REFORMA DO CÓDIGO PENAL PRETENDE ESMAGAR O QUE RESTA DE VALORES CRISTÃOS!

Para estarmos ligados sobre o que estão fazendo ao nosso país…

O rolo compressor do Projeto Sarney
(Reforma do Código Penal pretende esmagar o que resta de valores cristãos)
(
www.providaanapolis.org.br)

Por Pe. Luiz Carlos Lodi da Cruz (Presidente do Pró-Vida de Anápolis)

aborto-justiça-leis

Em 27 de junho de 2012, uma Comissão de Juristas entregou ao presidente do Senado, José Sarney, o anteprojeto de reforma do Código Penal. Seria de se esperar, que o texto fosse submetido à apreciação da sociedade para receber críticas e sugestões[1]. Isso, porém, não ocorreu. Em 9 de julho de 2012, apenas 11 dias depois, o Senador José Sarney subscreveu o anteprojeto convertendo-o em projeto de lei: o PLS 236/2012. Ao assinar o projeto, Sarney agiu de modo semelhante a Pilatos. Declarou-se, “por uma questão de consciência e religião”, contrário à eutanásia, ao aborto, ao porte de drogas e seu plantio para uso, mas não retirou nada disso do texto que subscreveu. Lavou as mãos, disse que era inocente do sangue de Cristo, mas decretou a sentença injusta. Favoreceu a presidente Dilma que, embora favorável ao aborto, havia prometido na campanha eleitoral não enviar ao Congresso qualquer proposta abortista.

O anteprojeto – agora convertido em projeto – foi muito mais audacioso que o de 1998. Pretendeu reformar não só a parte especial do Código Penal, mas também a parte geral e a imensa legislação penal extravagante. E tudo isso no curto prazo de seis meses![2] O resultado foi um conjunto de 544 artigos cheios de falhas graves.


Animais e pessoas

Segundo a linha ideológica do PLS 236/2012, o ser humano vale menos que os animais. A omissão de socorro a uma pessoa (art. 132) é punida com prisão, de um a seis meses, ou multa. A omissão de socorro a um animal (art. 394) é punida com prisão, de um a quatro anos.

Conduzir um veículo sem habilitação, pondo em risco a segurança de pessoas (art. 204) é conduta punida com prisão, de um a dois anos. Transportar um animal em condições inadequadas, pondo em risco sua saúde ou integridade física (art. 392), é conduta punida com prisão, deum a quatro anos. Os ovos, larvas ou espécimes da fauna silvestre não podem ser vendidos, adquiridos, transportados nem guardados, sob pena de prisão, de dois a quatro anos (art. 388, §1º, III). Os embriões humanos, porém, podem ser comercializados, submetidos à engenharia genética ou clonados sem qualquer sanção penal, uma vez que ficam revogados (art. 544) os artigos 24 a 29 de Lei de Biossegurança (Lei 11.101/2005).


Terrorismo e invasão de terras

O terrorismo é criminalizado (art. 239). Mas as condutas descritas (sequestrar, incendiar, saquear, depredar, explodir…) deixam de constituir crime de terrorismo se “movidas por propósitos sociais ou reivindicatórios” (art. 239, §7º). Os invasores de terra são favorecidos, uma vez que “a simples inversão da posse do bem não caracteriza, por si só, a consumação do delito” (art. 24, parágrafo único).


Prostituição infantil

Atualmente comete estupro de vulnerável quem pratica conjunção carnal com menor de 14 anos (art. 217-A, CP). O projeto baixa a idade: só considera vulnerável a pessoa que tenha “até doze anos. Isso vale para o estupro de vulnerável (art. 186), manipulação ou introdução de objetos em vulnerável (art. 187) e molestamento sexual de vulnerável (art. 188).

Deixa de ser crime manter casa de prostituição (art. 229, CP) ou tirar proveito da prostituição alheia (art. 230, CP). Quanto ao favorecimento da prostituição ou da exploração sexual de vulnerável, a redação é ainda mais assustadora: só será crime se a vítima for “menor de doze anos” (art. 189). Deixa de ser crime, portanto, a exploração sexual de crianças a partir de doze anos.


Drogas

Quanto às drogas, somente o tráfico permanece crime (art. 212). Deixa de ser crime o consumo pessoal de drogas (art. 212, § 2º). Presume-se que a quantidade de droga apreendida destina-se a uso pessoal quando ela é suficiente para o consumo por cinco dias (art. 212, § 4º).


Aborto

Quanto ao aborto, o projeto reduz ainda mais as penas já tão reduzidas. O aborto provocado pela gestante ou com seu consentimento, atualmente punido com detenção de um a três anos, passa a ter pena de prisão de seis meses a dois anos (art. 125). O terceiro que provoca aborto com o consentimento da gestante, atualmente punido com reclusão de um a quatro anos, passa a sofrer pena de prisão de seis meses a dois anos (art. 126). Se o aborto for provocado sem o consentimento da gestante, o terceiro é punido com prisão, de quatro a dez anos (art. 127). Curiosamente, ele recebe um aumento de pena de um a dois terços se, “em consequência do aborto ou da tentativa de aborto, resultar má formação do feto sobrevivente” (art. 127,§1º). Esse parágrafo parece ter sido incluído para estimular o aborteiro a fazer abortos “bem feitos”, evitando que, por “descuido”, ele deixe a criança com vida e má formada.

As maiores mudanças, porém, estão no artigo 128. Ele deixa de começar por “não se pune o aborto” e passa a começar por “não há crime de aborto. O que hoje são hipóteses de não aplicação da pena (escusas absolutórias) passa a ser hipóteses de exclusão do crime. E a lista é tremendamente alargada. Basta que haja risco à “saúde” (e não apenas à “vida”) da gestante (inciso I), que haja “violação da dignidade sexual” (inciso II), que a criança sofra anomalia grave, incluindo a anencefalia (inciso III) ou simplesmente que haja vontade da gestante de abortar (inciso IV). Neste último inciso o aborto é livre até a décima segunda semana (três meses). Basta que um médico oupsicólogo ateste que a gestante não tem condições “psicológicas” (!) de arcar com a maternidade.


Eutanásia e suicídio assistido

“Matar por piedade ou compaixão” (eutanásia) passa a ser um crime punível com prisão, de dois a quatro anos (art. 122), muito abaixo da pena prevista para o homicídio: prisão, de seis a vinte anos (art. 121). Porém, o juiz pode reduzir a pena da eutanásia a zero, avaliando, por exemplo, “os estreitos laços de afeição do agente com a vítima” (art. 122, § 1º). Também o auxílio ao suicídio, em tese punível com prisão, de dois a seis anos (art. 123), pode ter sua pena reduzida a zero, nos mesmos casos descritos para a eutanásia (art. 123, §2º).


Renúncia ao excesso terapêutico

O artigo 122, § 2º parece inspirado na doutrina, aceita pela Igreja, de que o paciente pode renunciar a tratamentos desproporcionais aos resultados, que lhe dariam apenas um prolongamento penoso e precário da vida[3]. A redação, no entanto, é infeliz: fala em deixar de fazer uso de meios “artificiais” para manter a vida do paciente em caso de “doença grave e irreversível”. Ora, a medicina é uma arte e todos os seus meios são artificiais. Do modo como está escrito, o parágrafo pode encobrir verdadeiros casos de eutanásia por omissão de cuidados normais devidos ao doente.


Infanticídio indígena

Há tribos indígenas que costumam matar recém-nascidos quando estes, por algum motivo, são considerados uma maldição. De acordo com o projeto, tais crianças ficam sem proteção penal, desde que se comprove que o índio agiu “de acordo com os costumes, crenças e tradições de seu povo” (art. 36).


“Preconceito” de gênero

De todos os males contidos no projeto, o mais difícil de corrigir são as cláusulas onde foi inserida a ideologia de gênero, que considera o homossexualismo (e talvez também a pedofilia e a bestialidade) como uma legítima “opção” sexual ou “orientação” (ao invés de desorientação) sexual. O PLC 122/2006 (projeto anti-“homofobia”) da Senadora Marta Suplicy (PT/SP) foi todo inserido no PLS 236/2012. Está no alvo do projeto o bispo diocesano que não admite um homossexual no seminário ou que o afasta do seminário após descobrir sua conduta (art. 472, V), o dono de hotel que se recusa a hospedar um “casal” de homossexuais (art. 472, VI, a) e a mãe de família que demite a babá que cuida dos seus filhos após descobrir que ela é lésbica(art. 472, II). Poderá talvez ser acusado de “tortura” o pregador que, ao comentar um texto bíblico desfavorável ao homossexualismo, “constranger alguém” do auditório, causando-lhe sofrimento “mental” (art. 468, I, c). Segundo o projeto, tais condutas são motivadas por “preconceito” de “gênero”, “identidade ou orientação sexual”. São crimes imprescritíveis, inafiançáveis e insuscetíveis de graça ou anistia (art. 474 e 468, § 7º).

A perseguição religiosa está preparada e tende a ser violenta. No entanto, o motivo mais grave que nos deve levar a rejeitar tais cláusulas não está nas suas consequências práticas, mas nos princípios em que se baseiam. Toda pessoa, ainda que pratique condutas sexuais reprováveis, como a pedofilia, o estupro, o incesto, a bestialidade ou o homossexualismo, continua sendo pessoa. E é somente na qualidade de pessoa que ela tem direitos. A deformidade moral que a atinge não pode acrescentar-lhe direitos. Quem aceitaria que alguém, ao assassinar um pedófilo, recebesse, além da pena devida ao homicídio, uma pena extra por demonstrar “intolerância” ou “preconceito” contra a pedofilia? É justamente isso que pretende o projeto. Agravar a pena de todos os crimes, se eles forem praticados por “preconceito” de “orientação sexual e identidade de gênero” (art. 77, III, n).

Essa inadmissível agravante genérica aparece também em crimes específicos, como o homicídio (art. 121, §1º, I), a lesão corporal (art. 129, § 7º, II), a injúria (art. 138, § 1º), o terrorismo (art. 239, III), o genocídio (art. 459), a tortura (art. 468, I, c) e o racismo (art. 472).

Deus se compadeça de nós.

Anápolis, 11 de setembro de 2012.

Pe. Luiz Carlos Lodi da Cruz

Presidente do Pró-Vida de Anápolis


[1] Assim aconteceu com o anteprojeto de Código Penal de 1998, que depois de publicado pelo Ministério da Justiça, ficou por um bom tempo sujeito às críticas da sociedade, inclusive dos Bispos. Porém, nunca chegou a tornar-se projeto de lei.

[2] Em 16/06/2011 o Senador Pedro Taques (PDT/MT) apresentou o Requerimento 756/2011 solicitando a criação de uma Comissão de Juristas para reformar o Código Penal no prazo de 180 dias. O requerimento foi aprovado pelo plenário em 10/08/2011. A Comissão começou a trabalhar em 18/10/2011.

[3] Cf. JOÃO PAULO II, Evangelium Vitae, n. 65.


O Disque Câmara e o Alô Senado são muito mais eficazes do que as mensagens por correio eletrônico.
Sempre são entregues aos parlamentares, são contabilizadas para efeito de estatística e, se o cidadão o permitir, podem ser publicadas.

Em anexo estas mensagens estão em formato PDF


Disque Câmara 0800 619 619

Desejo enviar uma mensagem a todos os deputados do meu Estado:

"Solicito a Vossa Excelência que apoie o PDC 565/2012, do deputado Marco Feliciano, que susta a decisão que aprovou o aborto de crianças anencéfalas".

Solicito ainda que vote em favor da PEC 164/2012, que estabelece a inviolabilidade do direito à vida desde a concepção”.

Solicito por fim que use a tribuna para protestar contra a norma técnica do Ministério da Saúde que pretende ensinar as mulheres a praticarem aborto”.


Alô Senado 0800 61 22 11

Desejo enviar uma mensagem a todos os membros da CAS (Comissão de Assuntos Sociais):

"Solicito a Vossa Excelência que vote CONTRA o PLS 50/2011 que pretende curvar-se diante da arbitrária decisão do STF de legalizar o aborto de crianças anencéfalas. O Congresso precisa insurgir-se contra a crescente invasão de competência daquela Corte".

Desejo ainda enviar uma mensagem a todos os membros da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça).

"Solicito a Vossa Excelência que vote CONTRA o PLS 612/2011 que pretende curvar-se diante da arbitrária decisão do STF que reconheceu a união estável de pessoas do mesmo sexo. O Congresso precisa insurgir-se contra a crescente invasão de competência daquela Corte".

Desejo ainda enviar uma mensagem a todos os membros da Comissão Especial do PLS 236/2012.

"Solicito a Vossa Excelência que na reforma do Código Penal:

a) não descriminalize o aborto, a eutanásia, o suicídio assistido, o uso de drogas, as casas de prostituição, nem diminua a pena para esses crimes;

b) não diminua de quatorze para doze anos a idade mínima para crimes sexuais contra vulneráveis;

c) exclua a criminalização da “homofobia”, que pretende glorificar o homossexualismo e instaurar a perseguição religiosa no país".

Postado em: https://carloslopesshalom.wordpress.com

NADA TE PERTURBE

por Emmir Nogueira, Co-Fundadora da Comunidade Shalom

Oração

Quer conhecer um roteiro infalível para seu dia a dia? Leia com atenção:

Nada te perturbe, nada te espante, tudo passa!  Só Deus não muda. A paciência, por fim, tudo alcança. Quem a Deus tem, nada lhe falta, pois só Deus basta.

Escrito há 500 anos, essa poesia de Santa Teresa de Jesus continua a ensinar o essencial: Só Deus basta! Mas, o que isso significa concretamente?

Vivemos sobressaltados, preocupados. Inquietos, passamos o dia tentando resolver mil coisas. Ansiosos, não conseguimos dormir bem. Preocupados, acabamos por meter os pés pelas mãos no desejo de evitar que aconteça o que nós consideramos “o pior”. Estressados, acabamos por nos irritar contra tudo e todos. Gritamos no trânsito, gritamos em casa, desmoronamos de cansaço.

O problema está, entre outras coisas, em achar que sabemos o que é o “melhor”  e “pior” para nós. Uma vez estabelecido o que consideramos nos convir ou não, tomamos as rédeas para determinar o que consideramos “melhor”. Ocorre que tudo, mas tudo mesmo, passa e o que ontem nos parecia “o melhor”, hoje é, visivelmente, “o pior”.

A raiz da inquietação, estresse, preocupação e ansiedade que aos poucos nos matam, contudo, reside além do fato de tudo passar, reside na fé.

Há a fé  que acredita em Deus e reza, contrita, o “Creio em Deus Pai”. Acreditar desse jeito, afirma São Tiago, até os demônios crêem e tremem. Nós, até cremos, quanto a tremer…

Há aquela “fé” que pede a Deus o que acha “necessário”, “imprescindível”,  “melhor” e fica ressentida com Deus se ele não atende seu pedido por mais que peça através de todos os meios – diga-se de passagem, nem sempre lícitos. É a fé infantil, diria, até, “birrenta”. Essa fé, “contrariada”, muda de igreja quando não é atendida, assim como criança birrenta põe cara feia e diz aos pais que não é mais filho deles.

Há a fé  madura, que crê no Evangelho e na Igreja e vive seus ensinamentos, custe o que custar. É a fé dos santos.

Há a fé  que confia em Deus e a ele se entrega inteiramente, tranquila, pois sabe que ele é Pai e sempre providencia o melhor para nós. E, para Deus, o melhor para nós é a santidade.

É essa fé madura e inteiramente confiante no amor de Deus que não se perturba com nada. Sabe ser fiel a Deus e ao Evangelho na penúria e na fartura, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença.

Essa fé madura e confiante que é amada por Deus, não se espanta com nada. Nada a escandaliza, ainda que seja grande tristeza. Seus olhos não estão aqui na terra, mas fixos no céu. Sabe que, aqui na terra, tudo passa, tudo muda. Sabe que tudo pode nos enganar e iludir. Sabe, sobretudo, que Só Deus é o mesmo sempre. Só Deus não muda. Só o amor de Deus é sempre o mesmo, pois ele é amor em ato. Essa fé não vive para a terra nem valoriza o que à terra pertence. Vive para o céu, usando as coisas da terra para alcançá-lo.

Por isso tem paciência. Não aquela paciência de autodomínio, nem aquela que rói as unhas e balança as pernas para controlar a impaciência interior. Trata-se, aqui, da paciência-esperança, a paciência-fé, a paciência-amor.

É aquela paciência que sabe que Deus está no comando. Sabe que ele pode tudo e tudo realiza por amor. Está certa de que, no tempo de Deus – e não no seu! – ele mesmo resolverá da melhor forma de todas, sempre visando nossa santificação e a do mundo. Sabe que, ainda que tudo esteja negro, verá a vitória de Deus e que essa vitória nem sempre é tal qual pensamos.

Fé, caridade, esperança, paciência, confiança. Quem a Deus tem, nada lhe falta. Corretíssimo. Mas, quem é mesmo que “tem Deus”. Todos. Porém, Santa Teresa fala aqui daquele que conhece Deus não por palavras e teorias, mas pela oração e pelo amor. Em uma palavra, pelo relacionamento pessoal, relacionamento de amizade. Este, que ora com a Palavra, que tem a Deus como o centro de sua vida, que procura amá-lo em tudo, a este, nada lhe falta. Dele cuida o Pai muito melhor do que as aves do céu e os lírios dos campos, pois ele vale muito mais aos seus olhos.

Nada te perturbe, homem de pouca fé! Nada te espante, mulher de pouca esperança! Tudo, mas tudo, mesmo, passa, exceto Deus. Fica, então, com o Único que é  digno do teu amor e deixa-o cuidar de ti. Espera. Confia. Espera sempre, confia sempre. Quem tem a Deus, quem o conhece, quem confia nele, vive de forma diferente, vive de olho no céu e de coração no coração de Deus. Por isso, é tranqüilo e feliz.

Só Deus basta. Dedica-te a Ele. Deixa-te amar por ele. Ama-o. Nada, então, te perturbará.

Maria Emmir Oquendo Nogueira

– – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – –

Postado em: https://carloslopesshalom.wordpress.com

TODOS OS DIAS, OUTRO DIA

por Emmir Nogueira, Co-Fundadora da Comunidade Shalom
Comunidade Católica Shalom

emmir2

Todos os Dias, Outro dia

Todos os dias, é só abrir o olho pela manhã e flui, espontânea, a milenar oração da Igreja: “Vinde, Espírito Santo”. Assim, sem pensar muito, mais dormindo que acordada, segue a série “automática”: “Pai, em Tuas mãos eu me abandono”, “Oh, minha Senhora…”, “São Miguel Arcanjo, defendei-me no combate”, “Santo Anjo do Senhor, meu zeloso guardador”, São Francisco, Santa Teresa, Santa Maria Madalena e, nos aperreios, claro: Santa Teresinha. Quantas e quantas vezes não misturei os pobres dos santos à espuma da escova de dentes, à visão ainda embaçada da torneira do chuveiro…

Outro dia, sob o efeito triturador do cansaço do Halleluya, foi-me dado mergulhar e “atualizar” a oração milenar ao Espírito Santo que, afinal, não é ninguém mais ninguém menos do que o próprio Deus. Conversamos mais ou menos o seguinte, despreocupados com a mistura entre “tu” e “vós”, desejosos de manter a fórmula milenar, marca de uma amizade de Deus sabe quantas décadas:

“Vinde, Espírito Santo, Tu que és o próprio Deus! Como é possível que Tu te abaixes ao ponto de atender a um apelo sonolento, automático, a cada manhã e, a cada manhã te dispores a direcionar todo o dia de uma pessoa que tantas vezes te esquece, como eu? Quando digo “Vinde!” será que “me toco” que é o próprio Deus que eu chamo? E Tu nem te queixas de falta de respeito!

Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis! Converte-me! Faz com que eu perceba que só vivo porque Tu vives em mim e que se te retiras, volto ao nada do qual me criaste! Não “simplesmente” morro, porque também na morte – e especialmente nela! – estarás comigo. Sem Ti, voltaria ao nada, zero, inexistente, do qual Tu, Espírito Criador, me criaste. Espantoso pedir que Tu enchas meu coração. Mais adequado para minha inteligência minguada seria, talvez, dizer: “Faz-me entender que Tu és tudo, que Tu ocupas tudo, que Tu és todo em mim, aqui, na terra, como Tu és no céu: sempre todo. Faz-me tirar a tralha da pouca fé, do pouco amor, da pouca esperança do meu coração e deixar todo o espaço que eu sou para Ti, que és todo em mim, que me habitas e que queres precisar de mim para te dares a conhecer. Que eu não te deixe apertado no meio de tantas tralhas, como diria Santa Teresa, mas que te dê o espaço que é Teui, que és Tu todo em mim como Tu todo na Trindade.

Se eu não te der todo o “espaço” do que sou, não terás como me usar para te mostrares ao homem, não terei como viver minha consagração. Esse é, também o sentido, de ser toda Tua, toda consagrada, em cada célula, cada pensamento, cada sentimento, cada molécula de DNA, cada gene, cada qualquer coisa ainda menor que seja eu e que venham a descobrir e cada coisa ainda maior que seja eu e que somente Tu sabes e, caso queiras, Tu e eu descobriremos.

Vinde, Espírito Santo, acendei em vossos fiéis o fogo do vosso amor. Aquele mesmo fogo que Tu acendes na Trindade. O “mesminho”! O fogo do Amor. O fogo que leva o Pai e o Filho a se entregarem e se acolherem sem restrições em um único movimento parado de amor, como tentou explicar João da Cruz. Vem acender no meu coração a capacidade, o desejo, a decisão de me dar toda a cada um (não a todos indistintamente, mas a cada um) e de acolher a cada um, ainda que, pecadora, só vá conseguir fazê-lo de modo muito, muito limitado. No entanto, o amor, encolhido em minha limitação, ao tornar-se ação, se expandirá do “tamanho” da Trindade e com seu mesmo poder avassalador na vida do objeto do Teu e meu amor, na história do mundo. Não é verdade que quanto maior a compressão mais estupenda é a explosão? Há inúmeras vantagens em ser pequena e limitada! Obrigada por eu não ser Deus! Obrigada por assim te ter a Ti como Deus! Obrigada por poder ser fraca, pequena e, assim, poder “explodir” a Ti para todo lado!

Acende no meu coração o fogo de Amor que Tu acendes na Trindade, de formas que eu acolha o Pai e acolha o Filho e, acolhendo cada um, neles acolha cada irmão e, acolhendo cada irmão, nele acolha o Filho e o Pai. Coloca-me, assim, no mesmo movimento de amor da Trindade! Abaixa-te como um vento impetuoso e varre o que é terreno como eu até elevá-lo, qual folha seca, às alturas da dança de amor da Trindade! Queima-me com Tua misericórdia no solo mesquinho do me pecado e eleva-me, em chamas, às tuas alturas! Coloca-me nesta dança, para que ame com um amor que não é meu, mas Teu nEla! Só sob o Teu impulso e sustento tenho como dançar este Amor que és Tu mesmo! Só acolhendo a Ti tenho como viver o céu de Amor aqui, agora, neste instante que me é dado para, por Ti e em Ti, ser transformada em céu pelo dom do Amor!

Mas não acende este fogo só no meu coração. Seria engano. Acende no nosso coração. No coração dos vossos fiéis, isto é, daqueles que se deixam inflamar por Ti, que seguem Tuas inspirações de caridade ainda que doa até morrer. Acende no nosso coração, coração de Igreja, coração de irmãos e irmãs, coração de família. Acende no nosso coração o fogo do Teu amor.

Por isso é possível dizer: “Enviai, Senhor, Vosso Espírito e tudo será criado, e renovareis a face da terra”. Sim, renovarás pelo amor vivido por Ti em nós e por nós em Ti! Renovarás pela unidade feita de mil perdões e mil renúncias! Farás em nós e por meio de nós uma nova criação! Seremos novas criaturas, renovadas pelo amor do Espírito, pelo Amor da Trindade, pelo Amor que é o Espírito! Se amarmos, não “entristeceremos o Espírito”, traremos à criação, “que geme e sofre em dores de parto”, a manifestação do Filho-Amor, do Pai-Amor, do Deus-Amor, da Trindade.”

O amor, manifestação do Espírito em nós, manifestação da Vida da Trindade em nós. Eis o grande clamor da primeira parte. Em meio à dor no corpo que o Halleluya me espalhou dos pés à cabeça, ainda deu para compreender que o amor é a principal tarefa do Espírito em nós, como é sua principal tarefa na Trindade, mas que este mesmo amor precisa da livre adesão da nossa inteligência e da nossa vontade:

“Oh Deus, que instruístes o coração dos vossos fiéis com a luz do Espírito Santo, fazei com que apreciemos retamente todas as coisas”. O fogo torna-se luz. O amor é fogo que ilumina o entendimento e o entendimento verdadeiro é luz que resulta do amor, como o fogo e a luz, como a luz e o fogo. À luz do fogo do Teu Amor, Santo Espírito, podemos entender todas as coisas, não sob o nosso olhar egoísta e, portanto, limitado e centralizado em nós, mas à luz do Amor de Deus, no qual podemos confiar cegamente. Não caminharemos, assim, segundo nossa luzinha fraca, egoísta, tão limitada que a Ti te parece escuridão, mas segundo a luz forte, amorosa e ilimitada do Teu amor, tão forte e ilimitada que a nós nos parece escuridão.

Sob a luz deste Amor podemos apreciar retamente todas as coisas e gozar sempre da Cruz do Amor que é, afinal, a Tua única e imensa consolação: a renúncia do dar-se inteiramente, “até doer” e do acolher inteiramente “ainda que doa”. Algo além do Amor do Espírito Santo, nos dá gozar de semelhante dor? Algo que não o Amor do Espírito nos faz considerar felicidade e alegria, consolo e gozo a cruz de amor de cada dia? Sim! Fazei-nos gozar sempre de Suas consolações!

Arranca-me, arranca-nos, Santo Espírito, de nossa mentalidade hedonista que considera consolação o que dá prazer. Faz em nós esta imensa obra de libertação e faz-nos aderir ao que Jesus e a Palavra apontam como consolação. Garanto, Santo Espírito, que assim Tu renovarás a face da terra! ”

Todos os dias, mesmo sob a trituração do Halleluya, é preciso levantar para amar. Consolo! Depois do almoço, dez minutos, não mais que isso, de sono. Aos 53 anos, a gente ainda é de ferro, mas tem, já, alguma ferrugem. Dez minutos e, novamente, todos os dias, o despertador. Hora de amar! E, outra vez, a oração automática sai por baixo do peso do sono exausto: “Obrigada, Senhor, por esta nova oportunidade de te provar meu amor! Vinde…”

Todos os dias, final do dia, e outra vez o “Vinde”. Revisão de vida, perdão, gratidão, repouso, novo “Vinde”, todos os dias, outra vez, pois sem o Amor que esconde o segredo da consolação da Cruz, sem este fogo que queima e ilumina e, queimando, transforma o nada em Nada-todo-no-Tudo, nada há no homem que agrade a Deus.

– – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – –
por Emmir Nogueira, Co-Fundadora da Comunidade Shalom *
Comunidade Católica Shalom

Postado em: https://carloslopesshalom.wordpress.com