EM DEFESA DA BEATIFICAÇÃO DA PRINCESA ISABEL

Em defesa da Princesa Isabel

Por Hermes Rodrigues Nery

APONTAMENTOS SOBRE A AUDIÊNCIA COM O ARCEBISPO DE SÃO SEBASTIÃO DO RIO DE JANEIRO, DOM ORANI JÕAO TEMPESTA, NA MANHÃ DE 20 DE AGOSTO, DE 2012, EM QUE ME VI NUM INESPERADO CAMPO DE BATALHA EM DEFESA DA PRINCESA ISABEL.

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Na manhã da segunda-feira, 20 de agosto, fui recebido pelo Arcebispo do Rio de Janeiro, Dom Orani João Tempesta e Dom Roberto Lopes, acompanhado de seu assessor, Alann. O encontro havia sido marcado para eu entregar a primeira parte do meu escrito Breve Retrato Biográfico da Princesa Isabel – Do nascimento à abolição – para a causa de sua beatificação.

O estudo foi um pedido de uma comissão de especialistas do Vaticano, da Congregação para a Causa dos Santos, que muito se interessaram pela história de vida da Princesa Isabel, história esta desconhecida dos brasileiros, especialmente sua vida de fidelidade à Igreja, cheia de heróicas virtudes.

A solicitação feita em 26 de dezembro de 2011, levou-me a aprofundar ainda mais na bibliografia existente. Dos livros lidos, destaco A Princesa Isabel – A Redentora, de Pedro Calmon (1941); A Princesa e Petrópolis, de Guilherme Auler (1953), Isabel, A Princesa Redentora, de Lourenço Luiz Lacombe (1988), Princesa Isabel – Uma vida de luzes e sombras, de Hermes Vieira (1990), Princesa Isabel do Brasil, de Roderick J. Barman (2005) e a tese de doutorado Princesa Isabel (1846-1921): A ‘Política do Coração’ entre o trono e o altar, de Robert Daibert Júnior, e alguns outros estudos.

Tomei todos estes livros e os apresentei a Dom Orani, mostrando, um a um, expondo alguns trechos inclusive, e fazendo menção a estadia de uma semana em Petrópolis, numa primeira consulta aos cerca de 80.000 documentos referentes à princesa Isabel, muito bem conservados pelo Arquivo do Museu Imperial de Petrópolis, ao qual tive excelente acolhida por parte de seus funcionários.

Logo após, disse a Dom Orani que estava deixando com Dom Roberto Lopes a primeira parte de meus apontamentos sobre a vida virtuosíssima da Princesa Isabel, vida santificada que muito orgulha a história do Brasil e do Rio de Janeiro. Dom Orani manifestou vivo interesse pela abertura da causa de beatificação e indagou a Dom Roberto se já havia sido obtida a licença da França para o início do processo. Ao que Dom Roberto respondeu que estavam aguardando o estudo que eu estava lhe entregando a primeira parte, para proceder aos encaminhamentos que se faziam necessários.

Foi quando, como um raio súbito em céu azul, seu assessor Allan desferiu bombástico, o primeiro golpe:

– Dom Orani, o movimento negro é contra esta causa.

E os três ficaram na expectativa do que eu tinha a dizer a respeito.

– Primeiramente gostaria de saber quem exatamente, qual grupo, qual segmento, qual corrente ideológica, etcetera. Não podemos fazer generalizações. Quem é contra e porquê?

Ao que o rapaz, de currículo acadêmico precário, recém graduado, e com uma dissertação sobre Maquiavel, julgou estar com um discurso de vanguarda repetindo chavões, eivados de reducionismos. E não demorou muito em fazer apologia a Zumbi dos Palmares, esse sim, um herói e um libertador.

Com serenidade, expliquei a Dom Orani que houve dois movimentos abolicionistas no Brasil, um deles fomentava a rebelião e a fuga dos escravos, e a confrontação contra os senhores, na lógica classista, recorrendo à via da violência. Esta foi a via de Zumbi, e muito se temia que se repetisse em nosso País o que houvera no Haiti e na guerra de Secessão, nos EUA: o derramamento de sangue.

A via adotada pela Princesa Isabel foi a solução católica, a promoção do abolicionismo pelo reformismo, pela via institucional, pela compra da alforria e a inclusão social do negro, integrado às irmandades religiosas leigas, que muito contribuiu para alforriá-los.

A própria Princesa Isabel alforriou seus escravos pessoais, e tinha convicção da solução católica, especialmente depois de visitar a Inglaterra, em 1865, e ter visto lá as origens do sindicalismo inglês, cujas propostas para equacionar os impasses criados no mundo do trabalho na era industrial não eram nada humanizadoras.

Ela mesma conheceu a capital francesa no exato dia em que lá explodiu a Comuna de Paris, e voltou daquela viagem determinada a fazer valer a solução católica, para evitar os horrores dos extremismos que afligiam a Europa e que não queria ver no Brasil tais violências. Vitoriosa na Primeira Regência, com a aprovação da Lei do Ventre Livre, conseguiu obter a libertação definitiva em 13 de maio de 1888, com a Lei Áurea.

Depois da explicação, o assessor de Dom Roberto, foi mais incisivo:

– O conceito de libertadora e de redentora foi criado pelos donos do poder, na realidade, o negro (com o modelo de Zumbi) foi o protagonista de sua própria libertação.

Doeu ouvir aquilo, doeu fundo, por se tratar de um pensamento eivado de equívoco ideológico, de erro histórico, de uma visão de história e de Igreja que não condiz com a verdade dos fatos e do sentido soteriologico de ser Igreja, a partir do ensinamento de Jesus Cristo, confirmado pelo ministério petrino, ao longo dos séculos.

Fazer apologia a Zumbi, no enfoque colocado pelo assessor, é contradizer o Magistério da Igreja em relação à doutrina social explicitada admiravelmente por Leão XIII na Rerum Novarum, e insistir em colocar na sombra as virtudes excelsas da princesa Isabel, que não foi passiva nem omissa diante da questão da abolição.

Ela buscou a solução católica e foi bem sucedida nesta missão, cujo êxito marcou um dos pontos culminantes de sua vida, tendo sido reconhecida pelo povo brasileiro como redentora, e agraciada com a Rosa de Ouro, presenteada pelo papa em louvor a sua ação tão de acordo com a doutrina social cristã. Não fosse a sua determinação, a sua firmeza de decisão e a sua sabedoria, a abolição poderia ter sido protelada ainda mais (pois desde 1810 era desejo de D. João VI viabilizá-la). E se prevalecesse a lógica de Zumbi (com a via da violência), a unidade nacional brasileira poderia ter sido pulverizada por forças anárquicas que ainda hoje tentam minar o que o Brasil tem de melhor.

Historiadores da atualidade, com Leandro Narloch, confirmam que "Zumbi tinha escravos. (…) mandava capturar escravos de fazendas vizinhas para que eles trabalhassem forçados no Quilombo dos Palmares. Também seqüestrava mulheres, raras nas primeiras décadas do Brasil, e executava aqueles que quisessem fugir do quilombo" (Guia Politicamente Incorreto do Brasil, Ed. Leya, p. 83; ver também o Dicionário do Brasil Colonial, de Ronaldo Vainfas, professor da Universidade Federal Fluminense).

Querer retirar da princesa Isabel o título de redentora, recebido em vida, pelo povo brasileiro, é apequenar a dimensão de grandeza espiritual que ela testemunhou em sua vida, especialmente cotidiana, cuja bondade inefável e sabedoria a muitos causou admiração.

E então o assessor lançou outro dardo, para que eu respondesse na frente de dom Orani e de dom Roberto:

– Atribui-se uma importância decisória à princesa Isabel que ela não teve, pois apenas substituiu seu pai no governo e por muito pouco tempo.

Já naquele segundo lance, percebi que a causa urgia ser defendida à luz da verdade histórica:

Expliquei aos senhores ali presentes que a princesa Isabel foi governante do Brasil em três períodos regenciais, que somados totalizavam mais de três anos de governo, e com prerrogativas decisórias plenas, garantidas em votação pelo parlamento brasileiro. Ela não substituiu o pai apenas, mas regeu, de fato, o Brasil, e a abolição só alcançou o êxito conhecido, por sua perseverança e determinação, e ainda a coragem de enfrentar Cotegipe, expondo com clareza seu pensamento abolicionista e substituindo-o por João Alfredo Correa de Oliveira. Determinou, em seguida, todo empenho do novo ministro na elaboração e votação da Lei Áurea, que foi aprovada, apesar da resistência de muitos proprietários rurais, que queriam ser indenizados pela perda dos escravos, mas que a princesa Isabel pelo texto enxuto apresentado e aprovado, liquidou de vez com o sistema escravagista, sem indenização. Decisões que contou com a coragem da princesa Isabel, ao que Cotegipe demitido vaticinou: "Sua Alteza, ganha a glória da abolição, mas perde o trono!"

O assessor de dom Roberto insistiu de que havia supervalorização na ação da princesa Isabel e lançou um novo torpedo:

– Dom Orani, saiba que esta é uma causa polêmica.

Ao que ressaltei:

– E qual causa de um grande santo não é polêmica?

E então, ele retrucou:

– E ainda mais: esta é uma causa política.

Ao que observei:

– E a causa de Santa Joana d’Arc, não fora também uma causa polêmica e política?

E ainda o assessor me inquiriu:

– O Conde d’Eu, marido da princesa Isabel, não era maçom? Dom Orani, me parece que ele maçom…

Ainda bem que eu levara os livros consultados, que apresentei, um a um, logo no início da audiência. Tomei a tese de doutorado de Daibert Júnior e li um trecho do capítulo "O casamento da princesa imperial: travessias do Atlântico", em que é feita uma análise do contexto do casamento da princesa Isabel, e afirma que dentre os critérios da escolha, "o marido de Dona Isabel, obviamente, precisava ser um príncipe católico". De maneira que o conde d’Eu era catolicíssimo, e de modo algum, em nenhum momento de sua vida teve envolvimento com a maçonaria. Pelo contrário, a fé da princesa Isabel foi se fortalecendo ainda mais com a convivência do conde d’Eu, que muito a ajudou, também intelectualmente, lendo junto com ela obras de profundidade espiritual, muitas vezes aconselhando e sugerindo, partilhando idéias e vivências, consolidando assim um matrimônio efetivamente venturoso, até o final da vida. Assim atestam seus biógrafos Alberto Rangel e Câmara Cascudo.

E acrescentei dizendo o que escrevera na primeira parte meu Breve Retrato Biográfico: “a princesa era reconhecidamente de uma convicção sólida, não apenas intelectual, mas daquela fé viva a mover os santos. Isso a fez melhor entender a cultura e a história de seu País, a entender o quanto a fé católica moldara a identidade e a vocação do Brasil, e a perspectiva de um dia vir a governar a levava se dedicar com mais afinco ao que ela sempre considerou como um sentido de missão, conjugar fé e política, legislação e vida, mesmo diante das forças ideológicas anticristãs que emergiam e atacavam cada vez mais os princípios e valores cristãos."

Dom Orani perguntou-me, dentre as ações beneficentes e caritativas da princesa Isabel, na vida pessoal, algo que eu pudesse destacar. Ao que lhe respondi, entre tantos exemplos edificantes, que como princesa, era tocante ver que um dos serviços escolhidos por ela como forma de ajudar a sua comunidade em Petrópolis, estava oferecendo serviços de ornamentação e limpeza da igreja, ela mesma com suas amigas, se prontificavam com regularidade e tudo faziam com esmero e alegria.

Nesse ínterim, apareceu Dom Antonio Augusto Dias Duarte, que nos cumprimentou efusivamente e ao saber que estávamos lá, entregando a primeira parte do nosso estudo, disse para Dom Orani que está rezando pelo êxito da causa de beatificação da princesa Isabel.

O arcebispo do Rio de Janeiro, que tudo acompanhava com atenção, disse novamente ser favorável à causa da princesa Isabel. E ainda lembrei que a revista Isto É havia nos procurado, desejando fazer uma matéria sobre a princesa Isabel, principalmente por causa do concurso promovido pelo SBT, que irá escolher O Maior Brasileiro de Todos os Tempos e ela está entre os 12 finalistas.

Dom Orani considerou positiva a divulgação, mas o assessor imediatamente arguiu que seria muito ruim uma publicação sobre a princesa Isabel, ainda mais falando sobre a possível abertura do processo de sua beatificação. “Não. Definitivamente isso não seria bom”, completou enfaticamente.

O assessor de Dom Roberto perguntou se eu tinha estado no Arquivo do Museu Imperial de Petrópolis, e o que eu podia dizer em relação aos documentos lá existentes referentes à princesa Isabel? Apresentei a ele reportagem divulgada em vários sites católicos noticiando a nossa visita ao Arquivo do Museu Imperial, em maio deste ano, e a constatação de cerca de 80.000 documentos referente ao período da vida da princesa Isabel, cartas dela para os familiares, amigos, personalidades da vida pública, autoridades civis e religiosas, até mesmo com os papas Leão XIII e São Pio X, que se corresponderam com ela.

O assessor disse a dom Roberto que era necessário juntar ao meu texto, ao menos 50 documentos fac-símile de cartas originais da princesa Isabel, como condição para requerer do prelado francês a licença necessária para a abertura da causa de sua beatificação. Logo após, salientei a dom Roberto de que o acesso de parte da documentação somente é possível com autorização expressa de membros da família imperial, e que cada fac-símile escaneado tem um custo, de maneira que a inclusão de 50 cartas fac-símile, de originais, demandaria tempo e recursos nesse sentido.

Ao que o assessor observou:

– Veja bem, dom Orani, esta é uma causa cara. Como custeá-la?

Disse a eles que o trabalho tem sido feito em meio a minhas muitas atividades, estudando e escrevendo no tempo além das minhas obrigações diárias, e chegamos até aqui e daremos continuidade, se Deus quiser, pela convicção da fé. Pois este trabalho é movido pela convicção da santidade da princesa Isabel, tão injustiçada, há décadas, por ideólogos anticristãos.

O assessor voltou a dizer a dom Orani que a causa seria cara, demandaria estudos e viagens a Europa, etc. E sugeriu, como forma de barateá-la, formar uma equipe de estudantes universitários, como estagiários, que ele mesmo poderia orientá-los, pois a documentação sendo tão extensa, requereria mais gente, daí o grupo de jovens estudantes.

A idéia, por muito interessante que pudesse parecer, tinha um risco: o que esperar de estudantes vindos de universidades secularizadas, relativistas e com concepções ideológicas classistas e reducionistas, quando não explicitamente anticristãs, com um orientador que coloca Zumbi como protagonista da libertação dos escravos? Senti ali que a causa da princesa Isabel corria perigo, e que providências deveriam ser tomadas para evitar interferências que viessem criar mais resistências. Recorrendo ao lema de São Bento, “ora et labora”, me vi assim, mais uma vez, em nova peleja em defesa da fé, da verdade e da justiça.

Todos esses questionamentos, assim de forma inesperada, deram-me um cansaço físico, fiquei tão extenuado ao final da audiência, que até esqueci-me de tirar uma foto do encontro. Mas fiz um apelo a Dom Orani para que tomasse as providências no sentido de abrir o processo de beatificação da princesa Isabel, destacando ainda muitos outros pontos de sua vida de fé e santidade.

Hermes Rodrigues Nery é coordenador do Movimento Legislação e Vida da Diocese de Taubaté, em São Paulo.

Taubaté, 31 de agosto de 2012

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09 DE AGOSTO – SANTA TERESA BENEDITA DA CRUZ (EDITH STEIN): feliz união da hebraicidade com a santidade cristã

Edith Stein, mártir: feliz união da hebraicidade com a santidade cristã

Santa Teresa Benedita da Cruz: esse é nome com o qual findou sua vida para entrar no Paraíso. Chamava-se, antes de ingressar na vida religiosa, Edith Theresa Hedwing Stein, sendo a última de uma série de onze irmãos gerados por Siegfried e Augusta Stein, judeus residentes na Silésia alemã.

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A jovem Edith Theresa Hedwing Stein

(www.santibeati.it)

A família de Edith

Sua família radicou-se em Breslau em 1890, e em 12 de outubro do ano seguinte Edith viria ao mundo. Seu pai era um comerciante de madeira, profundamente religioso e respeitador das tradições israelitas;  

Sua mãe considerava um sinal de predileção do Senhor o fato de Edith ter nascido quando se comemorava a festividade da Expiação, dia de penitência conforme os preceitos judaicos.

Ainda sem completar os dois anos Edit ficou órfã de pai, mas sua mãe, mesmo enfrentando a súbita pobreza que se abateu sobre a família, conseguiu assumir os negócios do marido, obtendo uma suficiente recuperação econômica para manter a família. Assim pôde encorajar os filhos a trilhar os caminhos do conhecimento e então se prepararem para a vida.

Os estudos e a religião

Nos estudos, Edith manifestou especial inclinação para a história e os idiomas. Aprendeu a falar corretamente francês, inglês e espanhol, além de ler latim, grego e hebraico (e também, pouco antes de partir para a eternidade, começou a aprender holandês). Chegando aos estudos superiores matriculou-se nos cursos de história e filologia, o que lhe despertou o interesse pela psicologia experimental, ponte para chegar à filosofia. Os problemas sociais foram estímulo para que Edith defendesse os direitos das mulheres e dos grevistas.

Quanto à religião, Edith era indiferente, tendo se tornado atéia, confessando que aos vinte e um anos não conseguia crer na existência de Deus. Apesar disso ia com a mãe à sinagoga, por delicadeza e não por devoção. Por vezes acompanhava uma amiga a um culto protestante.

Filosofia, o amor à sabedoria

O interesse pela filosofia levou-a a conhecer Edmund Husserl, o grande pensador fenomenologista de quem se tornou aluna, e depois assistente e secretária particular. Não fosse a ascensão do nazismo, Husserl teria sido sucedido por Edith na Universidade de Friburgo.

O método de raciocínio da fenomenologia muito agradava a Edith, e a leitura de escritos de Santa Teresa de Ávila foi um caminho para ela chegar à Igreja Católica. Porém quando leu um livro cujo título era "A vida de Santa Teresa contada por ela mesma" (que retirou por acaso da estante da casa onde estava hospedada no verão de 1921), sentiu-se identificada com o catolicismo. Leu-o de uma só vez, e concluiu: "é a verdade". Essa leitura fora feita durante a noite, e na manhã seguinte, com o auxílio de um missal e de um catecismo, começou sozinha a se instruir nas verdades da religião católica.

Pelo batismo Edith passa a fazer parte da Igreja Católica

A catequese de Edith foi feita de forma autodidática, e quando se julgou suficientemente instruída foi a uma igreja assistir à Missa. Ao fim, tendo esperado o celebrante (Pe. Eugenio Breitlig, vigário) concluir a ação de graças, após uma breve conversa pediu-lhe o batismo. O surpreso sacerdote disse-lhe ser necessário um catecumenato, e perguntou-lhe quanto tempo já tinha de instrução e quem lha dera, mas Edith humildemente pediu-lhe que a examinasse para ver se detinha suficientes conhecimentos. Na longa conversa que se seguiu o presbítero admirou-se pela ação da Graça sobre aquela alma, e o batismo foi marcado para o primeiro dia de janeiro seguinte, tendo ela recebido os nomes de Teresa e Edwiges (evidente alusão a Santa Teresa, sua mestra e modelo, e a Santa Edwiges, sua conterrânea da Silésia, e também nome da senhora que se tornava sua madrinha naquele momento). Batizada, Edith fez a primeira comunhão, tornando-se a Eucaristia o seu pão de cada dia. A crisma foi-lhe ministrada pelo bispo de Spira, na festa da Purificação (que ocorreu pouco depois).

Para cumprir uma dolorosa obrigação Edith viajou à sua cidade natal, e sem rodeios ajoelhou-se junto à mãe para dizer de forma doce e firme: "mamãe, tornei-me católica". As lágrimas de dona Augusta pouco depois se seguiram das que gotejaram dos olhos de Edith: a encruzilhada estava definida, e um profundo fosso as separava. Nunca mais a mãe respondeu às carinhosas cartas da filha, limitando-se certa vez a escrever lacônicas palavras em um bilhete.

Descobre a vocação para a vida religiosa

Continuando as leituras filosóficas, Edith chegou a São Tomás de Aquino e a São João da Cruz, o que lhe preparou a entrada para o Carmelo (religiosas carmelitas descalças). Em 15 de abril de 1934 passou a ser a Irmã Teresa Benedita da Cruz o.c.d., e em 21 de abril do ano seguinte proferiu os votos perpétuos. Por permissão superior continuou a escrever obras de caráter filosófico durante sua vida como religiosa. Edith então voltou as costas ao seu futuro, ao mundo cheio de amigos e admiradores, à família, e ingressou na solidão da vida religiosa contemplativa, escondida e sem exterioridades. As dificuldades quotidianas – não sabia costurar, por exemplo, e se embaraçava com a maior parte dos trabalhos manuais – eram enfrentadas com resolução e bom humor.

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Irmã Teresa Benedita da Cruz, o.c.d.

(www.santibeati.it)

Morta por retaliação à Igreja Católica

A ascensão de Hitler fez com que Edith, não ariana e com pensamento contrário ao que grassava na Alemanha, se mudasse para a Holanda, mas a expansão do poderio totalitário chegou até esse país. Antes que se concluíssem os trâmites legais para a transferência de Edith para a Suíça, foi ela presa com sua irmã Rosa (também convertida), sendo ambas deportadas para a Polônia, ação motivada contra os judeus católicos pelas atitudes antinazistas das autoridades do clero holandês. Mesmo nos confinamentos dos deportados nos quais foi ela inserida, e também nos vagões dos trens que a levaram para Auschwitz (Polônia), portou Edith o hábito de sua família religiosa, mantendo-se serena e confiante em Deus, exercendo forte ação de presença junto aos demais deportados e consolando-os em meio às aflições. Nos bilhetes que remeteu a partir dos locais onde esteve presa ressaltava que estava rezando, admitindo estar "contente com tudo". Ofereceu-se em sacrifício pela conversão de seu povo, sendo com sua irmã Rosa morta em uma câmara de gás em 9 de agosto de 1942.

Irmã Teresa Benedita da Cruz foi beatificada pelo Papa João Paulo II em 1 de maio de 1987, por ocasião de uma viagem desse Pontífice a Colônia, na Alemanha. O mesmo Papa a canonizou em 11 de outubro de 1998, o que foi motivo de grande alegria para toda a família carmelitana.

Fonte: Edith Stein (Elisabeth de Miribel, Editora Santuário, 2001)

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ATAS DO MARTÍRIO DE SÃO JUSTINO E DOS SEUS COMPANHEIROS

Actas do Martírio de São Justino e dos seus companheiros (ano 163); PG 6, 1565-1572
Antologia Litúrgica do Primeiro Milénio, trad. de José de Leão Cordeiro, SNL, Fátima, 2004)

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«O Espírito Santo vos ensinará, no momento próprio, o que deveis dizer»

Aqueles homens santos foram presos e levados ao prefeito de Roma, chamado Rústico. Estando eles diante do tribunal, o prefeito Rústico disse a Justino […]: «Que doutrina professas?» Justino disse: «Procurei conhecer todas as doutrinas, mas acabei por abraçar a doutrina verdadeira dos cristãos». […] O prefeito Rústico inquiriu: «Que verdade é essa?» Justino explicou: «Adoramos o Deus dos cristãos, a quem consideramos como o único Criador, desde o princípio, e autor de toda a Criação, das coisas visíveis e invisíveis, e o Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus, de Quem foi anunciado pelos profetas que viria ao género humano como mensageiro da Salvação e Mestre da boa doutrina. E eu, porque sou homem e nada mais, considero insignificante tudo o que digo para exprimir a Sua divindade infinita, mas reconheço o valor das profecias […] e sei que eram inspirados por Deus os profetas que vaticinaram a Sua vinda ao meio dos homens».

Rústico perguntou: «Onde vos reunis? […] Diz-me […] em que lugar juntas os teus discípulos». Justino respondeu: «Eu vivo em casa de um certo Martinho, nos banhos de Timiotino. […] Ali, se alguém queria ir ver-me, comunicava as palavras da verdade». Rústico perguntou: «Portanto, tu és cristão?» Justino confirmou: «Sim, sou cristão». O prefeito Rústico perguntou a Caritão: «Diz-me tu agora, Caritão, também és cristão?» Caritão respondeu: «Sou cristão por graça de Deus». […] Rústico perguntou a Evelpisto: «E tu, de quem és, Evelpisto?» Evelpisto, escravo de César, respondeu: «Também sou cristão, libertado por Cristo, e por graça de Cristo participo da mesma esperança que estes». […]

O prefeito Rústico perguntou: «Foi Justino que vos fez cristãos?» Hierax respondeu: «Eu sou cristão há muito tempo e cristão continuarei a ser». E Peão, pondo-se de pé, disse: «Também eu sou cristão». […] Evelpisto disse: «Eu gostava de ouvir os discursos de Justino, mas a ser cristão aprendi-o de meus pais». […] O prefeito Rústico disse a Liberiano: «E tu, que dizes? Também és cristão? Também tu não tens religião?» Liberiano respondeu: «Também eu sou cristão e, quanto à minha religião, só adoro o Deus verdadeiro».

O prefeito disse a Justino: «Ouve, tu que és tido por sábio e julgas conhecer a verdadeira doutrina: se fores flagelado e decapitado, estás convencido de que subirás ao Céu?» Justino respondeu: «Espero entrar naquela morada, se tiver de sofrer o que dizes, pois sei que a todos os que viverem santamente lhes está reservada a recompensa de Deus até ao fim dos séculos». O prefeito Rústico perguntou: «Então tu supões que hás-de subir ao Céu para receber algum prémio em retribuição?» Justino disse: «Não suponho, sei-o com toda a certeza».

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SÃO PIO DE PIETRELCINA

Fonte: http://www.arautos.org/especial/19541/Sao-Pio-de-Pietrelcina.html

PADRE PIO

Com sua imensa popularidade e seus assombrosos dons sobrenaturais, São Pio de Pietrelcina foi,
acima de tudo, uma alma crucificada, oferecida como vítima voluntária pelo mundo, escondida
em um permanente colóquio com o Senhor. É dessas íntimas profundidades que emerge a força
pela qual ele chegou a identificar-se por inteiro com Nosso Senhor. Os estigmas da Paixão
são o selo exterior dessa união mística entre o Criador e sua criatura .

«Quanto a mim, Deus me livre de me gloriar a não ser na Cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo» (Gál 6, 14).

Tal como o apóstolo Paulo, o Padre Pio de Pietrelcina colocou, no vértice da sua vida e do seu apostolado, a Cruz do  seu   Senhor como sua força, sabedoria e glória. Abrasado de amor por Jesus Cristo, com Ele se configurou imolando-se pela salvação do mundo. Foi tão generoso e perfeito no seguimento e imitação de Cristo Crucificado, que poderia ter dito: «Estou crucificado com Cristo; já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim» (Gál 2, 19). E os tesouros de graça que Deus lhe concedera com singular abundância, dispensou-os ele incessantemente com o seu ministério, servindo os homens e mulheres que a ele acorriam em número sempre maior e gerando uma multidão de filhos e filhas espirituais.

A vocação

Este digníssimo seguidor de São Francisco de Assis nasceu no dia 25 de Maio de 1887 em Pietrelcina, na arquidiocese de Benevento, filho de Grazio Forgione e de Maria Giuseppa de Nunzio. Foi baptizado no dia seguinte, recebendo o nome de Francisco. Recebeu o sacramento do Crisma e a Primeira Comunhão, quando tinha 12 anos.
         Era tido por um menino retraído porque raras vezes brincava com os demais. Quando lhe pediam explicações a este respeito, respondia que "eles blasfemavam". Seus silêncios correspondiam a precoces mas profundas meditações, a momentos de oração entremeados da prática de austeridades as quais já apontavam para a vocação que desde os 5 anos ele percebia claramente: ser capuchinho.

Aos 16 anos, no dia 6 de Janeiro de 1903, entrou no noviciado da Ordem dos Frades Menores Capuchinhos, em Morcone, tendo aí vestido o hábito franciscano no dia 22 do mesmo mês, e ficou a chamar-se Frei Pio. Terminado o ano de noviciado, fez a profissão dos votos simples e, no dia 27 de Janeiro de 1907, a dos votos solenes.

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O Padre Pio é um dos homens
extraordinários que Deus envia
à terra de vez em quando,
para a conversão dos homens"
(Papa Bento XV)

Depois da Ordenação Sacerdotal, recebida no dia 10 de Agosto de 1910 em Benevento, precisou de ficar com sua família até 1916, por motivos de saúde. Em Setembro desse ano de 1916, foi mandado para o convento de Santa Maria das Graças, situado em São Giovanni Rotondo, onde permaneceu até à morte. Foi uma alegria para ele poder dedicar-se à vida de comunidade e seguir a regra dos capuchinhos.

O dia 25 de maio de 1917 merece especial registro em sua longa e santa vida. Ele completava 30 anos. Enquanto rezava no coro da igreja, foi agraciado com os estigmas da crucifixão de Jesus, os quais permaneceram nele por mais de 50 anos.

No convento, começou exercendo a função de diretor espiritual e mestre dos noviços. Além desse encargo, confessava os habitantes do povoado que freqüentavam a igreja conventual. Foram estes que, pouco a pouco, notaram as características especiais do novo padre: suas Missas às vezes duravam três horas, pois com freqüência entrava em êxtase, e os conselhos que ele dava no confessionário revelavam alguém que "lia as almas".

Certa vez chegou uma jovem de Florença, muito atribulada, pois um familiar próximo tivera a desgraça de cometer suicídio, jogando-se no Rio Arno. Já havia ouvido falar do padre de San Giovanni, e depois da Missa dirigiu- se à sacristia para falar com ele . Apenas este viu a moça, inteiramente desconhecida dele, disse-lhe com doçura:

– Da ponte ao rio demora alguns segundos…

A jovem, surpresa e chorando, só pôde responder:

– Obrigada, padre.

Fatos maravilhosos como esse se repetiam todos os dias. Chegavam incrédulos que saíam arrependidos de sua falta de Fé. Pessoas tomadas de desespero recuperavam a confiança e a paz de alma. Enfermos retornavam curados a seus lares.

A companhia do Anjo da Guarda

Um traço revelador do privilegiado contato dele com o mundo sobrenatural é a estreita relação que manteve durante toda a vida com seu Anjo da Guarda, ao qual ele chamava de "o amigo de minha infância". Era seu melhor confidente e conselheiro. Quando ele ainda era menino, um de seus professores decidiu pôr à prova a veracidade dessa magnífica intimidade. Para tanto, escreveu-lhe várias cartas em francês e grego, línguas que o Pe. Pio então não conhecia. Ao receber as respostas, exclamou estupefato:

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– Como podes saber o conteúdo, já que do grego não conheces sequer o alfabeto?

– Meu Anjo da Guarda me explica tudo.

Graças a um amigo como esse, junto ao auxílio sobrenatural de Jesus e Maria, o Santo pôde ir acrisolando sua alma nos numerosos sofrimentos físicos e morais que nunca lhe faltaram.

O amor as almas

Abrasado pelo amor de Deus e do próximo, o Padre Pio viveu em plenitude a vocação de contribuir para a redenção do homem, segundo a missão especial que caracterizou toda a sua vida e que ele cumpriu através da direção espiritual dos fiéis, da reconciliação sacramental dos penitentes e da celebração da Eucaristia. O momento mais alto da sua actividade apostólica era aquele em que celebrava a Santa Missa. Os fiéis, que nela participavam, pressentiam o ponto mais alto e a plenitude da sua espiritualidade.

No campo da caridade social, esforçou-se por aliviar os sofrimentos e misérias de tantas famílias, principalmente com a fundação da «Casa Sollievo della Sofferenza» (Casa Alívio do Sofrimento), que foi inaugurada no dia 5 de Maio de 1956.

Para o Padre Pio, a fé era a vida: tudo desejava e tudo fazia à luz da fé. Empenhou-se assiduamente na oração. Passava o dia e grande parte da noite em colóquio com Deus. Dizia: «Nos livros, procuramos Deus; na oração, encontramo-Lo. A oração é a chave que abre o coração de Deus». A fé levou-o a aceitar sempre a vontade misteriosa de Deus.

Viveu imerso nas realidades sobrenaturais. Não só era o homem da esperança e da confiança total em Deus, mas, com as palavras e o exemplo, infundia estas virtudes em todos aqueles que se aproximavam dele.O amor de Deus inundava-o, saciando todos os seus anseios; a caridade era o princípio inspirador do seu dia: amar a Deus e fazê-Lo amar. A sua particular preocupação: crescer e fazer crescer na caridade.

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"Nunca abandonarei o compromisso que assumi,
perante  Deus e minha consciência, de cuidar
de suas almas."

A máxima expressão da sua caridade para com o próximo, ve-mo-la no acolhimento prestado por ele, durante mais de 50 anos, às inúmeras pessoas que acorriam ao seu ministério e ao seu confessionário, ao seu conselho e ao seu conforto. Parecia um assédio: procuravam-no na igreja, na sacristia, no convento. E ele prestava-se a todos, fazendo renascer a fé, espalhando a graça, iluminando. Mas, sobretudo nos pobres, atribulados e doentes, ele via a imagem de Cristo e a eles se entregava de modo especial.

Exerceu de modo exemplar a virtude da prudência; agia e aconselhava à luz de Deus.

O seu interesse era a glória de Deus e o bem das almas. A todos tratou com justiça, com lealdade e grande respeito. Nele refulgiu a virtude da fortaleza. Bem cedo compreendeu que o seu caminho haveria de ser o da Cruz, e logo o aceitou com coragem e por amor. Durante muitos anos, experimentou os sofrimentos da alma. Ao longo de vários anos suportou, com serenidade admirável, as dores das suas chagas.

Um grande confessor

Quando Pe. Pio cantou sua primeira Missa solene, seu antigo professor, o Pe. Agostinho, fazendo a homilia, dirigiu ao neo-sacerdote estas palavras que se revelaram proféticas: "Não tens muita saúde, não podes ser um pregador. Desejo-te, pois, que sejas um grande confessor" .

Décadas mais tarde, alguém lhe perguntou qual missão havia ele recebido de Nosso Senhor Jesus Cristo, e o santo capuchinho respondeu com simplicidade: "Eu? Eu sou confessor" .

Os prodigiosos dons místicos que recebera da Providência não eram senão um anzol por meio do qual ele arrastava as almas a se purificarem de seus pecados no sacramento da Reconciliação. Passava até 15 horas por dia no confessionário .

A seus pés vinham ajoelhar-se pessoas de todas as idades e condições sociais, inclusive bispos e sacerdotes, em busca de absolvição, conselho e paz de alma. As filas de confissão eram enormes, a ponto de tornar necessária a distribuição de senhas numeradas para ordenar o atendimento.

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"Embora cientes de nossa dívida para com Deus, não
duvidemos de que nossos pecados são perdoados
na confissão. Assim como fez o Senhor,
coloquemos sobre eles uma
pedra sepucral."

Ele lia no interior das almas como em um livro aberto. Certo dia, um comerciante pediu-lhe a cura de uma filha muito enferma e recebeu esta resposta:

– Tu estás muito mais doente que tua filha. Vejo-te morto. Como podes sentir-te bem com tantos pecados na consciência? Estou vendo pelo menos trinta e dois…

Surpreso, o homem correspondeu prontamente à graça recebida: ajoelhou-se para se confessar. Quando terminou, disse para quantos quisessem ouvi-lo: "Ele sabia tudo e me disse tudo!"

Em outra oportunidade, um advogado de Gênova, ateu militante, decidiu ir a San Giovanni Rotondo para "desmascarar aquela fraude de frades". Mal entrou na sacristia junto com os peregrinos, o Pe. Pio, que nunca o havia visto antes, interpelou-o, denunciando suas más intenções. Em seguida, sem mais palavras, apontou-lhe o confessionário.

Ante a estupefação geral, o advogado ajoelhou-se, abriu seu coração e, com a ajuda do Santo, examinou toda a sua vida passada, de pecados e de luta contra a Santa Igreja. Ao levantar-se, era outro homem. Permaneceu três dias no convento, degustando a inocência readquirida, antes de regressar à sua cidade natal. A notícia dessa conversão foi objeto de manchetes nos órgãos de imprensa. Pouco depois ele retornou a San Giovanni para receber do Pe. Pio o escapulário da Ordem Terceira Franciscana .

Amor ao sofrimento

Quando o seu serviço sacerdotal esteve submetido a investigações, sofreu muito, mas aceitou tudo com profunda humildade e resignação. Frente a acusações injustificáveis e calúnias, permaneceu calado, sempre confiando no julgamento de Deus, dos seus superiores diretos e de sua própria consciência.

Recorreu habitualmente à mortificação para conseguir a virtude da temperança, conforme o estilo franciscano. Era temperante na mentalidade e no modo de viver.

Consciente dos compromissos assumidos com a vida consagrada, observou com generosidade os votos professados. Foi obediente em tudo às ordens dos seus Superiores, mesmo quando eram gravosas. A sua obediência era sobrenatural na intenção, universal na extensão e integral no cumprimento. Exercitou o espírito de pobreza, com total desapego de si próprio, dos bens terrenos, das comodidades e das honrarias. Sempre teve uma grande predileção pela virtude da castidade. O seu comportamento era, em todo o lado e para com todos, modesto.

Considerava-se sinceramente inútil, indigno dos dons de Deus, cheio de misérias e ao mesmo tempo de favores divinos. No meio de tanta admiração do mundo, ele repetia: «Quero ser apenas um pobre frade que reza».

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"Abramos nossos corações à confiança e à
esperança. Nossa Senhora vem com as mãos
cheias  de graças e  bênçãos. Devemos amar
nossa Mãe celestial com perseverança,
e Ela não nos abandonará
na dor quando partir daqui".

Desde a juventude, a sua saúde não foi muito brilhante e, sobretudo nos últimos anos da sua vida, declinou rapidamente.

Minha Mãe, Vós partis e me deixais enfermo!?. . .

As enfermidades de Pe. Pio deixaram desconcertados todos os médicos que dele trataram. Com menos de 30 anos, foi examinado por um especialista em doenças pulmonares o qual prognosticou poucas semanas de vida… e ele viveu ainda mais de meio século. Seus estigmas sangraram diariamente por mais de cinqüenta anos, sem cicatrizar nem causar qualquer infecção .

Em 25 de abril de 1959 os médicos lhe diagnosticaram broncopneumonia complicada com pleurisia, o que o obrigou a um repouso absoluto. Ele sofria com isto, por ver-se privado de exercer seu ministério para o bem das almas.

Nesse mesmo dia, chegou à Itália a imagem de Nossa Senhora de Fátima. Em San Giovanni Rotondo, ela foi recebida pelo Arcebispo e todo o clero da região, junto com uma multidão de fiéis.

O Pe. Pio lhes havia dito: "Abramos nossos corações à confiança e à esperança. Nossa Senhora vem com as mãos cheias de graças e bênçãos. Devemos amar nossa Mãe celestial com perseverança, e Ela não nos abandonará na dor quando partir daqui".

Movendo-se em cadeira de rodas, o Santo tinha podido oscular os pés da imagem sagrada e colocar um Rosário entre suas mãos. Naquela tarde, ela partiu de helicóptero do terraço do hospital, com destino à Sicília, dando três voltas em torno do convento, para uma última bênção à multidão reunida na praça.

Postado numa janela, o Pe. Pio olhava tudo e, não podendo conter-se, exclamou:

– Senhora! Minha Mãe, estou enfermo desde o dia de vossa chegada à Itália… Vós partis agora e me deixais assim!?

No mesmo instante sentiu um "calafrio nos ossos" e disse a seus irmãos presentes:

– Estou curado!

E estava mesmo. No dia 10 de agosto pôde celebrar Missa novamente, e declarou: "Estou são e forte como nunca antes em minha vida".

No final, a glorificação

A irmã morte levou-o, preparado e sereno, no dia 23 de Setembro de 1968; tinha ele 81 anos de idade. O seu funeral caracterizou-se por uma afluência absolutamente extraordinária de gente.

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São Pio de Pietrelcina foi, acima de tudo,
uma alma crucificada, oferecida como
vítima voluntária pelo mundo,
escondida  em um permanente
colóquio com o Senhor.

No dia 20 de Fevereiro de 1971, apenas três anos depois da morte do Padre Pio, Paulo VI, dirigindo-se aos Superiores da Ordem dos Capuchinhos, disse dele: «Olhai a fama que alcançou, quantos devotos do mundo inteiro se reúnem ao seu redor! Mas porquê? Por ser talvez um filósofo? Por ser um sábio? Por ter muitos meios à sua disposição? Não! Porque celebrava a Missa humildemente, confessava de manhã até à noite e era – como dizê-lo?! – a imagem impressa dos estigmas de Nosso Senhor. Era um homem de oração e de sofrimento».

Já gozava de larga fama de santidade durante a sua vida, devido às suas virtudes, ao seu espírito de oração, de sacrifício e de dedicação total ao bem das almas.

Nos anos que se seguiram à sua morte, a fama de santidade e de milagres foi crescendo cada vez mais, tornando-se um fenômeno eclesial, espalhado por todo o mundo e em todas as categorias de pessoas.

Assim Deus manifestava à Igreja a vontade de glorificar na terra o seu Servo fiel. Não tinha ainda passado muito tempo quando a Ordem dos Frades Menores Capuchinhos empreendeu os passos previstos na lei canónica para dar início à Causa de beatificação e canonização. Depois de tudo examinado, como manda o Motu proprio «Sanctitas Clarior», a Santa Sé concedeu o nihil obstat no dia 29 de Novembro de 1982. O Arcebispo de Manfredónia pôde assim proceder à introdução da Causa e à celebração do processo de averiguação (1983-1990). No dia 7 de Dezembro de 1990, a Congregação das Causas dos Santos reconheceu a sua validade jurídica. Ultimada a Positio, discutiu-se, como é costume, se o Servo de Deus tinha exercitado as virtudes em grau heróico. No dia 13 de Junho de 1997, realizou-se o Congresso Peculiar dos Consultores Teólogos, com resultado positivo. Na Sessão Ordinária de 21 de Outubro seguinte, tendo como Ponente da Causa o Exmo. e Revmo. D. Andrea Maria Erba, Bispo de Velletri-Segni, os Cardeais e Bispos reconheceram que o Padre Pio de Pietrelcina exercitou em grau heróico as virtudes teologais, cardeais e anexas.

No dia 18 de Dezembro de 1997, na presença do Papa João Paulo II foi promulgado o Decreto sobre a heroicidade das virtudes. Para a beatificação do Padre Pio, a Postulação apresentou ao Dicastério competente a cura da senhora Consiglia de Martino, de Salerno. Sobre o caso desenrolou-se o Processo canônico regular no Tribunal Eclesiástico da arquidiocese de Salerno-Campanha-Acerno, desde Julho de 1996 até Junho de 1997. Na Congregação das Causas dos Santos, realizou-se, no dia 30 de Abril de 1998, o exame da Consulta Médica e, no dia 22 de Junho do mesmo ano, o Congresso Peculiar dos Consultores Teólogos. No dia 20 de Outubro seguinte, reuniu-se no Vaticano a Congregação Ordinária dos Cardeais e Bispos, membros do Dicastério, e, no dia 21 de Dezembro de 1998, foi promulgado, na presença do Papa João Paulo II, o Decreto sobre o milagre.

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No dia 2 de Maio de 1999, durante uma solene Celebração Eucarística na Praça de São Pedro, Sua Santidade João Paulo II, com sua autoridade apostólica, declarou Beato o Venerável Servo de Deus Pio de Pietrelcina, estabelecendo no dia 23 de Setembro a data da sua festa litúrgica.

Para a canonização do Beato Pio de Pietrelcina, a Postulação apresentou ao competente Dicastério o restabelecimento do pequeno Matteo Pio Collela de São Giovanni Rotondo. Sobre este caso foi elaborado um processo canônico no Tribunal Eclesiástico da arquidiocese de Manfredonia-Vieste, que decorrem de 11 de Junho a 17 de Outubro de 2000. No dia 23 de Outubro de 2000, a documentação foi entregue à Congregação das Causas dos Santos. No dia 22 de Novembro de 2001 é aprovado, na Congregação das Causas dos Santos, o exame da Consulta Médica. No dia 11 de Dezembro de 2001, é julgado pelo Congresso Peculiar dos Consultores Teólogos e, no dia 18 do mesmo mês, pela Sessão Ordinária dos Cardeais e Bispos. No dia 20 de Dezembro, na presença do Papa João Paulo II, foi promulgado o Decreto sobre o milagre; no dia 26 de Fevereiro de 2002, foi publicado o Decreto sobre a sua canonização.

Fontes:
www.vatican.va
Revista Arautos do Evangelho, Set/2004, n. 33, p. 20 à 23

pdre Pio

 

 

"Que Jesus e Maria sejam sempre louvados! Jesus nos disse no Evangelho que o prêmio é destinado não a quem começa bem, nem a quem continua no caminho do bem por um certo tempo, mas a quem persevera até o fim. Portanto, quem começou, procure perseverar sempre melhor. Quem está prosseguindo, procure chegar até o fim. E, quem desgraçadamente não começou ainda, ponha-se no caminho correto. Esforcemo-nos todos em perseverar. Sei que é uma tarefa bastante difícil. Porém, com o exemplo dos santos e com o auxílio da Virgem Santíssima, a graça de Deus, que está sempre pronta para quem a procura, nunca nos faltará. Por isso, revistamo-nos de constância, de paciência e de perseverança. E, então, se verificará em nós aquilo que o próprio Jesus nos disse no Evangelho: “Aquele que persevera até o fim, esse se salvará!” Desejo a todos uma boa noite, cheia de graças e de bênçãos. E uma benção muito especial não somente a vocês, mas a todos aqueles que estão nos seus corações; especialmente às suas famílias e as pessoas a quem vocês querem bem. Mas, de modo especial, uma benção aos pobres doentes e aos sofredores. Que o Senhor infunda neles coragem e perseverança, e lhes dê saúde. Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amém. Que Jesus e Maria sejam sempre louvados!" (Padre Pio de Pietrelcina)

Para ouvir a sua voz em italiano: http://www.padrepiogroup.org

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ATO DE OFERECIMENTO DE SI MESMA COMO VÍTIMA DE HOLOCAUSTO AO AMOR MISERICORDIOSO DE DEUS

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ATO DE OFERECIMENTO DE SI MESMA COMO VÍTIMA DE HOLOCAUSTO AO AMOR MISERICORDIOSO DE DEUS

santa-teresinha-do-menino-jesus-thumbMeu Deus! Trindade Bem-aventurada, desejo AMAR-VOS e vos fazer AMAR, trabalhar para a glorificação da Santa Igreja, salvando as almas que estão sobre a terra e libertando as que sofrem no purgatório. Desejo cumprir, perfeitamente, vossa vontade e chegar ao grau de glória que me preparastes, em vosso reino, numa palavra, desejo ser Santa, mas sinto minha impotência e vos peço, ó meu Deus! Sejais vós mesmo minha SANTIDADE.

Pois que me amastes, a ponto de dar-me vosso Filho único para ser meu Salvador e meu Esposo, os tesouros infinitos de seus méritos são meus, eu vo-los ofereço, com alegria, suplicando-vos que me olheis através da Face de Jesus e em seu Coração ardente de AMOR.

Ofereço-vos, ainda, todos os méritos dos Santos (que estão no Céu e sobre a terra), seus atos de AMOR e os dos Santos Anjos; enfim, ofereço-vos, ó BEM-AVENTURADA TRINDADE! o Amor e os méritos da SANTÍSSIMA VIRGEM, MINHA MÃE QUERIDA, é a ela que abandono minha oferta, suplicando-lhe vo-la apresentar. Seu Divino Filho, meu Esposo Bem-Amado, disse-nos durante sua vida mortal: "Tudo o que pedirdes a meu pai em meu nome, ele vo-lo dará!" Portanto, estou certa de que atendereis a meus desejos; eu o sei, ó meu Deus! quanto mais quereis dar, tanto mais fazeis desejar. Sinto em meu coração desejos imensos e é, com confiança, que vos peço vir tomar posse de minha alma. Ah! não posso receber a santa comunhão tantas vezes quanto desejo, mas, Senhor, não sois ONIPOTENTE?… Ficai em mim, como no tabernáculo, não vos afasteis jamais de vossa hostiazinha…

Quisera consolar-vos da ingratidão dos maus e suplico-vos tirar-me a liberdade de vos desagradar; se por fraqueza, cair alguma vez, que, logo vosso Divino Olhar purifique minha alma, consumindo todas as minhas imperfeições, como o fogo que transforma em si todas as coisas…

Agradeço-vos, ó meu Deus! todas as graças que me concedestes, em particular, de me ter feito passar pelo cadinho do sofrimento. É com júbilo que vos contemplarei, no último dia, empunhando o cetro da Cruz; pois que vos dignastes fazer-me partilhar desta Cruz tão preciosa, espero, no Céu, assemelhar-vos a Vós e ver brilhar em meu corpo glorificado os sagrados estigmas de vossa Paixão…

Após o exílio da terra, espero ir gozar de vós na Pátria, mas não quero acumular méritos para o Céu, quero trabalhar só por vosso AMOR, com o único fim de vos agradar, consolar vosso Coração Sagrado e salvar almas que vos amem eternamente. Na tarde desta vida, comparecerei perante vós com as mãos vazias, pois não vos peço, Senhor, contar minhas obras. Toda nossa justiça é manchada a vossos olhos. Quero, pois, revestir-me de vossa própria justiça, e receber de vosso Amor a posse eterna de Vós mesmo. Não quero outro Trono e outra Coroa senão Vós, ó meu Bem-Amado.

A fim de viver num ato de perfeito amor, OFEREÇO-ME COMO VÍTIMA DE HOLOCAUSTO A VOSSO AMOR MISERICORDIOSO suplicando-vos me consumir, sem cessar, deixando transbordar em minha alma as ondas de Ternura Infinita que estão encerradas em vós, e que assim eu me torne Mártir de vosso Amor, ó meu Deus!…

Que este Martírio após me ter preparado para comparecer perante vós, faça-me, enfim, morrer e que minha alma precipite-se, sem tardar, no eterno abraço de vosso Amor Misericordioso…

Quero, ó meu Bem-amado, em cada palpitar de meu coração, renovar-vos este oferecimento um número infinito de vezes, até que, dissipadas as sombras, possa repetir-vos meu Amor, num Face a Face Eterno!..

Maria Francisca Teresa do Menino Jesus e da Santa Face,
rel. carm., ind.,
Festa da Santíssima Trindade

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SÃO POLICARPO, BISPO E MÁRTIR – 23/02

São Policarpo

São Policarpo, converteu-se ao cristianismo no ano de 80, e teve a grande dita de ter sido discípulo do grande Apóstolo São João Evangelista, de quem recebeu o espírito e a doutrina de Jesus Cristo. Em 96 recebeu a sagração episcopal e foi-lhe confiada a diocese de Esmirna. É possível que São João Evangelista no livro Apocalipse tenha-se referido a Policarpo quando escreveu: "Sei tua tribulação e pobreza, porém, és rico", e mais adiante: "Se fiel até a morte e dar-te-ei a coroa da vida". (Apoc. 2, 9.). O santo Bispo-mártir de Antioquia Inácio, alegrou-se muito com a visita de Policarpo, e escreveu duas epístolas importantes, uma a Policarpo e outra aos fiéis de Esmirna, em que lhe dá sábios ensinamentos sobre a santa doutrina.

Policarpo administrou a diocese como verdadeiro Apóstolo, com firmeza e caridade, pela palavra e pelo exemplo. De sua autoria existe uma epístola preciosíssima aos Filipenses, cheia do mais belos ensinamentos e sábios conselhos. No tempo de São Jerônimo esta epístola costumava ser lida publicamente nas igrejas. Muitos infiéis converteram-se ao cristianismo, e para os fiéis Policarpo era verdadeiro Pastor. Já provecto em idade, fez uma viagem a Roma, para tratar com o Papa Aniceto sobre a célebre questão da Páscoa.

Em Roma encontrou muitos cristãos, que se tinham deixado enganar pelos hereges Valentim e Marcion, e conduziu-os ao caminho da verdade. Por Marcion perguntado, se o conhecia, respondeu prontamente, que o conhecia, o filho mais velho de Satanás.

De volta para a Ásia, encontrou na diocese o decreto de perseguição, publicado pelo imperador Marco Aurélio. Foi o princípio de horrores para a jovem Igreja. O governador de Smirna preludiou a perseguição, pela condenação de doze cristãos, que foram atirados às feras. Policarpo, vendo o rebanho em perigo, redobrou os esforços para conservá-lo na fé e confortá-lo na hora da tribulação. Os cristãos, por seu turno, inquietavam-se muito pela sorte do venerável Bispo. Para salvar-lhe a vida, levaram-no a um sítio fora da cidade, onde o esconderam aos olhos dos fiscais do governo. Três dias antes da sua prisão teve a revelação do martírio que o esperava. Em sonhos viu o travesseiro rodeado de fogo e disse aos amigos: "Meus irmãos, sei que serei condenado à morte pelo fogo. Deus seja bendito, porque se digna de dar-me a coroa do martírio". Três dias depois se cumpriu o que tinha predito.

A polícia do governador descobriu-lhe o esconderijo e Policarpo, embora lhe fosse fácil efetuar a fuga, entregou-se à autoridade. No caminho para a cidade se encontrou com Herodes, juiz de paz e com Nicetas, pai do mesmo. Estes homens, sem dúvida bem intencionados, insistiram com ele para que conservasse a vida e obedecesse à lei do imperador. Depois de muito discursar, o Bispo disse: "Não farei o que me aconselhais. Nem espada, nem fogo ou qualquer outra tortura, me fará renunciar a Cristo".

Apresentado ao governador, este lhe perguntou se era Policarpo e ordenou-lhe que abjurasse a religião e injuriasse a Cristo. Policarpo respondeu: "Sim, sou Policarpo. Oitenta e seis anos são que completo no serviço de Jesus Cristo e Ele nunca me fez mal algum; como poderia injuriá-lo?" O governador, porém, continuou a insistir com muito empenho e disse: "Tenho as feras à minha disposição; se não obedeceres, serás atirado a elas!" Policarpo: "Deixa-as vir! Persisto no meu intento e não mudarei!" O governador: "Se não tens medo das feras, temos ainda o fogo; este te porá manso!" Policarpo: "Ameaças com um fogo que arde por algum tempo, para depois se apagar e nada sabes daquele fogo eterno, que é preparado para os ímpios. Não percas tempo! Manda vir as feras ou faze o que quiseres. Sou cristão e não abandonarei a Cristo". Em dizer isto, o rosto resplandecia-lhe de satisfação, tanto que todos se admiraram, sem poder compreender, como um homem tão avançado em idade pudesse apresentar tamanho heroísmo.

O governador mandou apregoar em alta voz: "Policarpo é cristão, como ele mesmo confessou". Os judeus e pagãos presentes unânimes exigiram sentença de morte e pediram que fosse queimado vivo. Em poucos minutos foi preparada a fogueira. Alguns queriam que o Santo fosse amarrado num pau, para impossibilitar a fuga. Policarpo, porém, tranqüilizou-os, dizendo: "Aquele que me dá a graça de sofrer a pena do fogo, há de dar-me também força para que fique imóvel no meio das labaredas". Ataram-lhe então as mãos nas costas e puseram fogo.

São Policarpo2

Antes que o fogo chegasse a queimar-lhe o corpo venerável, o ancião elevou os olhos ao céu e disse:

"Deus todo-poderoso, Pai de Jesus Cristo, vosso Filho Unigênito, por quem recebemos a graça de conhecer-Vos; Deus dos Anjos e das Potestades celestiais, Deus de todas as criaturas e de todo o povo dos justos, que vivem em vossa presença: graças vos dou porque me conservastes a vida até esta hora, para ser associado aos vossos mártires e participar do cálice de amargura do vosso Ungido, e na virtude do Espírito Santo ser ressuscitado para a vida eterna. Aceitei propício, em união àquele sacrifício que para vós preparastes, este meu holocausto e a mim mesmo, para que se cumpra o que me revelastes, Vós que sois Deus verdadeiro. Eu vos louvo em todas as coisas: eu vos bendigo; eu vos glorifico, pelo eterno Sumo Pontífice, Jesus Cristo, vosso dileto Filho, que convosco e o Espírito Santo é louvado e honrado por todos os séculos. Amém".

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Apenas tinha o Santo terminado a oração, quando subiram as labaredas com todo o vigor. Deus, porém, quis manifestar o seu poder e provar que não lhe faltavam os meios de proteger seu servo no meio do fogo. As chamas subiram de todos os lados, mas – ó maravilha! – formaram como que uma abóbada por cima do Santo, sem que lhe queimassem um só cabelo. Ao mesmo tempo se espalhou um cheiro suavíssimo como se fossem queimados doces perfumes. Pavor apoderou-se dos inimigos. Mas, como quisessem ver morto o servo de Cristo, recebeu o algoz a ordem de matá-lo com a espada. Assim terminou o curso glorioso do grande Bispo que, segundo a afirmação dos judeus e pagãos, tinha sido o primeiro mestre dos cristãos e o inimigo mais implacável dos deuses. Os judeus quiseram por todo o transe evitar que o corpo do mártir, fosse entregue aos cristãos. Para este fim, mandaram dizer ao Procônsul: "Se entregares aos cristãos o corpo de Policarpo, eles abandonarão o Crucificado, para prestar honras divinas a este". "Não sabiam" – assim se exprimem os cristãos que escreveram as atas do martírio – "que não podemos abandonar Jesus Cristo, para adorar um outro. É verdade que veneramos os mártires, mas só porque são discípulos e imitadores de Jesus Cristo, e deram ao seu Rei as provas mais claras de amor". Para terminar a contenda entre judeus e cristãos, o capitão romano mandou lançar o corpo do mártir ao fogo. Diz ainda o protocolo: "Tiramos das cinzas os ossos, para nós mais preciosos que ouro e pedrarias, e depositamos num lugar conveniente, onde esperamos poder, com a graça de Deus, reuní-los, para festejar o dia do seu aniversário, isto é, o dia dos seu martírio", que foi o dia 26 de janeiro de 155 ou 156. O túmulo de São Policarpo acha-se numa capela em Esmirna.

Fonte: http://www.tudook.com/portalcatolico/sao_policarpo.html

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