O PRIMADO DE PEDRO É INDISCUTIVEL

São Pedro_6

Seguem 50 versículos da Bíblia, nos quais São Pedro aparece sempre em primeiro na lista ou em destaque. Isso comprova mais uma vez que ele foi escolhido por Jesus para ser o primeiro Papa.

1. Mt 16,18: "Também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja, e as portas do inferno nunca prevalecerão contra ela".

2. Mt 16,19: "Eu te darei as chaves do Reino dos Céus…".

3. Mt 16,19: "…e o que ligares na terra será ligado nos céus, e o que desligares na terra será desligado no céu".

4. O nome de Pedro aparece em primeiro lugar em todas as listas que enumeram os apóstolos (Mt 10,2; Mc 3,16; Lc 6,14; At 1,13). Mateus até o chama de "o primeiro" (Mt 10,2). Já Judas Iscariotes é invariavelmente mencionado por último.

5. Pedro é quase sempre mencionado em primeiro, mesmo quando aparece ao lado de outros.

6. Pedro é o único entre os Apóstolos que recebe um novo nome, Pedra, solenemente conferido (Jo 1,42, Mt 16,18).

7. Da mesma forma, Pedro é estimado por Jesus como o Pastor chefe, logo após Ele (Jo 21,15-17)…

8. Pedro é o único apóstolo mencionado pelo nome quando Jesus Cristo orou para que "a sua fé (=Pedro) não desfalecesse" (Lc 22,32).

9. Pedro é o único apóstolo a ser exortado por Jesus para que "confirmasse os seus irmãos" (Lc 22,32)

10. Pedro foi o primeiro a confessar a divindade de Cristo (Mt 16,16)

11. Apenas de Pedro diz-se que recebeu conhecimento divino através de uma revelação especial (Mt 16,17).

12. Pedro é respeitado pelos judeus (At 4,1-13) como líder e porta-voz dos cristãos.

13. Pedro é respeitado pelas pessoas comuns da mesma maneira (At 2,37-41; 5,15).

14. Jesus Cristo associa-se a Pedro no milagre da obtenção de dinheiro para o pagamento do tributo (Mt 17,24-27).

15. Cristo ensina as multidões de cima do barco de Pedro e o milagre que se segue, apanhando peixes no lago de Genesaré (Lc 5,1-11), podem ser interpretados como uma metáfora do papa como "pescador de homens" (cf. Mt 4,19)

16. Pedro foi o primeiro apóstolo a correr e entrar no túmulo vazio de Jesus (Lc 24,12; Jo 20,16).

17. Pedro é reconhecido pelo anjo como o líder e representante dos apóstolos (Mc 16,7).

18. Pedro lidera a pescaria dos apóstolos (Jo 21,2-3.11). O "barco" de Pedro tem sido respeitado pelos católicos como uma figura da Igreja, com Pedro no leme.

19. Apenas Pedro se lança e anda sobre o mar para encontrar Jesus (Jo 21,7).

20. As palavras de Pedro são as primeiras a serem registradas, bem como são as mais importantes, no discurso anterior ao Pentecostes (At 1,15-22).

21. Pedro toma a liderança na escolha do substituto para o lugar de Judas Iscariotes (At 1,22).

22. Pedro é a primeira pessoa a falar ( e a única a ser registrada) após a Pentecostes, tendo sido ele, portanto o primeiro cristão a "pregar o Evangelho" na Era da Igreja (At 2,14-36).

23. Pedro realiza o primeiro milagre da Era da Igreja, curando um aleijado (At 3,6-12).

24. Pedro lança a primeira excomunhão (anátema sobre Ananias e Safira) enfaticamente confirmada por Deus (At 5,2-11)!

25. Até a sombra de Pedro realiza milagres (At 5,15)

26. Pedro é a primeira pessoa após Cristo a ressuscitar uma pessoa (At 9,40).

27. Cornélio é orientado por um anjo a procurar Pedro para ser instruído no cristianismo (At 10,1-6).

28. Pedro é o primeiro a receber os gentios após receber uma revelação de Deus (At 10,9-48).

29. Pedro instrui os outros apóstolos sobre a catolicidade (universalidade) da Igreja (At 11,5-17).

30. Pedro é objeto da primeira mediação divina na Era da Igreja (um anjo o liberta da prisão)(At 12,1-17).

31. Toda a Igreja (fortemente indicado) oferece "fervorosa oração" para Pedro enquanto se encontra preso (At 12,5).

32. Pedro preside e abre o primeiro Concílio da Cristandade, e estabelece princípios que serão posteriormente aceitos (At 15,7-11).

33. Paulo distingue as aparições do Senhor (após sua ressurreição) a Pedro daquelas que se manifestaram aos demais apóstolos (1Cor 15,4-8). Os dois discípulos no caminho de Emaús fazem a mesma distinção (Lc 24,34), nesse momento mencionando apelas Pedro ("Simão"), ainda tendo eles mesmo visto a Jesus ressuscitado momentos antes (Lc 24,31-32).

34. Muitas vezes Pedro é distinto dos demais apóstolos (Mc 1,36; Lc 9,28.32; At 2,37; 5,29; 1Cor 9,5).

35. Pedro é sempre o porta-voz dos demais apóstolos, especialmente durante os momentos decisivos (Mc 8,29; Mt 18,21; Lc 9,5; 12,41; Jo 6,67ss).

36. O nome de Pedro é sempre listado em primeiro no "circuito íntimo" dos discípulos (Pedro, Tiago e João – Mt 17,1; 26,37.40; Mc 5,37; 14,37).

37. Pedro é mais vezes a figura central em relação a Jesus, nas cenas dramáticas tal como o fato de andar sobre a água (Mt 14,28-32; Lc 5,1ss; Mc 10,28; Mt 17,24ss).

38. Pedro é o primeiro a reconhecer e refutar a heresia de Simão Mago (At 8,14-24).

39. O nome de Pedro é mencionado muitas vezes do que os nomes dos demais discípulos em conjunto: 191 vezes (162 como Pedro ou Simão Pedro; 23 como Simão e 6 como Cefas).

40. A proclamação de Pedro no dia de Pentecostes (At 2,14-41) contém uma interpretação autoritária da Escritura, além de uma decisão doutrinária e um decreto disciplinar a respeito dos membros da "Casa de Israel" (At 2,36) – um exemplo de "ligar" e "desligar".

41. Pedro foi o primeiro carismático, tendo julgado com autoridade e reconhecendo o dom de línguas como genuíno (At 2,14-21).

42. Pedro foi o primeiro a pregar o arrependimento cristão e o batismo (At 2,38).

43. Pedro (presumivelmente) tomou a liderança no primeiro batismo em massa (At 2,41).

44. Pedro comandou o batismo dos primeiros cristãos gentios (At 10,44-48).

45. Pedro foi o primeiro missionário itinerante e foi o primeiro a exercitar o que chamamos hoje de "visitas às igrejas" (At 9,32-38.43). Paulo pregou em Damasco imediatamente após sua conversão (At 9,20), mas não foi para esse lugar com tal objetivo (Deus alterou seus planos). Sua jornada missionária inicia-se em At 13,2.

46. Paulo foi para Jerusalém especialmente para ver Pedro durante 15 dias, no início de seu ministério (Gl 1,18); e foi encarregado por Pedro, Tiago e João (Gl 2,9) a pregar para os gentios.

47. Pedro age (fortemente indicado) como o bispo/pastor chefe da Igreja (1Pd 5,1), exortando todos os outros bispos ou "anciãos".

48. Pedro interpreta profecia (v. 2Pd 1,16-21).

49. Pedro corrige aqueles que distorcem os escritos de Paulo (2Pd 3,15-16).

50. Pedro escreve sua primeira epístola a partir de Roma, conforme atesta a maioria dos estudiosos, como bispo dessa cidade e como bispo universal (ou papa) da Igreja primitiva. "Babilônia" (1Pd 5,13) é codinome para Roma.

Conclusão: Seria impossível acreditar que Deus daria a São Pedro tamanha preeminência na Bíblia se isso não fosse significativo e importante para a história posterior da Igreja, em especial, para o governo da Igreja. O papado é a realização mais completa e plausível a esse respeito.

Fonte: http://www.boletimpadrepelagio.org/index2.php?option=com_content&do_pdf=1&id=2921

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O PRIMADO DE SÃO PEDRO E A EPÍSTOLA AOS GÁLATAS

Por Alexandre Semedo

 São Pedro e São Paulo

 

"Mas quando Cefas veio para Antioquia, opus-me a ele abertamente porque era digno de censura. Pois, antes de chegarem alguns da parte de Tiago, comia com os pagãos. Mas quando eles chegaram, se retraía e se afastava, com medo dos circuncidados. E os demais judeus o acompanharam na mesma inconseqüência, tanto que até Barnabé se deixou arrastar por eles. Mas, quando vi que não procediam com retidão segundo a verdade do Evangelho, disse a Cefas na presença de todos: ‘Se tu, sendo judeu, vives como pagão e não como judeu, por que obrigas os pagãos a adotar os costumes judaicos’" (Gl, 2, 11-14).

Volta e meia, os protestantes citam o texto acima para tentar provar que Pedro, ao final das contas, não tinha tanta autoridade na Igreja primitiva e que o mesmo não era infalível. O objetivo de tais afirmações é bastante claro: visa o solapamento da fé católica no papado (autoridade de Pedro) e na infalibilidade do mesmo.

Como era de se esperar, os adeptos do Sola Scriptura não compreendem, muito bem, o texto e o contexto que citam contra os católicos. Fazendo suas interpretações pessoais e enviezadas, derrapam nas conclusões de maneira insofismável. Bem compreendida, a epístola aos Gálatas (inclusive o texto acima) reforça toda a nossa fé em Pedro e em seus sucessores. Vejamos, ponto por ponto, como isto acontece.

O Concílio de Jerusalém

A dramática cena do enfrentamento entre S. Pedro e S. Paulo ocorreu alguns dias após o mais importante acontecimento do primeiro século do cristianismo: o Concílio de Jerusalém. Entender este concílio e suas resoluções é de suma importância, portanto, para que se possam entender os acontecimentos de Gl 2, 11-14.

A Igreja primitiva nasceu, como um rebento, do judaísmo. Seus líderes eram judeus, e a Igreja aproveitava da distribuição das sinagogas pelo mundo romano para fazer, com sucesso, a implantatio ecclesiae. Neste ambiente profundamente judaico, surgiu uma certa teologia segundo a qual, para que alguém se salvasse, deveria, necessariamente, participar da Antiga Aliança, circuncidando-se e observando as antigas leis mosaicas. Tal teologia (chamada de judaizante) tinha uma enorme influência entre os cristãos, difundindo-se, a partir de Jerusalém, por todas as demais igrejas locais. O líder desta facção era, ninguém mais, ninguém menos, do que São Tiago, bispo de Jerusalém e figura proeminente da Igreja primitiva.

No entanto, São Paulo liderava os adeptos de uma outra teologia. Contemplando a história da salvação, ele percebeu que, na verdade, Cristo, ao morrer na Cruz, substituiria toda a Lei Antiga por uma Nova Aliança, realizada em Seu preciosíssimo sangue. Era este sangue, e apenas ele, o penhor de nossa salvação, sendo desnecessário (e, em seu entender, inconveniente) que se observassem os antigos rituais judaicos.

A disputa entre as duas facções, aos poucos, foi se acirrando. Discussões sérias ocorriam. Para resolvê-las, a Igreja primitiva, orientada pelo Espírito Santo, convocou aquele que seria o primeiro Concílio de sua história. Reuniram-se, em Jerusalém (note-se que esta era a diocese de São Tiago), todos os líderes cristãos e, sob a direção de São Pedro, se puseram a discutir a questão.

De um lado, São Paulo e seus discípulos expunham a sua idéia. De outro, os companheiros de São Tiago se punham a rebatê-las, certamente encorajados pelo fato de que este combate teológico, realizado em Jerusalém, favorecia a vitória dos judaizantes. Fez-se uma discussão. O momento era dramático para São Paulo, que via cada vez mais distante a possibilidade de que sua tese saísse vencedora.

Foi então que Pedro falou. E com que coragem falou Pedro! Não obstante estar em Jerusalém (onde os judaizantes eram maioria), não obstante a venerável presença de São Tiago, o velho São Pedro pronunciou-se, com assombroso destemor, em favor de São Paulo. Como líder da Igreja, ex-catedra, deu a primeira manifestação solene e infalível de que se tem notícia, afirmando que São Paulo tinha razão, e afastando a necessidade de observância da lei mosaica para a nossa salvação. Como era de se esperar, esta definição dogmática e solene até hoje permanece em vigor, e nunca mais os cristãos tiveram dúvidas a respeito. Veja como São Lucas descreveu este discurso em At. 15.

Reuniram-se os apóstolos e os presbíteros para examinar a questão. Ao fim de longa discussão , levantou-se Pedro e falou: "Irmãos, vós sabeis que Deus me escolheu dentre vós desde os primeiros dias, para que os pagãos ouvissem de minha boca a palavra do Evangelho e cressem. E Deus, que conhece os corações, testemunhou a favor deles, dando-lhes o Espírito Santo como a nós. Não fez distinção alguma entre nós e eles, purificando-lhes os corações pela fé. Pois então, por que provocais a Deus, impondo aos discípulos um jugo que nem nossos pais nem nós mesmos pudemos suportar? Aliás, nós cremos que, pela graça do Senhor Jesus Cristo, seremos salvos do mesmo modo que eles". Toda a assembléia se calou e pôs-se a escutar Barnabé e Paulo que narravam todos os sinais e prodígios que Deus tinha realizado entre os pagãos por intermédio deles. os sábados".

Depois disto, falou São Tiago. O mesmo, amante da lei mosaica, propôs, então, algumas normas pastorais de nítida influência judaizante. Veja o seu discurso:

Logo que se calaram, Tiago tomou a palavra e disse: "Irmãos, ouvi-me: Simão nos explicou como desde o início Deus cuidou de tirar dentre os pagãos um povo que trouxesse o seu nome. Com isso concordam as palavras dos profetas, como está escrito:

Depois voltarei para reerguer

a tenda de Davi, que está caindo,

reedificarei as ruínas e a porei de pé,

a fim de que o restante da humanidade,

assim como todas as nações

sobre as quais for invocado meu nome,

procurem o Senhor.

Assim diz o Senhor que realiza estas coisas,

conhecidas desde tempos antigos.

Por isso julgo que não se deve inquietar os convertidos para Deus entre os pagãos. Mas se lhes prescreva absterem-se das contaminações dos ídolos, da prostituição, das carnes sufocadas e do sangue. Pois desde os tempos antigos, a Lei de Moisés tem em cada cidade quem a explique, sendo lida nas sinagogas todos"

Não se pode afastar, por completo, a afirmação de que o objetivo de São Tiago era o de salvar um pouco do judaismo que, com a declaração de São Pedro, transformava-se em algo ultrapassado para os cristãos. Como católicos, no entanto, devemos acreditar que, ainda que se tratando de normas pastorais, e ainda que outro fosse o objetivo de Tiago, as mesmas foram inspiradas pelo Espírito Santo e eram de observância obrigatória (como as do Concílio Vaticano II). De fato, a observância das mesmas evitava que os judeus se escandalizassem dos cristãos e fechassem, aos mesmos, as portas das sinagogas. Isto permitiu que a implantatio ecclesiae prosseguisse a partir da distribuição geográfica das mesmas. No entanto, por serem normas meramente pastorais, foram deixadas de lado posteriormente, sem que isto implique em qualquer contradição.

Este foi o Concílio de Jerusalém. São Paulo, alegre com a decisão de Pedro, e aceitando as normas pastorais (como um bom católico) foi à Antioquia dar a notícia para aquela igreja. São Pedro (fundador da mesma) para lá se dirigiu alguns dias depois. É exatamente neste contexto ?pós-conciliar? que se deu o enfrentamento mencionado.

Defesa

Antes de se analisar como a epístola aos Gálatas confirma o primado de Pedro, julgo ser importante que se estabeleça a defesa contra a interpretação protestante.

O fato de S. Paulo ter resistido publicamente a uma atitude de S. Pedro em nada afeta o dogma da infalibilidade papal. Não deixa de ser delicioso (para nós católicos) que os protestantes não conheçam nada de doutrina católica. Combatem, os hereges, uma pseudo-igreja que somente existe em suas cabeças recheadas de ilusões.

Afirmam que, se os papas fossem infalíveis, Pedro (o primeiro papa) não teria cometido o erro descrito em Gl 2,11-14. No entanto, esta acusação se baseia no mais arrematado desconhecimento do que seria infalibilidade papal. Se soubessem o significado deste dogma, não fariam suas esdrúxulas e descabidas acusações.

O Papa só é infalível quando se pronuncia ex-catedra (solenemente) sobre algum ponto de doutrina ou de fé. O católico tem a garantia (dada pelo próprio Jesus) de que, nestes casos (e somente nestes) o Pastor Universal da Igreja não pode errar. Mas, em tudo mais, o papa é tão falível e pecador quanto qualquer outro mortal.

O que temos, então? Pedro, no Concílio de Jerusalém de que se falou acima, fez um pronunciamento solene sobre um ponto de fé e definiu, para sempre, uma questão. No episódio de Gl 2, 11-14 (ocorrido alguns dias depois), o mesmo Pedro cometeu um erro (um pecado). Os protestantes citam um pecado de Pedro para negar a infalibilidade papal. Ora: o Papa é infalível, não impecável!!!

Como se vê, a tentativa de se negar, biblicamente, a infalibilidade do papa baseando-se em Gl 2, 11-14 revela um profundo desconhecimento do que significa o dogma atacado. Este trecho bíblico mostra, apenas, que S. Pedro era um pecador como todos nós. Nem de longe portanto, arranha o dogma católico em questão.

Isto bastaria para afastar, solene e infalivelmente, o ataque protestante mal fundamentado. No entanto, creio que tanto o contexto da epístola aos Gálatas quanto os acontecimentos narrados na mesma provam, com veemência, o primado de Pedro na Igreja Primitiva. Em outras palavras: bem compreendido, o texto em questão não apenas não arranha o papado mas o confirma de maneira insofismável.

Este contra-ataque católico, tão pouco explorado pelos apologistas nacionais, é o que pretendo fazer nas linhas abaixo.

O Contra-ataque

Como foi dito, logo após o Concílio de Jerusalém (no qual, repita-se, a teologia de paulina saiu vitoriosa), São Paulo dirigiu-se à cidade de Antioquia para dar, aos cristãos de lá, a boa nova. Nesta cidade, a maioria dos cristãos era formada por gentios. Era de se esperar, portanto, que os mesmos estivessem ansiosos com o resultado do Concílio.

São Pedro também se dirigiu para lá e verificou, pessoalmente, a alegria que tomou conta de todos. Durante alguns dias, viveu plenamente o espírito conciliar e, respeitando as normas pastorais definidas, ceiava e misturava-se aos cristãos da gentilidade.

Foi, então, que vieram alguns "da parte de Tiago", descendo diretamente de Jerusalém à Antioquia. Com certeza, estes "judeus da parte de Tiago" eram aqueles que, derrotados pela manifestação infalível de São Pedro, mesmo assim, recalcitravam em aceitar a solene definição dada pelo mesmo (existem, na Igreja de hoje, muitos deste tipo de cristãos, para a tristeza de todos os quanto dedicam a sua vida ao catolicismo).

O fato é que a presença destes judaizantes acabou por intimidar a São Pedro. O mesmo, então, começou a evitar os cristãos vindos da gentilidade e a se comportar como se fosse, ele mesmo, um judaizante. É interessante notar-se que, durante o Concílio, a presença destes recalcitrantes não intimidou a São Pedro. Pelo contrário, movido pelo Espírito Santo (afinal, era um Concílio Ecumênico), o primeiro Papa passou por cima das pressões e defendeu a verdade da fé cristã. Em Antioquia, contudo, como qualquer mortal, Pedro errou e se deixou levar pelas pressões.

Quando São Pedro se retraiu, criou-se uma situação inusitada. Os judaizantes (até então, os derrotados do Concílio) comportavam-se como se vitoriosos fossem. São Paulo (o grande vitorioso), por sua vez, passava como se houvesse sido derrotado.

A situação foi tão absurda que o próprio Barnabé passou para o lado dos judaizantes. E, note-se, Barnabé era companheiro de São Paulo, viajavam juntos, estavam lado a lado no Concílio. Em outras palavras: Barnabé era um dos grandes apologistas da teologia paulina.

Veja-se, portanto, a situação: São Paulo tinha o decreto conciliar em suas mãos, estava em uma Igreja onde sua teologia predominava, tinha, com ele, o seu grande companheiro de batalhas (Barnabé) e, no entanto, bastou um simples recolhimento de São Pedro para que tudo isto nada significasse. Bastou um simples recuo de São Pedro para que a liberdade cristã se visse ameaçada. Bastou um simples titubeio do Papa para que o próprio Barnabé esquecesse anos de lutas e de discussões teológicas e se deixasse arrastar pelo erro.

Em Jerusalém (terreno dos judaizantes), nem a venerável presença de São Tiago, nem os argumentos dos judaizantes foram capazes de dobrar o espírito de Barnabé. Em Antioquia (terreno aliado de São Paulo), contudo, um simples gesto de São Pedro o arrastou para o erro.

Cumpre que cada um se pergunte o porquê disto. Que cada leitor e leitora se questione qual a razão que fazia com que, aos olhos de todos, a postura de São Pedro fosse mais importante do que as resoluções conciliares.

São Paulo, então, vai em defesa da verdade com seu espírito inquebrantável. E vai defendê-la não contra os judaizantes, nem contra Barnabé, mas somente contra São Pedro. Novamente, que cada leitor e leitora se pergunte por que São Paulo preocupou-se, apenas, com a atitude de Cefas? Por que razão Paulo não censurou nem corrigiu a todos os que estavam comportando-se contrariamente às normas do Concílio? A resposta é muito simples: porque o erro tinha o poder de arrastar toda a Igreja consigo. O erro de Barnabé era, apenas, o erro de Barnabé; o erro dos judaizantes, era, apenas, o erro dos judaizantes e nada mais. O erro de S. Pedro, contudo, tinha dimensões gigantescas que somente se explicam pela autoridade diferenciada de que o mesmo gozava entre os primeiros cristãos.

E, nesta defesa da verdade face a São Pedro, São Paulo, estranhamente, não usou da autoridade conciliar. Não mencionou aquilo que fora decidido, antes, apelou para a própria vida de São Pedro. O centro da argumentação paulina não repousou no Concílio, mas na maneira como Pedro se comportava: : "Se tu, sendo judeu, vives como pagão e não como judeu, por que obrigas os pagãos a adotar os costumes judaicos?".

É interessante notar que a frase de S. Paulo é quase idêntica à que S. Pedro usou no Concílio para resolver a questão, in verbis: "Pois então, por que provocais a Deus, impondo aos discípulos um jugo que nem nossos pais nem nós mesmos pudemos suportar". Em outras palavras, para corrigir a Pedro, Paulo usou da autoridade petrina, e não de autoridade própria. Usou do Papa para corrigir o homem, o que, mais uma vez, demonstra a posição de destaque de S. Pedro.

Mas o cerne deste nosso pequeno contra-ataque repousa na própria frase paulina. É para ela que eu chamo a atenção de tantos quanto lêem este texto. São Paulo afirmou, com todas as letras, para que qualquer protestante de qualquer tempo pudesse entender, que São Pedro estava obrigando os cristãos a seguir os costumes judaicos.

Veja-se a versão da TEB: "Se tu, que és judeu, vives à maneira dos pagãos e não à judaica, como podes obrigar os pagãos a se comportarem como judeus".

Veja-se, também, a versão protestante do Almeida: "Se tu, sendo judeu, vives como os gentios, e não como judeu, por que obrigas os gentios a viverem como judeus".

Ora, se, como querem os protestantes, São Pedro era, simplesmente mais um apóstolo (da mesma hierarquia, portanto, de São Paulo) como o mesmo poderia, nas barbas de São Paulo, obrigar uma comunidade a se comportar de forma contrária ao Evangelho?

Se, o cristianismo primitivo fosse como os delírios protestantes afirmam que era, a autoridade paulina era da mesma força e intensidade da petrina. Paulo iria, simplesmente, sacar a Bíblia (que, frise-se, para desgosto dos protestantes, nem existia), escolher os versículos que lhe aprouvessem, declarar-se inspirado pelo Espírito Santo, censurar o comportamento de Pedro e, se fosse o caso, fundar a sua própria Igreja dentro da qual apenas a sua doutrina seria pregada.

Mas não. São Paulo tinha consciência de que a atitude de São Pedro gozava de uma autoridade maior do que a sua própria. Afinal, São Pedro não disse uma palavra, não fez sequer uma pregação (apenas se comportou de forma errônea) e, no entanto, este seu comportamento tinha o poder de obrigar a todos. Segundo São Paulo, o papa estava obrigando a todos os demais (inclusive, repita-se, a Barnabé) a se desviarem da verdadeira fé cristã. O comportamento de Pedro era mais forte e mais importante do que toda a doutrina paulina e do que todos os decretos conciliares. O simples comportamento de Pedro estava arrastando a Igreja de Antioquia e convencendo-a daquilo em que falhara convencê-la o próprio São Tiago. O comportamento de Pedro valia mais do que Paulo, Tiago e o Concílio juntos!!!

E, no entanto, para os protestantes, Pedro gozava da mesma autoridade que gozavam Tiago, Paulo, Barnabé… Vá entender!

Há, ainda, muitos outros pontos da epístola aos Gálatas a serem citados em defesa do Papado. Para não cansarmos os leitores, limito-me aos acima descrito, planejando continuar este assunto em outra oportunidade.

Fonte: http://www.veritatis.com.br/apologetica/artigospapaprimado/684-o-primado-de-pedro-e-a-epistola-aos-galatas

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O PRIMADO DE SÃO PEDRO

Dos Sermões de São Leão Magno, papa

(Sermo 4 de Natali ipsius, 2-3: PL 54,149-151) (Séc.V)

São Pedro_2

A Igreja de Cristo ergue-se na firmeza da fé do apóstolo Pedro Dentre todos os homens do mundo, Pedro foi o único escolhido para estar à frente de todos os povos chamados à fé, de todos os apóstolos e de todos os padres da Igreja. Embora no povo de Deus haja muitos sacerdotes e pastores, na verdade, Pedro é o verdadeiro guia de todos aqueles que têm Cristo como chefe supremo. Deus dignou-se conceder a este homem, caríssimos filhos, uma grande e admirável participação no seu poder. E se ele quis que os outros chefes da Igreja tivessem com Pedro algo em comum, foi por intermédio do mesmo Pedro que isso lhes foi concedido.

A todos os apóstolos o Senhor pergunta qual a opinião que os homens têm a seu respeito; e a resposta de todos revela de modo unânime as hesitações da ignorância humana.

Mas, quando procura saber o pensamento dos discípulos, o primeiro a reconhecer o Senhor é o primeiro na dignidade apostólica. Tendo ele dito: Tu és Cristo, o Filho do Deus vivo, Jesus lhe respondeu: Feliz és tu, Simão, filho de Jonas, porque não foi um ser humano que te revelou isso, mas o meu Pai que está no céu (Mt 16,16-17). Quer dizer, és feliz, porque o meu Pai te ensinou, e a opinião humana não te iludiu, mas a inspiração do céu te instruiu; não foi um ser humano que me revelou a ti, mas sim aquele de quem sou o Filho unigênito.

Por isso eu te digo, acrescentou, como o Pai te manifestou a minha divindade, também eu te revelo a tua dignidade: Tu és Pedro (Mt 16,18). Isto significa que eu sou a pedra inquebrantável, a pedra principal que de dois povos faço um só (cf. Ef 2,20.14), o fundamento sobre o qual ninguém pode colocar outro. Todavia, tu também és pedra, porque és solidário com a minha força. Desse modo, o poder, que me é próprio por prerrogativa pessoal, te será dado pela participação comigo.

E sobre esta pedra construirei a minha Igreja, e o poder do inferno nunca poderá vencê-la (Mt 16,18). Sobre esta fortaleza, construirei um templo eterno. A minha Igreja destinada a elevar-se até ao céu deverá apoiar-se sobre a solidez da fé de Pedro.

O poder do inferno não impedirá esse testemunho, os grilhões da morte não o prenderão; porque essa palavra é palavra de vida. E assim como conduz aos céus os que a proclamam, também precipita no inferno os que a negam.

Por isso, foi dito a São Pedro: Eu te darei as chaves do Reino dos céus: tudo o que ligares na terra será ligado nos céus; tudo o que desligares na terra, será desligado nos céus (Mt 16,19).

Na verdade, o direito de exercer esse poder passou também para os outros apóstolos, e o dispositivo desse decreto atingiu todos os príncipes da Igreja. Mas não é sem razão que é confiado a um só o que é comunicado a todos. O poder é dado a Pedro de modo singular, porque a sua dignidade é superior à de todos os que governam a Igreja.

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