POR QUE SE CELEBRA A MISSA DE SÉTIMO DIA?

Fonte: http://paroquiasantateresinha.com.br/por-que-se-celebra-a-missa-de-7o-dia/

Pe. Valdiran Santos (da Paróquia Santa Teresinha Região Brasilândia.)

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PARA ENTENDER MELHOR

O número sete na Bíblia é igual à perfeição que é = DEUS. Em 7 dias Deus criou o mundo e descansou. Essa tradição de luto de 7 dias nós encontramos na Bíblia:

  • O luto de Jacó durou 7 dias (Gn 50,10)
  • Saul foi enterrado e fizeram um jejum de 7 dias (1Sm 31,13)
  • O povo chorou a morte de Judite durante 7 dias (Jt 16,24)
  • O luto por um morto dura 7 dias (Eclo 22,11)

Para nós é importante continuar essa tradição porque somos Cristãos; homens e mulheres de esperança, cremos na vida eterna e acreditamos que a morte não é o fim de tudo, mas o começo de uma nova vida. “Cristo, morrendo, destruiu a morte e ressuscitando dos mortos deu-nos a vida”.

Quando rezamos diante de um corpo, estamos diante de alguém que, pelo batismo foi o templo da Santíssima Trindade (1Cor 2,16-17) e confiamos plenamente na ressurreição conforme  Jesus prometeu: “Eu sou a ressurreição e a vida”.

2Mc 12,43-45 “Então fizeram uma coleta individual, reuniram duas mil moedas de prata e mandaram para Jerusalém, a fim de que fosse oferecido um sacrifício pelo pecado. Ele agiu com grande retidão e nobreza, pensando na ressurreição. Se não tivesse esperança na ressurreição dos que tinham morrido na batalha, seria coisa inútil e tola rezar pelos mortos. Mas, considerando que existe uma bela recompensa guardada para aqueles que são fiéis até a morte, então esse é um pensamento santo e piedoso. Por isso, mandou oferecer um sacrifício pelo pecado dos que tinham morrido, para que fossem libertados do pecado”.

Ecle 11,7 “Então o pó volta para a terra de onde veio, e o sopro vital retorna para Deus que o concedeu”.

Sb 3,1-4 “As almas dos justos, ao contrário, estão nas mãos de Deus, e nenhum tormento as atingirá. Aos olhos dos insensatos, aqueles pareciam ter morrido, e o seu fim foi considerado como desgraça. Os insensatos pensavam que a partida dos justos do nosso meio era um aniquilamento, mas agora estão em paz”.

Jó 19,25-27 “Eu sei que o meu Redentor está vivo e que no fim se levantará acima do pó. Eu mesmo o verei, e não outro; eu o verei com os meus próprios olhos”.

Dn 12,3 “Muitos que dormem no pó despertarão: uns para a vida eterna, outros para a vergonha e a infâmia eternas, os sábios brilharão como brilha o firmamento e os que ensinam a muitos a justiça brilharão para sempre como estrelas”.

A FÉ CRISTÃ NA RESSURREIÇÃO

Para nós cristãos morrer significa passar da morte para a vida, é ir ao encontro com o Pai e viver eternamente no seu convívio. Para os que crêem em Deus “a vida não é tirada, mas transformada”.

No Novo Testamento há inúmeras passagens que falam da ressurreição e da  vida eterna. Esses textos são o fundamento da nossa fé e da nossa esperança. Vejamos alguns:

  • “Então o anjo disse às mulheres: Não tenham medo. Eu sei que vocês estão procurando Jesus, que foi crucificado. Ele não está aqui. Ressuscitou como havia dito”. (Mt 28,5-6);
  • “Ainda estavam falando, quando Jesus apareceu no meio deles, e disse: A paz esteja com vocês” (Lc 24,36);
  • “Jesus apareceu a dois deles, com outra aparência, enquanto estavam a caminho do campo” (Mc 16,12);
  • “Jesus disse: Eu sou a ressurreição e a vida. Quem acredita em mim, mesmo que morra, viverá. E todo aquele que vive e acredita em mim, não morrerá para sempre” (Jo 11,25-26)
  • “Estou convencido de que nem a morte nem a vida, nem os anjos nem os principados, nem o presente nem o futuro…nada nos poderá separar do amor de Deus manifestado em Jesus Cristo, nosso Senhor” (Rm 8,38-39);
  • “O que os olhos não viram, os ouvidos não ouviram e o coração do homem não percebeu, foi isso o que Deus preparou para aqueles que o amam. Deus porém, o revelou a nós pelo Espírito”. (1Cor 2,9);
  • “O mesmo acontece com a ressurreição dos mortos: o corpo é semeado corruptível, mas ressuscita incorruptível; é semeado desprezível, mas ressuscita glorioso, é semeado na fraqueza, mas ressuscita, cheio de forma” (1Cor 15,42-43);
  • “Nós sabemos: quando a nossa morada terrestre, a nossa tenda for desfeita, receberemos de Deus uma habitação no céu, uma casa eterna não construída por mãos humanas”(2Cor 5,1);
  • “Com ele, vocês foram sepultados no batismo, e nele vocês foram também ressuscitados mediante a fé no poder de Deus que ressuscitou Cristo dos mortos” (Cl 2,12);
  • “A voz do Arcanjo e ao som da trombeta Divina, o próprio Senhor descerá do céu. Então os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro” (1Ts 4,16);
  • “Os homens morrem uma só vez e depois disso vem o julgamento” (Hb, 9,27);
  • “Os que vem da grande tribulação…Nunca mais terão fome, nem sede; nunca mais serão queimados pelo sol, nem pelo calor ardente. Pois o Cordeiro que está no meio do trono será o pastor deles; vai conduzi-los até as fontes de água de vida. E Deus lhes enxugará toda lágrima dos olhos” (Ap 7,16-17);
  • “Felizes os mortos, aqueles que desde agora morrem no Senhor. Sim diz o Espírito, descansem, de suas fadigas, pois suas obras os acompanham” (AP 14,13).

CONCLUSÃO

Os textos que lemos justificam as nossas orações pelos mortos, especialmente a Santa Missa, culto máximo de louvor, gratidão e adoração a Deus, Senhor da vida e da imortalidade. A missa de 7º dia está, portanto, fundamentada na Palavra de Deus. Com certeza, uma prece dirigida a Deus, por alguém vivo ou falecido, não lhe fará mal nenhum, pois rezamos ao Deus Pai, autor e Senhor da vida. Dessa forma participamos da Comunhão dos Santos, aqueles que estão na glória do céu, aqueles que esperam o dia do julgamento e nós que militamos neste mundo.

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QUEM LÊ O EVANGELHO: O DIÁCONO OU O SACERDOTE?

Responde o pe. Edward McNamara, LC, professor de teologia e diretor espiritual

Por Pe. Edward McNamara, L.C.

Pergunta:

Caro pe. Edward McNamara, li a sua resposta sobre a leitura do Evangelho e fiquei com uma dúvida. O senhor escreve, com base no nº 59 do OGMR, que "o Evangelho é anunciado pelo diácono ou por outro sacerdote". Deduzo disto que, mesmo quando há um diácono presente, o Evangelho pode ser proclamado pelo sacerdote e não pelo diácono. Eu sempre soube que, quando há um diácono presente, cabe a ele a proclamar o Evangelho. Gostaria de um esclarecimento e aproveito para parabenizá-lo pelas suas explicações muito úteis sobre a liturgia – S.V.F., diácono da diocese de Uberlândia, MG.

Publicamos abaixo a resposta do pe. McNamara .

Liturgia

As normas que regem esta questão não são absolutas e permitem certa flexibilidade para nos adaptarmos a circunstâncias especiais. Ao mesmo tempo, existem aspectos de decoro litúrgico que devem ser respeitados na medida do possível.

O princípio a ser observado é que, se um diácono está presente, cabe a ele a ler o Evangelho. Anunciar o Evangelho faz parte do diaconato e, normalmente, o diácono não deve ser substituído neste serviço.

Um sacerdote pode proclamar o Evangelho apenas se o diácono estiver impedido por alguma razão excepcional: por exemplo, se ele não conhece o idioma em que o Evangelho é lido em uma celebração multilíngue. Da mesma forma, se o Evangelho tiver de ser cantado e o diácono não estiver qualificado para essa tarefa, um concelebrante poderá proclamar o texto sagrado.

No caso de celebração sem diácono, o celebrante principal, seja bispo ou sacerdote, não deveria ler o Evangelho, ainda que, normalmente, caiba a ele pregar a homilia.

Isso acontece porque, tradicionalmente, no rito latino, a proclamação do Evangelho não é um ato presidencial. Esta é provavelmente a razão pela qual a saudação "O Senhor esteja convosco" é pronunciada com as mãos juntas, seja pelo diácono, seja pelo padre, antes de ser proclamado o texto. Abrir e juntar as mãos é reservado aos atos especificamente presidenciais e, portanto, o diácono não deveria nunca fazer esse gesto durante a missa, embora possa fazê-lo quando preside outras funções litúrgicas nas quais nenhum sacerdote está presente.

Se houver dois diáconos, as tarefas são normalmente divididas: um é o diácono da Palavra e o outro é o da Eucaristia. Fora do anúncio do Evangelho e das intercessões gerais, o diácono da Palavra fica à esquerda do celebrante durante a liturgia da Eucaristia, podendo também incensar o Santíssimo Sacramento durante a Oração Eucarística. O diácono da Eucaristia, por sua vez, se encarrega das funções usuais de um diácono durante a preparação das ofertas, a oração eucarística e o sinal da paz.

O QUE SIGNIFICA JHS QUE ESTÁ NA HÓSTIA

Por Antonio Onety

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O mais comum é ouvir-se de até de pessoas catequistas, seminaristas… que significa  Jesus Salvador dos Homens ou Jesus Homem Salvador, porque vem das palavras Jesus Hominum Salvator.  Como a letra J é no latim substituída algumas vezes pelo I (Iesus), pois, como justificam, no alto da cruz estava escrito INRI = Iesus Nazarenus Rex Iudeorum.  Todavia, nada disso traduz o JHS impressos nas hóstias grandes.

E então o que quer dizer ?  Resposta :  São as três primeiras letras do nome de Jesus em grego (IHSOUS).  Com efeito , a primeira é o IOTA (ou jota), que se pronuncia I;  a segunda é o H (eta) que se pronuncia E;  e a terceira é o S (sigma): IHSOUS – a letra I do grego pode ser escrita com J ou I  em latim.  E o nome de Jesus em hebraico, significa "Deus salva" .

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CALENDÁRIO ECLESIÁSTICO (FESTAS FIXAS E MÓVEIS)

Fonte: http://blog.cancaonova.com/leandrocouto/calendario-eclesiastico/

INTRODUÇÃO

É o calendário oficial da Igreja Católica Apostólica Romana, sendo adotado, via de regra, em todos os países católicos e também em alguns protestantes. Ele é misto, sendo regulado tanto pelo ano solar como pelo lunar, dando origem às festas móveis.

CALENDÁRIO DAS FESTAS MÓVEIS

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Observações:

1) A Festa do Sagrado coração de Jesus Comemora-se sempre no 2º. Domingo após Pentecostes

2) * ”Paixão”, acima, refere-se à sexta feira que antecede a Páscoa. Não confundir com “Domingo da Paixão” (hoje o  5º. Domingo da Quaresma)  que é o Domingo que antecede Ramos.

POR QUÊ A IGREJA ESTABELECEU AS FESTAS MÓVEIS?

Nos tópicos seguintes iremos estudar por quê a Quarta-Feira de Cinzas e a  Páscoa não possuem data fixa de comemoração.

Todas as festas da Igreja que tem como ponto de referência a Páscoa, são denominadas festas móveis porque baseadas no calendário lunar (judaico) e adaptadas ao nosso calendário (gregoriano). Comecemos relembrando, em resumo, o significado da Páscoa Judaica e da Páscoa Cristã:

PASCOA JUDAICA (breve resumo) – No Antigo Testamento, sabemos que Moisés, sob a guia divina, tornou-se chefe do povo oprimido que encontrava-se sob o jugo dos egípcios, adversários do povo eleito, sob o comando do Faraó que usava de seus poderes terrenos para contrariar os planos divinos. Deus manifesta seu poder através de Moisés, mediante diversos sinais e castigos, mas o coração endurecido do Faraó não acena com nenhum sinal de arrependimento. Durante a libertação do povo guiado por Moisés, Deus institui a celebração da Páscoa através de Moisés e Aarão, mandando dizer a toda a assembléia de Israel que tomasse um cordeiro que deveria ser imolado em data determinada, devendo seu sangue ser tomado, posto sobre as duas ombreiras e sobre a verga da porta da casa. Deus disse ainda que naquela noite passaria através do Egito para exercer sua justiça, ferindo de morte os filhos primogênitos dos Egípcios, mas que passaria adiante das casas marcadas com o sangue do cordeiro. E Deus mandou seu Anjo, e assim foi feito.

“Conservareis a memória daquele dia, celebrando-o como uma festa em honra do Senhor: Fareis isto de geração em geração, pois é uma instituição perpétua” (Ex 12, 14)

Desta forma ficou instituída a a festa da Páscoa, comemorada até os dias atuais pelo povo judeu. O extermínio dos filhos dos egípcios testemunha que o povo eleito, libertado, terá que viver daí em diante, no temor de Deus e reconhecido o seu grande benfeitor. (Veja tudo sobre a instituição da Páscoa no Livro do Êxodo, cap. 12)

PÁSCOA CRISTÃ (breve esumo) – A instituição da Páscoa Cristã encontra-se na imolação de Cristo. Enquanto na primeira festa de Páscoa Deus liberta o povo da escravidão e proclama a sua Aliança com o povo de Israel, na segunda, o próprio Deus torna-se o Cordeiro Imolado para libertar o povo do jugo do pecado e do demônio. Desta vez, o Sangue de Jesus, do Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo, definitivamente liberta toda a humanidade com sua Paixão, Morte e Ressurreição.

“Purificai-vos do velho fermento, para que sejais massa nova, porque sois pães ázimos, porquanto Cristo, nossa Páscoa, foi imolado”. (I Cor 5, 7)

* * * * * * * * *

Recordando:  Memorizados os aspectos centrais da Páscoa Judaica e da Páscoa Cristã, recordemos que Jesus veio ao mundo em cumprimento das Escrituras e por Seu desígnio foi crucificado justamente no dia da preparação da festa da Páscoa, para que, a partir de sua Paixão, Morte e Ressureição fosse instituída a Nova Aliança. Para que fosse instituída a grande e solene Páscoa, como num reflexo pleno da primeira festa de Páscoa.

CONCLUINDO:

Como a festa da Páscoa Judaica, coincide exatamente com o dia da imolação de Cristo, estabeleceu-se já naquele momento, por desígnio de Deus, o dia 14 de Nisã (do calendário judaico ou hebraico), como data de referência à comemoração da Páscoa Cristã. (Encontro da Primeira com a Segunda Aliança)

Assim, a Páscoa judaica é sempre celebrada na 1ª. lua cheia da primavera do hemisfério norte, na noite de 14 para 15 de Nisã . A Páscoa Cristã ficou fixada como o 1ª Domingo posterior à referida 1ª lua cheia, ou seja, no primeiro domingo após a comemoração da Páscoa dos Judeus.

Como o calendário judaico é baseado nos ciclos da lua, explica-se os motivos da variação em nosso calendário, que é solar e por isso, para nós, o Domingo de Páscoa varia entre 22 de março e 25 de abril. Fixado, assim, a festa da Páscoa para determinado ano, todas as outras festas também se movem desde a septuagésima até Corpus Christi, conforme a tabela do início deste artigo.

Em síntese: É usado como referência não o nosso calendário, mas sim o  judaico. Fixada a data da Páscoa pelo calendário judaico, adaptamos tal data ao nosso para que a partir daí, possamos estabelecer as datas, desde a septuagésima até Corpus Christi, conforme da grade abaixo. Estabelecido o dia da Páscoa, aí sim, todas as outras festas móveis o acompanham.

O Carnaval apesar de ser uma festa pagã, também se move com o calendário eclesiástico e é sempre comemorado sete domingos antes do Domingo de Páscoa. As festas são permitidas até a quarta-feira de cinzas, quando inicia-se a Quaresma, tempo de 40 dias de jejum e abstinência em preparação à festa da Páscoa, ou seja, data que celebramos a Ressurreição de Cristo.

Festas Móveis – Tem por referência a Páscoa e são as seguintes:

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Obs: A Festa do Sagrado coração de Jesus Comemora-se sempre no 2º. Domingo após Pentecostes

PRINCIPAIS FESTAS FIXAS

Como o próprio nome sugere, “festas fixas” são aquelas cujas datas de comemoração não variam, permanecem sempre imutáveis conforme estabelece o Calendário Romano Geral. São tipificadas por festa ou solenidade. As demais comemorações que não pertençam à grade abaixo, por exemplo, de um santo padroeiro, são tipificadas em memória.

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DESCRIÇÃO DA SANTA MISSA, NO SÉC. II

Descrição da Santa Missa na Igreja primitiva por São Justino, mártir

Nessa descrição datada da primeira metade do século segundo, se delineia os principais elementos da Santa Missa tal com a conhecemos hoje. Percebe-se já naquele tempo a primazia do Domingo sobre o Sábado como o dia mais solene para a Santa Missa, devido a Ressurreição de Cristo. Nesse texto de São Justino († ano 165) fica evidente o fervor eucarístico da Igreja nascente assim como o desejo de explicar os mistérios da Santa Missa para recém convertidos ou pessoas em vias de se converter.

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“Terminadas as orações, damos mutuamente o ósculo da paz. Apresenta-se, então, a quem preside aos irmãos, pão e um vaso de água e vinho, e ele tomando-os dá louvores e glória ao Pai do universo pelo nome de seu Filho e pelo Espírito Santo, e pronuncia uma longa ação de graças em razão dos dons que dele nos vêm. Quando o presidente termina as orações e a ação de graças, o povo presente aclama dizendo: Amém…

Uma vez dadas as graças e feita a aclamação pelo povo, os que entre nós se chamam diáconos oferecem a cada um dos assistentes parte do pão, do vinho, da água, sobre os quais se disse a ação de graças, e levam-na aos ausentes. Este alimento se chama entre nós Eucaristia, não sendo lícito participar dele senão ao que crê ser verdadeiro o que foi ensinado por nós e já se tiver lavado no banho [batismo] da remissão dos pecados e da regeneração, professando o que Cristo nos ensinou. Porque não tomamos estas coisas como pão e bebida comuns, mas da mesma forma que Jesus Cristo, nosso Senhor, se fez carne e sangue por nossa salvação, assim também se nos ensinou que por virtude da oração do Verbo, o alimento sobre o qual foi dita a ação de graças – alimento de que, por transformação, se nutrem nosso sangue e nossas carnes – é a carne e o sangue daquele mesmo Jesus encarnado.

E foi assim que os Apóstolos, nas Memórias por eles escritas, chamadas Evangelhos, nos transmitiram ter-lhe sido ordenado fazer, quando Jesus, tomando o pão e dando graças, disse: “Fazei isto em memória de mim, isto é o meu corpo”. E igualmente, tomando o cálice e dando graças, disse: “Este é o meu sangue”, o qual somente a eles deu a participar… No dia que se chama do Sol [domingo] celebra-se uma reunião dos que moram nas cidades e nos campos e alí se lêem, quanto o tempo permite, as Memórias dos Apóstolos ou os escritos dos profetas. Assim que o leitor termina, o presidente faz uma exortação e convite para imitarmos tais belos exemplos. Erguemo-nos, então, e elevamos em conjunto as nossas preces, após as quais se oferecem pão, vinho e água, como já dissemos. O presidente também, na medida de sua capacidade, faz elevar a Deus suas preces e ações de graças, respondendo todo o povo “Amém”.

Segue-se a distribuição a cada um, dos alimentos consagrados pela ação de graças, e seu envio aos doentes, por meio dos diáconos. Os que têm, e querem, dão o que lhes parece, conforme sua livre determinação, sendo a coleta entregue ao presidente, que assim auxilia os órfãos e viúvas, os enfermos, os pobres, os encarcerados, os forasteiros, constituíndo´se, numa palavra, o provedor de quantos se acham em necessidade.”

(Apologias, SÉC. II)

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A EUCARISTIA NOS UNE A CRISTO E N0S TRANSFORMA N’ELE

FONTE: Revista Arautos do Evangelho, Fev/2006, n. 50, p. 35 à 37)

Santíssimo Sacramento (adoração à Eucaristia pelos Anjos e pelos Santos)

O sacramento da Eucaristia, ao transformar-nos de certa maneira no próprio Cristo, nos encaminha para a felicidade eterna e nos faz pregustá-la já nesta terra. Este cativante tema é a seguir desenvolvido pelo douto dominicano Frei Ferdinand-Doratien Joret.

A união transformante, ápice da vida mística

A mais bela fórmula da via mística, plenamente vivida na união transformante, é esta:

"a alma vive em Deus e Deus vive na alma".

Pois bem, esta frase, repetida várias vezes nos escritos de São João Evangelista, nós a ouvimos pela primeira vez dos lábios do próprio Jesus, justamente quando nos prometeu a divina Eucaristia:

"Quem come minha Carne e bebe meu Sangue vive em Mim, e Eu nele" (Jo 6, 56).

Nosso Senhor disse então, a propósito da Eucaristia, o que Ele mesmo e seu discípulo amado, o qual fala sob sua inspiração, repetiram depois, tratando da vida da caridade e da ação do Espírito Santo nas almas.

Nós vivemos em Deus

"Quem permanece na caridade permanece em Deus, e Deus permanece nele" (1 Jo 4, 16). Permanece em Deus, pois a virtude da caridade é obra imediata do próprio Deus. É Ele, é seu Divino Espírito em pessoa que a expande em nossos corações. Ele a dá, esperando que ela suscite e regule seus atos. Toda alma em estado de caridade encontra-se, pois, fundamentada em Deus. Mais ainda, quando sua caridade se desabrocha em atos, torna-se como a vida de Deus comunicando-se ativamente à alma. Na realidade, ela mora em Deus e d’Ele recebe, como de sua própria fonte, a vida.

Deus permanece em nós

Nessa atividade, porém, regressa a alma ao seu princípio vital. A caridade mesma, ao se espraiar sob a ação do Espírito Santo, nos faz retornar ao próprio Deus, que vive em nós. Voltamo- nos para nós mesmos e abraçamos ali essa alma de nossa alma, que é o Espírito Santo e, pela capacidade sobrenatural da virtude da caridade, entramos no gozo desse divino objeto. Então Ele Se dá verdadeiramente a nós. Ele é o fim e, ao mesmo tempo, o princípio de nosso ato de amor. Estamos em Deus e Deus está em nós.

Já se encontrava Ele em nós antes de surgir em nós o amor, pelo simples fato de nos ter dado esse amor em potência e assim o possuirmos. É dessa forma que Deus reside na alma do recém-nascido e recém-batizado. Compreende- se, contudo, que essa residência em razão do amor habitual acaba por fazer-se atual e explícita, logo que praticamos um ato de amor a Deus. É aí que nos unimos a Deus e, em certo sentido, nos abraçamos a Ele.

Um novo progresso se realizará nessa vida quando essa união se torne consciente, como ocorre no estado místico. A alma terá a impressão de ser atraída por Deus, íntimo dela, à maneira de um ímã que atuasse sobre seu coração e mais ou menos sobre todas as suas demais faculdades, que se concentram e se recolhem n’Ele, num único anelo de amor. Chega até a ter a sensação de O tocar. Tal sentimento alcança sua plenitude e se torna contínuo no estado que Santa Teresa denomina "união transformante" ou "matrimônio divino", que é, nesta terra, a maior antecipação do Céu.

A meu juízo, estão certos os teólogos que consideram esse estado místico, cujas etapas percorremos muito abreviadamente, como um desenvolvimento normal da vida espiritual levada com naturalidade até as suas últimas fases. Mesmo opinando, como outros o fazem, que o estado místico está fora da normalidade da vida sobrenatural da graça, forçoso é reconhecer que a Eucaristia realiza de todos os modos uma união transformante muito real e sumamente profunda. A ninguém deve causar estranheza que particularmente na hora da Comunhão se experimente o estado místico; pois, nesse momento, tudo contribui para induzir a alma ao místico arrebatamento: um sinal sensível nos traz a presença corporal de Cristo, ao mesmo tempo que o Espírito de Deus estimula em nós a caridade, concentrando- a toda no amor extático.

Visto isso, vamos expor como, pela Comunhão, se produz na alma a união com Cristo e a transformação n’Ele.

União a Cristo pela Eucaristia

Nosso Senhor afirma essa união:

"Quem come minha Carne e bebe meu Sangue permanece em Mim, e Eu nele" (Jo 6,56).

Eucaristia (5)

E após a instituição desse Sacramento, quando os Apóstolos experimentavam já a veracidade dessas palavras, Jesus falou outra vez, com insistência, dessa união:

"Permanecei em Mim e Eu permanecerei em vós. O ramo não pode dar fruto por si mesmo, se não permanecer na videira. Assim também vós: não podeis tampouco dar fruto, se não permanecerdes em Mim. Eu sou a videira; vós, os ramos. Quem permanece em Mim e Eu nele, esse dá muito fruto" (Jo 15, 4- 5).

Todo mundo conhece estes versículos. E como insiste Jesus na idéia: "Permanecei em Mim, permanecei em meu amor!"

A Eucaristia é o grande Sacramento da incorporação a Cristo. Todos os outros apenas encaminham e conduzem a ela.

É ela que realiza a união, o metabolismo da vida entre Cristo e seus membros, entre a videira e os ramos. Cristo, presente realmente nesta terra em todos os sacrários, faz sentir sua comunicação de vida a todos os seus membros, seja por meio dos demais Sacramentos, seja pelas outras graças multiformemente distribuídas às almas em todas as suas vias. Na Comunhão, porém, é Ele mesmo que a alma recebe e sobre quem ela se apóia diretamente, para extrair e tomar d’Ele toda a vida da graça e da caridade.

Aqui está a feliz conseqüência: essa caridade, já mais fervorosa, nos une mais intimamente, de forma tal que Ele mora em nós. É o segundo aspecto da união.

Depois do "vós em Mim", é o "Eu em vós". Meu Pai e Eu "viremos a ele e faremos nele nossa morada" (Jo 14, 23), disse Jesus a respeito de todo fiel que O ama nesta terra. Ao crescer esse amor pela Comunhão, que estimula a caridade, produz-se uma penetração cada vez mais íntima do divino Hóspede em nós. Cada vez gozamos mais d’Ele, perdemo-nos n’Ele, fazemo-nos um com Ele. "Não éramos dois, era uma fusão", escreve Santa Teresinha do Menino Jesus, falando de sua Primeira Comunhão. "Por esse Sacramento – ensina São Tomás – se aumenta a graça e se aperfeiçoa a vida espiritual, a fim de que o homem faça-se mais perfeito pela união a Deus" (III, q. 79, a. 1. ad 1).

Transformação em Nosso Senhor, pela Eucaristia

A idéia de assimilação

Em suas "Confissões", Santo Agostinho relata que lhe parecia ouvir do alto uma voz a lhe dizer: "Eu sou o alimento dos fortes; cresce e Me comerás, não para Me transformar em ti, mas para te transformares em Mim" (1. VII, c. X). São Tomás aplica à Comunhão essas palavras divinas. Toda nutrição tem por efeito a assimilação. É natural, porém, que o principal elemento, o mais vivente dos dois, seja o que assimila o outro. Ordinariamente, quem come, quem ingere o alimento, é quem o faz passar para sua própria vida. Mas nos encontramos ante um caso extraordinário: na Comunhão, quem é mais vivente é o alimento, e, portanto, Ele é quem transformará em Si aquele que O come. "Daí se segue – afirma São Tomás – que o efeito próprio desse Sacramento é a transformação do homem em Cristo, de maneira a poder dizer: ‘Vivo eu, mas já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim’" (IV Sent., dist. 12, q. 2, a. 1, q. 1).

A idéia de caridade

Chegamos à mesma conclusão partindo da idéia de que a Eucaristia é o pão do amor, o alimento da amizade divina.

O próprio da amizade é ir transformando o amante no objeto do seu amor. À medida que amamos alguém, vamos-nos assemelhando a seu modo de ser, como se a alma do amado se fosse tornando nossa própria alma, inspirando toda a nossa conduta. Desinteressamo- nos de nós mesmos para nos ocuparmos somente do ser amado. E a partir desse momento nossa vida se transforma. Não somos mais o que éramos. Doravante, o que nos move são suas idéias, seus gostos e afeições, suas intenções e propósitos; e nosso maior desejo é a realização de sua felicidade. Eis o que a caridade, a qual é a amizade com Deus, opera em nosso coração com respeito a Nosso Senhor. Uma vez mais, vem a propósito a palavra do Apóstolo, há pouco citada: "Não sou eu que vivo, é Cristo quem vive em mim". Escreve São Tomás: "Por esse Sacramento, opera-se uma certa transformação do homem em Cristo, e é este o seu fruto característico" (Ibid., a. 2, q. 1).

Assim, pois, o alimento eucarístico, não menos que nossa virtude da caridade por ele estimulada, nos leva ao esquecimento de nós mesmos, ao sacrifício de nosso egoísmo, para não pensar senão em Nosso Senhor e não viver senão para Ele, jubilosos de entrar no desígnio que Ele teve no mundo e que nos consumará com Ele no Pai. "Eu neles e Tu em Mim, ó Pai, a fim de que todos sejamos consumados na unidade" (Jo 17,23).

No Céu, efetivamente, Jesus estará em nós, unindo vitalmente todos os membros de seu Corpo místico; e Deus, que está em Cristo glorificado, estará de igual modo em nós, que seremos um com Cristo. A complacência do Pai se estenderá da Cabeça para todos os membros de seu Filho Unigênito: "Eis aqui meu Filho bem-amado!" (Mt 3,17); e nós, inteiramente de acordo com Jesus, todos num só elã, sob seu impulso irresistível, exclamaremos: "Abba! Pai!"

E esse duplo movimento de amor – do Pai para nós e de nós para o Pai – não é senão um prolongamento até nós do Espírito Santo, amor substancial do Pai e do Filho, do qual participaremos. Será a felicidade eterna. Para ela a Comunhão nos encaminha e nos faz pregustá-la desde já.

"Quem come minha Carne e bebe meu Sangue tem a vida eterna" (Jo 6, 54). Notemos que essa promessa está enunciada no tempo presente. Pela Eucaristia, ela começa a se tornar realidade.

(Revista Arautos do Evangelho, Fev/2006, n. 50, p. 35 à 37)

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