SALVE, Ó CHEIA DE GRAÇA!

por São João Paulo II (1920-2005), Papa
Alocução 27/11/1983

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«Salvé, ó cheia de graça»

A alegria é uma componente fundamental do tempo sagrado que agora começa. O Advento é um tempo de vigilância, de oração, de conversão e de uma espera fervorosa e feliz. O motivo é claro: «O Senhor está perto» (Fil 4,5).

A primeira palavra dirigida a Maria no Novo Testamento é um convite feliz: «Salvé, ó cheia de graça!» (Lc 1,28) Esta saudação está ligada à vinda do Salvador. Maria é a primeira a quem é anunciada uma alegria que, seguidamente, será proclamada a todo o povo (Lc 2,10), e nela participa de uma forma e numa dimensão extraordinárias. Em Maria, a alegria do antigo Israel concentra-se e encontra a sua plenitude; nela, a felicidade dos tempos messiânicos irrompe irrevogavelmente. A alegria da Virgem Maria é, em particular, a alegria do «pequeno resto de» Israel (Is 10,20ss), dos pobres que esperam a salvação de Deus e que fazem a experiência da sua fidelidade.

Para que também nós participemos nesta festa, é necessário esperarmos com humildade e acolhermos o Salvador com confiança. «Desta maneira, os fiéis que procuram viver com a liturgia o espírito do Advento, ao considerarem o amor inefável com que a Virgem Mãe esperou o seu Filho, serão levados a tomá-la como modelo e a prepararem-se, também eles, para ir ao encontro do Salvador que vem, “bem vigilantes na oração e cheios de alegria”» (Paulo VI, Marialis cultus 4; Missal romano).

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A BONDADE DO SENHOR ENCHEU A TERRA INTEIRA

Comentário do dia por São Bernardo (1091-1153)
Monge cisterciense, Doutor da Igreja
6º sermão para o Advento

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Um dia, o Salvador virá restabelecer a força do nosso corpo, como diz o apóstolo Paulo: «Esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo. Ele transfigurará o nosso pobre corpo, conformando-o ao seu corpo glorioso» (Fil 3,20-21) […].

O Deus Sabaoth, o Senhor todo-poderoso, o Rei de glória, virá dos céus transformar estes nossos corpos, para os tornar semelhantes ao seu corpo glorioso. Que glória, que alegria, quando o Criador do universo, que sob tão humilde aparência Se tinha escondido ao vir resgatar-nos, aparecer em toda a sua glória e majestade […], diante de todos os olhares, para glorificar estes corpos de miséria! Quem se lembrará então da humildade da sua primeira aparição, quando O virmos descer na luz, precedido de anjos que arrebatarão do pó os nossos corpos ao som da trombeta, para seguidamente os levarem ao encontro de Cristo (1Tess 4,16ss)? […]

Que a nossa alma se alegre portanto, e que o nosso corpo repouse na esperança, enquanto aguarda o nosso Salvador e Senhor Jesus Cristo, que o há-de transformar para o tornar semelhante ao seu corpo de glória. Escreveu um profeta: «Se a minha alma tem sede de Ti, quanto não Te há-de desejar o meu corpo!» (Sl 62,2 Vulg.). A alma desse profeta pedia com todas as forças a primeira vinda do Salvador, que havia de vir resgatá-la; mas a sua carne pedia ainda mais vivamente a última vinda, em que será glorificada. Todos os nossos votos serão então cumpridos: a majestade do Senhor encherá a Terra inteira. Possa a misericórdia de Deus conduzir-nos a essa glória, a essa felicidade, a essa paz que ultrapassa tudo o que se pode imaginar (Fil 4,7) e que Nosso Senhor Jesus Cristo não permita que a nossa espera ardente no Salvador seja vã.

OFERECER UM SACRIFÍCIO A DEUS

São Pedro Crisólogo
(c. 406-450), Bispo de Ravena, Doutor da Igreja 
Sermão 108; PL 52, 499

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Oferecer um sacrifício a Deus

«Rogo-vos, pois, irmãos, pela misericórdia de Deus, que ofereçais o vosso corpo como hóstia viva, santa e agradável a Deus» (Rom 12,1).

Através deste pedido, o apóstolo Paulo ensina todos os homens a participarem no sacerdócio. […] O homem não procura no exterior o que vai oferecer a Deus, antes traz consigo e em si o que vai sacrificar a Deus para seu próprio bem. […] «Rogo-vos pela misericórdia de Deus.» Irmãos, este sacrifício é à imagem de Cristo, que imolou o seu corpo e ofereceu a sua vida pela vida do mundo. Na verdade, Ele fez do seu corpo um sacrifício vivo, Ele que vive ainda, após ter sido morto. Neste tão grande sacrifício, a morte é aniquilada, é conquistada pelo sacrifício. […] É por isso que os mártires nascem no momento da sua morte e começam a sua vida quando a terminam; vivem quando são mortos e brilham no céu quando, na terra, se pensa que morreram. […]

O profeta cantou:

«Não desejais sacrifícios nem oblações – abristes os meus ouvidos – não pedis holocaustos nem vítimas» (Sl 39,7).

Sê simultaneamente o sacrifício oferecido e aquele que o oferece a Deus. Não percas aquilo que o poder de Deus te ofereceu. Veste o manto da santidade. Toma o cinto de castidade. Que Cristo seja o véu da tua cabeça; a cruz, a protecção da tua testa que te dá perseverança. Conserva no teu coração o sacramento das Escrituras divinas. Que a tua oração arda sempre como incenso agradável a Deus. Toma «a espada do Espírito» (Ef 6,17); que o teu coração seja o altar onde poderás, sem temor, oferecer toda a tua pessoa e toda a tua vida. […]

Oferece a tua fé para punir a descrença; oferece o teu jejum para pôr fim à voracidade; oferece a tua castidade para que a sensualidade morra; sê fervoroso para que a maleficência acabe; faz obras de misericórdia para pôr fim à avareza; e, para suprimir a futilidade, oferece a tua santidade. Deste modo a tua vida tornar-se-á a tua oferenda, se ela não tiver sido ferida pelo pecado. O teu corpo vive, sim, vive, todas as vezes que, ao fazeres o mal morrer em ti, ofereceres a Deus virtudes vivas.

O ESPÍRITO MUNDANO E A INFIDELIDADE AO SENHOR

Deus nos salve do espírito mundano…

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O Papa Francisco na missa desta segunda-feira, 18/11/2013, na Casa de Santa Marta denunciou o espírito mundano que tudo negoceia e reafirmou que só o Senhor nos pode salvar do pensamento único globalizado.

Partindo da Leitura do Livro dos Macabeus o Santo Padre colocou a sua reflexão na raiz perversa da mundanidade. Os chefes do povo não queriam que Israel fosse isolada das outras nações e assim, abandonaram as suas próprias tradições para negociarem com o rei. Ou seja, não negoceiam os seus valores mas acabam por negociar aquilo que é ainda mais importante que é a sua fidelidade ao Senhor. E isto é uma contradição:

E esta é uma contradição: não negociamos os valores mas negociamos a fidelidade. E este é mesmo o fruto do demónio, do príncipe deste mundo, que nos faz avançar com o espírito da mundanidade. E depois acontecem as consequências. Tomaram os hábitos dos pagãos e mais à frente o rei prescreveu que em todo o seu reino fossem todos um só povo e cada um abandonasse as suas tradições. Não é a bela globalização da unidade de todas as nações em que estão unidas e cada uma tem as suas tradições, mas é a globalização da uniformidade hegemónica, é precisamente o pensamento único. E este pensamento unico é fruto da mundanidade.

E foi assim que o povo – continuou o Santo Padre – adequou-se às ordens do rei, aceitou o seu culto e profanou o sábado. Negociaram a sua fidelidade… Mas o Senhor Deus é fiel ao seu povo e salva-nos deste espírito de mundanidade:

Esta gente negociou a fidelidade ao seu Senhor; esta gente movida pelo espírito do mundo, negociou a própria identidade, negociou a pertença a um povo que Deus ama tanto, que Deus quer como seu povo.

Mas aquilo que nos consola é que perante a este caminho que faz o espírito do mundo, o príncipe deste mundo, o caminho de infidelidade… sempre está o Senhor que não pode renegar a si mesmo, o Fiel: Ele sempre nos espera, Ele ama-nos tanto, e Ele perdoa-nos quando nós, arrependidos por qualquer passo, por qualquer pequeno passo neste espírito de mundanidade, nós vamos ter com Ele, o Deus fiel perante o Seu povo que não é fiel. Com o espírito de filhos da Igreja rezemos ao Senhor para que com a Sua bondade, com a sua fidelidade nos salve deste espírito mundano que negoceia tudo; que nos proteja e nos faça andar para a frente, como fez caminhar o Seu povo no deserto, levando-o pela mão, como um pai leva o seu menino. Na mão do Senhor estamos seguros.

CONSTRUIR UMA TORRE

Por São Josemaría Escrivá de Balaguer (1902-1975) – Presbítero, Fundador
Homilia de 01/02/1960, in «Amigos de Deus», 65-66

Construir uma torre

Gostava de subir a uma torre [da catedral de Burgos com os meus filhos mais jovens] para que vissem de perto a pedra trabalhada das cumeeiras, um autêntico rendilhado de pedra, fruto de um trabalho paciente e custoso. Nessas conversas fazia-lhes notar que aquela maravilha não se via de baixo. E […] comentava: isto é o trabalho de Deus, a obra de Deus: acabar a tarefa pessoal com perfeição, com beleza, com o primor destas delicadas rendas de pedra. Compreendiam, perante essa realidade que entrava pelos olhos, que tudo isso era oração, um formoso diálogo com o Senhor. Aqueles que tinham gastado as suas energias nessa tarefa sabiam perfeitamente que, das ruas da cidade, ninguém veria nem apreciaria o resultado do seu esforço: era só para Deus. […]

Convencidos de que Deus Se encontra em toda a parte, nós cultivamos os campos louvando o Senhor, sulcamos os mares e trabalhamos em todas as outras nossas profissões cantando as suas misericórdias. Desta maneira, estamos unidos a Deus a todo o momento. […] Não esqueçais, contudo, que estais também na presença dos homens e que estes esperam de vós – de ti! – um testemunho cristão.

Por isso, na nossa ocupação profissional, temos de actuar de tal maneira, do ponto de vista humano, que não fiquemos envergonhados nem façamos corar quem nos conhece e nos ama; […] e não vos acontecerá como àquele homem da parábola que se propôs edificar uma torre: depois de lançar os alicerces, não podendo concluí-la, começaram todos os que a viram a zombar dele, dizendo:

«Este começou a construir e não pôde chegar ao fim.»

Garanto-vos que, se não perderdes a visão sobrenatural, poreis o coroamento na vossa tarefa, acabareis a vossa catedral.

O ORGULHO

Por Santo Agostinho (354-430)
Bispo de Hipona (Norte de África), Doutor da Igreja 
Discursos sobre os salmos, Sl 85, 2-3

amor e orgulho

«Ó Deus, tem piedade de mim, que sou pecador.»

«Inclinai, Senhor, os vossos ouvidos, respondei-me» (Sl 85,1).

O Senhor não inclina o ouvido para o rico, mas para o pobre e indigente, para o que é humilde e confessa as suas faltas, para o que implora misericórdia e não para o que se sente saciado, se engrandece, se auto-elogia como se nada lhe faltasse e diz:

«Dou-Te graças por não ser como este cobrador de impostos.»

Enquanto este fariseu rico exaltava os seus méritos, o pobre publicano confessava seus pecados. […]

Todos os que recusam o orgulho são pobres perante Deus e sabemos que Ele inclina o seu ouvido para os pobres e para os indigentes; para os que reconhecem que a sua esperança não pode assentar no ouro, nem no dinheiro, nem nesses bens que se possuem em abundância, mas temporariamente. […] Quando alguém despreza em si mesmo tudo aquilo que o orgulho inflama é um pobre de Deus. Deus inclina para ele o seu ouvido, porque conhece os sofrimentos do seu coração […]

Aprendei pois a ser pobres e indigentes, tendo ou não algum bem neste mundo. Pode encontrar-se um mendigo orgulhoso e um rico trespassado do sentimento da sua própria miséria. «Deus resiste aos orgulhosos», quer se cubram de seda ou de farrapos; «e concede a sua graça aos humildes» (Tg 4,6; Pr 3,34), possuam ou não bens deste mundo. Deus considera o interior: é isso que Ele pesa e examina; tu não vês a balança de Deus, mas Ele põe no prato da balança os teus sentimentos, os teus projectos, os teus pensamentos. […] Se ao teu redor ou em ti há alguma coisa que te leva à auto-suficiência, rejeita-a. Que Deus seja toda a tua segurança. Sê um pobre de Deus, para que Ele te preencha de Si mesmo.

HOMILIA DO PAPA NA JORNADA MARIANA

Homilia do Papa na Jornada Mariana – 13/10/2013

 

Homilia do Papa na Jornada Mariana - 13/10/2013

HOMILIA
Santa Missa na Jornada Mariana por ocasião do Ano da Fé
Praça São Pedro – Vaticano
Domingo, 13 de outubro de 2013

Boletim da Santa Sé

Recitamos no salmo: «Cantai ao Senhor um cântico novo, porque Ele fez maravilhas» (Sl 97, 1).

Encontramo-nos hoje diante duma das maravilhas do Senhor: Maria! Uma criatura humilde e frágil como nós, escolhida para ser Mãe de Deus, Mãe do seu Criador.

Precisamente olhando Maria à luz das Leituras que acabamos de escutar, queria refletir convosco sobre três realidades: a primeira, Deus surpreende-nos; a segunda, Deus pede-nos fidelidade; a terceira, Deus é a nossa força.

1. A primeira: Deus surpreende-nos. O caso de Naamã, comandante do exército do rei da Síria, é notável: para se curar da lepra, vai ter com o profeta de Deus, Eliseu, que não realiza ritos mágicos, nem lhe pede nada de extraordinário. Pede-lhe apenas para confiar em Deus e mergulhar na água do rio; e não dos grandes rios de Damasco, mas de um rio pequeno como o Jordão. É uma exigência que deixa Naamã perplexo e também surpreendido: Que Deus poderá ser este que pede uma coisa tão simples? A vontade primeira dele é retornar ao País, mas depois decide-se a fazê-lo, mergulha no Jordão e imediatamente fica curado (cf. 2Re 5,1-14). Vedes!? Deus surpreende-nos; é precisamente na pobreza, na fraqueza, na humildade que Ele Se manifesta e nos dá o seu amor que nos salva, cura, dá força. Pede somente que sigamos a sua palavra e tenhamos confiança n’Ele.

Esta é a experiência da Virgem Maria: perante o anúncio do Anjo, não esconde a sua admiração. Fica admirada ao ver que Deus, para Se fazer homem, escolheu precisamente a ela, jovem simples de Nazaré, que não vive nos palácios do poder e da riqueza, que não realizou feitos extraordinários, mas que está disponível a Deus, sabe confiar n’Ele, mesmo não entendendo tudo: «Eis a serva do Senhor, faça-se em Mim segundo a tua palavra» (Lc 1, 38). É a sua resposta. Deus surpreende-nos sempre, rompe os nossos esquemas, põe em crise os nossos projectos, e diz-nos: confia em Mim, não tenhas medo, deixa-te surpreender, sai de ti mesmo e segue-Me!

Hoje perguntemo-nos, todos, se temos medo daquilo que Deus me poderá pedir ou está pedindo. Deixo-me surpreender por Deus, como fez Maria, ou fecho-me nas minhas seguranças, seguranças materiais, seguranças intelectuais, seguranças ideológicas, seguranças dos meus projectos? Deixo verdadeiramente Deus entrar na minha vida? Como Lhe respondo?

2. Na passagem lida de São Paulo, ouvimos o Apóstolo dizer ao seu discípulo Timóteo: Lembra-te de Jesus Cristo; se perseverarmos com Ele, também com Ele reinaremos (cf. 2Tm 2,8-13). Aqui está o segundo ponto: lembrar-se sempre de Cristo, a memória de Jesus Cristo, e isto significa perseverar na fé. Deus surpreende-nos com o seu amor, mas pede fidelidade em segui-Lo. Podemos nos tornar “não fiéis”, mas Ele não pode; Ele é “o fiel” e pede-nos a mesma fidelidade. Pensemos quantas vezes já nos entusiasmámos por qualquer coisa, por uma iniciativa, por um compromisso, mas depois, ao surgirem os primeiros problemas, abandonámos. E, infelizmente, isto acontece também com as opções fundamentais, como a do matrimónio. É a dificuldade de ser constantes, de ser fiéis às decisões tomadas, aos compromissos assumidos. Muitas vezes é fácil dizer «sim», mas depois não se consegue repetir este «sim» todos os dias. Não se consegue ser fiéis.

Maria disse o seu «sim» a Deus, um «sim» que transtornou a sua vida humilde de Nazaré, mas não foi o único; antes, foi apenas o primeiro de muitos «sins» pronunciados no seu coração tanto nos seus momentos felizes, como nos dolorosos… muitos «sins» que culminaram no «sim» ao pé da Cruz. Estão aqui hoje muitas mães; pensai até onde chegou a fidelidade de Maria a Deus: ver o seu único Filho na Cruz. A mulher fiel, de pé, destruída por dentro, mas fiel e forte.

E eu me pergunto: sou um cristão “soluçante”, ou sou cristão sempre? Infelizmente, a cultura do provisório, do relativo penetra também na vivência da fé. Deus pede-nos para Lhe sermos fiéis, todos os dias, nas acções quotidianas; e acrescenta: mesmo se às vezes não Lhe somos fiéis, Ele é sempre fiel e, com a sua misericórdia, não se cansa de nos estender a mão para nos erguer e encorajar a retomar o caminho, a voltar para Ele e confessar-Lhe a nossa fraqueza a fim de que nos dê a sua força. E este é o caminho definitivo: sempre com o Senhor, mesmo com as nossas fraquezas, mesmo com os nossos pecados. Nunca podemos ir pela estrada do provisório. Isto nos destrói. A fé é a fidelidade definitiva, como a de Maria.

3. O último ponto: Deus é a nossa força. Penso nos dez leprosos do Evangelho curados por Jesus: vão ao seu encontro, param à distância e gritam: «Jesus, Mestre, tem compaixão de nós» (Lc 17, 13). Estão doentes, necessitados de serem amados, de terem força e procuram alguém que os cure. E Jesus responde, libertando-os a todos da sua doença. Causa estranheza, porém, o facto de ver que só regressa um para Lhe agradecer, louvando a Deus em alta voz. O próprio Jesus o sublinha: eram dez que gritaram para obter a cura, mas só um voltou para gritar em voz alta o seu obrigado a Deus e reconhecer que Ele é a nossa força. É preciso saber agradecer, saber louvar o Senhor pelo que faz por nós.

Vejamos Maria: depois da Anunciação, o primeiro gesto que ela realiza é um acto de caridade para com a sua parente idosa Isabel; e as primeiras palavras que profere são: «A minha alma enaltece o Senhor», ou seja, um cântico de louvor e agradecimento a Deus, não só pelo que fez n’Ela, mas também pela sua acção em toda a história da salvação. Tudo é dom d’Ele. Se conseguimos entender que tudo é dom de Deus, então quanta felicidade teremos no nosso coração! Tudo é dom d’Ele. Ele é a nossa força! Dizer obrigado parece tão fácil, e todavia é tão difícil! Quantas vezes dizemos obrigado em família? Esta é uma das palavras-chaves da convivência. “Com licença”, “perdão”, “obrigado”: se numa família se dizem estas três palavras, a família segue adiante. “Com licença”, “perdão”, “obrigado”. Quantas vezes dizemos “obrigado” junto da família? Quantas vezes dizemos obrigado a quem nos ajuda, vive perto de nós e nos acompanha na vida? Muitas vezes damos tudo isso como suposto! E o mesmo acontece com Deus. É fácil ir até ao Senhor para pedir alguma coisa, mas ir agradece-Lo… “Ah, isso é difícil”.

Continuando a Eucaristia, invocamos a intercessão de Maria, para que nos ajude a deixarmo-nos surpreender por Deus sem resistências, a sermos-Lhe fiéis todos os dias, a louvá-Lo e agradecer-Lhe porque Ele é a nossa força. Amen.

Papa confia a Maria "humanidade aflita e ferida pelo pecado"



No final da missa presidida na Praça São Pedro, após o discurso do Presidente do Pontifício Conselho para a Promoção da Nova Evangelização, o Papa fez o “ato de consagração” do mundo à Beata Virgem Maria de Fátima. A Imagem venerada na Capelinha das Aparições esteve pela terceira vez no Vaticano e retornou a Portugal logo após a missa.

Papa Francisco repetiu o gesto realizado por João Paulo II em 13 de maio de 1982, ou seja, a um ano do atentado sofrido na Praça São Pedro.

Beata Maria Virgem de Fátima,
com renovada gratidão pela tua presença materna
unimos a nossa voz àquela de todas as gerações
que te chamam beata.
Celebramos em ti as grandes obras de Deus,
que jamais se cansa de prostrar-se com misericórdia
sobre a humanidade, afligida pelo mal e ferida pelo pecado,
para curá-la e para salvá-la.
Acolhe com benevolência de Mãe
O ato de consagração que hoje fazemos com confiança,
diante desta tua imagem tão querida a nós.
Estamos certos de que cada um de nós é precioso aos teus olhos
e que nada é a ti estranho de tudo aquilo que habita em nossos corações.
Nos deixamos alcançar pelo teu dulcíssimo olhar
e recebemos o afago consolador do teu sorriso.
Protege a nossa vida entre os teus braços:
abençoa e reforça todo desejo de bem;
reaviva e alimenta a fé;
ampara e ilumina a esperança;
suscita e anima a caridade;
guia todos nós no caminho da santidade.
Ensina-nos o teu mesmo amor de predileção
Pelos pequenos e pelos pobres,
pelos excluídos e os sofredores,
pelos pecadores e os dispersos de coração:
reúne todos sob tua proteção
e os entrega ao teu Filho amado, o Senhor nosso Jesus.
Amém.
(CM/BF)