ESTADO DE TIBIEZA

Problemas2

Todos somos chamados à felicidade. A tristeza nos deixa sem forças. O Livro dos Provérbios diz que a tristeza seca os ossos (Pv 17,22), deixa sem vida e, portanto, sem forças. Pelo contrário a alegria de Deus é a nossa fortaleza (Ne 8,10).

A causa especial da tristeza, juntamente com o pecado, é a tibieza. Se o Cristão cai na tibieza perde a alegria. A vida interior fica reduzida ao fazer coisas e não a amar Alguém.

A tibieza é esse desprezo prático da oração e do sacrifício, esse não pensar senão em si e na sua comodidade, essa má vontade nas coisas que se referem ao Senhor, esse amor próprio que nos leva a atuar por motivos puramente humanos.

A tibieza é uma grave doença do amor que se pode dar em qualquer idade da vida interior.

Uma alma tíbia é uma alma cansada, na luta para ser melhor.

Essa preguiça, surge quando a alma quer se aproximar de Deus com regateios, com pouco esforço, sem renunciar, sem pormenores, tentando fazer compatível a vida interior com coisas que não são do agrado de Deus. Cede-se facilmente aos pecados veniais, e as relações com o Senhor mantêm-se na mediocridade, sem se procurar positivamente uma entrega crescente; cede-se ao comodismo, à falta de vibração que incita a procurar o mais fácil (lei do menor esforço), o mais agradável, o caminho aparentemente mais curto, mesmo a custa de ceder na fidelidade a Deus.

A tibieza nasce de um descuido prolongado na vida interior. Não há profundidade na relação com Deus; Acostuma-se com os pecados veniais, e contra esses não se luta mais.

Os atos de piedade se tornam algo incômodo, uma obrigação a ser cumprida.

Talvez se continue a falar de Deus, mas já não se fala com Ele.

Foge-se, na medida do possível, da intimidade com Deus. Procura-se estar o menos possível com Ele.

Deus já não atrai o tíbio, e abandona-se pouco-a-pouco o convívio com Ele.

Um outro aspecto que envolve a alma tíbia é o apego ao que é passageiro. Por causa do vazio interior que a tibieza produz na alma, logo esta começa a se apegar a pequenas coisas. Se troca um grande Amor por pequenas compensações que não saciam.

“Quem se alimenta de migalhas anda sempre com fome”. O tíbio está sempre insatisfeito.

O tíbio foi desalojando pouco a pouco Deus do seu coração; foi cortando os laços delicados da entrega e ficou só. Daí a necessidade de fugir de si mesmo, fazer coisas, sentir-se útil.

O tíbio faz coisas para seu beneficio próprio, mas não para sua vida interior. Os assuntos em que costuma estar metido não o santificam.

O caminho da tibieza começa nas pequenas coisas, que não damos valor.

A tibieza, é uma febre lenta, que apenas se nota, mas que traz irremediavelmente a morte. A repetição de faltas (pecados) leves, dos quais não se faz caso, arrastam a alma pouco a pouco ao estado de tibieza. Deste estado fala o Senhor, pela boca de São João, ao Bispo de Sardes: “Tenho conhecimento de tuas obras e de que não és nem frio nem quente” (Ap 3,15).

O tíbio não ousa voltar às costas por completo a Deus, mas também não se incomoda com os pecados veniais, caindo em mil faltas todos os dias, como impaciências, mentiras, murmurações, gulodices, imprecações, apatias, curiosidades, vaidades, apego as honras, boa fama e vontade própria. Não dá importância a essas imperfeições e não pensa em se corrigir delas: “Oh! Antes estivesses frio ou quente, mas porque estás morno, vomitar-te-ei da minha boca”, conclui o Senhor. Oh! Antes estivesses frio, isto é, em pecado mortal, privado de minha graça, porque sentirias melhor a necessidade de auxílio; mas porque permanece na tibieza, morno, estás em maior perigo de condenação, aproximando-te cada vez mais, sem te aperceberes, da queda no pecado mortal, da qual dificilmente te erguerás.

Como, porém, começa Deus a vomitar uma alma? Deixando de outorgar-lhe, como antes, aquelas luzes vivas da fé, aquelas consolações espirituais, aqueles santos desejos, aqueles convites amorosos, aquele gosto sobrenatural que a tornavam fervorosa e generosa; com isso começa a deixar a meditação, a comunhão, a adoração ao SS. Sacramento, o Rosário, as súplicas, ou então continua a praticar esses exercícios, mas com grande contrariedade, desgosto e distração, só para ver-se livre da obrigação, sem devoção nem fervor. Um dos primeiros sinais é que o religioso já não fala mais de Deus. Fala-se de tudo menos de Deus.

A alma tíbia não pensa em emendar-se de suas faltas; torna-se tão insensível aos remorsos que se precipita no abismo sem o pressentir.

As filhas da Tibieza

A tibieza tem seis filhas, como diz São Tomas, seguindo S. Gregório magno. Esses pecados que podem ter a sua origem na tibieza são:

– A falta de esperança; o desanimo ante as coisas de Deus, uma espécie de incapacidade para ter uma vida interior rica e exigente. O tíbio encontra-se sem forças;

– Uma imaginação descontrolada; o tíbio solta a imaginação, e nela refugia-se para encontrar consolos, felicidade fictícia;

– Torpor e preguiça mental; para o sobrenatural;

– Pusilanimidade; um ânimo fraco, uma covardia, pecados de omissão; deixa passar muitas graças do Espírito Santo;

– Rancor e Espírito crítico; sobretudo contra aqueles que lutam para serem melhores; não querem mudar e ainda diz que quem muda é que está errado;

– Maldade; é já uma escolha consciente e interna do mal. É um dos pecados mais graves que o homem pode cometer;

Meios para uma alma sair desse triste estado de tibieza:

I- Desejo de Perfeição: Devemos desejar ser Santos. Se desejarmos verdadeiramente sermos santos, nem nossos pecados antigos nos poderão impedir. “Agradam ao Senhor tanto os desejos como se já fossem realizações… Deus não concede muitas graças importantes, senão para quem muito desejou o seu amor… Deus não deixa de pagar qualquer bom desejo nessa vida, pois, ele ama as almas generosas quando não confiam em si mesmas”, dizia Santa Tereza.

II- Decisão de ser de Deus. Não basta o desejo da perfeição, é preciso tem também a firme resolução de alcançá-la, custe o que custar. Quantas almas não se contem apenas com o desejo de serem santas, mas não movem uma palha se quer para que isso aconteça. S. Tereza diz: “O Senhor só deseja de nossa parte uma resolução decidida, o resto ele mesmo faz. O demônio não teme as almas irresolutas”.

III- O terceiro meio para sair da tibieza é a meditação . Diz S. Bernardo, “quem não medita não julga com severidade a si mesmo, porque não se conhece. A meditação controla nossos afetos e dirige nossos atos para Deus”; sem ela nossas tendências se voltam para a terra e nossas ações se dirigem conforme as mesmas e tudo cai em desordem. Quem não pratica a meditação desata o laço que o prende a Deus, dizia S. Catarina de Bolonha.

IV- A recepção assídua da santa comunhão. A coisa mais agradável a Jesus Cristo que uma alma pode fazer é recebê-lo muitas vezes na santa comunhão. “Para se alcançar à perfeição não há nada melhor que comungar a miúdo”, diz S. Tereza. Segundo S. Bernardo, a santa comunhão reprime os movimentos da cólera e da incontinência, as duas paixões que nos assaltam mais freqüente e violentamente. Conforme S. Tomás, ela afugenta as tentações do demônio.

V- O meio mais importante de se libertar da tibieza é a oração. A oração é toda poderosa junto de Deus, e nos alcança todos os bens. Quem reza recebe do Senhor tudo o que deseja.

Se somos pobres em bens espirituais, queixemo-nos unicamente de nós mesmos, já que a culpa é exclusivamente nossa e não merecemos compaixão. Que compaixão merece um mendigo que, podendo ser provido de tudo por um rico senhor, quisesse ficar na sua miséria, somente para não se ver na necessidade de pedir? Dizia Santa Tereza, quem deixa a oração, é como jogar-se no inferno por si mesmo, sem a necessidade dos demônios.

Quando orarmos a Deus, lembremo-nos também em nos recomendarmos a SS. Virgem, a distribuidora de todas as graças. “Deus nos dispensa suas graças, mas pelas mãos de Maria”, diz S. Bernardo. Busquemos a graça, mas busquemo-la por intermédio de Maria, pois o que ela busca, encontra, e não pode ser desatendida. Se Maria pedir por nós, estaremos seguros, porque todas as suas súplicas são atendidas.

Não há remédio mais eficaz para não cair na tibieza, ou para sair dela, do que uma profunda devoção a Maria Santíssima.

Olhando para Maria, compreendemos três coisas: que a felicidade consiste em dizer sempre SIM a Deus, que temos de ser fiéis em todas as circunstâncias da nossa vida, que a fidelidade é feita de desprendimento dos próprios planos e coisas e de uma disponibilidade absoluta para receber com alegria à vontade de Deus, para avançar todos os dias em pouco mais neste nosso Caminho para Deus.

(Fonte: A Tibieza – F. Fernández Carvajal; Escola da perfeição Cristã – Sto. Afonso)

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