ANÚNCIO DA PAIXÃO E PEDIDO DOS FILHOS DE ZEBEDEU – Mt 20, 17-28

Comentário

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18-19. O Senhor volta a profetizar aos Apóstolos a Sua morte e ressurreição. A perspectiva de julgar o mundo (cfr Mt 19, 28) podia deslumbra-los até pensarem num reino mes­siânico temporal, num caminho fácil, em que estivesse ausente a ignomínia da Cruz.

Cristo, além disso, prepara o ânimo dos Apóstolos para que quando chegue esta prova recordem que Ele a tinha profetizado, e esta recordação os ajude a superar o escândalo que padeceriam, O anúncio da Paixão é descrito com pormenor.

«Tudo o que as diversas manifestações de piedade nos trazem à memória nestes dias — diz Monsenhor Escrivá de Balaguer referindo-se à Semana Santa — se encaminha decerto para a Ressurreição, que é o fundamento da nossa fé, como escreve S. Paulo (cfr 1Cor 15,14). Mas não percorramos este caminho demasiado depressa; não deixemos cair no esquecimento alguma coisa muito simples, que por vezes parece escapar-nos: não poderemos participar da Ressur­reição do Senhor se não nos unirmos à Sua Paixão e à Sua Morte (cfr Rom 8,17). Para acompanhar Cristo na Sua glória no final da Semana Santa, é necessário que penetremos antes no Seu holocausto e que nos sintamos uma só coisa com Ele, morto no Calvário» (Cristo que passa, n.°95).

20. Os filhos de Zebedeu são Tiago Maior e João: A sua mãe, Salomé, pensando na instauração iminente do reino temporal do Messias, solicita para os filhos os dois lugares mais influentes. Cristo repreende-os porque desconhecem a verdadeira natureza do Reino dos Céus, que é espiritual, e porque ignoram a verdadeira natureza do governo na Igreja que ia fundar, que é serviço e martírio. «Se pensas que, ao trabalhar por Cristo, os cargos são algo mais do que cargas, quantas amarguras te esperam!» (Caminho, n.° 950).

22. «Beber o cálice» significa sofrer perseguições e martírio pelo seguimento de Cristo. «Podemos»: Os filhos de Zebedeu responderam audazmente que sim; esta generosa expressão evoca aquela outra que escreveria anos mais tarde São Paulo: «Tudo posso n’Aquele que me conforta» (Phil 4,13).

23. «O Meu cálice bebê-lo-eis»: Tiago Maior morrerá mártir em Jerusalém pelo ano 44 (cfr Act 12,2); e João, depois de ter sofrido cárcere e açoites em Jerusalém (cfr Act 4, 3; 5, 40-41), padecerá longo desterro na ilha de Patmos (cfr Apc 1, 9).

Destas palavras do Senhor deduz-se que o acesso aos lugares de governo na Igreja não deve ser fruto da ambição e das intrigas humanas, mas consequência da vocação divina. Cristo, que tinha os olhos postos em cumprir a Vontade de Seu Pai Celeste, não ia distribuir os cargos levado por considerações humanas, mas segundo os desígnios do Pai.

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BENTO XVI: CARREIRISMO NA IGREJA É CONTRÁRIO AO EVANGELHO

Catequese na audiência geral sobre o "munus regendi" do sacerdote

ROMA, quarta-feira, 26 de maio 2010 (ZENIT.org). – Na Igreja, a autoridade e a hierarquia constituem um serviço de amor em nome de Cristo, e por essa razão não há espaço para o carreirismo: foi o que afirmou nesta quarta-feira Bento XVI na audiência geral na Praça de São Pedro.

Em sua catequese, o Papa refletiu sobre o munus regendi do sacerdote, sua atribuição de governar, falando principalmente da relação entre hierarquia e a dimensão pastoral da Igreja.

A este propósito, o Pontífice observou como, com frequência, a hierarquia eclesiástica é concebida com algo que se contrapõe à humildade ensinada no Evangelho.

"Mas esta é uma má compreensão do sentido da hierarquia, que historicamente também causou abusos de autoridade e carreirismo", observou, e fruto de uma interpretação errônea do conceito de hierarquia, que significa na verdade "origem sacra", e remete assim a uma autoridade que vem de um Outro.

"Quem entra na sagrada Ordem do sacramento, a ‘hierarquia’, não é um autocrata, mas entra em um novo laço de obediência a Cristo", explicou.

"Também o Papa – ponto de referência de todos os demais Pastores e da comunhão da Igreja – não pode fazer o que quer; ao contrário, o Papa é custódio da obediência a Cristo, à sua palavra reassumida na regula fidei, no Credo da Igreja, e deve proceder na obediência a Cristo e à sua Igreja", acrescentou Bento XVI.

A Igreja de fato, exerce uma "autoridade que é serviço […] em nome de Jesus Cristo".

Assim, evidenciou que, "para ser Pastor segundo o coração de Deus, é necessário um profundo enraizamento na viva amizade com Cristo, não apenas da inteligência, mas também da liberdade e da vontade, uma clara consciência da identidade recebida na Ordenação Sacerdotal, uma disponibilidade incondicional para conduzir o rebanho confiado aonde Deus deseja e não na direção que, aparentemente, parece mais conveniente ou mais fácil".

"O significado profundo e último da tarefa de governar que o Senhor nos confiou," acrescentou, é aquele de "conduzir os homens a Deus, despertar a fé, erguer o homem da inércia e do desespero, dar a esperança de que Deus está próximo e guia a história pessoal e do mundo".

Finalmente, o Papa convidou os sacerdotes a participarem das celebrações de conclusão do Ano Sacerdotal, programadas para o período de 9 a 11 de junho próximo, em Roma.

"Orai – encorajou, enfim, os fiéis – para que saibamos tomar conta de todas as ovelhas, também daquelas perdidas, do rebanho a nós confiado."

Fonte: http://www.zenit.org/article-25023?l=portuguese

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26. O Concilio Vaticano II insiste de uma maneira notável neste aspecto de serviço que a Igreja oferece ao mundo, e que os cristãos hão-de apresentar como testemunho da sua identidade cristã: «Este sagrado Concilio, procla­mando a sublime vocação do homem, e afirmando que nele está depositado um germe divino, oferece ao gênero humano a sincera cooperação da Igreja, a fim de instaurar a frater­nidade universal que a esta vocação corresponde. Nenhuma ambição terrena move a Igreja, mas unicamente este objetivo: continuar, sob a direcção do Espírito Consolador, a obra de Cristo que veio ao mundo para dar testemunho da verdade, para salvar e não para julgar, para servir e não para ser servido» (Gaudium et spes, n. 3; cfr Lumen gentium, n. 32; Ad gentes, n. 12; Unitatis redintegratio, n. 7).

27-28. Jesus Cristo apresenta-Se a Si mesmo como exemplo que deve ser imitado por aqueles que exercem a autoridade na Igreja. Ele, que é Deus e Juiz que há-de vir a julgar o mundo (cfr Phil 2,5-11; Ioh 5,22-27; Act 10,42; Mt28, l 8), não Se impõe, mas serve-nos por amor até ao ponto de entregar a vida por nós (cfr Ioh15,1.3): esta é a Sua forma de ser o primeiro. Assim o entendeu São Pedro, que exorta os presbíteros a que apascentem o rebanho de Deus a eles confiado, não como dominadores sobre a herança, mas servindo de exemplo (cfr 1Pet 5, 1-3); e São Paulo, que não estando submetido a ninguém, se faz servo de todos para a todos ganhar (cfr 1Cor 9, 19 ss; 2 Cor 4, 5).

O «serviço» de Cristo à humanidade vai encaminhando para a salvação. Com efeito, a frase «dar a vida em redenção por muitos» não deve ser interpretada como uma restrição da vontade salvífica universal de Deus. «Muitos» aqui não se contrapõe a «todos» mas a «um»: Um é o que salva e a todos é oferecida a salvação.

Postado em: https://carloslopesshalom.wordpress.com

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