ESPÍRITO SANTO, PARÁCLITO

por Santo António de Lisboa (c. 1195-1231)
Franciscano, Doutor da Igreja
Sermões para os domingos e as festas dos santos

ESPÍRITO SANTO

«Se Eu não for, o Paráclito não virá a vós; mas, se Eu for, Eu vo-Lo enviarei.»

O Espírito Santo é o sustento que nos reconforta no caminho para a pátria, é o vinho que nos alegra na tribulação, é o óleo que adoça as amarguras da vida. Faltava este triplo socorro aos apóstolos, que tinham a missão de ir pregar no mundo inteiro. Foi por isso que Jesus lhes enviou o Espírito Santo. E ficaram cheios dele – cheios, para que os espíritos impuros não pudessem ter qualquer acesso a eles: quando um copo está bem cheio, não se pode por mais nada dentro dele.

O Espírito Santo «vos ensinará» (Jo 16,13), para que saibais; Ele vos sugerirá, para que queirais. Pois Ele dá o saber e o querer; acrescentemos o nosso «poder», na medida das nossas forças, e seremos templos do Santo Espírito (1Cor 6,19).

PÔS-SE COM ELES A CAMINHO

Por Santo Agostinho (354-430), Bispo de Hipona (Norte de África), Doutor da Igreja
Sermão 235, 1-3; PL 38, 118-119

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«Pôs-Se com eles a caminho»

Depois da ressurreição, o Senhor Jesus encontrou no caminho dois dos Seus discípulos, que conversavam sobre o que tinha acontecido. Ao vê-los tão tristes, perguntou-lhes:

«Que palavras são essas que trocais entre vós, enquanto caminhais?»

Esta passagem do Evangelho traz-nos uma grande lição, se a soubermos compreender. Jesus aparece, mostra-Se aos discípulos e não é reconhecido. O Mestre põe-Se com eles a caminho, e é Ele próprio o caminho (Jo 14,6). Mas eles não estão ainda no verdadeiro caminho; quando Jesus os encontra, tinham perdido o caminho. Enquanto morava com eles, antes da Paixão, tinha-lhes predito tudo: os sofrimentos por que passaria, a Sua morte, a Sua ressurreição ao terceiro dia. Tudo lhes anunciara; mas a Sua morte fizera-os perder a memória […].

«Nós esperávamos que fosse Ele O que viria redimir Israel.»

Como, discípulos, vós esperáveis e agora já não esperais? Apesar de Cristo estar vivo, tendes em vós morta a esperança? Sim, Cristo está vivo. Mas Cristo vivo encontrou mortos os corações dos discípulos. Surge diante dos seus olhos, e eles não se apercebem; mostra-Se, e continua escondido deles. […] Caminha com eles e parece segui-los, e é Ele quem os conduz. Eles vêem-No mas não O reconhecem, «porque os seus olhos estavam impedidos de O reconhecer». […] A ausência do Senhor não é uma ausência. Crê apenas, e Aquele que não vês está contigo.

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CALENDÁRIO ECLESIÁSTICO (FESTAS FIXAS E MÓVEIS)

Fonte: http://blog.cancaonova.com/leandrocouto/calendario-eclesiastico/

INTRODUÇÃO

É o calendário oficial da Igreja Católica Apostólica Romana, sendo adotado, via de regra, em todos os países católicos e também em alguns protestantes. Ele é misto, sendo regulado tanto pelo ano solar como pelo lunar, dando origem às festas móveis.

CALENDÁRIO DAS FESTAS MÓVEIS

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Observações:

1) A Festa do Sagrado coração de Jesus Comemora-se sempre no 2º. Domingo após Pentecostes

2) * ”Paixão”, acima, refere-se à sexta feira que antecede a Páscoa. Não confundir com “Domingo da Paixão” (hoje o  5º. Domingo da Quaresma)  que é o Domingo que antecede Ramos.

POR QUÊ A IGREJA ESTABELECEU AS FESTAS MÓVEIS?

Nos tópicos seguintes iremos estudar por quê a Quarta-Feira de Cinzas e a  Páscoa não possuem data fixa de comemoração.

Todas as festas da Igreja que tem como ponto de referência a Páscoa, são denominadas festas móveis porque baseadas no calendário lunar (judaico) e adaptadas ao nosso calendário (gregoriano). Comecemos relembrando, em resumo, o significado da Páscoa Judaica e da Páscoa Cristã:

PASCOA JUDAICA (breve resumo) – No Antigo Testamento, sabemos que Moisés, sob a guia divina, tornou-se chefe do povo oprimido que encontrava-se sob o jugo dos egípcios, adversários do povo eleito, sob o comando do Faraó que usava de seus poderes terrenos para contrariar os planos divinos. Deus manifesta seu poder através de Moisés, mediante diversos sinais e castigos, mas o coração endurecido do Faraó não acena com nenhum sinal de arrependimento. Durante a libertação do povo guiado por Moisés, Deus institui a celebração da Páscoa através de Moisés e Aarão, mandando dizer a toda a assembléia de Israel que tomasse um cordeiro que deveria ser imolado em data determinada, devendo seu sangue ser tomado, posto sobre as duas ombreiras e sobre a verga da porta da casa. Deus disse ainda que naquela noite passaria através do Egito para exercer sua justiça, ferindo de morte os filhos primogênitos dos Egípcios, mas que passaria adiante das casas marcadas com o sangue do cordeiro. E Deus mandou seu Anjo, e assim foi feito.

“Conservareis a memória daquele dia, celebrando-o como uma festa em honra do Senhor: Fareis isto de geração em geração, pois é uma instituição perpétua” (Ex 12, 14)

Desta forma ficou instituída a a festa da Páscoa, comemorada até os dias atuais pelo povo judeu. O extermínio dos filhos dos egípcios testemunha que o povo eleito, libertado, terá que viver daí em diante, no temor de Deus e reconhecido o seu grande benfeitor. (Veja tudo sobre a instituição da Páscoa no Livro do Êxodo, cap. 12)

PÁSCOA CRISTÃ (breve esumo) – A instituição da Páscoa Cristã encontra-se na imolação de Cristo. Enquanto na primeira festa de Páscoa Deus liberta o povo da escravidão e proclama a sua Aliança com o povo de Israel, na segunda, o próprio Deus torna-se o Cordeiro Imolado para libertar o povo do jugo do pecado e do demônio. Desta vez, o Sangue de Jesus, do Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo, definitivamente liberta toda a humanidade com sua Paixão, Morte e Ressurreição.

“Purificai-vos do velho fermento, para que sejais massa nova, porque sois pães ázimos, porquanto Cristo, nossa Páscoa, foi imolado”. (I Cor 5, 7)

* * * * * * * * *

Recordando:  Memorizados os aspectos centrais da Páscoa Judaica e da Páscoa Cristã, recordemos que Jesus veio ao mundo em cumprimento das Escrituras e por Seu desígnio foi crucificado justamente no dia da preparação da festa da Páscoa, para que, a partir de sua Paixão, Morte e Ressureição fosse instituída a Nova Aliança. Para que fosse instituída a grande e solene Páscoa, como num reflexo pleno da primeira festa de Páscoa.

CONCLUINDO:

Como a festa da Páscoa Judaica, coincide exatamente com o dia da imolação de Cristo, estabeleceu-se já naquele momento, por desígnio de Deus, o dia 14 de Nisã (do calendário judaico ou hebraico), como data de referência à comemoração da Páscoa Cristã. (Encontro da Primeira com a Segunda Aliança)

Assim, a Páscoa judaica é sempre celebrada na 1ª. lua cheia da primavera do hemisfério norte, na noite de 14 para 15 de Nisã . A Páscoa Cristã ficou fixada como o 1ª Domingo posterior à referida 1ª lua cheia, ou seja, no primeiro domingo após a comemoração da Páscoa dos Judeus.

Como o calendário judaico é baseado nos ciclos da lua, explica-se os motivos da variação em nosso calendário, que é solar e por isso, para nós, o Domingo de Páscoa varia entre 22 de março e 25 de abril. Fixado, assim, a festa da Páscoa para determinado ano, todas as outras festas também se movem desde a septuagésima até Corpus Christi, conforme a tabela do início deste artigo.

Em síntese: É usado como referência não o nosso calendário, mas sim o  judaico. Fixada a data da Páscoa pelo calendário judaico, adaptamos tal data ao nosso para que a partir daí, possamos estabelecer as datas, desde a septuagésima até Corpus Christi, conforme da grade abaixo. Estabelecido o dia da Páscoa, aí sim, todas as outras festas móveis o acompanham.

O Carnaval apesar de ser uma festa pagã, também se move com o calendário eclesiástico e é sempre comemorado sete domingos antes do Domingo de Páscoa. As festas são permitidas até a quarta-feira de cinzas, quando inicia-se a Quaresma, tempo de 40 dias de jejum e abstinência em preparação à festa da Páscoa, ou seja, data que celebramos a Ressurreição de Cristo.

Festas Móveis – Tem por referência a Páscoa e são as seguintes:

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Obs: A Festa do Sagrado coração de Jesus Comemora-se sempre no 2º. Domingo após Pentecostes

PRINCIPAIS FESTAS FIXAS

Como o próprio nome sugere, “festas fixas” são aquelas cujas datas de comemoração não variam, permanecem sempre imutáveis conforme estabelece o Calendário Romano Geral. São tipificadas por festa ou solenidade. As demais comemorações que não pertençam à grade abaixo, por exemplo, de um santo padroeiro, são tipificadas em memória.

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RESSURREIÇÃO DE JESUS – Jo 20, 1-9

Evangelho do dia comentado por professores da Universidade de Navarra

Fonte: http://www.opusalegria.com.br/evangelho-do-dia/evangelho-do-dia-mes-de-abril-de-2012/

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08.04.2012 – Jo 20, 1-9

No primeiro dia da semana, vem Maria de Magdala, de manhãzinha, ainda escuro, ao túmulo e vê a pedra retirada do túmulo. 2Corre então e vai ter com Simão Pedro e com o outro discípulo aquele que Jesus amava. Tiraram o Senhor do Túmulo, lhes diz ela, e não sabemos onde O puseram. 3Pedro saiu com o outro discípulo e vieram ambos ao túmulo.

4Corriam os dois juntamente, mas o outro discípulo antecipou-se, correndo mais depressa do que Pedro, e chegou primeiro ao túmulo. 5Debruçando-se, viu as ligaduras no chão, mas não entrou. 6Entretanto, chega também Simão Pedro, que o vinha seguindo, e entrando no túmulo, põe-se a observar as ligaduras que estavam no chão, 7e o lençol que estivera sobre a cabeça de Jesus, não colocado no chão com as liga­duras, mas à parte, enrolado para outro sítio. 8Nessa altura, entrou também o outro discípulo, que chegara primeiro ao túmulo: então viu e acreditou. 9De fato, ainda não tinham entendido a Escritura, segundo a qual Ele deve ressuscitar dos mortos.

 

Comentário

1-2. Os quatro Evangelhos narram os primeiros tes­temunhos das santas mulheres e dos discípulos acerca da Ressurreição gloriosa de Cristo. Tais testemunhos refe­rem-se, num primeiro momento, à realidade do sepulcro vazio (cfr Mt 28,1-15; Mc 16,1 ss.; Lc 24,1-12). Depois rela­tarão diversas aparições de Jesus Ressuscitado.

Maria Madalena é uma das que assistiam o Senhor nas Suas viagens (Lc 8,1-3); junto com a Virgem Maria seguiu-O corajosamente até à Cruz (Ioh 19,25), e viu onde tinham depositado o Seu Corpo (Lc 23,55). Agora, uma vez passado o repouso obrigatório do Sábado, vai visitar o túmulo. No­temos o pormenor evangélico: «De manhãzinha, ainda es­curo»: o amor e a veneração fazem-na ir sem demora junto ao Corpo do Senhor.

4. O quarto Evangelho põe em realce que, ainda que fossem as mulheres, e em concreto Maria Madalena, as primeiras a chegar ao sepulcro, são os Apóstolos os pri­meiros a entrar e a perceber os pormenores externos que mostram que Cristo ressuscitou (o sepulcro vazio, os tecidos «caídos», o sudário à parte). Dar testemunho deste fato será ponto essencial da missão que lhes confiará Cristo: «Sereis Minhas testemunhas em Jerusalém… e até aos confins da terra» (Act 1,8; cfr Act 2,32).

5-7. João, que chegou antes — quiçá porque era mais jovem —, não entrou, por deferência para com Pedro. Isto insinua que já então Pedro era considerado como cabeça dos Apóstolos.

As palavras que emprega o Evangelista para descrever o que Pedro e ele viram no sepulcro vazio exprimem com vivo realismo a impressão que lhes causou o que ali encontraram, e como ficaram gravados na sua memória alguns porme­nores à primeira vista irrelevantes. As características que apresentava o sepulcro vazio foram até tal ponto significativas que os fizeram intuir de algum modo a Ressurreição do Senhor. Alguns termos que aparecem no relato necessitam de ser explicados; a simples tradução dificilmente pode exprimir todo o conteúdo.

«As ligaduras no chão»: O particípio grego que traduzimos por «caídas» ou «no chão» parece indicar que as ligaduras tinham ficado aplanadas, como vazias ao ressuscitar e desa­parecer dali o corpo de Jesus, como se Este tivesse saído dos tecidos e das ligaduras sem ser desenroladas, passando através delas (tal como entrou mais tarde no Cenáculo «estando fechadas as portas»). Por isso, os tecidos estavam «caídos», «planos»,«jacentes» segundo a tradução literal do grego, ao sair deles o Corpo de Jesus que os tinha mantido antes em forma avultada. Assim se compreende a admiração e a recordação indelével da testemunha. «O lençol… à parte, ainda enrolado para outro sítio»: A primeira observação é que o sudário, que tinha envolvido a cabeça, não estava em cima dos tecidos, mas ao lado. A se­gunda, mais surpreendente, é que, como os tecidos, conser­vava ainda a sua forma de envoltura, mas, de modo diferente daqueles, mantinha certa consistência de volume, à maneira de casquete, provavelmente devido ao endurecimento pro­duzido pelos unguentos. Tudo isso é o que parece indicar o correspondente particípio grego, que traduzimos por «en­rolado».

Destes pormenores na descrição do sepulcro vazio de­preende-se que o corpo de Jesus ressuscitou de maneira gloriosa, isto é, transcendendo as leis físicas. Não se tra­tava apenas da reanimação do corpo, como por exemplo, no caso de Lázaro, que necessitou de ser desligado das ligaduras e outros tecidos da mortalha para poder andar (cfr Ioh 11,44).

8-10. Como lhes tinha dito Maria Madalena, o Senhor não estava no sepulcro; mas os dois Apóstolos deram-se conta de que não podia tratar-se de um roubo, como ela supunha, pois viram que os tecidos e o sudário se encontravam colocados de um modo especial (cfr a nota a Ioh 20,5-7); ao vê-los assim começaram a compreender o que tantas vezes lhes tinha explicado o Mestre acerca da Sua Morte e Ressurreição (cfr Mt 16,21; Mc 8,31; Lc 9,22; etc.; cfr, além disso, as notas a Mt 12,39-40 e Lc 18,31-40).

O sepulcro vazio e os outros dados que o acompanham são sinais perceptíveis pelos sentidos; a Ressurreição, pelo contrário, ainda que possa ter efeitos comprováveis pela experiência, requer a fé para ser aceite. A Ressurreição de Cristo é um fato real e histórico: nova união do corpo e da alma de Jesus. Mas, sendo uma Ressurreição gloriosa — não como a de Lázaro—, que está muito acima do que pode­mos apreciar nesta vida, e supera, portanto, os limites da experiência sensível, requer-se uma ajuda especial de Deus — o dom da fé — para conhecer e aceitar com certeza este fato que, ao mesmo tempo que é histórico, é sobre­natural. Portanto, pode dizer-se com São Tomás de Aquino que «cada um dos argumentos de per si não bastaria para demonstrar a Ressurreição, mas, tomados em conjunto, manifestam-na suficientemente; sobretudo pelo testemunho da Sagrada Escritura (cfr especialmente Lc 24,25-27), pelo anúncio dos Anjos (cfr Lc 24,4-7) e pela palavra de Cristo confirmada com milagres» (cfr Ioh 3,13; Mt 16,21; 17,22; 20,18) (Suma Teológica, III, q.55, a. 6 ad 1).

Além das predições de Cristo acerca da Sua Paixão, Morte e Ressurreição (cfr Ioh 2,19; Mt 16,21; Mc 9,31; Lc 9,22), já no Antigo Testamento estava anunciado o triunfo glorioso do Messias e, de certo modo, a Sua Ressurreição (cfr Ps 16,9; Is 52,13; Os 6,2). Os Apóstolos começam a com­preender o verdadeiro sentido da Sagrada Escritura depois da Ressurreição do Senhor, e mais especialmente quando recebem o Espírito Santo, que ilumina plenamente as suas inteligências para compreender o conteúdo da Palavra de Deus. É de supor a surpresa e o alvoroço de todos os discí­pulos ao ouvir contar a Pedro e a João o que tinham visto no sepulcro.

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