CALENDÁRIO ECLESIÁSTICO (FESTAS FIXAS E MÓVEIS)

Fonte: http://blog.cancaonova.com/leandrocouto/calendario-eclesiastico/

INTRODUÇÃO

É o calendário oficial da Igreja Católica Apostólica Romana, sendo adotado, via de regra, em todos os países católicos e também em alguns protestantes. Ele é misto, sendo regulado tanto pelo ano solar como pelo lunar, dando origem às festas móveis.

CALENDÁRIO DAS FESTAS MÓVEIS

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Observações:

1) A Festa do Sagrado coração de Jesus Comemora-se sempre no 2º. Domingo após Pentecostes

2) * ”Paixão”, acima, refere-se à sexta feira que antecede a Páscoa. Não confundir com “Domingo da Paixão” (hoje o  5º. Domingo da Quaresma)  que é o Domingo que antecede Ramos.

POR QUÊ A IGREJA ESTABELECEU AS FESTAS MÓVEIS?

Nos tópicos seguintes iremos estudar por quê a Quarta-Feira de Cinzas e a  Páscoa não possuem data fixa de comemoração.

Todas as festas da Igreja que tem como ponto de referência a Páscoa, são denominadas festas móveis porque baseadas no calendário lunar (judaico) e adaptadas ao nosso calendário (gregoriano). Comecemos relembrando, em resumo, o significado da Páscoa Judaica e da Páscoa Cristã:

PASCOA JUDAICA (breve resumo) – No Antigo Testamento, sabemos que Moisés, sob a guia divina, tornou-se chefe do povo oprimido que encontrava-se sob o jugo dos egípcios, adversários do povo eleito, sob o comando do Faraó que usava de seus poderes terrenos para contrariar os planos divinos. Deus manifesta seu poder através de Moisés, mediante diversos sinais e castigos, mas o coração endurecido do Faraó não acena com nenhum sinal de arrependimento. Durante a libertação do povo guiado por Moisés, Deus institui a celebração da Páscoa através de Moisés e Aarão, mandando dizer a toda a assembléia de Israel que tomasse um cordeiro que deveria ser imolado em data determinada, devendo seu sangue ser tomado, posto sobre as duas ombreiras e sobre a verga da porta da casa. Deus disse ainda que naquela noite passaria através do Egito para exercer sua justiça, ferindo de morte os filhos primogênitos dos Egípcios, mas que passaria adiante das casas marcadas com o sangue do cordeiro. E Deus mandou seu Anjo, e assim foi feito.

“Conservareis a memória daquele dia, celebrando-o como uma festa em honra do Senhor: Fareis isto de geração em geração, pois é uma instituição perpétua” (Ex 12, 14)

Desta forma ficou instituída a a festa da Páscoa, comemorada até os dias atuais pelo povo judeu. O extermínio dos filhos dos egípcios testemunha que o povo eleito, libertado, terá que viver daí em diante, no temor de Deus e reconhecido o seu grande benfeitor. (Veja tudo sobre a instituição da Páscoa no Livro do Êxodo, cap. 12)

PÁSCOA CRISTÃ (breve esumo) – A instituição da Páscoa Cristã encontra-se na imolação de Cristo. Enquanto na primeira festa de Páscoa Deus liberta o povo da escravidão e proclama a sua Aliança com o povo de Israel, na segunda, o próprio Deus torna-se o Cordeiro Imolado para libertar o povo do jugo do pecado e do demônio. Desta vez, o Sangue de Jesus, do Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo, definitivamente liberta toda a humanidade com sua Paixão, Morte e Ressurreição.

“Purificai-vos do velho fermento, para que sejais massa nova, porque sois pães ázimos, porquanto Cristo, nossa Páscoa, foi imolado”. (I Cor 5, 7)

* * * * * * * * *

Recordando:  Memorizados os aspectos centrais da Páscoa Judaica e da Páscoa Cristã, recordemos que Jesus veio ao mundo em cumprimento das Escrituras e por Seu desígnio foi crucificado justamente no dia da preparação da festa da Páscoa, para que, a partir de sua Paixão, Morte e Ressureição fosse instituída a Nova Aliança. Para que fosse instituída a grande e solene Páscoa, como num reflexo pleno da primeira festa de Páscoa.

CONCLUINDO:

Como a festa da Páscoa Judaica, coincide exatamente com o dia da imolação de Cristo, estabeleceu-se já naquele momento, por desígnio de Deus, o dia 14 de Nisã (do calendário judaico ou hebraico), como data de referência à comemoração da Páscoa Cristã. (Encontro da Primeira com a Segunda Aliança)

Assim, a Páscoa judaica é sempre celebrada na 1ª. lua cheia da primavera do hemisfério norte, na noite de 14 para 15 de Nisã . A Páscoa Cristã ficou fixada como o 1ª Domingo posterior à referida 1ª lua cheia, ou seja, no primeiro domingo após a comemoração da Páscoa dos Judeus.

Como o calendário judaico é baseado nos ciclos da lua, explica-se os motivos da variação em nosso calendário, que é solar e por isso, para nós, o Domingo de Páscoa varia entre 22 de março e 25 de abril. Fixado, assim, a festa da Páscoa para determinado ano, todas as outras festas também se movem desde a septuagésima até Corpus Christi, conforme a tabela do início deste artigo.

Em síntese: É usado como referência não o nosso calendário, mas sim o  judaico. Fixada a data da Páscoa pelo calendário judaico, adaptamos tal data ao nosso para que a partir daí, possamos estabelecer as datas, desde a septuagésima até Corpus Christi, conforme da grade abaixo. Estabelecido o dia da Páscoa, aí sim, todas as outras festas móveis o acompanham.

O Carnaval apesar de ser uma festa pagã, também se move com o calendário eclesiástico e é sempre comemorado sete domingos antes do Domingo de Páscoa. As festas são permitidas até a quarta-feira de cinzas, quando inicia-se a Quaresma, tempo de 40 dias de jejum e abstinência em preparação à festa da Páscoa, ou seja, data que celebramos a Ressurreição de Cristo.

Festas Móveis – Tem por referência a Páscoa e são as seguintes:

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Obs: A Festa do Sagrado coração de Jesus Comemora-se sempre no 2º. Domingo após Pentecostes

PRINCIPAIS FESTAS FIXAS

Como o próprio nome sugere, “festas fixas” são aquelas cujas datas de comemoração não variam, permanecem sempre imutáveis conforme estabelece o Calendário Romano Geral. São tipificadas por festa ou solenidade. As demais comemorações que não pertençam à grade abaixo, por exemplo, de um santo padroeiro, são tipificadas em memória.

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27 DE JUNHO: NOSSA SENHORA DO PERPÉTUO SOCORRO

Fonte: http://gloria.tv/?media=301926

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Muitos autores afirmam que o primeiro Ícone de NOSSA SENHORA DO PERPÉTUO SOCORRO foi pintado em madeira por São Lucas, no século I, na época em que a VIRGEM MARIA morava em Jerusalém. Diz a tradição que Ela teria apreciado e abençoado a pintura.

Quando Lucas completou o Ícone, ele a deu de presente ao seu amigo pessoal e patrono Teófilo, e viajou em companhia de São Paulo, no prosseguimento do trabalho de evangelização. 

Consta ainda de informações antigas, que em meados do século V, o Ícone da VIRGEM foi encontrado no Império Bizantino. Santa Pulquéria, que era Rainha e governava o país, ergueu um Santuário em honra da VIRGEM MARIA em Constantinopla, e segundo fontes fidedignas, aquele Ícone permaneceu lá por muitos anos, onde nossa MÃE SANTÍSSIMA era venerada por milhares de cristãos: reis, imperadores, santos e pecadores, homens, mulheres e crianças, ricos e pobres, e sobre todos derramava, uma quantidade incontável de graças, milagres e benefícios.

Também nesse período, se tem conhecimento de que já existia pelo menos uma copia do original, que se encontrava no salão imperial de audiências da Rainha em Constantinopla.

Historicamente fomos encontrar informações fidedignas relacionadas à pintura de São Lucas mais precisamente no ano de 1207, num despacho do Papa Inocêncio III, em face da admirável quantidade de milagres que NOSSO SENHOR realizava, pela intercessão de sua MÃE, representada numa pintura em madeira, com o MENINO JESUS ao colo, que afirmavam ser a pintura de São Lucas. Sua Santidade o Papa declarou que “verdadeiramente a alma de MARIA parecia se encontrar na imagem, uma vez que era tão bonita e tão milagrosa”.

Segundo afirma a tradição, São Lucas era grego, da mesma maneira que os seus pais. Assim o estilo bizantino originário daquela região, estava por assim dizer, no seu sangue. Então, nos séculos XII, XIII e XIV, os pintores fizeram diversas cópias em madeira e tela, criando o Ícone de NOSSA SENHORA DO PERPÉTUO SOCORRO como o conhecemos.

Importante, todavia, era que o poder da graça Divina continuava operando de maneira notável naqueles Ícones benzidos e consagrados, que se tornaram verdadeiros intercessores milagrosos. A VIRGEM MÃE DE DEUS continuou vivendo naquelas imagens, ajudando, socorrendo as necessidades das pessoas, protegendo, inspirando, e estimulando todos os seus filhos que buscavam a ternura de seu inefável afeto e tão querido amor.

Entretanto o Ícone original desapareceu misteriosamente. A tradição comenta que foi durante o cerco de Constantinopla.

A conquista da capital bizantina pelo Império Otomano, no dia 29 de Maio de 1453, causou o desaparecimento de diversas relíquias cristãs, de valor inestimável. Descreve a tradição que na véspera da queda da Cidade, durante o reboliço vivido pela multidão, cada pessoa se movimentava articulando alguma providência para escapar do cerco turco. À noite alguém se apossou do Ícone da VIRGEM e da Coroa Imperial, dos quais, nunca mais se teve qualquer notícia!

Este fato nos faz presente, que a passagem dos séculos não alterou e nem modificou o comportamento e a dedicação de MARIA em relação à humanidade, Ela continua demonstrado o mesmo carinho, a preciosa atenção e o perpétuo auxílio, através do Ícone pintado por São Lucas, assim como de todos os outros Ícones cópias e imagens, que visam, sobretudo, fazer com que Ela, a MÃE DE DEUS, seja mais conhecida e amada pelos seus filhos.

Assim o Ícone (“eikon”, palavra grega cuja tradução é imagem) de NOSSA SENHORA DO PERPÉTUO SOCORRO que normalmente conhecemos, é desse tipo: tradicional bizantino ligeiramente modificado pelo estilo medieval “Kardiotissa”. Nele observamos a VIRGEM MARIA segurando o MENINO JESUS aos braços, e ELE, com uma expressão de expectativa um pouco assustado, segurando fortemente com as duas pequenas mãos, o polegar direito de sua MÃE, e olhando na direção do Arcanjo Gabriel. O Arcanjo Gabriel está com a Cruz da Redenção e a esquerda da VIRGEM MARIA, está o Arcanjo São Miguel com os instrumentos da Paixão do SENHOR: a lança, o cravo de ferro, balde e a cana (vara de hissopo) com a esponja molhada no vinagre (conforme Jo 19, 29).

Como uma criança assustada diante daqueles terríveis instrumentos de Sua Paixão, ELE deve ter corrido para os braços da MÃE e involuntariamente soltado de seu pé direito a sandália, que está dependurada.

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A Ilha de Creta na Grécia era uma possessão veneziana desde 1204. Pela facilidade de transporte e comunicação com a Europa, era o centro dominador da produção e distribuição de mercadorias entre o Oriente e o Ocidente.

No século XV, por volta do ano 1498, havia um Ícone muito bonito de NOSSA SENHORA DO PERPÉTUO SOCORRO numa Igreja na Ilha de Creta, que desde algum tempo vinha atraindo frequentadores e causando emoção pelos milagres de DEUS que aconteciam em face das orações, preces e suplicas do povo à MÃE DE DEUS na presença intercessora daquela imagem.

Inclusive pessoas com elevada posição social afirmavam que aquele Ícone era o original pintado por São Lucas.  Ele já estava naquela Igreja há algum tempo e era conhecido e venerado por todas as pessoas. Um dia, um comerciante local, com sérios problemas pessoal e financeiro, que tinha planos de viajar para a Itália, roubou a imagem e a levou consigo num navio.

Por causa das embarcações não serem suficientemente resistentes, o percurso marítimo era margeando a costa do continente. Entretanto, já distante de Creta, se formou uma grande tempestade, e os marinheiros apavorados imploraram a misericórdia de DEUS, pedindo a NOSSA SENHORA que intercedesse por eles para salvar a embarcação e suas vidas. Suas preces foram ouvidas e eles foram salvos do naufrágio, sem saberem que dentro da embarcação existia uma cópia ou o original, do Ícone da VIRGEM DO PERPÉTUO SOCORRO.

O grego raptor da Imagem desembarcou em Veneza, e trabalhou durante um ano na cidade, quando decidiu mudar para Roma. A imagem seguia com ele, muito bem protegida. Instalado na Cidade Eterna há mais de quatro anos, em face do excesso de trabalho, pegou uma séria enfermidade, que se agravou na sequência dos meses.

Entre as amizades que formou, tinha um amigo especial, também grego como ele, que lá residia há mais de dez anos e inclusive tinha esposa e uma filha.  O raptor sabendo que seu estado de saúde não era bom abriu o coração e narrou ao amigo, à audaciosa aventura de sua vida: “Alguns anos passados, eu roubei um quadro com uma bela imagem da MADONNA na Igreja de Creta! Não era para vender. Estava atravessando uma fase infeliz nos negócios e queria uma proteção pessoal, a fim de ter coragem para me aventurar e desbravar outros horizontes. Não sou um fervoroso religioso, mas só de olhar a imagem, sempre senti crescer uma poderosa força dentro de mim. Por isso, agora doente, no fim da vida, peço levá-la a uma Igreja, e, por favor, descreva este fato apresentando as minhas desculpas. Eu lhe imploro que a imagem seja colocada numa Igreja onde o povo possa visitá-la e honrá-la”.

Assim que ele faleceu, o amigo encontrou o quadro e o levou para sua casa, a fim de mostrá-lo a sua esposa e juntos, escolherem a Igreja, aonde deveriam conduzi-lo. Mas, ao ver a imagem, a esposa ficou admirada e naquele primeiro momento não quis levar o Ícone da VIRGEM para uma Igreja.

Na verdade, o casal não era muito religioso, rezavam às vezes, mas nunca seguidamente, por que também nada conhecia da obra de JESUS e da incomensurável grandeza do Amor Divino.

Aquele quadro foi colocado na parede da sala de refeições, e numa posição tão estratégica, que ao passar diante dele, ou estando à mesa durante as refeições, involuntariamente o olhar descansava na beleza invulgar e profunda da MÃE DE DEUS. E assim, do costume adquirido pelo casal de olhar a imagem sempre que se assentavam a mesa, seguiu a delicadeza dos gestos. Como primeira manifestação, o casal começou a se persignar diante da imagem antes das refeições.

Depois se acostumaram a trocar algumas palavras diante da Imagem, como se a colocassem participando do assunto. E às vezes, em silêncio, deixavam o coração falar… No silêncio da voz o ouvido do coração se abria com mais nitidez a resposta do SENHOR.

Outras vezes, confiantemente suplicavam a VIRGEM pedindo a Divina proteção no trabalho, para vencer as dificuldades do cotidiano, conservando-lhes a boa saúde para a continuidade da caminhada existencial.

Certo dia, oito meses após a morte do amigo, junto ao Ícone da VIRGEM, o casal conversava e trocava idéias, sobre a necessidade de ser cumprida a vontade do falecido, como condição primordial, para se conseguir uma necessária paz interior e também, a amizade de NOSSA SENHORA. Eles já estavam frequentando a Igreja com mais pontualidade e até faziam algumas orações.

Por esse motivo, naquele momento, contritos e decididos diante da Imagem da VIRGEM, receberam uma“Luz”, que entenderam ser o desejo de NOSSA SENHORA, que o quadro fosse colocado numa Igreja situada entre a Basílica de Santa Maria Maggiore e a Basílica de São João de Latrão.

Naquele mesmo dia 27 de Março de 1499, a imagem foi levada para a Igreja de São Mateus Apóstolo, no Monte Esquilino, uma das sete colinas de Roma, que estava situada entre a Basílica de Santa Maria Maggiore e a Basílica de São João de Latrão. Foi colocada entre duas lindas colunas de mármore preto de Carrara, logo acima de um magnífico altar de mármore branco.

E se constituiu numa maravilha, durante três séculos, desde 1499 até 1798, a Igreja de São Mateus, foi uma das mais procuradas pelos peregrinos que visitavam Roma, porque queriam rezar diante da imagem milagrosa de NOSSA SENHORA DO PERPÉTUO SOCORRO. 

Entretanto, em 1796/1797, o exército francês sob o comando de Napoleão Bonaparte invadiu os Estados Pontifícios. Roma ficou diante da terrível ameaça do inimigo, a tal ponto que o Papa Pio VI, foi forçado a assinar um Tratado de Paz, o Tratado de Tolentino, em 17 de Fevereiro de 1797.

Todavia, um ano após a assinatura do Tratado, o general francês Louis Alexandre Berthier marchou sobre Roma e proclamou a "República Romana Livre". Ele mentiu, dizendo que não havia liberdade e que o povo estava escravizado. Mas na realidade, o pretexto da quebra do Tratado de Paz foi justamente o assassinato de um general da embaixada francesa em Roma, de nome Mathurin Léonard Duphot, num tumulto popular provocado por revolucionários franceses e italianos no dia 28 de Dezembro de 1797. E por esse motivo, pelo fato de ter mentido e ser muito autoritário, pouco depois, Berthier foi substituído pelo general francês André Masséna.

Em 03 de junho de 1798, o General André Masséna querendo espaço para instalações militares e administrativas na cidade, ordenou que trinta Igrejas fossem destruídas! Uma delas foi a Igreja do Apóstolo São Mateus, onde estava o Ícone da VIRGEM!

Foram dias difíceis para os cristãos e as Ordens Religiosas. E como também o Mosteiro Agostiniano estava na relação e foi destruído, os Padres foram autorizados a retornar a Irlanda, a terra natal. Os monges se dividiram: alguns voltaram para a Irlanda, outros ficaram na Igreja Matriz de Santo Agostinho, em Roma e os demais, levaram o Ícone milagroso de NOSSA SENHORA e se mudaram para o Mosteiro de Santo Eusébio, que era pobre e antigo, necessitando de urgentes reparos e muita limpeza.

A imagem de NOSSA SENHORA ficou em Santo Eusébio durante 20 anos. O local foi tratado e ampliado, mas eram poucos monges que viviam ali e o povo quase não tinha acesso a imagem, e assim, também pelo fato de ser muito grande para eles, em 1819, o Papa Pio VII, pediu aos jesuítas para assumirem Santo Eusébio.

O Santo Padre deu aos agostinianos a Igreja e o Mosteiro de Santa Maria, em Posterula, do outro lado da cidade, para onde os monges levaram a Imagem milagrosa da VIRGEM MARIA e a colocaram num lugar de honra na Capela do Mosteiro.

Entre os agostinianos estava Frei Agostinho Orsetti que era muito caprichoso e organizado, mantendo a sacristia e as imagens em Santa Maria, com o maior rigor de limpeza. Também treinava os coroinhas, ensinando-lhes o preparo e trabalho no Altar, durante a Santa Missa e primordialmente, o posicionamento correto e digno, nas celebrações e solenidades religiosas. Um dos coroinhas de nome Michael Marchi se tornou muito amigo do Frei Agostinho e sempre estavam conversando.

O Frei sempre lhe dizia: “Michael, observe bem esta imagem. É um Ícone muito antigo. É a milagrosa VIRGEM MARIA que estava na Igreja do Apóstolo São Mateus, única imagem nesta cidade. Muitas pessoas vinham rezar diante dela e suplicar sua eficaz intercessão junto a DEUS. Lembre-se sempre do que estou lhe dizendo”.

Em 1854, a Ordem dos Redentoristas foi fundada por Santo Afonso de Ligório. Compraram uma área de terra no Monte Esquilino, no local chamado Villa Caserta, que por uma coincidência toda especial, a tal área também abrangia o local onde existiu a Igreja de São Mateus Apóstolo, onde o Ícone de NOSSA SENHORA DO PERPÉTUO SOCORRO foi louvado e honrado por muitos cristãos.

Em 1855, Michael Marchi desejando se tornar sacerdote entrou na Ordem Redentorista. Em 25 de março de 1857, fez os votos de pobreza, castidade e obediência e continuou os seus estudos, sendo ordenado sacerdote no dia 2 de outubro de 1859.

Um dia, quando a Comunidade estava no recreio, um Padre mencionou que havia lido alguns livros antigos sobre uma Imagem milagrosa de NOSSA SENHORA, que tinha sido venerada na antiga Igreja de São Mateus Apóstolo. Padre Michael Marchi com alegria falou para todos: "Eu sei sobre o Ícone milagroso da VIRGEM MARIA. Seu nome é NOSSA SENHORA DO PERPÉTUO SOCORRO e ele pode ser encontrada na Capela dos Padres Agostinianos, no Mosteiro de Santa Maria, em Posterula. Eu vi a imagem muitas vezes durante os anos de 1850 e 1851 quando ainda era um jovem estudante universitário e servi como coroinha, a Santa Missa em sua Capela”.

Em 7 de Fevereiro de 1863, Francis Blosi, um Padre jesuíta durante uma Santa Missa na Basílica de São João de Latrão, fez um sermão sobre a famosa imagem de NOSSA SENHORA DO PERPÉTUO SOCORRO. Ele descreveu a imagem da VIRGEM MARIA, e disse: "Espero que alguém na multidão de fiéis que me ouve, saiba onde a imagem está! Se assim for, por favor, diga a pessoa que mantém o Ícone da MÃE DE DEUS escondido por setenta anos, que a VIRGEM ordenou ser este quadro colocado numa Igreja entre as Basílicas de Santa Maria Maggiore e esta Bailica onde estamos, de São João de Latrão. Esperemos que a pessoa se arrependa de seu ato impensado e traga a Imagem para ser colocada no Monte Esquilino, a fim de que todos os fiéis novamente possam honrá-la."

O sermão do Padre Blosi logo ficou conhecido dos Padres Redentoristas. Sabendo que sua Igreja estava localizada próximo ao local da antiga Igreja de São Mateus Apóstolo, apressaram-se em levar a notícia ao Padre Mauron, que era o Superior Geral dos Redentoristas. Padre Mauron ouviu a notícia e sentiu uma grande alegria, mas não teve pressa. Ele orou por quase três anos para conhecer a Santa Vontade de DEUS, nesta importante questão.

Em 11 de dezembro de 1865, o Padre Mauron e o Padre Michael Marchi, pediram uma audiência ao Papa Pio IX. Ansiosamente, os dois padres, descreveram ao Papa, a história detalhada da imagem de NOSSA SENHORA DO PERPÉTUO SOCORRO. Eles relembraram inclusive, que a VIRGEM MARIA manifestou o desejo de que a Imagem fosse colocada numa igreja entre as Basílicas de Santa Maria Maggiore e São João de Latrão. Depois de ouvir toda a história, o Papa perguntou-lhes se tinham colocado aquela solicitação por escrito. Padre Mauron entregou a Sua Santidade, um documento que o Padre Marchi tinha escrito e assinado sob juramento.

Sensibilizado com aquela narrativa e tendo o Santo Padre o Papa Pio IX, um grande amor à VIRGEM MARIA, imediatamente pegou a folha de papel onde o Padre Marchi tinha escrito o seu testemunho, e de próprio punho, escreveu uma mensagem no verso do documento:

11 de Dezembro de 1865:

O Cardeal Prefeito vai convocar o Superior da pequena comunidade de Santa Maria, em Posterula e lhe dirá que é nossa vontade que a Imagem de MARIA SANTÍSSIMA, que esta petição trata, seja devolvida a Igreja situada entre São João de Latrão e Santa Maria Maggiore. Todavia, o Superior da Congregação do Santíssimo Redentor está obrigado a substituí-la por outra imagem adequada.

O Papa falou e como é lógico, o caso foi encerrado. A MÃE DO PERPÉTUO SOCORRO, logo estaria em casa, depois de quase 75 anos distante. Na madrugada do dia 19 de Janeiro de 1866, Padre Michael Marchi e Padre Ernesto Bresciani atravessou a cidade de Roma, indo até Santa Maria, em Posterula, para obter a imagem sagrada.

Os agostinianos estavam tristes por ver a sua amada MADONNA partir, mas eles se regozijaram que NOSSA SENHORA voltasse a ser homenageada no lugar onde Ela desejava. Os monges agostinianos quiseram uma cópia exata da imagem original, e isso lhes foi dado pouco tempo depois, conforme a decisão do Santo Padre, o Papa.

Os Redentoristas de Santo Afonso esperaram alegremente pela chegada de NOSSA SENHORA DO PERPÉTUO SOCORRO e sentiram uma grande felicidade sabendo que Ela ia permanecer definitivamente na sua Igreja. Mas, embora as cores do Ícone ainda estivessem brilhantes, havia muitos buracos de pregos na parte posterior do quadro. Um talentoso artista polonês, que viveu em Roma, foi convidado e restaurou a imagem, cujo trabalho terminou no princípio do mês de Abril.

Dia 26 de abril de 1866, Festa de NOSSA SENHORA DO BOM CONSELHO, uma grande procissão partiu do Mosteiro de Santo Afonso. Durante a procissão muitos acontecimentos milagrosos foram relatados. Uma pobre mãe vendo que a procissão se aproximava, pegou o seu filho de quatro anos de idade, que estava quase morto na cama, com uma doença no cérebro, com febre constante nas últimas três semanas, segurou firme a criança e levou-a até a janela. Quando a Imagem de NOSSA SENHORA DO PERPÉTUO SOCORRO passou ela gritou: "Ó boa Mãe, quer curar o meu filho ou quer levá-lo consigo para o Paraíso?" Dentro de poucos dias o menino ficou totalmente curado. Ele foi com sua mãe a Igreja de Santo Afonso para acender uma vela de ação de graças no Santuário de NOSSA SENHORA DO PERPÉTUO SOCORRO.

Em outra casa uma menina de oito anos, estava aleijada e desamparada, desde a idade de quatro anos. Quando a procissão se aproximava e a Imagem milagrosa de NOSSA SENHORA chegou perto, a mãe da criança ofereceu sua filhinha à SANTÍSSIMA VIRGEM. De repente, a criança sentiu uma grande mudança, e recuperou parcialmente o movimento de seus braços e das pernas. Ao ver isto, a mãe ficou muito confiante de que NOSSA SENHORA ia de fato ajudar a menina. No dia seguinte, logo pela manhã, levou a criança a Igreja de Santo Afonso e colocou-a diante da imagem milagrosa de NOSSA SENHORA DO PERPÉTUO SOCORRO. Olhando para a Imagem, rezou: "Agora, ó minha Mãe MARIA, termine o trabalho que a Senhora começou." Ela mal tinha acabado de dizer as palavras e de repente à menina se levantou sobre seus pés, totalmente curada!

Na Igreja de Santo Afonso o Ícone da VIRGEM foi colocado no Altar mor. A Igreja estava toda decorada e o Altar feericamente iluminado com grande quantidade de velas. Terminada a procissão, foi celebrada uma solene Santa Missa de ação de graças e, em seguida, o senhor Bispo concedeu a bênção com o Santíssimo Sacramento.

No dia 05 de maio de 1866, o Papa fez uma visita pessoal ao Santuário para conhecer e rezar diante do Ícone da VIRGEM MÃE.

Anos após, um novo Altar de mármore em estilo gótico foi construído possuindo no centro superior uma magnífica decoração brilhante, com guarnição em ouro. Quando tudo estava terminado, o Ícone da VIRGEM MARIA foi carinhosamente colocado naquele lugar, onde se encontra até hoje. A primeira Santa Missa celebrada no novo Altar do Santuário foi no dia 19 março de 1871, Festa de SÃO JOSÉ.

Postado em: https://carloslopesshalom.wordpress.com

A IMACULADA CONCEIÇÃO DA VIRGEM MARIA: OBJEÇÕES FEITAS POR UM PROTESTANTE!

Autor: José Miguel Arráiz
Fonte:
http://www.veritatis.com.br/article/5266
Tradução: Carlos Martins Nabeto
Fonte:
http://www.apologeticacatolica.org/

Nossa_Senhora_2009[1]

Mensagem de um internauta:

"Caríssimos: um amigo protestante me enviou um artigo que aponta diversos argumentos bíblicos e históricos contrários ao dogma da Imaculada Conceição. Neles se diz que Maria tinha pecado e que ela mesma o reconhecia. Vos envio agora as partes que me confundiram, para que me dêem a vossa opinião a respeito. Desde já agradeço".

Antes de mais nada, agradeço por ter escrito. Dividirei a minha resposta em várias seções onde tentarei analisar cada um dos argumentos que o artigo enviado por você apresenta. Destacarei os argumentos enviados na cor vermelha.

1. A "INDIGNIDADE" DE MARIA

Afirma o argumento em questão:

"Maria claramente reconheceu o que era diante de Deus: ela reconheceu ‘sua indignidade’ e a necessidade de Cristo como ‘seu Salvador’. Essa ‘indignidade’ de que Maria nos fala no ‘Magnificat’ não era uma manifestação de sua grande modéstia, como ensina Roma. Se Maria tivesse sido sem pecado e perfeita como Jesus, nunca teria falado de sua ‘indignidade’, porque não a teria. Isto seria, simples e claramente, falsa humildade e esta última não teria se produzido se realmente Maria fosse ‘sem pecado concebida’. A verdadeira humildade é reconhecer o que alguém é, assim como o que alguém também não é".

Este argumento contém diversas falhas.

Em primeiro lugar, devo esclarecer que uma tradução mais apropriada do texto do Magnificat, a que faz referência o comentário, seria este: "porque colocou os olhos na humildade de sua serva; por isso, a partir de agora todas as gerações me chamarão bem-aventurada" (Lucas 1,48 – BJ).

A palavra que o texto grego emprega é tape????s?? (tapeino?sis), que pode ser traduzida como "humilhação", "estado de humildade" (cf. The New Testament Greek Lexicon), fazendo referência à condição da pessoa que se reconhece pequena ou faz-se pequena. Todos temos que reconhecer nossa pequenez diante de Deus, mas isto não tem uma relação direta com ter pecado. Os anjos também se humilham diante de Deus e não pecaram.

Muitas Bíblias protestantes traduzem essa palavra por "indignidade" (p.ex., as diversas versões da Reina-Valera [em espanhol]); embora a tradução não seja de todo incorreta – porque outra tradução possível para a palavra é "condição baixa" – não me parece aqui que esta seja a tradução mais adequada. Isto porque em Atos 8,33, a mesma palavra tape????s?? é empregada para se referir à condição de Cristo:

– "Fui levado como uma ovelha para o matadouro; e como cordeiro calado diante do tosquiador, assim ele não abre a boca. Em sua humilhação lhe foi negada a justiça; quem poderá contar sua descendência? Porque sua vida foi arrancada da terra" (Atos 8,32-33).

Neste texto, as mesmas Bíblias protestantes acima citadas, que no texto anterior traduziram como "indignidade", aqui traduzem como "humilhação". Esta forma de traduzir parece tendenciosa, porque quando a palavra se refere a Cristo, traduzem como "humilhação"; quando se refere a Maria, traduzem como "indignidade".

A palavra tape????s?? (tapeino?sis) provém de tape????? (tapeinoo?), que significa “humilde”; esta, por sua vez, provém de tape????? (tapeinos), palavra utilizada pelo próprio Cristo para se referir a Si mesmo quando diz: "Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei comigo, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para vossas almas" (Mateus 11,29).

Portanto, assumir que Maria tinha pecado porque falou de sua humilhação ou humildade é o mesmo que afirmar que Jesus também tinha [pecado], porque a Escritura emprega as mesmas palavras para falar de sua condição.

No Magnificat, Maria está falando de sua condição humilde, mais que de sua condição indigna, que implicasse estar em pecado. Isto é algo que tal palavra não implica e a este tipo de conclusões errôneas pode levar o estudo de uma Bíblia com tradução imprecisa somado a uma exegese deficiente isolada do Magistério da Igreja.

Se, todavia, restarem dúvidas, tape????s?? também é utilizado por Tiago 1,10:

– "O irmão de condição humilde glorie-se em sua exaltação; e o rico, em sua humilhação, porque passará como flor de erva" (Tiago 1,9-10).

No v. 9, usa tape????? (tapeinos) para refletir a condição humilde dos pobres, enquanto que o v. 10 usa tape????s?? (tapeino?sis) para refletir a humilhação dos ricos. Este é outro exemplo onde se vê que tal palavra se refere à condição de humildade ou humilhação da pessoa, mais que qualquer condição pecaminosa. Se assim fosse, teríamos que concluir que Tiago nos manda gloriar-nos em nossa condição pecadora; no entanto, o contexto é claramente contrário a isto.

2. SOBRE A REJEIÇÃO DOS PADRES DA IGREJA AO DOGMA DA IMACULADA CONCEIÇÃO

"Quanto aos Padres da Igreja, diz Eusébio de Cesaréia: ‘Ninguém foi exceptuado da mancha do pecado, nem mesmo a Mãe do Redentor do mundo; somente Jesus se encontrou isento da Lei do pecado, mesmo que tendo nascido de uma mulher sujeita ao pecado’. Santo Ambrósio, doutor da Igreja e bispo de Milão, disse: ‘Somente Jesus não foi vencido pelos laços do pecado; nenhuma criatura concebida pelo contato do homem com a mulher foi exceptuada do pecado original. Somente foi exceptuado Aquele que foi concebido de uma Virgem sem aquele contato, por obra do Espírito Santo’. Santo Agostinho, doutor da Igreja, comentando o Salmo 34:3, afirmou: ‘Maria, filha de Adão, morreu por causa do pecado; e a carne do Senhor, nascida de Maria, morreu para apagar o pecado’.

Porém, a coisa não pára aqui. Houve até três Papas que mantiveram esse mesmo critério: Leão I (440-461), disse: ‘Assim como Nosso Senhor não encontrou ninguém isento do pecado, assim também veio para o resgate de todos". O Papa Gregório Magno (590-604), comentando a passagem de Jó 14:4, expressou que Jesus Cristo foi o único que não foi concebido do sangue impuro e o único também que foi verdadeiramente puro em sua carne. Inocêncio III (1198-1216), disse: ‘Eva foi formada sem culpa e gerou na culpa; Maria foi gerada na culpa e gerou sem culpa’".

Ainda que seja certo que tenham havido alguns pouquíssimo casos de Padres da Igreja apresentando dúvidas a respeito da santidade perfeita de Maria (como São Tomás de Aquino e São João Crisóstomo), estes foram certamente uma ínfima minoria. Por outro lado, a maioria das citações mencionadas no artigo que ora respondo são falsas e as demais estão fora do contexto. Para tanto, recomendo consultar o estudo: "Os Padres da Igreja eram Contrários ao Dogma da Imaculada Conceição?", escrito por Alex Grandet.

(Devemos ser muito cautelosos com as citações apresentadas nos sites de apologética protestante. Não é a primeira vez que citações falsas passam de mão em mão, sendo que aqueles que as empregam nem têm o trabalho de verificar as fontes para determinar se são precisas ou fraudulentas).

3. MARIA, NÃO TENDO COMETIDO PECADO, NÃO PRECISAVA DE CRISTO COMO SALVADOR?

"Por Maria ser bendita entre as mulheres (Lc 1:28), ser um exemplo de obediência e fidelidade a Deus, significa isto que era perfeita, que não tinha pecado e que, portanto, não precisava da salvação que Jesus ia trazer ao mundo por seu sacrifício na cruz? Não. Maria, como todos os homens, não podia se salvar a si mesma, nem por suas obras, nem por sua própria justiça, nem santidade, porque da mesma forma que todos os demais, ela era humana e, portanto, descendente de Adão e Eva. A Bíblia diz claramente que Maria se via necessitada da salvação que apenas Deus, por sua graça, podia dar; e a dá pelos únicos e suficientes méritos de Cristo Jesus. Maria exclamou quando foi visitar Isabel: ‘Meu espírito se regozija em Deus, meu Salvador, porque olhou a indignidade de sua serva’ (Lc 1:47,48). Como disse Miguel Angel Tiscar, ex-sacerdote católico romano: ‘Ela disse e não podemos dizer que Maria era embusteira ou mentirosa. Ela disse: ‘Em Deus, meu Salvador’; logo, foi salva! Se foi salva, é porque antes estava perdida – não é mesmo? – já que alguém é salvo da perdição ou condenação pela justiça que merece (Rm 3:23)".

Para responder a esta questão, devemos esclarecer no que crêem realmente os católicos, já que, com base nas palavras do autor do artigo, isto não se diz em conformidade com a verdade.

Para a frase: "Maria, como todos os homens, não podia se salvar a si mesma, nem por suas obras, nem por sua própria justiça, nem santidade, porque da mesma forma que todos os demais, ela era humana", nós, católicos respondemos que concordamos totalmente. Para a frase: "Maria se via necessitada da salvação que apenas Deus, por sua graça, podia dar; e a dá pelos únicos e suficientes méritos de Cristo Jesus", afirmamos que isso também é doutrina 100% católica.

Nós não cremos que Maria não precisou da salvação de Cristo e a dificuldade para se entender como Maria foi salva pelos méritos de Cristo sem ter sido concebida no pecado não é nova. Inclusive, teólogos como São João Crisóstomo e São Tomás de Aquina apresentavam suas reservas para o caso.

Mas explica Fr. Nelson Medina:

"A objeção cessa quando descobrimos que o que estamos celebrando precisamente é o modo singular como a salvação de Deus se fez primeiro presente na vida de Maria. Deus salva levantando aquele que cai, porém também pode fazê-lo não o deixando cair. Não cair é um modo de ter sido amparado, um modo de ter sido salvo. Maria não é aquela que não precisou da salvação, mas aquela que foi salva de modo peculiar, em razão da sua missão particular… Ser salvo não implica ter pecado ou ter estado sob o poder do pecado".

Visto desta maneita, não se pode objetar que nós, católicos, cremos que Maria não precisou ser salva por Cristo; simplesmente cremos que foi salva de um modo peculiar devido à missão única e transcendental que deveria realizar: abrigar em seu seio puro e sem mácula o Verbo de Deus. Não era isto uma missão qualquer: não seria uma carne manchada pelo pecado e sob o domínio de Satanás que tomaria Cristo para si mesmo. A imaculada conceição de Maria para nós redunda em benefício mais que em detrimento da dignidade do Redentor.

Uma vez compreendido isto, podemos entender a falha de raciocínio deste ex-sacerdote quando pergunta: "Ela disse e não podemos dizer que Maria era embusteira ou mentirosa. Ela disse: ‘Em Deus, meu Salvador’; logo, foi salva! Se foi salva, é porque antes estava perdida – não é mesmo?"

Isto é impreciso não apenas porque alguém pode ser salvo se antes estava perdido, como também pode ser salvo antes de chegar a se perder. Usemos um exemplo simples para ilustrar nossa visão. Imaginemos que, ao cruzar a rua, um pedestre é atropelado por um carro; alguém vem, o leva para o hospital e este sobrevive; pode-se dizer que ele foi salvo. Porém, imaginemos que, no momento de cruzar a rua, alguém vê o carro se aproximar e detém o pedestre antes que seja atropelado. Ele também não foi salvo? Usando a ótica do ex-padre, teríamos que responder que "não", o que obviamente é incorreto!

4. A BÍBLIA DIZ QUE TODOS PECARAM…

"A Bíblia diz que todos pecaram e estão privados da glória de Deus (Rm 3:23). Ao que parece, os católicos romanos não perceberam que ‘todos’ significa ‘todos’ e isso inclui Maria. O próprio apóstolo João declara em 1Jo 1:10 que se dissermos que não temos pecado, tornamos a Ele mentiroso e sua Palavra não está em nós. Com a proclamação do dogma da imaculada conceição, os católicos romanos tornaram Deus mentiroso".

Um erro comum é tomar um texto fora do contexto e, a partir daí, inventar doutrinas.

Nós, católicos, não desconhecemos esses textos; simplesmente não cremos que São Paulo ou São João tenham tido a intenção de incluir ou fazer referência ao caso particular da Santa Virgem Maria, mas apenas à condição geral do ser humano.

Em primeiro lugar, é incorreto assumir a idéia de que, na Bíblia, "todos" significa sempre "absolutamente todos". Se lermos direitinho Romanos 3,23 – que diz que TODOS foram privados da glória de Deus – não é certo que se entenda como "absolutamente todos" já que Henoc e Elias não foram privados da glória de Deus! Temos testemunho disto na própria Escritura:

– "E Henoc andou com Deus e desapareceu, porque Deus o levou" (Gênese 5,24).

– "E aconteceu que, estando eles conversando, eis que uma carruagem de fogo com cavalos de fogo separou os dois; e Elias subiu ao céu em um turbilhão" (2Reis 2,11).

Porém, como [Romanos 3,23] poderia ser uma referência a "absolutamente todos" se Henoc e Elias foram levados ao céu? Deveríamos pensar que São Paulo desconhecia estes eventos bíblicos? Ou seria mais consistente supor que não estava se referindo aos casos excepcionais?

Assim como nestes casos não se poderia dizer que [Henoc e Elias] estavam privados da glória de Deus, não há porque concluir que a mesma frase "todos pecaram" esteja incluindo especificamente o caso de Maria. Isto é bastante temerário.

Outro exemplo de que na Bíblia nem sempre "todos" significa "absolutamente todos" encontramos em um outro texto:

– "Houve, nos dias de Herodes, rei da Judéia, um sacerdote chamado Zacarias, da tribo de Abias, casado com uma mulher descendente de Aarão chamada Isabel; os dois eram justos perante Deus e caminhavam irrepreensíveis em todos os mandamentos e preceitos do Senhor" (Lucas 1,5-6).

Aplicando o mesmo raciocínio protestante, teríamos que concluir que Zacarias e sua esposa não tinham pecado, já que a Escritura afirma que "caminhavam irrepreensíveis em todos os mandamentos" e "eram justos".

Da mesma forma, cremos que o texto de São João não pretende fazer referência ao caso particular da Virgem Maria, já que ele não está tratando desse tema, mas da condição natural de todos nós, pecadores. Uma prova disso temos aqui: diferentemente de Romanos 3,23, ele não se refere ao pecado original, mas aos pecados cometidos (o pecado original é um pecado "contraído" e não "cometido": o contraímos por sermos descendentes de Adão; mas não fomos nós que o cometemos, mas sim Adão!).

Observe o que diz São João: "Se dissermos que não temos pecado…"; quando se refere a "ter" pecado, fala dos pecados cometidos e não do pecado original (o qual – repito – não cometemos, mas contraímos em virtude da queda de Adão). No entanto, as crianças não cometem pecados pessoais; logo, São João tampouco as quer abranger. Uma criança poderia dizer que não pecou (referindo-se aos pecados pessoais mencionados por João) e nem por isso tornaria Deus mentiroso!

Se quando São João nos diz isto não está contemplando o caso particular das crianças, porque deveríamos supor que estaria se referindo ao caso particular de Maria, aquela que viria a conceber em seu seio [virginal] e dar a sua carne ao Verbo de Deus?

E mais! O mesmo João diz mais adiante:

– "Todo aquele que permanece Nele, não peca; todo aquele que peca, não O viu, nem O conheceu" (1João 3,6).

Com base neste texto, poder-se-ia afirmar que houve um tempo no qual Maria não permaneceu Nele, sendo que o anjo a proclamou "cheia de graça" em um estado permanente e, inclusive, antes mesmo que o Espírito Santo realizasse nela a obra da Encarnação. Assim, passamos para o próximo ponto:

5. O QUE SIGNIFICA CHAMAR MARIA DE "CHEIA DE GRAÇA"

"O outro texto bíblico sobre o qual Roma apóia seu dogma mariano é Lc 1:28: ‘E entrando o Anjo no lugar onde ela estava, disse: Salve, muito favorecida! O Senhor está contigo; bendita és tu entre as mulheres’. Vejamos: ‘Salve’, em grego ‘Chaire’, significa ‘Saudações!’; nada mais é do que o "Oi!" atual. ‘Muito favorecida’, em grego ‘Kecharitoméne’, a cujo particípio Roma se apega para ensinar que Maria estava totalmente ‘cheia de graça’, sem deixar resquício para qualquer pecado, nem original nem pessoal, carece de todo fundamento; para refutar, basta advertir que Ef 1:6 emprega exatamente o mesmo verbo grego, sem que ocorra a alguém afirmar que todos os crentes estão ‘cheios de graça’ da forma como Roma diz de Maria. At 4:33 diz: ‘E com grande poder os apóstolos davam testemunho da ressurreição do Senhor Jesus e abundante graça vinha sobre todos eles’, ou seja, o favor de Deus para com todos, cumprindo-se assim as palavras dos anjos de Lc 2:14: ‘paz na terra, boa vontade para com os homens’".

A primeira coisa que devo esclarecer é que "cheia de graça" é a tradução correta para a palavra ?e?a??t?µe?? (kejaritomene); e, para sermos precisos, nem mesmo esta tradução abrange o profundo significado desta palavra!

A palavra ?e?a??t?µe?? (kejaritomene) é uma extensão de três palavras: ?a??t?? (charitoo), µ??? (mene) e ?e (ke). ?a??t?? (charitoo) significa "graça", ?e (ke) é um prefixo de ?a??t?? (charitoo), demonstrando que a palavra está em tempo perfeito. Isto indica um estado presente produto de uma ação concluída no passado. µ??? (mene) torna isto um particípio passivo. "Passivo" é a ação realizada no sujeito (neste caso, a Virgem Maria) por outra pessoa (neste caso, Deus). Resumindo: a palavra ?e?a??t?µe?? (kejaritomene) de Maria é um particípio passivo de ?a??t?? (charitoo): Deus é o autor de seu estado de graça: plena, cheia de graça.

É importante notar também que quando o anjo Gabriel emprega ?e?a??t?µe?? (kejaritomene) para se referir a Maria, o faz como um pronome (o pronome toma o lugar de um nome ou título), o qual representa a identidade da pessoa de quem está se falando. Assim, Maria é identificada com um simples termo, o qual não é seu nome próprio (=Maria).

Com base nisso, interpretamos que o anjo não está dizendo que Maria está cheia de graça (nesse momento), mas se refere a ela como a "cheia de graça" ou a "plena de graça". Pois bem. Este estado, sendo produto de uma ação passada (por ser um particípio passivo perfeito), indica uma perfeição da graça que é intensiva e extensa. O estado de Maria é um estado de uma ação passada de Deus sobre ela, onde a plenificou de graça, passando a ser identificada deste modo.

Cabe ressaltar que esta palavra, com a qual o anjo identifica Maria, é empregada somente para ela em toda a Bíblia, de modo que o autor do artigo não tem razão ao afirmar que Efésios 1,6 utiliza o mesmo verbo; até porque o que aparece aí é a palavra ?a??t?? (charitoo), que é bem diferente de ?e?a??t?µe?? (kejaritomene).

Como vimos, ?e?a??t?µe?? (kejaritomene) não é conjugada da mesma maneira que ?a??t?? (charitoo), pois é um particípio passivo em tempo perfeito usada como pronome, oferencendo à ?e?a??t?µe?? (kejaritomene) a implicação de que o estado de graça de Maria é total e permanente!

Temos um caso similar também quando a Bíblia fala de Estevão. A Escritura narra em Atos 6,8 que "Estevão estava cheio da graça e do poder…". No entanto, ocorre aqui algo similar: trata-se do adjetivo "pleres" (cheio) seguido do genitivo “charitos” (?a??t??) (de graça). O adjetivo reflete qualidades dos sujeitos, enquanto que os pronomes substituem ou identificam o sujeito em uma oração. Assim, existe uma diferença entre a palavra empregada para Maria e a empregada para Estêvão; no primeiro caso, implica um estado permanente de graça; no segundo, um estado de Estêvão naquele momento.

 

6. MARIA CUMPRIU OS RITOS DE PURIFICAÇÃO PORQUE ESTAVA "IMPURA"

"Lc 2:22 diz que quando se cumpriram os dias da purificação de Maria, conforme ordenava a lei de Moisés, vieram a Jerusalém para apresentar [o menino Jesus] ao Senhor. Lc 2:23,24 diz que está escrito na Lei do Senhor: todo varão que abrir o seio será consagrado ao Senhor, devendo ser ofertado o que está também na Lei do Senhor: um par de rolas ou dois pombinhos.

Se Maria não tivesse mácula, não teria sido necessário apresentar as duas rolas. Não se deve esquecer que o sangue é para a remissão e, neste caso, sem dúvida, não era para Cristo que esse sangue seria derramado; lógico que seria para Maria, a qual precisava se purificar".

A este respeito, compartilho o que Alex Grandet respondeu para esta objeção:

De todas as objeções contrárias à Imaculada Conceição, citar Lucas 2,22-24 é a mais absurda. Tenta-se plantar como exemplo o livro do Levítico para justificar o hipotético pecado da Bem-Aventurada Virgem Maria. Diz o Levítico:

– "Dize aos filhos de Israel: Se uma mulher conceber e tiver um menino, será imunda durante sete dias, como nos dias da sua menstruação, será imunda" (Levítico 12,2).

Vemos pela prescrição do Levítico que quem dá à luz um menino torna-se imunda. Não entraremos em detalhes sobre a natureza deste estado de impureza e se isto implica que a mulher tenha cometido algum pecado. Lembre-se, porém, que não é "pecado" dar à luz, tampouco menstruar.

No entanto – e sem precisar tocar neste ponto – primeiramente devemos considerar que Maria não deu à luz um simples menino; deu à luz ao Filho de Deus, tal como o anjo lhe disse: "O Espírito do Senhor virá sobre ti e o poder do Altíssimo te cobrirá com sua sombra; por isso, o Santo que nascerá será chamado ‘Filho de Deus’" (Lucas 1,35).

Este Santo é um simples menino como todos nós? O Filho de Deus causaria impureza em uma mulher? Neste caso, estaríamos dizendo que Jesus é a causa da impureza, tendo-a causado em Maria!

Mas não! Esse Santo que nasceu da Virgem é o Filho de Deus. Devemos então recordar o que testemunhou São João Batista sobre esse mesmo Filho de Deus:

– "No dia seguinte, João viu Jesus que vinha até ele e disse: ‘Este é o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo’" (João 1,29).

Assim, colocando ordem nos fatos, constatamos que o autor do argumento primeiro afirma que Maria, por ter dado à luz um menino, tornou-se impura, assumindo assim que "estava em pecado". No entanto, o anjo assegurou que o Menino que nasceria da Virgem seria Santo, Filho de Deus; e, em acréscimo, João afirma que esse Santo tira o pecado do mundo.

A pergunta seria então: que tipo de sentido comum pode fazer um cristão (é o que ele diz ser!) pensar que o Santo por excelência, o Filho de Deus que santifica as almas (e que o mero contato com sua túnica purificava hemorroíssas e curava enfermidades), teria tornado impura Maria em razão de seu nascimento? Como é possível que Aquele que tira o pecado do mundo deixasse, por seu nascimento, o pecado e a impureza em Maria?

Portanto, insinuar que Maria tornou-se impura e contraiu algum pecado por ter dado a luz ao Verbo de Deus é francamente ridículo!

Ademais, não se deve esquecer que Jesus nasceu sob a Lei de Moisés: "Porém, quando cumpriu-se o tempo, Deus enviou o seu Filho, nascido de mulher e sob a Lei" (Gálatas 4,4).

Logo, a Mulher que deu a luz a Jesus tinha que cumprir as prescrições legais. O próprio Jesus as cumpriu, tendo sido inclusive circuncisado segundo o ritual legal.

Que Maria deveria apresentar o sacrifício legal não é uma prova de sua "impureza", muito menos uma prova de que "tinha pecado". Muito pelo contrário! É prova de sua humildade e obediência à Deus, já que a Toda Pura, apesar de sua santidade, fez assim para obedecer a Lei de Deus.

E isso nos faz lembrar imediatamente a bela conexão que existe entre a Mãe e o Filho, pois o próprio Jesus, o Humilde dos humildes, fez a mesma coisa: "João batizava no deserto e pregava o batismo de arrependimento para o perdão dos pecados" (Marcos 1,4). E o que fez Jesus?

– "Aconteceu que, naqueles dias, Jesus veio de Nazaré da Galiléia e foi batizado por João no [rio] Jordão" (Marcos 1,9).

Recebeu o batismo de João!!! Um batismo de arrependimento e perdão dos pecados!!

Se Jesus era Imaculado e Santíssimo, por que se submeteu a um batismo dirigido para os pecadores? Usando a ótica protestante, pensaríamos logo que Jesus também não era imaculado!

Passemos agora para a questão das rolas… Por que levaram as rolas? Porque assim determinava a Lei sob a qual nasceu Jesus. Jesus cumpriu cabalmente a Lei; outro exemplo disto temos em Mateus 17:

– "Entrando em Cafarnaum, aproximaram-se de Pedro os coletores de impostos das didracmas e lhe disseram: ‘Vosso Mestre não paga a didracma?’ E ele respondeu: ‘Certamente que sim’. Quando entrou em casa, aproximou-se Jesus e lhe disse: ‘Que te parece, Simão? Os reis da terra de quem cobram censos e tributos? Dos seus filhos ou dos estranhos?’ Respondeu ele: ‘Dos estranhos’. E disse-lhe Jesus: ‘Logo os filhos são livres; mas, para não escandalizá-los, vai ao mar, atira o anzol, recolha o primeiro peixe que pescar, abre-lhe a boca e encontrarás um estater; toma-o e dai-o por mim e por ti’" (Mateus 17,24-27).

Conforme a Lei de Moisés (Êxodo 30,13; 38,26), cada varão adulto entre os judeus devia pagar um imposto anual para o Templo; tal imposto era de duas dracmas, ou seja, o salário de dois de dias de um operário.

Segundo o próprio Jesus, Ele não tinha que cumprir essa obrigação e, por isso, diz a Pedro: "’Os reis da terra de quem cobram censos e tributos? Dos seus filhos ou dos estranhos?’ Respondeu Pedro: ‘Dos estranhos’. E disse-lhe Jesus: ‘Logo os filhos são livres’".

Mesmo sendo Jesus o Filho de Deus, cumpriu esta prescrição legal. Ele era Filho, não estranho; porém, cumpriu a Lei. Da mesma maneira, não é de se estranhar que Maria também vivesse em conformidade com a Lei. E da mesma forma que a Bem-Aventurada Virgem, também José, o Justo: sacrificaram duas rolas para cumprir a Lei e não causar escândalo entre os judeus.

7. UMA MULHER NÃO PODE SER MÃE DE TODOS OS HOMENS

"É celebre a passagem dos Evangelhos em que Jesus, na cruz, diz à sua mãe: ‘Mulher, eis aí o teu filho’ (João 19:26); e, a seguir, diz a João: ‘Eis aí a tua mãe’ (João 19:27). Roma tem ensinado que essa é a prova de que Maria é ‘nossa Mãe’. No entanto, Jesus sempre nos ensinou sobre o Pai que está nos céus e não sobre uma Mãe terrena ou celeste. Dizem, muito acertadamente, que ‘um texto fora do contexto é um pretexto’. O que Jesus diz para sua mãe é que João, o discípulo, seria ‘seu filho’, não podendo abranger também todos os crentes, já que nenhuma mulher pode ser mãe de todos".

Este argumento, na verdade, não se refere à imaculada conceição, mas é uma rejeição à maternidade espiritual de Maria, que abriga todos os cristãos. Mesmo não sendo exatamente o tema desta questão, aproveito para fazer alguns comentários à respeito.

O problema que vejo neste argumento é que se sustenta sobre uma afirmação gratuita. Para ser consistente, todo argumento deve se basear em provas ou raciocínios que lhe dêem consistência. Aqui, a razão que o artigo aponta para afirmar que Maria não pode ser mãe de todos os cristãos é "que nenhuma mulher pode ser mãe de todos". É aqui onde encontramos a afirmação gratuita, porque isto não pode ser provado e também porque isto é incorreto.

Para tal afirmação, poderíamos responder com uma simples pergunta: e por que uma só mulher não pode ser mãe de todos nós, cristãos?

Considere-se que a passagem torna evidente que não se está falando de uma maternidade segundo a carne, mas sim de uma maternidade "espiritual". Esse conceito de maternidade (e também de paternidade) espiritual não é alheio à Bíblia. Abraão, por exemplo, é chamado "Pai dos Judeus" segundo a carne: "Que diremos, pois, de Abraão, nosso pai segundo a carne?" (Romanos 4,1). Porém, é também "pai espiritual" de todos os crentes através da fé:

– "E recebeu o sinal da circuncisão como selo da justiça da fé que possuía sendo incircunciso. Assim se convertia em pai de todos os crentes incircuncisos a fim de que a justiça lhes fosse igualmente imputada; e, também, em pai dos circuncisos que não se contentam com a circuncisão, mas que seguem os passos da fé que teve nosso pai Abraão antes da circuncisão" (Romanos 4,11-12).

– "Entendei, pois, que os que vivem da fé, esses são os filhos de Abraão" (Gálatas 3,7).

Pois bem. Se o próprio São Paulo não tem receio de chamar a um homem de "pai espiritual" de todos os crentes, por que Maria também não poderia ser chamada sua Mãe em sentido espiritual? Seria coerente alguém refutar São Paulo afirmando que Abraão não poderia ser pai de todos porque um homem não pode sê-lo?

Assim como é inconsistente e "gratuito" este raciocínio sobre o caso da paternidade espiritual de Abraão, também é inconsistente no que diz respeito à impossibilidade da maternidade espiritual de Maria.

Postado em: https://carloslopesshalom.wordpress.com

NOSSA SENHORA DE GUADALUPE, PROTETORA DAS AMÉRICAS – 12/DEZ

Nossa_Senhora_de_Guadalupe

Celebrada no México, no mês de Dezembro, o milagre de Nossa Senhora de Guadalupe, ocorrido em 1531, surpreende até hoje pela incrível história. As aparições aconteceram nos primeiros dias de Dezembro. O índio Juan Diego, também conhecido pelo nome nativoNossa senhora de GuadalupeNossa senhora de Guadalupe de Cuautitlan, presenciou um dos mais impressionantes milagres da Virgem Maria. Chamado para o alto de uma montanha, foi agraciado com a tarefa de transmitir a mensagem de Nossa Senhora aos habitantes da região. No primeiro encontro ela disse:

"Eu sou a Sempre Virgem Maria, Mãe do Deus Vivo por quem nós vivemos, do Criador de todas as coisas, Senhor do céu e da terra. Eu desejo que um templo seja construído aqui, rapidamente; então, Eu poderei mostrar todo o meu amor, compaixão, socorro e proteção, porque Eu sou vossa piedosa Mãe e de todos os habitantes desta terra e de todos os outros que me amam, invocam e confiam em mim"

Porém o Bispo da cidade não acreditou em Juan Diego, e se fez necessário um sinal para convence-lo do maravilhoso propósito. Sob orientação de Nossa Senhora Diego subiu a montanha, e quando atingiu o topo, ele espantou-se pela variedade rosas de Castilha que haviam brotado bem antes do tempo, porque, estando fora da época, deveriam estar congeladas. O topo da montanha era um lugar impossível de nascer qualquer tipo de flor. Ele voltou imediatamente e entregou as diferentes rosas que havia cortado para a Senhora do Céu, que ao vê-las, tocou-as com suas mãos e as devolveu para Juan.

No palácio do Bispo, os serventes tentaram ver o que Juan Diego carregava. Ao verem que eram rosas fora de época, ficaram impressionados. Estenderam a mão para as rosas, mas, ao tentar pegá-las, elas pareciam pintadas ou estampadas ou costuradas no tecido. Ao relatarem esse fato ao Bispo, ele compreendeu que Juan Diego carregava a prova desejada.Então, desdobrou seu manto, onde estavam as rosas; quando elas caíram ao chão, apareceu subitamente o desenho da preciosa imagem de Nossa Senhora, como ela é vista até hoje no templo de Tepeyacac, chamada Nossa Senhora de Guadalupe.

A imagem de Nossa Senhora de Guadalupe

Nossa senhora de guadalupe1 – Nossa Senhora está diante de uma Luz Brilhante: os índios veneravam o deus sol. Ela está vestida de sol, o que mostra que Seu Deus é mais poderoso.

2 – Manto Azul: azul era sinal de realeza, virgindade e a cor que as deusas vestiam. As estrelas no manto estão como no céu da noite de 12 de dezembro de 1531. Os índios viviam sob as estrelas e aqui Ela as veste, mostrando que Seu Deus é mais poderoso que as estrelas.

3 -Cabeça curvada: na cultura indígena, os deuses e deusas olhavam diretamente nos olhos para mostrar seu poder e eram representados com olhos grandes. Maria, com Sua cabeça abaixada, mostra que não é um deus ou uma deusa, mas que há um poder maior acima dela.

4 – Lua: os índios veneravam Quetzalcoatl (serpente de pedra), representado por uma lua encrespada. Os pés de Maria estão firmemente apoiados sobre a lua, simbolizando que Ela está esmagando o deus deles.

5 – Coração nas costas da mão: o Coração Imaculado de Maria, como representamos, com chamas. Somente nas aparições de Guadalupe e Fátima esse sinal apareceu, o que mostra que são eventos relacionados.

6 – Chave entre as mãos postas: a oração é a chave para o Céu

7 – Estudos oftalmológicos realizados nos olhos de Maria detectou que ao acercar-lhe luz, a retina se contrai e ao retirar a luz, volta a dilatar, exatamente como ocorre em um olho vivo.

8 – A temperatura da fibra de maguey com a qual está confeccionado o ponche que usou Juan Diego, mantém uma temperatura constante de 36.6 graus, a mesma de um corpo humano vivo.

9 – Um dos médicos que analizou o ponche colocou seu estetoscópio embaixo do cinto que María possui e escutou batidas que em rítmos se repete a 115 pulsações por minuto, igual a um bebê no ventre materno. Sabe-se que a imagem de Maria representa uma mulher grávida.

10 – Não se descobriu nenhum vestígio de pintura no tecido, nem de pinceladas. Na realidade, há uma distância de 10 décimos de Centímetros da imagem, só se vê o tecido de maguey cru: as cores desaparecem. Estudos científicos não conseguem descobrir a origem da coloração que forma a imagem, nem a forma que a mesma foi pintada. Não se detectou vestígios de pinceladas nem outra técnica de pintura conhecida. Os cientistas da NASA confirmaram que o material que da origem às cores não pertence a nenhum dos elementos conhecidos na terra.

11 – Foi passado um raio lazer no sentido lateral sobre o tecido, descobrindo que a coloração da mesma não está nem na frente e nem no verso, e sim que as cores flutuam há uma distância de 3 décimos de milímetro sobre o tecido, sem tocá-lo. As cores flutuam, sobre a superfície do ponche.

12 – A fibra de maguey que constitui o tecido da imagem, não pode durar mais que 20 ou 30 anos. Há varios séculos se pintou uma réplica da imagem em um tecido de fibra de maguey idêntica, e a mesma se desintegrou depois de varias décadas. Enquanto que, a quase 500 anos do milagre, a imagem de María continua tão firme como o primeiro dia. A ciência não consegue explicar porque a tela nao se desintegrou.

13 – No ano de 1791, se derrubou acidentalmente ácido muriático no lado superior direito do tecido. Num intervalo de 30 dias, sem tratamento algum, se reconstituiu milagrosamente o tecido afetado. 8. As estrelas visíveis no Manto de María refletem a exata posição que se apresentava o céu do México no dia em que aconteceu o milagre.

14 – Ao se digitalizar a imagem do olho pode-se observar um índio no ato de desdobrar sua tilma perante um franciscano; o próprio franciscano, em cujo rosto se vê escorrer uma lágrima; uma pessoa muito jovem, tendo a mão sobre a barba com ar de consternação; um índio com o torso desnudo, em atitude quase orante; uma mulher de cabelo crespo, provavelmente uma negra, serviçal do bispo; um varão, uma mulher e umas crianças com a cabeça meio raspada; e mais outros religiosos vestidos com hábito franciscano.

15 – Na pupila da imagem de Nossa Senhora pode-se ver imagem de várias figuras humanas que parecem constituir uma família (incluindo várias crianças e um bebê levado nas costas por sua mãe, como se costumava no século XVI), aparecem no centro da pupila da Virgem, como centro de sua visão.

Outros sinais representam: o Espírito Santo; Abraão; os Reis Davi e Salomão; o profeta Daniel; a maternidade de Maria; Maria, Mãe de Deus; Natividade de Jesus; apresentação do Menino Jesus no Templo; a Última Ceia; um rosto de duas caras: Judas e o demônio; agonia de Jesus no Horto; flagelação de Jesus; a Cruz; a Sagrada Face.

A origem do nome Guadalupe tem diversas teorias mas a mais aceita, seja a que Nossa Senhora tenha usado a palavra Azteca Nahuatl coatlaxopeuh — que é pronunciado "quatlasupe" e soa extremamente parecido com a palavra em espanhol Guadalupe. Coa siginifica "serpente"; tla, o artigo "a"; xopeuh significa "esmagar". Assim, Nossa Senhora deve ter chamado a si mesma como "Aquela que esmaga a serpente" — também numa referência ao deus Quetzalcoatl, ou serpente de pedra, ao qual os Aztecas costumavam oferecer sacrifícios humanos. Em 1487, devido a dedicação de um novo templo em tenochtilan, cerca de 80.000 cativos foram imolados em sacrifícios em uma só cerimônia que durou quatro dias.

http://comunidadecatolica.wordpress.com/2007/06/22/nossa-senhora-de-guadalupe-%E2%80%93-protetora-das-americas/

Outros sites com  informações:

http://www.catolicismo.com.br/materia/materia.cfm/idmat/78F44B7B-3048-560B-1C0E887EA3F01DB6/mes/Janeiro2006

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A PEQUENEZ DE APARECIDA

A pequenez de Aparecida
Padre José Fernandes de Oliveira, SCJ  (Pe. Zezinho)

NOSSASENHORA APARECIDA

A mística da pequenez da qual fala Bento XVI no seu livro “Sal da Terra”, consiste em saber ser pequeno e buscar a profundidade do existir, não no tamanho, nem na quantidade, mas no conteúdo. Penso na teoria do Big Bang que diz que o Universo começou como se fosse uma casca de noz, com um poder de explosão quase infinito. Estaria tudo comprimido numa quase bolinha de pingue-pongue. Inimaginável? Pois não foi exatamente isso que Steve Jobs perseguiu com suas maquinetas cada dia menores, a ponto de caberem na palma da mão e lembrarem uma folha de papel? No entanto, quantos terabytes de informação cabem naqueles minúsculos instrumentos? O mundo persegue, sem o saber, o resumo e a pequenez. Talvez a perfeição esteja mesmo no simples e não no complexo. Vale uma tese!…

Jesus tocou no assunto, quando afirmou que o Reino dos Céus era qual semente de mostarda, quase invisível a olho nu. Mas esconde uma das maiores hortaliças que se conhece. É a pequenez a hospedar milhões de vezes o próprio tamanho… Então não é o tamanho, nem os números vendidos, nem o alarde do marketing que faz uma obra. É sua profundidade e sua capacidade de gerar vida e pensamentos. Pequeno não é o mesmo que óbvio. Dê tempo a ele e verá do quanto ele é capaz.

Agora, falemos de Maria. De mística e de pequenez ela entendeu. Nunca se propôs ser maior do que era. Diz Lucas que ela se proclamou serva admitindo que a bendiriam, mas que a grandeza dela vinha de outra fonte. Maria estava lá, mas raramente apareceu. Os evangelhos falam pouco a seu respeito. Mas o que foi dito marcou. Foi sua biografia compacta. As imagens pequenas de Maria cabem muito bem neste conceito. Fátima é pequena: não chega a um metro. Lurdes é pequena, Guadalupe, Nazaré e Aparecida nenhuma dessas imagens ou pinturas passam de 60 centímetros. São imagens de pequenez.

Como seu filho falara do “pequeno rebanho” e dera um sentido aos “goels” que eram os pequeninos e apequenados da sorte e da política do seu tempo, e, como ele mesmo não veio com pompa e poder, deve haver algo na sua pobreza e na sua proposta de pequenez… Seguidor dele não persegue nem riqueza nem o primeiro lugar…Se as perseguir, é porque deixou de o seguir. A mãe dele permaneceu pequena. Mas Maria, pequena até nas imagens de suas manifestações, tornou-se um grande nome entre nós, não apenas pelo seu ventre que hospedou Jesus, mas também pela sua cabeça pensante que refletia sobre tudo o que se passava. E deve ser por isso que ela cresceu tanto no conceito dos povos…

APARECIDA E RECONSTRUÍDA 

Os devotos que deram a Maria o nome de Aparecida poderiam também tê-la chamado de Nossa Senhora Restaurada, Reencontrada, Refeita ou Reconstruída. Mas como a imagem jogada na lama do rio Paraíba foi reencontrada em pedaços e apareceu numa rede, deram-lhe o nome de Aparecida, não porque Maria apareceu lá, mas porque sua imagem emergiu do esquecimento e da lama.

Hoje podemos dar a ela dezenas de nomes que lembrem uma pequena imagem refeita, limpa, purificada, tirada do quase nada. Se alguém a jogou no lixo do rio é porque não mais servia. Cabeça e tronco não estavam mais juntas. Pode ter sido uma imagem vinda de Portugal ou de alguma outra representação de Maria. O fato é que perdera sua utilidade. Por isso, acabou no rio.

Pequenos e pobres pescadores, sempre eles…, como os que seguiram Jesus na Galiléia deram um jeito na imagem encontrada. Acharam um sentido para a sua descoberta. Hoje, séculos depois, sabemos no que deu. Trata-se de esperança, de fé, de pessoas aflitas a buscar a casa da mãe e, nela, alguma resposta para sua vida. O povo sabe o sentido que dá àquela pequena imagem. Ao colocá-la quase fora do templo, em local de difícil acesso, os líderes da Igreja deixaram claro que não é preciso tocar na imagem restaurada para conseguir restaurar a própria vida. Passem por lá, olhem e depois voltem ao templo e orem e comunguem.

Aparecida tem um altar no centro, um sacrário na mini-igreja ao lado e Maria lá no fundo. É o jeito de dizer que sabemos o lugar da mãe e do Filho e que, de um plano mais alto, ela aponta para aquele centro que é o altar. Os fieis levam a imagenzinha nas mãos e procuram o altar. Em vida ela fez o mesmo: apontou para o filho.

Aprende-se muito em Aparecida, Lurdes, Fátima e Guadalupe. Passa-se pelas imagens, mas não se fica nem se toca nelas. Não é preciso. São para ser pensadas e contempladas. Em Aparecida as palavras são reconstrução, restauração, resgate, reencontro, redescoberta.

Os maiores milagres de Aparecida são espirituais. Nós, padres, o sabemos. Tenho visto poucas pessoas jogarem muletas no chão e saírem triunfantes. É mais templo de oração do que de prodígios. Também não vejo os padres e pregadores a incentivar isto. Mas os confessionários estão sempre cheios. Outra vez, vale a expressão de Romano Guardini, repetida pelo papa Bento XVI: “essencializar a vida”. O que seria o essencial em Aparecida? Penso que aqueles olhares e aquelas conversas de povo simples, dirigidos a Jesus e à sua mãe. O espetáculo de Aparecida e que ali nada é espetacular. Os fiéis não vão lá para ver milagres. Vão lá para orar.

Padre José Fernandes de Oliveira, SCJ  (Pe. Zezinho)

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