MULHER, TRABALHO E FAMÍLIA

Por Nuria Chinchilla

Mulher

Nosso tempo é, sem dúvida alguma, a época das mulheres. Três são os fatos fundamentais que tiveram lugar no século XX: o direito ao voto com a conseqüente autonomia legal em relação a direito civis, a maior igualdade no acesso à educação e o ingresso massivo no mercado de trabalho.

Na era feudal (séc. X-XIII), as mulheres das classes mais ricas podiam ter e administrar feudos, iam às cruzadas, governavam e algumas chegaram a ter um grande poder político, econômico e social, devido ao seu cargo, terras, parentesco ou ocupação. Esta situação mudou a partir dos últimos séculos, sobretudo na Idade Moderna e Contemporânea, com o desenvolvimento da mentalidade burguesa e da influência do Código Napoleônico de 1804, seguido por outros países.

No início do século XX as mulheres não votavam nem ocupavam cargos públicos; sequer tinham propriedades, pois transferiam os bens herdados ao marido e, certamente, não lhes era permitido dedicar-se ao comércio, ter uma negócio próprio, exercer diversas profissões, abrir uma conta corrente ou obter crédito. Os códigos civis e penais as consideravam menores de idade perante a lei. O direito feminino ao voto foi sendo alcançado ao longo do século XX. O ingresso massivo da mulher no mercado de trabalho – com exceção do trabalho nas fábricas em plena Revolução Industrial – teve início apenas na metade do século passado. Uma vez atingidos esses objetivos, que poderíamos chamar de “feminismo reformista”, acontece um parênteses, até os anos sessenta.

Mais tarde, assistimos a uma segunda onda que poderíamos denominar “feminismo revolucionário”. São os anos nos quais o número de mulheres nas universidades e nos diversos tipos de trabalho aumentou consideravelmente. Advogou-se uma “nova ética” que rompesse com a sociedade, com a família convencional, e que “liberasse” a mulher das “cadeias da natureza”, tal como foi formulado por Simone de Beauvoir. Para muitos pensadores, como o filósofo Julián Marias e o psiquiatra Aquilino Polaino, entre outros, este é o fato fundamental que nos ajuda a compreender nossa época. O que já é chamado de o “desmantelamento da sexualidade” (com a anticoncepção como hábito) e abriu portas a outro fenômeno decisivo da humanidade: a fecundação in vitro.

A partir de 1975, percebe-se um certo cansaço. As mulheres não estavam satisfeitas com os resultados da segunda fase do feminismo – que reivindicava sobretudo a liberação sexual – em comparação com a primeira fase (voto, ensino, independência econômica). Precisamente em 2005, na Conferência Mundial da Mulher organizada pela ONU, alguns movimentos feministas começaram a postular e a louvar mais a diferença e a complementaridade do que a igualdade radical. É o neofeminismo.

O fato de que a mulher tenha se incorporado massivamente ao mercado de trabalho não quer dizer que todas devam ou desejem fazê-lo. Trata-se, pois, de gerar graus de flexibilidade nas estruturas sociais para que estas se adaptem à família e a suas necessidades, e não o contrário.

A legislação e algumas medidas tomadas parecem mais focadas em fomentar o ingresso das mães ao mercado de trabalho do que acrescentar um verdadeiro apoio à família, que permita escolher com liberdade entre permanecer em casa ou conciliar o trabalho do lar com outro externo.

Pouco a pouco está surgindo um novo feminismo integrador. É o feminismo da complementaridade, da cooperação com o marido em todos os âmbitos da vida familiar, cultural, empresarial e social – que requer um conjunto de mulheres aptas a ele, em postos chaves de decisão (legislativo, trabalhista, político e empresarial) e uma sensibilidade especial por parte do marido para entender essa realidade e apoiar essas mudanças.

Duas idéias-chave podem torná-la realidade: a mulher já está no mercado de trabalho e não o deixará, e a família é de ambos, homem e mulher, pai e mãe.


Nuria Chinchilla é professora de gestão de pessoas e organizações no IESE (Insituto de Estudos Superiores da Empresa). Doutora em Ciências Econômicas e Empresariais, licenciada em Direito, mestre em Economia e Administração de Empresas pelo IESE.

Fonte: http://www.portaldafamilia.org/artigos/artigo448.shtml

 

Postado em: https://carloslopesshalom.wordpress.com

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