, o olhar apavorado:

– Ali está o demônio; quer me agarrar… Eu vejo-o. Vejo o Inferno… Escondam-me…

Finalmente, condenou-se a si mesmo, ao realizar aquele festim, a que sua ignorância e sua paixão anti-bíblica tantas vezes fizera sentar-se o profeta Ezequiel; e, dessa vez sem zombaria, num acesso de sede ardente… levou aos lábios o penico e tragou o conteúdo! Deu um último urro e expirou sufocado pelas fezes e pelo sangue que lhe jorravam pela boca e pelo nariz.

Os filósofos proibiram expressamente a toda gente da casa que contassem isso, mas não puderam impor silêncio ao médico assistente.

pecador, não se esqueça; chegará também a sua hora! Você pode fugir para os desertos, para o alto das montanhas, se esconder nas cavernas, etc., mas da morte não escapará.

Pe. Divino Antônio Lopes FP.

Anápolis, 08 de julho de 2007

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"Quem todos os dias pensa na morte, não aceita morrer. Quem pensa no Céu, acha a morte agradável" (São Bento)

"Combate o bom combate da fé, conquista a vida eterna para a qual foste chamado" (2 Tim 6, 12)

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5 comentários em “COMO MORREU O VOLTAIRE…

  1. RESUMINDO… COM OU SEM SEU DEUS ELE MORREU, E HOJE AO MEU EU SABIAMENTE SER CULTO E ME INTERRESSAR NAS OBRAS DESTE MARAVILHOSO FILÓSOFO ME VEJO OBRIGADO A LER ESTA ESTÚPIDES FANATICA DE MAIS UMA OVELHA QUE DEDICA SUA VIDA TÃO INUTILMENTE A SERES IMAGINARIOS. A IGREJA E A RELIGIAO ESTA REPLETA DE MENTES DEMASIADAS QUE VEEM NA INOCENCIA DE UM ESPIRITO MORIBUNDO UM MODO DE SER IMAGINARIAMENTE SUPERIORES AOS QUE NAO CREEM NO MESMO DEUS.
    FICO FELIZ DE NAO FAZER PARTE DESTA CRENÇA ABOMINALVEL.

    1. Shalom, Eduardo!

      Em primeiro lugar, obrigado por postar o seu comentário no Blog!
      Bem, só posso te dizer que a verdadeira felicidade só a podemos reconhecê-la quando a provamos…
      Antes do início da minha conversão, a tudo eu chamava de felicidade, inclusive o “ser culto”, etc e tal. Portanto, entendo o teu posicionamento, pois o teu conceito (e o teu sentir) de felicidade está ancorado nas tuas experiências de vida fora da Igreja.
      Como eu sei por experiência própria de que quem tem uma verdadeira experiência pessoal com Cristo tem os seus conceitos transformados e encontra um verdadeiro tesouro, uma felicidade que não passa, imagino que você ainda está à procura desse tesouro. Sei que todos nós somos amados e fomos criados para essa verdadeira felicidade, a qual só a encontramos pelo coração transpassado do Ressuscitado que passou pela Cruz!
      Até mesmo Voltaire reconheceu que sem o nosso Criador, não existe Esperança.
      Só posso interceder por você… que encontre essa verdadeira felicidade!
      Saiba que eu sou MUUUUITO feliz em ser católico! Amo a Santa Mãe Igreja! Amo o meu Senhor e a minha Rainha da Paz!!! É maravilhoso ter a certeza de que um dia, se eu alcançar essa graça, me encontrarei com o Esposo da minha alma, Nosso Senhor Jesus Cristo, e, com todos os santos, juntos, (inclusive contigo, se Deus quiser!) viveremos a felicidade plena, no seio da Santíssima Trindade!
      Deus abençoe!
      Carlos.

  2. Considerei o texto extremamente destorcido e mal formulado.
    Fico contente que Voltaire conseguiu escrever e deixar suas obras vivas apesar do quanto tentaram impedi-lo.
    Guardarei contradição ao catolicismo em certos pontos até a morte, afinal gosto muito de literatura e filosofia, sua intolerância apagou e impediu que muitas obras fossem apreciadas.
    De resto tenho também a acrescentar que o cristianismo e suas virtudes tem contribuído moralmente para a sociedade desde sempre, mas também a filosofia poderia arcar com isso, inclusive de forma mais concisa, pela reflexão e consciência, não pregando o medo da queima eterna nas profundezas dos infernos.
    Por fim, viva a Voltaire e demais escritores que não foram cordeiros engaiolados, devo-lhes agradecimentos por concordâncias e principalmente liberdade em discordar, sem ser taxada de demoníaca ou pessoa sem virtudes, pecadora.
    O amor não existe só em deus.

    1. Prezada Carol,
      O post não tem o intuito de desmerecer a obra de Voltaire, mas apenas ressaltar que mesmo mergulhado na ciência, chega um momento na vida do homem que ele enxerga a transcendência da vida!
      Realmente não tenho a fonte precisa de como morreu Voltaire. É de um antigo livro… é a Igreja jamais julgou que ele ou quem quer que seja tenha perdido a salvação dá sua alma!!
      É importante que tenhamos a consciência que a Igreja nunca foi e nunca será inimiga da ciência, haja vista que muitos cientistas eram clérigos. Aliás, se você ler a encíclica “Fides et Ratio”, verá que para a Igreja, fé e razão são como duas asas necessárias para chegarmos ao conhecimento de Deus.
      Voltaire, como você deve saber, não era ateu. O último livro que li dele foi o Dicionário Filosófico, onde, em muitos trechos ele fala de forma respeitosa sobre a Igreja.
      Sobre alguns conflitos que aconteceram entre a Igreja e alguns cientistas, é necessário que levemos em conta o contexto da época. A Igreja, como congregação vem numa caminhada de 2000 anos, aprendendo, amadurecendo e conduzindo seus fiéis conforme essa experiência.
      Finalizo com uma citação feita pelo Voltaire no livro que citei acima:
      “Que concluir de tudo isso? Que o ateísmo é um monstro perniciosíssimo para os que governam… E como disse um autor conhecido, o Catecismo anuncia Deus às crianças e Newton o demonstra aos sábios.”

  3. Voltaire? Filósofo? Pois sim! Não passava de um divulgador de ideias para umas “socialites” da época! Uma de suas amantes, Emilie de Chatelet, porém, foi exímia física e matemática, talvez a grande iniciadora de Voltaire nas ideias de Newton, às quais ele não deu continuidade, pois lucraria mais como literato e polemista. Seu contos são deliciosos de ler, isso não se pode negar; mas sua “filosofia” não passa de vulgarização de cacoetes iluministas. Sentava o sarrafo na Monarquia, mas bem se locupletou com a função de Historiógrafo Real, cargo que lhe fora arrumado pela amante do Rei Louis XV, a famosa Madame de Pompadour! Ridicularizava Leibniz, este, sim, um grande filósofo e matemático, criador do cálculo infinitesimal e integral. E mais: Voltaire achava umas porcarias as peças de William Shakespeare, e hoje ninguém lê uma peça sequer de Voltaire, enquanto Shakespeare é considerado um dos maiores gênios da dramaturgia universal! O fascínio de Voltaire decorre de seu talento para zombar das instituições – o que fez dele um ídolo da nobreza desejosa de vingar-se do poder real -, de sua profundidade de poça d’água, envernizado por um francês impecável – o que fez dele alguém fácil de ler! Foi aclamado como imparcial defensor dos fracos e oprimidos, mas não simpatizava muito com os pobres! Seu ódio contra a Igreja o cegou, a ponto de não reconhecer que a Universidade Francesa foi obra da Igreja, que as grandes obras de assistência social também, que o primor da arte dos vitrais e da pedra floresceram na época das catedrais góticas! Enfim, como todo propagandista vaidoso – e Voltaire adorava bajulações! -, o “Filósofo de Ferney” fazia de tudo para ganhar uma partida, mesmo que à custa de pontos merecidos pelo rival; isso o fez, na sua ânsia de “esmagar a Infame” (a Igreja Católica), passar uma borracha sobre qualquer contribuição da Igreja para as artes, a vida política, a assistência social, inclusive uma das grandes forças da civilização ocidental – afinal, foi das páginas dos pensadores católicos medievais que veio à tona até mesmo a noção de “pessoa jurídica”, e os mosteiros foram grandes centros de técnicas agrícolas, produção de bebidas fermentadas, além de fornecerem meios para a compilação de obras artísticas e filosóficas da Antiguidade!

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