A ORAÇÃO DOS FILHOS DE DEUS

por Beata Teresa de Calcutá (1910-1997)
Fundadora das Irmãs Missionárias da Caridade – «No Greater Love»

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A oração dos filhos de Deus

Para ser fecunda, a oração deve vir do coração e poder tocar o coração de Deus. Vê como Jesus ensinou os seus discípulos a rezar. Cada vez que pronunciamos o «Pai Nosso», Deus, creio, põe o olhar nas suas próprias mãos, onde nos gravou: «Eis que Eu gravei a tua imagem na palma das minhas mãos» (Is 49, 16). Ele contempla as mãos e vê-nos nelas, bem aninhados. A bondade de Deus é maravilhosa!

Peçamos, rezemos o «Pai Nosso». Vivamo-lo, e seremos santos. Está tudo nessa oração: Deus, eu próprio, o meu próximo. Se eu perdoar, poderei ser santo, poderei rezar. Tudo procede de um coração humilde; com tal coração, saberemos amar a Deus, amar-nos a nós mesmos e amar o nosso próximo (Mt 22,37ss). Não há nada de complicado nisto, e no entanto nós complicamos tanto a nossa vida, agravando-a com tantos fardos. Só uma coisa conta: ser humilde e rezar. Quanto mais rezardes, melhor rezareis.

As crianças não têm dificuldade alguma em exprimir a sua inteligência cândida em termos simples que muito dizem. Não disse Jesus a Nicodemos que temos de voltar a ser como crianças pequenas (Jo 3,3)? Se rezarmos segundo o Evangelho, permitiremos que Cristo cresça em nós. Reza portanto com amor, à maneira das crianças, com o desejo ardente de muito amar, e de tornar amado aquele que não o é.

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A ORAÇÃO DE JESUS DIANTE DAS NOSSAS DIFICULDADES

Por Cardeal Joseph Ratzinger (Bento XVI, Papa de 2005 a 2013)
«O Deus de Jesus Cristo»
«Vendo-os cansados de remar, […] foi ter com eles de madrugada»

54Antonio Pereda  Museu of Fine Arts Budapest xvii

Os apóstolos atravessam o lago. Jesus está sozinho em terra, enquanto eles se esgotam a remar sem conseguirem avançar, porque o vento é contrário. Jesus ora e, na sua oração, vê-os a esforçarem-se e vem logo ao seu encontro. É claro que este texto está cheio de símbolos da Igreja: os apóstolos no mar lutando contra o vento, o Senhor ao pé do Pai. Mas o que é determinante é que, na sua oração, enquanto está «ao pé do Pai», Ele não está ausente; bem pelo contrário, ao rezar, vê-os. Quando Jesus está junto do Pai, está presente na Igreja. O problema da vinda final de Cristo é aqui aprofundado e transformado de modo trinitário: Jesus vê a Igreja no Pai e, pelo poder do Pai e pela força do seu diálogo com Ele, está presente junto dela. É justamente este diálogo com o Pai enquanto «está no monte» que O torna presente, e inversamente. A Igreja é, por assim dizer, objecto de conversa entre o Pai e o Filho, ou seja, está ancorada na vida trinitária.

A ORAÇÃO DE LOUVOR É DIFÍCIL, MAS DOA ALEGRIA

Cidade do Vaticano (RV) – É fácil rezar para pedir graças, mas mais difícil é a oração de louvor: foi o que disse o Papa Francisco na missa desta manhã, na Casa Santa Marta.

O Papa dedicou sua homilia à Carta aos Efésios, em que São Paulo eleva com alegria a sua bênção a Deus. Trata-se de uma oração de louvor – observou – uma oração “que nós não fazemos tão habitualmente, mas que, na verdade, é pura gratuidade:

Nós sabemos rezar muito bem quando pedimos coisas, ou mesmo quando agradecemos a Ele, mas a oração de louvor é um pouco mais difícil para nós: não é tão comum louvar o Senhor. E isso nós podemos sentir melhor quando fazemos memória das coisas que o Senhor fez na nossa vida: ‘Nele – em Cristo – nos escolheu antes da criação do mundo’. Bendito és tu, Senhor, porque me escolhestes! É a alegria de uma proximidade paterna e terna”.

“A oração de louvor nos leva a esta alegria, a sermos felizes diante do Senhor. Devemos nos esforçar para recuperá-la!” – exclamou Francisco – mas “o ponto de partida” é justamente “fazer memória” desta escolha: “o Senhor me escolheu antes da criação do mundo. Mas isso não se pode entender!”:

Não se pode entender e também não se pode imaginar: que o Senhor tenha me conhecido antes da criação do mundo, que o meu nome estava no coração do Senhor. Esta é a verdade! Esta é a revelação! Se não acreditamos nisso, não somos cristãos, hein! Talvez estejamos impregnados de uma religiosidade teísta, mas não cristã! O cristão é alguém que foi escolhido, eleito no coração de Deus antes da criação do mundo. Também este pensamento enche de alegria o nosso coração: eu sou eleito! E nos dá segurança”.

“O nosso nome – observou o Papa – está no coração de Deus, precisamente nas entranhas de Deus, como a criança está dentro de sua mãe. Esta é a nossa alegria de sermos eleitos”.

É algo – continuou – que não se pode entender sozinho com a cabeça. Nem mesmo só com o coração. Para entender isso, é necessário entrar no mistério de Jesus Cristo. O mistério do Seu Filho amado: “Ele derramou o seu sangue em abundância sobre nós, com toda a sabedoria e inteligência, dando-nos a conhecer o mistério da sua vontade’. E esta é uma terceira atitude: entrar no Mistério”:

“Quando nós celebramos a Eucaristia, entramos neste Mistério, que não se pode entender totalmente: o Senhor está vivo, está conosco, aqui, na sua glória, na sua plenitude e doa mais uma vez a sua vida por nós. Esta atitude de entrar no Mistério devemos aprender a cada dia. O cristão é uma mulher, é um homem, que se esforça para entrar no Mistério. O mistério não se pode controlar: é o Mistério! Eu entro”.

A oração de louvor – concluiu o Papa – é, portanto, antes de tudo “oração da alegria”, depois, “oração de memória”: ‘Mas o que o Senhor fez por mim! Com quanta ternura me acompanhou, como se abaixou; curvou-se como o pai se curva para a criança, para fazê-la caminhar’. E, enfim, a oração ao Espírito Santo que nos conceda a “graça de entrar no Mistério, especialmente quando celebramos a Eucaristia”.

DEUS NOS CONVIDA A REZAR COM INSISTÊNCIA

CIDADE DO VATICANO, 20 de Outubro de 2013 (Zenit.org) – ÂNGELUS:

ORAÇÃO

Queridos irmãos e irmãs,

No Evangelho de hoje, Jesus conta uma parábola sobre a necessidade de rezar sempre, sem se cansar. O personagem principal é uma viúva que, suplica ajuda a um juiz desonesto, para que lhe faça justiça. E Jesus conclui: se a viúva conseguiu convencer aquele juiz, vocês acham que Deus não nos ouve, se pedirmos com insistência? A expressão de Jesus é muito forte: “Por acaso não fará Deus justiça aos seus escolhidos, que estão clamando por ele dia e noite?(Lc 18,7).

“Clamar dia e noite" a Deus! Nos impressiona esta imagem da oração. Mas perguntemo-nos: por que Deus quer isso? Ele já não conhece as nossas necessidades? Que sentido tem "insistir" com Deus?

Esta é uma boa pergunta, que nos faz aprofundar um aspecto muito importante da fé: Deus nos convida a rezar com insistência não porque não sabe do que precisamos, ou porque não nos ouve. Pelo contrário, Ele ouve sempre e sabe tudo sobre nós, com amor. Em nossa caminhada diária, especialmente nas dificuldades, na luta contra o mal dentro e fora de nós, o Senhor não está longe, está do nosso lado; nós lutamos com Ele ao nosso lado, e a nossa arma é precisamente a oração, que nos faz sentir sua presença ao nosso lado, a sua misericórdia, a sua ajuda. Entretanto, a luta contra o mal é difícil e longa, exige paciência e resistência – como Moisés, que tinha que levantar os braços para fazer vencer o seu povo (cf. Ex 17,8-13). É assim: há uma luta para levar adiante todos os dias; mas Deus é nosso aliado, a fé nEle é a nossa força, e a oração é a expressão dessa fé. Por isso, Jesus nos garante a vitória, mas no final pergunta: " O Filho do homem quando vier, encontrará fé sobre a terra?" (Lc 18,08). Se apaga fé, a oração se apaga, e caminhamos nas trevas, nos perdemos no caminho da vida.

E assim, devemos aprender da viúva do Evangelho a rezar sempre, sem se cansar. Era notável esta viúva! Sabia lutar por seus filhos! E penso em tantas mulheres que lutam por sua família, que rezam, que não se cansam jamais. Uma recordação, hoje, todos nós, a essas mulheres que com o seu comportamtento nos dão um verdadeiro testemunho de fé, de coragem, um modelo de oração. Uma recordação a elas! Rezar sempre, mas não para convencer o Senhor com a força da palavras! Ele sabe melhor do que nós do que precisamos! A oração perseverante é ao invés a expressão de fé em um Deus que nos chama a lutar com ele, cada dia, cada momento, para vencer o mal com o bem.

A ORAÇÃO NA ARIDEZ

Por Wagner Dantas, com informações e adaptações do livro “Cristo minha vida”

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Quando concedo graças especiais e consolações com o fim de te aproximar mais de mim, ficas inundado de alegria e de desejo de me servir. Nada te parece difícil, nem penitência, nem jejuns, nem programa de oração.

Mas chega o momento de provar teu amor. Aos poucos retiro minhas consolações e então a aridez, a secura, o sentimento de ineficácia de tua oração toma conta de ti freqüentemente. Amas a mim ou as minhas consolações? Continuarás a rezar mesmo quando o gosto da oração desaparecer?

No estado de aridez quererias rezar como antes, mas falta a paz e a alegria de antes. Quererias concentrar tua atenção em mim e não o consegues. E por isso parecer-te-á que não estás rezando, que não estás fazendo nada a não ser perdendo tempo. E começarás a querer fazer qualquer outra coisa, como “atos forçados” de oração e quando estes também não trazem fruto prático, queres voltar à leitura, ao estudo ou à conversa com outrem. Poderás chegar mesmo a um profundo desgosto só em pensar na oração.

É uma prova pela qual quero conhecer se rezas porque é minha vontade, ou se porque rezando te sentes bem, devoto e tranqüilo.

Quando te provo desta forma, como tua oração se torna difícil e árida, sem gosto! Tua alma se arrasta dolorida e cansada, faminta e às vezes desejando morrer por amor de mim.

Queres contemplar a verdade, cantar meus louvores, agradecer e exprimir teu amor. E justamente porque me amas tanto, vendo quanto te amo, a dor em tua alma é como a de uma ferida aberta. Confia em mim. Estou formando tua oração. Tem confiança em mim. É o momento difícil. Persevera. Nestas ocasiões, quando parece que nada tens para me dar a não ser tua vontade árida e quando a ofereces com toda tua generosidade, ainda que dolorido, então és imensamente amado por mim. Na verdade estou te ajudando, observando-te com ansiedade, compadecido de teu sofrimento, desejoso de premiar-te, pronto para diminuir teu sofrimento no momento que parecer mais conveniente.

Nestas ocasiões precisas de paciência na oração, de ficar contente com o que te dou.

Se te sentires distraído e curioso por saber como estás rezando, simplesmente volta tua atenção com toda a tranqüilidade para a minha presença em ti.

Quão bem Francisco de Sales conhecia meu espírito, quando dizia: “Permanece na oração e quando as distrações sobrevêm, se podes, procura, delicadamente, afastá-las; se não podes, enfrenta-as com a melhor disposição e deixa que as moscas te perturbem quanto quiserem, enquanto estás falando com Deus. Ele não se preocupas com isto. Podes afugentá-las com um gesto delicado, mas sem agitação ou impaciência porque isto te perturbaria” (Carta de São Francisco de Sales a Santa Joana Francisca de Chantal).

E noutro lugar: “Alguém pode continuar na presença de Deus, não somente ouvindo-o, vendo-o ou falando com ele, mas também esperando que lhe apraza olhar para nós, falar conosco, ou que nós falemos com ele, ou mesmo não fazendo outra coisa a não ser simplesmente ficar onde lhe apraz que fiquemos e porque lhe apraz que fiquemos ali.” (Tratado do amor de Deus).

Remédios para aridez

– Viver com generosidade a vida espiritual. Não parar na aridez.
– Ser fiel na oração e no amor de Deus.
– Fazer a oração sempre e com amor. “Deus já me mostrou tanto o seu amor… Agora sou eu que vou dar a Ele um pouco do meu tempo e do meu amor.”
– Revisão da minha vida

ORAÇÃO DE SÃO PATRÍCIO

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Proteção de São Patrício

Hoje me levanto com poderosa força e invoco à Santíssima Trindade com trinitária fé professando a unidade do Criador e da criatura.

Hoje me levanto com a força do nascimento de Cristo graças a seu batismo, com a força de sua crucificação e morte, com a força de sua ressurreição e ascensão, com a força de seu retorno no dia do juízo.

Hoje me levanto com a força do amor do querubim, obediente ao anjos, a serviço dos arcanjos, na esperança da ressurreição para encontrar consolo com as orações dos patriarcas, as predições dos profetas, os ensinamentos dos apóstolos, a fé dos confessores, a inocência das santas virgens, os feitos dos homens de bens.

Hoje me levanto com a força dos céus: a luz do sol, o brilho da lua, o esplendor do fogo, a velocidade do trovão, a rapidez do vento, a profundidade dos mares, a permanência da terra, a firmeza da rocha.

Hoje me levanto com a força de Deus que me guia: sua grandeza que me apóia, sua sabedoria que me guia, seu olho que me cuida, seu ouvido que me escuta, sua palavra que me fala, sua mão que me defende, seu caminho para seguí-lo, seu escudo para proteger-me, sua eucaristia para livrar-me das armadilhas do demônio, da tentação dos vícios, daqueles que me desejam mal, longe ou perto, só ou acompanhado.

Invoco hoje todo estes poderes para que se levantem entre mim e estes males, contra todos os cruéis e infames poderes que desejam o mal para meu corpo e alma, contra as invocações dos falsos profetas, contra as nefastas leis da pagania, contra as falsas leis da heresia, contra as artes da idolatria, contra os feitiços de bruxas, quiromantes e feiticeiros, contra todo conhecimento que corrompa o corpo e a alma.

Cristo que me proteja hoje contra o veneno, contra o fogo, contra morrer afogado, ser ferido para que assim venha a mim abundante consolo.

Cristo comigo,

Cristo à minha frente,

Cristo atrás de mim,

Cristo em mim,

Cristo abaixo de mim,

Cristo sobre mim,

Cristo a minha direita,

Cristo a minha esquerda,

Cristo quando durmo,

Cristo quando descanso,

Cristo quando me levanto,

Cristo no coração de todo homem que pense em mim,

Cristo na boca de quem fale de mim,

Cristo em todos os olhos que me vêem,

Cristo em todo ouvido que me ouve.

Hoje me levanto com poderosa força e invoco à Santíssima Trindade com trinitária fé professando a unidade do Criador e da criatura. Amém!
Gloria ao Pai, ao Filho e ao Santo Espírito, como era no principio agora e sempre. Amém!

ORAI POR AQUELES QUE VOS PERSEGUEM

por Bem-aventurado Tito Brandsma
Mártir, carmelita holandês (1881-1942) – Convite ao heroísmo, na fé e no amor

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«Eu digo-vos: […] orai por aqueles que vos perseguem»

Muitas vezes ouvimos dizer que vivemos tempos maravilhosos, tempos de grandes homens. […] É compreensível que haja quem deseje que se erga um chefe forte e capaz. […] Essa espécie de neo-paganismo [o nazismo] considera toda a natureza como uma emanação do divino […]; acredita que há raças mais puras e mais nobres que outras. […] Daí vem o culto da raça e do sangue, o culto dos heróis do próprio povo.

Partindo de uma idéia tão errônea, essa maneira de ver pode conduzir a erros capitais. É triste ver quanto entusiasmo e quantos esforços são postos ao serviço dum tal ideal, falso e sem fundamento! Contudo, podemos aprender com o nosso inimigo. Com a sua filosofia mentirosa, podemos aprender a purificar o nosso próprio ideal e a melhora-lo; podemos aprender a desenvolver um grande amor por esse ideal, a suscitar um imenso entusiasmo e mesmo a disponibilidade para viver e morrer por ele; a fortalecer a coragem para o encarnar, em nós próprios e nos outros. […]

Quando falamos da vinda do Reino e quando rezamos para que ele venha, nunca pensamos numa discriminação com base na raça ou no sangue, mas na fraternidade de todos os homens, uma vez que todos os homens são nossos irmãos – sem excluir mesmo aqueles que nos odeiam e nos atacam -, em ligação estreita com Aquele que faz nascer o sol sobre os bons e sobre os maus (cf Mt 5,45).

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