São José, o Patrono do Trabalho

São José foi como um instrumento útil e nobre que se utiliza para o trabalho, mas que depois se deixa de lado, sem reclamar. Em sua casa habitava o Messias, o Salvador do mundo, o “desejado das nações”; “o mais belo dos filhos dos homens”, como disse o salmista, mas São José nunca disse nada. Nunca se vangloriou disso. Quis sempre se conservar oculto; foi verdadeiramente um trabalhador humilde. E quando vieram os dias gloriosos e cheios de milagres para Jesus, José já não estava neste mundo. Toda a vida do Santo foi, portanto, um período contínuo de vida interior e de trabalho. Por isso a Igreja o tomou como Patrono dos trabalhadores.

São José é proposto pela Igreja, não só como modelo de uma categoria de pessoas, mas como modelo universal, ou seja, modelo de todas as virtudes, para todos e em qualquer idade e condição; e de modos especial, a todos que trabalham.

O grande São Justino (†167), filósofo e mártir nascido na Palestina, diz-nos que São José fabricava cangas de bois e charruas, uma espécie de arado.

A vida de São José esteve cheia de trabalho: primeiro em Nazaré, depois talvez em Belém, mais tarde no Egito e por último novamente em Nazaré. O seu ofício requeria naquela época destreza e habilidade. Na Palestina, um “carpinteiro” era um homem hábil, especialmente hábil e muito apreciado. Todos deviam conhecer José pelo seu trabalho. Não podia ser outro o perfil humano daquele que secundou com prontidão os planos de Deus e se viu submetido às mais difíceis provas, conforme nos relata o Evangelho de São Mateus.

No dia 1º de maio a Igreja celebra a memória de S. José Operário. O Papa Pio XII, instituiu em 1955 a festa de são José Operário, protetor e modelo de todos os trabalhadores. Pio XII quis cristianizar esta festa porque ela foi durante muito tempo um símbolo da terrível luta de classe marxista com manifestações de bandeiras vermelhas e punhos cerrados no ar. O 1º de maio tinha assumido um caráter contestatório sob a bandeira do socialismo internacional, signo do ódio e da vingança social. Disse o Papa Pio XII, naquele memorável dia 1º de maio de 1955, a uma manifestação de 200 mil operários que lotavam a Praça de São Pedro, e que substituíam o grito de ódio e morte marxista pelo da ressurreição e vida:

“Quantas vezes nós manifestamos e explicamos o amor da Igreja para com os operários! Apesar disso, propaga-se muito a atroz calúnia de que “a Igreja é a aliada do capitalismo contra os trabalhadores”. Ela, mãe e mestra de todos, teve sempre particular solicitude pelos filhos que se encontram em condições mais difíceis, e também, na realidade, contribuiu notadamente para a consecução dos apreciáveis progressos obtidos por várias categorias de trabalhadores. Nós mesmos, na radiomensagem do Natal de 1942, dizíamos:

“Movida sempre por motivos religiosos, a Igreja condenou os diversos sistemas do socialismo marxista e condena-os também hoje, sendo direito e dever seu permanecer, preservar os homens das correntes e influxos que põem em perigo a salvação eterna deles”.

“Neste dia 1º de maio, que o mundo do trabalho tomou como festa própria, nós, vigários de Cristo, queremos reafirmar, em forma solene, a dignidade do trabalho a fim de que inspire na vida social as leis da equitativa repartição de direitos e deveres. Tomado neste sentido pelos operários cristãos, o primeiro de maio, em vez de ser fomento de discórdias, de ódio e de violências, é e será um convite constante `a sociedade moderna de completar o que ainda falta à paz social. Seja portanto o 1º de maio uma festa cristã, um dia de júbilo para o triunfo concreto e progressivo dos ideais cristãos da grande família do trabalho”.

O Evangelho chama São José de “justo”, o que nos leva a entender que no seu trabalho era um homem dedicado e humilde e que sempre se comportou de maneira honesta e digna com os que servia. São Paulo disse aos colossenses: “Servos, obedecei em tudo aos senhores terrenos, servindo não pelo motivo de que estais sendo vistos, como quem busca agradar aos homens, mas com sinceridade de coração, por temor a Deus” (Col 3,22). E lembra aos senhores: “Senhores, tratai vossos servos com justiça e igualdade. Sabeis perfeitamente que também vós tendes um Senhor no Céu” (Col 4,1). Este é o espirito novo que deve haver no trabalho cristão; um relacionamento de justiça e de amor entre empresários e trabalhadores. E não a sanguinária luta de classes, que diminui tanto o trabalho quanto o trabalhador.

Poucos anos antes de São José abrir sua oficina em Nazaré, e escritor romano Cícero escrevia:

“… Têm uma inferior profissão todos os artesões, porque numa oficina não pode haver algo de decoroso.” O filósofo Aristóteles tinha sido mais categórico ao perguntar em seu primeiro livro da Política: “Devem-se contar entre os cidadãos também os operários mecânicos?”

A resposta foi dada pelo exemplo de Jesus Cristo que quis participar da condição operária ao lado de São José.

“Do ponto de vista cristão – como se lê no manual da Ação Católica – o movimento operário não é senão uma forma de elevação da humanidade, um aspecto especial daquele fenômeno geral da ascensão vislumbrado na parábola dos talentos.”

Para ressaltar a nobreza do trabalho a Igreja propõe para a nossa meditação São José operário.

Pio XII e João XXIII (o papa que introduziu o nome de São José no cânon da missa) renderam homenagem a este exemplar de vida cristã, ao homem trabalhador e honesto, fiel à palavra de Deus, obediente, virtudes que o Evangelho sintetiza em duas palavras: “homem justo”.

“Os proletários e os operários – escreveu Leão XIII, na encíclica “Rerum Novarum” – têm como direito especial o de recorrer a São José e de procurar imitá-lo.”

Na Encíclica de Leão XIII, de 15 de agosto de 1899, “Quamquam pluries” sobre São José, o Papa fala deste santo como Modelo especialmente para os trabalhadores:

“Os proletários então, os operários e todos os de humilde condição, devem, por um título que lhes é próprio, recorrer a São José e dele aprender o que tem a fazer. Pois ele, embora de régia estirpe, unido em matrimônio com a mais santa e excelsa entre as mulheres, e pai adotivo do Filho de Deus, passou contudo a vida no trabalho e, com seu trabalho e arte, obteve o necessário ao sustento dos seus.

“Bem considerando, não é objetiva a condição dos que vivem em humilde estado; e o trabalho do operário, longe de desonrar, pode ao contrário, quando unido às virtudes, enobrecer amplamente. José, satisfeito com o pouco e com o seu, suportou, de ânimo forte e elevado, as privações e dificuldades inseparáveis da paupérrima vida, a exemplo de seu Filho que, Senhor de todas as coisas, assumindo as aparências de servo, voluntariamente abraçou uma extrema pobreza e penúria de tudo.

“A estas considerações, os pobres e todos quantos ganham a vida com o trabalho das próprias mãos devem erguer a alma e pensar e sentir justamente. Se é verdade que a justiça lhes consente poder libertar-se da indigência e elevar-se a melhor condição, nem a razão, nem a justiça lhes permitem subverter a ordem estabelecida pela providência de Deus. Antes, o chegar a cometer violências e fazer tentativas com rebeliões e tumultos, é um partido inconsiderado, que o mais das vezes agrava os mesmos males cuja diminuição se desejava. Por isso, querendo os proletários agir com juízo, não coloquem suas esperanças nas promessas de sediciosos, mas no exemplo e no patrocínio do bem-aventurado José, como na materna caridade da Igreja, que tanto se interessa por sua condição”.

Retirado do livro: “O Sentido Cristão do Trabalho”. Prof. Felipe Aquino. Ed. Cléofas.


Fonte: http://cleofas.com.br/por-que-sao-jose-e-chamado-patrono-do-trabalho/

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