A FÉ DA VIÚVA DE SAREPTA

por Santo Ambrósio (c. 340-397), 
bispo de Milão, doutor da Igreja 
Sobre as viúvas; PL 16, 247-276

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A fé da viúva de Sarepta, que acolhe o enviado de Deus

Num tempo em que a fome desolava a terra inteira, porque terá Elias sido enviado a uma viúva? Há uma graça especial que liga duas mulheres: um anjo é enviado a uma virgem e um profeta é enviado a uma viúva. Ali Gabriel, aqui Elias; e são escolhidos o anjo e o profeta mais eminentes! Mas a viuvez, em si mesma, não merece louvores, se não se lhe acrescentarem outras virtudes. À história não faltam viúvas; contudo, há uma que se distingue entre todas e as exorta com o seu exemplo. […] Deus é particularmente sensível à hospitalidade: no evangelho, promete uma recompensa eterna por um copo de água fresca (cf Mt 10,42); aqui, a profusão infinita das suas riquezas por um pouco de farinha ou uma medida de azeite. […]

Porque nos julgamos donos dos frutos da terra quando a terra é uma oferenda perpétua? […] Invertemos, para nosso benefício, o sentido daquele mandamento universal: «Também vos dou todas as árvores de fruto com semente, para que vos sirvam de alimento; e todos os animais da terra, todas as aves dos céus e todos os seres vivos que existem e se movem sobre a terra» (Gn 1,29-30); ao açambarcar, só encontramos o vazio e a escassez. Como podemos esperar o cumprimento da promessa, se não observamos a vontade de Deus? Obedecer ao preceito da hospitalidade e honrar os nossos hóspedes é um são procedimento; pois não somos também nós hóspedes aqui na terra?

Como é perfeita esta viúva! Embora atormentada por uma grande fome, continuava a venerar a Deus; e não guardava as provisões só para si: partilhava-as com seu filho. É um bonito exemplo de ternura, mas é um exemplo ainda mais belo de fé! Pois esta mulher não deveria preferir ninguém a seu filho, mas eis que coloca o profeta de Deus acima da sua própria vida. Reparai bem que não lhe deu apenas um pouco de comida, mas toda a sua subsistência; não ficou com nada para si. Assim como a sua hospitalidade a inspirou a uma doação total, assim também a sua fé a conduziu a uma confiança total.

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ENCERRAMENTO DO ANO DA FÉ

PALAVRAS DO PAPA FRANCISCO
Trecho da Audiência com voluntários que prestaram serviço na organização do Ano da Fé
Sala Clementina – Palácio Apostólico Vaticano – Segunda-feira, 25 de novembro de 2013

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…Neste tempo de graça, pudemos redescobrir o essencial do caminho cristão, no qual a fé, junto com a caridade, ocupa o primeiro lugar. A fé, de fato, é a pedra fundamental da experiência cristã, porque motiva as escolhas e os atos da nossa vida cotidiana. Esta é a veia inevitável de todo o nosso agir, em família, no trabalho, na paróquia, com os amigos, nos vários ambientes sociais. E esta fé sadia, genuína, se vê especialmente nos momentos de dificuldade e de prova: então o cristão se deixa levar pelos braços de Deus e se apega a Ele, com a segurança de confiar em um amor forte como rocha indestrutível. Propriamente nas situações de sofrimento, se nos abandonamos a Deus com humildade, podemos dar um bom testemunho…

NADA É IMPOSSÍVEL À MISERICÓRDIA DE DEUS

ROMA, 13 de Outubro de 2013 (Zenit.org) – Amados irmãos e irmãs,

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Reunimo-nos aqui, neste encontro do Ano da Fé dedicado a Maria, Mãe de Cristo e da Igreja, nossa Mãe. A sua imagem, vinda de Fátima, ajuda-nos a sentir a sua presença no meio de nós. Maria leva-nos sempre a Jesus. É uma mulher de fé, uma verdadeira crente. Como foi a fé de Maria?

1. O primeiro elemento da sua fé é este: a fé de Maria desata o nó do pecado (cf. LG, 56). Que significa isto? Os Padres conciliares retomaram uma expressão de Santo Ireneu, que diz: «O nó da desobediência de Eva foi desatado pela obediência de Maria; aquilo que a virgem Eva atara com a sua incredulidade, desatou-o a virgem Maria com a sua fé» (Adv. Haer. III, 22, 4).

O «nó» da desobediência, o "nó" da incredulidade. Poderíamos dizer, quando uma criança desobedece à mãe ou ao pai, que se forma um pequeno «nó». Isto sucede, se a criança se dá conta do faz, especialmente se há pelo meio uma mentira; naquele momento, não se fia da mãe e do pai. Isto acontece tantas vezes! Então a relação com os pais precisa de ser limpa desta falta e, de facto, pede-se desculpa para que haja de novo harmonia e confiança. Algo parecido acontece no nosso relacionamento com Deus. Quando não O escutamos, não seguimos a sua vontade e realizamos acções concretas em que demonstramos falta de confiança n’Ele – isto é o pecado –, forma-se uma espécie de nó dentro de nós. Estes nós tiram-nos a paz e a serenidade. São perigosos, porque de vários nós pode resultar um emaranhado, que se vai tornando cada vez mais penoso e difícil de desatar.Mas, para a misericórdia de Deus, nada é impossível! Mesmo os nós mais complicados desatam-se com a sua graça. E Maria, que, com o seu «sim», abriu a porta a Deus para desatar o nó da desobediência antiga, é a mãe que, com paciência e ternura, nos leva a Deus, para que Ele desate os nós da nossa alma com a sua misericórdia de Pai. Poderíamos interrogar-nos: Quais são os nós que existem na minha vida? Para mudar, peço a Maria que me ajude a ter confiança na misericórdia de Deus?

2. Segundo elemento: a fé de Maria dá carne humana a Jesus. Diz o Concílio: «Acreditando e obedecendo, gerou na terra, sem ter conhecido varão, por obra e graça do Espírito Santo, o Filho do eterno Pai» (LG, 63). Este é um ponto em que os Padres da Igreja insistiram muito: Maria primeiro concebeu Jesus na fé e, depois, na carne, quando disse «sim» ao anúncio que Deus lhe dirigiu através do Anjo. Que significa isto? Significa que Deus não quis fazer-Se homem, ignorando a nossa liberdade, quis passar através do livre consentimento de Maria, do seu «sim».

Entretanto aquilo que aconteceu de uma forma única na Virgem Mãe, sucede a nível espiritual também em nós, quando acolhemos a Palavra de Deus com um coração bom e sincero, e a pomos em prática. É como se Deus tomasse carne em nós: Ele vem habitar em nós, porque faz morada naqueles que O amam e observam a sua palavra.Perguntemo-nos: Estamos nós conscientes disto? Ou pensamos que a encarnação de Jesus é um facto apenas do passado, que não nos toca pessoalmente? Crer em Jesus significa oferecer-Lhe a nossa carne, com a humildade e a coragem de Maria, para que Ele possa continuar a habitar no meio dos homens; significa oferecer-Lhe as nossas mãos, para acariciar os pequeninos e os pobres; os nossos pés, para ir ao encontro dos irmãos; os nossos braços, para sustentar quem é fraco e trabalhar na vinha do Senhor; a nossa mente, para pensar e fazer projectos à luz do Evangelho; e sobretudo o nosso coração, para amar e tomar decisões de acordo com a vontade de Deus. Tudo isto acontece graças à acção do Espírito Santo. Deixemo-nos guiar por Ele!

3. O último elemento é a fé de Maria como caminho: o Concílio afirma que Maria «avançou pelo caminho da fé» (LG, 58). Por isso, Ela nos precede neste caminho, nos acompanha e sustenta.

Em que sentido a fé de Maria foi um caminho? No sentido de que toda a sua vida foi seguir o seu Filho: Ele é a estrada, Ele é o caminho! Progredir na fé, avançar nesta peregrinação espiritual que é a fé, não é senão seguir a Jesus; ouvi-Lo e deixar-se guiar pelas suas palavras; ver como Ele se comporta e pôr os pés nas suas pegadas, ter os próprios sentimentos e atitudes d’Ele: humildade, misericórdia, solidariedade, mas também firme repulsa da hipocrisia, do fingimento, da idolatria. O caminho de Jesus é o do amor fiel até ao fim, até ao sacrifício da vida: é o caminho da cruz. Por isso, o caminho da fé passa através da cruz, e Maria compreendeu-o desde o princípio, quando Herodes queria matar Jesus recém-nascido. Mas, depois, esta cruz tornou-se mais profunda, quando Jesus foi rejeitado: então a fé de Maria enfrentou a incompreensão e o desprezo; quando chegou a «hora» de Jesus, a hora da paixão: então a fé de Maria foi a chamazinha na noite. Na noite de Sábado Santo, Maria esteve de vigia. A sua chamazinha, pequena mas clara, esteve acesa até ao alvorecer da Ressurreição; e quando lhe chegou a notícia de que o sepulcro estava vazio, no seu coração alastrou-se a alegria da fé, a fé cristã na morte e ressurreição de Jesus Cristo. Este é o ponto culminante do caminho da fé de Maria e de toda a Igreja. Como está a nossa fé? Temo-la, como Maria, acesa mesmo nos momentos difíceis, de escuridão? Tenho a alegria da fé?

Esta noite, ó Maria, nós Te agradecemos pela tua fé e renovamos a nossa entrega a Ti, Mãe da nossa fé.

A NATUREZA DA FÉ – Catequese de Bento XVI

Catequese de Bento XVI – A natureza da fé – 24/10/2012
Boletim da Santa Sé
(Tradução: Jéssica Marçal-equipe CN Notícias)

Com o Mistério da Morte e Ressurreição de Cristo, Deus desce até o fundo na nossa humanidade para trazê-la de volta a Ele, para elevá-la à sua altura. A fé é crer neste amor de Deus que não diminui diante da maldade do homem, diante do mal e da morte, mas é capaz de transformar cada forma de escravidão, dando a possibilidade da salvação. Ter fé é encontrar este “Tu”, Deus, que me apoia e me concede a promessa de um amor indestrutível que não só aspira à eternidade, mas a doa; é confiar em Deus com a atitude de uma criança, que sabe bem que todas as suas dificuldades, todos os seus problemas estão seguros no “Tu” da mãe. E esta possibilidade de salvação através da fé é um dom que Deus oferece a todos os homens.

Papa Bento XVI_

Caros irmãos e irmãs,

Quarta-feira passada, com o início do Ano da Fé, comecei com uma nova série de catequeses sobra a fé. E hoje gostaria de refletir com vocês sobre uma questão fundamental:

O que é a fé? Há ainda um sentido para a fé em um mundo em que a ciência e a técnica abriram horizontes até pouco tempo impensáveis? O que significa crer hoje?

De fato, no nosso tempo é necessária uma renovada educação para a fé, que inclua um certo conhecimento das suas verdades e dos eventos da salvação, mas que sobretudo nasça de um verdadeiro encontro com Deus em Jesus Cristo, de amá-lo, de confiar Nele, de modo que toda a vida seja envolvida.

Hoje, junto a tantos sinais do bem, cresce ao nosso redor também um certo deserto espiritual. Às vezes, tem-se a sensação, a partir de certos acontecimentos dos quais temos notícia todos os dias, que o mundo não vai para a construção de uma comunidade mais fraterna e mais pacífica; as mesmas ideias de progresso e de bem estar mostram também as suas sombras. Não obstante a grandeza das descobertas da ciência e dos sucessos da técnica, hoje o homem não parece tornar-se verdadeiramente livre, mais humano; permanecem tantas formas de exploração, de manipulação, de violência, de abusos, de injustiça…Um certo tipo de cultura, então, educou a mover-se somente no horizonte das coisas, do factível, a crer comente no que se vê e se toca com as próprias mãos. Por outro lado, porém, cresce também o número daqueles que se sentem desorientados e, na tentativa de ir além de uma visão somente horizontal da realidade, estão dispostos a crer em tudo e no seu contrário. Neste contexto, surgem algumas perguntas fundamentais, que são muito mais concretas do que parecem à primeira vista:

Que sentido tem viver? Há um futuro para o homem, para nós e para as novas gerações? Em que direção orientar as escolhas da nossa liberdade para um êxito bom e feliz da vida? O que nos espera além do limiar da morte?

Destas perguntas insuprimíveis, aparece como o mundo do planejamento, do cálculo exato e do experimento, em uma palavra o saber da ciência, embora importante para a vida do homem, sozinho não basta. Nós precisamos não somente do pão material, precisamos de amor, de significado e de esperança, de um fundamento seguro, de um terreno sólido que nos ajuda a viver com um senso autêntico também nas crises, na escuridão, nas dificuldades e nos problemas cotidianos. A fé nos dá propriamente isto: é um confiante confiar em um “Tu”, que é Deus, o qual me dá uma certeza diversa, mas não menos sólida daquela que me vem do cálculo exato ou da ciência. A fé não é um simples consentimento intelectual do homem e da verdade particular sobre Deus; é um ato com o qual confio livremente em um Deus que é Pai e me ama; é adesão a um “Tu” que me dá esperança e confiança.

Certamente esta adesão a Deus não é privada de conteúdo: com essa sabemos que Deus mesmo se mostrou a nós em Cristo, fez ver a sua face e se fez realmente próximo a cada um de nós. Mais, Deus revelou que o seu amor pelo homem, por cada um de nós, é sem medida: na Cruz, Jesus de Nazaré, o Filho de Deus feito homem, nos mostra do modo mais luminoso a que ponto chega este amor, até a doação de si mesmo, até o sacrifício total. Com o Mistério da Morte e Ressurreição de Cristo, Deus desce até o fundo na nossa humanidade para trazê-la de volta a Ele, para elevá-la à sua altura. A fé é crer neste amor de Deus que não diminui diante da maldade do homem, diante do mal e da morte, mas é capaz de transformar cada forma de escravidão, dando a possibilidade da salvação. Ter fé é encontrar este “Tu”, Deus, que me apoia e me concede a promessa de um amor indestrutível que não só aspira à eternidade, mas a doa; é confiar em Deus com a atitude de uma criança, que sabe bem que todas as suas dificuldades, todos os seus problemas estão seguros no “Tu” da mãe. E esta possibilidade de salvação através da fé é um dom que Deus oferece a todos os homens. Penso que deveríamos meditar mais vezes – na nossa vida cotidiana, caracterizada por problemas e situações às vezes dramáticas – sobre o fato de que crer de forma cristã significa este abandonar-me com confiança ao sentido profundo que apoia a mim e ao mundo, aquele sentido que nós não somos capazes de dar, mas somente de receber como dom, e que é o fundamento sobre o qual podemos viver sem medo. E esta certeza libertadora e tranquilizante da fé, devemos ser capazes de anunciá-la com a palavra e de mostrá-la com a nossa vida de cristãos.

Ao nosso redor, porém, vemos cada dia que muitos permanecem indiferentes ou recusam-se a acolher este anúncio. No final do Evangelho de Marcos, hoje temos palavras duras do Ressuscitado que diz:

“Quem crer e for batizado será salvo, mas quem não crer será condenado” (Mc 16, 16), perde a si mesmo.

Gostaria de convidá-los a refletir sobre isso. A confiança na ação do Espírito Santo nos deve impulsionar sempre a ir e anunciar o Evangelho, ao corajoso testemunho da fé; mas para além da possibilidade de uma resposta positiva ao dom da fé, há também o risco de rejeição ao Evangelho, do não acolhimento ao nosso encontro vital com Cristo. Santo Agostinho já colocava este problema em seu comentário da parábola do semeador:

“Nós falamos – dizia – lançamos a semente, espalhamos a semente. Existem aqueles que desprezam, aqueles que reprovarão, aquelas que zombam. Se nós temos medo deles, não temos mais nada a semear e no dia da ceifa ficaremos sem colheita. Por isso venha a semente da terra boa” (Discurso sobre a disciplina cristã, 13, 14: PL 40, 677-678).

A recusa, portanto, não pode nos desencorajar. Como cristãos, somos testemunhas deste terreno fértil: a nossa fé, mesmo nas nossas limitações, mostra que existe a terra boa, onde a semente da Palavra de Deus produz frutos abundantes de justiça, de paz e de amor, de nova humanidade, de salvação. E toda a história da Igreja, com todos os problemas, demonstra também que existe a terra boa, existe a semente boa, e dá fruto.

Mas perguntamos:

Onde atinge o homem aquela abertura do coração e da mente para crer no Deus que se fez visível em Jesus Cristo morto e ressuscitado, para acolher a sua salvação, de forma que Ele e seu Evangelho sejam o guia e a luz da existência?

Resposta: nós podemos crer em Deus porque Ele se aproxima de nós e nos toca, porque o Espírito Santo, dom do Ressuscitado, nos torna capazes de acolher o Deus vivo. A fé então é primeiramente um dom sobrenatural, um dom de Deus. O Concílio Vaticano II afirma:

“Para que se possa fazer este ato de fé, é necessária a graça de Deus que previne e socorre, e são necessários os auxílios interiores do Espírito Santo, o qual mova o coração e o volte a Deus, abra os olhos da mente, e doe ‘a todos doçura para aceitar e acreditar na verdade’” (Cost. dogm. Dei Verbum, 5).

Na base do nosso caminho de fé existe o Batismo, o Sacramento que nos doa o Espírito Santo, fazendo-nos tornar filhos de Deus em Cristo, e marca o ingresso na comunidade de fé, na Igreja: não se crê por si próprio, sem a vinda da graça do Espírito; e não se crê sozinho, mas junto aos irmãos. A partir do Batismo, então, cada crente é chamado a re-viver e fazer própria esta confissão de fé, junto aos irmãos.

A fé é dom de Deus, mas é também ato profundamente livre e humano. O Catecismo da Igreja Católica o diz com clareza:

“É impossível crer sem a graça e os auxílios interiores do Espírito Santo. Não é, portanto, menos verdade que crer é um ato autenticamente humano. Não é contrário nem à liberdade e nem à inteligência do homem” (n. 154).

Na verdade, as implica e as exalta, em uma aposta de vida que é como um êxodo, isso é, uma saída de si mesmo, de suas próprias seguranças, de seus próprios pensamentos, para confiar na ação de Deus que nos indica o seu caminho para conseguir a verdadeira liberdade, a nossa identidade humana, a alegria verdadeira do coração, a paz com todos. Crer é confiar com toda a liberdade e com alegria no plano providencial de Deus na história, como fez o patriarca Abraão, como fez Maria de Nazaré. A fé, então, é um consentimento com o qual a nossa mente e o nosso coração dizem o seu “sim” a Deus, confessando que Jesus é o Senhor. E este “sim” transforma a vida, a abre ao caminho para uma plenitude de significado, a torna então nova, rica de alegria e de esperança confiável.

Caros amigos, o nosso tempo requer cristãos que foram apreendidos por Cristo, que cresçam na fé graças à familiaridade com a Sagrada Escritura e os Sacramentos. Pessoas que sejam quase um livro aberto que narra a experiência da vida nova no Espírito, a presença daquele Deus que nos sustenta no caminho e nos abre à vida que nunca terá fim. Obrigado.

PAPA BENTO XVI

Postado em: https://carloslopesshalom.wordpress.com

SÚMULA BÍBLICA CONTRA IDÉIAS PROTESTANTES

Por Pe. Antônio Miranda, S. D. N.
Manhumirim, 196

EUCARISTIA_5

ABSOLVIÇÃO

1 ― JESUS PROMETEU CONFERIR O PODER DE PERDOAR PECADOS

MAT. XVI, 19 ― “Dar-te-ei as chaves do reino dos céus: e tudo o que ligares sobre a terra será ligado nos céus e tudo o que  desligares sobre a terra será desligado também nos céus”.

Aqui vemos o poder de perdoar, conferido primeiramente ao chefe dos Apóstolos, no singular; depois, Jesus conferirá o mesmo poder a todo o Colégio Apostólico, no plural. Leia-se o texto seguinte:

MAT. XVIII, 18 ― “Em verdade, vos digo: tudo que ligares sobre a terra, será ligado também no céu: e tudo o que desligardes sobre a terra será desligado também no céu”.

2. JESUS CONFERIU ESTE PODER, APÓS A RESSURREIÇÃO

JOÃO, XX, 22-23: ― “Tendo dito estas palavras, soprou sobre eles e lhes disse: Recebei o Espírito Santo. Aqueles a quem vós perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados; e a quem os retiverdes, ser-lhes-ão retidos”.

NOTA-SE que, no texto último, Jesus faz questão de, antes de conferir aos Apóstolos o poder de perdoar pecados, soprar sobre eles, conferindo-lhes o Espírito Santo.  Logo, o poder de perdoar não convém, de maneira nenhuma, a todo e qualquer indivíduo, como o entendem os protestantes, mas é um poder sacramental, conferido mediante a colocação do Espírito Santo.

Vide também o verbete CONFISSÃO.

ADORAÇÃO

1 ― EM SENTIDO ESTRITO, SÓ SE PODE ADORAR A DEUS

MAT. IV, 10 e LUC. IV, 8: “Está escrito: Adorarás ao Senhor teu Deus e a Ele só servirás”.

ATOS, X, 25, narram que Cornélio, ao receber S. Pedro, “prostrou-se para adorá-los, mas S. Pedro lhe disse: “Levanta-te. Também eu sou um homem”

APOC. XIX, 10, narra também que São João se prostrou aos pés de um Anjo para o adorar, mas este lhe disse: “Não faças isto !  Eu sou um servo como tu e teus irmãos, que tem o testemunho de Jesus. Adora a Deus”.

2 ― MAS, EM SENTIDO IMPRÓPRIO, A ESCRITURA FALA DE ADORAÇÃO EM VÁRIOS LUGARES

GEN.  XXXIII, 1 :  ― “Levantando, porém, Jacó os seus olhos viu Esaú,  …  3. E ele, adiantando-se, adorou-o sete vezes prostrado por terras”.

NÚMEROS, XXII, 31: ― “No mesmo ponto abriu o Senhor os olhos a Balaão, ele viu  o Anjo parado no caminho com a espada desembainhada, e, prostrado por terra, o adorou”.

II REIS, XIV,22: ― “Joab, prostrando-se por terra sobre o seu rosto, adorou e felicitou o rei”.

III REIS, 1, 16: ― “Inclinando-se Betsabé profundamente, adorou o rei”.

IV REIS, IV, 36 e 37: ― “Chegou ela e lançando-se-lhe aos pés (de Eliseu), adorou prostrada em terra”.

IPAR. XXIX,20: ― “E todo o povo bendisse o Senhor Deus; e se prostraram e adoraram a Deus, e depois ao rei”.

A adoração de que fala a Escritura nestes textos não é propriamente adoração, e, sim, veneração profunda que se demonstra com a prostração. A Escritura narra estes fatos sem reprová-los, porque o sentido deles é fácil de entender-se, entre os orientais principalmente.

É neste mesmo sentido que, em português antigo. falavam alguns autores de adoração dos Anjos e Santos. Estavam, pois, muito de acordo com a Sagrada Escritura.

Hoje em dia se usa o termo adoração só para Deus. E para a Sma. Virgem e os Santos se usa o termo veneração.

ADORAR EM ESPÍRITO E VERDADE

JOÃO, IV, 23 e 24: ― “A hora vem, e já chegou, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e verdade. Por que é destes adoradores que o Pai procura. Deus é Espírito, e em espírito e verdade é que o devem adorar os que o adoram”.

Deste texto os protestantes deduzem contra a Igreja Católica a abolição de todo culto externo, principalmente o culto das imagens. Mas é dar à palavra de Jesus uma extensão que não tem. Jesus apenas quer dizer à samaritana que vai ser abolido o culto da lei antiga e que não será necessário ir mais ao templo de Jerusalém para ali adorar a Deus, porque, em a nova religião cristã, não são as formas antigas, prescritas por Moisés, que vão agradar ao Pai, e sim a adoração “em espírito e verdade” isto é: adoração espiritual e sincera, não só externa, mas partindo do intimo da alma, sobretudo adoração de almas em estado de graça.

ANJOS

1. SOMOS CONFIADOS A SUA GUARDA

MAT. XVIII,10: “Vede que não desprezeis a nenhum destes pequeninos; porque eu vos declaro que os seus anjos, no céu contemplam sempre a face do Pai que está no céu”.

HEBR. I, 14: ― “ Não são eles espíritos ministradores, enviados para exercer  o seu ministério em favor daqueles que deverão herdar a salvação ?”

ÊXODO, XXIII, 20: ― “Eis que te envio um anjo (mensageiro), diante de ti para que te guarde no caminho, e te leve ao lugar que te guarde no caminho, e te leve ao lugar que te preparei”.

ÊXODO, XXIII, 21: ― “Guarda-te diante dele e ouve a sua voz, e não provoques a ira. Porque não perdoará a vossa rebelião; porque meu nome está nele”

NOTE-SE a força destes textos. Deus encarregou os Anjos de zelar pelos homens. Eles estão, assim, constituídos intermediários, de algum modo medianeiros entre Deus e nós.

2. ELES OFERECIAM NOSSAS PRECES A DEUS, A  MODO DE MEDIANEIROS

APOC. VIII, 3:  ― “ Veio, pois, outro anjo, e parou diante do altar, tendo um turíbulo de ouro, e foram-lhe dados  muitos perfumes para oferecer com as orações de todos os santos, sobre o altar de ouro que está ante o trono de Deus”.

APOC. VIII. 4: ― “ E da mão do anjo subiu a fumaça dos perfumes das orações dos santos diante de Deus”.

3 ELES ROGAM POR NÓS DIANTE DO TRONO DE DEUS

ZACARIAS, I, 12: ― “ Então o Anjo do Senhor respondeu e disse: ― “ Então o Anjo do Senhor respondeu e disse: “O Senhor dos Exércitos ! Até quando não terás compaixão de Jerusalém e das cidades de Judá, contra as quais estiveste irado estes setenta anos ?”

GÊN. XL.VIII. 16: ― “ O anjo que me livrou de todo mal, abençoe estes rapazes, seja chamado neles o meu nome, e o nome de meus pais Abraão e Isaac e se multipliquem como peixes em multidão no meio da terra”.

OSÉIAS, XII, 3 E 4: ― “Jacó suplantou seu irmão no ventre materno e com fortaleza lutou com seu anjo. E prevaleceu contra o anjo e ficou vencedor. Chorou e suplicou-lhe”.

ANTICRISTO

1. ANTES DO FIM DO MUNDO, DEVE APARECER O ANTI-CRISTO

IIª TESS. II, 3-7: ― “Não vos deixeis iludir por pessoa alguma nem de modo algum; porque deve vir primeiro a apostasia e aparecer o homem do pecado, o filho da perdição, o adversário, a arvorar-se como superior a tudo o que se chama Deus ou divino chegando a sentar-se no templo de Deus e querendo passar por Deus”.

De acordo com estes dizeres do Apostolo, o Anticristo é uma pessoa, bem definida, bem caracterizada, e que parecerá no fim do mundo.

No mesmo texto, v.9. o Apóstolo testifica que a vinda do Anticristo será obra de Satanás: “Sua vinda é por obra de Satanás, com todo o poder, com sinais e prodígios mentirosos”.

2. ― A ESCRITURA CHAMA TAMBÉM DE ANTICRISTO TODO AQUELE QUE NÃO ACEITA JESUS CRISTO OU SUA DOUTRINA

1ª JOÃO, II 22: ― “Quem é mentiroso senão aquele que nega que Jesus é o Cristo? Esse é o Anticristo, que nega o Pai e o Filho”.

IDEM, IV 2 e 3: ― “Nisto se reconhece o Espírito de Deus: Todo espírito que confessa  que Jesus Cristo se encarnou é de Deus; todo espírito que não confessa Jesus, não é de Deus, mas é o espírito do Anticristo, de cuja vinda tendes ouvido, e já está agora no mundo”.

IIª JOÃO, 7: ― “Muitos sedutores tem saído pelo mundo afora, a proclamar que Jesus Cristo não se encarnou. Quem assim diz é sedutor e Anticristo”.

3. ― O ANTICRISTO E PERSONIFICADO POR S. JOÃO NUM GRANDE REI E SIMBOLIZADO NUMA FERA

Ler sobre isto todo o cap. XIII do Apocalipse.

Os protestantes forcejam por aplicar ao Papa de Roma os dizeres desta profecia. Chegam até à audácia de inventar que o número 666, de que fala o V.18: ― “É aqui que está a sabedoria. Quem tem inteligência calcule o número da besta. Porque é número de homem, e o número dele é 666” ― se aplica à pessoa do Papa.

Trata-se de uma profecia. O sentido de um texto profético é insusceptível de uma aplicação pessoal antes de sua realização plena. Se o Anticristo é o Papa, poderíamos perguntar: “Qual dentre os Papas, se são tantos os que já ocuparam o trono de Roma?”

O que é claríssimo no texto sagrado é que o Anticristo será um adversário de Cristo, que atacará a sua divindade, a sua autoridade, a sua doutrina, a sua Igreja, portanto. E como encontrar isto no Papa, que foi e é sempre, mesmo quando tem suas fraquezas humanas, o maior arauto da divindade e da doutrina de Cristo?

APÓSTOLOS

Esta palavra significa “enviados”. Apóstolo é aquele que é enviado por Deus para uma missão especial, de anunciar o reino de Deus.

1. ― JESUS ESCOLHEU DOZE APÓSTOLOS

MAR.III, 13-15: ― “Depois subiu ao monte, chamou os que Ele quis. e Foram a Ele. Designou doze dentre eles para ficar em sua companhia. Ele os enviara a pregar com o poder de expulsar os demônios”. A seguir se enumeram os doze Apóstolos.

LUC. VI, 13-14: ― “Naqueles dias Jesus retirou-se a uma montanha, para rezar, e passou ai toda a noite orando a Deus.

Ao amanhecer chamou os seus discípulos e escolheu doze dentre eles que chamou de Apóstolos”.

De ambos estes textos ressalta que os Apóstolos são distintos dos discípulos; “dentre eles” é que Jesus escolheu os Apóstolos. São, portanto, uma hierarquia à parte na Igreja do Senhor.

2. ― ATRAVÉS DE TODO O NOVO TESTAMENTO SE PODE VER QUE OS APÓSTOLOS DESENVOLVEM “AÇÃO HIERÁRQUICA” ISTO É, DE SUPREMACIA SOBRE OS FIÉIS, DIRIGINDO-OS, INSTRUINDO-OS, GOVERNANDO-OS.

Veja-se:

MAT. cap. X. Todo caracteriza a missão apostólica.

Idem, cap. XI, 1.

JOÃO, XV: 16-27.

Leia-se todo o livro dos Atos e poder-se-á averiguar isto a cada passo, mas principalmente nos Capítulos VI e XV.

3. ― ENTRE OS APÓSTOLOS, PEDRO TEM A PRECEDÊNCIA, FALA E AGE EM NOME DE TODOS.

MAT. X,2: ― “Eis os nomes dos doze Apóstolos: o primeiro, Simão, chamado Pedro…”

MARCOS (III, 10) e LUCAS (VI, 12), mencionando os Apóstolos, enumeram Pedro em primeiro lugar.

MAT. XVI, 16: ― Quando Jesus pergunta aos Apóstolos qual o pensamento deles sobre o Filho do Homem, é Pedro quem responde em nome dos demais, inspirado pelo Pai.

É a ele que Jesus promete a suprema investidura da Igreja. “Dar-te-ei as chaves do reino do céu”. MAT. XVI. 19.

ATOS, II, 14: É Pedro quem primeiro prega.

ATOS, II, 41 E X, 9 e sgs. é Pedro que batiza os primeiros gentios.

ATOS, III, 1 e segs.: É Pedro quem opera o primeiro milagre.

ATOS, 1, 15: é Pedro quem propõe a eleição do sucessor de Judas.

ATOS, II, 41 e X, 9 e segs.: é Pedro quem fala em nome de todos perante o Sinédrio e defende a fé.

ATOS, V, 3 e segs.: é Pedro quem exproba Ananias e Safira e lhes inflige em nome de Deus o castigo de sua mentira.

ATOS, XV, 7 e segs.: No primeiro Concilio celebrado, é Pedro quem dirime a questão.

ASSUNÇÃO DE MARIA

Objetam muito os protestantes contra a Assunção, pedindo textos da Bíblia, que a comprovem.

O fato histórico da Assunção não se encontra na Bíblia, pois os livros do Novo Testamento foram escritos para pôr em foco Jesus Cristo. Não se ocupam, portanto, de Maria Sma. senão enquanto em função de Mãe de Cristo, e nada podem narrar de sua Assunção histórica.

Mas, não obstante, a Bíblia nos prova indiretamente que a Virgem Maria teve uma vitória completa sobre a morte em união com Cristo. Eis os textos:

GÊN. III, 15: ― “Porei inimizades entre ti e a Mulher, entre a tua descendência e a  descendência dela. E um dia Ela te esmagará a cabeça”.

Confia-se a interpretação que demos deste texto no artigo Imaculada Conceição.

Muitos Santos Padres o interpretam como sendo uma referência profética à mulher por excelência que teria uma vitória total sobre o Demônio.

Uma vitória total: quanto ao pecado e sua conseqüência, que é a morte. Assim deve-se deduzir que Nossa Senhora, segundo o augúrio da Bíblia, devia triunfar sobre a morte, ressurgindo e subindo ao Céu.

1º COR, 20-23: ― “Mas eis que ressuscitou Cristo, como primícias dos que morreram. Pois assim como por um homem veio a morte, também por um homem veio a ressurreição dos mortos. Assim como em Adão todos morreram, também em Cristo todos serão vivificados”.

ECLE. XXV, 33. ― “De uma mulher teve princípio o pecado, por ela todos morremos”.

NOTA: Estes dois textos comparados nos mostram que o pecado entrou neste mundo por um homem ― Adão e por uma mulher ― Eva, e que a vida entrou por um Homem ― Cristo, que deve reconstruir tudo, e sua reconstituição de tudo vai até à ressurreição, de que Ele mesmo é as primícias. Mas, se a morte entrou por um homem e por uma mulher, Adão e Eva, a vida que entra por Cristo, entra também, de algum modo, por uma mulher, Maria. E se Cristo reconstitui a vida como primícias de ressurreição, Maria também devia participar desta reconstituição pela mesma forma, como primícias da ressurreição. Assim, deste texto de S. Paulo, deflui um forte argumento a favor da Assunção de Maria.

APOC. XII, 1 e segs.: ― “ Um grande sinal apareceu no céu: uma senhora vestida de sol e a lua debaixo de seus pés, e  sobre a sua cabeça uma cora de doze estrelas”.

“E a Senhora voou para o deserto, onde de Deus lhe tinha preparado um lugar”.

“E foram dadas à Senhora duas asas de uma grande águia, para que voasse para o deserto, para o lugar do seu retiro”.

NOTA: ― Leia-se todo o capítulo XII do Apocalipse e ver-se-á a luta do Dragão (Demônio) contra a Mulher (Maria), luta que culmina com a vitória total da Mulher.

HEBR. II., 14: ― “Como os filhos participam da carne e do sangue, também Ele (Cristo) participou das mesmas causas, afim de destruir, pela sua morte, “aquele que tinha o império da morte, isto é, o Demônio”.

Vê-se, por este texto, que é império do Demônio a morte. Maria para vencer, pois, o Demônio, tinha de triunfar da morte, pela Assunção gloriosa.

AVE-MARIA

1. ― ESTA ORAÇÃO QUE OS CATÓLICOS REZAM ESTÁ CONTIDA NO EVANGELHO

LUCAS, I, 28: ― “Entrando o Anjo, disse-lhe: “Ave, cheia de graça, o Senhor é contigo, bendita és tu entre as mulheres”.

LUCAS, I, 42: ― “E exclamou (Isabel) em alta voz: “ Bendita é tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre”.

2. ― ESTA ORAÇÃO É DIVINA, QUANTO À SUA ORIGEM.

LUCAS, I, 26 e segs.: ― foi pronunciada pelo Anjo Gabriel, “que foi enviado por Deus”, e portanto, falou em nome de Deus.

LUCAS, I, 41-42: ― Isabel a pronunciou “cheia do Espírito Santo”.

BATISMO

1. ― É ORDENADO POR JESUS CRISTO

Sem o Batismo ninguém pode entrar no céu. Sobre este assunto, vejamos os textos seguintes:

MAT. XXVIII, 18-19: “Foi-me dado todo o poder no céu e na terra. Ide, pois, ensinai a todas as nações, batizando-as em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo…”.

JOÃO, III, 5: ― “Em verdade, vos digo: quem não renascer da água e do Espírito Santo, não pode entrar no reino de Deus”.

NOTE-SE que aqui Jesus não faz acepção de idade: todo aquele que quiser entrar no reino de Deus, terá que passar pelo Batismo ― renascer…

2. O BATISMO DE JESUS É DIFERENTE, ESSENCIALMENTE, DO DE S. JOÃO  BATISTA

MAT.III, II e segs: ― “Eu vos batizo com água, em sinal de penitência… Ele vos batizará no Espírito Santo e no fogo” – (Idem, Marcos 1, 8).

3. FOI ADMINISTRADO PELOS APÓSTOLOS

ATOS, II, 38 e segs.: ― “Pedro lhes respondeu: “Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo para remissão de vossos pecados, e recebereis o dom do Espírito Santo”… Os que receberam a sua palavra foram batizados”.

ATOS, VIII, 36-38: ― “E continuando o caminho, chegaram a uma fonte… e  Felipe disse: Se crereis de todo o coração, é possível seres batizado… E desceram os dois à água, Felipe e o Eunuco, e o batizou”.

ATOS, X, 47-48: ― “E então Pedro tomou a palavra: Porventura pode alguém negar a água para que não sejam batizados estes que, como nós, receberam o Espírito Santo? E mandou que fossem batizados (Vide I Ped.III,21; Ef. V, 26).

4 QUANTO AO BATISMO DAS CRIANÇAS

Não há nenhuma passagem da Escritura que o proíba. Pode-se argumentar com

LUC.XVIII, 16: ― “Deixai vir a mim as criancinhas, porque delas é o reino de Deus”.

Ora, a criança nasce contaminada com o mesmo pecado de origem (dos nossos primeiros pais). Para entrar no reino de Deus tem que passar pela morte do pecado, que é o Batismo.

Batismo por infusão ou ablução pg. 106

BÍBLIAS FALSIFICADAS

Os protestantes, para iludir os incautos, afirmam que a sua Bíblia é identicamente a mesma dos católicos.

Examinando, entretanto, algumas de suas traduções, notamos que lhes faltam os seguintes livros:

1º Livro dos MACABEUS;

2º Livro dos MACABEUS;

O Livro de TOBIAS;

O Livro de JUDITE;

O Livro da SABEDORIA;

O Livro ECLESIÁSTICO;

O Livro de BARUC.

Portanto, faltam sete livros inteiros.

Mais ainda: além disso, estão ali incompletos DOIS OUTROS LIVROS: o de ESTER, que deve ter 16 capítulos, e não somente 10; e o de DANIEL, que deve ter 14 capítulos e não só 12! CEM versículos no cap. III, e não apenas TRINTA (1).

Sobre a tradução das Bíblias protestantes, observe-se ainda o seguinte:

João Ferreira de Almeida, que é tradutor da Bíblia, e cujas traduções são muitíssimo divulgadas pelos protestante, jamais foi padre católico! Foi ministro cavinista. O título de “Padre” que ainda hoje vem impresso no frontispício de suas Bíblias, é malevolamente conservado pelos protestantes como maneira mais fácil de divulgar os erros, que essa tradução infiltra nos espíritos desprevenidos. Antigamente os ministros protestante alemães, holandeses e dinamarqueses, intitulavam-se “Reverendos padres”; eis a razão porque os protestantes conservaram a tradição desse costume na Bíblia de Almeida, embora não tenham conservado a fidelidade da primeira tradução, que trazia TODOS os LIVROS (protocanônicos) acima citados, que hoje nossos modernos hereges rasgaram, porque “deixaram” de ser verdadeiros, isto é, vão contra os erros que ele propagam: ensinam a existência do Purgatório, o Sacrifício pelos mortos, etc.

Não se deve confundir as traduções protestantes com a de Antônio Pereira de Figueiredo. Este é Padre. Sua tradução primitiva foi boa, mas suas anotações (que os protestantes tiraram) eram, em grande parte, eivadas de influências realistas, etc., e foi necessário serem condenadas pela Igreja que, aos 26-1-1795, pô-las no “Index”. É bom notar que Figueiredo também não rejeitou os SETE LIVROS que hoje as Bíblias protestantes que lhe traduzem o nome recusam.

BISPOS

1. FORAM POSTOS PELO ESPÍRITO SANTO PARA REGER A IGREJA

ATOS, XX, 28: ― “Cuidai de vós mesmos e de todo o rebanho sobre o qual o Espírito Santo vos constituiu Bispos, para reger a Igreja de Deus, que ele adquiriu com o seu próprio sangue”.

2. SÃO DISTINTOS DOS SIMPLES FIÉIS E SUCEDEM AOS APÓSTOLOS

ATOS, I, 20-26: ― Tendo apostatado Judas, que era Apóstolo, S. Pedro propõe a escolha de um sucessor, que receba o episcopado dele ― ( et episcopatum ejus accipiat alter), e seja testemunha da ressurreição de Cristo. E “Matias foi incorporado aos onze Apóstolos” – diz o v. 26.

3. POR ISTO DEVEM TER QUALIDADES EXCEPCIONAIS, QUE NÃO SE EXIGEM DE TODOS

TITO, 1,7: ― “Porque, na qualidade de administrador da casa de Deus, o Bispo deve ser irrepreensível”.

1ª TIM. III, I e segs.: ― “Digna de fé e esta palavra: Quem deseja o episcopado, deseja um cargo sublime. Por isto, é necessário que o Bispo seja irrepreensível… etc., etc.”.

4. JESUS CRISTO É CHAMADO “BISPO DE NOSSAS ALMAS”, PELO QUE OS BISPOS SÃO SEUS SUCESSORES

1ª. PEDRO, II, 25: ― “Éreis como ovelhas desgarradas. Mas agora retornastes ao Pastor e Bispo de vossas almas”.

Ver também CHEFES DA IGREJA.

CELIBATO CATÓLICO

1. ― S. PAULO ACONSELHA O CELIBATO

1ª COR. VII, 1-8: ― “Penso ser bom que o homem não toque mulher. Mas pelos perigos da incontinência, cada um tenha a sua esposa… Digo isto por concessão, não como ordem. Pois que todos fossem como eu… Digo às pessoas solteiras e viúvas, que lhes é bom se permanecerem assim como eu”.

IDEM, 25: ― “A respeito das pessoas virgens, não tenho mandamento do Senhor. Julgo, pois, que, em razão das dificuldades presentes, é bom ao homem ficar assim como eu”.

IDEM, 32-35: ― “Quero que fiques sem cuidados. O solteiro cuida das coisas do Senhor, de como agradar a Deus. Mas o casado cuida das coisas do mundo, de como agradar à sua esposa e está dividido. A mulher solteira e a virgem, cuidam das coisas do Senhor, para serem santas no corpo e no espírito”.

NOTA: ― Eis ai porque os sacerdotes católicos, até neste ponto de vista de meios naturais, estão acima de qualquer ministro protestante. São castos, celibatários, “para serem santos no corpo e no espírito”, e para serem inteiramente de Deus, e não “estarem divididos” entre o mundo, mulher e filhos de um lado, e Deus do outro.

1ª COR. VII, 38: ― “De modo que, quem casa sua virgem faz bem; o que não a casa, faz melhor”.

2. ― CONSELHO ESPECIAL AOS SACERDOTES

LEV. XXI, 8: ― “Portanto santificai-vos e sede santos, porque eu, o Senhor que vos santifico, sou santo”.

MARC. X. 29: ― “Todo aquele que deixar, por causa de meu nome, ou casa, ou irmão, ou irmãs, ou pai, ou mãe, ou mulher, ou filhos, ou terras, receberá cem por um e a vida eterna”.

IDEM, 28: ― “E Pedro, tomando a palavra, disse: Eis que nós abandonamos tudo e te seguimos”.

NOTA-SE que, se os Apóstolos “abandonaram tudo”, é porque deixaram também a família. Foram castos.

3. ― POSSIBILIDADE DO CELIBATO PELA GRAÇA DE DEUS

MAT. XIX, 12: ― “Há eunucos que o são desde o ventre de suas mães; e há eunucos tornados tais pelas mãos dos homens; e há eunucos que a si mesmos fizeram eunucos por amor do reino de Deus. Quem puder compreender, compreenda”.

MAT. XIX, 24-26: ― “É  mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha que entrar um rico no reino do céu. Ora, os discípulos admirava-se, ouvindo estas palavras, e disseram: Quem poderá, então salvar-se? Jesus porém, fitando-os, disse: Aos homens, isso é impossível”.

Estas mesmas palavras se podem aplicar à guarda da castidade, contida aliás no que Jesus pediu ao jovem, quando lhe disse: “Vem, e segue-me”.

Noutros termos, Jesus diz que, com os auxílios da graça, tudo é possível, pois esta faz no homem desapegar-se de tudo o que é de mais apetecível, para sacrificar-se por Deus.

ROM. VIII, 11-13: ― “Mas se o espírito daquele que ressuscitou Jesus Cristo dos mortos habita em vós… ele também dará vida aos vossos corpos mortais pelo seu espírito que habita em vós. Portanto, irmãos, não somos devedores à carne, para que vivamos segundo a carne. Porque, se viverdes segundo a carne, morrereis; mas se pelo espírito mortificardes as obras da carne vivereis”.

Iª. COR. X,13: ― “Não vos sobreveio tentação alguma que não seja humana; mas Deus é fiel; não permitirá que sejais tentados acima das vossas forças; antes dará um meio de tirardes proveito da tentação, para poderdes suportar”.

IIª. COR. XII, 7-9: ― “E, para que a grandeza das revelações não me ensoberbeça, foi-me dado um estímulo da carne, um anjo de Satanás, para me esbofetear pelo que três vezes roguei ao Senhor que se apartasse de mim. Mas Ele me disse: Basta-te a minha graça, porque o poder se aperfeiçoa na fraqueza. Portanto, de boa vontade me gloriarei nas minhas fraquezas, para que habite em mim a força de Cristo”.

4. O VOTO, QUE SE FAZ, OBRIGA SOB PECADO

DEUTER. XXIII, 21; ― “Quando fizerdes algum voto ao Senhor vosso Deus, não deixeis de cumpri-lo, porque o Senhor vosso Deus vos pedirá conta dele, e em vos haverá pecado”.

Iª TIM. V, 11 E 12: ― “Rejeita as viúvas novas (ao pedido de voto) pois que, quando o atrativo dos prazeres as desgostar do serviço de Cristo, querem casar-se, tendo a sua condenação, porque violaram a primeira fé (isto é, violaram o voto)”.

O mesmo se pode dizer com respeito ao sacerdote que deixa a batina para casar-se.

CHEFES DA IGREJA

1. ― TODOS DEVEM DAR-LHES OUVIDOS E OBEDECER-LHES AS ORDENS

MAT. XVIII, 17-18: ― “Se, porém, não ouvir a Igreja, seja tido como pagão e publicano. Em verdade, vos digo: tudo o que ligardes sobre a terra, será ligado no céu, e tudo o que desligardes sobre a terra, será desligado no céu”.

MAT. XXVIII, 19-20: ― “Foi-me dado todo o poder no céu, e na terra (eu vo-lo transmito): Ide, e ensinai a todos os povos, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, e instruindo-os a observar tudo o que vos hei ensinado. E eis que estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos”.

NOTA: ― Dada a alta importância deste texto, probativo da perenidade da Igreja e da assistência eterna de Cristo, para  que ela não venha a errar, formemos o  seguinte raciocínio: Jesus é Deus. Não pode, pois errar nem fazer-nos errar, senão deixaria de ser Deus. Ora, Jesus prometeu ESTAR com a Igreja, isto é, com a Igreja que Ele fundou, até o fim dos séculos. Logo, não errou a sua Igreja, e portanto sua assistência divina continua ainda a ser garantia de perenidade da verdadeira Igreja de Pedro.

Suponhamos que sua palavra tenha falhado, e que esta Igreja tenha errado, como o afirmam os protestantes. Então Jesus já não seria mais Deus, e toda a Igreja que se apresentasse com o nome de “Igreja de Cristo” seria tão mentirosa quanto a primeira.

LUC. X, 16: ― “Quem vos ouve, a mim me ouve; quem vos despreza, a mim me despreza; e quem me despreza, despreza Aquele que me enviou”.

MAT. X, 40: ― “Quem vos recebe, a mim me recebe; e quem vos recebe, recebe Aquele que me enviou”.

NOTE-SE que os protestantes, desprezando a autoridade da Igreja fundada por Jesus Cristo, desprezam o próprio Cristo, e portanto, o Pai que o enviou ao mundo. Não estão, portanto, com a verdade.

2. ― O ESPIRITO SANTO ESTÁ COM ELES

JOÃO, XIV, 16: ― “E eu rogarei ao Pai, e Ele vos dará um outro Paráclito, (consolador), que ficará eternamente convosco, o Espírito da verdade, que o mundo não pode receber…”

JOÃO, XVI, 13: ― “Quando, porém, vier aquele Espírito de verdade, Ele vos ensinará toda a verdade”.

Este texto, mais uma vez, vem ensinar que toda a verdade que a Igreja ensinaria aos seus filhos, ser-lhe-ia ministrada mediante iluminação do Espírito da Verdade, que deveria assistir aos legítimos Chefes da Igreja.

COMUNHÃO

(Vide Eucaristia e Missa)

Os protestantes, no afã de insinuar dúvidas, dizem que o padre comunga “o vinho e a hóstia, mas não dá o vinho aos católicos”. Objeção tola. Na Bíblia está a resposta:

LUC. XXIV, 30-31: ― E aconteceu que, sentando à mesa com eles, tomou o pão, abençoou-o, partiu-o e lho serviu; então se lhes abriram os olhos e o reconheceram”.

ATOS, II, 12: ―  “Eles perseveraram na doutrina dos Apóstolos, na comunhão da fração do pão e nas orações”.

ATOS, XX, 7: ― “No primeiro dia da semana, estando nós reunidos, para partir o pão, Paulo disputava com ele, e foi alongado o discurso até a meia noite…”

Iª COR. X, 16-17: ― E o pão que partimos, não é, acaso, a comunhão do corpo do Senhor ? Porque nós, que somos muitos, somos um pão somente, e um só corpo, pois que nós todos comungamos de um mesmo pão”.

Vale a pena ler todo o Cap. X, onde aparece, com toda a evidência, o mistério da Presença Real de Cristo debaixo das espécies do pão e do vinho. O Apóstolo como que desafia os protestantes de hoje a retrucarem se “o pão que partimos acaso não é o corpo do Senhor?”.

CONCÍLIOS DA IGREJA

(Vide CHEFES)

1. ― OS CONCÍLIOS OU ASSEMBLÉIAS DE BISPOS EM NOME DE CRISTO, SÃO ASSISTIDOS PELO ESPÍRITO SANTO

MAT. XVIII, 20: ― “Onde quer que dois ou três se reunam em meu nome, ali estou no meio deles”.

ATOS, XV, 28: ― “Porque pareceu bem o Espírito Santo e a nós não vos impor  maior jugo além do seguinte necessário”.

2. ― SEUS PRECEITOS DEVEM SER OBSERVADOS PELOS FIÉIS

ATOS, XV, 41: ― “E (Paulo) andava pela Síria e pela Cilicia, confirmando as Igrejas, ordenando que guardassem os preceitos dos Apóstolos e dos Presbíteros” (dados no Concílio de Jerusalém).

ATOS, XVI, 4: ― “E quando andavam pelas cidades, ensinavam-lhes que observassem as decisões que haviam sido tomadas pelos Apóstolos e Presbíteros em Jerusalém (no Concílio)”.

ATOS, XVI, 4: ― “E quando andavam pelas cidades, ensinavam-lhes que observassem as decisões que haviam sido tomadas pelos Apóstolos e Presbíteros em Jerusalém (no Concílio)”.

CONFIRMAÇÃO OU CRISMA

ATOS, VIII, 15-17: ― “Os quais (Pedro e João), tendo chegado, fizeram oração por eles, afim de receberem o Espírito Santo, porque Ele ainda não tinha descido sobre eles, mas somente tinham sido batizados em nome do Senhor Jesus”.

ATOS, XIX, 6 ― “E tendo-lhes Paulo imposto as mãos, veio sobre eles o Espírito Santo, e falaram diversas línguas e profetizaram”.

NOTA: ― Comumente, na primitiva Igreja, logo após a recepção da Crisma, o Espirito Santo se manifestava-se pelo dom das línguas, pela profecia, dom de milagres, etc. para maior edificação das almas. Isto revela no texto acima.

IIª COR. I, 21-22: ― “Ora, o que nos confirma em Cristo convosco, e que nos ungiu é Deus, o qual também nos imprimiu seu selo (caráter sacramental) e deu em nosso corações o penhor do Espírito”.

NOTA: ― Este texto revela, como muitos outros, haver um sacramento que se segue ao Batismo, e que se faz com a unção do óleo: é a Confirmação ou Crisma, que a Igreja nos ministra.

HERB. VI, 1-2: ― “ Pelo que, deixando de discorrer acerca dos primeiros rudimentos acerca de Cristo, elevemo-nos a coisas mais perfeitas, sem lançar de novo os fundamentos da conversão das obras mortas (do pecado) e da fé em Deus, da doutrina sobre os Batismos e da imposição das mãos (Crisma)”.

EFES. I, 13-14: ― “…Tenho crido nele, fostes marcados com o selo do Espírito Santo, que tinha sido prometido, o qual é o penhor da nossa herança, para a redenção do povo conquistado”.

Iª JOÃO, II, 20: ― “Porém, vós recebestes a unção do Espírito Santo, e sabeis todas as coisas (necessárias)”.

IEM, 27: ― “E permaneça em vós a Unção que recebestes dele”.

ECL. III, 4: ― “O que ama a Deus implorará o perdão de seus pecados e se absterá de tornar a cair neles”.

ECL. IV, 31: ― “Não te envergonhes de confessar os teus pecados, mas não te submetas a ninguém para pecar”.

IIª ESD. IX, 1 E 2: ― “E no dia 24 deste mês se ajuntaram os filhos de Israel em jejum e vestidos de sacos e cobertos de terra. E os da linhagem dos filhos de Israel foram separados de todos os filhos estrangeiros; e confessaram os seus pecados e as iniqüidades de seus pais”.

PROV. XXVIII, 13: ― “Aquele que esconde as suas maldades não será bem sucedido; aquele, porém, que as confessar e se retirar delas alcançará misericórdia”.

2. NA TRANSIÇÃO DO ANTIGO TESTAMENTO PARA O N.T., JOÃO BATISTA EXIGIA A CONFISSÃO  DOS PECADOS

MAT. III, 6: ― “Então vinham a ele a circunvizinhança do Jardão, e eram por ele batizados no rio Jordão, confessando os seus pecados”.

NOTE-SE que estes textos não falam ainda da confissão sacramental, que foi instituída por Cristo para sua Igreja. Falam da confissão penitencial, que não era sacramental, mas fazia as vezes de sacramento.

3. ― NA PRIMITIVA IGREJA, USAVA-SE A CONFISSÃO

ATOS, XIX, 18: ― “E muitos dos que tinham crido iam confessar e  manifestar suas obras”.

S. TIAGO, V, 16: ― “Confessai, pois, os vossos pecados uns aos outros, e orai uns pelos outros para serdes salvos; porque a oração fervorosa do justo pode muito”.

Iª S. JOÃO, I, 9: – “Se nós confessarmos os nossos pecados, Ele é fiel e justo para perdoar estes nossos pecados e para nos purificar de toda iniqüidade”.

Estes textos falam da verdadeira confissão sacramental instituída por Cristo, conforme a melhor  interpretação. (1) Pouco importa que não falem de confissão auricular feita só ao padre. Nos começos do cristianismo usava-se a confissão pública

4. ― A CONFISSÃO DEFLUI DO PODER DE PERDOAR PECADOS  QUE  CRISTO  CONFERIU A SUA IGREJA

MAT. XVIII, 18: ― “Tudo o que ligardes sobre a terra será ligado no céu; e tudo o que desligardes sobre a terra será desligado no céu”.

Para um juiz dar uma sentença ligando ou desligando alguém  relativamente a uma pena ― é óbvio que lhe deve ser declarada a culpa do réu. É esta a razão porque o penitente tem necessidade de declarar seu pecado ao confessor, afim de este perdoar ou não, perdoar ou reter.

JOÃO, XX, 22-23: – “Tendo dito estas palavras, soprou sobre eles (os Apóstolos) e disse: Recebei o Espírito Santo. Aqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados; e aqueles a quem os retiverdes, ser-lhes-ão retidos”.

EUCARISTIA

(Ver Comunhão e Missa)

I. JESUS PROMETEU DAR-SE EM ALIMENTO

JOÃO, VI, 1 e segs. O grande milagre que aqui se conta é símbolo da Eucaristia, que Jesus iria dar pela salvação do mundo. Ler toda a primeira parte deste capítulo.

JOÃO, VI, 27: ― “Trabalhai, não pela comida que perece, mas pela que dura até a vida eterna, A qual o Filho do Homem vos dará”.

NOTA: ― Este texto resolve a controvérsia sobre se o alimento que Jesus promete dar mais tarde é sua palavra (pão metafórico), ou se é de fato seu corpo (Eucaristia).

Veja-se o verbo final do texto: comida que o Filho do Homem vos dará. Se Ele quisesse significar o pão de sua palavra, tomada como alimento espiritual, não teria dito – vos dará, mas – vos dá, pois que presentemente já Ele estava dando este alimento. Trata-se, evidentemente, daquele alimento que Ele dará na última Ceia – a Eucaristia.

2. ― JESUS INSTITUIU A EUCARISTIA

MAT. XXVI, 26: ― “E Quando ceavam, Jesus tomou o pão, e o benzeu, e o partiu e deu-o aos seus discípulos, dizendo: TOMAI E COMEI; ESTE É O MEU CORPO”

IDEM, 27: ― “E tomando o cálice deu graças, e deu-lho, dizendo: Bebei dele todos, porque É O MEU SANGUE DO NOVO TESTAMENTO, O QUAL SERÁ DERRAMADO POR MUITOS PARA A REMISSÃO DOS PECADOS”.

(Vide idem em Marc. XIV, 22-24; Luc. XXII, 19-20)

Iª COR, XI, 23-25: – “Porque eu recebi do Senhor, o que também vos ensinei a vós, que o Senhor Jesus, na noite em que foi entregue, tomou o pão, e dando graças o partiu e disse: “RECEBEI E COMEI ISTO É O MEU CORPO QUE SERÁ ENTREGUE POR VÓS: Fazei isto em memória de mim… etc.”.

NOTA-SE a identidade real que é afirmada por Cristo entre “este pão” e  “este corpo” que será entregue à morte.

Por isto é que dizem os teólogos que se dá na Eucaristia uma Transubstanciação (mudança) do pão no corpo de Cristo. (1)

3. ― EFEITOS DA CAMUNHÃO

JOÃO, VI, 50-52: ― “Este e o pão que desceu do céu, para que aquele que dele comer não morra . Eu sou  o pão vivo que desci do céu. Quem comer deste pão viverá eternamente; o pão que eu darei é a minha carne (que será sacrificada) para a salvação do mundo”.

JOÃO, VI, 54-59: ― “Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna, e eu o ressuscitarei no último dia…

Quem como a minha carne e bebe o meu sangue fica em mim e eu nele. Do mesmo modo que o Pai me enviou, e como eu vivo pelo Pai, assim também viverá por mim quem me recebe em alimento”.

EXTREMA-UNÇÃO

TIAGO, V, 14-15: ― “Está entre vós alguém enfermo? Chame os presbíteros (sacerdotes) da Igreja, e eles façam oração sobre o enfermo, ungindo-o com óleo, em nome do Senhor; e a oração da fé  salvará o enfermo, e o Senhor o aliviará. E  caso esteja em pecados, ser-lhe-ão perdoados”.

S. Tiago não prescreveria isto, se Jesus não o houvera instituído. É, pois, de concluir-se que a Extrema-Unção é de instituição divina. (1)

Há dela um vislumbre na vida pública de Cristo, quando Marcos descreve a atividade dos Apóstolos:

MARCOS, VI, 12-13: ― “E tendo partido (os doze) pregavam aos povos que fizessem penitência. E expeliam muitos demônios, e ungiam com óleo muitos enfermos e os curavam”.

FÉ E OBRAS

1. ― A VERDADEIRA FÉ É NECESSÁRIA PARA A SALVAÇÃO

MARC. XVI, 16: ― “Quem crer e for batizado, será salvo; mas quem não crer será condenado”.

JOÃO, II, 18: ― “Quem nele crê não é condenado, mas o que não crê já está condenado, porque não crê no nome do Filho Unigênito de Deus”.

IDEM XI, 26: ― “Todo o que vive e crê em mim não morrerá eternamente”.

ROM. X, II: ― “Todo o que crê nEle não será confundido”.

HEBR, XI, 6-7: ― “Ora, sem fé é impossível agradar a Deus. Porquanto, é necessário que, quem se aproxima de Deus creia que Ele existe e que é remunerador dos que o buscam.

Pela fé foi que Noé, avisado por Deus, das coisas que ainda não se viam… tornou-se herdeiro da justiça que se obtém pela fé”.

2. ― A FÉ SEM OBRAS É MORTA

TIAGO, II, 14-17: ― “Que aproveitará , irmãos meus, se alguém diz que tem fé, e não tem obras ? Porventura poderá salvá-lo tal fé ? Assim também, a fé, se não tiver obras, é morta em si mesma”.

IDEM II, 26: ― “Bem como um corpo sem espírito é morto, assim também a fé sem obras é morta”.

GAL. V, 6: ― “Em Jesus Cristo, nem a circuncisão vale coisa, nem a incircuncisão, mas sim a fé que opera pela caridade”.

3. – AS BOAS OBRAS SÃO MERITÓRIAS

GÊN. IV, 7: ― Porventura, se tu fizeres boas obras, não receberás galardão, e se fizeres obras más, não estará o pecado logo à porta?”

IDEM, XXII, 16-17: ― “Por mim mesmo jurei, diz o Senhor, porque fizeste tal coisa, e não poupaste teu filho único por amor de mim, eu te abençoarei e multiplicarei a tua descendência como as estrelas do céu…”

SALMO XVII, 21: ― “E o Senhor retribuirá segunda a sua justiça e me recompensará segundo a pureza (das obras) de minhas mãos”.

MAT. V, 11-12: ― “Bem-aventurados sereis, quando vos injuriarem e vos perseguirem e, mentindo, disseram todo mal contra vós, por causa de mim. Alegrai-vos e exultai, porque será grande a vossa recompensa nos céus”.

MAT. X, 42: ― “E todo o que der a beber um só copo d´agua a um destes pequeninos, porque meu discípulo, na verdade, vos digo que não perderá a sua recompensa”.

MAT. XVI, 27: ― “Porque o Filho do Homem há de vir na glória de seu Pai com seus Anjos, e então retribuirá a cada um segundo suas obras”.

ROM. II, 6: ― “(Deus) retribuirá a cada um segundo as suas obras”.

EFES. VI, 8: ― “Cada um receberá do Senhor a paga do bem que tiver feito, ou seja escravo, ou livre”.

IIª TIM, VI, 17-19: ― “Manda aos ricos deste mundo… que façam o bem, que se façam ricos em boas obras… como um fundamento sólido para o futuro, afim de alcançarem a verdadeira vida”.

4. – A FÉ NÃO IMPLICA CERTEZA ABSOLUTA DO ESTADO DE GRAÇA, NEM A SALVAÇÃO

ROM. XI, 22: ― “Considera, pois, a bondade e severidade de Deus: a severidade para com aqueles que ciaram; a bondade de Deus para contigo, se permaneceres no bem. Doutra maneira, Tu  também serás cortado.

Iª COR, IX, 27: ― “Castigo o meu corpo e o reduzo à servidão, para não suceder que, depois de haver pregado aos outros, venha eu mesmo a ser condenado”.

NOTA: ― Eis aí a condenação da fé fiducial protestante que os leva à temeridade de arvorar-se em salvos, eximindo-se das obras de penitência, contrariamente a todo ensino evangélico.

Iª COR. X, 12: ― “Aquele, pois, que crê estar de pé, veja que não caia”.

IªIL. 11,12: ― “Portanto, meus caríssimos, trabalhai na salvação com temor e tremor.

13 ― porque Deus é quem opera em vos o querer e o executar segundo o seu beneplácito”.

APOC. III, 11: ― “Eis que venho brevemente; guardar o (tesouro da fé) que tens, para que ninguém roube a tua coroa”.

ROM. II, 13: ― “Diante de Deus não são justificados os que simplesmente ouvem a lei, mas os que a praticam…”

NOTA: ― É, pois, demasiada presunção querer o homem apoiar sua salvação numa confiança presunçosa que não é fé, mas abuso da misericórdia divina. O demônio também crê, mas treme”.

HERESIAS

Muita gente lamenta a presença de falsas religiões na terra, dizendo que Deus não  devia permiti-las. Mas Deus não quer obstar a liberdade humana

1. ― DEUS AS PERMITE PARA PROVAÇÃO DOS FIÉIS

1ª COR. XI, 19: ― “Pois é conveniente que haja heresias, para que também os que são de virtude provada sejam manifestos”.

MAT. XXIV, 5: ― “Porque muitos virão (depois de mim) em meu nome, dizendo: Eu sou o Cristo, e seduzindo a muitos”.

JOÃO, V, 43: ― “Eu vim em nome de meu Pai: e vós não me recebeis; virá outro em seu próprio nome e recebê-lo-eis”.

IIª TIM. IV, 3: ― “Porque virão tempos em que não suportarão mais a sã doutrina, mas multiplicarão para si mestres segundo seus desejos”.

IIª TIM. II, 16-19: ― “Evite as conversas profanas e vãs, porque muito contribuem para a impiedade… Porém o fundamento de Deus está firme, tendo este selo: “O Senhor conhece os que são seus”.

2. ― FALAM EM NOME DE CRISTO E ESTÃO CONTRA DEUS

Iª JOÃO, II, 18-19: ― “Filhinhos, é a última hora; e como ouvistes dizer que o Anticristo vem, também já agora há muitos Anticristos. Eles saíram dentre os nossos, mas não eram dos nossos, porque, se tivessem sido dos nossos, teriam ficado conosco”.

NOTE-SE como esta palavra ― “Eles saíram dentre os nossos” ― se aplicam bem ao protestantismo, cujos fundadores, na maioria, eram sacerdotes católicos decaídos.

MAT. XXIV, 5: ― “Vede que ninguém vos engane; porque virão muitos em meu nome”.

A heresia nasce da desobediência à Igreja…

3. RENEGAM A IGREJA

LUC. X, 16: ― “Quem vos ouve, a mim, me ouve; quem vos despreza, a mim me despreza; o que me despreza, despreza Aquele que me enviou”.

PROV. XXVIII, 14: ― “Quem tem a cabeça dura cairá no mal”.

HERB. XII, 17: ― “Obedecerei aos vossos superiores (Prelados) e sede-lhes sujeitos, porque eles velam como quem há de dar contas de vossas almas…”

Iª JO. IV, 1: ― “Caríssimos, não deis crédito a todo espírito, mas experimentai-o se vem de Deus; porque muitos falsos profetas vieram ao mundo”.

LUC. XI, 28: ― “Antes, bem-aventurados os que ouvem a palavra de Deus e a praticam”.

4. OS HEREGES SERÃO CASTIGADOS

MAT. XII, 30: ― “Deixai crescer uma e outra coisa, até à ceifa; e no tempo da colheita direi aos cegadores: “Colhei primeiro a cizânia (erva má), e atai-a em molhos para queimar”.

NOTA: ― Eis  ai o castigo reservado aos hereges. Podem proliferar no meio dos verdadeiros cristãos, mas serão castigados pelo Supremo Juiz, no fim do mundo.

GAL. I, 9: ― “Se alguém anunciar um Evangelho diferente daquele que ouvistes, seja amaldiçoado”.

IIª TESS. II, 9-10: ― “A vinda dele (do Anticristo) é por obra de Satanás, com todo o poder e com sinais e prodígios mentirosos, e com todas as seduções da iniqüidade para aqueles que se perdem, porque (por sua culpa) não abraçaram o amor da Verdade para serem salvos”.

NOTA: ― Este texto se aplica mais particularmente aos espíritas, que com falsos prodígios vão enganando os incautos.

IIª PED. II, 9: ― “E porque o Senhor sabe livrar os justos da tentação, e reservar os maus para o dia do juízo, afim de serem atormentados…”

IGREJA

(Vide “Absolvição” e “Chefes”)

Os protestantes dizem que a Igreja de Cristo tornou-se adúltera, infiel a Cristo, tendo sido necessário vir Lutero, no século XVI, para reformá-la em seus dogmas e sua moral. Ora Jesus prometeu ficar como Ela até o fim dos séculos, e disse que “as portas do inferno não prevaleceriam contra Ela” pelo motivo de Ele estar sempre assistindo-a na terra.

Leiam-se os textos probativos desta verdade:

1. ― A IGREJA SUBSISTIRA PARA SEMPRE

MAT. XVI, 18: ― “Eu te digo, que tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja; e as portas do inferno (os erros e as heresias) não prevalecerão contra ela”.

MAT. XXVIII, 20: ― “Ensinai a observar tudo o que vos hei mandado: e eis que estou convosco todos os dias até a consumação dos séculos”.

JOÃO, XIV, 16: ― “Eu  rogarei ao Pai e Ele vos dará um consolador que fique eternamente convosco”.

IDEM, 17: ― “O Espírito de Verdade, a quem o mundo não pode receber, porque o não vê nem o conhece; mas vós o conheceis, porque habitará convosco e ficará em vós”. (vide sl.47: 9; 5: 7, etc.).

2. A IGREJA É O RETORNO DE CRISTO

LUC. I, 32-33: ― “O Senhor Deus dar-lhe-á a sede de seu pai Davi, e reinará na casa de Jacó eternamente, e seu reino não terá fim”.

DAN. II, 44: ― “No tempo, porém, daqueles reinos (dos Caldeus, Persas, Alexandre Magno e Romano), suscitará a Deus do céu um reino que não passará a outro povo”.

(Vide SL. CXXXI, 13-14).

3. ― E O APRISCO DO QUAL CRISTO É O PASTOR

JOÃO, X, 16: ― “Tenho ainda outras ovelhas que não são deste aprisco; e importa que eu as traga… e haverá um só rebanho e um só Pastor”.

4. ― É ASSISTIDA PELO ESPÍRITO SANTO E POR CRISTO E NÃO PODE ERRAR

JOÃO, XIV, 26: ― “Mas o Advogado, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, ensinar-vos-á todas as coisas e vos recordará tudo o que vos tenho dito”.

IDEM, XVI, 13: ― “Quando vier o Advogado, o Espírito da Verdade, ensinar-vos-á toda a verdade… e anunciar-vos-á as cousas que virão”.

MAT. XVI, 19: ― “Eu te darei as chaves do Reino dos Céus. Tudo o que ligares na terra será ligado também no céu”.

MAT. XXVIII, 20: ― “Eis que estou convosco, todos os dias, até o fim do mundo”.

5. ― ELA TEM O PODER DE AMALDIÇOAR OU ANATEMATIZAR

Iª. COR. V, 1-7: ― “Ouve-se falar constantemente que entre vós há fornicação, e tal fornicação que não existe nem entre os gentios… Em nome de N.Senhor Jesus Cristo, congregados vós em meu espírito, com o poder de Nosso Senhor Jesus, seja o tal entregue a Satanás, para a morte da carne, afim de que sua alma seja salva no dia de Nosso Senhor Jesus Cristo…”.

ROM. XI, 9: ― “Venha Tribulação e angústia sobre todo homem que opera a iniquidade”.

ATOS, V,5: ― “Ouvindo Ananias estas palavras (de Pedro) caiu e expirou aos seus pés”.

ATOS, V, 9-10: ― “Pedro então disse  a ela (Safira): Por que combinastes para tentar o Espírito do Senhor ? Eis que estão à porta os pés daqueles que sepultaram o teu  marido, e te levarão a ti. E imediatamente ela caiu aos seus pés e expirou”.

(Vide Gal. 1, 9).

IMACULADA CONCEIÇÃO

GÊN. III, 15: ― “Porei inimizade entre ti e a mulher e entre a tua descendência e a descendência dela. Ela te esmagará a cabeça e tu procurarás armar-lhe ciladas ao seu calcanhar”.

APOC. XII, 1-6: ― “Apareceu em seguida um grande sinal no céu: uma Senhora revestida de sol, a lua debaixo dos seus pés, e na cabeça uma coroa de doze estrelas. Estava grávida e gritava de dores, sentindo as angústias de dar à luz. Depois apareceu outro sinal do céu: um grande dragão, vermelho, com sete cabeças e sete chifres, e nas cabeças sete coroas… Este dragão deteve-se diante da Senhora que estava para dar à luz, afim de que, quando ela desse à luz, lhe devorasse o filho. Ela deu à luz um filho, um varão, aquele que deve reger todas as nações pagãs com o cetro de ferro. Mas seu filho foi arrebatado para junto de Deus e de seu trono”.

IDEM, ib. 13 e segs: ― “O dragão vendo que fora precipitado na terra, perseguiu a Senhora que dera à luz o Menino… A serpente vomitou contra a Senhora um rio de água para fazê-la submergir. A terra, porém, acudiu à Senhora, abrindo a boca para engolir o rio que o dragão vomitara. Este, então, se irritou contra a Senhora, e foi fazer guerra ao resto da sua descendência, aos que guardam os mandamentos de Deus e tem o testemunho de Jesus”.

NOTA: ― Compare-se o texto do Gênesis (III, 15) acima citado com os textos do Apocalipse. Em ambos, a mesma realidade sobrenatural: a luta, a inimizade entre o Demônio e uma mulher escolhida por Deus; e esta luta é por causa do Menino “que deve reger com cetro de ferro todas as nações pagãs” (Apoc. XII, 5).

Quem poderá deixar de reconhecer nesta “Senhora vestida de sol”, que dá à luz o Menino, Rei de todos os povos, a Virgem Maria ? E quem poderá  deixar de ver, então, na primeira página do Gênesis, a mesma Senhora, cuja descendência, ou seja, cujo Filho, esmagará a cabeça da serpente ?

E como se evidencia esta vitória da Mulher predestinada sobre o Dragão infernal? Fora Maria, “de quem nasceu Jesus” (Mat 1, 16) possuída pelo demônio quando veio a este mundo, isto é, fosse ela concebida no pecado, onde estaria sua vitória sobre o eterno inimigo ? Por isto, muitos Santos Padres e Doutores da Igreja interpretam os dois textos acima, dando-os como prova bíblica da Imaculada Conceição, bem como da própria Assunção gloriosa e da Corredenção.

LUC. I, 28: ― “O Anjo disse-lhe: “Ave, cheia de graça! O Senhor é contigo. Bendita és tu entre as mulheres”.

IDEM. ib. 30: “O Anjo disse-lhe: “Não temos, Maria, pois encontraste graça diante de Deus”.

NOTA: ― Nossa Senhora não podia ser saudada pelo Anjo como cheia de graça, se o pecado original a tivesse atingido; pecado e graça são coisas que não podem estar na mesma alma. E se Ela está cheia de graça é porque nenhuma graça, (inclusive a da pureza original) lhe falta.

Bendita entre as mulheres só pode ser também aquela mulher que, diferente de todas as demais, recebeu a graça insigne de ser preservada do pecado original.

“O Senhor é contigo” ― é uma expressão que afirma que Maria estava estritamente unida ao Senhor pela graça, portanto isenta do pecado de origem.

Por isto diz o Anjo: “Achaste graça diante de Deus”. Isto é, aquela graça que Eva perdera pelo pecado original, Maria achou pela Conceição Imaculada.

Objeção freqüente contra a Imaculada Conceição se baseia nos seguintes textos de S.Paulo:

ROM. V, 12: ― “Por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, e assim a morte passou a todo o gênero humano, “porque todos pecaram”.

Iª COR. V, 14: ― “Se um só morreu para todos, é porque todos estavam mortos (isto é, pelo pecado)”.

Daí concluem os protestantes: “Se Maria foi imaculada, por que S. Paulo diz que todo o gênero humano pecou? “Se Maria foi Imaculada ― dizem eles ainda ― então Cristo não precisou morrer por ela”.

Estas objeções denotam incompreensão do ensino da Igreja.

Todos pecaram em Adão. Pecar em Adão é ser membro da raça de Adão, é estar preso à condição de membro da cabeça deste imenso corpo cuja cabeça foi Adão ― a humanidade. Maria é desta raça, contraiu o débito do pecado ― ensinam os teólogos ― pecou em Adão, mas não contraiu a mancha deste pecado porque, no instante em que foi concebida, Deus lhe infundiu a graça santificante em virtude dos méritos de Cristo, impedindo que contraísse a mancha do pecado.

Assim Nossa Senhora foi remetida por Cristo como todos os homens. Somente os frutos desta Redenção copiosa lhe foram aplicados no instante em que Ela foi concebida. Daí o termo Imaculada Conceição.

IMAGENS

1. ― DEUS MANDOU QUE SE FIZESSEM IMAGENS

ÊX. XXV, 18: ― “Farás também dois querubins de ouro batido, nas duas extremidades do oráculo. Um Querubim os teja de um lado e outro do outro.

I PAR. XXVIII, 18: ― “E para o altar em que se queima o incenso, deu do ouro mais fino para que dele se fizesse a figura dum carro de Querubins, que estendessem as suas asas, e cobrissem a arca da aliança do Senhor. Todas estas coisas ― disse o rei ― me foram dadas escritas pela mão de Deus”.

EZEQ. XLI, 17-21: ― “Acima da porta no interior e no exterior do templo e por toda a parede em redor, tudo estava coberto de figuras (isto é, IMAGENS); Querubins e palmas, uma palma entre dois Querubins. Os Querubins tinham duas faces: uma figura humana de um lado e uma face de leão voltada para a palmeira do outro lado esculpidas em relevo em toda a volta do templo. Desde o solo até acima da porta, havia representações (isto é IMAGENS) de Querubins e palmeiras, assim como sobre a muralha do templo”.

HEBR. IX, 5: ― Descrevendo o templo do Antigo Testamento, diz: “Ai estava um altar de ouro para os perfumes e a arca da aliança… e sobre ela estavam os Querubins da glória que estendiam a sombra de suas asas sobre o propiciatório”.

NUM. XXI, 7-10: ― “O povo veio a Moisés e disse-lhe: “Pecamos, murmurando contra o Senhor e contra ti. Roga ao Senhor que afaste de nós essas serpentes”. Moisés intercedeu pelo povo, e o Senhor disse a Moisés: “Faze uma serpente de bronze (i. é, IMAGEM) e levanta-a num poste. Todo o que for mordido, olhando para ela, será salvo”.

JOÃO, III, 14: ― “Assim como Moisés levantou a serpente de bronze no deserto, assim importa seja levantado o Filho do Homem, para que todo aquele que nÊle crer, não pereça…”

Daí se deduz que a serpente de bronze era uma imagem do próprio Redentor.

2. ― DEUS PROIBIU O “CULTO IDOLÁTRICO” DE IMAGENS

Pelos seguintes textos se vai ver que Deus proibiu foi dar culto a imagens como a Deus.

ÊXODO, XX, 4: ― “Não farás para ti imagem de escultura, nem figura alguma do que está em cima nos céus, ou em baixo sobre a terra, ou nas águas, debaixo da terra. “Não te prostrarás diante delas e não lhes prestarás culto”.

NOTE-SE: ― Deus proíbe fazer imagens do que esta nos céus ― sol, lua, estrelas; do que está na terra ― animais, homens; do que está debaixo das águas ― peixes e monstros marinhos. É que o povo recém-vindo do Egito, lá havia aprendido os costumes pagãos de fabricar tais imagens para adorá-las.

DEUTR. IV, 16-19S ― “Guardai-vos, pois de fabricar alguma imagem esculpida, representando o que quer que seja, figura de homem ou de mulher, representação de algum animal que viva sobre a terra ou de algum pássaro que voa nos céus, ou de um reptil que se arrasta sobre a terra, ou de um peixe que vive nas águas debaixo da terra”.

IDEM, IV, 19: ― “Quando levantares os olhos para o céu, e vires o sol, a lua, as estrelas e todo o exercito dos astros, guarda-te de te prostrares diante deles e de render culto a esses astros…”

Leia-se todo este cap. IV do Deuteronômio para se ver com clareza o que Deus proibia. O que Ele proibia era o culto idolátrico à semelhança dos pagãos.

3. A MALDIÇÃO DO ÍDOLO ESTÁ EM FAZER DUMA IMAGEM UM DEUS

SAB. XIV, 7-8: ― “O madeiro, do qual se faz bom uso é bendito; mas o ídolo, obra das mãos (do homem) é maldito, ele e seu autor: este, porque de fato o fabricou, e aquele, porque sendo uma coisa frágil, foi chamado deus.”

IDEM, ib. 15: ― “Penetrado um pai de dor amarga, fez a imagem de seu filho… e aquele que tinha falecido como um homem, começou a adorar como Deuses, e estabeleceu-lhe entre os seus servos cerimônias e sacrifícios”.

IS. XLII, 17: ― “Voltaram para trás, serão cobertos de confusão os que põem a sua confiança em imagens de escultura, os que dizem às estátuas de fundição: “Vós sois os nossos deuses”.

JER. XVI, 20: ― “É possível que um homem faça deuses para si, quando eles não são deuses ?”

(Ver ainda Isaias, II, 20; XLIV E XXIV).

Destes textos se vê que a proibição de Deus era de fazer imagens para adorá-las como deuses. Fazer imagens que contribuam para o culto do Deus verdadeiro, Deus mandou fazê-las, como vimos acima, imagens de Querubins e serpente de bronze.

Haja vista que a própria serpente de bronze, mais tarde, foi destruída pelo Santo Rei Ezequias, porque se transtornara em objeto do culto idólatra por parte do povo. (Cf. IV Reis, XVIII, 3-5).

Alguns esclarecimentos ainda, para se compreender melhor a proibição de fabricar imagens, consignada na Bíblia.

Ensinam os mestres da língua hebraica em que foi escrita originalmente a proibição, que o texto sagrado emprega no Êxodo, para significar “imagem”, a palavra hebraica TEMUNAH. Ora, este termo observam ― designa sempre imagens destinadas ao culto pagão, ou seja deuses.

É assim que a Bíblia usa:

TEMUNAH ― para designar o bezerro de ouro

TEMUNAH ― para designar a estátua abominada por Isaías (ls.XLIV, 9-10)

TEMUNAH ― para designar as imagens que Ezequiel viu como ídolos no templo (EZ. VIII, 10).

A mesma particularidade se observa na versão dos setenta, que usa sempre o termo EIDOLON, onde o hebraico usa TEMUNAH, deixando a palavra EIKON para significar efígies de simples decoração.

Parece que S. Jerônimo seguiu, em sua tradução, critério análogo. Reserva o termo latino SCULPTILE para traduzir ELDOLON grego e TEMUNAH hebraico.

Poderíamos, assim, concluir que a tradução portuguesa mais exata dos textos hebraicos em apreço deveria trazer a palavra ÍDOLO e não simplesmente IMAGEM como tantas vezes se encontra.

INDULGÊNCIAS

MAT. XVI, 18: ― “Eu digo que tu és Pedro… dar-te-ei as chaves do reino dos céus; tudo o que ligares sobre a terra, será ligado no céu…”

NOTA: ― O poder de conceder indulgências é derivado necessário do poder das chaves dado a Pedro.

IIª COR. II, 6-10: ― “Para este homem basta esta punição, que é dada por muito, de sorte que agora deveis de suar com ele de indulgência”.

INFERNO

MAT. III, 12: ― “Ele tem a pá na mão, limpará bem a eira, e recolherá o trigo no seu celeiro, mas queimará a palha num fogo inextinguível. (Ver Lucas, III, 17).

MAT. XXV, 41: ― “Então, dirá também aos que estiverem à esquerda: Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, que foi preparado para o demônio e seus sequazes”.

MAT. XXV, 46: ― “E estes irão para o suplicio eterno; os justos para a vida eterna”.

MARC. IX, 43: ― “E se a tua mão te escandaliza, corta-a; melhor te é entrar na vida eterna manco, do que tendo duas mãos, ires para o inferno, para o fogo inextinguível”.

MARC. IX, 44: ― “Ali o verme (do remorso) não morre, e o fogo não se apaga”.

EPISTOLA DE S. JUDAS TADEU, 1,6: “E os anjos que não conservaram seu principado, mas abandonaram o seu domicilio, os reservou (ligados) com cadeias, em trevas, para o juízo do grande dia”.

Veja-se também Apoc. XIV, 10-11; ls XXXIII, 14; ii  Tess. 1, 7-9).

INTERCESSÃO DOS SANTOS

1. ― JÁ NESTA VIDA OS JUSTOS SÃO ATENDIDOS

JOÃO. XIV, 13-14: ― “Tudo o que pedires ao Pai em meu nome, eu vo-lo darei, para que o Pai seja glorificado no Filho”.

JOÃO, XV, 7: ― “Se vos permanecerdes em mim, e as minhas palavras permanecerem em vós, pedireis tudo o que quiserdes e ser-vos-á feito”.

Iª JOÃO, III, 22: ― “E tudo quanto nós lhe pedirmos, receberemos dÊle, porque guardamos os seus mandamentos e fazemos o que é do seu agrado”.

Se as petições dos justos são atendidas já neste mundo, em virtude das promessas de Cristo, quanto mais não o serão quando feitas por justos vivendo na glória.

É, pois, valiosa a intercessão dos santos.

2. ― JÁ NESTA VIDA MUITOS SANTOS INTERCEDERAM PERANTE DEUS

JER. XI, 14: ― “Quanto a ti, não intercedas por este povo, nem ores por ele nem supliques, porque ao tempo de sua desgraça, quando clamarem por mim, eu não os escutarei”.

SAB. XVIII, 20-22: ― “É verdade que também feriu os justos uma prova de morte, e no deserto houve um levantamento da multidão; mas a tua ira não durou muito tempo, porque apressando-se um homem irrepreensível a interceder pelo povo, opôste o escudo do seu ministério, e dirigindo-te a sua oração e a sua súplica com a incenso, atalhou os progressos da tua ira e pôs fim ao flagelo, mostrando que era teu servo”.

NÚMEROS, XVII, 6 A 15, nos narra precisamente o fato a que a citação acima está aludindo: Arão intercedendo pelo povo e alcançando misericórdia.

IDEM, ib. 17: ― “Abraão intercedeu junto de Deus, que curou Abimelec sua mulher e suas servas”.

I REIS. XII, 19: ― “E Samuel clamou ao Senhor, e o Senhor enviou naquele dia trovões e chuvas. E todo o povo temeu sobremaneira o Senhor e Samuel, e todo o povo disse a Samuel: “Roga ao Senhor teu Deus pelos teus servos, para que não morramos”.

JUDITE, VIII, 29: ― Súplica de Ozias e dos Anciãos a Judite: “Agora, pois, ora por nós, porque tu és uma mulher santa e temente a Deus”.

3. ― INTERCESSÃO DOS SANTOS É ACONSELHADA POR DEUS

JO XLII, 8: ― “Tomai  sete touros… ide ao meu servo Jó… o meu servo Jó “orará por vós e admitirei propício a sua face”.

GÊN. XX, 1-8: ― Quando Abimelec quis tomar por  mulher Sara, esposa de Abraão, Deus lhe apareceu e lhe disse: “Devolve agora a mulher deste homem, que é um profeta, e ele “rogará por ti” para que conserves a vida”.

MAT. V, 44: ― “Orai pelos que vos caluniam”.

Que é isto senão interceder por eles ?

TIAGO, V, 16: ― “Orai uns pelos outros, para serdes salvos, porque a oração do justo, sendo fervorosa, pode muito”.

4. ― OS ANJOS INTERCEDEM E SÃO ATENDIDOS

ZACARIAS, I, 12-13: ― “O Anjo do Senhor, disse: “Senhor dos exércitos ! Até quando ficareis insensível à sorte de Jerusalém e das cidades de Judá? Eis já setenta anos que estais irritado contra elas!”

O Senhor respondeu ao Anjo que lhe falava, e disse-lhe boas palavras, cheias de consolação”.

5. ― OS SANTOS NO CÉU TORNAM-SE NOSSOS INTERCESSORES

LUC. XVI, 9: ― “Portanto, eu vos digo: “Grangeai amigos com as riquezas da iniquidade para que, quando vierdes a precisar, eles vos recebam nos tabernáculos eternos”.

Que é isto senão tornarem-se os santos intercessores por nós no céu?

ATOS, V, 3: ― “E tendo aberto o livro, os quatro animais e os vinte e quatro anciãos prostraram-se diante do Cordeiro, tendo cada um cítaras e taças de ouro, cheias de perfume, que são as orações dos santos”.

IRMÃOS DE JESUS

1. ― NA ESCRITURA CHAMAM-SE IRMÃOS TAMBÉM OS PARENTES PRÓXIMOS

GEN. XIII, 8: ― “Abraão disse a Lot: ”Rogo-te que não haja discórdia entre mim ti, nem entre nossos pastores, pois “somos irmãos”.

IDEM, XIV, 14: ― “Abrão, tendo ouvido que Lot. “seu irmão”, ficara prisioneiro…”

IDEM, XII, 4-5: ― “Tinha Abrão 75 anos quando saiu de Harã. E ele levou consigo Sara sua mulher, “e Lot, filho de seu irmão”, e todos os bens que possuía”.

NOTE-SE nestes textos paralelos: Lot é filho do irmão de Abraão; entretanto Abraão o chama de irmão.

GEN XXIX, 13: ― “Tendo Labão ouvido falar de Jacó, filho de sua irmã, correu a seu encontro, abraçou-o e o conduziu à sua casa”.

IDEM, ib.: Jacó ficou em casa dele (Labão) um mês inteiro. E Labão disse-lhe: Acaso, “porque és meu irmão, servir-me-ás de graça?”

NOTE-SE de novo: Jacó é filho da irmã de Labão; no entanto, este o chama de irmão.

LEV. X, I: ― “Ora, Nadab e Abind filhos de Arão”, tendo oferecido diante do Senhor um fogo estranho… morreram diante do Senhor”.

IDEM, ib. 4: “E Moisés, chamando Misael e Elisafan filhos de Oziel, tio de Arão, disse-lhes: “Ide, e tirai “vossos irmãos” diante do santuário e levai-os para fora dos acampamentos”.

NOTE-SE novamente: Moisés chama de irmãos dos filhos de Oziel os filhos de Arão, que eram sobrinhos de Oziel.

I PARAL. XXIII, 22: ― “Elcazai morreu, e não deixou filhos, mas filhas; e estas casaram-se com os filhos de Cis seus irmãos”.

Aí se vê que a Bíblia chama de irmãos os primos das filhas de Eleaser.

TOBIAS, VIII, 9: ― “Ora, tu sabes, Senhor, que não é por motivo de paixão que eu amo “esta minha irmã para esposa”.

Vê-se que Tobias chama sua esposa de irmã. Ela era sua prima segunda, pois Raquel, pai dela, era primo de Tobias o velho: “E pondo Raquel os olhos em Tobias, disse para Ana, sua mulher: “Como este jovem é parecido com meu primo” ― (Tob.Vii, 2).

E no mesmo capítulo, Raquel chama ao velho Tobias de irmão.

“E Raguel disse-lhes: “Conheceis meu irmão Tobias ?” (ib.v4)

Está, pois, claro que entre os hebreus chamava-se irmãos todos os parente próximos.

2. ― OS QUE O EVANGELHO CHAMA “IRMÃOS DO SENHOR” SÃO SEUS PRIMOS, OU PARENTES PRÓXIMOS

MAT. XIII, 55-56: ― “Porventura não é este o filho do carpinteiro? Não se chama sua Mãe Maria e “seus irmãos” Tiago e José e Simão e Judas ? E “suas irmãs” não vivem elas todas entre nós?”

Ver também Marc. VI, 3.

MAT. XXVII, 56: ― “Entre elas (as mulheres que se achavam ao pé da cruz) estavam Maria Madalena, e “Maria, mãe de Tiago e José”, e a mãe dos filhos de Zebedeu”.

MAR. XV, 40: ― “E encontravam-se também ali algumas mulheres vindas de longe, entre as quais estavam Maria Madalena e Maria, mãe de Tiago Menor e Salomé”.

Por estes textos acima, se vê que Tiago e José  são filhos de outra Maria que não a Mãe de Jesus.

JOÃO, XIX, 25: ― “Entretanto, estavam de pé junto à cruz de Jesus: sua Mãe e a “irmã de sua Mãe”. Maria, “mulher de Cléofas”, e Maria Madalena.

Por este novo texto se vê que Tiago e José  são filhos da mulher de Cléofas, Maria, que é irmã da Mãe de Jesus. Tiago e José são, portanto, primos de Jesus. E segundo a praxe dos hebreus, eram chamados irmãos de Jesus.

EP. DE S. JUDAS TADEU: ― 1,1: ― “Judas, servo de Jesus Cristo, e “irmão de Tiago”… etc.

LUC. VI, 15: ― “Mateus, Tomé, Tiago filho de Alfeu, Simão, chamado Zelador, Judas, irmão de Tiago…”.

Pelos dois últimos textos se vê que “Judas é irmão de Tiago”.

Por isto, talvez, é enumerado entre os Apóstolos logo depois de Tiago, filho de Alfeu, assim como João é enumerado logo depois  de Tiago, filho de Zebedeu, de quem era irmão.

(Cf. Ma. X, 2 segs e Marc. III, 13 e segs).

De tudo isto aparece claro que dos irmãos de Jesus assim chamados por Mateus, (XIII, 55 e 56) e Marcos (VI, 3), Tiago e José  são filhos da mulher de Cléofas, que se chama  Cléofas, que se chama Maria, irmã da Mãe de Jesus, e que Judas se dá por irmão de Tiago, que é filho de Alfeu. Seja que Judas se intitule irmão e é simplesmente primo, ou que Alfeu é o mesmo Cléofas e, portanto, são na verdade irmãos, de qualquer forma os três ― José, Tiago e Judas ― não são irmãos de Jesus, mas simplesmente seus primos.

Sós resta o nome de Simão, cuja família não se pode descobrir através do Evangelho. Mas é claro: se ele vem mencionado como irmão de Jesus juntamente com os três outros, que são primos, é porque ele também é somente primo do Senhor.

Leia-se para maiores esclarecimentos PE. JÚLIO MARIA ― “Luz nas Trevas” ― cap. XI e DAYL D’ALMEIDA ― “Irmãos de Jesus – ED. “O  LUTADOR “, Campos.

JEJUM

(Vide “Obras Boas”)

Os nossos amigos protestantes, dizem-se presunçosamente, SALVOS. Só por isto já negam o valor da penitência e das boas obras, que Jesus tanto louvou e inculcou a seus discípulos. Esta doutrina está, como nenhuma outra, exposta claramente no Evangelho e em todo o Novo Testamento

1. ― O JEJUM É RECOMENDADO NA SAGRADA ESCRITURA

JOEL, II, 12: ― “Agora, pois, diz o Senhor, convertei-vos a mim de todo o coração com jejuns, com lágrimas e com gemidos”.

I ESDRAS, VIII, 23: – “Nós, pois, com este fim jejuamos, fizemos oração ao nosso Deus, e tudo nos sucedeu prosperamente”.

II ESDRAS, 1, 4: ― “Quando ouvi estas palavras, sentei-me, e chorei e derramei lágrimas durante muitos dias, e jejuava e orava na presença do Deus do céu”.

TOBIAS, XII, 8: ― “É bom a oração acompanhada do jejum, e dar esmola vale mais do que ajuntar tesouros em ouro”.

DANIEL, X, 3: ― “Eu, Daniel, não comi pão agradável ao gosto, nem carne, nem vinho entraram em minha boca, nem me ungi com perfume algum, até que se completassem os dias dessas três semanas”.

ATOS, X, 4: ― “As tuas orações e as tuas esmolas subiram com um  memorial à presença de Deus”.

JONAS, III, 5: ― “E os ninivitas  creram em Deus e ordenaram um jejum em público, e vestiram-se de saco desde o menor até o maior”

JONAS, III, 10: ― “E Deus viu as suas obras (de penitência), e como se converteram do seu  mau caminho, e compadeceu-se deles”. (Leia-se todo o cap. III).

2. ― O JEJUM É EFICAZ CONTRA O DEMÔNIO

MARCOS, IX, 28: ― “E Ele lhes disse: Esta casta de demônios não se expele senão mediante oração e jejum”.

3. – O JEJUM DEVE SER OBSERVADO POR TODOS OS CRISTÃOS

MAT. IX, 15: ― “Mas virão os dias em que  lhes será tirado o esposo, e então jejuarão”. (Vide Marc. II, e Lucas, V, 35).

AT. XIII, 2: ― “E quando eles se entregavam ao serviço do Senhor e jejuavam, disse-lhes o Espírito Santo: Separar-me Paulo e Barnabé para a obra a que os destinei”.

ATOS, XIII, 3: ― “E então, depois de jejuarem e orarem, impuseram-lhes as mãos e os despediram”.

ATOS, XIV, 22: ― “Por fim, tendo ordenado para cada Igreja sacerdotes, depois de terem feito orações e jejuando, encomendaram-nos ao Senhor”.

IIª COR VI, 4: ― “Em todas as coisas nos  mostramos ministros  de Deus, com muita paciência nas tribulações, nas necessidades, nas angústias”.

IIª COR. VI, 5: ― “Nos açoites, nos cárceres, nas sedições, nos trabalhos, nas vigílias, nos jejuns, com castidade, com ciência, com longanimidade”, etc.

IIª COR. XI, 27: ― “No trabalho, na fadiga, em muitas vigílias, na fome, na sede, no frio, na nudez…” (Ler todo este capítulo).

MAT. IV, 2: ― “E tendo (Jesus) jejuado quarenta dias e quarenta noites, teve fome/’.

MAT. III, 4: ― “Ora, o mesmo João tinha um vestido de peles de camelo e uma cinta de couro cingindo os rins; e a sua comida eram gafanhotos e mel silvestre”.

(Vide Marcos, II, 20).

NOTE-SE que Nosso Senhor não tinha absolutamente, necessidade de jejuar, se isto fez, foi para dar-nos o exemplo. São João Batista fez JEJUNS prolongados no fundo do deserto, e “sua comida eram gafanhotos e mel Silvestre”.

Por que, pois, os protestantes protestam contra o jejum da Igreja Católica, admitem o mesmo ciclo quaresmal da Igreja Católica, mas não lhe admitem o jejum?

MÃE DE DEUS

Querem os protestantes que Nossa Senhora foi Mãe somente de Jesus-Homem. É um contra-senso, pois em Cristo Jesus existe uma só pessoa ― a Pessoa Divina  do Verbo feito Homem. Quem gera esta pessoa feita Homem é, portanto, Mãe de Deus.

LUC. I, 35: ― “O Espirito Santo virá sobre ti, e a virtude do Altíssimo te cobrirá com sua sombra, e, por  isso, o Santo que nascerá de ti chamar-se-á Filho de Deus”.

LUC. I, 41 E 43: ― “E Isabel ficou cheia do Espírito Santo e exclamou em alta voz: “Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre. Donde me vem esta honra que venha à minha casa “a Mãe de meu Senhor ?”

GAL., IV, 4: ― “Chegada a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido da mulher, nascido sob a lei”.

Inegável que tanto o Anjo, como Isabel inspirada pelo Espírito, e bem asseim São Paulo, afirmam que o Filho de Nossa Senhora é o “Filho de Deus” e que Ela é a “Mãe do Senhor”, isto é, Mãe de Deus.

MEDIAÇÃO DE MARIA

Iª TIM, II, 5: ― “Porque há um só Deus e um só MEDIADOR entre Deus e os homens: JESUS CRISTO HOMEM, que se deu em resgate  por todos”.

NOTA: ― Este texto, com que os protestantes querem contraditar a mediação de Maria serve antes para prová-la de modo mais teológico. S. Paulo acentua que o único Mediador é Jesus Cristo-Homem, o que quer dizer: não é o Verbo, mas o Verbo feito homem por Maria. Nossa Senhora se torna, assim, Medianeira, precisamente porque, mediante Ela, Cristo se tornou Mediador (1)

(1) Conf. a respeito: PE ANTÔNIO MIRANDA, S.D.N. – “Nossa Senhora das Graças” – Ed. “LUZES”, p.87 e segs.

MAT. I, 16: ― “Jacó gerou José, esposo de Maria, da qual nasceu Jesus, que é chamado Cristo”.

NOTA: ― Se Cristo, que é o único Mediador, nasceu de Maria, Ela se tornou, por isto, Medianeira secundária, entre Deus e os homens, mediante a qual nos veio Cristo

LUC. I, 41: ― “E aconteceu que, tão logo ouviu Isabel a saudação de Maria, exultou o menino em seu  seio, e Isabel ficou cheia do Espírito Santo”.

NOTA: ― Eis como Leão XIII interpreta este texto: “João é santificado no seio materno… e isto lhe advém da saudação de Maria, que, por divina inspiração, veio visitar sua prima”. (Enc. Jucunda semper, de 8-9-1894).

JOÃO, II, 1-13: ― Este tópico nos narra como Jesus operou o seu primeiro milagre mediante a intercessão de Maria, e isto apesar de ainda não ter chegado a hora de Jesus os inicia. (v.4).

V. II: ― “Por este modo operou Jesus o seu primeiro milagre… e manifestou a sua gloria e creram nele os seus discípulos”.

Vê-se que foi mediante Maria que “seus discípulos creram nele”. Sem dúvida, isto veio primeiramente da graça gratuita de Cristo. Mas a intercessão de Maria foi um meio acessório de Deus dispensar sua graça gratuita. Deus quis, pois, Maria como Medianeira.

MISSA

(Ver “Eucaristia” e “Comunhão”)

1. ― O SACRIFÍCIO DA MISSA FOI PREFIGURADO MUITOS SÉCULOS ANTES

Os sacrifícios antigos eram figura do Sacrifício do Calvário continuado misticamente sobre nossos altares. Melquisedec, oferecendo pão e vinho, figurou o Santo Sacrifício da Missa.

GÊN. XIV, 18-19: ― “Mas Melquisedec, Rei de Salém, trazendo pão e vinho, porque era Sacerdote do Deus Altíssimo, o abençoou e disse-lhe: “Bendito seja Abraão, pelo Deus Altíssimo, que criou o céu e a terra”.

2. ― ESTE SACRIFÍCIO FOI PREDITO POR MALAQUIAS

MALAQUIAS, I, 10-12: ― “Quem há entre vós que feche as portas e acenda o lume sobre o meu altar gratuitamente ? O meu afeto não está em vós, diz o Senhor dos Exércitos; nem eu aceitarei oferenda alguma de vossas mãos, porque desde o nascer até o pôr do sol, o meu  nome é grande entre as nações, e em todo o lugar se sacrifica e se oferece ao meu nome uma oblação pura…”

Que claridade meridiana nas palavras do vidente divino!

Notem lá os protestantes esta visão, comparando-a com a visão eucarística de hoje, desde o nascer até o por do sol, sobre todos os altares da terra! Vemos que Deus repudia os sacrifícios antigos para receber um novo sacrifício, uma oblação pura. Qual é esta oblação, hoje existente, senão aquela feita uma vez por Jesus Cristo, e por Ele ordenada fosse reproduzida todos os dias “do nascente ao poente do sol”, para perpetuação de seu Sacrifício no Calvário ? “Todas as vezes que fizerdes isto, fazei-o em memória de mim”. (Mat. XXVI, 28; Lucas, XXII, 19).

3. ― FOI CELEBRADO PELO PRÓPRIO JESUS CRISTO

LUCAS, XXII, 19: ―  “E depois de tomar o pão, deu graças e partiu, e deu-lho, dizendo: ISTO É O MEU CORPO, que é dado por vós. Fazei isto em memória de mim”.

LUCAS, XXII, 20: ― “Da mesma sorte, tomou o cálice… dizendo: “Este CÁLICE É O NOVO TESTAMENTO EM MEU SANGUE, que será derramado por  vós”.

4. ― É ATESTADO POR S. PAULO, APÓSTOLO

Iª COR. X,16: ― “Porventura, o cálice da benção que nós benzemos não é a comunhão do sangue de Cristo? E o pão que partimos, não é a participação do Corpo do Senhor?

Iª COR. X, 21: ― “Não podeis ser participantes da mesa do Senhor (da Comunhão) e da mesa dos demônio” (comendo das carnes sacrificadas aos ídolos pagãos).

HEBR. XIII, 10: ― “Nós (os cristãos) temos  um altar do qual os (sacerdotes judeus) que servem ao tabernáculo, não tem faculdade de comer”.

Perguntemos aos protestantes se eles tem um Altar como nós, se tem uma vítima e uma “oblação pura” como a Hóstia sagrada que oferecemos a Deus, todos os dias, “do nascente ao por do sol”. Se quiserem negar a presença real de Cristo, citemos S. Paulo: "O Pão que partimos não é, porventura, a participação do corpo do Senhor?"

ORAÇÃO PELOS MORTOS

TOB. IV, 18: ― “Põe o teu pão e o teu vinho sobre a sepultura do justo e nem comas nem bebas com os pecadores”.

ECLESIÁSTICO. VII, 37: ― “A benemerência é agradável a todos os vivos. E não impeças que ela se estenda também aos mortos”.

II MAC. XII, 43: ― “E tendo (Judas Macabeu) feito uma coleta, mandou doze mil dracmas de prata a Jerusalém, para serem oferecidos sacrifícios pelos pecados dos mortos, sentindo bem e religiosamente da ressurreição, (porque se ele não esperasse que os que tinham sido mortos haviam de ressuscitar, teria  por causa vã e supérflua orar pelos defuntos) e por que ele considerava que aos defuntos estava reservada uma grande misericórdia”.

“É um santo e salutar  pensamento ora pelos mortos para que sejam livres de seus pecados”.

NOTE-SE: ― Este texto do II Livro do Macabeus nos mostra claramente existir um mistério de expiação (um purgatório) na vida futura. Como descrêem disto os protestantes ?

ORDENS SACRAS

1. SÃO DE INSTITUIÇÃO DIVINA

As ordens sagradas, existentes na Igreja Católica, são de instituição divina, isto é, foram instituídas pelo próprio Jesus Cristo, que ordenou sacerdotes aos seus Apóstolos; estes, por sua vez, ordenaram a outros que os sucedessem no ministério sagrado.

LUC. XXII, 19: ― “E depois de tomar o pão, deu graças, e o partiu, e deu-lho, dizendo: “Isto é o meu corpo que é dado por vós; FAZEI ISTO EM MEMÓRIA DE MIM”.

“FAZEI ISTO” ― nestas palavras está a ORDEM dada pelo próprio Salvador, no momento solene da Santa Ceia, quando ainda instituiu a Sagrada Eucaristia.

JOÃO, XX, 22-23 ― “Tendo dito estas palavras, SOPROU sobre eles, e disse-lhes: “Recebei o Espírito Santo; aqueles a quem vós perdoastes os pecados, ser-lhes-ão perdoados, e aqueles a quem os retiverdes, ser-lhes-ão retidos”.

“Soprou sobre ele” ― eis ai a comunicação do Espírito Santo aos Apóstolos, conferindo-lhes o poder de perdoar; portanto, um poder sacramental.

2. ― AS ORDENS EXISTENTES NA IGREJA SÃO CONFERIDAS PELA IMPOSIÇÃO DAS MÃOS

ATOS, VI, 6: ― “Apresentaram-nos diante dos Apóstolos, e estes, depois de terem orado, impuseram-lhes as mãos”.

ATOS, XIII, 3: ― “Então, depois de jejuarem e orarem, impuseram-lhes as mãos e despediram-nos”.

ATOS, XIV, 22: ― “Por fim tendo ORDENADO para cada Igreja sacerdotes, depois de terem feito oração e jejum…”

Iª TIM, IV, 14: ― “Não desprezes a graça que há em ti, a qual te foi dada pela imposição das mãos dos presbíteros”.

NOTA: ― Esta imposição das mãos confere a graça, logo é  um sacramento especial, diferente dos outros.

IIª TIM, 1,6: ― “Por este motivo de admoesto a que reanimes a graça de Deus que está em ti pela imposição das minhas mãos”.

TITO, 1,5: ― “Deixei-te em Creta para que regules a falta e estabeleças presbíteros nas cidades segundo as prescrições que te dei”.

PEDRO, PRIMEIRO PAPA

1. O PAPA, BISPO E CHEFE DOS OUTROS BISPOS

Jesus prediz a Simão que seu nome será mudado em CEFAS (Pedro ou Pedra), porque será escolhido como a pedra fundamental da Igreja divina:

JOÃO, I, 42: ― Jesus, olhando-o, disse: “Tu és Simão, filho de Jonas; tu  serás chamado CEFAS, que quer dizer Pedro” (ou Pedra) para servir de fundamento e alicerce de minha Igreja.

2. JESUS CUMPRE A SUA PREDIÇÃO

MAT. XVI, 13 e ss.: ― “E veio Jesus para as bandas de Cesaréia de Filipe interrogou os seus discípulos, dizendo: Que dizem os homens acerca do Filho do Homem ? E eles responderam: uns dizem que é João Batista, outros que é Elias, e outros que é Jeremias ou algum dos profetas. Disse-lhes Jesus: É vós, quem dizeis que eu sou? Respondendo Simão Pedro, disse: Tu és o Cristo o Filho de Deus vivo ! E respondendo Jesus, lhe disse: Bem-aventurado és, Simão, filho de Jonas, porque não foi a carne e o sangue que to revelou, mas sim, meu Pai que está nos céus. E eu te digo que tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja e as portas do inferno não prevalecerão contra ela. E eu te darei as chaves do reino dos céus; e tudo o que ligares sobre a terra será ligado nos céus; e tudo o que desligares sobre a terra, será desligado nos céus”.

LUC.XXII, 31-32: ― “Disse mais o Senhor: Simão, Simão, eis que Satanás vos reclamou com instância para vos joeirar como trigo. Mas eu roguei por ti, para que a tua fé não falte. E tu, uma vez convertido, (da negação que virá durante a paixão) confirma os teus irmãos”.

NOTA: ― Jesus orou pelo Papa (Pedro) para confirmá-lo na fé: Sua oração é infalível e onipotente. Logo, realizou o pedido, feito em favor do Papa: Ele não pode faltar à fé.

Passados os dias dolorosos da paixão e morte de Jesus, tendo Pedro negado covardemente o seu divino Mestre (e foi quando Satanás tentou joeirar a Igreja), tendo-se destarte, cumprido a predição de Jesus, o Senhor aparece, a Pedro, às margens do Tiberíades.

JOÃO, XXI, 15-18: ― “Tendo eles comido, Jesus perguntou a Simão Pedro: Simão, filho de João, tu me  amas mais do que estes? Ele lhe respondeu: Sim, Senhor, tu sabes que eu te amo. Disse-lhe Jesus: Apascenta os meus cordeiros”. Perguntou-lhe segunda vez: “Simão, filho de João, tu me amas ? Ele respondeu: Sim, Senhor, tu  sabes que eu te amo. Jesus lhe disse: Apascenta os meus cordeiros”.

Perguntou-lhe terceira vez: Simão, filho de João, tu me amas ? Pedro ficou triste, porque pela terceira vez lhe perguntara: Tu me amas ? e respondeu-lhe: Senhor, tu conheces tudo, tu  sabes que eu  te amo. Disse-lhe Jesus: Apascenta as minhas ovelhas”.

Por este texto se vê que Nosso Senhor manda S. Pedro apascentar CORDEIROS  (duas vezes) e OVELHAS distintamente. Que é isto senão o mesmo que nomeá-lo PASTOR dos cordeiros e das ovelhas, que por natureza conduzem os cordeiros? Eis porque nesta metáfora a Igreja Católica entende na palavra cordeiros, duas vezes repetida, o rebanho dos fieis e dos clérigos, e na palavra ovelha, os Bispos que são condutores dos clérigos e dos fiéis.

3. ― PEDRO, PRIMEIRO PAPA, FIXOU RESIDÊNCIA EM ROMA

ATOS, XII, 17: ― “Em seguida (Pedro depõe de libertado da perseguição de (Herodes), saiu daí (de Jerusalém) e retirou-se “para outro lugar”.

Qual é este outro lugar para onde S. Pedro se retirou, o Autor dos Atos não o diz, devido à época de perseguição que a Igreja atravessava. Convinha que ficasse oculto o Pastor Supremo, e não se expusesse à perseguição.

O outro lugar para onde ele foi, certamente é Antioquia.

ATOS, XV, 4 e 7 ― Vemos, neste texto, que se reúne um Concílio em Jerusalém , e Pedro, de novo, está presente, e é quem decide a questão.

Depois disto, os Atos se ocupam exclusivamente das atividades de Paulo e não mais se referem a Pedro.

Mas existe uma tradição histórica segura que prova ter Pedro se estabelecido em Roma. E esta tradição é confirmada por um texto, embora não inteligível à primeira vista, da Iª Epístola de S. Pedro.

Iª PED. V, 13: ― “A Igreja eleita de Babilônia saúda-vos, assim como também Marcos, meu filho”.

Esta Igreja eleita de Babilônia” ― concordam os intérpretes ― é Roma. Pois a antiga Babilônia não mais existia.

Era com o designativo de Babilônia que os cristãos perseguidos designavam a cidade pagã de Roma. S. Pedro, escrevendo desta cidade, afim de se ocultar aos profanos, designa a Igreja que chefia, com o nome só conhecido talvez a seus leitores.

Assim explicado, este tópico nos prova, escriturísticamente, a estadia de Pedro em Roma. E eis porque ele chama a esta Igreja de eleita porque Pedro a escolhera para “mãe de todas as demais Igrejas”.

Outra prova de que Babilônia ai designa Roma, é que Pedro menciona Marcos, “seu  filho”. E este Marcos esteve também em Roma, pois S. Paulo daí escrevendo aos Colossenses, e a Filêmon, envia saudações em nome dele para todos os fiéis de Colossos e da casa de Filêmon:

COL. IV, 10: ― “Saúdo-vos Aristarco meu companheiro de prisão, e Marcos primo de Barnabé”…

FILÊMON, 23 E 24: “Epaíras meu companheiro de prisão em Cristo Jesus te saúda. “Também Marcos” Aristarco Demas e Lucas, meus colaboradores”.

Destarde, é escriturísticamente provado que S. Pedro foi PAPA EM ROMA.

PURGATÓRIO

Purgatório é um estado médio entre o céu  e o inferno, onde as almas expiarão suas culpas leves e as conseqüências dos pecados mortais já perdoados nesta vida. Os hereges negam a sua existência.

APOC. XXI, 27: ― “Nela (na Jerusalém celeste) não entrará coisa alguma contaminada ou quem cometa abominação e mentira, mas somente aqueles que estão escritos no livro da vida do Cordeiro”.

Ora, por mais puro que seja o homem neste mundo, sempre ele terá máculas contraídas em sua natureza viciada, já que “o justo cai sete vezes”. Condená-lo ao inferno por ter pequenas fraquezas não o quer a bondade de Deus. Dar-lhe logo o céu, obsta-o a infinita pureza do Senhor.

Logo, é necessária uma expiação ou  purgação na outra vida, num estado denominado Purgatório.

MAT. V, 25-26: ― “Acomoda-te sem demora com teu adversário, enquanto estás em caminho (enquanto vives) com ele, para que não suceda que este adversário te entregue ao juiz, e o juiz te entregue ao ministro, e sejas posto na prisão. Pois na verdade te digo: Não sairás dali até que pagues o último ceitil”.

NOTE-SE que aqui não se trata do inferno, donde não se pode cair; nem do céu, lugar de gozo, e não de expiação; mas do purgatório, único lugar onde se deve expiar “até pagar o último ceitil” das faltas leves cometidas nesta vida terrena.

MAT. XII, 32: ― Todo o que falar palavra contra o Filho do homem, ser-lhe-á perdoado. Mas o que disser contra o Espírito Santo, não lhe  será perdoado neste século nem no futuro”.

NOTA: ― Por esta expressão: “não lhe será perdoada nem neste século nem no futuro”, vemos que há pecados perdoáveis também no século futuro, isto é, no outro mundo. Este lugar, no outro mundo, chama-se purgatório.

Iª COR. 11-16: ― “Quanto ao fundamento, ninguém pode por outro fundamento senão o que foi posto: Cristo Jesus. Agora, se alguém edifica sobre este fundamento com ouro, ou com prata, ou com pedras preciosas, com  madeira, com feno, ou com palha, manifestar-se-á a obra de cada um. O dia  (do juízo) demonstrálo-a. Será revelado “pelo fogo” e o “fogo provará” o que vale o trabalho de cada um. Se a obra construída subsistir, o construtor receberá a recompensa. Se a obra de alguém se extinguir, sofrerá a perda. Ele mesmo, porém, “será salvo, mas passando de qualquer maneira através do fogo”.

O Apóstolo afirma, pois, que alguns, ainda que construindo sua vida sobre Cristo, entretanto a constroem com obras imperfeitas (palha, feno). Serão salvos, mas deverão passar pelo fogo. É o que ensina a Igreja Católica: muitos se salvam, mas devido às suas imperfeições deverão “passar pelo fogo” antes de entrarem no céu.

RELÍQUIAS

Relíquias milagrosas são objetos santificados pelo contato dos servos de Deus e deixados aos cristãos neste mundo.

Não raro, operam grandes milagres.

Este culto é tão antigo quanto o Evangelho e a Igreja.

MAT. IX, 20: ― “Eis que uma mulher que havia doze anos padecia de um fluxo de sangue se achegou por detrás dele (de Jesus) e tocou a fímbria do seu vestido…

E, voltando-se Jesus, disse: Tem confiança, filha, a tua fé te salvou. E ficou sã a mulher, desde aquela hora”.

MAT. XIV, 36: ― “…E lhe apresentaram todos os que padeciam algum mal: rogando-lhe que os deixasse tocar sequer a orla do seu vestido. E todos os que à tocaram, ficaram sãos”.

ATOS, V, 15: ― “De  maneira que traziam os doentes para as ruas e punham-nos em leitos e padiolas, afim de que, quando Pedro passasse, ao menos a sua sombra cobrisse alguns deles”.

ATOS, XIX, 11-12: ― “Deus fazia milagres não vulgares pelas mãos de Paulo, de sorte que até sendo aplicados aos enfermos lenços e aventais que tinham tocado em seu corpo, não só saiam deles as doenças, mas também os espíritos maus”.

NOTA: ― Ainda hoje, objetos tocados nos santos, continuam operando os mesmos milagres que no tempo de S. Paulo, as relíquias de Sta. Teresinha, de Frei Fabiano, etc. Isto prova a santidade de vida daqueles que as deixaram e a santidade da Fé que praticaram.

VESTES SACERDOTAIS

ÊXODO, XXXIX, 1: ― “Depois fez de púrpura e escarlate e de linho fino as vestes com que devia ser revestido Arão quando ministrava no Santuário, como o Senhor ordenou a Moisés”.

IDEM, ib, v.25: ― “Fizeram também para Arão e seus filhos as túnicas tecidas de linho fino e as mitras de linho fino…”etc.

IDEM, ib, v. 41: ― “E também as vestes, de que usam no santuário os sacerdotes… ofereceram-na os filhos de Israel conforme o Senhor tinha mandado”.

NOTA: ― Por estes textos se vê que Deus queria, no Antigo Testamento, o esplendor das vestes litúrgicas. As vestes sacerdotais são, assim, perfeitamente conformes à doutrina da Escritura.

VIRGEM MARIA

IS. VII, 14: ― “Por  isto, o próprio Senhor  vos dará um sinal: Uma virgem conceberá e dará à luz um filho, e o seu nome será Emanuel”.

LUC. I, 26 e segs.: ― “Foi o Anjo Gabriel enviado por Deus… a uma Virgem desposada… e o nome da Virgem era Maria”.

LUC. I, 34-35: ― “Maria perguntou ao Anjo: “Como se fará isto? Pois eu não conheço varão”. Respondeu-lhe o Anjo: “O Espírito Santo descerá sobre ti e o Altíssimo te cobrirá com a sua sombra”.

MAT. I, 18: ― “Estava Maria, sua Mãe, desposada com José; e antes de conviverem, “Maria achou-se grávida por obra do Espírito Santo”.

NOTA: ―  Estes textos mostram insofismavelmente que Maria Sma. concebeu seu divino Filho, ficando intacta sua virgindade. Seu parto, com o fato de Ela conceber um filho, foi um prodígio, dia Isaias, e foi por obra do Espírito Santo, como assegura o Evangelho.

A pergunta que Maria fez ao Anjo ― “Como se fará isto, pois eu não conheço varão?” ― indica que Nossa Senhora tinha propósito de guardar virgindade, apesar de já estar desposada. Porquanto, se não tivesse feito este propósito, não havia por onde perguntar ao Anjo como sucederia a concepção de um filho, de vez que ela estava desposada. Dizer, pois: ― “não conheço varão” ― equivale  a  dizer: ― “Tenho propósito de ser virgem, apesar de estar desposada”.

A virgindade, pois, anterior ao parto de Maria, seguiu-se a virgindade posterior, e Ela foi sempre Virgem.

Pe. Antônio Miranda, S. D. N.
Manhumirim, 1960

CARTA APOSTÓLICA PORTA FIDEI

CARTA APOSTÓLICA SOB FORMA DE MOTU PROPRIO

PORTA FIDEI

DO SUMO PONTÍFICE
BENTO XVI

COM A QUAL SE PROCLAMA O ANO DA FÉ

Brasão Papa Bento XVI.

1. A PORTA DA FÉ (cf. Act 14, 27), que introduz na vida de comunhão com Deus e permite a entrada na sua Igreja, está sempre aberta para nós. É possível cruzar este limiar, quando a Palavra de Deus é anunciada e o coração se deixa plasmar pela graça que transforma. Atravessar esta porta implica embrenhar-se num caminho que dura a vida inteira. Este caminho tem início no Baptismo (cf. Rm 6, 4), pelo qual podemos dirigir-nos a Deus com o nome de Pai, e está concluído com a passagem através da morte para a vida eterna, fruto da ressurreição do Senhor Jesus, que, com o dom do Espírito Santo, quis fazer participantes da sua própria glória quantos crêem n’Ele (cf. Jo 17, 22). Professar a fé na Trindade – Pai, Filho e Espírito Santo – equivale a crer num só Deus que é Amor (cf. 1 Jo 4, 8): o Pai, que na plenitude dos tempos enviou seu Filho para a nossa salvação; Jesus Cristo, que redimiu o mundo no mistério da sua morte e ressurreição; o Espírito Santo, que guia a Igreja através dos séculos enquanto aguarda o regresso glorioso do Senhor.

2. Desde o princípio do meu ministério como Sucessor de Pedro, lembrei a necessidade de redescobrir o caminho da fé para fazer brilhar, com evidência sempre maior, a alegria e o renovado entusiasmo do encontro com Cristo. Durante a homilia da Santa Missa no início do pontificado, disse: «A Igreja no seu conjunto, e os Pastores nela, como Cristo devem pôr-se a caminho para conduzir os homens fora do deserto, para lugares da vida, da amizade com o Filho de Deus, para Aquele que dá a vida, a vida em plenitude»[1]. Sucede não poucas vezes que os cristãos sintam maior preocupação com as consequências sociais, culturais e políticas da fé do que com a própria fé, considerando esta como um pressuposto óbvio da sua vida diária. Ora um tal pressuposto não só deixou de existir, mas frequentemente acaba até negado.[2] Enquanto, no passado, era possível reconhecer um tecido cultural unitário, amplamente compartilhado no seu apelo aos conteúdos da fé e aos valores por ela inspirados, hoje parece que já não é assim em grandes sectores da sociedade devido a uma profunda crise de fé que atingiu muitas pessoas.

3. Não podemos aceitar que o sal se torne insípido e a luz fique escondida (cf. Mt 5, 13-16). Também o homem contemporâneo pode sentir de novo a necessidade de ir como a samaritana ao poço, para ouvir Jesus que convida a crer n’Ele e a beber na sua fonte, donde jorra água viva (cf.Jo 4, 14). Devemos readquirir o gosto de nos alimentarmos da Palavra de Deus, transmitida fielmente pela Igreja, e do Pão da vida, oferecidos como sustento de quantos são seus discípulos (cf. Jo 6, 51). De facto, em nossos dias ressoa ainda, com a mesma força, este ensinamento de Jesus: «Trabalhai, não pelo alimento que desaparece, mas pelo alimento que perdura e dá a vida eterna» (Jo 6, 27). E a questão, então posta por aqueles que O escutavam, é a mesma que colocamos nós também hoje: «Que havemos nós de fazer para realizar as obras de Deus?» (Jo 6, 28). Conhecemos a resposta de Jesus: «A obra de Deus é esta: crer n’Aquele que Ele enviou» (Jo6, 29). Por isso, crer em Jesus Cristo é o caminho para se poder chegar definitivamente à salvação.

4. À luz de tudo isto, decidi proclamar um Ano da Fé. Este terá início a 11 de Outubro de 2012, no cinquentenário da abertura do Concílio Vaticano II, e terminará na Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo Rei do Universo, a 24 de Novembro de 2013. Na referida data de 11 de Outubro de 2012, completar-se-ão também vinte anos da publicação do Catecismo da Igreja Católica, texto promulgado pelo meu Predecessor, o Beato Papa João Paulo II,[3] com o objectivo de ilustrar a todos os fiéis a força e a beleza da fé. Esta obra, verdadeiro fruto do Concílio Vaticano II, foi desejada pelo Sínodo Extraordinário dos Bispos de 1985 como instrumento ao serviço da catequese[4] e foi realizado com a colaboração de todo o episcopado da Igreja Católica. E uma Assembleia Geral do Sínodo dos Bispos foi convocada por mim, precisamente para o mês de Outubro de 2012, tendo por tema A nova evangelização para a transmissão da fé cristã. Será uma ocasião propícia para introduzir o complexo eclesial inteiro num tempo de particular reflexão e redescoberta da fé. Não é a primeira vez que a Igreja é chamada a celebrar um Ano da Fé. O meu venerado Predecessor, o Servo de Deus Paulo VI, proclamou um ano semelhante, em 1967, para comemorar o martírio dos apóstolos Pedro e Paulo no décimo nono centenário do seu supremo testemunho. Idealizou-o como um momento solene, para que houvesse, em toda a Igreja, «uma autêntica e sincera profissão da mesma fé»; quis ainda que esta fosse confirmada de maneira «individual e colectiva, livre e consciente, interior e exterior, humilde e franca».[5] Pensava que a Igreja poderia assim retomar «exacta consciência da sua fé para a reavivar, purificar, confirmar, confessar».[6] As grandes convulsões, que se verificaram naquele Ano, tornaram ainda mais evidente a necessidade duma tal celebração. Esta terminou com a Profissão de Fé do Povo de Deus,[7] para atestar como os conteúdos essenciais, que há séculos constituem o património de todos os crentes, necessitam de ser confirmados, compreendidos e aprofundados de maneira sempre nova para se dar testemunho coerente deles em condições históricas diversas das do passado.

5. Sob alguns aspectos, o meu venerado Predecessor viu este Ano como uma «consequência e exigência pós-conciliar»[8], bem ciente das graves dificuldades daquele tempo sobretudo no que se referia à profissão da verdadeira fé e da sua recta interpretação. Pareceu-me que fazer coincidir o início do Ano da Fé com o cinquentenário da abertura do Concílio Vaticano II poderia ser uma ocasião propícia para compreender que os textos deixados em herança pelos Padres Conciliares, segundo as palavras do Beato João Paulo II, «não perdem o seu valor nem a sua beleza. É necessário fazê-los ler de forma tal que possam ser conhecidos e assimilados como textos qualificados e normativos do Magistério, no âmbito da Tradição da Igreja. Sinto hoje ainda mais intensamente o dever de indicar o Concílio como a grande graça de que beneficiou a Igreja no século XX: nele se encontra uma bússola segura para nos orientar no caminho do século que começa».[9] Quero aqui repetir com veemência as palavras que disse a propósito do Concílio poucos meses depois da minha eleição para Sucessor de Pedro: «Se o lermos e recebermos guiados por uma justa hermenêutica, o Concílio pode ser e tornar-se cada vez mais uma grande força para a renovação sempre necessária da Igreja».[10]

6. A renovação da Igreja realiza-se também através do testemunho prestado pela vida dos crentes: de facto, os cristãos são chamados a fazer brilhar, com a sua própria vida no mundo, a Palavra de verdade que o Senhor Jesus nos deixou. O próprio Concílio, na Constituição dogmática Lumen gentium, afirma: «Enquanto Cristo “santo, inocente, imaculado” (Heb 7, 26), não conheceu o pecado (cf. 2 Cor 5, 21), mas veio apenas expiar os pecados do povo (cf. Heb 2, 17), a Igreja, contendo pecadores no seu próprio seio, simultaneamente santa e sempre necessitada de purificação, exercita continuamente a penitência e a renovação. A Igreja “prossegue a sua peregrinação no meio das perseguições do mundo e das consolações de Deus”, anunciando a cruz e a morte do Senhor até que Ele venha (cf. 1 Cor 11, 26). Mas é robustecida pela força do Senhor ressuscitado, de modo a vencer, pela paciência e pela caridade, as suas aflições e dificuldades tanto internas como externas, e a revelar, velada mas fielmente, o seu mistério, até que por fim se manifeste em plena luz».[11]

Nesta perspectiva, o Ano da Fé é convite para uma autêntica e renovada conversão ao Senhor, único Salvador do mundo. No mistério da sua morte e ressurreição, Deus revelou plenamente o Amor que salva e chama os homens à conversão de vida por meio da remissão dos pecados (cf.Act 5, 31). Para o apóstolo Paulo, este amor introduz o homem numa vida nova: «Pelo Baptismo fomos sepultados com Ele na morte, para que, tal como Cristo foi ressuscitado de entre os mortos pela glória do Pai, também nós caminhemos numa vida nova» (Rm 6, 4). Em virtude da fé, esta vida nova plasma toda a existência humana segundo a novidade radical da ressurreição. Na medida da sua livre disponibilidade, os pensamentos e os afectos, a mentalidade e o comportamento do homem vão sendo pouco a pouco purificados e transformados, ao longo de um itinerário jamais completamente terminado nesta vida. A «fé, que actua pelo amor» (Gl 5, 6), torna-se um novo critério de entendimento e de acção, que muda toda a vida do homem (cf. Rm 12, 2; Cl 3, 9-10;Ef 4, 20-29; 2 Cor 5, 17).

7. «Caritas Christi urget nos – o amor de Cristo nos impele» (2 Cor 5, 14): é o amor de Cristo que enche os nossos corações e nos impele a evangelizar. Hoje, como outrora, Ele envia-nos pelas estradas do mundo para proclamar o seu Evangelho a todos os povos da terra (cf. Mt 28, 19). Com o seu amor, Jesus Cristo atrai a Si os homens de cada geração: em todo o tempo, Ele convoca a Igreja confiando-lhe o anúncio do Evangelho, com um mandato que é sempre novo. Por isso, também hoje é necessário um empenho eclesial mais convicto a favor duma nova evangelização, para descobrir de novo a alegria de crer e reencontrar o entusiasmo de comunicar a fé. Na descoberta diária do seu amor, ganha força e vigor o compromisso missionário dos crentes, que jamais pode faltar. Com efeito, a fé cresce quando é vivida como experiência de um amor recebido e é comunicada como experiência de graça e de alegria. A fé torna-nos fecundos, porque alarga o coração com a esperança e permite oferecer um testemunho que é capaz de gerar: de facto, abre o coração e a mente dos ouvintes para acolherem o convite do Senhor a aderir à sua Palavra a fim de se tornarem seus discípulos. Os crentes – atesta Santo Agostinho – «fortificam-se acreditando».[12] O Santo Bispo de Hipona tinha boas razões para falar assim. Como sabemos, a sua vida foi uma busca contínua da beleza da fé enquanto o seu coração não encontrou descanso em Deus.[13] Os seus numerosos escritos, onde se explica a importância de crer e a verdade da fé, permaneceram até aos nossos dias como um património de riqueza incomparável e consentem ainda que tantas pessoas à procura de Deus encontrem o justo percurso para chegar à «porta da fé».

Por conseguinte, só acreditando é que a fé cresce e se revigora; não há outra possibilidade de adquirir certeza sobre a própria vida, senão abandonar-se progressivamente nas mãos de um amor que se experimenta cada vez maior porque tem a sua origem em Deus.

8. Nesta feliz ocorrência, pretendo convidar os Irmãos Bispos de todo o mundo para que se unam ao Sucessor de Pedro, no tempo de graça espiritual que o Senhor nos oferece, a fim de comemorar o dom precioso da fé. Queremos celebrar este Ano de forma digna e fecunda. Deverá intensificar-se a reflexão sobre a fé, para ajudar todos os crentes em Cristo a tornarem mais consciente e revigorarem a sua adesão ao Evangelho, sobretudo num momento de profunda mudança como este que a humanidade está a viver. Teremos oportunidade de confessar a fé no Senhor Ressuscitado nas nossas catedrais e nas igrejas do mundo inteiro, nas nossas casas e no meio das nossas famílias, para que cada um sinta fortemente a exigência de conhecer melhor e de transmitir às gerações futuras a fé de sempre. Neste Ano, tanto as comunidades religiosas como as comunidades paroquiais e todas as realidades eclesiais, antigas e novas, encontrarão forma de fazer publicamente profissão do Credo.

9. Desejamos que este Ano suscite, em cada crente, o anseio de confessar a fé plenamente e com renovada convicção, com confiança e esperança. Será uma ocasião propícia também para intensificar a celebração da fé na liturgia, particularmente na Eucaristia, que é «a meta para a qual se encaminha a acção da Igreja e a fonte de onde promana toda a sua força».[14] Simultaneamente esperamos que o testemunho de vida dos crentes cresça na sua credibilidade. Descobrir novamente os conteúdos da fé professada, celebrada, vivida e rezada[15] e reflectir sobre o próprio acto com que se crê, é um compromisso que cada crente deve assumir, sobretudo nesteAno.

Não foi sem razão que, nos primeiros séculos, os cristãos eram obrigados a aprender de memória o Credo. É que este servia-lhes de oração diária, para não esquecerem o compromisso assumido com o Baptismo. Recorda-o, com palavras densas de significado, Santo Agostinho quando afirma numa homilia sobre a redditio symboli (a entrega do Credo): «O símbolo do santo mistério, que recebestes todos juntos e que hoje proferistes um a um, reúne as palavras sobre as quais está edificada com solidez a fé da Igreja, nossa Mãe, apoiada no alicerce seguro que é Cristo Senhor. E vós recebeste-lo e proferiste-lo, mas deveis tê-lo sempre presente na mente e no coração, deveis repeti-lo nos vossos leitos, pensar nele nas praças e não o esquecer durante as refeições; e, mesmo quando o corpo dorme, o vosso coração continue de vigília por ele».[16]

10. Queria agora delinear um percurso que ajude a compreender de maneira mais profunda os conteúdos da fé e, juntamente com eles, também o acto pelo qual decidimos, com plena liberdade, entregar-nos totalmente a Deus. De facto, existe uma unidade profunda entre o acto com que se crê e os conteúdos a que damos o nosso assentimento. O apóstolo Paulo permite entrar dentro desta realidade quando escreve: «Acredita-se com o coração e, com a boca, faz-se a profissão de fé» (Rm 10, 10). O coração indica que o primeiro acto, pelo qual se chega à fé, é dom de Deus e acção da graça que age e transforma a pessoa até ao mais íntimo dela mesma.

A este respeito é muito eloquente o exemplo de Lídia. Narra São Lucas que o apóstolo Paulo, encontrando-se em Filipos, num sábado foi anunciar o Evangelho a algumas mulheres; entre elas, estava Lídia. «O Senhor abriu-lhe o coração para aderir ao que Paulo dizia» (Act 16, 14). O sentido contido na expressão é importante. São Lucas ensina que o conhecimento dos conteúdos que se deve acreditar não é suficiente, se depois o coração – autêntico sacrário da pessoa – não for aberto pela graça, que consente ter olhos para ver em profundidade e compreender que o que foi anunciado é a Palavra de Deus.

Por sua vez, o professar com a boca indica que a fé implica um testemunho e um compromisso públicos. O cristão não pode jamais pensar que o crer seja um facto privado. A fé é decidir estar com o Senhor, para viver com Ele. E este «estar com Ele» introduz na compreensão das razões pelas quais se acredita. A fé, precisamente porque é um acto da liberdade, exige também assumir a responsabilidade social daquilo que se acredita. No dia de Pentecostes, a Igreja manifesta, com toda a clareza, esta dimensão pública do crer e do anunciar sem temor a própria fé a toda a gente. É o dom do Espírito Santo que prepara para a missão e fortalece o nosso testemunho, tornando-o franco e corajoso.

A própria profissão da fé é um acto simultaneamente pessoal e comunitário. De facto, o primeiro sujeito da fé é a Igreja. É na fé da comunidade cristã que cada um recebe o Baptismo, sinal eficaz da entrada no povo dos crentes para obter a salvação. Como atesta o Catecismo da Igreja Católica, «“Eu creio”: é a fé da Igreja, professada pessoalmente por cada crente, principalmente por ocasião do Baptismo. “Nós cremos”: é a fé da Igreja, confessada pelos bispos reunidos em Concílio ou, de modo mais geral, pela assembleia litúrgica dos crentes. “Eu creio”: é também a Igreja, nossa Mãe, que responde a Deus pela sua fé e nos ensina a dizer: “Eu creio”, “Nós cremos”».[17]

Como se pode notar, o conhecimento dos conteúdos de fé é essencial para se dar o próprioassentimento, isto é, para aderir plenamente com a inteligência e a vontade a quanto é proposto pela Igreja. O conhecimento da fé introduz na totalidade do mistério salvífico revelado por Deus. Por isso, o assentimento prestado implica que, quando se acredita, se aceita livremente todo o mistério da fé, porque o garante da sua verdade é o próprio Deus, que Se revela e permite conhecer o seu mistério de amor.[18]

Por outro lado, não podemos esquecer que, no nosso contexto cultural, há muitas pessoas que, embora não reconhecendo em si mesmas o dom da fé, todavia vivem uma busca sincera do sentido último e da verdade definitiva acerca da sua existência e do mundo. Esta busca é um verdadeiro «preâmbulo» da fé, porque move as pessoas pela estrada que conduz ao mistério de Deus. De facto, a própria razão do homem traz inscrita em si mesma a exigência «daquilo que vale e permanece sempre».[19] Esta exigência constitui um convite permanente, inscrito indelevelmente no coração humano, para caminhar ao encontro d’Aquele que não teríamos procurado se Ele mesmo não tivesse já vindo ao nosso encontro.[20] É precisamente a este encontro que nos convida e abre plenamente a fé.

11. Para chegar a um conhecimento sistemático da fé, todos podem encontrar um subsídio precioso e indispensável no Catecismo da Igreja Católica. Este constitui um dos frutos mais importantes do Concílio Vaticano II. Na Constituição apostólica Fidei depositum – não sem razão assinada na passagem do trigésimo aniversário da abertura do Concílio Vaticano II – o Beato João Paulo II escrevia: «Este catecismo dará um contributo muito importante à obra de renovação de toda a vida eclesial (…). Declaro-o norma segura para o ensino da fé e, por isso, instrumento válido e legítimo ao serviço da comunhão eclesial».[21]

É precisamente nesta linha que o Ano da Fé deverá exprimir um esforço generalizado em prol da redescoberta e do estudo dos conteúdos fundamentais da fé, que têm no Catecismo da Igreja Católica a sua síntese sistemática e orgânica. Nele, de facto, sobressai a riqueza de doutrina que a Igreja acolheu, guardou e ofereceu durante os seus dois mil anos de história. Desde a Sagrada Escritura aos Padres da Igreja, desde os Mestres de teologia aos Santos que atravessaram os séculos, o Catecismo oferece uma memória permanente dos inúmeros modos em que a Igreja meditou sobre a fé e progrediu na doutrina para dar certeza aos crentes na sua vida de fé.

Na sua própria estrutura, o Catecismo da Igreja Católica apresenta o desenvolvimento da fé até chegar aos grandes temas da vida diária. Repassando as páginas, descobre-se que o que ali se apresenta não é uma teoria, mas o encontro com uma Pessoa que vive na Igreja. Na verdade, a seguir à profissão de fé, vem a explicação da vida sacramental, na qual Cristo está presente e operante, continuando a construir a sua Igreja. Sem a liturgia e os sacramentos, a profissão de fé não seria eficaz, porque faltaria a graça que sustenta o testemunho dos cristãos. Na mesma linha, a doutrina do Catecismo sobre a vida moral adquire todo o seu significado, se for colocada em relação com a fé, a liturgia e a oração.

12. Assim, no Ano em questão, o Catecismo da Igreja Católica poderá ser um verdadeiro instrumento de apoio da fé, sobretudo para quantos têm a peito a formação dos cristãos, tão determinante no nosso contexto cultural. Com tal finalidade, convidei a Congregação para a Doutrina da Fé a redigir, de comum acordo com os competentes Organismos da Santa Sé, umaNota, através da qual se ofereçam à Igreja e aos crentes algumas indicações para viver, nos moldes mais eficazes e apropriados, este Ano da Fé ao serviço do crer e do evangelizar.

De facto, em nossos dias mais do que no passado, a fé vê-se sujeita a uma série de interrogativos, que provêm duma diversa mentalidade que, hoje de uma forma particular, reduz o âmbito das certezas racionais ao das conquistas científicas e tecnológicas. Mas, a Igreja nunca teve medo de mostrar que não é possível haver qualquer conflito entre fé e ciência autêntica, porque ambas, embora por caminhos diferentes, tendem para a verdade.[22]

13. Será decisivo repassar, durante este Ano, a história da nossa fé, que faz ver o mistério insondável da santidade entrelaçada com o pecado. Enquanto a primeira põe em evidência a grande contribuição que homens e mulheres prestaram para o crescimento e o progresso da comunidade com o testemunho da sua vida, o segundo deve provocar em todos uma sincera e contínua obra de conversão para experimentar a misericórdia do Pai, que vem ao encontro de todos.

Ao longo deste tempo, manteremos o olhar fixo sobre Jesus Cristo, «autor e consumador da fé» (Heb 12, 2): n’Ele encontra plena realização toda a ânsia e anélito do coração humano. A alegria do amor, a resposta ao drama da tribulação e do sofrimento, a força do perdão face à ofensa recebida e a vitória da vida sobre o vazio da morte, tudo isto encontra plena realização no mistério da sua Encarnação, do seu fazer-Se homem, do partilhar connosco a fragilidade humana para a transformar com a força da sua ressurreição. N’Ele, morto e ressuscitado para a nossa salvação, encontram plena luz os exemplos de fé que marcaram estes dois mil anos da nossa história de salvação.

Pela fé, Maria acolheu a palavra do Anjo e acreditou no anúncio de que seria Mãe de Deus na obediência da sua dedicação (cf. Lc 1, 38). Ao visitar Isabel, elevou o seu cântico de louvor ao Altíssimo pelas maravilhas que realizava em quantos a Ele se confiavam (cf. Lc 1, 46-55). Com alegria e trepidação, deu à luz o seu Filho unigénito, mantendo intacta a sua virgindade (cf. Lc 2, 6-7). Confiando em José, seu Esposo, levou Jesus para o Egipto a fim de O salvar da perseguição de Herodes (cf. Mt 2, 13-15). Com a mesma fé, seguiu o Senhor na sua pregação e permaneceu a seu lado mesmo no Gólgota (cf. Jo 19, 25-27). Com fé, Maria saboreou os frutos da ressurreição de Jesus e, conservando no coração a memória de tudo (cf. Lc 2, 19.51), transmitiu-a aos Doze reunidos com Ela no Cenáculo para receberem o Espírito Santo (cf. Act 1, 14; 2, 1-4).

Pela fé, os Apóstolos deixaram tudo para seguir o Mestre (cf. Mc 10, 28). Acreditaram nas palavras com que Ele anunciava o Reino de Deus presente e realizado na sua Pessoa (cf. Lc 11, 20). Viveram em comunhão de vida com Jesus, que os instruía com a sua doutrina, deixando-lhes uma nova regra de vida pela qual haveriam de ser reconhecidos como seus discípulos depois da morte d’Ele (cf. Jo 13, 34-35). Pela fé, foram pelo mundo inteiro, obedecendo ao mandato de levar o Evangelho a toda a criatura (cf. Mc 16, 15) e, sem temor algum, anunciaram a todos a alegria da ressurreição, de que foram fiéis testemunhas.

Pela fé, os discípulos formaram a primeira comunidade reunida à volta do ensino dos Apóstolos, na oração, na celebração da Eucaristia, pondo em comum aquilo que possuíam para acudir às necessidades dos irmãos (cf. Act 2, 42-47).

Pela fé, os mártires deram a sua vida para testemunhar a verdade do Evangelho que os transformara, tornando-os capazes de chegar até ao dom maior do amor com o perdão dos seus próprios perseguidores.

Pela fé, homens e mulheres consagraram a sua vida a Cristo, deixando tudo para viver em simplicidade evangélica a obediência, a pobreza e a castidade, sinais concretos de quem aguarda o Senhor, que não tarda a vir. Pela fé, muitos cristãos se fizeram promotores de uma acção em prol da justiça, para tornar palpável a palavra do Senhor, que veio anunciar a libertação da opressão e um ano de graça para todos (cf. Lc 4, 18-19).

Pela fé, no decurso dos séculos, homens e mulheres de todas as idades, cujo nome está escrito no Livro da vida (cf. Ap 7, 9; 13, 8), confessaram a beleza de seguir o Senhor Jesus nos lugares onde eram chamados a dar testemunho do seu ser cristão: na família, na profissão, na vida pública, no exercício dos carismas e ministérios a que foram chamados.

Pela fé, vivemos também nós, reconhecendo o Senhor Jesus vivo e presente na nossa vida e na história.

14. O Ano da Fé será uma ocasião propícia também para intensificar o testemunho da caridade. Recorda São Paulo: «Agora permanecem estas três coisas: a fé, a esperança e a caridade; mas a maior de todas é a caridade» (1 Cor 13, 13). Com palavras ainda mais incisivas – que não cessam de empenhar os cristãos –, afirmava o apóstolo Tiago: «De que aproveita, irmãos, que alguém diga que tem fé, se não tiver obras de fé? Acaso essa fé poderá salvá-lo? Se um irmão ou uma irmã estiverem nus e precisarem de alimento quotidiano, e um de vós lhes disser: “Ide em paz, tratai de vos aquecer e de matar a fome”, mas não lhes dais o que é necessário ao corpo, de que lhes aproveitará? Assim também a fé: se ela não tiver obras, está completamente morta. Mais ainda! Poderá alguém alegar sensatamente: “Tu tens a fé, e eu tenho as obras; mostra-me então a tua fé sem obras, que eu, pelas minhas obras, te mostrarei a minha fé”» (Tg 2, 14-18).

A fé sem a caridade não dá fruto, e a caridade sem a fé seria um sentimento constantemente à mercê da dúvida. Fé e caridade reclamam-se mutuamente, de tal modo que uma consente à outra realizar o seu caminho. De facto, não poucos cristãos dedicam amorosamente a sua vida a quem vive sozinho, marginalizado ou excluído, considerando-o como o primeiro a quem atender e o mais importante a socorrer, porque é precisamente nele que se espelha o próprio rosto de Cristo. Em virtude da fé, podemos reconhecer naqueles que pedem o nosso amor o rosto do Senhor ressuscitado. «Sempre que fizestes isto a um dos meus irmãos mais pequeninos, a Mim mesmo o fizestes» (Mt 25, 40): estas palavras de Jesus são uma advertência que não se deve esquecer e um convite perene a devolvermos aquele amor com que Ele cuida de nós. É a fé que permite reconhecer Cristo, e é o seu próprio amor que impele a socorrê-Lo sempre que Se faz próximo nosso no caminho da vida. Sustentados pela fé, olhamos com esperança o nosso serviço no mundo, aguardando «novos céus e uma nova terra, onde habite a justiça» (2 Ped 3, 13; cf. Ap 21, 1).

15. Já no termo da sua vida, o apóstolo Paulo pede ao discípulo Timóteo que «procure a fé» (cf. 2 Tm 2, 22) com a mesma constância de quando era novo (cf. 2 Tm 3, 15). Sintamos este convite dirigido a cada um de nós, para que ninguém se torne indolente na fé. Esta é companheira de vida, que permite perceber, com um olhar sempre novo, as maravilhas que Deus realiza por nós. Solícita a identificar os sinais dos tempos no hoje da história, a fé obriga cada um de nós a tornar-se sinal vivo da presença do Ressuscitado no mundo. Aquilo de que o mundo tem hoje particular necessidade é o testemunho credível de quantos, iluminados na mente e no coração pela Palavra do Senhor, são capazes de abrir o coração e a mente de muitos outros ao desejo de Deus e da vida verdadeira, aquela que não tem fim.

Que «a Palavra do Senhor avance e seja glorificada» (2 Ts 3, 1)! Possa este Ano da Fé tornar cada vez mais firme a relação com Cristo Senhor, dado que só n’Ele temos a certeza para olhar o futuro e a garantia dum amor autêntico e duradouro. As seguintes palavras do apóstolo Pedro lançam um último jorro de luz sobre a fé: «É por isso que exultais de alegria, se bem que, por algum tempo, tenhais de andar aflitos por diversas provações; deste modo, a qualidade genuína da vossa fé – muito mais preciosa do que o ouro perecível, por certo também provado pelo fogo – será achada digna de louvor, de glória e de honra, na altura da manifestação de Jesus Cristo. Sem O terdes visto, vós O amais; sem O ver ainda, credes n’Ele e vos alegrais com uma alegria indescritível e irradiante, alcançando assim a meta da vossa fé: a salvação das almas» (1 Ped 1, 6-9). A vida dos cristãos conhece a experiência da alegria e a do sofrimento. Quantos Santos viveram na solidão! Quantos crentes, mesmo em nossos dias, provados pelo silêncio de Deus, cuja voz consoladora queriam ouvir! As provas da vida, ao mesmo tempo que permitem compreender o mistério da Cruz e participar nos sofrimentos de Cristo (cf. Cl 1, 24) , são prelúdio da alegria e da esperança a que a fé conduz: «Quando sou fraco, então é que sou forte» (2 Cor 12, 10). Com firme certeza, acreditamos que o Senhor Jesus derrotou o mal e a morte. Com esta confiança segura, confiamo-nos a Ele: Ele, presente no meio de nós, vence o poder do maligno (cf. Lc 11, 20); e a Igreja, comunidade visível da sua misericórdia, permanece n’Ele como sinal da reconciliação definitiva com o Pai.

À Mãe de Deus, proclamada «feliz porque acreditou» (cf. Lc 1, 45), confiamos este tempo de graça.

Dado em Roma, junto de São Pedro, no dia 11 de Outubro do ano 2011, sétimo de Pontificado.

BENEDICTUS PP. XVI


[1] Homilia no início do ministério petrino do Bispo de Roma (24 de Abril de 2005): AAS 97 (2005), 710.

[2] Cf. Bento XVI, Homilia da Santa Missa no Terreiro do Paço (Lisboa – 11 de Maio de 2010): L’Osservatore Romano (ed. port. de 15/V/2010), 3.

[3] Cf. João Paulo II, Const. ap. Fidei depositum (11 de Outubro de 1992): AAS 86 (1994), 113-118.

[4] Cf. Relação final do Sínodo Extraordinário dos Bispos (7 de Dezembro de 1985), II, B, a, 4: L’Osservatore Romano (ed. port. de 22/XII/1985), 650.

[5] Paulo VI, Exort. ap. Petrum et Paulum Apostolos, no XIX centenário do martírio dos Apóstolos São Pedro e São Paulo (22 de Fevereiro de 1967): AAS 59 (1967), 196.

[6] Ibid.: o.c., 198.

[7] Paulo VI, Profissão Solene de Fé, Homilia durante a Concelebração por ocasião do XIX centenário do martírio dos Apóstolos São Pedro e São Paulo, no encerramento do «Ano da Fé»(30 de Junho de 1968): AAS 60 (1968), 433-445.

[8] Paulo VI, Audiência Geral (14 de Junho de 1967): Insegnamenti, V (1967), 801.

[9] João Paulo II, Carta ap. Novo millennio ineunte (6 de Janeiro de 2001), 57: AAS 93 (2001), 308.

[10] Discurso à Cúria Romana (22 de Dezembro de 2005): AAS 98 (2006), 52.

[11] Conc. Ecum. Vat. II, Const. dogm. sobre a Igreja Lumen gentium, 8.

[12] De utilitate credendi, 1, 2.

[13] Cf. Confissões, 1, 1.

[14] Conc. Ecum. Vat. II, Const. sobre a Sagrada Liturgia Sacrosanctum Concilium, 10.

[15] Cf. João Paulo II, Const. ap. Fidei depositum (11 de Outubro de 1992): AAS 86 (1994), 116.

[16] Santo Agostinho, Sermo 215, 1.

[17] Catecismo da Igreja Católica, 167.

[18] Cf. Conc. Ecum. Vat. I, Const. dogm. sobre a fé católica Dei Filius, cap. III: DS 3008-3009; Conc. Ecum. Vat. II, Const. dogm. sobre a Revelação divina Dei Verbum, 5.

[19] Bento XVI, Discurso no «Collège des Bernardins» (Paris, 12 de Setembro de 2008): AAS100 (2008), 722.

[20] Cf. Santo Agostinho, Confissões, 13, 1.

[21] Const. ap. Fidei depositum (11 de Outubro de 1992): AAS 86 (1994), 115 e 117.

[22] Cf. João Paulo II, Carta enc. Fides et ratio (14 de Setembro de 1998), 34.106: AAS 91 (1999), 31-32.86-87.

FONTE: http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/motu_proprio/documents/hf_ben-xvi_motu-proprio_20111011_porta-fidei_po.html

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A SANTÍSSIMA TRINDADE

por São Cesário de Arles (470-543), monge e bispo
Homilia 83

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«Abraão viu o Meu dia» (Jo 8, 56)

Onde exactamente teve lugar o encontro [de Abraão e dos três visitantes]? «Junto ao carvalho de Mambré», palavra que significa «visão» ou «perspicácia». Vede bem em que sítios o Senhor combina os Seus encontros! Pois não é verdade que as qualidades de perspicácia e clarividência de Abraão agradaram ao Senhor? Não tinha ele a pureza de coração para lhe ser possível ver a Deus? (cf. Mt 5,8). Em lugares assim, em corações assim, pode bem o Senhor reunir os Seus convivas!

No Evangelho, o Senhor refere aos hebreus este encontro, ao dizer-lhes: «Abraão, vosso pai, exultou pensando em ver o meu dia; viu-o e ficou feliz». «Viu-o», diz Ele, porque Abraão conseguiu reconhecer o Mistério da Santíssima Trindade. Viu o Pai, o Filho e o Espírito Santo nos dias da sua vida, e as três Pessoas no mesmo dia, uma vez que Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo são um só e o mesmo Deus. Com efeito, cada um deles é Deus na totalidade, e todos juntos também. Não será, pois, difícil discernir o Pai, o Filho e o Espírito Santo nas três medidas de farinha que Sara foi buscar para eles, sendo que há nelas unidade de substância.

Podemos, no entanto, apresentar Sara a outra luz, como figura da Igreja: neste caso, as três medidas de farinha seriam a fé, a esperança e a caridade. Com efeito, estas virtudes são os frutos da Igreja universal, e todos aqueles que as reunirem no coração podem ter a certeza de possuir nele a Santíssima Trindade.

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