NESTA MANHÃ NUBLADA DE UMA ROMA ENTERNECIDA

Por Padre Marcelo Tenório

Papa bento XVI-

NESTA MANHÃ NUBLADA DE UMA ROMA ENTERNECIDA

Por que não ficas conosco, mais um pouco, a nos guiar à Verdade sem ocaso da Fé?
No ano da Fé, deixa-nos, então?
Não celebrarás conosco o amanhecer de uma Igreja restaurada por tua palavra e banhada com o sangue de teu silencioso martírio?
O Trono, a glória, os suíços – todo o teu temporal não são capazes de te prender por entre os mármores de Pedro?
Sobre ti estão os olhares da humanidade, e tu recusas o poder?
Como novo Celestino entendes a hora de descer e,
Livremente desces.
Como Bento ,no nome e na graça, preferes o recolhimento na oração às glórias deste mundo, até á partida definitiva.
É próprio de quem é Grande, a descida.
Só os Grandes descem.
Com nobreza queres entregar o leme da Igreja a outro.
Reconhecendo tua fraqueza, renuncias.
Reconhecemos tua força e bradamos:
“Viva o Papa”!
O Papa que desce!
Que desce com tanta dignidade que é mais uma subida,
Que descida.
Mais demonstração de Força,
Que fraqueza.
Ó vós que sentis com a Igreja,
Olhai o papa que desce!
Que desce para o Alto!
E hoje mais do que nunca,
Em honra do Grande, do Forte e do Magno
Brademos juntos , 
Mais uma vez:
Viva o Papa que desce para o Alto!
Viva Bento XVI.

(Padre Marcelo Tenório)

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Papa Bento XVI–Texto de sua renúncia

Papa Bento XVI__

"Caríssimos Irmãos,

Convoquei-vos para este Consistório não só por causa das três canonizações, mas também para vos comunicar uma decisão de grande importância para a vida da Igreja.

Depois de ter examinado repetidamente a minha consciência diante de Deus, cheguei à certeza de que as minhas forças, devido à idade avançada, já não são idôneas para exercer adequadamente o ministério petrino. Estou bem consciente de que este ministério, pela sua essência espiritual, deve ser cumprido não só com as obras e com as palavras, mas também igualmente sofrendo e rezando. Todavia, no mundo de hoje, sujeito a rápidas mudanças e agitado por questões de grande relevância para a vida da fé, para governar a barca de São Pedro e anunciar o Evangelho, é necessário também o vigor quer do corpo quer do espírito; vigor este, que, nos últimos meses, foi diminuindo de tal modo em mim que tenho de reconhecer a minha incapacidade para administrar bem o ministério que me foi confiado. Por isso, bem consciente da gravidade deste ato, com plena liberdade, declaro que renuncio ao ministério de Bispo de Roma, Sucessor de São Pedro, que me foi confiado pela mão dos Cardeais em 19 de Abril de 2005, pelo que, a partir de 28 de Fevereiro de 2013, às 20 horas, a sede de Roma, a sede de São Pedro, ficará vacante e deverá ser convocado, por aqueles a quem tal compete, o Conclave para a eleição do novo Sumo Pontífice.

Caríssimos Irmãos, verdadeiramente de coração vos agradeço por todo o amor e a fadiga com que carregastes comigo o peso do meu ministério, e peço perdão por todos os meus defeitos. Agora confiemos a Santa Igreja à solicitude do seu Pastor Supremo, Nosso Senhor Jesus Cristo, e peçamos a Maria, sua Mãe Santíssima, que assista, com a sua bondade materna, os Padres Cardeais na eleição do novo Sumo Pontífice. Pelo que me diz respeito, nomeadamente no futuro, quero servir de todo o coração, com uma vida consagrada à oração, a Santa Igreja de Deus.

Vaticano, 10 de Fevereiro de 2013.

BENEDICTUS PP XVI"

Papa Bento XVI_Obrigado_

A SUCESSÃO APOSTÓLICA

por São Clemente de Roma
Papa de 90 a 100 aproximadamente – Carta aos Coríntios, 42-44

Sucessão apostólica

A sucessão apostólica

Os apóstolos receberam do Senhor Jesus Cristo, para nós, a Boa Nova; Jesus, o Cristo, foi enviado por Deus. O Cristo vem pois de Deus, os apóstolos de Cristo. Estas duas missões procedem ordenadamente da vontade de Deus. Providos de instruções, cheios de segurança pela ressurreição de nosso Senhor Jesus Cristo, reforçados pela palavra de Deus, eles partiram, com a garantia do Espírito Santo, a anunciar que o Reino de Deus estava próximo. Pregavam nos campos e nas cidades, onde estabeleceram as suas primícias, a quem nomearam, com a ajuda do Espírito Santo, bispos e diáconos dos futuros fiéis. […] É de admirar que os homens que Deus investiu de uma tal missão em Cristo tenham, por sua vez, estabelecido os ministros que acabo de invocar? […] Os nossos apóstolos também souberam por nosso Senhor Jesus Cristo que haveria litígios quanto às funções do bispo. Foi essa a razão pela qual, na sua correcta previsão, estabeleceram os ministros acima citados e instituíram que, após a sua morte, outros homens, devidamente provados, lhes sucedessem.

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DISCURSO DO PAPA BENTO XVI AOS PEREGRINOS ALEMÃES POR OCASIÃO DE SUA ELEIÇÃO

Discurso do Papa Bento XVI às delegações e peregrinos de língua alemã que vieram a Roma por ocasião da eleição
Segunda-feira, 25 de Abril de 2005

Papa Bento XVI_9

Queridos Concidadãos!

Em primeiro lugar devo pedir desculpa pelo atraso. Os alemães são famosos pela pontualidade. Ao que parece, já me italianizei muito. Mas tivemos um encontro ecuménico com os representantes do ecumenismo de todo o mundo, de todas as Igrejas e comunidades eclesiais, com os representantes das outras religiões. Foi um encontro muito cordial, e por isso durou mais tempo. Mas agora finalmente: cordiais boas-vindas!

Agradeço de coração os bons votos, as palavras e as manifestações de afecto e de amizade que recebi de modo impressionante de todas as partes da Alemanha. No início do meu caminho num ministério no qual jamais tinha pensado e para o qual não me sentia adequado, tudo isto me dá grande força e ajuda. Que Deus vos recompense! Quando, lentamente, o andamento das votações me fez compreender que, por assim dizer, a guilhotina teria caído sobre mim, comecei a ter vertigens. Estava convencido de que tinha desempenhado a obra de toda uma vida e de poder transcorrer os meus últimos dias em tranquilidade. Com profunda convicção disse ao Senhor: não me faças isto! Dispões de pessoas mais jovens e melhores, que podem enfrentar esta grande tarefa com outro impulso e vigor. Permaneci então muito comovido com uma breve carta que me escreveu um irmão do colégio cardinalício. Recordou-me que por ocasião da Missa por João Paulo II eu tinha centrado a homilia, partindo do Evangelho, sobre a palavra que o Senhor disse a Pedro junto do lago de Genesaré: segue-me! Expliquei que Karol Wojtyla recebeu sempre de novo esta chamada do Senhor, e como sempre de novo tivera que renunciar a muito e dizer simplesmente: sim, sigo-te, mesmo se me conduzes onde não quero. O irmão escreveu-me: Se agora o Senhor te dissesse a ti "segue-me", então recorda-te do que pregaste. Não te recuses! Sê obediente como descreveste o grande Papa, que voltou à casa do Pai. Isto admirou-me profundamente. As vias do Senhor não são confortáveis, mas nós não somos criados para o conforto, mas para as coisas grandes, para o bem.

Assim, no final mais não pude fazer do que dizer sim. Confio no Senhor, e confio em vós, queridos amigos. Um cristão nunca está sozinho, disse ontem na homilia. Expressei assim a maravilhosa experiência que todos nós vivemos nas extraordinárias quatro semanas acabadas de transcorrer. Com a morte do Papa, entre tanto sofrimento, emergiu a Igreja viva. Foi evidenciado que a Igreja é uma força de unidade, um sinal para a humanidade. Quando as grandes emissoras radiotelevisivas transmitiam ininterruptamente o retorno à casa do Pai do Papa, o sofrimento das pessoas, a obra do grande defunto, respondiam a uma participação que superou qualquer expectativa. No Papa eles viram um pai que dava segurança e confiança. Que de certa forma unia todos entre si. Viu-se que a Igreja não está fechada em si mesma e não existe só para si mesma, mas que é um ponto luminoso para os homens. Viu-se que a Igreja não é absolutamente velha e imóvel. Não, é jovem.

E se olharmos para estes jovens, que se reuniram à volta do Papa defunto e, enfim, à volta de Cristo, cuja causa o Papa fez sua, então viu-se uma coisa não menos confortadora: não é verdade que os jovens pensam sobretudo no consumo e no prazer. Não é verdade que são materialistas e egoístas. É verdade o contrário: os jovens desejam coisas grandes. Querem que a injustiça seja eliminada. Querem que sejam superadas as desigualdades e que todos tenham a sua parte dos bens da terra. Querem que os oprimidos obtenham a liberdade. Querem coisas grandes. Desejam coisas boas. E por isso os jovens estão vós sabei-lo de novo plenamente abertos a Cristo. Cristo não nos prometeu uma vida confortável. Quem deseja comodidades, com Ele errou direcção. Mas ele mostra-nos o caminho rumo às coisas grandes, o bem, rumo à vida humana autêntica. Quando fala da cruz que devemos carregar sobre os nossos ombros, não se trata de prazer do tormento ou de pedante moralismo. É impulso do amor, que se encaminha por si mesmo, que não olha em redor procurando-se a si mesmo, mas que abre a pessoa ao serviço da verdade, à justiça, ao bem. Cristo mostra-nos Deus, e com isto a verdadeira grandeza do homem.

Com grato prazer vejo aqui as delegações e os peregrinos da minha terra da Baviera. Já noutras ocasiões pude dizer-vos quanto é importante para mim o vosso afecto fiel, que perdura desde os dias em que deixei a minha amada Arquidiocese de Monastério e Frisinga para vir para o Vaticano a fim de responder à chamada do meu venerado predecessor o Papa João Paulo II, que há mais de 23 anos me nomeou Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé. Em todos os anos transcorridos desde então estive sempre consciente de que a Baviera e Roma não são, sob o ponto de vista geográfico, muito distantes: a Baviera e Roma foram desde sempre dois pontos entre os quais existiu uma recíproca relação fecunda. De Roma, por meio dos comerciantes, funcionários e soldados, o Evangelho chegou até ao Danúbio e ao Lech. Salto muitos acontecimentos. Depois, nos séculos XVI e XVII, a Baviera deu um dos mais belos testemunhos de fidelidade à Igreja católica. Isto é confirmado pelo intercâmbio fecundo de cultura e piedade entre a Baviera barroca e a Sé do Sucessor de Pedro. Na época moderna foi a Baviera que deu à Igreja universal um santo tão amável como o capuchinho Fratel Corrado de Parzam.

Queridos Amigos, não nos distraíamos desta generosidade, desta peregrinação para Cristo. Aguardo com alegria Colónia, onde se encontrarão os jovens do mundo, ou melhor: onde a juventude do mundo terá o seu encontro com Cristo. Caminhemos juntos, estamos unidos. Confio na vossa ajuda. Peço a vossa indulgência se cometer erros como todos os homens, ou se algo do que o Papa deve dizer e fazer segundo a própria consciência e segundo a consciência da Igreja não é compreendido. Peço a vossa confiança. Se permanecermos unidos, então encontraremos o caminho justo. E rezemos a Maria, Mãe do Senhor, para que nos faça sentir o seu amor de mulher e de mãe, no qual podemos compreender toda a profundidade do mistério de Cristo. O Senhor vos abençoe a todos!

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