A CAMPANHA PARA A DESCRIMINALIZAÇÃO DO ABORTO JÁ COMEÇOU…

Por Carlos Lopes

Comentário sobre o artigo: “Xenofobia, homofobia. Até onde vai a intolerância ?” de Paulo Henrique Amorim (ver na íntegra, abaixo)

Criança chateada

Concordo em parte com o Paulo Henrique:

Concordo na parte em que se deve respeitar cada um segundo sua condição social, de raça, de pensamento, de religião, etc.

Concordo em banir qualquer forma de intolerância que incite a violência física ou moral, ou seja, a uma cultura de morte.

Discordo em grande parte com o Paulo Henrique:

Discordo sobre a abrangência do seu conceito de intolerância. Por exemplo, eu não tolero (consentir tacitamente, segundo o Aurélio) o homossexualismo, a pobreza, o aborto. Isso não significa dizer que não tolero os homossexuais, os pobres, ou os que defendem o aborto! "Uma coisa é uma coisa, outra coisa, é outra coisa!" (como diriam alguns futebolistas… rs)

Discordo no modo claro do artigo em instrumentalizar os conceitos, juntando coisas diferentes como numa receita de bolo, para unificar reinvidicações diversas…

Ser intolerante à pobreza (estado) é algo bom, afinal, a pobreza rouba a dignidade do homem. Por isso, o governo tem feito ótimos avanços no combate à pobreza.

Ser intolerante ao homossexualismo (estado) é algo bom, afinal, a sexualidade vivida de maneira desordenada desfigura o homem e só traz infelicidade, ferindo a sua dignidade. Diferente disso é ser intolerante à pessoa, aqueles que abraçaram com a sua liberdade este estado, seja por desvios comportamentais, seja por tendências adquiridas já desde a infância.

Ser intolerante ao aborto (ato, não estado) é algo bom, afinal, o respeito à vida deve ser prioridade em qualquer sociedade. Ser intolerante a quem é favor ao aborto é uma outra história…

Ou seja, existe uma mistura de conceitos disfarçada para nivelar coisas lícitas com coisas ilícitas!

Discordo quando o jornalista assume o Serra como porta-voz dos cristãos! O fato dele ter se aproveitado com fins eleitorais das reinvidicações dos cristãos, não quer dizer que somos seus eleitores ou partidários! O nosso porta-voz, como cristãos, católicos, é o nosso Papa Bento XVI.

O Paulo Henrique se faz incoerente neste artigo a um ponto absurdo de intolerância e violência moral quando unifica e rotula todos os que, pela internet, fizemos campanha contra o aborto! Eu não sou um "brucutu", nunca estudei em colégio particular e nem moro em bairro nobre (não que isso seja algo ilícito)! Porém, sou um cristão e defendo a vida! Só tenho um alvo para fixar o meu olhar: Jesus Cristo! Ele é o verdadeiro Amor!

E ainda tenta vincular a nós, cristãos, aos políticos e partidos da chamada "direita". O fato de existirem conceitos ou objetivos coincidentes com algumas políticas partidárias, sejam de "esquerda ou de direita" não significa que os cristãos sejam "classificados" ou "moldados" de maneira partidária.

Por exemplo: todos os cristãos devem aplaudir o fato do governo Lula ter conseguido diminuir a pobreza no Brasil (se através de meios lícitos, claro!)! Isso significa dizer que somos de "esquerda"? Não!

Todos os cristãos devem lutar contra as políticas que querem implantar o aborto no Brasil e se algum partido de direita lutasse contra isso, merecia também aplausos! Isso significa dizer que os cristãos seriam de "direita"? Não!

A questão da moral cristã é apartidária!

Acho injusto quando a legislação trata aqueles que são contra o "estado" (ou seja, a doença) com um mesmo termo (pejorativo) daqueles que são contra as pessoas atingidas (os doentes), inclusive com violência física e moral! Não concordar com o homossexualismo não é a mesma coisa de desrespeitar ou ser violento com homossexuais, e portanto, não deveriam todos ser rotulados de "homofóbicos". Isso é um absurdo!

Tenho amigos homossexuais, espíritas, ateus, de "direita", de esquerda", etc. Todos eles sabem que não concordo com alguns de seus atos ou de seus "estados", mas todos sabem que têm o meu respeito como seres humanos, meus irmãos, filhos de Deus!

Discordar por Amor não é racismo ou "pré-conceito"! Querer o que é realmente bom para o outro, dentro dos seus princípios e idéias, é algo necessário.

Tem uma passagem na Bíblia que é bem forte sobre isso. É quando Caim mata Abel e Deus pergunta àquele: "Onde está o teu irmão?" Ele responde: "Não sei. Por acaso eu sou guarda do meu irmão?"…

Somos todos parte da mesma "inteira família humana", independentemente de qualquer coisa! Somos responsáveis sim, uns pelos outros! Sempre respeitando a liberdade de cada um…

Para mim, seria muito mais cômodo calar-me diante da implantação de uma cultura gay, materialista, abortista, relativista, hedonista. Afinal, bastaria eu proteger "os meus"! Mas, como cristão, sou chamado sim a lutar contra tudo o que desfigura o homem, a sua identidade mais profunda, como criatura amada de Deus, vocacionado a ser filho através do Filho (Jesus), vocacionado à santidade e à eternidade!

O artigo conduz o caso da violência daqueles jovens a uma conclusão absurda, sofismática!

É como se os cristãos fossem um bando de "direitas, violentos, racistas, enfim,  "dragões da maldade"… Ou seja, ele quer nos fazer acreditar que quem é contra o aborto é um homofóbico racista! É clara essa condução! Utilizar da violência sofrida de maneira tão brutal por esses jovens para colocar os "defensores do aborto" num mesmo patamar de “vítimas da intolerãncia” é uma estragétia que desrespeita a inteligência dos seus leitores!

Até entendo os porquês: o Edir Macedo já se declarou a favor do aborto!

É… a capanha para a descriminalização do aborto realmente já começou… Não mais impondo com leis na surdina, mas pelo convencimento popular através de mentiras disfarçadas de "verdades"; pela deturpação de conceitos e instrumentalização de fatos…

Que Deus nos proteja e nos dê discernimento!

Carlos Lopes

Artigo Original Recebido:

Xenofobia, homofobia. Até onde vai a intolerância ?

Publicado em 15/11/2010 

Ontem em São Paulo: intolerância se aprende na escola

Saiu no Agora (único jornal de São Paulo que presta), pág. A-6.

Jovens espancam quatro em ataques na Avenida Paulista.

Polícia apura homofobia em três ataques cometidos por cinco jovens de classe média.
Os “atacantes” moram com os pais em bairros de classe média e classe média alta e estudam em colégios particulares.
Eles deram socos e usaram lâmpadas fluorescentes.
Um dos “atacados” é homossexual.
Uma das vítimas disse na delegacia que enquanto batiam, os jovens gritavam “bicha, você é v… está com o namorado ?”.
Os “atacados” vinham ou iam para o trabalho.
O ataque foi às 3h da manhã de ontem.

Segundo o Agora (único jornal que presta em São Paulo), este é o terceiro caso de intolerância em São Paulo de outubro para cá.
A intolerância vai por degraus.
A ordem dos degraus não altera a intensidade da intolerância.
Cabem nela os homossexuais, os pobres, os nordestinos, os que defendem o aborto, os judeus, os muçulmanos – os diferentes.
A melhor maneira de aprender a odiar o “diferente” é estudar em escolas em que só há “iguais”.
É assim que terminam políticas para desconstruir a escola pública em benefício da escola particular: em intolerância, a fase inicial do racismo.
A nova onda de intolerância começou no segundo turno desta eleição, quando o candidato José Serra e seus brucutus na internet trouxeram para a sala de jantar o vaso sanitário da patologia social brasileira.
… Serra criou a Direita Cristã no Brasil.
Serra montou no dragão da maldade.
Não ganhou a eleição.
Mas vai tentar ganhar de novo.
Só tem um problema.
O dragão da maldade é ingovernável.
Pode derrubar o cavaleiro (de novo).

Paulo Henrique Amorim

______________________________________________________

Postado em: https://carloslopesshalom.wordpress.com

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