MENSAGEM DO PAPA FRANCISCO PARA A QUARESMA 2014

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MENSAGEM

Mensagem do Papa Francisco para a Quaresma 2014
Terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Fez-Se pobre, para nos enriquecer com a sua pobreza (cf. 2 Cor 8,9)

Queridos irmãos e irmãs!

Por ocasião da Quaresma, ofereço-vos algumas reflexões com a esperança de que possam servir para o caminho pessoal e comunitário de conversão. Como motivo inspirador tomei a seguinte frase de São Paulo: « Conheceis bem a bondade de Nosso Senhor Jesus Cristo, que, sendo rico, Se fez pobre por vós, para vos enriquecer com a sua pobreza » (2 Cor 8,9). O Apóstolo escreve aos cristãos de Corinto encorajando-os a serem generosos na ajuda aos fiéis de Jerusalém que passam necessidade. A nós, cristãos de hoje, que nos dizem estas palavras de São Paulo? Que nos diz, hoje, a nós, o convite à pobreza, a uma vida pobre em sentido evangélico?

1. A graça de Cristo

Tais palavras dizem-nos, antes de mais nada, qual é o estilo de Deus. Deus não Se revela através dos meios do poder e da riqueza do mundo, mas com os da fragilidade e da pobreza: « sendo rico, Se fez pobre por vós ». Cristo, o Filho eterno de Deus, igual ao Pai em poder e glória, fez-Se pobre; desceu ao nosso meio, aproximou-Se de cada um de nós; despojou-Se, « esvaziou-Se », para Se tornar em tudo semelhante a nós (cf. Fil 2,7; Heb 4,15). A encarnação de Deus é um grande mistério. Mas, a razão de tudo isso é o amor divino: um amor que é graça, generosidade, desejo de proximidade, não hesitando em doar-Se e sacrificar-Se pelas suas amadas criaturas. A caridade, o amor é partilhar, em tudo, a sorte do amado. O amor torna semelhante, cria igualdade, abate os muros e as distâncias. Foi o que Deus fez connosco. Na realidade, Jesus « trabalhou com mãos humanas, pensou com uma inteligência humana, agiu com uma vontade humana, amou com um coração humano. Nascido da Virgem Maria, tornou-Se verdadeiramente um de nós, semelhante a nós em tudo, excepto no pecado » (ConC. ECum. Vat. II, Const. past. Gaudium et spes, 22).

A finalidade de Jesus Se fazer pobre não foi a pobreza em si mesma, mas – como diz São Paulo – « para vos enriquecer com a sua pobreza ». Não se trata dum jogo de palavras, duma frase sensacional. Pelo contrário, é uma síntese da lógica de Deus: a lógica do amor, a lógica da Encarnação e da Cruz. Deus não fez cair do alto a salvação sobre nós, como a esmola de quem dá parte do próprio supérfluo com piedade filantrópica. Não é assim o amor de Cristo! Quando Jesus desce às águas do Jordão e pede a João Baptista para O baptizar, não o faz porque tem necessidade de penitência, de conversão; mas fá-lo para se colocar no meio do povo necessitado de perdão, no meio de nós pecadores, e carregar sobre Si o peso dos nossos pecados. Este foi o caminho que Ele escolheu para nos consolar, salvar, libertar da nossa miséria. Faz impressão ouvir o Apóstolo dizer que fomos libertados, não por meio da riqueza de Cristo, mas por meio da sua pobreza. E todavia São Paulo conhece bem a « insondável riqueza de Cristo » (Ef 3,8), « herdeiro de todas as coisas » (Heb 1,2).

Em que consiste então esta pobreza com a qual Jesus nos liberta e torna ricos? É precisamente o seu modo de nos amar, o seu aproximar-Se de nós como fez o Bom Samaritano com o homem abandonado meio morto na berma da estrada (cf. Lc 10,25-37). Aquilo que nos dá verdadeira liberdade, verdadeira salvação e verdadeira felicidade é o seu amor de compaixão, de ternura e de partilha. A pobreza de Cristo, que nos enriquece, é Ele fazer-Se carne, tomar sobre Si as nossas fraquezas, os nossos pecados, comunicando-nos a misericórdia infinita de Deus. A pobreza de Cristo é a maior riqueza: Jesus é rico de confiança ilimitada em Deus Pai, confiando-Se a Ele em todo o momento, procurando sempre e apenas a sua vontade e a sua glória. É rico como o é uma criança que se sente amada e ama os seus pais, não duvidando um momento sequer do seu amor e da sua ternura. A riqueza de Jesus é Ele ser o Filho: a sua relação única com o Pai é a prerrogativa soberana deste Messias pobre. Quando Jesus nos convida a tomar sobre nós o seu « jugo suave » (cf. Mt 11,30), convida-nos a enriquecer-nos com esta sua « rica pobreza » e « pobre riqueza », a partilhar com Ele o seu Espírito filial e fraterno, a tornar-nos filhos no Filho, irmãos no Irmão Primogénito (cf. Rm 8,29).

Foi dito que a única verdadeira tristeza é não ser santos (Léon Bloy); poder-se-ia dizer também que só há uma verdadeira miséria: é não viver como filhos de Deus e irmãos de Cristo.

2. O nosso testemunho

Poderíamos pensar que este « caminho » da pobreza fora o de Jesus, mas não o nosso: nós, que viemos depois d’Ele, podemos salvar o mundo com meios humanos adequados. Isto não é verdade. Em cada época e lugar, Deus continua a salvar os homens e o mundo por meio da pobreza de Cristo, que Se faz pobre nos Sacramentos, na Palavra e na sua Igreja, que é um povo de pobres. A riqueza de Deus não pode passar através da nossa riqueza, mas sempre e apenas através da nossa pobreza, pessoal e comunitária, animada pelo Espírito de Cristo.

À imitação do nosso Mestre, nós, cristãos, somos chamados a ver as misérias dos irmãos, a tocá-las, a ocupar-nos delas e a trabalhar concretamente para as aliviar. A miséria não coincide com a pobreza; a miséria é a pobreza sem confiança, sem solidariedade, sem esperança. Podemos distinguir três tipos de miséria: a miséria material, a miséria moral e a miséria espiritual. A miséria material é a que habitualmente designamos por pobreza e atinge todos aqueles que vivem numa condição indigna da pessoa humana: privados dos direitos fundamentais e dos bens de primeira necessidade como o alimento, a água, as condições higiénicas, o trabalho, a possibilidade de progresso e de crescimento cultural. Perante esta miséria, a Igreja oferece o seu serviço, a sua diakonia, para ir ao encontro das necessidades e curar estas chagas que deturpam o rosto da humanidade. Nos pobres e nos últimos, vemos o rosto de Cristo; amando e ajudando os pobres, amamos e servimos Cristo. O nosso compromisso orienta-se também para fazer com que cessem no mundo as violações da dignidade humana, as discriminações e os abusos, que, em muitos casos, estão na origem da miséria. Quando o poder, o luxo e o dinheiro se tornam ídolos, acabam por se antepor à exigência duma distribuição equitativa das riquezas. Portanto, é necessário que as consciências se convertam à justiça, à igualdade, à sobriedade e à partilha.

Não menos preocupante é a miséria moral, que consiste em tornar-se escravo do vício e do pecado. Quantas famílias vivem na angústia, porque algum dos seus membros – frequentemente jovem – se deixou subjugar pelo álcool, pela droga, pelo jogo, pela pornografia! Quantas pessoas perderam o sentido da vida; sem perspectivas de futuro, perderam a esperança! E quantas pessoas se vêem constrangidas a tal miséria por condições sociais injustas, por falta de trabalho que as priva da dignidade de poderem trazer o pão para casa, por falta de igualdade nos direitos à educação e à saúde. Nestes casos, a miséria moral pode-se justamente chamar um suicídio incipiente. Esta forma de miséria, que é causa também de ruína económica, anda sempre associada com a miséria espiritual, que nos atinge quando nos afastamos de Deus e recusamos o seu amor. Se julgamos não ter necessidade de Deus, que em Cristo nos dá a mão, porque nos consideramos auto-suficientes, vamos a caminho da falência. O único que verdadeiramente salva e liberta é Deus.

O Evangelho é o verdadeiro antídoto contra a miséria espiritual: o cristão é chamado a levar a todo o ambiente o anúncio libertador de que existe o perdão do mal cometido, de que Deus é maior que o nosso pecado e nos ama gratuitamente e sempre, e de que estamos feitos para a comunhão e a vida eterna. O Senhor convida-nos a sermos jubilosos anunciadores desta mensagem de misericórdia e esperança. É bom experimentar a alegria de difundir esta boa nova, partilhar o tesouro que nos foi confiado para consolar os corações dilacerados e dar esperança a tantos irmãos e irmãs imersos na escuridão. Trata-se de seguir e imitar Jesus, que foi ao encontro dos pobres e dos pecadores como o pastor à procura da ovelha perdida, e fê-lo cheio de amor. Unidos a Ele, podemos corajosamente abrir novas vias de evangelização e promoção humana.

Queridos irmãos e irmãs, possa este tempo de Quaresma encontrar a Igreja inteira pronta e solícita para testemunhar, a quantos vivem na miséria material, moral e espiritual, a mensagem evangélica, que se resume no anúncio do amor do Pai misericordioso, pronto a abraçar em Cristo toda a pessoa. E poderemos fazê-lo na medida em que estivermos configurados com Cristo, que Se fez pobre e nos enriqueceu com a sua pobreza. A Quaresma é um tempo propício para o despojamento; e far-nos-á bem questionar-nos acerca do que nos podemos privar a fim de ajudar e enriquecer a outros com a nossa pobreza. Não esqueçamos que a verdadeira pobreza dói: não seria válido um despojamento sem esta dimensão penitencial. Desconfio da esmola que não custa nem dói.

Pedimos a graça do Espírito Santo que nos permita ser « tidos por pobres, nós que enriquecemos a muitos; por nada tendo e, no entanto, tudo possuindo » (2 Cor 6,10). Que Ele sustente estes nossos propósitos e reforce em nós a atenção e solicitude pela miséria humana, para nos tornarmos misericordiosos e agentes de misericórdia. Com estes votos, asseguro a minha oração para que cada crente e cada comunidade eclesial percorra frutuosamente o itinerário quaresmal, e peço-vos que rezeis por mim. Que o Senhor vos abençoe e Nossa Senhora vos guarde!

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O ESPÍRITO MUNDANO E A INFIDELIDADE AO SENHOR

Deus nos salve do espírito mundano…

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O Papa Francisco na missa desta segunda-feira, 18/11/2013, na Casa de Santa Marta denunciou o espírito mundano que tudo negoceia e reafirmou que só o Senhor nos pode salvar do pensamento único globalizado.

Partindo da Leitura do Livro dos Macabeus o Santo Padre colocou a sua reflexão na raiz perversa da mundanidade. Os chefes do povo não queriam que Israel fosse isolada das outras nações e assim, abandonaram as suas próprias tradições para negociarem com o rei. Ou seja, não negoceiam os seus valores mas acabam por negociar aquilo que é ainda mais importante que é a sua fidelidade ao Senhor. E isto é uma contradição:

E esta é uma contradição: não negociamos os valores mas negociamos a fidelidade. E este é mesmo o fruto do demónio, do príncipe deste mundo, que nos faz avançar com o espírito da mundanidade. E depois acontecem as consequências. Tomaram os hábitos dos pagãos e mais à frente o rei prescreveu que em todo o seu reino fossem todos um só povo e cada um abandonasse as suas tradições. Não é a bela globalização da unidade de todas as nações em que estão unidas e cada uma tem as suas tradições, mas é a globalização da uniformidade hegemónica, é precisamente o pensamento único. E este pensamento unico é fruto da mundanidade.

E foi assim que o povo – continuou o Santo Padre – adequou-se às ordens do rei, aceitou o seu culto e profanou o sábado. Negociaram a sua fidelidade… Mas o Senhor Deus é fiel ao seu povo e salva-nos deste espírito de mundanidade:

Esta gente negociou a fidelidade ao seu Senhor; esta gente movida pelo espírito do mundo, negociou a própria identidade, negociou a pertença a um povo que Deus ama tanto, que Deus quer como seu povo.

Mas aquilo que nos consola é que perante a este caminho que faz o espírito do mundo, o príncipe deste mundo, o caminho de infidelidade… sempre está o Senhor que não pode renegar a si mesmo, o Fiel: Ele sempre nos espera, Ele ama-nos tanto, e Ele perdoa-nos quando nós, arrependidos por qualquer passo, por qualquer pequeno passo neste espírito de mundanidade, nós vamos ter com Ele, o Deus fiel perante o Seu povo que não é fiel. Com o espírito de filhos da Igreja rezemos ao Senhor para que com a Sua bondade, com a sua fidelidade nos salve deste espírito mundano que negoceia tudo; que nos proteja e nos faça andar para a frente, como fez caminhar o Seu povo no deserto, levando-o pela mão, como um pai leva o seu menino. Na mão do Senhor estamos seguros.

A ESPERANÇA CRISTÃ

Papa fala da esperança cristã e pede fiéis longe do comodismo

Homilia do Papa – 29/10/2013

Santo Padre lembrou que esperança cristã não é otimismo, mas vai além disso

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Desde que foi eleito Papa, Francisco tem o costume de celebrar a Missa todas as manhãs na Casa Santa Marta, onde reside / Foto: Arquivo/Rádio Vaticano

A esperança cristã foi o tema da homilia do Papa Francisco nesta terça-feira, 29, na Casa Santa Marta. Afirmando que a esperança não é otimismo, mas uma ardente expectativa pela revelação do Filho de Deus, o Santo Padre defendeu que os cristãos devem se proteger de clericalismos e atitudes cômodas. Isso porque a esperança cristã é dinâmica e doa vida.

Francisco partiu das palavras de São Paulo na Primeira Leitura do dia para destacar a dimensão única da esperança cristã. Ele explicou que a esperança é segura, mas nem sempre é fácil entendê-la, o que pode fazer a pessoa confundir esperança com otimismo.

“A esperança não é um otimismo, não é aquela capacidade de olhar as coisas com bom ânimo e seguir adiante. Não, isso é otimismo, não esperança (…) Podemos dizer que a esperança é uma virtude, como diz São Paulo, ‘de uma ardente expectativa pela revelação do Filho de Deus’. Não é uma ‘ilusão’”.

Nesse sentido, o Pontífice explicou que ter esperança é justamente essa atitude de tensão para com a revelação, sendo mais que um otimismo. Remetendo aos primeiros cristãos, Francisco lembrou que estes a entendiam como uma âncora fixa na margem. E hoje o caminho é justamente caminhar para esta âncora.

“A mim vem a pergunta: onde estamos ancorados, cada um de nós? Estamos ancorados às margens daquele oceano distante ou em uma lagoa artificial que nós fizemos, com as nossas regras, os nossos comportamentos, os nossos horários, os nossos clericalismos, as nossas atitudes eclesiais? Estamos ancorados ali, tudo cômodo, seguro? Isto não é esperança”, disse.

Outro ícone que São Paulo dá à esperança é o do parto. Trata-se de uma espera dinâmica, que dá a vida. E embora não se veja a premissa do Espírito Santo, sabe-se que Ele trabalha, como um grão de mostarda, mas cheio de vida. Francisco diferenciou então o viver na esperança do viver como bons cristãos, apenas, e citou o exemplo de Maria.

“Penso em Maria, uma moça jovem, quando, depois que ela sentiu que era mãe mudou o seu comportamento e foi, ajudou e cantou aquele cântico de louvor. Quando uma mãe está grávida é mulher, mas não é nunca (somente) mulher: é mãe. E a esperança tem algo disto. Muda o nosso comportamento: somos nós, mas não somos nós; somos nós, mas procurando lá, ancorados lá”.

Ao final da homilia, o Sumo Pontífice dirigiu-se a um grupo de sacerdotes mexicanos que estavam presentes na Missa em ocasião dos 25 anos de ordenação.

“Peçam a Maria, Mãe da Esperança, que os vossos anos sejam de esperança, de viver como padres de esperança, doando esperança”.

O DEMÔNIO ESTÁ SEMPRE À ESPREITA…

Homilia do Santo Padre na missa na Casa Santa Marta – 11/10/2013

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No Evangelho podemos ler que Jesus expulsa os demónios e o Santo Padre apressa-se a contrariar aqueles, mesmo alguns padres, que definem como sendo uma cura de problemas psíquicos aquilo que Jesus faz com este milagre…

“Há alguns padres que quando lêem esta passagem do Evangelho, esta e outras, dizem: ‘Mas Jesus curou uma pessoa de uma doença psíquica.’ Mas que parte é que leram? É verdade que naquele tempo era possível confundir uma epilepsia com a possessão do demónio; mas também é verdade que havia o demónio! E nós não temos o direito de fazer tão simples a coisa, como que dizendo: ‘Todos estes não eram endemoniados, eram doentes psíquicos.’ Não! A presença do demónio está na primeira página da Bíblia e a Bíblia acaba também com a presença do demónio, com a vitória de Deus sobre o demónio.”

O Papa Francisco considerou que não devemos ser ingénuos e estar sempre vigilantes às investidas do maligno. Segundo o Santo Padre, se não guardamos o bem, aparece o mal que é mais forte do que nós. Apontou o nosso caminho cristão para lutar contra as tentações e especificou que existem três critérios para discenir a presença do mal nas nossas vidas: o primeiro critério é não confundir a verdade – Jesus luta contra o diabo. O segundo critério é que quem não é com Jesus é contra Jesus – não pode haver, portanto, atitudes pela metade. E o terceiro critério é a vigilância sobre o nosso coração, porque o demónio é astuto e nunca é expulso para sempre, pois só no último dia isso acontecerá!

O demónio está sempre à espreita e redobra as suas forças com as nossas fraquezas e debilidades, sobretudo, quando não estamos atentos. Por isso, o Papa Francisco afirmou que o demónio tem uma estratégia e reforçou o seu apelo à vigilância:

“A vigilância, porque a estratégia dele é aquela: ‘ Tu fizeste-te cristão, continua com a tua fé, eu deixo-te, deixo-te tranquilo. Mas depois quando tu estás habituado e não fazes tanta vigilância e sentes-te seguro, eu volto.’ O Evangelho de hoje começa com o demónio expulso e acaba com o demónio que volta! S. Pedro dizia : é como um leão feroz, que anda à nossa volta. E é assim, Mas, Padre, o senhor é bocado antiquado, está a assustar-nos com estas coisas… Nao, eu não! É o Evangelho! E isto não são mentiras , é a Palavra do Senhor!
Peçamos ao Senhor a graça de tomar a sério estas coisas. Ele veio lutar pela nossa salvação. Ele venceu o demónio! Por favor, não façamos negócios com o demónio! Ele tenta de voltar para casa e tomar de posse de nós… Não relativizar, vigiar! E sempre com Jesus!”

IGREJA: ESCUTAR, CAMINHAR JUNTOS E ANUNCIAR

Assis: Discurso do Papa ao clero, vida consagrada e conselho pastoral

Mas se pode ir às periferias somente se se leva a Palavra de Deus no coração e se caminha com a Igreja, como São Francisco. Caso contrário, levamos a nós mesmos, e não a Palavra de Deus e isto não é bom, não serve para ninguém! Não somos nós que salvamos o mundo: é o Senhor que o salva!

Visita a Assis – Íntegra

Assis: Discurso do Papa ao clero, vida consagrada e conselho pastoral
DISCURSO
Visita Pastoral a Assis
Encontro com o clero, pessoas de vida consagrada e membros dos conselhos pastorais da diocese
Catedral de São Rufino
Sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Boletim da Santa Sé
Tradução: Jéssica Marçal e Liliane Borges

Queridos irmãos e irmãs da Comunidade Diocesana, boa tarde

Agradeço-vos pelo acolhimento, sacerdotes, religiosos e religiosas, leigos empenhados nos conselhos pastorais! Quão necessários são os conselhos pastorais, um bispo não pode guiar a igreja sem o conselho pastoral, um padre não pode… isso é fundamental. Estamos na Catedral! Aqui se conserva a fonte batismal onde São Francisco e Santa Clara foram batizados, que naquele tempo se encontrava na Igreja de Santa Maria. A memória do Batismo é importante! O Batismo é o nosso nascimento como filhos da Mãe Igreja. Eu gostaria de fazer uma pergunta: quem de vocês sabe o dia de seu Batismo? Poucos hein! Agora o dever de casa: mamãe e pai, quando fui batizado? Um só Espírito, um só Batismo, na variedade dos carismas e dos ministérios. Que grande dom ser Igreja, fazer parte do Povo de Deus! Na harmonia, na comunhão das diversidades, que é obra do Espírito Santo, porque o Espírito Santo “ipse harmonia est”!

O Bispo é protetor desta harmonia. O Bispo é protetor desta harmonia. Por isto o Papa Bento quis que a atividade pastoral nas Basílicas papais franciscanas fossem integrada naquela diocesana. Porque ele deve fazer a harmonia, é seu dever e vocação e ele tem um dom especial para fazê-lo. Estou contente que estejam caminhando bem neste caminho, em benefício de todos, colaborando juntos com serenidade e vos encorajo a continuar. A visita pastoral que se concluiu daqui a pouco e o Sínodo diocesano que vocês estão para celebrar são momentos fortes de crescimento para esta Igreja, que Deus abençoou de modo particular. A igreja cresce não para fazer proselitismo. A igreja cresce por atração. A atração que cada um de nós dá ao povo de Deus.

Agora, brevemente, gostaria de destacar alguns aspectos da vossa vida de comunidade. Não quero dizer coisas novas para vocês, mas confirmar vocês naquelas mais importantes, que caracterizam o vosso caminho diocesano.

1. A primeira coisa é escutar a Palavra de Deus. A Igreja é isto: a comunidade, disse o bispo, que escuta com fé e com amor o Senhor que fala. O plano pastoral que vocês estão vivendo insiste propriamente nesta dimensão fundamental. É a Palavra de Deus que suscita a fé, que a alimenta, que a regenera. É a Palavra que toca os corações, que os converte a Deus e à sua lógica que é assim diferente da nossa; é a Palavra que renova continuamente as nossas comunidades…

Penso que todos podemos melhorar um pouco neste aspecto: transformar todos mais ouvintes da Palavra de Deus, para ser menos ricos de nossas palavras e mais ricos das suas Palavras. Penso no sacerdote, que tem a tarefa de pregar. Como pode pregar se primeiro não abriu o seu coração, se não escutou, no silêncio, com o coração? Fará uma homilia longa, a qual não se entende nada! Isso é pra vocês, hein! Penso nos pais e mães, que são os primeiros educadores: como podem educar se a sua consciência não estiver iluminada pela Palavra de Deus, se o seu modo de pensar e de agir não for guiado pela palavra, um  exemplo a dar para os filhos? Isso é importante, porque papai e mamãe lamentam, mas se não fizeram o seu dever… E penso nos catequistas, em todos os educadores: se o seu coração não estiver aquecido pela Palavra, como podem aquecer os corações dos outros, das crianças, dos jovens, dos adultos? Não basta ler as Sagradas Escrituras, é necessário escutar Jesus que fala nelas, é Jesus que fala na Escritura, é necessário ser antenas que recebem, sintonizadas na Palavra de Deus, para ser antenas que transmitem! Recebe-se e se transmite. É o Espírito de Deus que torna vivas as Sagradas Escrituras, que as faz compreender em profundidade, em seu sentido verdadeiro e pleno! Perguntemo-nos, uma pergunta para o Sínodo: que lugar tem a Palavra de Deus na minha vida, na vida de cada dia? Estou sintonizado com Deus ou com tantas palavras da moda ou comigo mesmo? Uma pergunta para cada um fazer.

2. O segundo aspecto é aquele do caminhar. É uma das palavras que prefiro quando penso no cristão e na Igreja. Mas para vocês há um sentido particular: vocês estão entrando no Sínodo diocesano, e fazer “sínodo” quer dizer caminhar junto. Penso que esta seja verdadeiramente a experiência mais bela que vivemos: fazer parte de um povo em caminho na história, junto com o seu Senhor, que caminha em meio a nós! Não somos isolados, não caminhamos sozinhos, mas somos parte do único rebanho de Cristo, que caminha junto.

Aqui penso ainda em vocês padres, e deixem-me que eu me coloque também junto com vocês. O que há de mais belo, para nós, se não caminhar com o nosso povo? É belo. Eu penso nestes padres que conhecem o nome das pessoas de sua paróquia, que vão encontrá-las. Como um que me dizia “eu conheço o cão de cada família”, que bonito, hein!  Eu o repito: caminhar com o nosso povo, às vezes adiante, às vezes em meio e às vezes atrás: adiante, para guiar a comunidade; em meio, para encorajá-la e apoiá-la; atrás, para tê-la unida para que ninguém fique atrás e também para que o povo tenha sucesso em encontrar novas vias pelo caminho, tenha o “sensus fidei”. O que há de mais belo? No Sínodo devemos saber também o que o Espírito diz aos leigos, ao povo, a todos.

Mas a coisa mais importante é caminhar junto, colaborando, ajudando-se; pedir desculpas, reconhecer os próprios erros e pedir perdão, mas também aceitar as desculpas dos outros, perdoando-os – quão importante é isto! Às vezes penso nos matrimônios, que depois de tantos anos terminam. A gente não se entende, nos distanciamos, talvez não souberam pedir desculpas a tempo, não souberam perdoar a tempo. Eu sempre, aos recém-casados, dou esse conselho: briguem quanto quiserem, se for necessário joguem os pratos, mas nunca terminem o dia sem fazer as pazes. Nunca! Se no matrimônio se aprende a dizer “desculpe, eu estava cansado”…. e retomar a vida no outro dia, esse é o segredo…Caminhar unidos, sem saltar para a frente, sem nostalgia do passado. E enquanto se caminha, se fala, nós nos conhecemos, contamos uns com os outros, se cresce no ser família. Aqui perguntamo-nos: como caminhamos? Como caminha a nossa realidade diocesana? Caminha junto? E o que faço eu para que essa caminhe verdadeiramente junto? Eu não gostaria de entrar aqui sobre as fofocas, mas vocês sabem que elas sempre dividem.

3. Então, escutar, caminhar e o terceiro aspecto é aquele missionário: anunciar até as periferias. Também isto tomei de vocês, dos vossos projetos pastorais. O bispo falou recentemente. Mas quero destacá-lo, também porque é um elemento que vivi muito tempo quando estava em Buenos Aires: a importância de sair para ir ao encontro do outro, nas periferias, que são lugares, mas, sobretudos, pessoas, situações de vida. Especialmente no caso da diocese que eu tinha antes de Buenos Aires, uma periferia que me fazia mal era encontrar em famílias de classe média crianças que não sabiam fazer sinal da cruz! Pergunto se nessa diocese tem alguma criança…essas são verdadeiras periferias, onde Deus não está.

Quais são as vossas periferias? Procuremos pensar. Perguntemo-nos quais são as periferias desta Diocese. Certamente, em um primeiro sentido, são as zonas da Diocese que são suscetíveis de estar no limite, fora dos feixes de luz dos holofotes. Mas são também pessoas, realidades humanas de fato marginalizadas, desprezadas. São pessoas que talvez se encontram fisicamente próximas ao “centro”, mas espiritualmente estão distantes.

Não tenham medo de sair e ir ao encontro destas pessoas, destas situações. Não se deixem bloquear pelos preconceitos, hábitos, rigidez mental ou pastoral, do famoso “se faz sempre assim!”. Mas se pode ir às periferias somente se se leva a Palavra de Deus no coração e se caminha com a Igreja, como São Francisco. Caso contrário, levamos a nós mesmos, e não a Palavra de Deus e isto não é bom, não serve para ninguém! Não somos nós que salvamos o mundo: é o Senhor que o salva!

Então, queridos amigos, eu não dei a vocês receitas novas. Não o fiz e não acreditem em quem diz que eu o fiz. Não existem. Mas encontrei no caminho da vossa Igreja aspectos belos e importantes que vão fazê-los crescer e quero confirmar vocês nestes. Escutar a Palavra, caminhar junto em fraternidade, anunciar o Evangelho nas periferias! O Senhor vos abençõe, Nossa Senhora vos proteja e São Francisco vos ajude todos a viver a alegria de ser discípulos do Senhor!

CARTA DO PAPA FRANCISCO (QUANDO AINDA ERA CARDEAL) SOBRE O CASAMENTO DE HOMOSSEXUAIS

Carta escrita pelo então cardeal Bergoglio para as irmãs carmelitas de Buenos Aires 22 de junio de 2010.

FAMÍLIA

Queridas imãs:

Escrevo estas linhas a cada uma de vocês que estão nos quatro Mosteiros de Buenos Aires. O povo argentino deverá enfrentar, nas próximas semanas, uma situação cujo resultado pode ferir gravemente a família. Trata-se do projeto de lei sobre o matrimônio de pessoas do mesmo sexo.

Aqui está em jogo a identidade e a sobrevivência da família: papai, mamãe e filhos. Está em jogo a vida de tantas crianças que serão discriminadas e de antemão privadas da maturação humana que Deus quis que se tivesse com um pai e uma mãe. Está em jogo um repulsa frontal à lei de Deus, gravada em nossos corações.

Recordo uma frase de santa Teresinha quando fala de sua enfermidade na infância. Disse que a inveja do demônio quis cobrar de sua família a entrada no Carmelo de sua irmã maior. Aqui também está a inveja do demônio, pela qual entrou o pecado no mundo, que maldosamente pretende destruir a imagem de Deus: homem e mulher que recebem o mandato de crescer, multiplicar-se e dominar a terra. Não sejamos ingênuos: não se trata de uma simples luta política; é a pretensão de destruir o plano de Deus. Não se trata de um mero projeto legislativo (isto é só um instrumento), ação de um “movimento” do pai da mentira [Jo 8,44] que pretende confundir e enganar os filhos de Deus.

Jesus nos disse que para defendermos deste acusador mentiroso, nos enviará o Espírito da Verdade. Hoje a Pátria, diante desta situação, necessita da assistência especial do Espírito Santo que ponha a luz da Verdade em meio às trevas do erro; necessita deste Advogado que nos defenda do encantamento de tantos sofismas com que se busca justificar este projeto de lei, e que confunde e engana inclusive a pessoas de boa vontade.

Por isso recorro a vocês e peço-lhes oração e sacrifício, as duas armas invencíveis que confessava ter Santa Teresinha. Clamem ao Senhor para que envie o seu Espírito aos Senadores que hão de dar seu voto. Que não o façam movidos pelo erro ou por situações de conjuntura, mas segundo o que a lei natural e a lei de Deus ensina. Peçam por eles, por suas famílias, que o Senhor os visite, os fortaleça e console. Peçam para que eles façam um grande bem à Pátria.

O projeto de lei será analisado no Senado depois de 13 de julho. Olhemos para São José. A Maria, ao Menino e peçamos com fervor que eles defendam a família argentina neste momento. Recordemos que Deus mesmo disse a seu povo em um momento de muita angústia: “esta guerra não é vossa, mas de Deus”. Que eles nos socorram, defendam e acompanhem nesta guerra de Deus.

Obrigado pelo que vocês farão nesta luta pela Pátria. E, por favor, peço-lhes também que rezem por mim. Que Jesus as abençoe e a Virgem Santa cuide de vocês.

Afetuosamente,
Card. Jorge Mario Bergoglio s.j., arcebispo de Buenos Aires

http://www.aicaold.com.ar/docs_blanco.php?id=463

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