O PECADO ORIGINAL E SALVAÇÃO!

Pe. Robson de Oliveira Pereira, C.Ss.R.

 

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Ao longo do tempo, muitas foram as idéias criadas em torno da doutrina do pecado original. Idéias ambíguas e, algumas outras, libertadoras. Vejamos, em primeiro lugar, o modo como foi realizada a formulação do ensinamento referente ao Pecado Original. Vale ainda ressaltar que tal definição fundamenta-se no princípio da revelação de Deus. A partir da ação da “graça original” do Pai Eterno concebe-se o “pecado original” do humano.

Sabemos pela história, que esta doutrina foi cunhada por Santo Agostinho, no século V, e no período em que houve a luta contra o pelagianismo. Entenda-se por “pelagianismo” a heresia criada pelo monge britânico Pelágio que, defende a inexistência do pecado original, a negação da natureza pecaminosa e a não-necessidade da graça de Deus para a salvação do gênero humano. O que está em jogo na doutrina do pecado original e na heresia do pelagianismo é a salvação do ser humano: um assunto profundamente atual! A dúvida de toda pessoa religiosa é a seguinte: serei ou não serei salvo?

Santo Agostinho, entre os anos 412 e 430, ensinava que os seres humanos nasciam na condição de pecado. Nesta realidade, ninguém é capaz de salvar-se e nem de salvar os outros. Um cego não pode guiar outro cego, um surdo não pode escutar outro surdo nem um mudo pode falar a outra pessoa. Por isso na idéia de pecado sempre está a ausência de algo. Santo Agostinho observou a presença do pecado em sua época e almejou encontrar uma causa deste mal, instituindo a doutrina do pecado original. De acordo com Agostinho “fora da graça de Deus, é impossível que uma pessoa obedeça ou até mesmo busque a Deus. Com o pecado de Adão, houve uma total corrupção na raça humana, de modo que a vontade natural do homem está fatalmente cativa e submissa à nossa condição pecaminosa. Dessa forma, somente a graça de Deus, concedida livremente aos Seus eleitos, é capaz de trazer salvação aos seres humanos” (Michael S. Horton).

Por outro lado, para Pelágio, a pessoa humana era capaz de salvar-se a si mesma, sem a participação da graça divina. Assim a salvação é fruto do agir humano e não de um Ser Externo, fora de nós. Neste esquema Adão passa a ser concebido como um simples “mau exemplo” ao passo que Jesus é apenas um bom exemplo. Acaba se esquecendo da dimensão redentora da vida de Jesus. A salvação não seria doação de Deus, mas auto-salvação. Na verdade, “o que a doutrina tradicional da Igreja sobre o pecado original quer nos mostrar é como seria a nossa situação se não fosse pela redenção e pela graça de Deus. Estaríamos alienados de Deus, atolados numa situação de não-salvação” (Afonso Gárcia Rubio).

Por conseguinte, precisamos reconhecer que somos pecadores. Essa visão não pode fugir da nossa expressão de fé, por mais que ajam correntes de pensamento capazes de afirmar que o humano é perfeito e o pecado seria invenção da religião. No entanto, antes de sermos pecadores, somos filhos do Pai Eterno: antes das trevas, à luz; antes do mal, à bondade divina; antes da maledicência, à benignidade de Deus.

Pela História da Salvação sabe-se que o pecado sempre foi uma atitude de rejeição e fechamento a Deus. Justamente por isso, que o pecado original surgiu durante o processo em que o humano deixou de ser animal e se torna hominal. Em um determinado momento, o humano se fechou em seu próprio interesse, rejeitou o projeto de Deus e aos outros seres humanos. Isso originou o pecado.

Para livrar-se da condição pecaminosa, a comunidade cristã institui o Sacramento do Batismo como: adesão à pessoa de Jesus de Nazaré e seu Evangelho. O Batismo passou a ser reconhecido como sinal da capacidade libertadora de Deus, por meio de Jesus, o Salvador. A Igreja tornou-se, então, sinal desta nova realidade a partir da implantação do Reino de Deus no mundo. Cabe, hoje, aos cristãos dar continuidade à missão redentora de Jesus e a permissão para que Ele continue existindo por meio, das atitudes e palavras, de seus seguidores.

Diante do pecado está também a liberdade de escolha para optar pela salvação. A pessoa humana alcança o ápice de seu desenvolvimento quando é capaz de escolher. Antes da opção não há consciência. Não havendo consciência, não há racionalidade e muito menos liberdade existencial. Sem consciência o humano torna-se irracional e, deste modo não-livre. Mas a partir da liberdade a pessoa pode escolher entre a abertura ou o fechamento. E infelizmente, por muitas vezes, a pessoa escolheu o fechamento ao projeto de amor do Pai Eterno!

Por último, a doutrina do pecado original nos ensina a falar mais da graça original do que do pecado original. Neste sentido, precisamos a aprender a conviver com o mal, sem fazer as pazes com ele, buscando incessantemente o caminho da conversão! No fim devemos exclamar com a liturgia: Ó feliz culpa que nos trouxe um Salvador da condição de Jesus Cristo, para mostrar que a vivência de Deus como Pai, no amor aos irmãos e na implantação do Reino de Deus já é salvadora por si mesma e destruidora do pecado!

Fonte: Pe. Robson de Oliveira Pereira, C.Ss.R.
Missionário Redentorista, Reitor da Basílica de Trindade e Mestre em Teologia Moral pela Universidade do Vaticano.
www.paieterno.com.br

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