GAGA SOBRE GAGA

Por Elizabeth Lev

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Ainda possam surgir objeções sobre a forma e o significado que a arte contemporânea apresenta, pelo menos Calatrava e Arnaldo Pomodoro podem ostentar o duramente conquistado título de artista. Esta semana me deparei com outro uso do título, o de pop star.

Enquanto acompanhava duas meninas, de 11 e 13 anos de idade, outro dia no Vaticano, assim que deixamos a Capela Sistina, a mais velha me perguntou: “Quem foi Judas?”. Eu não me iludia imaginando que essas meninas pediriam uma catequese sobre a Paixão de Cristo, mas não se pode culpar um historiador de arte de tentá-lo. Respondi que foi o amigo de Jesus que o traiu ao vendê-lo aos seus inimigos por dinheiro e, então, incapaz de acreditar que poderia ser perdoado, ele se suicidou em seu desespero.

De repente, as meninas disseram: “A Lady Gaga fez uma música sobre ele. Ela é a minha artista favorita!” (a “artista” em questão acaba de dar um concerto em Roma para comemorar o Dia do Orgulho Gay). Depois de uma tarde com Michelangelo, Rafael e as esculturas gregas clássicas, devo admitir que considerei a referência cultural das jovens senhoritas um pouco chocante.

Artistas do nível de Michelangelo – que, 500 anos após sua morte, ainda atrai 5 milhões de visitantes por ano às quentes e lotadas salas do Vaticano para maravilhar-se diante das suas conquistas extraordinárias e da declaração gloriosa do valor da pessoa humana – têm pouco em comum com a Lady Gaga (Stefani Germanotta), cuja “mensagem” é marcadamente trivial em comparação.

Defendendo calorosamente sua heroína, as meninas disseram que a mensagem da senhorita Germanotta é que as pessoas “nascem do jeito que são e deveriam ser livres para poder viver como quiserem”. Então eu perguntei: piromaníacos, cleptomaníacos, adúlteros em série que afirmam ter nascido com esta tendência deveriam poder viver “como querem”? O mantra de Germanotta de “nasci assim” é o pretexto mais frívolo para o mau comportamento, desde aquela história de que “o diabo me obrigou a fazer isso”.

Minha consternação diante desta mensagem atraiu a inevitável acusação da menina de 13 anos: “Então você não gosta dos bissexuais?”.

De alguma maneira, aos olhos dessas meninas, a rejeição à inacreditavelmente irritante música da senhorita Germanotta e a sua absurda representação de arte me converteu automaticamente em “homofóbica”. Não caminhar ombro a ombro com a cultura secular deve ser o único ato intolerável nesta sociedade tolerante com estilo próprio. Na Antiga Roma, duvidar da divindade do imperador constituía alta traição, como muitos cristãos descobriram no circo. Ensinar as crianças a julgar os mais velhos desta forma tampouco era incomum no Terceiro Reich. A senhorita Germanotta gritará uma mensagem de tolerância, mas só para ela mesma e seus seguidores.

No umbral da Basílica de São Pedro, voltei-me a elas e lhes disse: “Não creio que na definição de você mesma importe muito com quem mantém relações sexuais para dizer quem você realmente é”. Elas riram e cochicharam.

Essa conversa ficou gravada em mim durante os dias seguintes, alguns momentos da mesma me preocuparam profundamente.

Como ato de penitência, vi vários vídeos de Lady Gaga durante os dias seguintes (a maioria com o som desativado, pois afinal tampouco estamos na Quaresma), e me chamou a atenção o fato de que apesar dos enormes grupos de modelos organizados para as super-produções de 4 minutos, a única cara que se vê é a da senhorita Germanotta. Os magníficos corpos que giram e ondulam estão sempre privados de rosto. Parecem máquinas para prover prazer (e lucros) a uma só pessoa: a senhorita Germanotta. Seu mundo é decididamente Gaga-cêntrico, todos os demais são seus satélites nas sombras.

Michelangelo cercou-se de um número similar de corpos (inclusive menos vestidos) para seu Juízo Final. Esses corpos rodeiam a figura de Cristo o Juiz, assim como os bailarinos rodeiam a senhorita Germanotta. Os nus de Michelangelo, no entanto, têm rosto e, o mais importante, alma. O espetáculo de rodopios de corpos cercando uma jovem de 25 anos que proclama que não há nada como o pecado (exceto não adotar seu estilo de vida), é uma paródia de Mad Magazine do Cristo triunfante de Michelangelo que atrai as almas para ele depois de sofrer e morrer para redimir os pecados da humanidade.

O que me leva ao ponto mais chocante das extravagâncias de Lady Gaga. Parece que depois de tantos anos, não há imagem mais poderosa que o amor, o sofrimento e o compromisso total que a produzida pelo Cristianismo. Temo que muitos de seus seguidores não sabem o que é uma religiosa (de fato, as meninas estavam fascinadas pelas religiosas), mas o hábito religioso ainda proclama a castidade e o compromisso com algo e Alguém maior que si mesmo. Mantém seu poder, razão pela qual uma estrela do pop tenha tentado explorá-lo. Em vídeos onde menos (roupa) é mais e a novidade é tudo, a tradição ainda pode cativar e desestabilizar. A senhorita Germanotta pode tentar exorcizar suas raízes católicas com piadas sobre monges de plástico, mas a simplicidade que ela ridiculariza será sempre mais simbólica que suas extravagantes sátiras.

Ninguém foi capaz de superar a imagem do sofrimento por amor exemplificada pela Paixão de Cristo. A coroa de espinhos, os braços estendidos, as feridas e a humilhação alimentaram muitos mais do que uma estrela do pop buscando atenção. Nenhuma estrela pop fantasia sobre a extração asteca de corações ou a decapitação da Revolução Francesa, mas no entanto erotizam com o sofrimento de Cristo, porque admitem seus efeitos duradouros. Jesus sofreu, não por uma vã excitação física, como a senhorita Germanotta, e o que queremos conhecer é a profundidade de seu amor, um amor que está disponível para todos. E de novo, a senhorita Gemanotta não entende que a sexualidade onívora não é o mesmo que o amor universal.

Stefani Germanotta cresceu em uma família católica romana. Recebeu os sacramentos e frequentou uma escola católica, ao contrário dos seus fãs adoradores, que frequentemente ignoram o Cristianismo. A senhorita Germanotta pegou seus “talentos” e os vendeu por uma quantia bem mais considerável que a prata recebida por seu predecessor, Judas. Alguém ainda pode ter esperança e rezar para que ela não siga o caminho do desespero, levando seus discípulos junto.

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* Elizabeth Lev leciona Arte e Arquitetura Cristãs no campus italiano da Duquesne University e no programa de Estudos Católicos da Universidade San Tommaso.

Postado em: https://carloslopesshalom.wordpress.com

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Um comentário em “GAGA SOBRE GAGA

  1. AS MULTI FACES DO NEO ATEÍSMO: MARXISMO CULTURAL, RELATIVISMOS, BBBs, SATANISMO E ANEXOS

    Os locais em que se concentram essas bandas e roqueiros muito doidões tatuados e em uso de roupas com mensagens subliminares satanistas, bailes e desfiles carnavalescos lascivos, axés, festinhas funks ou shows como de Lady Gaga, Iron Maiden, etc., festas ocultistas estilo halloweens ou de semelhantes esquemas são explícitas perversões e cultos ao esoterismo.

    Idem, as sexo-novelas, filmes e vídeos pornôs, assim como assistir e subsidiar os BBBs da vida, iguais a streap-tease em boites ou montagem de filmes imorais em público, etc., os mais diversos estilos, ritmos e tendências, uma parafernália de som e agito totais, se embalando à base de álcool, drogas, sexo e todo tipo de ateísmo e alienação possíveis nos locais.

    De fato, esses estratagemas fazem parte de um plano satânico da Nova Era – NWO – e há constantes denúncias de coligações com partidos socialistas/comunistas/TL e sociedades secretas para desagregar as pessoas por meio de promiscuidades gerais, desfamiliarizando-as em especial e alienando, destruindo todas as referências ético-moral-cristãs da Igreja católica.

    Disto pois redundarão pelas divisões entre si no engajamento de cada uma em determinado movimento reivindicatório – luta de classes – atiçando sempre a competição, a cobiça e a inveja, subvertendo-as e impondo à adoção do aborto, uniões gays e glbts, eugenia, pedofilia, indistinção sexual etc., situações que desagregam e aumentarão a violência e facilitará futura dominação de um povo desintegrado, amoral, e que será mais facilmente subjugado por um Estado socialista totalitário, opressor, materialista e ateu – uma patrulha ideológica social – são a síntese dos antecipados e soturnos projetos da NWO. Em suma, dividir e apresar.

    Aliás, quem participa dos eventos acima favorece a mais a injustiça, por cooperar financeiramente para ingressar ou assistir às depravações, incentivando novas apresentações; além do mais, as bandas de roqueiros alucinados ou individuais apresentadoras de shows, bailes etc., são todos asseclas de Satanás, provando-o por meio de muitas letras de músicas lascivas ou apologistas ao diabo – rock satânico, que possui ritmo “beat”, da Wicca, excitante sexual – e mais: vícios e comportamentos gerais e algumas tatuagens e piercings específicas que configuram seus seguidores, como: escorpiões, cobras, lagartos, chifres, etc.

    Concluindo: tais situações sob as diversas modalidades demonstram serem todos os participantes desses shows e locais de “PONTOS DE ENCONTRO E COMPARTILHAMENTO COM O DIABO E COM SEUS COMPARSAS NEO ATEÍSTAS”

    Enquadrar-se no acima é antecipadamente formalizar desde já parceria com o diabo para a eternidade.

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