MAS AFINAL, QUE NEGÓCIO É ESSE DE PECADO?

Pecado original, pessoal, venial, mortal, capital… O que é que tudo isso quer dizer?

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O que é o pecado?

O conceito de pecado é bastante simples: basicamente, o pecado é um ato de egoísmo exagerado. É preferir a si mesmo e antepor-se a Deus e aos outros, cedendo às paixões desordenadas que nos colocam no centro da nossa própria existência e negando a nossa natureza, que só se completa quando se abre ao próximo e a Deus. O pecado é a recusa a instaurar com Deus e com os outros uma relação de amor. O pecado é um “converter-se às criaturas” e “rejeitar o Criador”. Em geral, o pecador só deseja os prazeres proporcionados pelas criaturas, e não necessariamente quer rejeitar o Criador. No entanto, ao se deixar seduzir por satisfações fugazes proporcionadas pelas criaturas, o pecador sabe, implicitamente, que está agindo contra o amor do Criador, pois sente que o prazer terreno não o preenche e, mesmo assim, não resiste a ele.
 
É por isso que o pecado fere o próprio pecador, afastando-o da plenitude oferecida por Deus. E é por isso que o pecado ofende a Deus: não porque Deus, como Deus, seja diminuído, mas porque nós próprios, ao pecar, nos diminuímos diante da grandeza que Deus nos oferece.
 
Para Jesus, o pecado nasce no interior do homem (cf. Mt 15, 10-20). É por isso que é necessária a transformação interior, do coração. Para Jesus, o pecado é uma escravidão: o homem se deixa ficar em poder do maligno, valorizando falsamente as coisas deste mundo, deixando-se arrastar pelo imediato, por satisfações sensíveis que não saciam a nossa sede de amor e de plenitude.
 
Quais são os tipos de pecado?
 
1 – O pecado original é a herança que todos recebemos dos nossos primeiros pais, Adão e Eva: eles desconfiaram do amor de Deus Pai e cederam à tentação de deixá-lo de fora das suas escolhas pessoais. Como filhos de uma humanidade que perdeu a inocência, todos nós nascemos com a natureza caída de pecadores e precisamos da graça de Deus, mediante o sacramento do batismo, para purificar a nossa alma.
 
2 – O pecado atual ou pessoal é aquele que cometemos como indivíduos, voluntária e conscientemente. Pode ser cometido de quatro maneiras: com o pensamento, com as palavras, com as obras ou com as omissões. E pode ser contra Deus, contra o próximo ou contra nós mesmos. O pecado pessoal pode ser mortal ou venial:

2.1. O pecado venial ou leve é aquele que cometemos sem plena consciência ou sem pleno consentimento, ou então com plena consciência e consentimento, mas em matéria leve. 
  
2.2. O pecado mortal ou grave é aquele que envolve três fatores simultâneos: plena consciência, pleno consentimento e matéria grave.

O que é matéria grave e matéria leve?
 
A “matéria” é o “fato” pecaminoso em si. É gravequando fere seriamente qualquer um dos dez mandamentos. Alguns exemplos: negar a existência de Deus, ofender a Deus, ofender os pais, matar ou ferir gravemente qualquer pessoa, colocar a si próprio em grave risco de morte sem justa razão, cometer atos impuros, roubar objetos de valor, caluniar, cometer graves omissões no cumprimento do dever, causar escândalo ao próximo.
 
Já a matéria leve é aquela que não fere seriamente nenhum dos dez mandamentos, ainda que consista num ato contrário a algum deles. Por exemplo: roubar é pecado, mas a gravidade desse pecado tem graus diversos. Furtar dez centavos não costuma prejudicar consideravelmente a vítima do furto; já o furto ou roubo de uma quantia cuja perda prejudica a vítima de modo considerável passa a ser matéria grave. 
 
Quais são os efeitos do pecado?
 
O pecado mortal mata a vida da graça na alma, rompendo a relação vital com Deus; separa Deus da alma; faz com que percamos todos os méritos das coisas boas que fazemos; impede que a alma participe da eternidade com Deus. Como é perdoado o pecado mortal? Com uma boa confissão ou com um ato de contrição perfeito, unido ao propósito de confissar-se assim que for possível.
 
Quanto ao pecado venial, ele enfraquece o amor a Deus, vai esfriando a relação com Ele, priva a alma de muitas graças que ela receberia de Deus se não pecasse, facilita o pecado grave. Como se apaga o pecado venial? Com o arrependimento e boas obras, como orações, missas, comunhão e obras de misericórdia.
 
E os pecados capitais, onde é que entram?
 
Os pecados capitais requerem especial atenção porque são causa de outros pecados. Podem ser veniais ou mortais, dependendo das condições explicadas acima. Sempre, porém, são “cabeças” de novos pecados e é daí que vem o termo “capital”. São sete:
 
– Soberba: a estima exagerada de si mesmo e o desprezo pelos outros. 
– Avareza: o desejo desmesurado de dinheiro e de posses. 
– Luxúria: o apetite e uso desordenado do prazer sexual. 
– Ira: o impulso desordenado a reagir com raiva contra alguém ou algo. 
– Preguiça: a falta de vontade no cumprimento do dever e no uso do ócio. 
– Inveja: a tristeza pelo bem do próximo, considerado como mal próprio. 
– Gula: a busca excessiva do prazer pelos alimentos e pela bebida.

Há algum pecado que não pode ser perdoado?
 
Sim: o pecado contra o Espírito Santo (cf. Mt 12, 30-32). Em que ele consiste? Na atitude permanente de desafiar a graça divina; em fechar-se a Deus, em recusar a sua mensagem. Essa atitude impossibilita o arrependimento. E, como Deus respeita a nossa liberdade e o nosso livre arbítrio, Ele próprio se deixa obrigar por nós a não nos dar o seu perdão, que depende da nossa aceitação voluntária. O pecado contra o Espírito Santo pode se manifestar, por exemplo, no desespero da salvação, na presunção de se salvar sem mérito, na luta contra a verdade conhecida, na obstinação em permanecer no pecado, na impenitência final na hora da morte.
 
Então qualquer outro pecado, bastando querermos sinceramente, pode ser perdoado?
 
É claro! Deus quer tanto a nossa plena realização junto dele que não hesitou em morrer na cruz para nos redimir! Deus nos espera sempre de braços abertos como um Pai que se esquece de todas as nossas ingratidões, como Ele mesmo deixa claro na belíssimaparábola do filho pródigo (cf. Lc 15,11ss). Basta querermos de verdade o Seu abraço!

(Com extratos do livro “Jesus Cristo”, do pe. Antonio Rivero, LC)

Fonte: http://m.aleteia.org/pt/religiao/artigo/mas-afinal-que-negocio-e-esse-de-pecado-5798505964634112?page=2

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ATÉ OS ÍNDIOS PERCEBERAM, MUITOS DE NÓS AINDA NÃO…

(Trecho da entrevista Dom Fernando Arêas Rifan)

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A liturgia é algo sagrado. Portanto, algo que nos fala de Deus. É interessante que qualquer pessoa sabe disso. Uma das coisas mais tocantes da história do Brasil foi aquela passagem da carta de Pero Vaz de Caminha, quando ele narra a primeira Missa no Brasil. Ele conta que os portugueses chegaram, os padres formaram o altar, prepararam o órgão e começou a Santa Missa. Os índios foram chegando e começaram a imitar os gestos dos portugueses.

E quando veio ao Evangelho, que nos erguemos todos em pé, com as mãos levantadas, eles (os índios) se levantaram conosco e alçaram as mãos, ficando assim, até ser acabado: e então tornaram-se a assentar como nós… e em tal maneira sossegados, que, certifico a Vossa Alteza, nos fez muita devoção. (Carta de Caminha a El-Rei, 1º de maio de 1500).

Um detalhe interessante é que durante a Santa Missa chegou um outro grupo de índios. Um índio do primeiro grupo, que já estava ali, quando certamente interrogado por um índio do segundo grupo sobre o que estava acontecendo, apontou para a missa e apontou para o céu. Para mim este é o melhor comentário sobre a Santa Missa. Apontou para a Santa Missa e apontou para o céu: quer dizer, está-se passando a comunicação da terra com o Céu. Está-se fazendo uma coisa sagrada. Esse caráter sagrado é que a gente não pode deixar perder na liturgia…

(Trecho da entrevista Dom Fernando Arêas Rifan)

Pense nisso… Não vá à Santa Missa de qualquer jeito, disperso, mas abra-se totalmente à Graça. Um ótimo direcionamento é o silêncio já no caminho à Igreja. Silencie e coloque o calvário em sua mente!

Quando sair de lá, saciado pela Palavra e pelo Corpo de Cristo, viva concretamente o amor a Deus e aos homens!

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DESCRIÇÃO DA SANTA MISSA, NO SÉC. II

Descrição da Santa Missa na Igreja primitiva por São Justino, mártir

Nessa descrição datada da primeira metade do século segundo, se delineia os principais elementos da Santa Missa tal com a conhecemos hoje. Percebe-se já naquele tempo a primazia do Domingo sobre o Sábado como o dia mais solene para a Santa Missa, devido a Ressurreição de Cristo. Nesse texto de São Justino († ano 165) fica evidente o fervor eucarístico da Igreja nascente assim como o desejo de explicar os mistérios da Santa Missa para recém convertidos ou pessoas em vias de se converter.

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“Terminadas as orações, damos mutuamente o ósculo da paz. Apresenta-se, então, a quem preside aos irmãos, pão e um vaso de água e vinho, e ele tomando-os dá louvores e glória ao Pai do universo pelo nome de seu Filho e pelo Espírito Santo, e pronuncia uma longa ação de graças em razão dos dons que dele nos vêm. Quando o presidente termina as orações e a ação de graças, o povo presente aclama dizendo: Amém…

Uma vez dadas as graças e feita a aclamação pelo povo, os que entre nós se chamam diáconos oferecem a cada um dos assistentes parte do pão, do vinho, da água, sobre os quais se disse a ação de graças, e levam-na aos ausentes. Este alimento se chama entre nós Eucaristia, não sendo lícito participar dele senão ao que crê ser verdadeiro o que foi ensinado por nós e já se tiver lavado no banho [batismo] da remissão dos pecados e da regeneração, professando o que Cristo nos ensinou. Porque não tomamos estas coisas como pão e bebida comuns, mas da mesma forma que Jesus Cristo, nosso Senhor, se fez carne e sangue por nossa salvação, assim também se nos ensinou que por virtude da oração do Verbo, o alimento sobre o qual foi dita a ação de graças – alimento de que, por transformação, se nutrem nosso sangue e nossas carnes – é a carne e o sangue daquele mesmo Jesus encarnado.

E foi assim que os Apóstolos, nas Memórias por eles escritas, chamadas Evangelhos, nos transmitiram ter-lhe sido ordenado fazer, quando Jesus, tomando o pão e dando graças, disse: “Fazei isto em memória de mim, isto é o meu corpo”. E igualmente, tomando o cálice e dando graças, disse: “Este é o meu sangue”, o qual somente a eles deu a participar… No dia que se chama do Sol [domingo] celebra-se uma reunião dos que moram nas cidades e nos campos e alí se lêem, quanto o tempo permite, as Memórias dos Apóstolos ou os escritos dos profetas. Assim que o leitor termina, o presidente faz uma exortação e convite para imitarmos tais belos exemplos. Erguemo-nos, então, e elevamos em conjunto as nossas preces, após as quais se oferecem pão, vinho e água, como já dissemos. O presidente também, na medida de sua capacidade, faz elevar a Deus suas preces e ações de graças, respondendo todo o povo “Amém”.

Segue-se a distribuição a cada um, dos alimentos consagrados pela ação de graças, e seu envio aos doentes, por meio dos diáconos. Os que têm, e querem, dão o que lhes parece, conforme sua livre determinação, sendo a coleta entregue ao presidente, que assim auxilia os órfãos e viúvas, os enfermos, os pobres, os encarcerados, os forasteiros, constituíndo´se, numa palavra, o provedor de quantos se acham em necessidade.”

(Apologias, SÉC. II)

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A EUCARISTIA NOS UNE A CRISTO E N0S TRANSFORMA N’ELE

FONTE: Revista Arautos do Evangelho, Fev/2006, n. 50, p. 35 à 37)

Santíssimo Sacramento (adoração à Eucaristia pelos Anjos e pelos Santos)

O sacramento da Eucaristia, ao transformar-nos de certa maneira no próprio Cristo, nos encaminha para a felicidade eterna e nos faz pregustá-la já nesta terra. Este cativante tema é a seguir desenvolvido pelo douto dominicano Frei Ferdinand-Doratien Joret.

A união transformante, ápice da vida mística

A mais bela fórmula da via mística, plenamente vivida na união transformante, é esta:

"a alma vive em Deus e Deus vive na alma".

Pois bem, esta frase, repetida várias vezes nos escritos de São João Evangelista, nós a ouvimos pela primeira vez dos lábios do próprio Jesus, justamente quando nos prometeu a divina Eucaristia:

"Quem come minha Carne e bebe meu Sangue vive em Mim, e Eu nele" (Jo 6, 56).

Nosso Senhor disse então, a propósito da Eucaristia, o que Ele mesmo e seu discípulo amado, o qual fala sob sua inspiração, repetiram depois, tratando da vida da caridade e da ação do Espírito Santo nas almas.

Nós vivemos em Deus

"Quem permanece na caridade permanece em Deus, e Deus permanece nele" (1 Jo 4, 16). Permanece em Deus, pois a virtude da caridade é obra imediata do próprio Deus. É Ele, é seu Divino Espírito em pessoa que a expande em nossos corações. Ele a dá, esperando que ela suscite e regule seus atos. Toda alma em estado de caridade encontra-se, pois, fundamentada em Deus. Mais ainda, quando sua caridade se desabrocha em atos, torna-se como a vida de Deus comunicando-se ativamente à alma. Na realidade, ela mora em Deus e d’Ele recebe, como de sua própria fonte, a vida.

Deus permanece em nós

Nessa atividade, porém, regressa a alma ao seu princípio vital. A caridade mesma, ao se espraiar sob a ação do Espírito Santo, nos faz retornar ao próprio Deus, que vive em nós. Voltamo- nos para nós mesmos e abraçamos ali essa alma de nossa alma, que é o Espírito Santo e, pela capacidade sobrenatural da virtude da caridade, entramos no gozo desse divino objeto. Então Ele Se dá verdadeiramente a nós. Ele é o fim e, ao mesmo tempo, o princípio de nosso ato de amor. Estamos em Deus e Deus está em nós.

Já se encontrava Ele em nós antes de surgir em nós o amor, pelo simples fato de nos ter dado esse amor em potência e assim o possuirmos. É dessa forma que Deus reside na alma do recém-nascido e recém-batizado. Compreende- se, contudo, que essa residência em razão do amor habitual acaba por fazer-se atual e explícita, logo que praticamos um ato de amor a Deus. É aí que nos unimos a Deus e, em certo sentido, nos abraçamos a Ele.

Um novo progresso se realizará nessa vida quando essa união se torne consciente, como ocorre no estado místico. A alma terá a impressão de ser atraída por Deus, íntimo dela, à maneira de um ímã que atuasse sobre seu coração e mais ou menos sobre todas as suas demais faculdades, que se concentram e se recolhem n’Ele, num único anelo de amor. Chega até a ter a sensação de O tocar. Tal sentimento alcança sua plenitude e se torna contínuo no estado que Santa Teresa denomina "união transformante" ou "matrimônio divino", que é, nesta terra, a maior antecipação do Céu.

A meu juízo, estão certos os teólogos que consideram esse estado místico, cujas etapas percorremos muito abreviadamente, como um desenvolvimento normal da vida espiritual levada com naturalidade até as suas últimas fases. Mesmo opinando, como outros o fazem, que o estado místico está fora da normalidade da vida sobrenatural da graça, forçoso é reconhecer que a Eucaristia realiza de todos os modos uma união transformante muito real e sumamente profunda. A ninguém deve causar estranheza que particularmente na hora da Comunhão se experimente o estado místico; pois, nesse momento, tudo contribui para induzir a alma ao místico arrebatamento: um sinal sensível nos traz a presença corporal de Cristo, ao mesmo tempo que o Espírito de Deus estimula em nós a caridade, concentrando- a toda no amor extático.

Visto isso, vamos expor como, pela Comunhão, se produz na alma a união com Cristo e a transformação n’Ele.

União a Cristo pela Eucaristia

Nosso Senhor afirma essa união:

"Quem come minha Carne e bebe meu Sangue permanece em Mim, e Eu nele" (Jo 6,56).

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E após a instituição desse Sacramento, quando os Apóstolos experimentavam já a veracidade dessas palavras, Jesus falou outra vez, com insistência, dessa união:

"Permanecei em Mim e Eu permanecerei em vós. O ramo não pode dar fruto por si mesmo, se não permanecer na videira. Assim também vós: não podeis tampouco dar fruto, se não permanecerdes em Mim. Eu sou a videira; vós, os ramos. Quem permanece em Mim e Eu nele, esse dá muito fruto" (Jo 15, 4- 5).

Todo mundo conhece estes versículos. E como insiste Jesus na idéia: "Permanecei em Mim, permanecei em meu amor!"

A Eucaristia é o grande Sacramento da incorporação a Cristo. Todos os outros apenas encaminham e conduzem a ela.

É ela que realiza a união, o metabolismo da vida entre Cristo e seus membros, entre a videira e os ramos. Cristo, presente realmente nesta terra em todos os sacrários, faz sentir sua comunicação de vida a todos os seus membros, seja por meio dos demais Sacramentos, seja pelas outras graças multiformemente distribuídas às almas em todas as suas vias. Na Comunhão, porém, é Ele mesmo que a alma recebe e sobre quem ela se apóia diretamente, para extrair e tomar d’Ele toda a vida da graça e da caridade.

Aqui está a feliz conseqüência: essa caridade, já mais fervorosa, nos une mais intimamente, de forma tal que Ele mora em nós. É o segundo aspecto da união.

Depois do "vós em Mim", é o "Eu em vós". Meu Pai e Eu "viremos a ele e faremos nele nossa morada" (Jo 14, 23), disse Jesus a respeito de todo fiel que O ama nesta terra. Ao crescer esse amor pela Comunhão, que estimula a caridade, produz-se uma penetração cada vez mais íntima do divino Hóspede em nós. Cada vez gozamos mais d’Ele, perdemo-nos n’Ele, fazemo-nos um com Ele. "Não éramos dois, era uma fusão", escreve Santa Teresinha do Menino Jesus, falando de sua Primeira Comunhão. "Por esse Sacramento – ensina São Tomás – se aumenta a graça e se aperfeiçoa a vida espiritual, a fim de que o homem faça-se mais perfeito pela união a Deus" (III, q. 79, a. 1. ad 1).

Transformação em Nosso Senhor, pela Eucaristia

A idéia de assimilação

Em suas "Confissões", Santo Agostinho relata que lhe parecia ouvir do alto uma voz a lhe dizer: "Eu sou o alimento dos fortes; cresce e Me comerás, não para Me transformar em ti, mas para te transformares em Mim" (1. VII, c. X). São Tomás aplica à Comunhão essas palavras divinas. Toda nutrição tem por efeito a assimilação. É natural, porém, que o principal elemento, o mais vivente dos dois, seja o que assimila o outro. Ordinariamente, quem come, quem ingere o alimento, é quem o faz passar para sua própria vida. Mas nos encontramos ante um caso extraordinário: na Comunhão, quem é mais vivente é o alimento, e, portanto, Ele é quem transformará em Si aquele que O come. "Daí se segue – afirma São Tomás – que o efeito próprio desse Sacramento é a transformação do homem em Cristo, de maneira a poder dizer: ‘Vivo eu, mas já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim’" (IV Sent., dist. 12, q. 2, a. 1, q. 1).

A idéia de caridade

Chegamos à mesma conclusão partindo da idéia de que a Eucaristia é o pão do amor, o alimento da amizade divina.

O próprio da amizade é ir transformando o amante no objeto do seu amor. À medida que amamos alguém, vamos-nos assemelhando a seu modo de ser, como se a alma do amado se fosse tornando nossa própria alma, inspirando toda a nossa conduta. Desinteressamo- nos de nós mesmos para nos ocuparmos somente do ser amado. E a partir desse momento nossa vida se transforma. Não somos mais o que éramos. Doravante, o que nos move são suas idéias, seus gostos e afeições, suas intenções e propósitos; e nosso maior desejo é a realização de sua felicidade. Eis o que a caridade, a qual é a amizade com Deus, opera em nosso coração com respeito a Nosso Senhor. Uma vez mais, vem a propósito a palavra do Apóstolo, há pouco citada: "Não sou eu que vivo, é Cristo quem vive em mim". Escreve São Tomás: "Por esse Sacramento, opera-se uma certa transformação do homem em Cristo, e é este o seu fruto característico" (Ibid., a. 2, q. 1).

Assim, pois, o alimento eucarístico, não menos que nossa virtude da caridade por ele estimulada, nos leva ao esquecimento de nós mesmos, ao sacrifício de nosso egoísmo, para não pensar senão em Nosso Senhor e não viver senão para Ele, jubilosos de entrar no desígnio que Ele teve no mundo e que nos consumará com Ele no Pai. "Eu neles e Tu em Mim, ó Pai, a fim de que todos sejamos consumados na unidade" (Jo 17,23).

No Céu, efetivamente, Jesus estará em nós, unindo vitalmente todos os membros de seu Corpo místico; e Deus, que está em Cristo glorificado, estará de igual modo em nós, que seremos um com Cristo. A complacência do Pai se estenderá da Cabeça para todos os membros de seu Filho Unigênito: "Eis aqui meu Filho bem-amado!" (Mt 3,17); e nós, inteiramente de acordo com Jesus, todos num só elã, sob seu impulso irresistível, exclamaremos: "Abba! Pai!"

E esse duplo movimento de amor – do Pai para nós e de nós para o Pai – não é senão um prolongamento até nós do Espírito Santo, amor substancial do Pai e do Filho, do qual participaremos. Será a felicidade eterna. Para ela a Comunhão nos encaminha e nos faz pregustá-la desde já.

"Quem come minha Carne e bebe meu Sangue tem a vida eterna" (Jo 6, 54). Notemos que essa promessa está enunciada no tempo presente. Pela Eucaristia, ela começa a se tornar realidade.

(Revista Arautos do Evangelho, Fev/2006, n. 50, p. 35 à 37)

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O SONHO DE DOM BOSCO

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Vitral onde mostra-se o sonho profético de Dom Bosco

Uma grande Barca em alto mar, onde o Papa a comandava (símbolo da Igreja Católica), estava em meio a um combate entre outras barcas ao redor, repletas de vândalos com armas e tochas em punho, ávidos em destruir esta barca (símbolo da heresia e dos inimgos da Igreja que tentam destruí-la).

Parecia estar tudo perdido; olhou o Papa para o horizonte, e ele avistou duas colunas, bem firmes e sólidas, onde estavam Jesus Eucarístico e Maria Santíssima. A primeira coluna, a maior e mais alta, onde estava a Sagrada Hóstia, pendia um estandarte onde estava escrito: Salus CredentiumAuxilium Christianorum (Auxiliadora dos cristãos). (Salvação dos crentes). A segunda, menor que a primeira, com a Virgem Maria, pendia também outro estandarte, onde estava escrito:

Neste tempo, o Papa é atingido uma vez, e os Cardeais tentam ajudá-lo a levantá-lo. Quando conseguem, o Papa é atingido uma segunda vez e morre. Houve uma grande alegria entre os inimigos, mas imediatamente outro Papa assume o posto, e os inimigos começam a tremer.

Assim, o novo Papa guia a grande Nau até as duas colunas, e a ancora firmemente nestas duas colunas. Depois disto, os inimigos partem em retirada, uns colidem com outros, outros se destroem. Após tudo isto, há uma grande calmaria no mar.

Desta visão, Dom Bosco interroga Dom Rua (que estaria à frente da obra salesiana, depois de Dom Bosco) o que parecia a ele esta visão. Assim disse Dom Rua:

“Parece-me que a nau do Papa seja a Igreja, da qual ele é o chefe: os navios, os homens, o mar são este mundo. Aqueles que defendem o grande navio são os bons afeiçoados à Santa Sé, os outros são os seus inimigos que com toda sorte de armas tentam aniquilá-la. As duas colunas de salvação me parece que sejam a devoção a Maria Santíssima e ao Santíssimo Sacramento da Eucaristia.”

Dom Bosco disse depois:

“Disseste bem. É preciso somente corrigir uma expressão. As naus dos inimigos são as perseguições [à Igreja]. Preparam-se gravíssimos sofrimentos para a Igreja. O que até agora aconteceu é quase nada comparado com aquilo que deve acontecer. Os seus inimigos são figurados pelos navios que tentam afundar, se o pudessem, a nau capitania. Só restam dois meios para salvar-se entre tantas desordens: a devoção a Maria Santíssima e a freqüência à Comunhão, empregando todos os meios e fazendo de nossa melhor maneira para praticá-los e os fazer praticar, em toda parte, e por todos.”

Disto, podemos discorrer dos seguintes tópicos da resposta de Dom Bosco: a frequência à Comunhão e a devoção a Maria Santíssima.

…..

Muitos dos sonhos proféticos de Dom Bosco se aplicam a esta época em que vivemos porque vemos claramente como a Igreja está sendo atacada em seus princípios mais elementares. A Igreja nunca foi inimiga do homem ou da humanidade, apesar da afirmação dos ateus que a Igreja atrasou o progresso da humanidade, se considerarmos as crises no clima, as tssunamis e o aquecimento global, sem nos referirmos as crises econômicas e a fome de milhares enquanto outros milhares sofrem de obesidade mórbida. Se este é o resultado do progresso que nos promete inundações e efeito estufa nos cozinhando em banho-maria e nos matando aos poucos, realmente poderemos dizer que este progresso não foi bem vindo apesar de não querermos largá-lo de maneira alguma.

A verdade é que muitos não querem a fé e a tratam como uma inimiga. Jesus mandou que levássemos o seu evangelho a todo o mundo, que anunciássemos a todas as nações, e todos aqueles que o aceitassem seriam salvos, mas Jesus jamais nos obrigou a segui-lo e portanto quem não quiser ser salvo e preferir sua vida “Sem Deus”, tem todo o direito de escolher as trevas e a destruição que o mundo ateu nos promete para breve.

Os frutos do Cristianismo neste mundo são evidentes e poderíamos afirmar com toda certeza de que a sociedade sem estes princípios Cristãos tornaria a ser tribos de animais lutando entre si até a morte, como acontecia no passado e ainda acontece até hoje em várias partes do mundo.

Os princípios Cristãos impedem o homem de tomar iniciativas que prejudiquem a vida humana em particular que prejudicariam toda a sociedade, mas existe uma tendência em desvalorizar a vida do outro e não o acolher como semelhante se contrapondo diretamente com o segundo mandamento que Jesus no deu “Amai-vos uns aos outros como Eu vos Amei…”.

Já limitaram o sentido da palavra AMOR em apenas sexo “um desejo passageiro”, “Não um sentimento eterno”, agora tentam apagar o nome de Jesus de uma história que foi testemunhada por muitos olhos, que viram um homem retornar dos mortos “sozinho”, sendo que havia morrido sem nenhuma gota de sangue em seu corpo.

Este Homem está vivo e não morrerá jamais, foi Ele quem iniciou o Cristianismo na face da terra como um semeador que semeava em terra boa, estas sementes nasceram, cresceram se desenvolveram e deram muito fruto, agora é chegado o tempo em que Ele retornará para buscar os frutos da sua semeadura.

Na visão profética de Dom Bosco, foram destacados dois pilares básicos de nossa fé; a Eucaristia e a Virgem Maria, e são justamente estes dois símbolos de nossa fé que mais são atacados nos dias de hoje, os homens sem fé denigrem a imagem da mãe de Jesus de todas as maneiras possíveis, tudo isso para levar os homens a menosprezá-la julgando-a como uma simples pecadora igual a todos nós e assim sem qualidades ou méritos que possam ser seguidos pelos filhos de Deus.

Estava lendo alguns textos sobre Maria na Internet sobre o Advento e o tempo de Natal, me surpreendi com a quantidade de textos que falam contra a virgindade de Maria, fiquei então pensando, porque os ateus e pecadores se preocupam tanto com este fato “DE QUE MARIA É VIRGEM DE FATO”, e ficam tentando provar que a Igreja inventou tudo isso sobre ela, mas o máximo que conseguem fazer é escrever estórias sem fundamento e sem comprovação “HISTÓRICA”, mas que muitos acabam duvidando da fé que possuíam.

Neste Natal, a revista Playboy resolveu atacar em cheio a Santidade de nossa Mãe Maria Santíssima, usando da igualdade do nome de uma “modelo feminina” compararam sua beleza física com a beleza infinita de uma mulher que foi escolhida por Deus para ser a mãe de seu próprio filho, fato este que jamais se repetirá e nenhuma outra mulher neste mundo poderá receber esta mesma graça que Maria já recebeu.

Ela é o maior exemplo de Beleza, de Amor, de Mãe, de Fidelidade, de Lealdade, de Perseverança, de Santidade e muito mais que seja possível enumerar aqui, algo que não poderá ser equiparado por ninguém neste mundo. Isto é claro, não deve ser motivo de ciúmes, inveja ou ódio, mas deve ser um exemplo a ser seguido não somente pelas mulheres, mas também por nós homens de Deus que buscamos a Salvação.

São João escreveu no Apocalipse Cap 12 vers. 13

13. O Dragão, vendo que fora precipitado na terra, perseguiu a Mulher que dera à luz o Menino. 15. A Serpente vomitou contra a Mulher um rio de água, para fazê-la submergir. 17. Este, então, se irritou contra a Mulher e foi fazer guerra ao resto de sua descendência, aos que guardam os mandamentos de Deus e têm o testemunho de Jesus.

Tudo o que acontece hoje já havia sido anunciado por Deus, para que realmente  saibamosque Ele está conosco e nos dará a vitória.

http://presentepravoce.wordpress.com/2008/12/12/sonho-de-dom-bosco/

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E QUANTOS O TOCAVAM FICAVAM CURADOS

por Santa Teresa de Ávila (1515-1582)
Carmelita e Doutora da Igreja – Caminho de Perfeição, cap. 34, 9-11

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«E quantos O tocavam ficavam curados»

Pois se, quando [Jesus] andava neste mundo, só o tocar as Suas vestes sarava os enfermos, como duvidar, se temos fé, de que faça milagres estando assim dentro de nós [na comunhão eucarística], e de que nos dará o que Lhe pedirmos estando Ele em nossa casa (Ap 3,20)? Não costuma Sua Majestade pagar mal a pousada quando Lhe dão boa hospedagem. E, irmãs, se vos dá pena o não O ver com os olhos do corpo, tal não nos convém. […]

Porque àqueles a quem vê que hão-de tirar proveito da Sua presença, Ele Se descobre e, ainda que O não vejam com os olhos do corpo, tem muitas maneiras de Se mostrar à alma por grandes sentimentos interiores e por diversas vias. Ficai-vos com Ele de boa vontade e não percais tão boa ocasião de a Ele vos dirigirdes, como é a hora depois de ter comungado.

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