SANTO INÁCIO DE ANTIOQUIA – EPÍSTOLA A POLICARPO DE ESMIRNA

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Inácio, Bispo de Antioquia (67 – 110 d.C.).

Inácio, também chamado Teóforo, a Policarpo, bispo da Igreja dos esmirnenses, ou antes àquele que tem a Deus-Pai e ao Senhor Jesus Cristo como o bispo os melhores votos de felicidades.

1. Dando acolhida a teus sentimentos em Deus, me rejubilo exaltado, porque eles estão fundados numa rocha inabalável e porque eu fui julgado digno de contemplar teu rosto puro, gozo este que gostaria de perpetuar em Deus. Pela graça de que estás revestido, eu te exorto a acelerar ainda teu passo e a exortar também os outros para que se salvem. Justifica tua posição, empenhando-te todo, física e espiritualmente. Cuida da unidade; nada melhor do que ela. Promove a todos como o Senhor te promove; suporta a todos com amor, como aliás o fazes. Dispõe-te para orações ininterruptas; pede ainda maior inteligência do que já tens; sê vigilante, dono de um espírito sempre alertado. Fala a cada qual no estilo de Deus. Vai levando as enfermidades de todos como atleta consumado. Quanto maior o labor, maior o lucro.

2. Se te agradares dos bons discípulos não terás méritos; submete antes com doçura os contaminados. Nem toda ferida se cura com o mesmo emplastro. Crises violentas acalmam-se com compressas úmidas. Faze-te prudente como serpente em todos os assuntos, sempre simples como a pomba. Por isso é que és carnal e espiritual para atraíres a teu rosto o que te aparece ante os olhos. As coisas invisíveis pede que te sejam reveladas, para que não te chegue a faltar nada e tenhas toda graça em abundância. O tempo atual exige tua presença, para chegares até Deus, assim como os pilotos anelam pelos ventos e os açoitados da tempestade pelo porto. Sê sóbrio como atleta de Deus. O premio é a incorruptibilidade e a vida eterna, do que aliás já te convenceste. Em todos os sentidos, somos teu resgate eu e minhas cadeias que te são caras.

3. Aqueles que parecem dignos de fé e no entanto ensinam o erro não te abalem. Mantém-te firme como bigorna sob os golpes. É próprio de um grande atleta receber pancadas e vencer. Não tenhas nenhuma dúvida, temos que suportar tudo pela causa de Deus, para que também Ele nos suporte. Torna-te ainda mais zeloso do que és; aprende a conhecer os tempos. Aguarda o que está acima do oportunismo, o atemporal, o invisível que por nossa causa se fez visível, o impalpável, o impassível que por nós se fez passível, o que de todos os modos por nós sofreu!

4. Viúvas não fiquem desatendidas; depois do Senhor, providencia tu por elas. Nada se faça sem o teu consentimento; nada faças tu sem Deus; o que aliás não fazes. Sê firme. As reuniões sejam freqüentes; procura a todos, um por um. Não trates com sobranceria a escravos e escravas; também eles não se encham de orgulho, mas sirvam com mais dedicação para a glória de Deus, a fim de alcançarem da parte de Deus uma liberdade melhor. Que não se inflamem sabendo que poderiam libertar-se à custa da comunidade, a fim de não acabarem por escravizar-se à cobiça.

5. Foge às más artes, prega antes contra elas. Fala às minhas irmãs, que amem o Senhor e se contentem com os maridos na carne e no espírito. Da mesma forma, recomenda aos meus irmãos em nome de Jesus Cristo que amem suas esposas como o Senhor ama a Igreja. Se alguém é capaz de perseverar na castidade em honra da carne do Senhor, persevere sem orgulho. Caso se orgulhar, está perdido; se ainda for tido como mais do que o Bispo, está corrompido. Convém aos homens e às senhoras que casam contraírem a união como consentimento do bispo, a fim de que o casamento se realize segundo o Senhor e não conforme a paixão. Tudo se faça para honra de Deus.

6. Atendei ao bispo para que Deus vos atenda. Ofereço-me como resgate daqueles que se sujeitam ao bispo, aos presbíteros e diáconos. Com eles me seja concedido ter parte em Deus. Labutai uns ao lado dos outros, lutai juntos, correi, sofrei, dormi, acordai unidos, como administradores de Deus, como Seus assessores e servos. Procurai agradar Aquele sob cujo estandarte combateis, de quem igualmente recebeis o soldo. Que não se encontre desertor entre vós. Vosso batismo há de permanecer como escudo, a fé como capacete, o amor como lança, a paciência como armadura. Vossos fundos de reserva são vossas obras, para receberdes um dia os vencimentos devidos. Sede pois magnânimos uns com os outros na doçura, como Deus o é convosco. Oxalá possa alegrar-me convosco sempre.

7. Uma vez que a Igreja em Antioquia da Síria goza de paz, como me foi participado, graças a vossas orações, também eu me encorajei mais, pela confiança em Deus; contanto que me encontre com Ele pelo sofrimento e assim no dia da ressurreição possa ser contado como vosso discípulo. Convém, ó Policarpo feliz em Deus, convocar uma reunião agradável a Deus e escolher alguém, tido como especialmente querido e incansável, para poder chamar-se estafeta de Deus; encarregar pois a um tal de viajar para a Síria e aí celebrar vossa caridade infatigável para a glória de Deus. Um cristão não tem poder sobre si mesmo, mas está à disposição de Deus. Esta obra é de Deus e vossa, caso a leveis ao fim. Confio na graça, que estejais prontos para uma obra boa que convém a Deus. Conhecendo vosso zelo pela verdade, acabei por exortar-vos com essas poucas linhas.

8. Uma vez que não pude escrever a todas as Igrejas, por ter que partir apressadamente de Trôade para Nápoles, como manda a vontade de Deus, escreverás às Igrejas mais do Oriente, pois que possuis o espírito de Deus, a fim de que elas também façam o mesmo: umas – as que podem – enviando mensageiros, as outras por sua vez cartas através de enviados teus. Assim sereis enaltecidos por uma obra imperecível, como bem o mereces. Saudações a todos nominalmente, também à viúva de Epitropos com toda a família e filhos. Saudações a Átalo meu amigo; saudações àquele que for julgado digno de viajar à Síria. A graça há de estar sempre com ele e com Policarpo que o envia. Faço votos que passeis bem para sempre em nosso Deus Jesus Cristo, no qual haveis de permanecer na união com Deus e o bispo. Saudações a Alceu, que me é tão caro. Passar bem no Senhor.

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SANTO INÁCIO DE ANTIOQUIA – EPÍSTOLA AOS ESMIRNENSES

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Inácio, Bispo de Antioquia (67 – 110 d.C.).

Inácio, também chamado Teóforo, à Igreja de Deus Pai e de Jesus Cristo amado, Igreja que encontrou misericórdia em todo dom da graça, repleta de fé e amor, sem que lhe falte dom algum, agradabilíssima a Deus e portadora de santidade, situada em Esmirna, na Ásia. Cordiais saudações em espírito irrepreensível e na pa­lavra de Deus.

1. Glorifico a Jesus Cristo, Deus, que vos fez tão sábios. Cheguei a saber efetivamente que estais aparelhados com fé inabalável, como que pregados de corpo e alma na Cruz do Senhor Jesus Cristo, confirmados na caridade no Sangue de Cristo, cheios de fé em Nosso Senhor, que é de fato da linhagem de Davi, segundo a carne, Filho de Deus porém consoante a vontade e o poder de Deus, de fato nascido de uma Virgem e batizado por João, a fim de que se cumpra n’Ele toda a justiça. Sob Pôncio Pilatos, e o tetrarca Herodes foi também de fato pregado (na Cruz), em carne, por nossa causa – fruto pelo qual temos a vida, pela Sua Paixão bendita em Deus – a fim de que Ele por Sua ressurreição levantasse Seu sinal para os séculos em beneficio de Seus santos fiéis, tanto judeus, como gentios, no único corpo de Sua Igreja.

2. Tudo isso padeceu por nossa causa, para obtermos salvação. Padeceu de fato, como também de fato ressuscitou a Si próprio, não padecendo só aparente­mente, como afirmam alguns infiéis. Eles é que só vivem aparentemente, e, conforme pensam, também lhes sucederá: não terão corpo e se assemelharão aos demônios.

3. Eu porém sei e dou fé que Ele, mesmo depois da ressurreição, permanece em Sua carne. Quando se apresentou também aos companheiros de Pedro, disse-lhes: Tocai em mim, apalpai-me e vede que não sou espírito sem corpo. De pronto n’Ele tocaram e creram, entrando em contato com Seu Corpo e com Seu espírito. Por isso, desprezaram também a morte e a ela se sobrepuseram. Após a ressurreição, comeu e bebeu com eles, como alguém que tem corpo, ainda que es­tivesse unido espiritualmente ao Pai.

4. Encareço tais verdades junto a vós, caríssimos, embora saiba que também vós assim pensais. Quero prevenir-vos contra os animais ferozes em forma humana. Não só não deveis recebê-los, mas, quanto possível, não vos encontreis com eles. Só haveis de rezar por eles, para que, quem sabe, se convertam, coisa por certo difícil. Sobre eles, no entanto, tem poder Jesus Cristo, nossa verdadeira vida. Pois, se nosso Senhor só realizou as obras na aparência, então também eu estou preso só aparentemente. Por que então me entreguei a mim mesmo, à morte, ao fogo, à espada, às feras? Mas estar perto da espada é estar perto de Deus; encontrar-se em meio às feras é encontrar-se junto a Deus, unicamente, porém, quando em nome de Jesus Cristo. Para padecer junto com Ele, tudo suporto, confortado por Ele, que se tornou perfeito homem.

5. Alguns O negam, por ignorância, ou melhor, foram renegados por Ele, por serem antes advogados da morte do que da verdade. A estes não conseguiram converter as profecias, nem a lei de Moisés, nem mesmo até hoje o Evangelho e as torturas de cada um de nós. Pois sobre nós professam eles a mesma opinião. De que me vale um homem – ainda que me louve – se blasfema contra meu Senhor, não confessando que Ele assumiu carne? Quem não o professa negou-O por completo e carrega consigo seu cadáver. Os nomes deles, uma vez que são infiéis, não me pareceu necessário escrevê-los; preferiria até nem lembrar-me deles, enquanto se não converterem à Paixão, que é a nossa Ressurreição.

6. Ninguém se iluda: mesmo os poderes celestes e a glória dos anjos, até os arcontes – visíveis e in­visíveis hão de sentir o juízo, caso não crerem no sangue de Cristo. Compreenda-o quem for capaz de o compreender. Ninguém se ufane de sua posição, pois o essencial é a fé e o amor, e nada se lhes prefira. Considerai bem como se opõem ao pensamento de Deus os que se prendem a doutrinas heterodoxas a respeito da graça de Jesus Cristo, vinda a nós. Não lhes importa o dever de caridade, nem fazem caso da viúva e do órfão, nem do oprimido, nem do prisioneiro ou do liberto, nem do que padece fome ou sede.

7. Abstêm-se eles da Eucaristia e da oração, por­que não reconhecem que a Eucaristia é a carne de nosso Salvador Jesus Cristo, carne que padeceu por nos­sos pecados e que o Pai, em Sua bondade, ressuscitou. Os que recusam o dom de Deus, morrem disputando. Ser-lhes-ia bem mais útil praticarem a caridade, para também ressuscitarem. Convém, pois, manter-se longe de tais pessoas, deixar de falar delas em particular e em público, e passar toda a atenção aos Profetas, especialmente ao Evangelho, pelo qual se nos patenteou a Paixão e se consumou a Ressurreição. Fugi das dissensões, fonte de misérias.

8. Sigam todos ao bispo, como Jesus Cristo ao Pai; sigam ao presbitério como aos apóstolos. Acatem os diáconos, como à lei de Deus. Ninguém faça sem o bispo coisa alguma que diga respeito à Igreja. Por legítima seja tida tão-somente a Eucaristia, feita sob a presidência do bispo ou por delegado seu. Onde quer que se apresente o bispo, ali também esteja a comunidade, assim como a presença de Cristo Jesus também nos assegura a presença da Igreja Católica. Sem o bispo, não é permitido nem batizar nem celebrar o ágape. Tudo, porém, o que ele aprovar será também agradável a Deus, para que tudo quanto se fizer seja seguro e legítimo.

9. No mais, é razoável voltarmos ao bom-senso, e convertermo-nos a Deus, enquanto ainda for tempo. Bom é tomarmos conhecimento de Deus e do bispo. Quem honra o bispo será também honrado por Deus; quem faz algo às ocultas do bispo presta culto ao diabo. Que tudo redunde em graça a vosso favor, pois bem o mereceis. Vós me confortastes de toda maneira e Jesus Cristo a vós. As provas de carinho me seguiram, presente estivesse eu ou ausente. Que Deus seja a paga, por cujo amor tudo suportais, pelo que também haveis de chegar a possuí-lo.

10. Fizestes bem em receber, como diáconos de Cristo-Deus, a Fílon e Reos Agátopos – que pela causa de Deus me seguiram. Agradecem eles ao Senhor por vós, porque os confortastes de toda a sorte. Nada disso se perderá para vós. Dou-vos como preço de resgate meu espírito e minhas algemas que vós não desprezastes e de que também não vos envergonhastes. Jesus Cristo também de vós não se envergonhará, Ele que é a fé perfeita.

11. Vossa oração aproveitou à Igreja de Antioquia na Síria, de onde vim preso com grilhões, tão do agrado de Deus, e donde a todos saúdo, embora não seja digno de ser de lá, eu, o menor dentre eles. Mas, pela vontade de Deus, fui tido por digno, não pelo julgamento de minha consciência, mas sim pela graça de Deus. Desejo que ela me seja concedida em sua perfeição, a fim de que eu, por meio de vossa oração, encontre a Deus. No entanto, para que vossa obra seja per­feita, tanto na terra como no céu, cumpre que a Vossa Igreja, para honra de Deus, escolha um seu legado que vá até a Síria, para se congratular com eles, porque gozam novamente de paz, readquiriram sua grandeza e lhes foi restaurado o corpo. É a meu ver de fato obra digna enviardes um legado de vosso meio, com uma carta, a fim de celebrar com eles a paz que lhes foi con­cedida, consoante a vontade de Deus, pois já chegaram ao porto, graças à vossa oração. Sendo perfeitos, pensai também no que é perfeito, pois se tencionais agir bem, Deus está igualmente disposto a vo-lo conceder.

12. Saúda-vos a caridade dos irmãos de Trôade, donde vos escrevo por intermédio de Burrus, a quem enviastes juntamente com os efésios, vossos irmãos, para me fazer companhia. Animou-me em todo sentido. Todos deveriam imitá-lo como exemplo no serviço de Deus. A graça o recompensará em todo sentido. Saudações ao bispo, digno de Deus, a vosso presbitério tão agradável a Deus, aos diáconos, meus companheiros de serviço a cada um em particular e a todos em geral, em nome de Jesus Cristo, na Sua carne e no Seu sangue, na Paixão e na Ressurreição, em corpo e alma, na unidade de Deus e na vossa. Para vós a graça, a misericórdia, a paz, e a paciência para todo sempre.

13. Saudações às famílias de meus irmãos, com suas esposas e filhos e com as virgens, chamadas viúvas. Passar bem na força do Pai. Saudações da parte de Fílon que está comigo. Meus cumprimentos à família de Tavia, a quem desejo se robusteça na fé e na caridade, tanto corporal como espiritual. Saudações a Alceu, nome tão querido, a Dafnos o incomparável e a Eutecno. Enfim, a todos nominalmente. Passar bem na graça de Deus.

Fonte: http://beinbetter.wordpress.com/documentos/cartas-de-santo-inacio-de-antioquia/epistola-aos-esmirnenses/

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SANTO INÁCIO DE ANTIOQUIA – EPÍSTOLA AOS FILADÉLFOS

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Inácio, Bispo de Antioquia (67 – 110 d.C.).

SAUDAÇÃO

Inácio, também chamado Teóforo, à Igreja de Deus Pai e do Senhor Jesus Cristo de Filadélfia da Ásia, que encontrou misericórdia e se fortaleceu na união que vem de Deus, cheia de imperturbável alegria na Paixão de Nosso Senhor e plenamente convencida da Ressurreição d’Ele, em toda misericórdia. Saúdo-a no sangue de Jesus Cristo, pois ela é minha perene e constante alegria, sobretudo se continuarem unidos ao Bispo, aos Presbíteros e Diáconos que estão com ele, instituídos segundo o plano de Jesus Cristo, que por Sua própria vontade os fortaleceu no Seu Espírito Santo.

I. ELOGIO AO BISPO

1. Sei que não foi por si mesmo, nem por meios humanos, nem tampouco por ambição, mas na caridade de Deus Pai e do Senhor Jesus Cristo, que o Bispo obteve a incumbência de estar a serviço da comunidade. Admiro comovido sua bondade, que, calada, mais ressonância encontra que as invencionices dos faladores. Harmoniza-se ele com os mandamentos, como a cítara com as cordas. Bem por isso, minha alma lhe engrandece a mente voltada para Deus – pois é virtuosa e perfeita – seu caráter firme e manso, tão do agrado do Deus vivo.

II. FUGIR DA HERESIA

2. Filhos que sois da luz da verdade, fugi da cisão das más doutrinas. Onde estiver o pastor, segui-o, quais ovelhas. Pois muitos lobos, aparentemente dignos de fé, apanham, através dos maus prazeres, os atletas de Deus. Se porém permanecerdes unidos, não acharão lugar entre vós.

3. Apartai-vos das ervas daninhas que Jesus Cristo não cultiva, por não serem plantação do Pai. Não que tenha encontrado em vosso meio discórdias, pelo contrário encontrei um povo purificado. Na verdade, os que são propriedade de Deus e de Jesus Cristo estão com o Bispo, e todos os que se converterem e voltarem à unidade da Igreja, pertencerão também a Deus, par terem uma vida segundo Jesus Cristo. Não vos deixeis iludir, meus irmãos. Se alguém seguir a um cismático, não herdará o reino de Deus; se alguém se guiar por doutrina alheia, não se conforma com a Paixão de Cristo.

III. UNIDADE NA EUCARISTIA

4. Sede solícitos em tomar parte numa só Eucaristia, porquanto uma é a carne de Nosso Senhor Jesus Cristo, um o cálice para a união com Seu sangue; um o altar, assim como também um é o Bispo, junto com seu presbitério e diáconos, aliás meus colegas de serviço. E isso, para fazerdes segundo Deus o que fizerdes.

IV. FUGIR DO JUDAÍSMO

5. Meus irmãos, transbordo todo de amor para convosco e em meu júbilo procuro confortar-vos. Não eu, mas Jesus Cristo. Estando preso em Seu Nome, temo tanto mais achar-me ainda imperfeito. No entanto, vossa prece me aperfeiçoará para Deus, com o intuito de conseguir a herança na qual obtive misericórdia, buscando refúgio no Evangelho, como na carne de Jesus, e nos Apóstolos como no presbitério da Igreja. Amemos igualmente os Profetas, por terem também eles anunciado o Evangelho, terem esperado n’Ele e O terem aguardado. Foram salvos por Lhe terem dado fé, e, unidos a Jesus Cristo, se tornarem santos dignos do nosso amor e admiração, aprovados pelo testemunho de Jesus Cristo, sendo enumerados no Evangelho da comum esperança.

6. Se, no entanto, alguém vier com interpretações judaizantes, não lhe deis ouvido. É melhor ouvir doutrina cristã dos lábios de um homem circuncidado do que a judaica de um não-circuncidado. Se porém ambos não falarem de Jesus Cristo, tenha-os em conta de colunas sepulcrais e mesmo de sepulcros, sobre os quais estão escritos apenas nomes de homens. Fugi pois das artimanhas e tramóias do príncipe deste século, para que não venhais a esmorecer no amor, atribulados pela sagacidade dele. Todos vós, porém, uni-vos num só coração indiviso. Agradeço a Deus, porque gozo de consciência tranqüila a vosso respeito e porque não há motivo de ninguém gloriar-se, nem oculta nem publicamente, por lhe ter sido eu um peso em coisa pequena ou grande. Faço votos que todos a quem falei assimilem minhas palavras, não porém em testemunho contra si mesmos.

V. INVESTIDAS CONTRA A UNIDADE

7. Alguns desejaram de fato enganar-me segundo a carne, mas o Espírito, que é de Deus, não se deixa enganar, pois Ele sabe donde vem e para onde vai e revela os segredos. Clamei, quando estive entre vós, e o disse alto e bom som, na voz de Deus: «Apegai-vos ao Bispo, ao Presbitério e aos Diáconos!» Alguns desconfiaram que eu assim falava, porque sabia da separação de diversos deles. No entanto, é-me testemunha Aquele, por quem estou preso, que por intermédio de homem carnal não vim a saber coisa alguma. O Espírito é que mo anunciou: Nada façais sem o Bispo! Guardai vosso corpo como templo de Deus! Amai a união! Fugi das discórdias! Tornai-vos imitadores de Jesus Cristo, como Ele o é do Pai!

8. Eu por minha parte cumpri o meu dever, agindo como homem destinado a unir. Deus não mora onde houver desunião e ira. A todos porém que se converterem perdoa o Senhor, se voltarem à unidade de Deus e ao senado do Bispo. Confio na graça de Jesus Cristo, pois Ele livrará de toda cadeia. Exorto-vos a nada praticar em espírito de dissenção, mas sim em conformidade com os ensinamentos de Cristo. É que ouvi alguns dizerem: «Se não o encontro nos documentos antigos, não dou fé ao Evangelho». Dizendo eu a eles «Está escrito», responderam-me: «É o que se deve provar! Para mim, documentos antigos são Jesus Cristo; para mim documentos invioláveis constituem a Sua Cruz, Sua Morte, Sua Ressurreição, como também a Fé que nos vem d’Ele! Nisso é que desejo, por vossa oração, ser justificado.

VI. ORIGINALIDADE DO EVANGELHO

9. Embora fossem honrados também os sacerdotes, coisa melhor porém é o Sumo-sacerdote, responsável pelo santo dos santos, pois só a Ele foram confiados os mistérios de Deus. É Ele a porta para o Pai, pela qual entram Abraão, Isaac e Jacó, os Profetas, os Apóstolos e a Igreja. Tudo isso leva à unidade de Deus. O Evangelho contém porém algo de mais sublime, a saber, a vinda do Salvador e Senhor nosso Jesus Cristo, a Sua Paixão e Ressurreição. A respeito d’Ele vaticinaram os queridos Profetas. O Evangelho constitui mesmo a consumação da imortalidade. Tudo se reveste de grande importância, se confiardes no Amor.

CONCLUSÃO E DESPEDIDA

10. Recebi notícia, que graças à oração e à participação íntima que cultivais em Jesus Cristo, a Igreja de Antioquia na Síria recobrou a paz. Convém portanto que vós, como Igreja de Deus, escolhais um diácono para presidir uma embaixada de Deus àquela cidade, e congratular-se com eles, por estarem unidos pelos mesmos vínculos, e glorificar o Nome. Felicito em Jesus Cristo aquele que for achado digno deste ministério; também vós tereis a vossa glória. Se o quiserdes, isso não vos será impossível para a glória de Deus, pois que também as Igrejas mais vizinhas mandaram ou Bispos, ou Presbíteros e Diáconos.

11. A respeito de Fílon, diácono da Cilícia, posso informar: é homem de prestígio, que ainda agora me serve no ministério da palavra de Deus, juntamente com Reos Agátopos, outro homem de consideração, que me acompanha desde a Síria, com desprezo da própria vida. Também eles dão testemunho de vós. Da mesma forma eu agradeço a Deus por vós, porque os recebestes, como o Senhor vos recebeu. Aqueles que lhes faltaram de respeito encontrem o perdão pela graça de Deus. Saúda-vos a caridade dos irmãos de Trôade, donde também vos escrevo por intermédio de Burrus que, a pedido dos efésios e esmirnenses, me acompanha, como penhor de honra. O Senhor Jesus Cristo honrá-los-á, pois, n’Ele esperam com corpo, alma, espírito, fé, amor e concórdia. Adeus em Jesus Cristo, esperança comum de nós todos.

Fonte: http://beinbetter.wordpress.com/documentos/cartas-de-santo-inacio-de-antioquia/epistola-aos-filadelfos/

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SANTO INÁCIO DE ANTIOQUIA – EPÍSTOLA AOS MAGNÉSIOS

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Inácio, Bispo de Antioquia (67 – 110 d.C.).

Versão longa

PARTE I – SAUDAÇÃO INICIAL

Inácio, também chamado Teóforo, à [Igreja] abençoada na graça de Deus Pai, em Jesus Cristo nosso Salvador, com quem eu saúdo a Igreja que está na Magnésia, próxima ao [rio] Meandro, e desejo a ela grande alegria em Deus Pai e em Jesus Cristo, nosso Senhor, em quem vocês poderão encontrar grande alegria.

PARTE II – AMOR NA UNIDADE

1. Tendo sido informado sobre o vosso amor devoto e perfeito, alegrei-me profundamente e resolvi comunicar-me convosco na fé em Jesus Cristo.

2. Para aquele que pensa ser digno de portar um nome divino e desejável, nestas cadeias que ora carrego, louvo as igrejas, nas quais oro pela união entre o corpo e o espírito de Jesus Cristo, “que é o Salvador de todos os homens, mas especialmente daqueles que crêem, por cujo sangue vós todos fostes redimidos e por quem pudestes conhecer a Deus, isto é, fostes conhecidos por Ele; resistindo com Ele, escapareis de todos os assaltos deste mundo, pois ‘Ele é fiel e não permitirá que sejais tentados acima do que puderdes resistir’”.

PARTE III – RESPEITO PELO BISPO

3. Não deveis desprezar a idade do vosso bispo, mas tratá-lo com toda a reverência, conforme o desejo de Deus Pai, assim como fazem os santos presbíteros – como fiquei sabendo – não observando a sua manifesta juventude, mas o seu conhecimento sobre Deus, já que “não é o ancião [necessariamente] sábio, nem significa que o idoso possua prudência; o que importa é o espírito dos homens”. Daniel, o sábio, aos doze anos de idade, foi possuído pelo Espírito divino, e condenou os anciãos – que em vão carregavam seus cabelos grisalhos – por acusarem em falso e cobiçarem a esposa de um homem. Também Samuel, quando ainda era uma pequena criança, reprovou Eli, que tinha 90 anos de idade, por honrar mais a seus filhos do que a Deus. Da mesma maneira, também Jeremias recebeu esta mensagem de Deus: “Não diga nada. Eu sou uma criança”. Também Salomão e Josias. O primeiro, sendo rei aos doze anos de idade, deu a terrível e difícil sentença no caso das duas mulheres que disputavam pela mesma criança. O último, subindo ao trono com oito anos de idade, ordenou a derrubada dos altares e templos [dos ídolos], e a queima dos bosques dedicados aos demônios e não a Deus. E ele destruiu os falsos sacerdotes, como impostores e corruptores dos homens, mas não os adoradores da Deidade. Logo, a juventude não é para ser desprezada quando é devotada a Deus. Mas deve ser desprezado aquilo que vier de uma mente malvada, ainda que a pessoa seja anciã e experimentada. Timóteo, que pregou sobre Cristo, era jovem quando ouviu seu mestre ensinar-lhe: “Não deixe nenhum homem desprezar tua juventude, mas sejas tu um exemplo entre os crentes, tanto na palavra quanto na conduta”. Por isso, é coisa terrível contradizer qualquer pessoa com a mesma semelhança. [Pela conduta] não se tenta enganar aquele que é visível, mas [na realidade] zombar dAquele que é invisível, e que, contudo, não pode ser zombado por ninguém. E tal conduta diz respeito não ao homem, mas a Deus. Deus disse a Samuel: “Eles não zombaram de ti, mas de Mim”. E Moisés declarou: “O murmúrio deles não é contra nós, mas contra o Senhor Deus”. [De fato,] nenhum deles ficou sem punição, porque levantaram-se contra seus superiores. Datan e Abirão não falaram contra a Lei, mas contra Moisés, e foram arremessados vivos no Hades. O mesmo ocorreu com Corá e 250 indivíduos que conspiraram com ele contra Aarão: foram destruídos pelo fogo. Ainda Absalão, que foi morto por seu irmão, foi suspenso numa árvore e seu coração mau foi atravessado por flechas. Também Abedadan foi decapitado pelo mesmo motivo. Uzias, quando ousou se opor aos sacerdotes e ao sacerdócio, foi ferido pela lepra. Saul também foi desonrado por não conduzir Samuel ao sumo-sacerdócio. Portanto, é vosso dever reverenciar os vossos superiores.

4. É adequado, então, não apenas ser chamados “cristãos”, mas sê-lo também de verdade. Não basta assim ser apenas chamado, mas é necessário sê-lo também, como se passa com um homem abençoado. Àqueles que falam do bispo, mas fazem todas as coisas sem ele, declarará Aquele que é o verdadeiro e primeiro Bispo e único Sumo Sacerdote por natureza: “Por que me chamais de ‘Meu Senhor’ se não fazeis o que vos digo?”. Tais pessoas parecem-me desprovidas de boa consciência; são dissimuladoras e hipócritas.

5. Visto, então, que todas as coisas têm um fim, é-nos colocada diante de nós a vida, fruto da nossa observância [aos preceitos de Deus], e a morte, como resultado da desobediência; todos – conforme a escolha que fizer – encontrarão seu próprio lugar, permitindo escapar da morte e optar pela vida. Observo que duas características diferentes são encontradas nos homens: a verdadeira moeda e a espúria. O verdadeiro fiel é o tipo verdadeiro de moeda, cunhada pelo próprio Deus. O infiel, por sua vez, é uma moeda falsa, ilegal, espúria, falsificada, cunhada não por Deus, mas pelo diabo. Não estou querendo dizer que existem duas naturezas humanas diferentes; existe apenas uma única humanidade que, às vezes, pertence a Deus, e outras vezes, ao diabo. Se alguém é verdadeiramente religioso, será também homem de Deus; mas, se não for religioso, será homem do diabo, não por sua natureza, mas por sua própria escolha. O descrente possui a imagem do príncipe da maldade; o crente possui a imagem do seu Príncipe, Deus Pai e Jesus Cristo; se não estivermos prontos para morrer pela verdade em Sua Paixão, Sua vida não estará em nós.

6. Nas pessoas acima mencionadas, pude observar, na fé e no amor, toda a vossa comunidade; assim, exorto-vos a estudarem todas as coisas com divina harmonia, tendo vosso bispo presidindo no lugar de Deus e vossos presbíteros no lugar da assembléia dos apóstolos, junto com seus diáconos – que são muito queridos para mim – aos quais foi confiado o serviço de Jesus Cristo. Ele, sendo estando com o Pai antes do início dos tempos, era o Verbo, o único Filho gerado, e permanece o mesmo para sempre; e “o Seu reino não terá fim”, diz o profeta Daniel. Vamos todos, então, amar uns aos outros em harmonia e que ninguém olhe para o seu próximo segundo a carne, mas em Cristo Jesus. Que nada exista entre vós causando a divisão, mas sejais unidos ao vosso bispo, e, através dele, submissos a Deus em Cristo.

7. Assim como o Senhor nada faz sem o Pai, pois Ele diz: “Por Mim mesmo nada posso fazer”, também assim deveis proceder; nem o presbítero, nem o diácono, nem o leigo deve fazer algo sem o bispo. Nem mesmo deveis fazer algo recomendável sem a sua aprovação. Pois tais coisas são pecaminosas e se opõem a[o desejo] de Deus. Deveis, todos juntos, ir a um mesmo lugar para orar. Deveis ser uma só súplica comum, uma só mente, uma só esperança, mantendo uma fé sólida em Cristo Jesus, pois não há nada melhor. Que vós todos sejais como um só homem, correndo juntos para o templo de Deus, para o único altar, o único Jesus Cristo, Sumo Sacerdote do Deus não gerado.

PARTE IV – CUIDADO COM OS JUDAIZANTES

8. Não sejais enganados por doutrinas estranhas, “nem prestai atenção a fábulas e genealogias intermináveis”, e em outras coisas que os judeus ostentarem. “As velhas coisas se passaram; observai pois todas as coisas se tornaram novas“. Se vivêssemos ainda segundo a Lei dos judeus e a circuncisão da carne, teríamos que negar a graça que recebemos. Ora, os divinos profetas viveram de acordo com Jesus Cristo e, por isso, acabaram sendo perseguidos, pois eram inspirados pela graça a convencerem plenamente os descrentes de que existe apenas um Deus, o todo-poderoso, que Se manifestou por Jesus Cristo Seu Filho, que é Seu Verbo, não expressado mas essencial. Com efeito, Ele não é a voz de uma expressão articulada, mas uma substância gerada pelo poder divino, e que em todas as coisas agradou Aquele que O enviou.

9. Se, então, aqueles que eram versados nas antigas Escrituras tiveram a esperança renovada, aguardando a vinda de Cristo, como ensina o Senhor quando nos diz: “Se acreditastes em Moisés, deveríeis crer em Mim, pois foi de Mim que ele escreveu”; e novamente: “Seu pai Abraão regozijou-se para ver o Meu dia e, quando o viu, alegrou-se; pois antes de Abraão, Eu Sou”. Como poderíamos ser capazes de viver sem Ele? Os profetas eram Seus servos e O previram pelo Espírito, e O esperaram como Instrutor e também como Senhor e Salvador, dizendo: “Ele virá e nos salvará”. Portanto, não precisamos mais manter o sábado, como fazem os judeus, ou alegrar-se pelos dias de ociosidade, pois “aquele que não trabalha, não deve comer”. Também foi dito pelos [santos] oráculos: “É pelo suor da tua face que comerás o teu pão”. Mas deixe todo aquele entre vós que ainda mantém o sábado por motivo espiritual, alegrando-se na meditação da Lei e não no descanso do corpo, admirando a obra de Deus e não comendo coisas preparadas no dia anterior, não fazendo uso de bebidas mornas ou andando um certo limite prescrito, não deleitando-se por dançar e aplaudir, e outras coisas sem sentido. Porém, após a observância do sábado, deve todo amigo de Cristo observar o Dia do Senhor como festa, o dia da ressurreição, a rainha e comandante de todos os dias [da semana]. Foi sobre isto que o profeta declarou: “Para encerrar, o oitavo dia”. [Foi nesse dia] que a nossa vida renasceu e a vitória sobre a morte foi obtida em Cristo. Os filhos da perdição, os inimigos do Salvador negam isto; “o deus deles é o próprio estômago, pois só pensam nas coisas terrestres”, são “amantes do prazer, e não amam a Deus; têm a forma celestial, mas negam o poder disto”. Esses são mercadores de Cristo, corruptores da Sua Palavra; abrem a mão de Jesus e o põe a venda; corrompem as mulheres, cobiçam os bens de seus próximos e buscam insaciavelmente a riqueza; a estes [malfeitores] deveis pedir que sejam tocados pela misericórdia de Deus através de nosso Senhor Jesus Cristo!

10. Assim, não sejamos insensíveis à Sua bondade. Se Ele nos recompensasse conforme as nossas obras, certamente deixaríamos de existir. “Se Tu, Senhor, marcar as iniquidades, quem poderá ficar de pé?”. Devemos, portanto, provar a nós mesmos que merecemos o nome que recebemos (=cristãos). Quem é chamado por outro nome além deste não é de Deus, pois não recebeu a profecia que nos fala a respeito disso: “O povo será chamado por um novo nome, pelo qual o Senhor os chamará, e serão um povo santo”. Isto se cumpriu primeiramente na Síria, pois “os discípulos eram chamados de cristãos na Antioquia”, quando Paulo e Pedro estabeleciam as fundações da Igreja. Abandonai, pois, a maldade, o passado, as influências viciadas e sereis transformados no novo instrumento da graça. Permanecei em Cristo e o estranho não obterá o domínio sobre vós. É absurdo professar Jesus Cristo com a língua e cultivar na mente o Judaísmo, que agora chegou ao fim. Onde está o Cristianismo não pode estar o Judaísmo. Cristo é único; toda nação que Nele crê e toda língua que O confessa é, por Ele, conduzida até Deus. E aqueles que têm coração duro devem tornar-se filhos de Abraão, o amigo de Deus; e em sua semente todos serão abençoados e receberão a vida eterna em Cristo.

11. Amados: estas coisas [que vos escrevo] – não que eu saiba algo sobre o vosso comportamento, mas por ser inferior a vós – tem por objetivo previni-los para que não sejais fisgados pelos anzóis da vã doutrina, mas para que possais conquistar a segurança plena em Cristo, que estava com o Pai antes de todas as eras, e que mais tarde nasceu da Virgem Maria sem qualquer intercurso com o homem. Ele também teve uma vida santa e curou todo tipo de moléstia e enfermidade que atingia o povo, e realizou sinais e maravilhas em benefício dos homens; e para aqueles que caíram no erro do politeísmo, Ele permitiu conhecer o único e verdadeiro Deus, Seu Pai, e experimentou a paixão, sofrendo na cruz em razão dos judeus assassinos, no tempo do governador Pôncio Pilatos, quando Herodes era rei. Ele morreu e ressuscitou, e ascendeu aos céus, de volta Àquele que o enviara, e sentou-se à mão direita de Deus [Pai]; e retornará no fim dos tempos, na glória de Deus Pai, para julgar os vivos e os mortos de acordo com as suas obras. Todo aquele, que conhece e crê nestas coisas com total segurança, é feliz; sejais, pois, agora, amantes de Deus e de Cristo, garantia plena da nossa esperança, para que ninguém possa vos desviar.

PARTE V – VIVER NA FÉ E NA UNIDADE

12. Que eu possa alegrar-me convosco em todas as coisas, se o merecer! Mesmo acorrentado, não sou digno de ser comparado a qualquer de vós que estais em liberdade. Sei que vós não estais inchados de orgulho, já que possuis Jesus em vós mesmos. E tudo o mais que louvo em vós, sei que guardais com modéstia de espírito; como está escrito: “O homem justo é seu próprio acusador”; e novamente: “Declara primeiro as tuas iniquidades e poderás ser justificado”; e ainda: “Quando tiverdes feito todas as coisas que são ordenadas a ti, seremos servos inúteis para aquele que aprecia entre os homens, uma abominação aos olhos do Senhor”; também diz a Escritura: “Deus seja misericordioso comigo, pecador”. E Davi diz: “Quem sou eu perante Ti, ó Senhor, já que Tu me glorificaste até agora?”. E Moisés, que era “o mais obediente de todos os homens”, disse a Deus: “Minha voz é fraca e mal sei falar”. Sejais também pobres em espírito para que sejais exaltados; pois “aquele que se humilhar será exaltado e aquele que se exaltar será humilhado“.

13. Portanto, estudai para manter-vos na doutrina do Senhor e dos apóstolos, para que todas as coisas que fizerdes possam prosperar tanto na carne quanto no espírito, na fé e no amor, unidos com o vosso admirável bispo, com a preciosa coroa espiritual do vosso presbitério e com os diáconos que estão em conformidade com Deus. Sejais submissos ao bispo e uns aos outros, como Cristo é com o Pai, para que haja unidade entre vós, de acordo com [a vontade de] Deus.

PARTE VI – CONCLUSÃO E DESPEDIDA

14. Sei que estais repletos de tudo o que é bom e, por isso, exortei-vos brevemente no amor de Jesus Cristo. Lembrai-vos de mim em vossas orações, para que eu possa alcançar a Deus. E [lembrai-vos também] da Igreja que está na Síria, da qual não sou digno de ser chamado seu bispo. Necessito da vossa oração unida em Deus e do vosso amor para que a Igreja da Síria possa ser digna, conforme sua boa ordem, de ser edificada em Cristo.

15. Os efésios que habitam em Esmirna – de onde eu vos escrevo – estão aqui para a glória de Deus, como vós também fizestes; eles me reconfortam e vos saúdam juntamente com Policarpo, bispo dos esmirnicenses. As demais igrejas, em honra de Jesus Cristo, também vos saúdam. Ficai bem na harmonia de Deus, vós que obtivestes o Espírito inseparável que é Jesus Cristo.

Fonte: http://beinbetter.wordpress.com/documentos/cartas-de-santo-inacio-de-antioquia/epistola-aos-magnesios/

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SANTO INÁCIO DE ANTIOQUIA – EPÍSTOLA AOS TRALIANOS

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Inácio, Bispo de Antioquia (67 – 110 d.C.).

Inácio, também chamado Teóforo, à Igreja santa de Trales na Ásia, Igreja amada por Deus, Pai de Jesus Cristo, eleita e digna de Deus, que possui a paz na carne e no espírito pela Paixão de Jesus Cristo, nossa esperança na ressurreição que nos conduzirá a ele. Saúdo-a em toda a plenitude, à maneira dos Apóstolos e lhe transmito os votos da maior felicidade.

1. Convenci-me de vossos sentimentos puros e intocáveis na paciência; vós os tendes não apenas para uso mas por natureza, como me esclareceu Políbio, vosso bispo, que compareceu por vontade de Deus e Jesus Cristo, em Esmirna, para regozijar-se desta forma comigo prisioneiro em Jesus Cristo. Nele, pude assim contempla[r] toda a vossa comunidade. Tendo pois experimentado através dele vossa benevolência segundo Deus, eu O glorifiquei, sabendo-vos imitadores d’Ele.

2. Na hora em que vos submeteis ao bispo como a Jesus Cristo, me dais a impressão de não viverdes segundo os homens, mas segundo Jesus Cristo, que morreu por nós para fugirdes à morte pela confiança na morte d’Ele. É mesmo necessário, como aliás é de vosso feitio, nada empreender sem o bispo, mas submeter-vos também ao presbitério como a apóstolos de Jesus Cristo nossa Esperança, no qual nos encontraremos se assim nos portarmos. Faz-se igualmente mister que os que são diáconos dos mistérios de Jesus Cristo agradem a todos em tudo. Pois não é de comidas e bebi­das que são diáconos, mas são servos da Igreja de Deus. Terão que precaver-se pois contra as acusações, como contra o fogo.

3. Da mesma forma deverão todos respeitar os diáconos como a Jesus Cristo, como também ao bispo que é a imagem do Pai, aos presbíteros, porém como ao se­nado de Deus e ao colégio dos apóstolos. Sem eles, já não se pode falar de Igreja. Estou convencido que em relação a eles assim procedeis, pois recebi e guardo comigo a prova de vossa caridade na pessoa de vosso bispo: sua mesma presença se constitui num grande ensinamento, sua mansidão é um poder. Suponho que os próprios ateus o respeitem. Por amor vos poupo, embora pudesse escrever com mais veemência sobre o assunto. Não me atrevi a dar-vos ordens, como se fosse Apóstolo, pois me encontro na condição de condenado.

4. Chego a pensar muita coisa em Deus, mas me contenho, para não me perder na vanglória. É exata­mente nesta hora que mais devo cuidar-me, não dando atenção aos que me exaltam, pois enquanto falam estão a flagelar-me. Amo, é certo, o sofrimento, mas não sei se sou digno dele. Minha impaciência não transparece aos olhos da multidão, a mim é que me tortura tanto mais. Necessito assim de mansidão, na qual se aniquila o príncipe deste mundo.

5. Não saberia eu descrever-vos as coisas do céu? Receio, porém, fazer-vos mal, já que sois ainda crianças. Perdoai-me, se não o faço; não sendo capazes de assimilar, poderíeis sufocar-vos. Pois também eu, embora prisioneiro e capaz de conhecer coisas celestes, mesmo as hierarquias dos anjos e os exércitos dos principados, coisas visíveis e invisíveis, nem por isso ainda sou discípulo. Muito nos falta, para que Deus não nos chegue a faltar.

6. Exorto-vos, pois – não eu, mas o amor de Jesus Cristo: Servi-vos tão somente de alimento cristão, abstende-vos de planta estranha, isto é, de heresia. Misturam Jesus Cristo a si próprios, fazendo passar-se por dignos de fé, como quem mistura droga mortífera juntamente com vinho e mel, bebida que o ignorante toma com gosto, mas gosto mau, pois é para a morte.

7. Cuidai-vos, pois, de tais pessoas. Fá-lo-eis, se não vos orgulhardes e não vos separardes de Jesus Cris­to Deus, nem do bispo nem das prescrições dos Após­tolos. Quem se encontra no interior do santuário é puro; quem se encontra fora do santuário não é puro, isto é, quem pratica alguma coisa sem o bispo, o presbitério e o diácono, este não é puro em sua consciência.

8. Não que tivesse conhecimento de algo assim entre vós; tento sim prevenir-vos como a pessoas queridas, prevendo as ciladas do diabo. Adotai, pois a mansidão e renovai-vos na fé, que é a carne do Senhor, e na caridade, que é o sangue de Jesus Cristo. Ninguém dentre vós tenha algo contra o vizinho. Não deis pretextos aos gentios, para que a comunidade de Deus não seja injuriada por causa de uns poucos insensatos. Pois ai daquele por cuja leviandade meu nome for por alguns blasfemado.

9. Mantende-vos surdos na hora em que alguém vos falar de outra coisa que de Jesus, da descendência de Davi filho de Maria, o qual nasceu de fato, comeu e bebeu, foi de fato perseguido sob Pôncio Pilatos, de fato foi crucificado e morreu à vista dos que estão nos céus, na terra e debaixo da terra. O qual de fato também ressurgiu dos mortos, ressuscitando-O o próprio Pai. É o mesmo Pai d’Ele que, à Sua semelhança, ressuscitará em Cristo Jesus aos que cremos n’Ele; fora d’ele, não temos vida verdadeira.

10. Se porém, como afirmam alguns que são ateus, isto é, sem fé, Ele só tivesse sofrido aparentemente – eles é que só existem aparentemente – eu por que estou preso, por que peço para combater com as feras? Morro pois em vão. Estaria então a mentir contra o Senhor.

11. Fugi pois destas plantas parasitas, que produzem fruto mortífero. Se alguém provar delas morre na hora. Não são pois eles plantação do Pai. Se o fossem, apareceriam como rebentos da cruz, e seu fruto se­ria imperecível. Pela Cruz, Ele vos conclama em sua Paixão como Seus membros. Não pode uma cabeça nascer sem membros, uma vez que Deus nos promete a unidade que é Ele próprio.

12. Saúdo-vos de Esmirna, em companhia das Igrejas de Deus que estão comigo, elas que em todo sentido me confortaram na carne e no espírito. Meus grilhões, que carrego por amor de Jesus Cristo com o pedido de que encontre a Deus, vos conclamam: perseverai em vossa concórdia e na oração comum! Convém que cada um de vós, e de modo particular os presbíteros, confortem o bispo para a honra do Pai, de Jesus Cristo e dos Apóstolos. Desejo que me escuteis com amor, para que com minha carta não me transforme em testemunho contra vós. Rezai também por mim, que preciso de vossa caridade junto à misericórdia de Deus, para tornar-me digno da herança que me toca alcançar, para não ser encontrado indigno de recebê-la.

13. Saúda-vos a caridade dos esmirnenses e efésios. Lembrai-vos em vossas orações da Igreja na Síria: não mereço trazer-lhe o nome, pois sou o último dentre eles. Passar bem em Jesus Cristo, sujeitando-vos ao bispo como ao mandamento do Senhor, e também ao presbitério. Amai-vos mutuamente, um por um, em coração indiviso. Meu espírito por vós se empenha, não apenas agora, também quando com Deus me encontrar. Ainda estou em perigo, mas o Pai é fiel para cumprir em Jesus Cristo o meu e o vosso pedido. Oxalá vos encontreis irrepreensíveis n’Ele.

Fonte: http://beinbetter.wordpress.com/documentos/cartas-de-santo-inacio-de-antioquia/epistola-aos-tralianos/

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SANTO INÁCIO DE ANTIOQUIA – EPÍSTOLA AOS EFÉSIOS – SÉC II

S. Inácio de Antioquia – séc.II    

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CARTA DE SANTO INÁCIO DE ANTIOQUIA AOS EFÉSIOS

SOBRE A OBRA

Por Alessandro Lima

Esta carta foi escrita em Esmirna onde Policarpo era bispo, aproximadamente em 107 d.C.. Onésimo, então bispo de Éfeso, vai até Esmirna saudar Inácio. Inácio aproveita a oportunidade para enviar uma carta à comunidade de Éfeso.

A carta divide-se em uma breve saudação, recomendações e despedida. A carta dá testemunho que a Igreja já se encontrava organizada em três níveis hierárquicos distintos: bispo, presbíteros e diáconos.

O tema central é a unidade dos cristãos: unidade com os diáconos, presbíteros e com o bispo. Dá forte testemunho da importância do bispo, que representava o próprio Senhor. Inácio testemunha que aquele que não se submete ao bispo, é orgulhoso e indigno de participar da família de Deus.

Inácio, revela-se conhecedor das processões divinas em Deus, ao reconhecer no Cristo a processão intelectiva de Deus (“De fato, Jesus Cristo, nossa vida inseparável, é o pensamento do Pai” cf. Ef 3:2), o que seria mais tarde explicado à luz da filosofia por São Tomás de Aquino, em sua obra Suma Teológica.

O Santo Bispo de Antioquia, dá forte testemunho da Divindade de Jesus Cristo (cf. Ef.1:1 ; 7:2), o Salvador gerado e não gerado (ingênito). Com este testemunho, Inácio trouxe para a construção do Dogma, pedras sólidas que ajudaram o Concílio de Nicéia (325 d.C.) a fixar no Credo o “genitum non factum”, isto é, gerado e não criado. Embora Inácio ainda não tivesse esta precisão, Atanásio que colaborou na elaboração do vocábulo, reconheceu a perfeita ortodoxia no texto desta carta.

CARTA DE SANTO INÁCIO DE ANTIOQUIA AOS EFÉSIOS

Por Santo Inácio de Antioquia

Tradução: Ivo Storniolo, Euclides M. Balancin

Fonte: Padres Apostólicos, Volume I, Coleção Patrística. Ed. Paulus

Saudação

Inácio, também chamado Teóforo, à Igreja que foi grandemente abençoada com a plenitude de Deus Pai, predestinada antes dos séculos para existir sempre, para uma glória que não passa, inabalavelmente unida, escolhida na paixão verdadeira, pela vontade do Pai e de Jesus Cristo, nosso Deus. À Igreja digna de ser chamada feliz, que está em Éfeso(a), na Ásia, as melhores saudações em Jesus Cristo e numa alegria irrepreensível.

Amor dos efésios

1. 1Acolhi em Deus vosso amadíssimo nome, que adquiristes por justo título natural, segundo a fé e o amor em Cristo Jesus, nosso Salvador. Imitadores que sois de Deus, reanimados pelo sangue de Deus, realizastes até o fim a obra que convém à vossa natureza. 2Ao saber que eu vinha da Síria, acorrentado por causa do Nome e da esperança, que são comuns a nós, confiante na vossa oração para sustentar em Roma a luta com as feras, para poder ser desse modo discípulo, vós vos apressastes a vir ao meu encontro. 3Em nome de Deus, recebi a vossa comunidade na pessoa de Onésimo, homem de indizível amor, vosso bispo segundo a carne. Eu vos peço que o ameis em Jesus Cristo, e que vos torneis semelhantes a ele. Seja bendito aquele que vos concedeu a graça e vos considerou dignos de merecer tal bispo.

2. 1A Burrob, meu companheiro de serviço e vosso diácono segundo Deus, abençoado em todas as coisas, eu desejo que ele permaneça para vossa honra e do vosso bispo. Quanto a Croco, digno de Deus e de vós, que recebi como um exemplo do vosso amor, ele foi para mim conforto em todas as coisas; que o Pai de Jesus Cristo também o conforte com Onésimo, Burro, Euplo e Frontão. Neles eu vi a todos vós segundo o amor. 2Possa eu encontrar sempre a minha alegria em vós, caso eu seja digno disso. É preciso glorificar, a fim de que, reunidos na mesma obediência, submetidos ao bispo e ao presbítero, sejais santificados em todas as coisas.

Exortação à unidade

3. 1Não vos dou ordens como se fosse uma pessoa qualquer. Embora eu esteja acorrentado por causa do Nome, ainda não atingi a perfeição em Jesus Cristo. Com efeito, agora estou começando a aprender, e vos dirijo a palavra como a condiscípulos meus. Sou eu quem teria necessidade de ser ungido por vós com a fé, a exortação, a perseverança e a paciência. 2Todavia, o amor não me permite calar a respeito de vós. É por isso que desejo exortar-vos a caminhar de acordo com o pensamento de Deus. De fato, Jesus Cristo, nossa vida inseparável, é o pensamento do Pai, assim como os bispos, estabelecidos até os confins da terra, estão no pensamento de Jesus Cristo.

4. 1Convém caminhar de acordo com o pensamento de vosso bispo, como já o fazeis. Vosso presbítero, de boa reputação e digno de Deus, está unido ao bispo, assim como as cordas da cítara. Por isso, no acordo de vossos sentimentos e na harmonia de vosso amor, vós podeis cantar a Jesus Cristo. 2A partir de cada um, que vos torneis um só coro, a fim de que, na harmonia de vosso acordo, tomando na unidade o tom de Deus, canteis a uma só voz, por meio de Jesus Cristo, um hino ao Pai, para que ele vos escute e vos reconheça por vossas boas obras, como membros do seu Filho. É proveitoso, portanto, que estejais em unidade inseparável, a fim de sempre participar de Deus.

5. 1De fato, se em pouco tempo contraís com vosso bispo tanta familiaridade que não é humana mais espiritual, tanto mais eu vos felicito por estardes unidos a ele, assim com a Igreja está unida com Jesus Cristo, e Jesus Cristo com o Pai, a fim de que todas as coisas estejam de acordo na unidade. 2Que ninguém se engane: quem não está junto do altar está privado do pão de Deus. Se a oração de duas pessoas juntas tem tal força, quanto mais a do bispo e de toda a Igreja! 3Aquele que não participa da reunião é orgulhoso e já está por si mesmo julgado, pois está escrito: “Deus resiste aos orgulhosos.” Tenhamos cuidado, por tanto, para não resistirmos ao bispo, a fim de estarmos submetidos a Deus.

6. 1Quanto mais alguém vê que o bispo se cala, tanto mais o deve respeitar. De fato, a todo aquele que o dono da casa envia para administrá-la, é preciso que o recebamos como se fosse aquele que o enviou. Está claro, portanto, que devemos olhar o bispo como ao próprio Senhor. 2Por outro lado, o próprio Onésimo louva em alta voz vossa boa ordem em Deus, dizendo que vós todos viveis segundo a verdade, que nenhuma heresia se aninha entre vós e que não dais ouvido a ninguém que vos fale de qualquer coisa, a não ser de Jesus Cristo na verdade.

Fugir da heresia

7. 1De fato, existem algumas pessoas que dolosamente costumam levar o Nome, mas agem de mode diferente e indigno de Deus; é preciso que eviteis essas pessoas como se fossem feras selvagens. Com efeito, são cães raivosos que mordem sorrateiramente. Atentos a eles, pois suas mordidas são difíceis de curar. 2Existe apenas um médico, carnal e espiritual, gerado e não gerado, Deus feito carne, Filho de Maria e Filho de Deus, vida verdeira na morte, vida primeiro passível e agora impassível, Jesus Cristo nosso Senhor.

8. 1Que ninguém, portanto, vos engane, assim como também não vos deixeis enganar, sendo todos de Deus. Se não há nenhuma discórdia entre vós que possa atormentar-vos, então verdadeiramente estais vivendo segundo Deus. Sou vossa vítima expiatória, e me ofereço em sacrifício por vós, efésios, Igreja famosa pelos séculos. 2Os carnais não podem realizar as coisas espirituais, nem os espirituais coisas carnais, da mesma forma que a fé não pode realizar as coisas da infidelidade, nem a infidelidade as coisas da fé. Até mesmo as coisas que realizais na carne são espirituais. Fazei tudo em Jesus Cristo.

9. 1Eu soube que por aí passaram alguns, levando mau ensinamento. Vós, porém, não os deixastes semear em vosso meio, tapando os ouvidos para não receber o que eles semeiam, porque sois as pedras do templo do Pai, preparadas para a contrução de Deus Pai, levantadas até o alto pela alavanca de Jesus Cristo, que é a cruz, usando a corda, que é o Espírito Santo. Voss fé é o vosso guindaste, a fé é o caminho que eleva até Deus. 2Sois todos companheiros de viagem, portadores de Deus e do templo, portadores de Cristo e do Espírito Santo, portadores dos objetos sagrados, ornados em tudo com os mandamentos de Jesus Cristo. Estou alegre convosco, porque fuiu julgado digno de conversar convosco por meio desta carta, e de congratular-me pelo fato de que, vivento a vida nova, não amais nenhuma outra coisa além de Deus.

Dar exemplo das virtudes

10. 1Rezai sem cessar pelos outros homens, pois neles há esperança de conversão, a fim de que alcancem a Deus. Deixai que, ao menos por vossas obras, eles se tornem vossos discípulos. 2Quando eles tiverem seus acessos de ira, sede mansos; diante de suas manias de grandeza, sede humildes; frente às suas blafêmias, oponde vossas orações; diante de seus erros, sede firmes na fé; diante de sua ferocidade, sede pacíficos, sem procurar imitá-los. 3Sejamos irmãos deles pela bondade, e procuremos ser imitadores do Senhor. Quem sofreu mais a injustiça? Quem teve mais privações? Quem foi mais desprezado? Não se encontre entre vós nenhuma erva do diabo, mas, com toda a castidade e temperança, permanecei em Jesus Cristo com a carne e o espírito.

Procurar Cristo, fonte de vida e unidade

11. 1São os últimos tempos. Envergonhemo-nos e temamos que a paciência de Deus se transforme em condenação para nós. Das duas uma: ou tememos a ira futura, ou amamos a graça presente. Só uma coisa importa: que nos encontremos em Jesus Cristo para entrar na vida verdadeira. 2Fora dele, nada tenha valor para vós. Eu carrego as correntes por causa dele. São as pérolas espirituais com as quais eu gostaria que me fosse dado ressuscitar, graças à vossa oração. Desta desejo sempre participar para me encontrar na herança dos cristãos de Éfeso, que estão sempre unidos aos apóstolos pela força de Jesus Cristo.

12. 1Sei quem sou e a quem escrevo: eu sou um condenado, e vós obtivestes misericórdia; eu estou em perigo, e vós na segurança. 2Vós sois o caminho para aqueles que, pela morte, são elevados até Deus, iniciados nos mistérios com Paulo, que foi santificado, recebeu o testemunho e é digno de ser chamado bem-aventurado. Possa eu estar sobre as pegadas dele, quando alcançar a Deus. Em todas as suas cartas, ele se lembra de vós em Cristo Jesus.

13. 1Esforçai-vos para vos reunir mais frequentemente, para agradecer e louvar a Deus. Quando vos reunis co frequência, as forças de satanás são abatidas e sua obra de ruína é dissolvida pela concórdia de vossa fé. 2Não há nada mais precioso do que a paz, que põe abaixo toda a guerra das potências aéras e terrestres.

Fé e caridade: critério do verdadeiro discípulo

14. 1Nada disso ficará escondido de vós, se tiverdes, em Jesus Cristo, fé e amor totais, que são o começo e o fim da vida: o começo é a fé, e o fim é o amor. Os dois juntos são Deus, e tudo mais, que se refere à perfeição e santidade, os seguem. 2Quem professa a fé não peca, e quem possui o amor não odeia. Pelos frutos conhecemos a árvore. Da mesma forma, os que professam pertencer a Cristo são reconhecidos por suas obras. Agora a obra que nos é pedida não é a profissão de fé, mas que cada um se mantenha na força da fé até o fim.

Não se deixar seduzir pela heresia

15. 1É melhor calar e ser, do que falar e não ser. É bom ensinar, se aquele que fala, faz. De fato, há um único mestre, aquele que disse e era. E o que ele fez, calando, são coisas dignas do Pai. 2Aquele que possui verdadeiramente a palavra de Jesus pode escutar também seu silêncio, a fim de ser perfeito, para realizar o que diz ou para ser conhecido pelo seu silêncio. Nada está escondido para o Senhor, mas até nossos segredos estão junto dele. 3Portanto, façamos tudo como se ele morasse dentro de nós, para sermos templos dele e ele próprio ser o nosso Deus dentro de nós, como o é de fato e como aparecerá diante de nossa face, se o amarmos justamente.

16. 1Meus irmãos, não vos enganeis. Aqueles que corrompem uma família não herdarão o Reino de Deus. 2Com efeito, se morrem aqueles que fazem isto segundo a carne, quanto mais aquele que, por sua má doutrina, corrompesse a fé em Deus, pela qual Jesus Cristo foi crucificado! Essa pessoa, tornada impura, irá para o fogo inextinguivel, juntamente com aquele que a escuta

17. 1Por isso, o Senhor recebeu unguento sobre a cabeça, a fim de exalar a incorruptibilidade para a sua Igrejac. Portanto, não vos deixeis ungir com o mau odor do príncipe deste mundo, para que não os leve prisioneiros, longe da vida que vos espera. 2Por que não nos tornamos todos sábios, recebendo o conhecimento de Deus, que é Jesus Cristo? Por que perecermos loucamente, desconhecendo o dom que o Senhor verdadeiramente nos enviou?

O homem novo

18. 1Meu espírito é vítima da cruz, que é escândalo para os que não crêem, mas salvação e vida eterna para nós. Onde está o sábio? Onde está o inquisitor? Onde está a vaidade daqueles que se dizem sábios? 2De fato, o nosso Deus Jesus Cristo, segundo a economia de Deus, foi levado no seio de Maria, da descendência de Davi e do Espírito Santo. Ele nasceu e foi batizado, para purificar a água na sua paixão.

19. 1Ao príncipe deste mundo ficou escondida a virgindade de Maria, seu parto, e igualmente a morte do Senhor. Três mistérios retumbantes, que foram realizados no silêncio de Deus. 2Como, então, foram manifestados ao mundo? Um astro brilhu no céu mais que todos os astros, sua luz era indizível e sua novidade causou admiração. Todos os astros, juntamente como o sol e a lua, formaram coro em torno do astro, e ele projetou sua luz mais do que todos. 3Houve admiração. Donde vinha a novidade tão estranha a eles? Então, toda magia foi destruída, e todo reino foi arruinado, quando Deus apareceu em forma de homem, para um novidade de vida eterna. Aquilo que havida sido decidido por Deus começava a se realizar. Tudo ficou perturbado no momento em que se preparava a destruição da morte.

20. 1Se Jesus Cristo me tornar digno, graças às vossas orações, e se for da vontade de Deus, eu vos explicarei, em segundo livrinho que devo escrever-vos, a economia da qual comecei a vos falar, a respeito do homem novo, Jesus Cristo. Ela consiste na fé nele e no amor por ele, no seu sofrimento e ressurreição. 2Sobretudo se o Senhor me revelar que cada um e todos em conjunto, na graça que provém do seu nome, vos reunireis na mesma fé em Jesus Cristo da descendência de Davi segundo a carne, filho de homem e filho de Deus, para obedecer ao bispo e ao presbítero, em concórdia estável, partindo o mesmo pão, que é remédio de imortalidade, antídoto para não morrer, mas para viver em Jesus Cristo para sempred.

Saudações finais

21. 1Eu sou vosso resgate, para vós e para os que, em honra a Deus, haveis enviado a Esmirna, de onde vos escrevi, dando graças ao Senhor, amando a Policarpo como vos amo também. Lembrai-vos de mim, como Jesus se lembra de vós. 2Orai pela Igreja que está na Síria, de onde sou conduzido em cadeias até Roma, porque sendo o último dos fiéis de lá, fui julgado digno de servir à honra de Deus. Tende bom comportamento em Deus e em Jesus Cristo, nossa esperança comum.

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(a) Situada na costa oeste da Ásia Menor (hoje Turquia), tornou-se, no século VIII, uma grande potência comercial. Seu famoso templo dedicado à deusa Diana Ártemis era uma das sete maravilhas do mundo. Numerosos eram os judeus que ali habitavam e mantinham uma importante sinagoga. Talvez por isso, foi um dos primeiros centros de evangelização alimentado pelas pregações de Paulo ao longo de três anos, de 55 a 57, sua carta, a tradição joanina. O imperador Teodósio convocou ali, em 431, o III Concílio Ecumênico. Nele foi proclamado o dogma da Maternidade divina de Maria, destronando, definitivamente, o culto à deusa Diana Ártemis.

(b)Trata-se do sacerdote ad hoc que os erminiotas lhe enviaram, a quem Inácio ditava suas cartas. Cf. também Carta aos Erminiotas 7:1

(c)Forte testemunho na fé na Assistência Divina à Igreja, que impossibilita que Ela pregue o erro. Cf. Mt 16:19.

(d)Se o pão da Ceia realmente não constituísse o corpo de Cristo, estas frases de Inácio não fariam sentido.

Notas: Roque Frangiotti, Alessandro Ricardo Lima.

VS, . Apostolado Veritatis Splendor: EPÍSTOLA AOS EFÉSIOS. Disponível em http://www.veritatis.com.br/article/3679. Desde 05/09/1999.

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SANTO INÁCIO DE ANTIOQUIA – EPÍSTOLA AOS ROMANOS

santoinacio

Esta carta foi escrita em Esmirna onde Policarpo era bispo, aproximadamente em 107 d.C..Esta carta é totalmente diferente das demais cartas que Inácio enviou às outras Igrejas.Nas cartas destinadas às outras Igrejas, Inácio escreve: “à Igreja de Deus que está em ” Éfeso, Esmirna, Trália, Magnéria e etc. O tratamento dado à igreja de Roma é totalmente diferente: “à Igreja que preside na Região dos Romanos”. Isto mostra que a Igreja de Roma presidia as demais Igrejas, isto é, que o seu Bispo era o chefe da Igreja Católica espalhada no mundo inteiro.A Carta de Inácio aos Romanos é a prova histórica mais antiga da era pós-apostólica, do Primado da Igreja de Roma. Inácio confessa o Primado da Igreja de Roma em vários trechos de sua carta (Inácio aos Romanos – Saudação; 4:3; 9:1; 10:2)Esta carta também se difera das demais, por Inácio não querer ensinar nada a esta Igreja; ao contrário, reconhece que muito aprendeu dela (Inácio ao Romanos 3:2).O tema central desta carta também não é o mesmo das demais. Inácio foi capturado na Síria, onde era bispo em Antioquia, para ser entregue às feras em Roma. Por estar muito próximo à Roma, sua ansiedade em ser morto pelas feras e assim glorificar a Deus era muito grande. Por este motivo pede insistentemente que os cristãos de Roma, não o impeçam de ser morto (Inácio aos Romanos 2;4;6;7).A carta também dá testemunho da fé primitiva na Divindade de Jesus Cristo (Inácio aos Romanos Saudação; 3:3), na Ressurreição dos Mortos (Inácio aos Romanos 2:2) e na Real Presença de Jesus Cristo em corpo e sangue na Eucaristia (Inácio aos Romanos 7:3).Alessandro LimaCARTA DE SANTO INÁCIO DE ANTIOQUIA AOS ROMANOSPor Santo Inácio de AntioquiaTradução: Ivo Storniolo, Euclides M. BalancinFonte: Padres Apostólicos, Volume I, Coleção Patrística. Ed. PaulusSaudaçãoInácio, também chamado Teóforo, à Igreja que recebeu a misericórdia, por meio da magnificência do Pai Altíssimo e de Jesus Cristo, seu Filho único; à Igreja amada e iluminada pela bonbade daquele que quis todas as coisas que existem, segundo fé e amor dela por Jesus Cristo, nosso Deus; à Igreja que preside na região dos romanos, digna de Deus, digna de honra, digna de ser chamada feliz, digna de louvor, digna de sucesso, digna de pureza, que preside o amor, que porta a lei de Cristo, que porta o nome do Pai; eu a saúdo em nome de Jesus Cristo, o Filho do Pai a. Àqueles que física e espiritualmente estão unidos a todos os seus mandamentos, inabalavelmente repletos da graça de Deus, pufificados de toda coloração estranha, eu lhes desejo alegria pura em Jesus Cristo, nosso Deus.Ver a comunidade e ir a Deus1. 1Depois de rezar a Deus, obtive dele ver vossos rostos santos, pois eu tinha pedido insistentemente receber esse favor. Acorrentado em Jesus Cristo, espero saudar-vos, se é vontade de Deus que eu seja encontrado digno de ir até o fim. 2Com efeito, o começo é fácil, mas eu queria obter a graça de receber, sem obstáculo, a minha herança. Receio porém, que o vosso amor me faça mal. De fato, para vós, é fácil fazer o que quereis; para mim, porém, é difícil alcançar a Deus, se não me poupardes.Não impedir o martírio2. 1Não desejo que agradeis aos homens, mas que agradeis a Deus, como de fato o fazeis. Eu não teria outra ocasião como esta de alcançar a Deus, e vós, se ficásseis calados, poderíeis assinar obra melhor. Se guardásseis o silêncio a meu respeito, eu me tornaria pertencente a Deus. Se amais minha carne, porém, ser-me-à preciso novamente correr. 2Não desejeis nada para mim, senão ser oferecido em libação a Deus, enquanto ainda existe altar preparado, a fim de que, reunidos em coro no amor, canteis ao Pai, por meio de Jesus Cristo, por Deus se ter dignado fazer com que o bispo da Síria se encontrasse aqui, fazendo-o vir do Oriente para o Ocidente. É bom deitar-se, longe do mundo, em direção a Deus, para depois se levantar.Ser cristão de fato 3. 1Nunca tiveste inveja de ninguém; ensinastes a outros. Quanto a mim, quero que permaneça firme o que ensinastes. 2Para mim peçam apenas a força interior e exterior, para que eu não só fale, mas também queira; para que eu não só me diga cristão, mas de fato seja encontrado como tal. Se eu de fato sou, poderei também ser chamado como tal, e ser verdadeiramente fiel, quando não for mais visível para o mundo. 3Nada do que é visível é bom. De fato, nosso Deus Jesus Cristo, estando agora com seu Pai, torna-se manifesto ainda mais. O cristianismo, ao ser odiado pelo mundo, mostra que não é obra de persuasão, mas de grandeza.Sou trigo de Deus4. 1Escrevo a todas as Igrejas e anuncio a todos que, de boa vontade, morro por Deus, caso vós não me impeçais de o fazer. Eu vos suplico que não tenhais benevolência inoportuna por mim. Deixai que eu seja pasto das feras, por meio das quais me é concedido alcançar a Deus. Sou trigo de Deus, e serei moído pelos dentes das feras, para que me apresente como trigo puro de Cristo. 2Ao contrário, acariciai s feras, para que se tornem minha sepultura, e não deixem nada do meu corpo, para que, depois de morto, eu não pese ninguém. Então serei verdadeiramente discípulo de Jesus Cristo, quando o mundo não vir mais meu corpo. Suplicai a Cristo por mim, para que eu, com eses meios, seja vítima oferecida a Deus. 3Não vos dou ordens como Pedro e Paulo; eles eram apóstolos, eu sou um condenado. Eles eram livres, e eu até agora sou um escravo. Contudo, se eu sofro, serei um liberto de Jesus Cristo, e ressurgirei nele como pessoa livre. Acorrentado, aprendo agora a não desejar nada.5. 1Desde a Síria até Roma, luto contra as feras, por terra e por mar, de noite e de dia, acorrentado a dez leopardos, a um destacamento de soldados; quando se lhes faz bem, tornam-se piores ainda. Todavia, por seus maus tratos, eu me torno discípulo melhor, mas “nem por isso sou justificado”.2Possa eu alegrar-me com as feras que me estão sendo preparadas. Desejo que elas sejam rápidas comigo. Acariciá-las-ei, para que elas me devorem logo, e não tenham medo, como tivem de alguns e não ousaram tocá-los. Se, por má vontade, elas se recusarem, eu as forçarei. Perdoai-me; sei o que me convém. 3Agora estou começando a me tornar discípulo. Que nada de visível e invisível, por inveja, me impeça de alcançar Jesus Cristo. Fogo e cruz, manadas de feras, lacerações desmembros, trituração de todo o corpo, que os piores flagelos do diabo caiam sobre mim, com a única condição de que eu alcançe Jesus Cristo.Imitar a paixão Cristo6. 1Para nada me serviram os encantos do mundo, nem os reinos deste século. Para mim, é melhor morrer para Cristo Jesus do que ser rei até os confins da terra. Procuro aquele que morreu por nós; quero aquele que por nós ressuscitou. Meu parto se aproxima. 2Perdoai-me, irmãos. Não me impeçais de viver, não queirais que eu morra. Não me abandoneis ao mundo, não seduzais com a matéria quem quer pertencer a Deus. Deixai-me receber a luz pura; quando tiver chegado lá, serei homem. 3Deixai que seja imitador da paixão do meu Deus. Se alguém tem Deus em si mesmo, compreenda o que quero e tenha compaixão de mim, conhecendo aquilo que me oprime.7. 1O príncipe deste mundo quer arrebatar-me e corromper o meu pensamento dirigido a Deus. Que ninguém dos que aí estão presentes o ajude. Antes, colocai-vos do meu lado, isto é, do lado de Deus. Não tenhais Jesus Cristo na boca, desejando, ao mesmo tempo, o mundo. Que a inveja não habite em vosso meio. 2Mesmo se eu estiver jundo de vós e vos implorar, não vos deixeis persuadir. Persuada-vos aquilo que vos escrevo. É vivo que eu vos escrevo, mas com anseio de morrer. Meu desejo terrestre foi crucificado, e não há mais em mim fogo para amar a matéria. Dentro de mim, há uma água viva, que murmura e diz: “Vem para o Pai.” 3Não sinto prazer pela comida corruptível, nem me atraem os prazeres desta vida. Desejo o pão de Deus, que é a carne de Jesus Cristo, da linhagem de Davi, e por bebida o sangue dele, que é o amor incorruptível.O amor crucificado8. 1Não quero mais viver conforme os homens. Se quiserdes, assim o será. Desejai isso, para que também vós possais ser amados por Deus. Eu vo-lo peço em poucas palavas: 2Crede em mim. Jesus Cristo vos manifestará que estou falando sinceramente. Ele é a boca que não mente, pela qual o Pai verdadeiramente falou. 3Rogai por mim, para que eu alcance a meta. Não vos escrevi segundo a carne, mas conforme o pensamento de Deus. Se eu sofrer, vós me tereis amado; se eu for recusado, vós me tereis odiado.Recomendações9. 1Em vossa oração, lembrai-vos da Igreja da Síria que, em meu lugar, tem Deus por pastor. Somente Jesus Cristo e o vosso amor serão nela o bispo. 2De minha parte, sinto-me envergonhado de se contado entre seus fiéis. Não sou digno disso, pois sou o último entre eles, e um abortivo. Contudo, se eu alcançar a Deus, terei recebido a misericórdia de ser alguém. 3Meu espírito vos saúda, bem como o amor das Igrejas que me receberam em nome de Jesus Cristo, e não como simples viajante. Embora não as tenha encontrado fisicamente em meu caminho, elas me precederam de cidade em cidade.10. 1De Esmirna, eu vos escrevo essas coisas, por meio de efésios dignos de serem chamados felizes. Entre muitos outros, está comigo Croco, nome que me é caro. 2Creio que conheceis os que foram à minha frente da Síria até Roma, para a glória de Deus. Avisai-os que estou perto. Todos eles são dignos de Deus e de vós, e é bom que os reconforteis em todas as coisas.2Eu vos escrevo nove dias antes das calendas de setembro b. Passai bem até o fim, perseverando em Jesus Cristo.a Forte testemunho do Primado da Igreja de Roma sobre as demais.b É a única carta de Inácio, datada. Estes “nove dias das Calendas de setembro” correspondem a 24 de agosto. Todos os artigos disponíveis neste sítio são de livre cópia e difusão deste que sempre sejam citados a fonte e o(s) autor(es).Para citar este artigo:VS, . Apostolado Veritatis Splendor: EPÍSTOLA AOS ROMANOS. Disponível em http://www.veritatis.com.br/article/3682. Desde 05/09/1999.Postado em: http://carloslopes-shalom.spaces.live.com