ABANDONO É A “DOENÇA” MAIS GRAVE DO IDOSO

Papa Francisco recorda que cuidados com os mais fragilizados é uma atitude humana e testemunha o valor da pessoa, mesmo se ela é idosa ou doente

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O Santo Padre lembrou que os cuidados com os idosos constituem uma atitude humana, de cuidar uns dos outros, especialmente de quem sofre. E testemunha que a pessoa é preciosa, mesmo se idosa ou doente.

“A pessoa, de fato, em qualquer circunstância, é um bem para si mesma e para os outros e é amada por Deus. Por isso, quando a sua vida se torna muito frágil e se aproxima da conclusão da existência terrena, sentimos a responsabilidade de auxiliá-la e acompanhá-la do melhor modo”.

O mandamento bíblico que pede para honrar os pais recorda, segundo o Papa, a honra que se deve dar a todas as pessoas idosas. Ele comentou que a sabedoria que faz reconhecer o valor da pessoa idosa e honrá-la é a mesma que permite apreciar os dons recebidos cotidianamente de Deus.

Honrar, conforme explicou Francisco, poderia ser traduzido hoje como o dever de ter extremo respeito e cuidar de quem, por sua condição física ou social, poderia ser deixado para morrer. O Santo Padre defende que o idoso precisa, em primeiro lugar, do cuidado da família, cujo afeto não pode ser substituído nem por estruturas mais eficientes nem por agentes de saúde competentes.

“O abandono é a maior ‘doença’ do idoso, bem como a maior injustiça que pode sofrer: aqueles que nos ajudaram a crescer não devem ser abandonados quando precisam da nossa ajuda, do nosso amor, da nossa ternura”.

“Exorto todos aqueles que, de alguma forma, estão empenhados no campo dos cuidados paliativos a praticar esse empenho conservando íntegro o espírito de serviço e recordando que toda consciência médica é realmente ciência no seu significado mais nobre somente se se coloca como auxílio em vista do bem do homem, um bem que não se alcança nunca ‘contra’ a sua vida e a sua dignidade”.

A realidade dos idosos também foi o tema central da catequese do Papa Francisco nesta quarta-feira, 4. O Pontífice destacou que as pessoas mais velhas não podem ser ignoradas, pois são a reserva de sabedoria de um povo.

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O AMOR AOS POBRES

por São Gregório de Nissa (c. 335-395), monge, bispo Sermão 1 sobre o amor dos pobres: PG 46, 463-466

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Vivamos segundo Deus

Nós, que por cada palavra da divina Escritura somos convidados à imitação do Senhor que nos criou na sua benevolência, eis que desviamos tudo para nossa própria utilidade, medimos tudo de acordo com a nossa vantagem. Atribuímo-nos bens para a nossa própria vida e reservamos o resto para os nossos herdeiros. E não pensamos nas pessoas que estão na miséria nem nos preocupamos minimamente com os pobres. Oh corações sem misericórdia!

Um homem vê o seu próximo sem pão e sem meios para obter o alimento indispensável e, longe de se apressar a oferecer-lhe a sua ajuda para o tirar da miséria, observa-o como observaria uma planta verdejante em vias de secar por falta de água. E, no entanto, este homem possui uma riqueza imensa e seria capaz de oferecer a muitos a ajuda dos seus bens. Do mesmo modo que o débito de uma única fonte pode irrigar numerosos campos numa grande extensão, assim a opulência de uma só casa consegue salvar da miséria um grande número de pobres, a menos que a parcimónia e a avareza do homem o venha a impedir, tal como uma rocha que cai num ribeiro lhe desvia o curso.

Não vivamos unicamente segundo a carne, vivamos segundo Deus.

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ESCOLHER OS QUE NÃO RETRIBUEM

Santa Teresinha do Menino Jesus (1873-1897)
Carmelita, Doutora da Igreja 
Manuscrito autobiográfico C, 28rº-vº (trad. ed. Carmelo 1996)

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«E serás feliz por eles não terem com que te retribuir»

Notei (e é muito natural) que as Irmãs mais santas são as mais amadas; procura-se conversar com elas, [e] prestam-se-lhes serviços sem que os peçam. […] As almas imperfeitas, pelo contrário, não são nada procuradas; as pessoas mantêm-se, sem dúvida, em relação a elas, dentro dos limites da cortesia religiosa, mas, receando talvez dizer-lhes algumas palavras pouco amáveis, evitam a companhia delas. […] Eis a conclusão que daí tiro: devo procurar, no recreio, nas licenças, a companhia das Irmãs que me são menos agradáveis, [e] exercer junto dessas almas feridas o ofício do Bom Samaritano [Lc 10,30-35].

Uma palavra, um sorriso amável, bastam, muitas vezes, para alegrar uma alma triste; mas não é exclusivamente para atingir esse objectivo que quero praticar a caridade, pois sei que bem depressa desanimaria: uma palavra que terei dito com a melhor intenção poderá ser interpretada completamente ao contrário. Assim, para não perder o meu tempo, quero ser amável para com todas (e em particular para com as Irmãs menos amáveis) para dar alegria a Jesus e corresponder ao conselho que Ele dá no Evangelho mais ou menos nestes termos:

«Quando derdes um banquete, não convideis os vossos parentes nem os vossos amigos, não vão eles também convidar-vos, por sua vez, recebendo [vós] assim a vossa recompensa; mas convidai os pobres, os coxos, os paralíticos, e sereis felizes por eles não vos poderem retribuir, pois o vosso Pai, que vê no segredo, vos recompensará» [Mt 6,4].

Que banquete poderia uma carmelita oferecer às suas Irmãs, senão um banquete espiritual composto de caridade amável e alegre?

Quanto a mim, não conheço outro, e quero imitar São Paulo, que se alegrava com os que encontrava alegres; é verdade que chorava também com os aflitos [Rm 12,15], e algumas vezes as lágrimas devem aparecer no banquete que quero oferecer, mas procurarei sempre que essas lágrimas se transformem em alegria [Jo 16,20], já que o Senhor ama os que dão com alegria [2Cor 9,7].

TESTEMUNHAR

Comentário do dia: São Rafael Arnaiz Baron (1911-1938)
Monge trapista espanhol 
Escritos espirituais, 1938/04/03

Garoto2Cruz

«Quem der testemunho de Mim diante dos homens, o Filho do homem dará testemunho dele diante dos anjos»

Pego hoje na pena para que as minhas palavras, estampando-se na folha em branco, sirvam para louvar perpetuamente o Deus bendito, autor da minha vida, da minha alma, do meu coração. Gostaria que todo o universo, com os planetas, todos os astros e os incomensuráveis sistemas estelares, fosse uma enorme extensão, polida e brilhante, onde eu pudesse escrever o nome de Deus. Gostaria que minha voz fosse mais potente que mil trovões, mais forte do que o bramido do mar, mais terrível que o estrondo dos vulcões, apenas para dizer: Deus! Gostaria que o meu coração fosse tão grande quanto o céu, puro como o dos anjos, simples como o da pomba (Mt 10,16), para nele colocar Deus! Mas, uma vez que toda esta grandeza com que sonhas não pode tornar-se realidade, contenta-te com o pouco e contido nada que és, meu irmão Rafael, porque o próprio nada deve satisfazer-te. […]

Porquê calar-me? Porquê escondê-lo? Porque não gritar ao mundo e publicar aos quatro ventos as maravilhas de Deus? Porque não dizer às pessoas e a todos os que querem ouvir: vedes aquilo que sou? Vedes o que fui? Vedes a minha miséria rastejando na lama? Pois pouco importa; maravilhai-vos: apesar de tudo isso, tenho Deus. Deus é meu amigo! Que o solo se afunde, e que o mar seque de espanto! Deus ama-me, a mim, com um tal amor que, se o mundo inteiro o entendesse, todas as criaturas se tornariam loucas e bradariam de assombro. E mesmo assim, seria pouco. Deus ama-me tanto, que nem os anjos o entendem!
A misericórdia de Deus é grande! Amar-me, a mim; ser meu amigo, meu irmão, meu pai, meu mestre. Ser Deus, e eu, ser o que sou! […] Como não enlouquecer; como é possível viver, comer, dormir, falar e lidar com as pessoas? […] Como é isso possível, Senhor! Eu sei; tu explicaste-me: é o milagre de tua graça.

QUINTA-FEIRA SANTA: CANTO “UBI CARITAS”

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Onde a caridade é verdadeira, Ali está Deus.
O amor de Cristo reuniu-nos aqui todos.
Exultemos e alegremo-nos n’Ele.
Temamos e amemos o Deus vivo.
E amemo-nos com um coração puro.
Onde a caridade é verdadeira, Ali está Deus.

Tendo-nos reunido aqui, tenhamos cuidado de não estarmos divididos no espírito.
Acabem as rixas e dissenções.
No meio de nós reine Cristo Deus.
Onde a caridade é verdadeira, Ali está Deus.

Fazei que vejamos juntamente com os bem-aventurados,
O vosso rosto glorioso,ó Cristo Deus.
Isto será para nós alegria imensa e pura.
Por todos os séculos dos séculos sem fim.

Amém.

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PREFIRO A MISERICÓRDIA

por Santo Agostinho (354-430)
Bispo de Hipona (Norte de África), Doutor da Igreja
Comentário sobre a primeira carta de João, § 8,10

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«Prefiro a misericórdia»

Ao amar o teu inimigo, desejas que ele seja para ti um irmão. Não amas o que ele é, mas aquilo em que queres que ele se torne. Imaginemos um pedaço de madeira de carvalho em bruto. Um artesão hábil vê essa madeira, cortada na floresta; a madeira agrada-lhe; não sei o que ele quer fazer dela, mas não é para a deixar como está que o artista gosta dela. A sua arte faz com que veja em que é que se pode transformar essa madeira; o seu amor não é dirigido à madeira em bruto; ele ama o que fará com ela e não a madeira em bruto.

Foi assim que Deus nos amou quando éramos pecadores. Na verdade, Ele disse:

«Não são os que têm saúde que precisam de médico, mas sim os doentes».

Ter-nos-ia Ele amado pecadores para que permanecêssemos pecadores? O Artesão viu-nos como um pedaço de madeira em bruto, vindo da floresta, e o que tinha em vista era a obra que nela faria, não a madeira em si, nem a floresta.

Contigo passa-se a mesma coisa: vês o teu inimigo opor-se-te, encher-te de palavras mordazes, tornar-se rude nas afrontas que te faz, perseguir-te com o seu ódio. Mas tu estás atento ao facto de ele ser um homem. Vês tudo o que esse homem fez contra ti, mas também vês nele aquilo que foi feito por Deus. Aquilo que ele é, enquanto homem, é obra de Deus; o ódio que te tem é obra dele. E que dizes tu para contigo? «Senhor sê benevolente para com ele, perdoa-lhe os pecados, inspira-lhe o Teu temor, converte-o.» Não amas nesse homem aquilo que ele é, mas aquilo que queres que ele venha a ser. Assim, quando amas um inimigo, amas nele um irmão.

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UM TESTEMUNHO DE VIDA! A ANENCEFALIA NÃO IMPEDE O AMOR!

Fonte: http://amadavitoriadecristo.blogspot.com/p/o-comeco-da-historia.html
O começo da história

"Quem não compreende um olhar, tampouco compreenderá uma longa explicação".

Mario Quintana

É com muita alegria que compartilhamos aqui neste blog a históriasurpreendente de amor e fé que temos vivido com nossa amadafilha Vitória de Cristo.

Com doze semanas de gestação, descobrimos que nosso primeiro e tão esperado bebê tinha um grave problema chamado acrania. Não havia se formado nele a calota craniana, e com a ausência de osso e de pele acima da cabeça, as estruturas cerebrais presentes estavam expostas e seriam danificadas em contato com o líquido amniótico. Ficamos sabendo que esse tipo de malformação é incompatível com a vida e que nosso bebê morreria logo após nascer. Provavelmente ela nasceria com anencefalia  e viveria apenas poucas horas. Por isso poderíamos buscar judicialmente o direito de interromper a gestação. Se decidíssemos continuar, não havia garantia de que esta chegaria até o final: o bebê poderia não resistir, e eu, sua mãe, poderia enfrentar alguns problemas como aumento de líquido amniótico e um parto complicado. Não era uma criança viável, e a morte era inevitável, mais cedo ou mais tarde, foi o que ouvimos.

Apesar de conscientes da gravidade da situação, decidimos acreditar que Deus poderia mudar esta sentença e fazer o milagre de curar nosso bebê, permitindo que ele fosse curado e sobrevivesse após seu nascimento. Enquanto nosso bebê estivesse vivo, pediríamos a Deus por ele todos os dias, e buscaríamos fazê-lo se sentir muito amado e bem-vindo. Logo descobrimos que se tratava de uma menininha, e escolhemos para ela o nome de Vitória de Cristo, pois além de consagrá-la a Deus, também acreditamos que é pelo sacrifício perfeito de Jesus na cruz que hoje temos esperança de uma nova vida, livres do pecado, da doença e da morte.

Pela nossa fé em Cristo, decidimos não viver um luto antecipado. Enquanto há vida, vamos celebrar a vida, foi o nosso pensamento. Decidimos amá-la da mesma maneira que temos sido amados por Deus, de forma individual, única e incondicional, sem rejeição, sem medo, sem nunca desistir. Em meio a muitas orações e lágrimas, vivemos momentos de grande alegria durante a gestação, vendo nossa filhinha crescer, começar a se mexer e chutar minha barriga todos os dias.


Não houve nenhuma intercorrência na gestação, nem mesmo aumento de líquido, ao contrário, nunca me senti tão feliz, bonita e livre como nos dias da gravidez. Recebemos um lindo chá de bebê feito por amigas queridas, preparamos todo o enxoval com o que de melhor pudemos comprar, e no dia 13 de janeiro de 2010 nossa amada filha nasceu de parto cesárea (que também foi tranquilo e sem intercorrências), com 38 semanas, pesando 1.785 kg e medindo 38 cm, e foi levada para a UTI Neonatal. Contrariando tantas previsões de morte, o que vimos foi uma criança cheia de vida, linda e tranquila, e ficamos maravilhados e gratos a Deus pelo privilégio de poder conhecê-la, carregá-la no colo e passar momentos inesquecíveis juntos.

E para a surpresa geral, a história não terminou aí! Apesar do crescimento restrito, ela nasceu bem, ficou dois dias na incubadora e no terceiro dia já estava no berço, em ar ambiente, começando a mamar na mamadeira. Mas ela enfrentou muitos desafios, várias infecções, dificuldade para ganhar peso, e por isso não pôde deixar o hospital. Em cada intercorrência, contudo, ela surpreendeu a todos com uma grande vontade de viver e incrível capacidade de recuperação. Após quatro meses de internação, surgiu uma possibilidade de cirurgia para reconstrução da calota craniana, que foi feita dia 19 de maio de 2010, com muito sucesso. E um mês depois ela pôde finalmente ir para casa saudável, respirando sozinha, mamando, vivendo!

Ninguém pode explicar como ela pôde sobreviver, contrariando toda a literatura e todas as previsões médicas durante o pré-natal. Exames realizados após seu nascimento mostraram que ela possui uma massa cerebral malformada, com algumas estruturas não reconhecidas, que podem ou não ter alguma função, e apresenta muitas reações. Diferente do que foi previsto na gestação, e do que se imaginou assim que ela nasceu, ela não desenvolveu anencefalia total, mas houve tecido cerebral preservado que tem permitido que ela viva e se desenvolva. Ela já recebeu diagnósticos diversos, desde anencefalia incompleta até encefalopatia crônica não-evolutiva. Como ela tem contrariado todas as regras, não é possível dizer ao certo até onde ela poderá chegar, já que tudo que ela tem feito é surpreendente e imprevisto. Pela fé, nós cremos que Deus continuará fazendo muitos milagres na sua vida, abençoando seu desenvolvimento de forma surpreendente.

Cada dia vivido com ela tem sido único e maravilhoso. A Vitória é uma criança adorável, sensível, delicada, tranquila e de personalidade marcante. A sua vida tem sido para nós um lembrete de que Deus existe, é poderoso e muito bom. Uma prova do quanto cada um de nós é muito amado por Ele.

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