TARDE TE AMEI (Santo Agostinho)

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"Tarde te amei,

ó beleza tão antiga e tão nova,

tarde te amei!

Eis que estavas dentro e eu fora.

Estavas comigo e não eu contigo.

Exalaste perfume e respirei.

Agora anelo por ti.

Provei-te,

e tenho fome e sede.

Tocaste-me

e ardi por tua paz."

 

É muito famoso este poema ou oração de Santo Agostinho (que também já foi musicado) e consta de seu livro Confissões, veja a seguir o texto completo de onde foi tirado:

"Ó eterna Verdade, verdadeira Caridade e querida Eternidade! Tu és o meu Deus e por ti suspiro dia e noite. E quando, pela primeira vez te conheci, foste tu quem me elevaste para ti, para fazer-me ver que havia alguma coisa a ver e que eu não era capaz de vê-la. Fortaleceste a fraqueza do meu olhar, brilhando com força sobre mim. Estremeci de amor e temor. Dei-me conta da imensa distância que me separava de ti, pela enorme diferença que há entre tu e eu. Como se eu ouvisse a tua voz, falando-me do alto: Sou alimento de adultos: cresce e poderás te nutrir de mim! E tu não me transformarás em tua carne, como sucede com a comida temporal, mas Eu te transformarei em mim.

Eu buscava o caminho para adquiri vigor, que me fizesse capaz de saborear-te, mas não o encontrava, até que abracei com o Mediador entre Deus e os seres humanos, Cristo Jesus, também ele homem, que está acima de todas as coisas, Deus bendito por todo o sempre, que me chamava, dizendo: Eu sou o caminho da verdade e da vida! Ele é o que mescla aquele alimento, que eu não podia assimilar, com a carne, já que a Palavra se fez carne, para que, em atenção ao nosso estado de infância, para que fosse como leite Sua Sabedoria, pela qual todas as coisas tinham sido criadas.

Tarde eu te amei, ó Beleza tão antiga e tão nova! Tarde te amei! E tu estavas dentro e não fora de mim, e assim, enquanto por fora de mim eu te buscava, e, disforme como era, me atirava sobre as coisas formosas que tu criaste. E Tu estavas comigo, mas eu não estava contigo! Prendiam-me longe de ti aquelas coisas que, se não estivessem em ti, não existiriam sequer. Tu me chamaste e gritaste e rompeste minha surdez! Brilhaste e resplandeceste e curaste a minha cegueira! Exalaste teu perfume e o aspirei e agora anseio por ele! Eu te provei e agora sinto fome e sede de ti! Tu me tocaste e desejei, com ânsia, a paz que procede de ti!"

(Do livro Confissões de Santo Agostinho)

Postado em: https://carloslopesshalom.wordpress.com

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