POR QUE A IGREJA ICOMODA O MUNDO?

Por: Carmadélio Silva

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Estava pensando nesse dias o porquê do mundo ter tanta resistência a Igreja e, de forma especial nestes tempos a mídia ser a porta voz dessa insatisfação, que é quase geral.

Quero partilhar algumas conclusões que cheguei a esse respeito.

A posição doutrinal da Igreja em inúmeros assuntos incomoda o “mundo” porque é uma posição firme, alicerçada na revelação, na tradição e vem dentro de uma linha de continuidade coerente milenar, em um mundo que falha, tanto na análise fragmentada da realidade, optando sempre pela análise parcial, como também pela predominância de uma visão materialista, racionalista, sem levar em conta na análise outras referências como a Teologia, a Filosofia, a Ética, os valores e direitos humanos, legitimos, a Psicologia e a História.

Principalmente a história da Igreja, quase sempre analisada de maneira anacrônica, usando critérios do presente para analisar o passado sem se transportar para o contexto histórico e cultural que, se não os justifica, pelo menos atenua o julgamento sempre indefensável.

Ciências, com a Teologia ou a Filosofia fazem parte do conhecimento humano e são importantes também na análise completa de qualquer situação. É exatamente essa fragmentação de análise que cria tantos problemas, já que a Igreja procura analisar as questões modernas baseada não apenas no fato em si mas nas implicações mais profundas,como no caso do preservativo (a defesa da lei natural, a defesa da vida em relação AIDS,o respeito ao corpo do outro, o evitar a gravidez indesejável e muitas vezes o aborto que a acompanha.etc.)

Por detrás de muitas posições “modernas” existem ideologias de fundo que defendem posições incompatíveis com a dignidade humana, posições fragmentadas de conhecimento; alguns argumentos, por exemplo, usados para defender o direito da mulher a seu corpo em relação ao aborto, fere o direito do filho à vida! É verdade, que qualquer pessoa tem “direito” a  seu corpo de forma responsável, mas não pode em nome deste “direito” desrespeitar o direito do outro,neste caso o direito do feto à vida!! É uma PARTE da verdade falar do “direito” ao corpo, MAS não é TODA a verdade! Isso ficou muito claro neste  último caso midiático do aborto dos gêmeos Pernambucanos envolvendo a garota de nove anos. Pensou-se só na garota,vítima sofrida,não se pode negar de forma nenhuma,porém com o sacrifício de duas vidas inocentes.

E por aí vai. Meu direito legitimo a locomoção não me dá direito de colocar em risco a vida das pessoas quando de forma irresponsável dirijo apressado.

O Direito a liberdade não me dá o direito de fazer tudo o que tenho vontade de fazer, pois minha liberdade individual está inserida em um contexto social e cultural que precisa conviver igualmente com outras “Liberdades” individuais tão importantes como a minha.

Ainda por cima, existem convicções que a igreja possui, alicerçada na revelação, nas Escrituras, na Assistência do Espírito Santo em sua tradição e Magistério e no simples bom senso, que o mundo não aceita como, por exemplo, os valores morais absolutos; o mundo tende a julgar as coisas a partir da liberdade individual absoluta, onde “é verdade aquilo que eu acredito que é verdade”.E  é meu “direito” pensar assim..

O mundo também nega ou minimiza a lei natural, um dos pontos de partida da Igreja para analisar, por exemplo, a incompatibilidade de relacionamentos sexuais entre homens e a busca de legitimação que se procura dá a aquilo que a natureza em sua normalidade (no sentido de norma, de senso comum) oferece..

Muitos pensam que a Igreja parte apenas da Teologia para suas posições, na verdade ela procura fazer uma análise a mais completa possível, vendo todos os aspectos envolvidos,inclusive a teologica ,claro, principalmente em assuntos polêmicos onde a fé intercede com a ciência e a razão.

Na verdade, o conhecimento de Cristo, não só intelectual, é fundamental para a validação pessoal de muitos posicionamentos da Igreja, a rejeição de muitos pontos de vista eclesiais revela a superficialidade de muitos que se opõem a Igreja, repetindo idéias caducas e requentadas dos outros e até daqueles que se dizem católicos, mas que defendem idéias absurdas, contrárias à fé, como alguns políticos demagogos fazem em nosso país de maioria Católica.

Isso funciona com muitos profissionais formadores de opinião, como jornalistas, professores, apresentadores de programas de TV, etc

É um dever se apresentar TODA a verdade, dentro daquilo que se entende e é também  dever de todo formador de opinião analisar a situação de forma mais completa possível para dar oportunidade das pessoas se posicionarem e terem sua própria opinião,sem serem manipuladas.

Por exemplo, no caso de um jornalista, se espera que ele apresente o fato jornalístico o mais isento possível, conhecendo o contexto, averiguando as informações, checando as fontes, conhecendo os termos e  dados técnicos envolvidos na situação, no nosso caso católico, conhecendo nossos termos e significados teológicos, sabendo o que Igreja pensa e defende, mesmo que não concorde. O papel do jornalista neste caso não é de crer mas de noticiar com isenção a noticia mostrando sempre os lados da questão.

A profissão jornalística é fundamental em qualquer Estado e não vai aqui nenhuma critica ao trabalho destes profissionais, pelo contrário, eles tem feito um excelente trabalho, principalmente no que tange o ” jornalismo investigativo”,especialmente na politica.

O jornalismo, como a Igreja, serve a verdade, não necessariamente religiosa, e o bem comum da sociedade.

Pode se dizer que é quase um “sacerdócio”, como a Medicina e outras profissões que servem ao homem de forma mais direta; é, portanto, mais do que um “ganha pão” já que trabalha formando mentalidade que pode nortear as opiniões e decisões das pessoas.

No caso de uma noticia religiosa não se espera que o jornalista minta ou falseei a verdade para agradar a Igreja, claro, mas que tenha um conhecimento básico do que está noticiando. Agora mesmo na páscoa um meio de comunicação anunciou que Jesus havia reencarnado,ele queira dizer, na verdade,ressuscitado!

Não sei se rio ou choro. veja a legenda da foto onde aparece a encenação da paixão de Cristo.

http://www.estadao.com.br/interatividade/Multimidia/ShowFotos.action?destaque.idGuidSelect=D72B574C9A684A9BB40240B5E2CB7B3C

Também não se espera que o jornalista acredite em tudo que a Igreja ensina, mas que respeite e apresente a doutrina nos casos polêmicos ou não, por inteiro, sem fragmentar nem pegar apenas frases citadas fora do contexto para justificar posições, que entenda o que a Igreja está querendo realmente dizer, publique,colocando entre aspas, mas publique.

Eu mesmo já fui “vitima” de uma entrevista dada a uma revista protestante de circulação nacional chamada “Eclésia”, entrevista feita pelo telefone, onde o jornalista não me explicou realmente do que se tratava a reportagem, bem tendenciosa por sinal. Eu tinha o direito de saber  o contexto exato pois a minha aceitação teria sido outra.

http://www.eclesia.com.br/revistadet1.asp?cod_artigos=24

A imparcialidade absoluta é quase impossível em se tratando de análise de posições que envolvem religião, esporte ou política, por exemplo, porém precisa-se procurá-la.

Mesmo nós cristãos católicos somos influenciados em nossa análise pelo nosso conhecimento da verdade. Claro! Porém nossa palavra e posição final não pode ser baseada somente em nossa opinião pessoal,tão vulnerável tantas vezes,mas em algo que vai além,especialmente em assuntos que a igreja já se posicionou de forma clara.

Em nosso caso católico: na Revelação que Deus fez de si mesmo na história de um povo em sua palavra oral e escrita e que se plenificou na Igreja Católica, em seu Magistério assistido pelo Espírito Santo e em sua tradição.

Fonte: http://www.comshalom.org/blog/carmadelio/?p=256

Postado em: https://carloslopesshalom.wordpress.com

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