O PRINCÍPIO CRISTÃO DA SUBSIDIARIEDADE

Por Cláudio Márcio Pessanha Ferreira

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A subsidiariedade está entre as mais constantes e características diretrizes da doutrina social da Igreja, presente desde a primeira grande encíclica social. É impossível promover a dignidade da pessoa sem que se cuide da família, dos grupos, das associações, das realidades territoriais locais, em outras palavras, daquelas expressões agregativas de tipo econômico, social, cultural, desportivo, recreativo, profissional, político, às quais as pessoas dão vida espontaneamente e que lhes tornam possível um efetivo crescimento social. É este o âmbito da sociedade civil, entendida como o conjunto das relações entre indivíduos e entre sociedades intermédias, que se realizam de forma originária e graças à «a subjetividade criativa do cidadão». A rede destas relações inerva o tecido social e constitui a base de uma verdadeira comunidade de pessoas, tornando possível o reconhecimento de formas mais elevadas de sociabilidade.

“Uma vez que não é lícito tolher aos indivíduos o que eles podem realizar com as forças e a indústria própria para confiá-lo à comunidade, assim também é injusto remeter a uma sociedade maior e mais alta aquilo que as comunidades menores e inferiores podem fazer … porque o objeto natural de todo e qualquer intervento da sociedade mesma consiste em ajudar de maneira supletiva os membros do corpo social, não já destruí-las e absorvê-las”.

Com base neste princípio, todas as sociedades de ordem superior devem pôr-se em atitude de ajuda («subsidium») — e portanto de apoio, promoção e incremento — em relação às menores. Desse modo os corpos sociais intermédios podem cumprir adequadamente as funções que lhes competem, sem ter que cedê-las injustamente a outros entes sociais de nível superior, pelas quais acabariam por ser absorvidos e substituídos, e por ver-se negar, ao fim e ao cabo, dignidade própria e espaço vital. À subsidiariedade entendida em sentido positivo, como ajuda econômica, institucional, legislativa oferecida às entidades sociais menores, corresponde uma série de implicações em negativo, que impõem ao Estado abster-se de tudo o que, de fato, restringir o espaço vital das células menores e essenciais da sociedade. Não se deve suplantar a sua iniciativa, liberdade e responsabilidade. 

O princípio de subsidiariedade protege as pessoas dos abusos das instâncias sociais superiores e solicita estas últimas a ajudar os indivíduos e os corpos intermédios a desempenhar as próprias funções. Este princípio impõe-se porque cada pessoa, família e corpo intermédio tem algo de original para oferecer à comunidade. A experiência revela que a negação da subsidiariedade, ou a sua limitação em nome de uma pretensa democratização ou igualdade de todos na sociedade, limita e, às vezes, também anula, o espírito de liberdade e de iniciativa. 

Agora queridos amigos vejam a aplicação deste princípio na prática através da empresária católica que citei acima:

Empresária católica levou prosperidade ao agreste pernambucano

Há cerca de 60 anos, uma empresária católica chegava com seu marido em uma pequena cidade do agreste pernambucano, e ali abriu uma fábrica de baterias. E naquele lugar, ofertando seus dons no altar de Cristo, ela espalhou prosperidade, beleza e fé.

Na cidade de Belo Jardim havia um grande lixão, de onde muitas pessoas miseráveis buscavam tirar o seu sustento. Inconformada com essa situação indigna, Dona Conceição Moura, matriarca do grupo Baterias Moura, organizou uma cooperativa para que os catadores pudessem viver da reciclagem. O lixão ficou no passado, e agora os trabalhadores têm uma tarefa muito mais segura, digna e lucrativa.

Em uma matéria do Globo Repórter (vídeo abaixo), um dos membros da cooperativa de reciclagem mostra, muito satisfeito, a sua confortável casa: mobília e aparelhos eletrônicos novos, tudo comprado com o suor do seu trabalho capitalista; nada de esmola do governo populista e socialista!

Outra importante frente de geração de renda aberta por Dona Conceição foi o fomento ao artesanato. Ela investiu dinheiro do próprio bolso para capacitar os artesãos, e assim muitos talentos foram descobertos na cidade. Fundado há 16 anos, o Centro de Artesanato Tareco e Mariola comercializa produtos feitos com materiais reciclados, e já é um importante ponto turístico do Estado de Pernambuco.

Essas atividades econômicas refletem no desenvolvimento de toda a cidade, repercutindo na cultura e na educação. Em Belo Jardim, as escolas públicas são bem cuidadas. Nada daquelas imagens deprimentes de um ambiente escolar marcado pela precariedade, tão comuns em escolas públicas de cidades pobres em todo o Brasil.

Mas Dona Conceição sabe que nem só de pão vive o homem. Por isso, no ano passado, ela concluiu uma obra que era o sonho de seu falecido esposo: a construção do Santuário Nossa Senhora de Todos. A primeira celebração realizada no local foi presidida pelo Bispo da Diocese de Pesqueira, Dom José Luiz Ferreira Salles.

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Esse é o exemplo de uma empresária que, sendo bem sucedida em seu negócio, distribui riqueza e prosperidade para a comunidade ao seu redor. Porém, se Dona Conceição fosse socialista, a coisa seria bem diversa! Algumas possibilidades tenebrosas me vêm à mente:

ela provavelmente louvaria o assassino Che Guevara e escreveria em seu MacBook (todo comunista adora Mac) artigos feminazistas defendendo o amplo acesso ao aborto pelo SUS (os vermelhos dizem que adoram pobre, mas torcem para que nenhum deles venha ao mundo);ou então seria hipócrita como o presidente Mujica, do Uruguai, que se faz de pobrinho pra impressionar os ingênuos, mas cujo patrimônio cresceu mais de 70% em dois anos (fonte: Exame);faria doutrinação marxista com os trabalhadores do lixão e fundaria com eles algum grupo revolucionário que ataca a propriedade privada, do tipo “Movimento dos Trabalhadores Sem Terra do Lixão”. E sairiam saqueando os mercadinhos da cidade, em nome da “igualdade social”.

Que pesadelo! O pior rico é o rico socialista: em vez de fazer ações efetivas em prol do bem dos pobres, ele simplesmente se alia hipocritamente às causas românticas da esquerda, e assim fica em paz com sua consciência, como se blábláblá marxista enchesse a barriga de alguém.

Voltando à Dona Conceição… ela soube dividir seus dons. E nós? O que estamos fazendo com os dons que Deus nos deu? Estamos compartilhando com o próximo nosso tempo e os nossos talentos, ou só vivemos para nós mesmos, preocupados somente com nossos problemas?

*****

Há um provérbio russo que diz: “Quando o machado entrou na floresta, as árvores, ao ver seu cabo de madeira, disseram: – Esse é dos nossos!”. O mesmo se aplica a muitos católicos desavisados que, ao ver as propostas de justiça social e a defesa dos pobres divulgadas pelo socialismo, acham que isso tem tudo a ver com os valores do Evangelho. Mas é cilada, Bino!

Quem quiser mergulhar fundo neste assunto, estude o Compêndio da Doutrina Social da Igreja. Ali fica claro que a Igreja defende a dignidade material para todos, e condena o socialismo

– See more at: http://ocatequista.com.br/archives/15000#sthash.BIk8SixS.dpuf   

Agora vejam que interessante observar que na Idade Média haviam as Corporações de artesãos que gozavam de prestígio e cujo a organização reunia trabalhadores e mestres segundo o ofício de cada um.

Nela os artesãos das cooperativas não eram servos, em nenhum sentido ou por qualquer argumento. Eles eram sindicalistas comerciais, cujos sindicatos eram mais ricos, mais responsáveis, mais reconhecidos pelo Estado, e mais respeitados como contribuintes da cultura, do que são hoje nossos próprios sindicatos. Eles exigiam um bom pagamento, como fazem os nossos sindicatos; eles também exigiam um bom trabalho do artesão, o que os nossos sindicatos não conseguem fazer.

NA revolução francesa a perda dos privilégios atingiu os nobres, mas também o clero, que perdia, assim, seus rendimentos e passava a ser subsidiado pelo Estado com rendas fixas, que logo deixaram de ter valor por conta da inflação(que não se conhecia bem então e não se chamava assim).

Mas a perda dos ‘privilégios’ atingiu também ( e isso não foi logo notado) as corporações, que, até então, reuniam os trabalhadores e mestres conforme os diferentes ofícios de cada um. Até então, não havia empregados e patrões. Havia corporações que tinham ‘privilégios’ relacionados com as atividades de cada uma e que reuniam aprendizes, oficiais e mestres numa só organização fundada em princípios profissionais, mas também religiosos e familiares. Nessas organizações, os princípios adotados incluíam a mais adequada e perfeita forma de assistência social possível, que consistia em dar participação na vida familiar dos mestres aos aprendizes que começavam e até aos meio-oficiais, que viviam com as famílias desses mestres. A perda dos privilégios das corporações aboliu esse sistema da noite para o dia e foram os mestres que, transformados em patrões, tiveram as vantagens da ‘liberdade’, já que podiam aliciar os aprendizes e trabalhadores livremente, conforme o mercado dos salários possibilitava, e estes não tinham mais nem os ‘privilégios’ profissionais, nem os cuidados familiares. A miséria e o infortúnio foram as consequências desses primeiros frutos da igualdade.

Vemos assim claramente como descrito no início porque o estado não pode tollir a «a subjetividade criativa do cidadão» e que não é lícito tolher aos indivíduos o que eles podem realizar com as forças e a indústria própria para confiá-lo à comunidade, assim também é injusto remeter a uma sociedade maior e mais alta aquilo que as comunidades menores e inferiores podem fazer.

Querer impor o socialismo é totalmente contrário a Doutrina da Igreja católica e como podemos ver nos nossos irmãos da América Latina e pelo mundo afora só produz ódio e pobreza.

Certamente um sistema que não respeita a liberdade, a propriedade privada e a família não dará nunca certo.

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MAS AFINAL, QUE NEGÓCIO É ESSE DE PECADO?

Pecado original, pessoal, venial, mortal, capital… O que é que tudo isso quer dizer?

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O que é o pecado?

O conceito de pecado é bastante simples: basicamente, o pecado é um ato de egoísmo exagerado. É preferir a si mesmo e antepor-se a Deus e aos outros, cedendo às paixões desordenadas que nos colocam no centro da nossa própria existência e negando a nossa natureza, que só se completa quando se abre ao próximo e a Deus. O pecado é a recusa a instaurar com Deus e com os outros uma relação de amor. O pecado é um “converter-se às criaturas” e “rejeitar o Criador”. Em geral, o pecador só deseja os prazeres proporcionados pelas criaturas, e não necessariamente quer rejeitar o Criador. No entanto, ao se deixar seduzir por satisfações fugazes proporcionadas pelas criaturas, o pecador sabe, implicitamente, que está agindo contra o amor do Criador, pois sente que o prazer terreno não o preenche e, mesmo assim, não resiste a ele.
 
É por isso que o pecado fere o próprio pecador, afastando-o da plenitude oferecida por Deus. E é por isso que o pecado ofende a Deus: não porque Deus, como Deus, seja diminuído, mas porque nós próprios, ao pecar, nos diminuímos diante da grandeza que Deus nos oferece.
 
Para Jesus, o pecado nasce no interior do homem (cf. Mt 15, 10-20). É por isso que é necessária a transformação interior, do coração. Para Jesus, o pecado é uma escravidão: o homem se deixa ficar em poder do maligno, valorizando falsamente as coisas deste mundo, deixando-se arrastar pelo imediato, por satisfações sensíveis que não saciam a nossa sede de amor e de plenitude.
 
Quais são os tipos de pecado?
 
1 – O pecado original é a herança que todos recebemos dos nossos primeiros pais, Adão e Eva: eles desconfiaram do amor de Deus Pai e cederam à tentação de deixá-lo de fora das suas escolhas pessoais. Como filhos de uma humanidade que perdeu a inocência, todos nós nascemos com a natureza caída de pecadores e precisamos da graça de Deus, mediante o sacramento do batismo, para purificar a nossa alma.
 
2 – O pecado atual ou pessoal é aquele que cometemos como indivíduos, voluntária e conscientemente. Pode ser cometido de quatro maneiras: com o pensamento, com as palavras, com as obras ou com as omissões. E pode ser contra Deus, contra o próximo ou contra nós mesmos. O pecado pessoal pode ser mortal ou venial:

2.1. O pecado venial ou leve é aquele que cometemos sem plena consciência ou sem pleno consentimento, ou então com plena consciência e consentimento, mas em matéria leve. 
  
2.2. O pecado mortal ou grave é aquele que envolve três fatores simultâneos: plena consciência, pleno consentimento e matéria grave.

O que é matéria grave e matéria leve?
 
A “matéria” é o “fato” pecaminoso em si. É gravequando fere seriamente qualquer um dos dez mandamentos. Alguns exemplos: negar a existência de Deus, ofender a Deus, ofender os pais, matar ou ferir gravemente qualquer pessoa, colocar a si próprio em grave risco de morte sem justa razão, cometer atos impuros, roubar objetos de valor, caluniar, cometer graves omissões no cumprimento do dever, causar escândalo ao próximo.
 
Já a matéria leve é aquela que não fere seriamente nenhum dos dez mandamentos, ainda que consista num ato contrário a algum deles. Por exemplo: roubar é pecado, mas a gravidade desse pecado tem graus diversos. Furtar dez centavos não costuma prejudicar consideravelmente a vítima do furto; já o furto ou roubo de uma quantia cuja perda prejudica a vítima de modo considerável passa a ser matéria grave. 
 
Quais são os efeitos do pecado?
 
O pecado mortal mata a vida da graça na alma, rompendo a relação vital com Deus; separa Deus da alma; faz com que percamos todos os méritos das coisas boas que fazemos; impede que a alma participe da eternidade com Deus. Como é perdoado o pecado mortal? Com uma boa confissão ou com um ato de contrição perfeito, unido ao propósito de confissar-se assim que for possível.
 
Quanto ao pecado venial, ele enfraquece o amor a Deus, vai esfriando a relação com Ele, priva a alma de muitas graças que ela receberia de Deus se não pecasse, facilita o pecado grave. Como se apaga o pecado venial? Com o arrependimento e boas obras, como orações, missas, comunhão e obras de misericórdia.
 
E os pecados capitais, onde é que entram?
 
Os pecados capitais requerem especial atenção porque são causa de outros pecados. Podem ser veniais ou mortais, dependendo das condições explicadas acima. Sempre, porém, são “cabeças” de novos pecados e é daí que vem o termo “capital”. São sete:
 
– Soberba: a estima exagerada de si mesmo e o desprezo pelos outros. 
– Avareza: o desejo desmesurado de dinheiro e de posses. 
– Luxúria: o apetite e uso desordenado do prazer sexual. 
– Ira: o impulso desordenado a reagir com raiva contra alguém ou algo. 
– Preguiça: a falta de vontade no cumprimento do dever e no uso do ócio. 
– Inveja: a tristeza pelo bem do próximo, considerado como mal próprio. 
– Gula: a busca excessiva do prazer pelos alimentos e pela bebida.

Há algum pecado que não pode ser perdoado?
 
Sim: o pecado contra o Espírito Santo (cf. Mt 12, 30-32). Em que ele consiste? Na atitude permanente de desafiar a graça divina; em fechar-se a Deus, em recusar a sua mensagem. Essa atitude impossibilita o arrependimento. E, como Deus respeita a nossa liberdade e o nosso livre arbítrio, Ele próprio se deixa obrigar por nós a não nos dar o seu perdão, que depende da nossa aceitação voluntária. O pecado contra o Espírito Santo pode se manifestar, por exemplo, no desespero da salvação, na presunção de se salvar sem mérito, na luta contra a verdade conhecida, na obstinação em permanecer no pecado, na impenitência final na hora da morte.
 
Então qualquer outro pecado, bastando querermos sinceramente, pode ser perdoado?
 
É claro! Deus quer tanto a nossa plena realização junto dele que não hesitou em morrer na cruz para nos redimir! Deus nos espera sempre de braços abertos como um Pai que se esquece de todas as nossas ingratidões, como Ele mesmo deixa claro na belíssimaparábola do filho pródigo (cf. Lc 15,11ss). Basta querermos de verdade o Seu abraço!

(Com extratos do livro “Jesus Cristo”, do pe. Antonio Rivero, LC)

Fonte: http://m.aleteia.org/pt/religiao/artigo/mas-afinal-que-negocio-e-esse-de-pecado-5798505964634112?page=2

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AS VIRTUDES DE NOSSA SENHORA

Por Pe. Paulo Ricardo

https://padrepauloricardo.org/episodios/4-domingo-do-advento-as-virtudes-de-nossa-senhora#.VJaOP5rGqSk.mailto

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo Lucas (Lc 1, 26-38)
Quarto Domingo do Advento

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O Evangelho escolhido para este Domingo, que antecede a grande solenidade do Natal, é o da Anunciação do Anjo e Encarnação de Deus.

Em primeiro lugar, o diálogo entre o anjo Gabriel e Maria Santíssima é espelho de outro que acontece na eternidade, entre o Pai e o Filho. É sabido que Deus Pai quis enviar o Seu Filho ao mundo, conforme está escrito: “De fato, Deus amou tanto o mundo, que deu o seu Filho único, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna” [1]. Este decreto do Pai, no entanto, foi acolhido humildemente pelo Filho. Assim como a Virgem respondeu ao anjo: “Ecce ancilla Domini, fiat mihi secundum verbum tuum – Eis aqui a escrava do Senhor! Faça-se em mim segundo a tua palavra”, o Autor Sagrado põe nos lábios de Cristo as palavras do salmista: “Eis que eu vim, ó Deus, para fazer a tua vontade” [2].

Mas, às portas do Natal, por que recordar uma narrativa de nove meses atrás (afinal, a Igreja celebra a Anunciação no dia 25 de março)? A resposta está em que todos os cristãos são chamados a imitar as virtudes de Nossa Senhora, a fim de bem celebrar o Santo Natal. O Catecismo Maior de São Pio X, ao responder “quais são as virtudes que a Santíssima Virgem mostrou, de modo especial, ao receber a mensagem do Anjo São Gabriel”, ensina: “Ao receber a mensagem do Anjo São Gabriel, a Santíssima Virgem mostrou, de modo especial: pureza admirável, humildade profunda, fé e obediência perfeita.”

Primeiro, Nossa Senhora mostrou “pureza admirável”. Quando o anjo lhe anunciou que seria a mãe do Salvador, ela não colocou nenhuma objeção ao poder de Deus – que sabia ser onipotente –, mas apenas perguntou: “Como acontecerá isso, se eu não conheço homem algum?” Também nós somos chamados a imitar a inocência da Virgem Santíssima. A principal e mais concreta forma de fazê-lo é por meio de uma boa Confissão. Para bem receber Nosso Senhor neste Natal, nada melhor do que purificar o coração por meio deste sacramento.

Segundo, Nossa Senhora mostrou “humildade profunda”. Quando o anjo a saudou, dizendo: “Alegra-te, cheia de graça! O Senhor está contigo”, ela “perturbou-se com estas palavras e começou a pensar qual seria o significado da saudação”. Diante das palavras elogiosas do anjo, ela não se ensoberbeceu. Assim como Cristo “não se apegou ao ser igual a Deus, mas despojou-se, assumindo a forma de escravo” [3], Maria Santíssima “não se apegou”, por assim dizer, ao fato de ser “cheia de graça” e imaculada, mas reconheceu-se como “escrava do Senhor”. Olhando para o mistério do Natal e para a humildade de Jesus e de sua mãe, devemos imitá-los e lutar contra a nossa soberba.

Terceiro, Nossa Senhora mostrou “fé e obediência perfeita”. Assim como Cristo fez-se “obediente até a morte – e morte de cruz” [4], a Virgem Santíssima pediu que se fizesse nela “segundo a tua palavra”. Diante da obediência dos dois, também nós devemos obedecer, manifestando dia a dia a nossa fé e fidelidade aos planos de Deus – ainda que permaneçam misteriosos para nós.

A propósito, quando se fala que os mistérios de Deus são incompreensíveis, não é porque eles são irracionais, mas porque são suprarracionais. Quando o Senhor mostra o que é e o que faz, as criaturas são ofuscadas por Sua luz. Por isso, às vezes fica mais fácil contemplar o mistério do Natal – do Deus que Se faz servo – à luz do “sim” de Maria Santíssima.

Sigamos então o exemplo de Nossa Senhora: na pureza, preparando o nosso coração por meio da Confissão; na humildade, descobrindo que o Natal é obra gratuita da bondade divina; e naobediência, procurando ser fiel aos projetos de Deus para o ano que se avizinha. Quem sabe, em 2015, Deus pedirá de nós o heroísmo do martírio? Ou o testemunho silencioso do dia a dia? Desde já, adoremos os decretos de Deus, antes mesmo de conhecê-los.

Referências

Jo 3, 16
Hb 10, 7; Sl 40, 8-9
Fl 2, 6-7
Fl 2, 8

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POR QUE SE CELEBRA A MISSA DE SÉTIMO DIA?

Fonte: http://paroquiasantateresinha.com.br/por-que-se-celebra-a-missa-de-7o-dia/

Pe. Valdiran Santos (da Paróquia Santa Teresinha Região Brasilândia.)

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PARA ENTENDER MELHOR

O número sete na Bíblia é igual à perfeição que é = DEUS. Em 7 dias Deus criou o mundo e descansou. Essa tradição de luto de 7 dias nós encontramos na Bíblia:

  • O luto de Jacó durou 7 dias (Gn 50,10)
  • Saul foi enterrado e fizeram um jejum de 7 dias (1Sm 31,13)
  • O povo chorou a morte de Judite durante 7 dias (Jt 16,24)
  • O luto por um morto dura 7 dias (Eclo 22,11)

Para nós é importante continuar essa tradição porque somos Cristãos; homens e mulheres de esperança, cremos na vida eterna e acreditamos que a morte não é o fim de tudo, mas o começo de uma nova vida. “Cristo, morrendo, destruiu a morte e ressuscitando dos mortos deu-nos a vida”.

Quando rezamos diante de um corpo, estamos diante de alguém que, pelo batismo foi o templo da Santíssima Trindade (1Cor 2,16-17) e confiamos plenamente na ressurreição conforme  Jesus prometeu: “Eu sou a ressurreição e a vida”.

2Mc 12,43-45 “Então fizeram uma coleta individual, reuniram duas mil moedas de prata e mandaram para Jerusalém, a fim de que fosse oferecido um sacrifício pelo pecado. Ele agiu com grande retidão e nobreza, pensando na ressurreição. Se não tivesse esperança na ressurreição dos que tinham morrido na batalha, seria coisa inútil e tola rezar pelos mortos. Mas, considerando que existe uma bela recompensa guardada para aqueles que são fiéis até a morte, então esse é um pensamento santo e piedoso. Por isso, mandou oferecer um sacrifício pelo pecado dos que tinham morrido, para que fossem libertados do pecado”.

Ecle 11,7 “Então o pó volta para a terra de onde veio, e o sopro vital retorna para Deus que o concedeu”.

Sb 3,1-4 “As almas dos justos, ao contrário, estão nas mãos de Deus, e nenhum tormento as atingirá. Aos olhos dos insensatos, aqueles pareciam ter morrido, e o seu fim foi considerado como desgraça. Os insensatos pensavam que a partida dos justos do nosso meio era um aniquilamento, mas agora estão em paz”.

Jó 19,25-27 “Eu sei que o meu Redentor está vivo e que no fim se levantará acima do pó. Eu mesmo o verei, e não outro; eu o verei com os meus próprios olhos”.

Dn 12,3 “Muitos que dormem no pó despertarão: uns para a vida eterna, outros para a vergonha e a infâmia eternas, os sábios brilharão como brilha o firmamento e os que ensinam a muitos a justiça brilharão para sempre como estrelas”.

A FÉ CRISTÃ NA RESSURREIÇÃO

Para nós cristãos morrer significa passar da morte para a vida, é ir ao encontro com o Pai e viver eternamente no seu convívio. Para os que crêem em Deus “a vida não é tirada, mas transformada”.

No Novo Testamento há inúmeras passagens que falam da ressurreição e da  vida eterna. Esses textos são o fundamento da nossa fé e da nossa esperança. Vejamos alguns:

  • “Então o anjo disse às mulheres: Não tenham medo. Eu sei que vocês estão procurando Jesus, que foi crucificado. Ele não está aqui. Ressuscitou como havia dito”. (Mt 28,5-6);
  • “Ainda estavam falando, quando Jesus apareceu no meio deles, e disse: A paz esteja com vocês” (Lc 24,36);
  • “Jesus apareceu a dois deles, com outra aparência, enquanto estavam a caminho do campo” (Mc 16,12);
  • “Jesus disse: Eu sou a ressurreição e a vida. Quem acredita em mim, mesmo que morra, viverá. E todo aquele que vive e acredita em mim, não morrerá para sempre” (Jo 11,25-26)
  • “Estou convencido de que nem a morte nem a vida, nem os anjos nem os principados, nem o presente nem o futuro…nada nos poderá separar do amor de Deus manifestado em Jesus Cristo, nosso Senhor” (Rm 8,38-39);
  • “O que os olhos não viram, os ouvidos não ouviram e o coração do homem não percebeu, foi isso o que Deus preparou para aqueles que o amam. Deus porém, o revelou a nós pelo Espírito”. (1Cor 2,9);
  • “O mesmo acontece com a ressurreição dos mortos: o corpo é semeado corruptível, mas ressuscita incorruptível; é semeado desprezível, mas ressuscita glorioso, é semeado na fraqueza, mas ressuscita, cheio de forma” (1Cor 15,42-43);
  • “Nós sabemos: quando a nossa morada terrestre, a nossa tenda for desfeita, receberemos de Deus uma habitação no céu, uma casa eterna não construída por mãos humanas”(2Cor 5,1);
  • “Com ele, vocês foram sepultados no batismo, e nele vocês foram também ressuscitados mediante a fé no poder de Deus que ressuscitou Cristo dos mortos” (Cl 2,12);
  • “A voz do Arcanjo e ao som da trombeta Divina, o próprio Senhor descerá do céu. Então os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro” (1Ts 4,16);
  • “Os homens morrem uma só vez e depois disso vem o julgamento” (Hb, 9,27);
  • “Os que vem da grande tribulação…Nunca mais terão fome, nem sede; nunca mais serão queimados pelo sol, nem pelo calor ardente. Pois o Cordeiro que está no meio do trono será o pastor deles; vai conduzi-los até as fontes de água de vida. E Deus lhes enxugará toda lágrima dos olhos” (Ap 7,16-17);
  • “Felizes os mortos, aqueles que desde agora morrem no Senhor. Sim diz o Espírito, descansem, de suas fadigas, pois suas obras os acompanham” (AP 14,13).

CONCLUSÃO

Os textos que lemos justificam as nossas orações pelos mortos, especialmente a Santa Missa, culto máximo de louvor, gratidão e adoração a Deus, Senhor da vida e da imortalidade. A missa de 7º dia está, portanto, fundamentada na Palavra de Deus. Com certeza, uma prece dirigida a Deus, por alguém vivo ou falecido, não lhe fará mal nenhum, pois rezamos ao Deus Pai, autor e Senhor da vida. Dessa forma participamos da Comunhão dos Santos, aqueles que estão na glória do céu, aqueles que esperam o dia do julgamento e nós que militamos neste mundo.

IRMÃOS DE SEGUNDA UNIÃO E A CONFISSÃO

Existem muitas pessoas em segunda união muito mais santas que pessoas que comungam diariamente
Pe. Hélio Luciano ( mestre em bioética pela Universidade de Navarra, mestre em Teologia Moral pela Pontificia Universidade Santa Cruz em Roma e membro da comissão de bioética da CNBB, que se dispôs com muito carinho a responder as perguntas selecionadas.

FONTE: ZENIT

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ZENIT: É verdade que as normas da igreja proíbem os padres de confessar às pessoas divorciadas?

Pe. Hélio: Aqui existe um problema pastoral sério e voltamos ao tema do filho pródigo. Há muitos anos não estamos conseguindo dar verdadeira formação àqueles que vão casar – não os evangelizamos desde a infância e depois cremos que com 4 horas de formação para noivos estarão preparados para contrair matrimônio. Isso é burocracia e não mostrar o rosto de Cristo. Depois não acompanhamos as pessoas que se casam – a grande maioria nem frequenta a Missa, pois não conseguimos fazer que entendam a beleza da Eucaristia. A consequência é que o número de separações e divórcios é cada vez maior (351 mil divórcios no Brasil em 2011). A culpa é de quem? Nossa, como Igreja, que não evangelizamos.

Um número também cada vez maior de pessoas que se separaram ou se divorciaram optam por unir-se novamente, com esperança de que desta vez dê certo. Em primeiro lugar, nosso papel não pode ser de meros juízes, colocando o dedo na ferida. Tais pessoas estão machucadas pela vida e normalmente passaram por situações muito difíceis na união anterior.

Nosso papel deve ser de acolher, escutar, ajudar, sempre a partir da verdade e evitando extremismos. Acolher no sentido de mostrar a essas pessoas que elas continuam sendo filhas de Deus e que fazem parte da Igreja. Escutar a história de cada uma, tendo misericórdia, ou seja, colocando a dor do outro no nosso próprio coração. Ajudar tentando oferecer a ela o caminho de felicidade proposto por Cristo, não como uma carga na sua vida, mas como o modo de que encontre plenamente sua felicidade.

Em muitos casos – não todos – o primeiro matrimônio foi nulo, ou seja, nunca aconteceu. São 19 as causas de nulidade e hoje, como muitos casam sem saber o que é verdadeiramente o matrimônio, ou sem assumir os compromissos que derivam do mesmo, temos grande número de casamentos inválidos. É direito do fiel poder recorrer ao Tribunal Eclesiástico para saber se seu matrimônio aconteceu de fato ou não.

No caso de que o primeiro matrimônio seja válido, devemos deixar claro a situação da pessoa e ajudá-la a que, livremente, encontre-se com Cristo. Os extremismos só prejudicam. Por um lado os rigorismos, de aplicar simplesmente a lei, sem ver a pessoa, só aumentam o sofrimento e excluem as pessoas da Igreja – Jesus Cristo veio para os doentes e não para os sãos. Por outro lado, o laxismo de não ver que existe um problema a ser sanado, também cria nas pessoas conflitos de consciência – ninguém trata um câncer simplesmente dizendo que ele não existe.

O sacramento do matrimônio, quando válido, dura até a morte de um dos cônjuges. A pessoa em segunda união deve saber que está casada realmente com o seu(ua) primeiro(a) esposo(a). Enquanto permanecer em segunda união – e existem casos que não devemos nem mesmo aconselhar que se dissolva, seja pelo bem dos filhos, seja para evitar que venha a se tornar uma terceira ou quarta união – a pessoa pode comungar da Palavra e fazer comunhões espirituais na Missa, participando de Cristo naquele grau que hoje ela é capaz de alcançar. Mas não pode comungar e nem receber a absolvição, pois ainda não há o claro propósito de emenda.

Tal situação não significa menor santidade – existem muitas pessoas em segunda união muito mais santas que pessoas que comungam diariamente – nem mesmo exclusão da vida da Igreja (estas pessoas podem e devem participar da vida pastoral da Igreja). Trata-se sim de um processo pessoal de conversão, que pode durar anos e que só Deus e a própria pessoa podem intervir.

NORMAS BÁSICAS PARA O JEJUM DA QUARESMA

Fonte: http://www.comshalom.org/formacao/exibir.php?form_id=4277

JEJUM
1. Jejum: fazer apenas uma refeição completa durante o dia e, caso haja necessidade, tomar duas outras pequenas refeições que não sejam iguais em quantidade à habitual ou completa. Não fazer as refeições habituais ( e não haver requintes na que for feita), nem outros petiscos durante o dia (nem mesmo cafezinho, doces, chimarrão etc).

Estão obrigados ao jejum os que tiverem completado dezoito anos até os cinqüenta e nove completos. Os outros podem fazer, mas sem obrigação. Grávidas e doentes estão dispensados do jejum, bem como aqueles que desenvolvem árduo trabalho braçal ou intelectual no dia do jejum. Água e remédios são permitidos em qualquer tipo comum de jejum.

Nota: para não se fugir à orientação da igreja este jejum pode ser tornado mais rigoroso, mas não atenuado. Pode-se, caso servir para vivê-lo melhor,  fazer outros tipos de jejum conhecidos, tais quais

– pão e água:  também conhecido como jejum bíblico, fazê-lo à base de pão e água durante o dia.

– à  base de líquidos:  tais quais chás, vitaminas, laticínios, menos caldos.

– abster-se de refeições: escolhe-se uma das refeições para não ser feita, e come moderamente nas duas outras, não se abstendo de água.

-  jejum completo: neste só é permitido água durante o dia.

E para ser o jejum que é prescrito, necessariamente referir-se-á à alimentação. As demais mortificações, ou penitências, podem ser bem vindas, mas normalmente não são jejum.

2. Abstinência: deixar de comer carnes de animais de sangue quente – bovina (gado), ovina (carneiro), aviária (frango, galeto, galinha…), bubalina etc – , bem como seus caldo de carne.
Permite-se o uso de ovos, laticínios e gordura. Nos dias prescritos, o jejum feito, ou que se esteja fazendo, não desobriga a abstinência durante todo o dia .

Estão obrigados à abstinência os que tiverem completado quatorze anos, e tal obrigação se prolonga por toda a vida. Grávidas que necessitem de maior nutrição e doentes que, por conselho médico, precisam comer carne, estão dispensados da abstinência, bem como os pobres que recebem carne por esmola.

Abstinência parcial: carne permitida só na refeição principal/completa
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Quarta-feira de Cinzas e Sexta-feira Santa da Paixão do Senhor: são os dois dias do ano que a igreja define jejum e abstinência obrigatórios.

Demais dias da Quaresma, exceto os Domingos: jejum e abstinência parcial  recomendados.

Sextas-feiras da Quaresma (que estão entre os dias assinalados pelo calendário antigo como Sextas-feiras das Têmporas): jejum e abstinência recomendados.

Demais sextas-feiras do ano, exceto se forem Solenidades: abstinência obrigatória, mas não é obrigatório o jejum.

Em alguns lugares, conforme liberação da conferência episcopal, essa abstinência pode ser trocada, a juízo do próprio fiel, por outra penitência. Lugares tais quais, no próprio Brasil, em que a CNBB permitiu outros tipos de penitências, como orações piedosas, prática de caridade, exercícios de devoção etc.

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a partir de texto base de Dom Eugênio de Araújo Sales, Arcebispo emérito do Rio de Janeiro

Postado em: https://carloslopesshalom.wordpress.com

SÚMULA BÍBLICA CONTRA IDÉIAS PROTESTANTES

Por Pe. Antônio Miranda, S. D. N.
Manhumirim, 196

EUCARISTIA_5

ABSOLVIÇÃO

1 ― JESUS PROMETEU CONFERIR O PODER DE PERDOAR PECADOS

MAT. XVI, 19 ― “Dar-te-ei as chaves do reino dos céus: e tudo o que ligares sobre a terra será ligado nos céus e tudo o que  desligares sobre a terra será desligado também nos céus”.

Aqui vemos o poder de perdoar, conferido primeiramente ao chefe dos Apóstolos, no singular; depois, Jesus conferirá o mesmo poder a todo o Colégio Apostólico, no plural. Leia-se o texto seguinte:

MAT. XVIII, 18 ― “Em verdade, vos digo: tudo que ligares sobre a terra, será ligado também no céu: e tudo o que desligardes sobre a terra será desligado também no céu”.

2. JESUS CONFERIU ESTE PODER, APÓS A RESSURREIÇÃO

JOÃO, XX, 22-23: ― “Tendo dito estas palavras, soprou sobre eles e lhes disse: Recebei o Espírito Santo. Aqueles a quem vós perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados; e a quem os retiverdes, ser-lhes-ão retidos”.

NOTA-SE que, no texto último, Jesus faz questão de, antes de conferir aos Apóstolos o poder de perdoar pecados, soprar sobre eles, conferindo-lhes o Espírito Santo.  Logo, o poder de perdoar não convém, de maneira nenhuma, a todo e qualquer indivíduo, como o entendem os protestantes, mas é um poder sacramental, conferido mediante a colocação do Espírito Santo.

Vide também o verbete CONFISSÃO.

ADORAÇÃO

1 ― EM SENTIDO ESTRITO, SÓ SE PODE ADORAR A DEUS

MAT. IV, 10 e LUC. IV, 8: “Está escrito: Adorarás ao Senhor teu Deus e a Ele só servirás”.

ATOS, X, 25, narram que Cornélio, ao receber S. Pedro, “prostrou-se para adorá-los, mas S. Pedro lhe disse: “Levanta-te. Também eu sou um homem”

APOC. XIX, 10, narra também que São João se prostrou aos pés de um Anjo para o adorar, mas este lhe disse: “Não faças isto !  Eu sou um servo como tu e teus irmãos, que tem o testemunho de Jesus. Adora a Deus”.

2 ― MAS, EM SENTIDO IMPRÓPRIO, A ESCRITURA FALA DE ADORAÇÃO EM VÁRIOS LUGARES

GEN.  XXXIII, 1 :  ― “Levantando, porém, Jacó os seus olhos viu Esaú,  …  3. E ele, adiantando-se, adorou-o sete vezes prostrado por terras”.

NÚMEROS, XXII, 31: ― “No mesmo ponto abriu o Senhor os olhos a Balaão, ele viu  o Anjo parado no caminho com a espada desembainhada, e, prostrado por terra, o adorou”.

II REIS, XIV,22: ― “Joab, prostrando-se por terra sobre o seu rosto, adorou e felicitou o rei”.

III REIS, 1, 16: ― “Inclinando-se Betsabé profundamente, adorou o rei”.

IV REIS, IV, 36 e 37: ― “Chegou ela e lançando-se-lhe aos pés (de Eliseu), adorou prostrada em terra”.

IPAR. XXIX,20: ― “E todo o povo bendisse o Senhor Deus; e se prostraram e adoraram a Deus, e depois ao rei”.

A adoração de que fala a Escritura nestes textos não é propriamente adoração, e, sim, veneração profunda que se demonstra com a prostração. A Escritura narra estes fatos sem reprová-los, porque o sentido deles é fácil de entender-se, entre os orientais principalmente.

É neste mesmo sentido que, em português antigo. falavam alguns autores de adoração dos Anjos e Santos. Estavam, pois, muito de acordo com a Sagrada Escritura.

Hoje em dia se usa o termo adoração só para Deus. E para a Sma. Virgem e os Santos se usa o termo veneração.

ADORAR EM ESPÍRITO E VERDADE

JOÃO, IV, 23 e 24: ― “A hora vem, e já chegou, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e verdade. Por que é destes adoradores que o Pai procura. Deus é Espírito, e em espírito e verdade é que o devem adorar os que o adoram”.

Deste texto os protestantes deduzem contra a Igreja Católica a abolição de todo culto externo, principalmente o culto das imagens. Mas é dar à palavra de Jesus uma extensão que não tem. Jesus apenas quer dizer à samaritana que vai ser abolido o culto da lei antiga e que não será necessário ir mais ao templo de Jerusalém para ali adorar a Deus, porque, em a nova religião cristã, não são as formas antigas, prescritas por Moisés, que vão agradar ao Pai, e sim a adoração “em espírito e verdade” isto é: adoração espiritual e sincera, não só externa, mas partindo do intimo da alma, sobretudo adoração de almas em estado de graça.

ANJOS

1. SOMOS CONFIADOS A SUA GUARDA

MAT. XVIII,10: “Vede que não desprezeis a nenhum destes pequeninos; porque eu vos declaro que os seus anjos, no céu contemplam sempre a face do Pai que está no céu”.

HEBR. I, 14: ― “ Não são eles espíritos ministradores, enviados para exercer  o seu ministério em favor daqueles que deverão herdar a salvação ?”

ÊXODO, XXIII, 20: ― “Eis que te envio um anjo (mensageiro), diante de ti para que te guarde no caminho, e te leve ao lugar que te guarde no caminho, e te leve ao lugar que te preparei”.

ÊXODO, XXIII, 21: ― “Guarda-te diante dele e ouve a sua voz, e não provoques a ira. Porque não perdoará a vossa rebelião; porque meu nome está nele”

NOTE-SE a força destes textos. Deus encarregou os Anjos de zelar pelos homens. Eles estão, assim, constituídos intermediários, de algum modo medianeiros entre Deus e nós.

2. ELES OFERECIAM NOSSAS PRECES A DEUS, A  MODO DE MEDIANEIROS

APOC. VIII, 3:  ― “ Veio, pois, outro anjo, e parou diante do altar, tendo um turíbulo de ouro, e foram-lhe dados  muitos perfumes para oferecer com as orações de todos os santos, sobre o altar de ouro que está ante o trono de Deus”.

APOC. VIII. 4: ― “ E da mão do anjo subiu a fumaça dos perfumes das orações dos santos diante de Deus”.

3 ELES ROGAM POR NÓS DIANTE DO TRONO DE DEUS

ZACARIAS, I, 12: ― “ Então o Anjo do Senhor respondeu e disse: ― “ Então o Anjo do Senhor respondeu e disse: “O Senhor dos Exércitos ! Até quando não terás compaixão de Jerusalém e das cidades de Judá, contra as quais estiveste irado estes setenta anos ?”

GÊN. XL.VIII. 16: ― “ O anjo que me livrou de todo mal, abençoe estes rapazes, seja chamado neles o meu nome, e o nome de meus pais Abraão e Isaac e se multipliquem como peixes em multidão no meio da terra”.

OSÉIAS, XII, 3 E 4: ― “Jacó suplantou seu irmão no ventre materno e com fortaleza lutou com seu anjo. E prevaleceu contra o anjo e ficou vencedor. Chorou e suplicou-lhe”.

ANTICRISTO

1. ANTES DO FIM DO MUNDO, DEVE APARECER O ANTI-CRISTO

IIª TESS. II, 3-7: ― “Não vos deixeis iludir por pessoa alguma nem de modo algum; porque deve vir primeiro a apostasia e aparecer o homem do pecado, o filho da perdição, o adversário, a arvorar-se como superior a tudo o que se chama Deus ou divino chegando a sentar-se no templo de Deus e querendo passar por Deus”.

De acordo com estes dizeres do Apostolo, o Anticristo é uma pessoa, bem definida, bem caracterizada, e que parecerá no fim do mundo.

No mesmo texto, v.9. o Apóstolo testifica que a vinda do Anticristo será obra de Satanás: “Sua vinda é por obra de Satanás, com todo o poder, com sinais e prodígios mentirosos”.

2. ― A ESCRITURA CHAMA TAMBÉM DE ANTICRISTO TODO AQUELE QUE NÃO ACEITA JESUS CRISTO OU SUA DOUTRINA

1ª JOÃO, II 22: ― “Quem é mentiroso senão aquele que nega que Jesus é o Cristo? Esse é o Anticristo, que nega o Pai e o Filho”.

IDEM, IV 2 e 3: ― “Nisto se reconhece o Espírito de Deus: Todo espírito que confessa  que Jesus Cristo se encarnou é de Deus; todo espírito que não confessa Jesus, não é de Deus, mas é o espírito do Anticristo, de cuja vinda tendes ouvido, e já está agora no mundo”.

IIª JOÃO, 7: ― “Muitos sedutores tem saído pelo mundo afora, a proclamar que Jesus Cristo não se encarnou. Quem assim diz é sedutor e Anticristo”.

3. ― O ANTICRISTO E PERSONIFICADO POR S. JOÃO NUM GRANDE REI E SIMBOLIZADO NUMA FERA

Ler sobre isto todo o cap. XIII do Apocalipse.

Os protestantes forcejam por aplicar ao Papa de Roma os dizeres desta profecia. Chegam até à audácia de inventar que o número 666, de que fala o V.18: ― “É aqui que está a sabedoria. Quem tem inteligência calcule o número da besta. Porque é número de homem, e o número dele é 666” ― se aplica à pessoa do Papa.

Trata-se de uma profecia. O sentido de um texto profético é insusceptível de uma aplicação pessoal antes de sua realização plena. Se o Anticristo é o Papa, poderíamos perguntar: “Qual dentre os Papas, se são tantos os que já ocuparam o trono de Roma?”

O que é claríssimo no texto sagrado é que o Anticristo será um adversário de Cristo, que atacará a sua divindade, a sua autoridade, a sua doutrina, a sua Igreja, portanto. E como encontrar isto no Papa, que foi e é sempre, mesmo quando tem suas fraquezas humanas, o maior arauto da divindade e da doutrina de Cristo?

APÓSTOLOS

Esta palavra significa “enviados”. Apóstolo é aquele que é enviado por Deus para uma missão especial, de anunciar o reino de Deus.

1. ― JESUS ESCOLHEU DOZE APÓSTOLOS

MAR.III, 13-15: ― “Depois subiu ao monte, chamou os que Ele quis. e Foram a Ele. Designou doze dentre eles para ficar em sua companhia. Ele os enviara a pregar com o poder de expulsar os demônios”. A seguir se enumeram os doze Apóstolos.

LUC. VI, 13-14: ― “Naqueles dias Jesus retirou-se a uma montanha, para rezar, e passou ai toda a noite orando a Deus.

Ao amanhecer chamou os seus discípulos e escolheu doze dentre eles que chamou de Apóstolos”.

De ambos estes textos ressalta que os Apóstolos são distintos dos discípulos; “dentre eles” é que Jesus escolheu os Apóstolos. São, portanto, uma hierarquia à parte na Igreja do Senhor.

2. ― ATRAVÉS DE TODO O NOVO TESTAMENTO SE PODE VER QUE OS APÓSTOLOS DESENVOLVEM “AÇÃO HIERÁRQUICA” ISTO É, DE SUPREMACIA SOBRE OS FIÉIS, DIRIGINDO-OS, INSTRUINDO-OS, GOVERNANDO-OS.

Veja-se:

MAT. cap. X. Todo caracteriza a missão apostólica.

Idem, cap. XI, 1.

JOÃO, XV: 16-27.

Leia-se todo o livro dos Atos e poder-se-á averiguar isto a cada passo, mas principalmente nos Capítulos VI e XV.

3. ― ENTRE OS APÓSTOLOS, PEDRO TEM A PRECEDÊNCIA, FALA E AGE EM NOME DE TODOS.

MAT. X,2: ― “Eis os nomes dos doze Apóstolos: o primeiro, Simão, chamado Pedro…”

MARCOS (III, 10) e LUCAS (VI, 12), mencionando os Apóstolos, enumeram Pedro em primeiro lugar.

MAT. XVI, 16: ― Quando Jesus pergunta aos Apóstolos qual o pensamento deles sobre o Filho do Homem, é Pedro quem responde em nome dos demais, inspirado pelo Pai.

É a ele que Jesus promete a suprema investidura da Igreja. “Dar-te-ei as chaves do reino do céu”. MAT. XVI. 19.

ATOS, II, 14: É Pedro quem primeiro prega.

ATOS, II, 41 E X, 9 e sgs. é Pedro que batiza os primeiros gentios.

ATOS, III, 1 e segs.: É Pedro quem opera o primeiro milagre.

ATOS, 1, 15: é Pedro quem propõe a eleição do sucessor de Judas.

ATOS, II, 41 e X, 9 e segs.: é Pedro quem fala em nome de todos perante o Sinédrio e defende a fé.

ATOS, V, 3 e segs.: é Pedro quem exproba Ananias e Safira e lhes inflige em nome de Deus o castigo de sua mentira.

ATOS, XV, 7 e segs.: No primeiro Concilio celebrado, é Pedro quem dirime a questão.

ASSUNÇÃO DE MARIA

Objetam muito os protestantes contra a Assunção, pedindo textos da Bíblia, que a comprovem.

O fato histórico da Assunção não se encontra na Bíblia, pois os livros do Novo Testamento foram escritos para pôr em foco Jesus Cristo. Não se ocupam, portanto, de Maria Sma. senão enquanto em função de Mãe de Cristo, e nada podem narrar de sua Assunção histórica.

Mas, não obstante, a Bíblia nos prova indiretamente que a Virgem Maria teve uma vitória completa sobre a morte em união com Cristo. Eis os textos:

GÊN. III, 15: ― “Porei inimizades entre ti e a Mulher, entre a tua descendência e a  descendência dela. E um dia Ela te esmagará a cabeça”.

Confia-se a interpretação que demos deste texto no artigo Imaculada Conceição.

Muitos Santos Padres o interpretam como sendo uma referência profética à mulher por excelência que teria uma vitória total sobre o Demônio.

Uma vitória total: quanto ao pecado e sua conseqüência, que é a morte. Assim deve-se deduzir que Nossa Senhora, segundo o augúrio da Bíblia, devia triunfar sobre a morte, ressurgindo e subindo ao Céu.

1º COR, 20-23: ― “Mas eis que ressuscitou Cristo, como primícias dos que morreram. Pois assim como por um homem veio a morte, também por um homem veio a ressurreição dos mortos. Assim como em Adão todos morreram, também em Cristo todos serão vivificados”.

ECLE. XXV, 33. ― “De uma mulher teve princípio o pecado, por ela todos morremos”.

NOTA: Estes dois textos comparados nos mostram que o pecado entrou neste mundo por um homem ― Adão e por uma mulher ― Eva, e que a vida entrou por um Homem ― Cristo, que deve reconstruir tudo, e sua reconstituição de tudo vai até à ressurreição, de que Ele mesmo é as primícias. Mas, se a morte entrou por um homem e por uma mulher, Adão e Eva, a vida que entra por Cristo, entra também, de algum modo, por uma mulher, Maria. E se Cristo reconstitui a vida como primícias de ressurreição, Maria também devia participar desta reconstituição pela mesma forma, como primícias da ressurreição. Assim, deste texto de S. Paulo, deflui um forte argumento a favor da Assunção de Maria.

APOC. XII, 1 e segs.: ― “ Um grande sinal apareceu no céu: uma senhora vestida de sol e a lua debaixo de seus pés, e  sobre a sua cabeça uma cora de doze estrelas”.

“E a Senhora voou para o deserto, onde de Deus lhe tinha preparado um lugar”.

“E foram dadas à Senhora duas asas de uma grande águia, para que voasse para o deserto, para o lugar do seu retiro”.

NOTA: ― Leia-se todo o capítulo XII do Apocalipse e ver-se-á a luta do Dragão (Demônio) contra a Mulher (Maria), luta que culmina com a vitória total da Mulher.

HEBR. II., 14: ― “Como os filhos participam da carne e do sangue, também Ele (Cristo) participou das mesmas causas, afim de destruir, pela sua morte, “aquele que tinha o império da morte, isto é, o Demônio”.

Vê-se, por este texto, que é império do Demônio a morte. Maria para vencer, pois, o Demônio, tinha de triunfar da morte, pela Assunção gloriosa.

AVE-MARIA

1. ― ESTA ORAÇÃO QUE OS CATÓLICOS REZAM ESTÁ CONTIDA NO EVANGELHO

LUCAS, I, 28: ― “Entrando o Anjo, disse-lhe: “Ave, cheia de graça, o Senhor é contigo, bendita és tu entre as mulheres”.

LUCAS, I, 42: ― “E exclamou (Isabel) em alta voz: “ Bendita é tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre”.

2. ― ESTA ORAÇÃO É DIVINA, QUANTO À SUA ORIGEM.

LUCAS, I, 26 e segs.: ― foi pronunciada pelo Anjo Gabriel, “que foi enviado por Deus”, e portanto, falou em nome de Deus.

LUCAS, I, 41-42: ― Isabel a pronunciou “cheia do Espírito Santo”.

BATISMO

1. ― É ORDENADO POR JESUS CRISTO

Sem o Batismo ninguém pode entrar no céu. Sobre este assunto, vejamos os textos seguintes:

MAT. XXVIII, 18-19: “Foi-me dado todo o poder no céu e na terra. Ide, pois, ensinai a todas as nações, batizando-as em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo…”.

JOÃO, III, 5: ― “Em verdade, vos digo: quem não renascer da água e do Espírito Santo, não pode entrar no reino de Deus”.

NOTE-SE que aqui Jesus não faz acepção de idade: todo aquele que quiser entrar no reino de Deus, terá que passar pelo Batismo ― renascer…

2. O BATISMO DE JESUS É DIFERENTE, ESSENCIALMENTE, DO DE S. JOÃO  BATISTA

MAT.III, II e segs: ― “Eu vos batizo com água, em sinal de penitência… Ele vos batizará no Espírito Santo e no fogo” – (Idem, Marcos 1, 8).

3. FOI ADMINISTRADO PELOS APÓSTOLOS

ATOS, II, 38 e segs.: ― “Pedro lhes respondeu: “Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo para remissão de vossos pecados, e recebereis o dom do Espírito Santo”… Os que receberam a sua palavra foram batizados”.

ATOS, VIII, 36-38: ― “E continuando o caminho, chegaram a uma fonte… e  Felipe disse: Se crereis de todo o coração, é possível seres batizado… E desceram os dois à água, Felipe e o Eunuco, e o batizou”.

ATOS, X, 47-48: ― “E então Pedro tomou a palavra: Porventura pode alguém negar a água para que não sejam batizados estes que, como nós, receberam o Espírito Santo? E mandou que fossem batizados (Vide I Ped.III,21; Ef. V, 26).

4 QUANTO AO BATISMO DAS CRIANÇAS

Não há nenhuma passagem da Escritura que o proíba. Pode-se argumentar com

LUC.XVIII, 16: ― “Deixai vir a mim as criancinhas, porque delas é o reino de Deus”.

Ora, a criança nasce contaminada com o mesmo pecado de origem (dos nossos primeiros pais). Para entrar no reino de Deus tem que passar pela morte do pecado, que é o Batismo.

Batismo por infusão ou ablução pg. 106

BÍBLIAS FALSIFICADAS

Os protestantes, para iludir os incautos, afirmam que a sua Bíblia é identicamente a mesma dos católicos.

Examinando, entretanto, algumas de suas traduções, notamos que lhes faltam os seguintes livros:

1º Livro dos MACABEUS;

2º Livro dos MACABEUS;

O Livro de TOBIAS;

O Livro de JUDITE;

O Livro da SABEDORIA;

O Livro ECLESIÁSTICO;

O Livro de BARUC.

Portanto, faltam sete livros inteiros.

Mais ainda: além disso, estão ali incompletos DOIS OUTROS LIVROS: o de ESTER, que deve ter 16 capítulos, e não somente 10; e o de DANIEL, que deve ter 14 capítulos e não só 12! CEM versículos no cap. III, e não apenas TRINTA (1).

Sobre a tradução das Bíblias protestantes, observe-se ainda o seguinte:

João Ferreira de Almeida, que é tradutor da Bíblia, e cujas traduções são muitíssimo divulgadas pelos protestante, jamais foi padre católico! Foi ministro cavinista. O título de “Padre” que ainda hoje vem impresso no frontispício de suas Bíblias, é malevolamente conservado pelos protestantes como maneira mais fácil de divulgar os erros, que essa tradução infiltra nos espíritos desprevenidos. Antigamente os ministros protestante alemães, holandeses e dinamarqueses, intitulavam-se “Reverendos padres”; eis a razão porque os protestantes conservaram a tradição desse costume na Bíblia de Almeida, embora não tenham conservado a fidelidade da primeira tradução, que trazia TODOS os LIVROS (protocanônicos) acima citados, que hoje nossos modernos hereges rasgaram, porque “deixaram” de ser verdadeiros, isto é, vão contra os erros que ele propagam: ensinam a existência do Purgatório, o Sacrifício pelos mortos, etc.

Não se deve confundir as traduções protestantes com a de Antônio Pereira de Figueiredo. Este é Padre. Sua tradução primitiva foi boa, mas suas anotações (que os protestantes tiraram) eram, em grande parte, eivadas de influências realistas, etc., e foi necessário serem condenadas pela Igreja que, aos 26-1-1795, pô-las no “Index”. É bom notar que Figueiredo também não rejeitou os SETE LIVROS que hoje as Bíblias protestantes que lhe traduzem o nome recusam.

BISPOS

1. FORAM POSTOS PELO ESPÍRITO SANTO PARA REGER A IGREJA

ATOS, XX, 28: ― “Cuidai de vós mesmos e de todo o rebanho sobre o qual o Espírito Santo vos constituiu Bispos, para reger a Igreja de Deus, que ele adquiriu com o seu próprio sangue”.

2. SÃO DISTINTOS DOS SIMPLES FIÉIS E SUCEDEM AOS APÓSTOLOS

ATOS, I, 20-26: ― Tendo apostatado Judas, que era Apóstolo, S. Pedro propõe a escolha de um sucessor, que receba o episcopado dele ― ( et episcopatum ejus accipiat alter), e seja testemunha da ressurreição de Cristo. E “Matias foi incorporado aos onze Apóstolos” – diz o v. 26.

3. POR ISTO DEVEM TER QUALIDADES EXCEPCIONAIS, QUE NÃO SE EXIGEM DE TODOS

TITO, 1,7: ― “Porque, na qualidade de administrador da casa de Deus, o Bispo deve ser irrepreensível”.

1ª TIM. III, I e segs.: ― “Digna de fé e esta palavra: Quem deseja o episcopado, deseja um cargo sublime. Por isto, é necessário que o Bispo seja irrepreensível… etc., etc.”.

4. JESUS CRISTO É CHAMADO “BISPO DE NOSSAS ALMAS”, PELO QUE OS BISPOS SÃO SEUS SUCESSORES

1ª. PEDRO, II, 25: ― “Éreis como ovelhas desgarradas. Mas agora retornastes ao Pastor e Bispo de vossas almas”.

Ver também CHEFES DA IGREJA.

CELIBATO CATÓLICO

1. ― S. PAULO ACONSELHA O CELIBATO

1ª COR. VII, 1-8: ― “Penso ser bom que o homem não toque mulher. Mas pelos perigos da incontinência, cada um tenha a sua esposa… Digo isto por concessão, não como ordem. Pois que todos fossem como eu… Digo às pessoas solteiras e viúvas, que lhes é bom se permanecerem assim como eu”.

IDEM, 25: ― “A respeito das pessoas virgens, não tenho mandamento do Senhor. Julgo, pois, que, em razão das dificuldades presentes, é bom ao homem ficar assim como eu”.

IDEM, 32-35: ― “Quero que fiques sem cuidados. O solteiro cuida das coisas do Senhor, de como agradar a Deus. Mas o casado cuida das coisas do mundo, de como agradar à sua esposa e está dividido. A mulher solteira e a virgem, cuidam das coisas do Senhor, para serem santas no corpo e no espírito”.

NOTA: ― Eis ai porque os sacerdotes católicos, até neste ponto de vista de meios naturais, estão acima de qualquer ministro protestante. São castos, celibatários, “para serem santos no corpo e no espírito”, e para serem inteiramente de Deus, e não “estarem divididos” entre o mundo, mulher e filhos de um lado, e Deus do outro.

1ª COR. VII, 38: ― “De modo que, quem casa sua virgem faz bem; o que não a casa, faz melhor”.

2. ― CONSELHO ESPECIAL AOS SACERDOTES

LEV. XXI, 8: ― “Portanto santificai-vos e sede santos, porque eu, o Senhor que vos santifico, sou santo”.

MARC. X. 29: ― “Todo aquele que deixar, por causa de meu nome, ou casa, ou irmão, ou irmãs, ou pai, ou mãe, ou mulher, ou filhos, ou terras, receberá cem por um e a vida eterna”.

IDEM, 28: ― “E Pedro, tomando a palavra, disse: Eis que nós abandonamos tudo e te seguimos”.

NOTA-SE que, se os Apóstolos “abandonaram tudo”, é porque deixaram também a família. Foram castos.

3. ― POSSIBILIDADE DO CELIBATO PELA GRAÇA DE DEUS

MAT. XIX, 12: ― “Há eunucos que o são desde o ventre de suas mães; e há eunucos tornados tais pelas mãos dos homens; e há eunucos que a si mesmos fizeram eunucos por amor do reino de Deus. Quem puder compreender, compreenda”.

MAT. XIX, 24-26: ― “É  mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha que entrar um rico no reino do céu. Ora, os discípulos admirava-se, ouvindo estas palavras, e disseram: Quem poderá, então salvar-se? Jesus porém, fitando-os, disse: Aos homens, isso é impossível”.

Estas mesmas palavras se podem aplicar à guarda da castidade, contida aliás no que Jesus pediu ao jovem, quando lhe disse: “Vem, e segue-me”.

Noutros termos, Jesus diz que, com os auxílios da graça, tudo é possível, pois esta faz no homem desapegar-se de tudo o que é de mais apetecível, para sacrificar-se por Deus.

ROM. VIII, 11-13: ― “Mas se o espírito daquele que ressuscitou Jesus Cristo dos mortos habita em vós… ele também dará vida aos vossos corpos mortais pelo seu espírito que habita em vós. Portanto, irmãos, não somos devedores à carne, para que vivamos segundo a carne. Porque, se viverdes segundo a carne, morrereis; mas se pelo espírito mortificardes as obras da carne vivereis”.

Iª. COR. X,13: ― “Não vos sobreveio tentação alguma que não seja humana; mas Deus é fiel; não permitirá que sejais tentados acima das vossas forças; antes dará um meio de tirardes proveito da tentação, para poderdes suportar”.

IIª. COR. XII, 7-9: ― “E, para que a grandeza das revelações não me ensoberbeça, foi-me dado um estímulo da carne, um anjo de Satanás, para me esbofetear pelo que três vezes roguei ao Senhor que se apartasse de mim. Mas Ele me disse: Basta-te a minha graça, porque o poder se aperfeiçoa na fraqueza. Portanto, de boa vontade me gloriarei nas minhas fraquezas, para que habite em mim a força de Cristo”.

4. O VOTO, QUE SE FAZ, OBRIGA SOB PECADO

DEUTER. XXIII, 21; ― “Quando fizerdes algum voto ao Senhor vosso Deus, não deixeis de cumpri-lo, porque o Senhor vosso Deus vos pedirá conta dele, e em vos haverá pecado”.

Iª TIM. V, 11 E 12: ― “Rejeita as viúvas novas (ao pedido de voto) pois que, quando o atrativo dos prazeres as desgostar do serviço de Cristo, querem casar-se, tendo a sua condenação, porque violaram a primeira fé (isto é, violaram o voto)”.

O mesmo se pode dizer com respeito ao sacerdote que deixa a batina para casar-se.

CHEFES DA IGREJA

1. ― TODOS DEVEM DAR-LHES OUVIDOS E OBEDECER-LHES AS ORDENS

MAT. XVIII, 17-18: ― “Se, porém, não ouvir a Igreja, seja tido como pagão e publicano. Em verdade, vos digo: tudo o que ligardes sobre a terra, será ligado no céu, e tudo o que desligardes sobre a terra, será desligado no céu”.

MAT. XXVIII, 19-20: ― “Foi-me dado todo o poder no céu, e na terra (eu vo-lo transmito): Ide, e ensinai a todos os povos, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, e instruindo-os a observar tudo o que vos hei ensinado. E eis que estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos”.

NOTA: ― Dada a alta importância deste texto, probativo da perenidade da Igreja e da assistência eterna de Cristo, para  que ela não venha a errar, formemos o  seguinte raciocínio: Jesus é Deus. Não pode, pois errar nem fazer-nos errar, senão deixaria de ser Deus. Ora, Jesus prometeu ESTAR com a Igreja, isto é, com a Igreja que Ele fundou, até o fim dos séculos. Logo, não errou a sua Igreja, e portanto sua assistência divina continua ainda a ser garantia de perenidade da verdadeira Igreja de Pedro.

Suponhamos que sua palavra tenha falhado, e que esta Igreja tenha errado, como o afirmam os protestantes. Então Jesus já não seria mais Deus, e toda a Igreja que se apresentasse com o nome de “Igreja de Cristo” seria tão mentirosa quanto a primeira.

LUC. X, 16: ― “Quem vos ouve, a mim me ouve; quem vos despreza, a mim me despreza; e quem me despreza, despreza Aquele que me enviou”.

MAT. X, 40: ― “Quem vos recebe, a mim me recebe; e quem vos recebe, recebe Aquele que me enviou”.

NOTE-SE que os protestantes, desprezando a autoridade da Igreja fundada por Jesus Cristo, desprezam o próprio Cristo, e portanto, o Pai que o enviou ao mundo. Não estão, portanto, com a verdade.

2. ― O ESPIRITO SANTO ESTÁ COM ELES

JOÃO, XIV, 16: ― “E eu rogarei ao Pai, e Ele vos dará um outro Paráclito, (consolador), que ficará eternamente convosco, o Espírito da verdade, que o mundo não pode receber…”

JOÃO, XVI, 13: ― “Quando, porém, vier aquele Espírito de verdade, Ele vos ensinará toda a verdade”.

Este texto, mais uma vez, vem ensinar que toda a verdade que a Igreja ensinaria aos seus filhos, ser-lhe-ia ministrada mediante iluminação do Espírito da Verdade, que deveria assistir aos legítimos Chefes da Igreja.

COMUNHÃO

(Vide Eucaristia e Missa)

Os protestantes, no afã de insinuar dúvidas, dizem que o padre comunga “o vinho e a hóstia, mas não dá o vinho aos católicos”. Objeção tola. Na Bíblia está a resposta:

LUC. XXIV, 30-31: ― E aconteceu que, sentando à mesa com eles, tomou o pão, abençoou-o, partiu-o e lho serviu; então se lhes abriram os olhos e o reconheceram”.

ATOS, II, 12: ―  “Eles perseveraram na doutrina dos Apóstolos, na comunhão da fração do pão e nas orações”.

ATOS, XX, 7: ― “No primeiro dia da semana, estando nós reunidos, para partir o pão, Paulo disputava com ele, e foi alongado o discurso até a meia noite…”

Iª COR. X, 16-17: ― E o pão que partimos, não é, acaso, a comunhão do corpo do Senhor ? Porque nós, que somos muitos, somos um pão somente, e um só corpo, pois que nós todos comungamos de um mesmo pão”.

Vale a pena ler todo o Cap. X, onde aparece, com toda a evidência, o mistério da Presença Real de Cristo debaixo das espécies do pão e do vinho. O Apóstolo como que desafia os protestantes de hoje a retrucarem se “o pão que partimos acaso não é o corpo do Senhor?”.

CONCÍLIOS DA IGREJA

(Vide CHEFES)

1. ― OS CONCÍLIOS OU ASSEMBLÉIAS DE BISPOS EM NOME DE CRISTO, SÃO ASSISTIDOS PELO ESPÍRITO SANTO

MAT. XVIII, 20: ― “Onde quer que dois ou três se reunam em meu nome, ali estou no meio deles”.

ATOS, XV, 28: ― “Porque pareceu bem o Espírito Santo e a nós não vos impor  maior jugo além do seguinte necessário”.

2. ― SEUS PRECEITOS DEVEM SER OBSERVADOS PELOS FIÉIS

ATOS, XV, 41: ― “E (Paulo) andava pela Síria e pela Cilicia, confirmando as Igrejas, ordenando que guardassem os preceitos dos Apóstolos e dos Presbíteros” (dados no Concílio de Jerusalém).

ATOS, XVI, 4: ― “E quando andavam pelas cidades, ensinavam-lhes que observassem as decisões que haviam sido tomadas pelos Apóstolos e Presbíteros em Jerusalém (no Concílio)”.

ATOS, XVI, 4: ― “E quando andavam pelas cidades, ensinavam-lhes que observassem as decisões que haviam sido tomadas pelos Apóstolos e Presbíteros em Jerusalém (no Concílio)”.

CONFIRMAÇÃO OU CRISMA

ATOS, VIII, 15-17: ― “Os quais (Pedro e João), tendo chegado, fizeram oração por eles, afim de receberem o Espírito Santo, porque Ele ainda não tinha descido sobre eles, mas somente tinham sido batizados em nome do Senhor Jesus”.

ATOS, XIX, 6 ― “E tendo-lhes Paulo imposto as mãos, veio sobre eles o Espírito Santo, e falaram diversas línguas e profetizaram”.

NOTA: ― Comumente, na primitiva Igreja, logo após a recepção da Crisma, o Espirito Santo se manifestava-se pelo dom das línguas, pela profecia, dom de milagres, etc. para maior edificação das almas. Isto revela no texto acima.

IIª COR. I, 21-22: ― “Ora, o que nos confirma em Cristo convosco, e que nos ungiu é Deus, o qual também nos imprimiu seu selo (caráter sacramental) e deu em nosso corações o penhor do Espírito”.

NOTA: ― Este texto revela, como muitos outros, haver um sacramento que se segue ao Batismo, e que se faz com a unção do óleo: é a Confirmação ou Crisma, que a Igreja nos ministra.

HERB. VI, 1-2: ― “ Pelo que, deixando de discorrer acerca dos primeiros rudimentos acerca de Cristo, elevemo-nos a coisas mais perfeitas, sem lançar de novo os fundamentos da conversão das obras mortas (do pecado) e da fé em Deus, da doutrina sobre os Batismos e da imposição das mãos (Crisma)”.

EFES. I, 13-14: ― “…Tenho crido nele, fostes marcados com o selo do Espírito Santo, que tinha sido prometido, o qual é o penhor da nossa herança, para a redenção do povo conquistado”.

Iª JOÃO, II, 20: ― “Porém, vós recebestes a unção do Espírito Santo, e sabeis todas as coisas (necessárias)”.

IEM, 27: ― “E permaneça em vós a Unção que recebestes dele”.

ECL. III, 4: ― “O que ama a Deus implorará o perdão de seus pecados e se absterá de tornar a cair neles”.

ECL. IV, 31: ― “Não te envergonhes de confessar os teus pecados, mas não te submetas a ninguém para pecar”.

IIª ESD. IX, 1 E 2: ― “E no dia 24 deste mês se ajuntaram os filhos de Israel em jejum e vestidos de sacos e cobertos de terra. E os da linhagem dos filhos de Israel foram separados de todos os filhos estrangeiros; e confessaram os seus pecados e as iniqüidades de seus pais”.

PROV. XXVIII, 13: ― “Aquele que esconde as suas maldades não será bem sucedido; aquele, porém, que as confessar e se retirar delas alcançará misericórdia”.

2. NA TRANSIÇÃO DO ANTIGO TESTAMENTO PARA O N.T., JOÃO BATISTA EXIGIA A CONFISSÃO  DOS PECADOS

MAT. III, 6: ― “Então vinham a ele a circunvizinhança do Jardão, e eram por ele batizados no rio Jordão, confessando os seus pecados”.

NOTE-SE que estes textos não falam ainda da confissão sacramental, que foi instituída por Cristo para sua Igreja. Falam da confissão penitencial, que não era sacramental, mas fazia as vezes de sacramento.

3. ― NA PRIMITIVA IGREJA, USAVA-SE A CONFISSÃO

ATOS, XIX, 18: ― “E muitos dos que tinham crido iam confessar e  manifestar suas obras”.

S. TIAGO, V, 16: ― “Confessai, pois, os vossos pecados uns aos outros, e orai uns pelos outros para serdes salvos; porque a oração fervorosa do justo pode muito”.

Iª S. JOÃO, I, 9: – “Se nós confessarmos os nossos pecados, Ele é fiel e justo para perdoar estes nossos pecados e para nos purificar de toda iniqüidade”.

Estes textos falam da verdadeira confissão sacramental instituída por Cristo, conforme a melhor  interpretação. (1) Pouco importa que não falem de confissão auricular feita só ao padre. Nos começos do cristianismo usava-se a confissão pública

4. ― A CONFISSÃO DEFLUI DO PODER DE PERDOAR PECADOS  QUE  CRISTO  CONFERIU A SUA IGREJA

MAT. XVIII, 18: ― “Tudo o que ligardes sobre a terra será ligado no céu; e tudo o que desligardes sobre a terra será desligado no céu”.

Para um juiz dar uma sentença ligando ou desligando alguém  relativamente a uma pena ― é óbvio que lhe deve ser declarada a culpa do réu. É esta a razão porque o penitente tem necessidade de declarar seu pecado ao confessor, afim de este perdoar ou não, perdoar ou reter.

JOÃO, XX, 22-23: – “Tendo dito estas palavras, soprou sobre eles (os Apóstolos) e disse: Recebei o Espírito Santo. Aqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados; e aqueles a quem os retiverdes, ser-lhes-ão retidos”.

EUCARISTIA

(Ver Comunhão e Missa)

I. JESUS PROMETEU DAR-SE EM ALIMENTO

JOÃO, VI, 1 e segs. O grande milagre que aqui se conta é símbolo da Eucaristia, que Jesus iria dar pela salvação do mundo. Ler toda a primeira parte deste capítulo.

JOÃO, VI, 27: ― “Trabalhai, não pela comida que perece, mas pela que dura até a vida eterna, A qual o Filho do Homem vos dará”.

NOTA: ― Este texto resolve a controvérsia sobre se o alimento que Jesus promete dar mais tarde é sua palavra (pão metafórico), ou se é de fato seu corpo (Eucaristia).

Veja-se o verbo final do texto: comida que o Filho do Homem vos dará. Se Ele quisesse significar o pão de sua palavra, tomada como alimento espiritual, não teria dito – vos dará, mas – vos dá, pois que presentemente já Ele estava dando este alimento. Trata-se, evidentemente, daquele alimento que Ele dará na última Ceia – a Eucaristia.

2. ― JESUS INSTITUIU A EUCARISTIA

MAT. XXVI, 26: ― “E Quando ceavam, Jesus tomou o pão, e o benzeu, e o partiu e deu-o aos seus discípulos, dizendo: TOMAI E COMEI; ESTE É O MEU CORPO”

IDEM, 27: ― “E tomando o cálice deu graças, e deu-lho, dizendo: Bebei dele todos, porque É O MEU SANGUE DO NOVO TESTAMENTO, O QUAL SERÁ DERRAMADO POR MUITOS PARA A REMISSÃO DOS PECADOS”.

(Vide idem em Marc. XIV, 22-24; Luc. XXII, 19-20)

Iª COR, XI, 23-25: – “Porque eu recebi do Senhor, o que também vos ensinei a vós, que o Senhor Jesus, na noite em que foi entregue, tomou o pão, e dando graças o partiu e disse: “RECEBEI E COMEI ISTO É O MEU CORPO QUE SERÁ ENTREGUE POR VÓS: Fazei isto em memória de mim… etc.”.

NOTA-SE a identidade real que é afirmada por Cristo entre “este pão” e  “este corpo” que será entregue à morte.

Por isto é que dizem os teólogos que se dá na Eucaristia uma Transubstanciação (mudança) do pão no corpo de Cristo. (1)

3. ― EFEITOS DA CAMUNHÃO

JOÃO, VI, 50-52: ― “Este e o pão que desceu do céu, para que aquele que dele comer não morra . Eu sou  o pão vivo que desci do céu. Quem comer deste pão viverá eternamente; o pão que eu darei é a minha carne (que será sacrificada) para a salvação do mundo”.

JOÃO, VI, 54-59: ― “Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna, e eu o ressuscitarei no último dia…

Quem como a minha carne e bebe o meu sangue fica em mim e eu nele. Do mesmo modo que o Pai me enviou, e como eu vivo pelo Pai, assim também viverá por mim quem me recebe em alimento”.

EXTREMA-UNÇÃO

TIAGO, V, 14-15: ― “Está entre vós alguém enfermo? Chame os presbíteros (sacerdotes) da Igreja, e eles façam oração sobre o enfermo, ungindo-o com óleo, em nome do Senhor; e a oração da fé  salvará o enfermo, e o Senhor o aliviará. E  caso esteja em pecados, ser-lhe-ão perdoados”.

S. Tiago não prescreveria isto, se Jesus não o houvera instituído. É, pois, de concluir-se que a Extrema-Unção é de instituição divina. (1)

Há dela um vislumbre na vida pública de Cristo, quando Marcos descreve a atividade dos Apóstolos:

MARCOS, VI, 12-13: ― “E tendo partido (os doze) pregavam aos povos que fizessem penitência. E expeliam muitos demônios, e ungiam com óleo muitos enfermos e os curavam”.

FÉ E OBRAS

1. ― A VERDADEIRA FÉ É NECESSÁRIA PARA A SALVAÇÃO

MARC. XVI, 16: ― “Quem crer e for batizado, será salvo; mas quem não crer será condenado”.

JOÃO, II, 18: ― “Quem nele crê não é condenado, mas o que não crê já está condenado, porque não crê no nome do Filho Unigênito de Deus”.

IDEM XI, 26: ― “Todo o que vive e crê em mim não morrerá eternamente”.

ROM. X, II: ― “Todo o que crê nEle não será confundido”.

HEBR, XI, 6-7: ― “Ora, sem fé é impossível agradar a Deus. Porquanto, é necessário que, quem se aproxima de Deus creia que Ele existe e que é remunerador dos que o buscam.

Pela fé foi que Noé, avisado por Deus, das coisas que ainda não se viam… tornou-se herdeiro da justiça que se obtém pela fé”.

2. ― A FÉ SEM OBRAS É MORTA

TIAGO, II, 14-17: ― “Que aproveitará , irmãos meus, se alguém diz que tem fé, e não tem obras ? Porventura poderá salvá-lo tal fé ? Assim também, a fé, se não tiver obras, é morta em si mesma”.

IDEM II, 26: ― “Bem como um corpo sem espírito é morto, assim também a fé sem obras é morta”.

GAL. V, 6: ― “Em Jesus Cristo, nem a circuncisão vale coisa, nem a incircuncisão, mas sim a fé que opera pela caridade”.

3. – AS BOAS OBRAS SÃO MERITÓRIAS

GÊN. IV, 7: ― Porventura, se tu fizeres boas obras, não receberás galardão, e se fizeres obras más, não estará o pecado logo à porta?”

IDEM, XXII, 16-17: ― “Por mim mesmo jurei, diz o Senhor, porque fizeste tal coisa, e não poupaste teu filho único por amor de mim, eu te abençoarei e multiplicarei a tua descendência como as estrelas do céu…”

SALMO XVII, 21: ― “E o Senhor retribuirá segunda a sua justiça e me recompensará segundo a pureza (das obras) de minhas mãos”.

MAT. V, 11-12: ― “Bem-aventurados sereis, quando vos injuriarem e vos perseguirem e, mentindo, disseram todo mal contra vós, por causa de mim. Alegrai-vos e exultai, porque será grande a vossa recompensa nos céus”.

MAT. X, 42: ― “E todo o que der a beber um só copo d´agua a um destes pequeninos, porque meu discípulo, na verdade, vos digo que não perderá a sua recompensa”.

MAT. XVI, 27: ― “Porque o Filho do Homem há de vir na glória de seu Pai com seus Anjos, e então retribuirá a cada um segundo suas obras”.

ROM. II, 6: ― “(Deus) retribuirá a cada um segundo as suas obras”.

EFES. VI, 8: ― “Cada um receberá do Senhor a paga do bem que tiver feito, ou seja escravo, ou livre”.

IIª TIM, VI, 17-19: ― “Manda aos ricos deste mundo… que façam o bem, que se façam ricos em boas obras… como um fundamento sólido para o futuro, afim de alcançarem a verdadeira vida”.

4. – A FÉ NÃO IMPLICA CERTEZA ABSOLUTA DO ESTADO DE GRAÇA, NEM A SALVAÇÃO

ROM. XI, 22: ― “Considera, pois, a bondade e severidade de Deus: a severidade para com aqueles que ciaram; a bondade de Deus para contigo, se permaneceres no bem. Doutra maneira, Tu  também serás cortado.

Iª COR, IX, 27: ― “Castigo o meu corpo e o reduzo à servidão, para não suceder que, depois de haver pregado aos outros, venha eu mesmo a ser condenado”.

NOTA: ― Eis aí a condenação da fé fiducial protestante que os leva à temeridade de arvorar-se em salvos, eximindo-se das obras de penitência, contrariamente a todo ensino evangélico.

Iª COR. X, 12: ― “Aquele, pois, que crê estar de pé, veja que não caia”.

IªIL. 11,12: ― “Portanto, meus caríssimos, trabalhai na salvação com temor e tremor.

13 ― porque Deus é quem opera em vos o querer e o executar segundo o seu beneplácito”.

APOC. III, 11: ― “Eis que venho brevemente; guardar o (tesouro da fé) que tens, para que ninguém roube a tua coroa”.

ROM. II, 13: ― “Diante de Deus não são justificados os que simplesmente ouvem a lei, mas os que a praticam…”

NOTA: ― É, pois, demasiada presunção querer o homem apoiar sua salvação numa confiança presunçosa que não é fé, mas abuso da misericórdia divina. O demônio também crê, mas treme”.

HERESIAS

Muita gente lamenta a presença de falsas religiões na terra, dizendo que Deus não  devia permiti-las. Mas Deus não quer obstar a liberdade humana

1. ― DEUS AS PERMITE PARA PROVAÇÃO DOS FIÉIS

1ª COR. XI, 19: ― “Pois é conveniente que haja heresias, para que também os que são de virtude provada sejam manifestos”.

MAT. XXIV, 5: ― “Porque muitos virão (depois de mim) em meu nome, dizendo: Eu sou o Cristo, e seduzindo a muitos”.

JOÃO, V, 43: ― “Eu vim em nome de meu Pai: e vós não me recebeis; virá outro em seu próprio nome e recebê-lo-eis”.

IIª TIM. IV, 3: ― “Porque virão tempos em que não suportarão mais a sã doutrina, mas multiplicarão para si mestres segundo seus desejos”.

IIª TIM. II, 16-19: ― “Evite as conversas profanas e vãs, porque muito contribuem para a impiedade… Porém o fundamento de Deus está firme, tendo este selo: “O Senhor conhece os que são seus”.

2. ― FALAM EM NOME DE CRISTO E ESTÃO CONTRA DEUS

Iª JOÃO, II, 18-19: ― “Filhinhos, é a última hora; e como ouvistes dizer que o Anticristo vem, também já agora há muitos Anticristos. Eles saíram dentre os nossos, mas não eram dos nossos, porque, se tivessem sido dos nossos, teriam ficado conosco”.

NOTE-SE como esta palavra ― “Eles saíram dentre os nossos” ― se aplicam bem ao protestantismo, cujos fundadores, na maioria, eram sacerdotes católicos decaídos.

MAT. XXIV, 5: ― “Vede que ninguém vos engane; porque virão muitos em meu nome”.

A heresia nasce da desobediência à Igreja…

3. RENEGAM A IGREJA

LUC. X, 16: ― “Quem vos ouve, a mim, me ouve; quem vos despreza, a mim me despreza; o que me despreza, despreza Aquele que me enviou”.

PROV. XXVIII, 14: ― “Quem tem a cabeça dura cairá no mal”.

HERB. XII, 17: ― “Obedecerei aos vossos superiores (Prelados) e sede-lhes sujeitos, porque eles velam como quem há de dar contas de vossas almas…”

Iª JO. IV, 1: ― “Caríssimos, não deis crédito a todo espírito, mas experimentai-o se vem de Deus; porque muitos falsos profetas vieram ao mundo”.

LUC. XI, 28: ― “Antes, bem-aventurados os que ouvem a palavra de Deus e a praticam”.

4. OS HEREGES SERÃO CASTIGADOS

MAT. XII, 30: ― “Deixai crescer uma e outra coisa, até à ceifa; e no tempo da colheita direi aos cegadores: “Colhei primeiro a cizânia (erva má), e atai-a em molhos para queimar”.

NOTA: ― Eis  ai o castigo reservado aos hereges. Podem proliferar no meio dos verdadeiros cristãos, mas serão castigados pelo Supremo Juiz, no fim do mundo.

GAL. I, 9: ― “Se alguém anunciar um Evangelho diferente daquele que ouvistes, seja amaldiçoado”.

IIª TESS. II, 9-10: ― “A vinda dele (do Anticristo) é por obra de Satanás, com todo o poder e com sinais e prodígios mentirosos, e com todas as seduções da iniqüidade para aqueles que se perdem, porque (por sua culpa) não abraçaram o amor da Verdade para serem salvos”.

NOTA: ― Este texto se aplica mais particularmente aos espíritas, que com falsos prodígios vão enganando os incautos.

IIª PED. II, 9: ― “E porque o Senhor sabe livrar os justos da tentação, e reservar os maus para o dia do juízo, afim de serem atormentados…”

IGREJA

(Vide “Absolvição” e “Chefes”)

Os protestantes dizem que a Igreja de Cristo tornou-se adúltera, infiel a Cristo, tendo sido necessário vir Lutero, no século XVI, para reformá-la em seus dogmas e sua moral. Ora Jesus prometeu ficar como Ela até o fim dos séculos, e disse que “as portas do inferno não prevaleceriam contra Ela” pelo motivo de Ele estar sempre assistindo-a na terra.

Leiam-se os textos probativos desta verdade:

1. ― A IGREJA SUBSISTIRA PARA SEMPRE

MAT. XVI, 18: ― “Eu te digo, que tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja; e as portas do inferno (os erros e as heresias) não prevalecerão contra ela”.

MAT. XXVIII, 20: ― “Ensinai a observar tudo o que vos hei mandado: e eis que estou convosco todos os dias até a consumação dos séculos”.

JOÃO, XIV, 16: ― “Eu  rogarei ao Pai e Ele vos dará um consolador que fique eternamente convosco”.

IDEM, 17: ― “O Espírito de Verdade, a quem o mundo não pode receber, porque o não vê nem o conhece; mas vós o conheceis, porque habitará convosco e ficará em vós”. (vide sl.47: 9; 5: 7, etc.).

2. A IGREJA É O RETORNO DE CRISTO

LUC. I, 32-33: ― “O Senhor Deus dar-lhe-á a sede de seu pai Davi, e reinará na casa de Jacó eternamente, e seu reino não terá fim”.

DAN. II, 44: ― “No tempo, porém, daqueles reinos (dos Caldeus, Persas, Alexandre Magno e Romano), suscitará a Deus do céu um reino que não passará a outro povo”.

(Vide SL. CXXXI, 13-14).

3. ― E O APRISCO DO QUAL CRISTO É O PASTOR

JOÃO, X, 16: ― “Tenho ainda outras ovelhas que não são deste aprisco; e importa que eu as traga… e haverá um só rebanho e um só Pastor”.

4. ― É ASSISTIDA PELO ESPÍRITO SANTO E POR CRISTO E NÃO PODE ERRAR

JOÃO, XIV, 26: ― “Mas o Advogado, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, ensinar-vos-á todas as coisas e vos recordará tudo o que vos tenho dito”.

IDEM, XVI, 13: ― “Quando vier o Advogado, o Espírito da Verdade, ensinar-vos-á toda a verdade… e anunciar-vos-á as cousas que virão”.

MAT. XVI, 19: ― “Eu te darei as chaves do Reino dos Céus. Tudo o que ligares na terra será ligado também no céu”.

MAT. XXVIII, 20: ― “Eis que estou convosco, todos os dias, até o fim do mundo”.

5. ― ELA TEM O PODER DE AMALDIÇOAR OU ANATEMATIZAR

Iª. COR. V, 1-7: ― “Ouve-se falar constantemente que entre vós há fornicação, e tal fornicação que não existe nem entre os gentios… Em nome de N.Senhor Jesus Cristo, congregados vós em meu espírito, com o poder de Nosso Senhor Jesus, seja o tal entregue a Satanás, para a morte da carne, afim de que sua alma seja salva no dia de Nosso Senhor Jesus Cristo…”.

ROM. XI, 9: ― “Venha Tribulação e angústia sobre todo homem que opera a iniquidade”.

ATOS, V,5: ― “Ouvindo Ananias estas palavras (de Pedro) caiu e expirou aos seus pés”.

ATOS, V, 9-10: ― “Pedro então disse  a ela (Safira): Por que combinastes para tentar o Espírito do Senhor ? Eis que estão à porta os pés daqueles que sepultaram o teu  marido, e te levarão a ti. E imediatamente ela caiu aos seus pés e expirou”.

(Vide Gal. 1, 9).

IMACULADA CONCEIÇÃO

GÊN. III, 15: ― “Porei inimizade entre ti e a mulher e entre a tua descendência e a descendência dela. Ela te esmagará a cabeça e tu procurarás armar-lhe ciladas ao seu calcanhar”.

APOC. XII, 1-6: ― “Apareceu em seguida um grande sinal no céu: uma Senhora revestida de sol, a lua debaixo dos seus pés, e na cabeça uma coroa de doze estrelas. Estava grávida e gritava de dores, sentindo as angústias de dar à luz. Depois apareceu outro sinal do céu: um grande dragão, vermelho, com sete cabeças e sete chifres, e nas cabeças sete coroas… Este dragão deteve-se diante da Senhora que estava para dar à luz, afim de que, quando ela desse à luz, lhe devorasse o filho. Ela deu à luz um filho, um varão, aquele que deve reger todas as nações pagãs com o cetro de ferro. Mas seu filho foi arrebatado para junto de Deus e de seu trono”.

IDEM, ib. 13 e segs: ― “O dragão vendo que fora precipitado na terra, perseguiu a Senhora que dera à luz o Menino… A serpente vomitou contra a Senhora um rio de água para fazê-la submergir. A terra, porém, acudiu à Senhora, abrindo a boca para engolir o rio que o dragão vomitara. Este, então, se irritou contra a Senhora, e foi fazer guerra ao resto da sua descendência, aos que guardam os mandamentos de Deus e tem o testemunho de Jesus”.

NOTA: ― Compare-se o texto do Gênesis (III, 15) acima citado com os textos do Apocalipse. Em ambos, a mesma realidade sobrenatural: a luta, a inimizade entre o Demônio e uma mulher escolhida por Deus; e esta luta é por causa do Menino “que deve reger com cetro de ferro todas as nações pagãs” (Apoc. XII, 5).

Quem poderá deixar de reconhecer nesta “Senhora vestida de sol”, que dá à luz o Menino, Rei de todos os povos, a Virgem Maria ? E quem poderá  deixar de ver, então, na primeira página do Gênesis, a mesma Senhora, cuja descendência, ou seja, cujo Filho, esmagará a cabeça da serpente ?

E como se evidencia esta vitória da Mulher predestinada sobre o Dragão infernal? Fora Maria, “de quem nasceu Jesus” (Mat 1, 16) possuída pelo demônio quando veio a este mundo, isto é, fosse ela concebida no pecado, onde estaria sua vitória sobre o eterno inimigo ? Por isto, muitos Santos Padres e Doutores da Igreja interpretam os dois textos acima, dando-os como prova bíblica da Imaculada Conceição, bem como da própria Assunção gloriosa e da Corredenção.

LUC. I, 28: ― “O Anjo disse-lhe: “Ave, cheia de graça! O Senhor é contigo. Bendita és tu entre as mulheres”.

IDEM. ib. 30: “O Anjo disse-lhe: “Não temos, Maria, pois encontraste graça diante de Deus”.

NOTA: ― Nossa Senhora não podia ser saudada pelo Anjo como cheia de graça, se o pecado original a tivesse atingido; pecado e graça são coisas que não podem estar na mesma alma. E se Ela está cheia de graça é porque nenhuma graça, (inclusive a da pureza original) lhe falta.

Bendita entre as mulheres só pode ser também aquela mulher que, diferente de todas as demais, recebeu a graça insigne de ser preservada do pecado original.

“O Senhor é contigo” ― é uma expressão que afirma que Maria estava estritamente unida ao Senhor pela graça, portanto isenta do pecado de origem.

Por isto diz o Anjo: “Achaste graça diante de Deus”. Isto é, aquela graça que Eva perdera pelo pecado original, Maria achou pela Conceição Imaculada.

Objeção freqüente contra a Imaculada Conceição se baseia nos seguintes textos de S.Paulo:

ROM. V, 12: ― “Por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, e assim a morte passou a todo o gênero humano, “porque todos pecaram”.

Iª COR. V, 14: ― “Se um só morreu para todos, é porque todos estavam mortos (isto é, pelo pecado)”.

Daí concluem os protestantes: “Se Maria foi imaculada, por que S. Paulo diz que todo o gênero humano pecou? “Se Maria foi Imaculada ― dizem eles ainda ― então Cristo não precisou morrer por ela”.

Estas objeções denotam incompreensão do ensino da Igreja.

Todos pecaram em Adão. Pecar em Adão é ser membro da raça de Adão, é estar preso à condição de membro da cabeça deste imenso corpo cuja cabeça foi Adão ― a humanidade. Maria é desta raça, contraiu o débito do pecado ― ensinam os teólogos ― pecou em Adão, mas não contraiu a mancha deste pecado porque, no instante em que foi concebida, Deus lhe infundiu a graça santificante em virtude dos méritos de Cristo, impedindo que contraísse a mancha do pecado.

Assim Nossa Senhora foi remetida por Cristo como todos os homens. Somente os frutos desta Redenção copiosa lhe foram aplicados no instante em que Ela foi concebida. Daí o termo Imaculada Conceição.

IMAGENS

1. ― DEUS MANDOU QUE SE FIZESSEM IMAGENS

ÊX. XXV, 18: ― “Farás também dois querubins de ouro batido, nas duas extremidades do oráculo. Um Querubim os teja de um lado e outro do outro.

I PAR. XXVIII, 18: ― “E para o altar em que se queima o incenso, deu do ouro mais fino para que dele se fizesse a figura dum carro de Querubins, que estendessem as suas asas, e cobrissem a arca da aliança do Senhor. Todas estas coisas ― disse o rei ― me foram dadas escritas pela mão de Deus”.

EZEQ. XLI, 17-21: ― “Acima da porta no interior e no exterior do templo e por toda a parede em redor, tudo estava coberto de figuras (isto é, IMAGENS); Querubins e palmas, uma palma entre dois Querubins. Os Querubins tinham duas faces: uma figura humana de um lado e uma face de leão voltada para a palmeira do outro lado esculpidas em relevo em toda a volta do templo. Desde o solo até acima da porta, havia representações (isto é IMAGENS) de Querubins e palmeiras, assim como sobre a muralha do templo”.

HEBR. IX, 5: ― Descrevendo o templo do Antigo Testamento, diz: “Ai estava um altar de ouro para os perfumes e a arca da aliança… e sobre ela estavam os Querubins da glória que estendiam a sombra de suas asas sobre o propiciatório”.

NUM. XXI, 7-10: ― “O povo veio a Moisés e disse-lhe: “Pecamos, murmurando contra o Senhor e contra ti. Roga ao Senhor que afaste de nós essas serpentes”. Moisés intercedeu pelo povo, e o Senhor disse a Moisés: “Faze uma serpente de bronze (i. é, IMAGEM) e levanta-a num poste. Todo o que for mordido, olhando para ela, será salvo”.

JOÃO, III, 14: ― “Assim como Moisés levantou a serpente de bronze no deserto, assim importa seja levantado o Filho do Homem, para que todo aquele que nÊle crer, não pereça…”

Daí se deduz que a serpente de bronze era uma imagem do próprio Redentor.

2. ― DEUS PROIBIU O “CULTO IDOLÁTRICO” DE IMAGENS

Pelos seguintes textos se vai ver que Deus proibiu foi dar culto a imagens como a Deus.

ÊXODO, XX, 4: ― “Não farás para ti imagem de escultura, nem figura alguma do que está em cima nos céus, ou em baixo sobre a terra, ou nas águas, debaixo da terra. “Não te prostrarás diante delas e não lhes prestarás culto”.

NOTE-SE: ― Deus proíbe fazer imagens do que esta nos céus ― sol, lua, estrelas; do que está na terra ― animais, homens; do que está debaixo das águas ― peixes e monstros marinhos. É que o povo recém-vindo do Egito, lá havia aprendido os costumes pagãos de fabricar tais imagens para adorá-las.

DEUTR. IV, 16-19S ― “Guardai-vos, pois de fabricar alguma imagem esculpida, representando o que quer que seja, figura de homem ou de mulher, representação de algum animal que viva sobre a terra ou de algum pássaro que voa nos céus, ou de um reptil que se arrasta sobre a terra, ou de um peixe que vive nas águas debaixo da terra”.

IDEM, IV, 19: ― “Quando levantares os olhos para o céu, e vires o sol, a lua, as estrelas e todo o exercito dos astros, guarda-te de te prostrares diante deles e de render culto a esses astros…”

Leia-se todo este cap. IV do Deuteronômio para se ver com clareza o que Deus proibia. O que Ele proibia era o culto idolátrico à semelhança dos pagãos.

3. A MALDIÇÃO DO ÍDOLO ESTÁ EM FAZER DUMA IMAGEM UM DEUS

SAB. XIV, 7-8: ― “O madeiro, do qual se faz bom uso é bendito; mas o ídolo, obra das mãos (do homem) é maldito, ele e seu autor: este, porque de fato o fabricou, e aquele, porque sendo uma coisa frágil, foi chamado deus.”

IDEM, ib. 15: ― “Penetrado um pai de dor amarga, fez a imagem de seu filho… e aquele que tinha falecido como um homem, começou a adorar como Deuses, e estabeleceu-lhe entre os seus servos cerimônias e sacrifícios”.

IS. XLII, 17: ― “Voltaram para trás, serão cobertos de confusão os que põem a sua confiança em imagens de escultura, os que dizem às estátuas de fundição: “Vós sois os nossos deuses”.

JER. XVI, 20: ― “É possível que um homem faça deuses para si, quando eles não são deuses ?”

(Ver ainda Isaias, II, 20; XLIV E XXIV).

Destes textos se vê que a proibição de Deus era de fazer imagens para adorá-las como deuses. Fazer imagens que contribuam para o culto do Deus verdadeiro, Deus mandou fazê-las, como vimos acima, imagens de Querubins e serpente de bronze.

Haja vista que a própria serpente de bronze, mais tarde, foi destruída pelo Santo Rei Ezequias, porque se transtornara em objeto do culto idólatra por parte do povo. (Cf. IV Reis, XVIII, 3-5).

Alguns esclarecimentos ainda, para se compreender melhor a proibição de fabricar imagens, consignada na Bíblia.

Ensinam os mestres da língua hebraica em que foi escrita originalmente a proibição, que o texto sagrado emprega no Êxodo, para significar “imagem”, a palavra hebraica TEMUNAH. Ora, este termo observam ― designa sempre imagens destinadas ao culto pagão, ou seja deuses.

É assim que a Bíblia usa:

TEMUNAH ― para designar o bezerro de ouro

TEMUNAH ― para designar a estátua abominada por Isaías (ls.XLIV, 9-10)

TEMUNAH ― para designar as imagens que Ezequiel viu como ídolos no templo (EZ. VIII, 10).

A mesma particularidade se observa na versão dos setenta, que usa sempre o termo EIDOLON, onde o hebraico usa TEMUNAH, deixando a palavra EIKON para significar efígies de simples decoração.

Parece que S. Jerônimo seguiu, em sua tradução, critério análogo. Reserva o termo latino SCULPTILE para traduzir ELDOLON grego e TEMUNAH hebraico.

Poderíamos, assim, concluir que a tradução portuguesa mais exata dos textos hebraicos em apreço deveria trazer a palavra ÍDOLO e não simplesmente IMAGEM como tantas vezes se encontra.

INDULGÊNCIAS

MAT. XVI, 18: ― “Eu digo que tu és Pedro… dar-te-ei as chaves do reino dos céus; tudo o que ligares sobre a terra, será ligado no céu…”

NOTA: ― O poder de conceder indulgências é derivado necessário do poder das chaves dado a Pedro.

IIª COR. II, 6-10: ― “Para este homem basta esta punição, que é dada por muito, de sorte que agora deveis de suar com ele de indulgência”.

INFERNO

MAT. III, 12: ― “Ele tem a pá na mão, limpará bem a eira, e recolherá o trigo no seu celeiro, mas queimará a palha num fogo inextinguível. (Ver Lucas, III, 17).

MAT. XXV, 41: ― “Então, dirá também aos que estiverem à esquerda: Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, que foi preparado para o demônio e seus sequazes”.

MAT. XXV, 46: ― “E estes irão para o suplicio eterno; os justos para a vida eterna”.

MARC. IX, 43: ― “E se a tua mão te escandaliza, corta-a; melhor te é entrar na vida eterna manco, do que tendo duas mãos, ires para o inferno, para o fogo inextinguível”.

MARC. IX, 44: ― “Ali o verme (do remorso) não morre, e o fogo não se apaga”.

EPISTOLA DE S. JUDAS TADEU, 1,6: “E os anjos que não conservaram seu principado, mas abandonaram o seu domicilio, os reservou (ligados) com cadeias, em trevas, para o juízo do grande dia”.

Veja-se também Apoc. XIV, 10-11; ls XXXIII, 14; ii  Tess. 1, 7-9).

INTERCESSÃO DOS SANTOS

1. ― JÁ NESTA VIDA OS JUSTOS SÃO ATENDIDOS

JOÃO. XIV, 13-14: ― “Tudo o que pedires ao Pai em meu nome, eu vo-lo darei, para que o Pai seja glorificado no Filho”.

JOÃO, XV, 7: ― “Se vos permanecerdes em mim, e as minhas palavras permanecerem em vós, pedireis tudo o que quiserdes e ser-vos-á feito”.

Iª JOÃO, III, 22: ― “E tudo quanto nós lhe pedirmos, receberemos dÊle, porque guardamos os seus mandamentos e fazemos o que é do seu agrado”.

Se as petições dos justos são atendidas já neste mundo, em virtude das promessas de Cristo, quanto mais não o serão quando feitas por justos vivendo na glória.

É, pois, valiosa a intercessão dos santos.

2. ― JÁ NESTA VIDA MUITOS SANTOS INTERCEDERAM PERANTE DEUS

JER. XI, 14: ― “Quanto a ti, não intercedas por este povo, nem ores por ele nem supliques, porque ao tempo de sua desgraça, quando clamarem por mim, eu não os escutarei”.

SAB. XVIII, 20-22: ― “É verdade que também feriu os justos uma prova de morte, e no deserto houve um levantamento da multidão; mas a tua ira não durou muito tempo, porque apressando-se um homem irrepreensível a interceder pelo povo, opôste o escudo do seu ministério, e dirigindo-te a sua oração e a sua súplica com a incenso, atalhou os progressos da tua ira e pôs fim ao flagelo, mostrando que era teu servo”.

NÚMEROS, XVII, 6 A 15, nos narra precisamente o fato a que a citação acima está aludindo: Arão intercedendo pelo povo e alcançando misericórdia.

IDEM, ib. 17: ― “Abraão intercedeu junto de Deus, que curou Abimelec sua mulher e suas servas”.

I REIS. XII, 19: ― “E Samuel clamou ao Senhor, e o Senhor enviou naquele dia trovões e chuvas. E todo o povo temeu sobremaneira o Senhor e Samuel, e todo o povo disse a Samuel: “Roga ao Senhor teu Deus pelos teus servos, para que não morramos”.

JUDITE, VIII, 29: ― Súplica de Ozias e dos Anciãos a Judite: “Agora, pois, ora por nós, porque tu és uma mulher santa e temente a Deus”.

3. ― INTERCESSÃO DOS SANTOS É ACONSELHADA POR DEUS

JO XLII, 8: ― “Tomai  sete touros… ide ao meu servo Jó… o meu servo Jó “orará por vós e admitirei propício a sua face”.

GÊN. XX, 1-8: ― Quando Abimelec quis tomar por  mulher Sara, esposa de Abraão, Deus lhe apareceu e lhe disse: “Devolve agora a mulher deste homem, que é um profeta, e ele “rogará por ti” para que conserves a vida”.

MAT. V, 44: ― “Orai pelos que vos caluniam”.

Que é isto senão interceder por eles ?

TIAGO, V, 16: ― “Orai uns pelos outros, para serdes salvos, porque a oração do justo, sendo fervorosa, pode muito”.

4. ― OS ANJOS INTERCEDEM E SÃO ATENDIDOS

ZACARIAS, I, 12-13: ― “O Anjo do Senhor, disse: “Senhor dos exércitos ! Até quando ficareis insensível à sorte de Jerusalém e das cidades de Judá? Eis já setenta anos que estais irritado contra elas!”

O Senhor respondeu ao Anjo que lhe falava, e disse-lhe boas palavras, cheias de consolação”.

5. ― OS SANTOS NO CÉU TORNAM-SE NOSSOS INTERCESSORES

LUC. XVI, 9: ― “Portanto, eu vos digo: “Grangeai amigos com as riquezas da iniquidade para que, quando vierdes a precisar, eles vos recebam nos tabernáculos eternos”.

Que é isto senão tornarem-se os santos intercessores por nós no céu?

ATOS, V, 3: ― “E tendo aberto o livro, os quatro animais e os vinte e quatro anciãos prostraram-se diante do Cordeiro, tendo cada um cítaras e taças de ouro, cheias de perfume, que são as orações dos santos”.

IRMÃOS DE JESUS

1. ― NA ESCRITURA CHAMAM-SE IRMÃOS TAMBÉM OS PARENTES PRÓXIMOS

GEN. XIII, 8: ― “Abraão disse a Lot: ”Rogo-te que não haja discórdia entre mim ti, nem entre nossos pastores, pois “somos irmãos”.

IDEM, XIV, 14: ― “Abrão, tendo ouvido que Lot. “seu irmão”, ficara prisioneiro…”

IDEM, XII, 4-5: ― “Tinha Abrão 75 anos quando saiu de Harã. E ele levou consigo Sara sua mulher, “e Lot, filho de seu irmão”, e todos os bens que possuía”.

NOTE-SE nestes textos paralelos: Lot é filho do irmão de Abraão; entretanto Abraão o chama de irmão.

GEN XXIX, 13: ― “Tendo Labão ouvido falar de Jacó, filho de sua irmã, correu a seu encontro, abraçou-o e o conduziu à sua casa”.

IDEM, ib.: Jacó ficou em casa dele (Labão) um mês inteiro. E Labão disse-lhe: Acaso, “porque és meu irmão, servir-me-ás de graça?”

NOTE-SE de novo: Jacó é filho da irmã de Labão; no entanto, este o chama de irmão.

LEV. X, I: ― “Ora, Nadab e Abind filhos de Arão”, tendo oferecido diante do Senhor um fogo estranho… morreram diante do Senhor”.

IDEM, ib. 4: “E Moisés, chamando Misael e Elisafan filhos de Oziel, tio de Arão, disse-lhes: “Ide, e tirai “vossos irmãos” diante do santuário e levai-os para fora dos acampamentos”.

NOTE-SE novamente: Moisés chama de irmãos dos filhos de Oziel os filhos de Arão, que eram sobrinhos de Oziel.

I PARAL. XXIII, 22: ― “Elcazai morreu, e não deixou filhos, mas filhas; e estas casaram-se com os filhos de Cis seus irmãos”.

Aí se vê que a Bíblia chama de irmãos os primos das filhas de Eleaser.

TOBIAS, VIII, 9: ― “Ora, tu sabes, Senhor, que não é por motivo de paixão que eu amo “esta minha irmã para esposa”.

Vê-se que Tobias chama sua esposa de irmã. Ela era sua prima segunda, pois Raquel, pai dela, era primo de Tobias o velho: “E pondo Raquel os olhos em Tobias, disse para Ana, sua mulher: “Como este jovem é parecido com meu primo” ― (Tob.Vii, 2).

E no mesmo capítulo, Raquel chama ao velho Tobias de irmão.

“E Raguel disse-lhes: “Conheceis meu irmão Tobias ?” (ib.v4)

Está, pois, claro que entre os hebreus chamava-se irmãos todos os parente próximos.

2. ― OS QUE O EVANGELHO CHAMA “IRMÃOS DO SENHOR” SÃO SEUS PRIMOS, OU PARENTES PRÓXIMOS

MAT. XIII, 55-56: ― “Porventura não é este o filho do carpinteiro? Não se chama sua Mãe Maria e “seus irmãos” Tiago e José e Simão e Judas ? E “suas irmãs” não vivem elas todas entre nós?”

Ver também Marc. VI, 3.

MAT. XXVII, 56: ― “Entre elas (as mulheres que se achavam ao pé da cruz) estavam Maria Madalena, e “Maria, mãe de Tiago e José”, e a mãe dos filhos de Zebedeu”.

MAR. XV, 40: ― “E encontravam-se também ali algumas mulheres vindas de longe, entre as quais estavam Maria Madalena e Maria, mãe de Tiago Menor e Salomé”.

Por estes textos acima, se vê que Tiago e José  são filhos de outra Maria que não a Mãe de Jesus.

JOÃO, XIX, 25: ― “Entretanto, estavam de pé junto à cruz de Jesus: sua Mãe e a “irmã de sua Mãe”. Maria, “mulher de Cléofas”, e Maria Madalena.

Por este novo texto se vê que Tiago e José  são filhos da mulher de Cléofas, Maria, que é irmã da Mãe de Jesus. Tiago e José são, portanto, primos de Jesus. E segundo a praxe dos hebreus, eram chamados irmãos de Jesus.

EP. DE S. JUDAS TADEU: ― 1,1: ― “Judas, servo de Jesus Cristo, e “irmão de Tiago”… etc.

LUC. VI, 15: ― “Mateus, Tomé, Tiago filho de Alfeu, Simão, chamado Zelador, Judas, irmão de Tiago…”.

Pelos dois últimos textos se vê que “Judas é irmão de Tiago”.

Por isto, talvez, é enumerado entre os Apóstolos logo depois de Tiago, filho de Alfeu, assim como João é enumerado logo depois  de Tiago, filho de Zebedeu, de quem era irmão.

(Cf. Ma. X, 2 segs e Marc. III, 13 e segs).

De tudo isto aparece claro que dos irmãos de Jesus assim chamados por Mateus, (XIII, 55 e 56) e Marcos (VI, 3), Tiago e José  são filhos da mulher de Cléofas, que se chama  Cléofas, que se chama Maria, irmã da Mãe de Jesus, e que Judas se dá por irmão de Tiago, que é filho de Alfeu. Seja que Judas se intitule irmão e é simplesmente primo, ou que Alfeu é o mesmo Cléofas e, portanto, são na verdade irmãos, de qualquer forma os três ― José, Tiago e Judas ― não são irmãos de Jesus, mas simplesmente seus primos.

Sós resta o nome de Simão, cuja família não se pode descobrir através do Evangelho. Mas é claro: se ele vem mencionado como irmão de Jesus juntamente com os três outros, que são primos, é porque ele também é somente primo do Senhor.

Leia-se para maiores esclarecimentos PE. JÚLIO MARIA ― “Luz nas Trevas” ― cap. XI e DAYL D’ALMEIDA ― “Irmãos de Jesus – ED. “O  LUTADOR “, Campos.

JEJUM

(Vide “Obras Boas”)

Os nossos amigos protestantes, dizem-se presunçosamente, SALVOS. Só por isto já negam o valor da penitência e das boas obras, que Jesus tanto louvou e inculcou a seus discípulos. Esta doutrina está, como nenhuma outra, exposta claramente no Evangelho e em todo o Novo Testamento

1. ― O JEJUM É RECOMENDADO NA SAGRADA ESCRITURA

JOEL, II, 12: ― “Agora, pois, diz o Senhor, convertei-vos a mim de todo o coração com jejuns, com lágrimas e com gemidos”.

I ESDRAS, VIII, 23: – “Nós, pois, com este fim jejuamos, fizemos oração ao nosso Deus, e tudo nos sucedeu prosperamente”.

II ESDRAS, 1, 4: ― “Quando ouvi estas palavras, sentei-me, e chorei e derramei lágrimas durante muitos dias, e jejuava e orava na presença do Deus do céu”.

TOBIAS, XII, 8: ― “É bom a oração acompanhada do jejum, e dar esmola vale mais do que ajuntar tesouros em ouro”.

DANIEL, X, 3: ― “Eu, Daniel, não comi pão agradável ao gosto, nem carne, nem vinho entraram em minha boca, nem me ungi com perfume algum, até que se completassem os dias dessas três semanas”.

ATOS, X, 4: ― “As tuas orações e as tuas esmolas subiram com um  memorial à presença de Deus”.

JONAS, III, 5: ― “E os ninivitas  creram em Deus e ordenaram um jejum em público, e vestiram-se de saco desde o menor até o maior”

JONAS, III, 10: ― “E Deus viu as suas obras (de penitência), e como se converteram do seu  mau caminho, e compadeceu-se deles”. (Leia-se todo o cap. III).

2. ― O JEJUM É EFICAZ CONTRA O DEMÔNIO

MARCOS, IX, 28: ― “E Ele lhes disse: Esta casta de demônios não se expele senão mediante oração e jejum”.

3. – O JEJUM DEVE SER OBSERVADO POR TODOS OS CRISTÃOS

MAT. IX, 15: ― “Mas virão os dias em que  lhes será tirado o esposo, e então jejuarão”. (Vide Marc. II, e Lucas, V, 35).

AT. XIII, 2: ― “E quando eles se entregavam ao serviço do Senhor e jejuavam, disse-lhes o Espírito Santo: Separar-me Paulo e Barnabé para a obra a que os destinei”.

ATOS, XIII, 3: ― “E então, depois de jejuarem e orarem, impuseram-lhes as mãos e os despediram”.

ATOS, XIV, 22: ― “Por fim, tendo ordenado para cada Igreja sacerdotes, depois de terem feito orações e jejuando, encomendaram-nos ao Senhor”.

IIª COR VI, 4: ― “Em todas as coisas nos  mostramos ministros  de Deus, com muita paciência nas tribulações, nas necessidades, nas angústias”.

IIª COR. VI, 5: ― “Nos açoites, nos cárceres, nas sedições, nos trabalhos, nas vigílias, nos jejuns, com castidade, com ciência, com longanimidade”, etc.

IIª COR. XI, 27: ― “No trabalho, na fadiga, em muitas vigílias, na fome, na sede, no frio, na nudez…” (Ler todo este capítulo).

MAT. IV, 2: ― “E tendo (Jesus) jejuado quarenta dias e quarenta noites, teve fome/’.

MAT. III, 4: ― “Ora, o mesmo João tinha um vestido de peles de camelo e uma cinta de couro cingindo os rins; e a sua comida eram gafanhotos e mel silvestre”.

(Vide Marcos, II, 20).

NOTE-SE que Nosso Senhor não tinha absolutamente, necessidade de jejuar, se isto fez, foi para dar-nos o exemplo. São João Batista fez JEJUNS prolongados no fundo do deserto, e “sua comida eram gafanhotos e mel Silvestre”.

Por que, pois, os protestantes protestam contra o jejum da Igreja Católica, admitem o mesmo ciclo quaresmal da Igreja Católica, mas não lhe admitem o jejum?

MÃE DE DEUS

Querem os protestantes que Nossa Senhora foi Mãe somente de Jesus-Homem. É um contra-senso, pois em Cristo Jesus existe uma só pessoa ― a Pessoa Divina  do Verbo feito Homem. Quem gera esta pessoa feita Homem é, portanto, Mãe de Deus.

LUC. I, 35: ― “O Espirito Santo virá sobre ti, e a virtude do Altíssimo te cobrirá com sua sombra, e, por  isso, o Santo que nascerá de ti chamar-se-á Filho de Deus”.

LUC. I, 41 E 43: ― “E Isabel ficou cheia do Espírito Santo e exclamou em alta voz: “Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre. Donde me vem esta honra que venha à minha casa “a Mãe de meu Senhor ?”

GAL., IV, 4: ― “Chegada a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido da mulher, nascido sob a lei”.

Inegável que tanto o Anjo, como Isabel inspirada pelo Espírito, e bem asseim São Paulo, afirmam que o Filho de Nossa Senhora é o “Filho de Deus” e que Ela é a “Mãe do Senhor”, isto é, Mãe de Deus.

MEDIAÇÃO DE MARIA

Iª TIM, II, 5: ― “Porque há um só Deus e um só MEDIADOR entre Deus e os homens: JESUS CRISTO HOMEM, que se deu em resgate  por todos”.

NOTA: ― Este texto, com que os protestantes querem contraditar a mediação de Maria serve antes para prová-la de modo mais teológico. S. Paulo acentua que o único Mediador é Jesus Cristo-Homem, o que quer dizer: não é o Verbo, mas o Verbo feito homem por Maria. Nossa Senhora se torna, assim, Medianeira, precisamente porque, mediante Ela, Cristo se tornou Mediador (1)

(1) Conf. a respeito: PE ANTÔNIO MIRANDA, S.D.N. – “Nossa Senhora das Graças” – Ed. “LUZES”, p.87 e segs.

MAT. I, 16: ― “Jacó gerou José, esposo de Maria, da qual nasceu Jesus, que é chamado Cristo”.

NOTA: ― Se Cristo, que é o único Mediador, nasceu de Maria, Ela se tornou, por isto, Medianeira secundária, entre Deus e os homens, mediante a qual nos veio Cristo

LUC. I, 41: ― “E aconteceu que, tão logo ouviu Isabel a saudação de Maria, exultou o menino em seu  seio, e Isabel ficou cheia do Espírito Santo”.

NOTA: ― Eis como Leão XIII interpreta este texto: “João é santificado no seio materno… e isto lhe advém da saudação de Maria, que, por divina inspiração, veio visitar sua prima”. (Enc. Jucunda semper, de 8-9-1894).

JOÃO, II, 1-13: ― Este tópico nos narra como Jesus operou o seu primeiro milagre mediante a intercessão de Maria, e isto apesar de ainda não ter chegado a hora de Jesus os inicia. (v.4).

V. II: ― “Por este modo operou Jesus o seu primeiro milagre… e manifestou a sua gloria e creram nele os seus discípulos”.

Vê-se que foi mediante Maria que “seus discípulos creram nele”. Sem dúvida, isto veio primeiramente da graça gratuita de Cristo. Mas a intercessão de Maria foi um meio acessório de Deus dispensar sua graça gratuita. Deus quis, pois, Maria como Medianeira.

MISSA

(Ver “Eucaristia” e “Comunhão”)

1. ― O SACRIFÍCIO DA MISSA FOI PREFIGURADO MUITOS SÉCULOS ANTES

Os sacrifícios antigos eram figura do Sacrifício do Calvário continuado misticamente sobre nossos altares. Melquisedec, oferecendo pão e vinho, figurou o Santo Sacrifício da Missa.

GÊN. XIV, 18-19: ― “Mas Melquisedec, Rei de Salém, trazendo pão e vinho, porque era Sacerdote do Deus Altíssimo, o abençoou e disse-lhe: “Bendito seja Abraão, pelo Deus Altíssimo, que criou o céu e a terra”.

2. ― ESTE SACRIFÍCIO FOI PREDITO POR MALAQUIAS

MALAQUIAS, I, 10-12: ― “Quem há entre vós que feche as portas e acenda o lume sobre o meu altar gratuitamente ? O meu afeto não está em vós, diz o Senhor dos Exércitos; nem eu aceitarei oferenda alguma de vossas mãos, porque desde o nascer até o pôr do sol, o meu  nome é grande entre as nações, e em todo o lugar se sacrifica e se oferece ao meu nome uma oblação pura…”

Que claridade meridiana nas palavras do vidente divino!

Notem lá os protestantes esta visão, comparando-a com a visão eucarística de hoje, desde o nascer até o por do sol, sobre todos os altares da terra! Vemos que Deus repudia os sacrifícios antigos para receber um novo sacrifício, uma oblação pura. Qual é esta oblação, hoje existente, senão aquela feita uma vez por Jesus Cristo, e por Ele ordenada fosse reproduzida todos os dias “do nascente ao poente do sol”, para perpetuação de seu Sacrifício no Calvário ? “Todas as vezes que fizerdes isto, fazei-o em memória de mim”. (Mat. XXVI, 28; Lucas, XXII, 19).

3. ― FOI CELEBRADO PELO PRÓPRIO JESUS CRISTO

LUCAS, XXII, 19: ―  “E depois de tomar o pão, deu graças e partiu, e deu-lho, dizendo: ISTO É O MEU CORPO, que é dado por vós. Fazei isto em memória de mim”.

LUCAS, XXII, 20: ― “Da mesma sorte, tomou o cálice… dizendo: “Este CÁLICE É O NOVO TESTAMENTO EM MEU SANGUE, que será derramado por  vós”.

4. ― É ATESTADO POR S. PAULO, APÓSTOLO

Iª COR. X,16: ― “Porventura, o cálice da benção que nós benzemos não é a comunhão do sangue de Cristo? E o pão que partimos, não é a participação do Corpo do Senhor?

Iª COR. X, 21: ― “Não podeis ser participantes da mesa do Senhor (da Comunhão) e da mesa dos demônio” (comendo das carnes sacrificadas aos ídolos pagãos).

HEBR. XIII, 10: ― “Nós (os cristãos) temos  um altar do qual os (sacerdotes judeus) que servem ao tabernáculo, não tem faculdade de comer”.

Perguntemos aos protestantes se eles tem um Altar como nós, se tem uma vítima e uma “oblação pura” como a Hóstia sagrada que oferecemos a Deus, todos os dias, “do nascente ao por do sol”. Se quiserem negar a presença real de Cristo, citemos S. Paulo: "O Pão que partimos não é, porventura, a participação do corpo do Senhor?"

ORAÇÃO PELOS MORTOS

TOB. IV, 18: ― “Põe o teu pão e o teu vinho sobre a sepultura do justo e nem comas nem bebas com os pecadores”.

ECLESIÁSTICO. VII, 37: ― “A benemerência é agradável a todos os vivos. E não impeças que ela se estenda também aos mortos”.

II MAC. XII, 43: ― “E tendo (Judas Macabeu) feito uma coleta, mandou doze mil dracmas de prata a Jerusalém, para serem oferecidos sacrifícios pelos pecados dos mortos, sentindo bem e religiosamente da ressurreição, (porque se ele não esperasse que os que tinham sido mortos haviam de ressuscitar, teria  por causa vã e supérflua orar pelos defuntos) e por que ele considerava que aos defuntos estava reservada uma grande misericórdia”.

“É um santo e salutar  pensamento ora pelos mortos para que sejam livres de seus pecados”.

NOTE-SE: ― Este texto do II Livro do Macabeus nos mostra claramente existir um mistério de expiação (um purgatório) na vida futura. Como descrêem disto os protestantes ?

ORDENS SACRAS

1. SÃO DE INSTITUIÇÃO DIVINA

As ordens sagradas, existentes na Igreja Católica, são de instituição divina, isto é, foram instituídas pelo próprio Jesus Cristo, que ordenou sacerdotes aos seus Apóstolos; estes, por sua vez, ordenaram a outros que os sucedessem no ministério sagrado.

LUC. XXII, 19: ― “E depois de tomar o pão, deu graças, e o partiu, e deu-lho, dizendo: “Isto é o meu corpo que é dado por vós; FAZEI ISTO EM MEMÓRIA DE MIM”.

“FAZEI ISTO” ― nestas palavras está a ORDEM dada pelo próprio Salvador, no momento solene da Santa Ceia, quando ainda instituiu a Sagrada Eucaristia.

JOÃO, XX, 22-23 ― “Tendo dito estas palavras, SOPROU sobre eles, e disse-lhes: “Recebei o Espírito Santo; aqueles a quem vós perdoastes os pecados, ser-lhes-ão perdoados, e aqueles a quem os retiverdes, ser-lhes-ão retidos”.

“Soprou sobre ele” ― eis ai a comunicação do Espírito Santo aos Apóstolos, conferindo-lhes o poder de perdoar; portanto, um poder sacramental.

2. ― AS ORDENS EXISTENTES NA IGREJA SÃO CONFERIDAS PELA IMPOSIÇÃO DAS MÃOS

ATOS, VI, 6: ― “Apresentaram-nos diante dos Apóstolos, e estes, depois de terem orado, impuseram-lhes as mãos”.

ATOS, XIII, 3: ― “Então, depois de jejuarem e orarem, impuseram-lhes as mãos e despediram-nos”.

ATOS, XIV, 22: ― “Por fim tendo ORDENADO para cada Igreja sacerdotes, depois de terem feito oração e jejum…”

Iª TIM, IV, 14: ― “Não desprezes a graça que há em ti, a qual te foi dada pela imposição das mãos dos presbíteros”.

NOTA: ― Esta imposição das mãos confere a graça, logo é  um sacramento especial, diferente dos outros.

IIª TIM, 1,6: ― “Por este motivo de admoesto a que reanimes a graça de Deus que está em ti pela imposição das minhas mãos”.

TITO, 1,5: ― “Deixei-te em Creta para que regules a falta e estabeleças presbíteros nas cidades segundo as prescrições que te dei”.

PEDRO, PRIMEIRO PAPA

1. O PAPA, BISPO E CHEFE DOS OUTROS BISPOS

Jesus prediz a Simão que seu nome será mudado em CEFAS (Pedro ou Pedra), porque será escolhido como a pedra fundamental da Igreja divina:

JOÃO, I, 42: ― Jesus, olhando-o, disse: “Tu és Simão, filho de Jonas; tu  serás chamado CEFAS, que quer dizer Pedro” (ou Pedra) para servir de fundamento e alicerce de minha Igreja.

2. JESUS CUMPRE A SUA PREDIÇÃO

MAT. XVI, 13 e ss.: ― “E veio Jesus para as bandas de Cesaréia de Filipe interrogou os seus discípulos, dizendo: Que dizem os homens acerca do Filho do Homem ? E eles responderam: uns dizem que é João Batista, outros que é Elias, e outros que é Jeremias ou algum dos profetas. Disse-lhes Jesus: É vós, quem dizeis que eu sou? Respondendo Simão Pedro, disse: Tu és o Cristo o Filho de Deus vivo ! E respondendo Jesus, lhe disse: Bem-aventurado és, Simão, filho de Jonas, porque não foi a carne e o sangue que to revelou, mas sim, meu Pai que está nos céus. E eu te digo que tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja e as portas do inferno não prevalecerão contra ela. E eu te darei as chaves do reino dos céus; e tudo o que ligares sobre a terra será ligado nos céus; e tudo o que desligares sobre a terra, será desligado nos céus”.

LUC.XXII, 31-32: ― “Disse mais o Senhor: Simão, Simão, eis que Satanás vos reclamou com instância para vos joeirar como trigo. Mas eu roguei por ti, para que a tua fé não falte. E tu, uma vez convertido, (da negação que virá durante a paixão) confirma os teus irmãos”.

NOTA: ― Jesus orou pelo Papa (Pedro) para confirmá-lo na fé: Sua oração é infalível e onipotente. Logo, realizou o pedido, feito em favor do Papa: Ele não pode faltar à fé.

Passados os dias dolorosos da paixão e morte de Jesus, tendo Pedro negado covardemente o seu divino Mestre (e foi quando Satanás tentou joeirar a Igreja), tendo-se destarte, cumprido a predição de Jesus, o Senhor aparece, a Pedro, às margens do Tiberíades.

JOÃO, XXI, 15-18: ― “Tendo eles comido, Jesus perguntou a Simão Pedro: Simão, filho de João, tu me  amas mais do que estes? Ele lhe respondeu: Sim, Senhor, tu sabes que eu te amo. Disse-lhe Jesus: Apascenta os meus cordeiros”. Perguntou-lhe segunda vez: “Simão, filho de João, tu me amas ? Ele respondeu: Sim, Senhor, tu  sabes que eu te amo. Jesus lhe disse: Apascenta os meus cordeiros”.

Perguntou-lhe terceira vez: Simão, filho de João, tu me amas ? Pedro ficou triste, porque pela terceira vez lhe perguntara: Tu me amas ? e respondeu-lhe: Senhor, tu conheces tudo, tu  sabes que eu  te amo. Disse-lhe Jesus: Apascenta as minhas ovelhas”.

Por este texto se vê que Nosso Senhor manda S. Pedro apascentar CORDEIROS  (duas vezes) e OVELHAS distintamente. Que é isto senão o mesmo que nomeá-lo PASTOR dos cordeiros e das ovelhas, que por natureza conduzem os cordeiros? Eis porque nesta metáfora a Igreja Católica entende na palavra cordeiros, duas vezes repetida, o rebanho dos fieis e dos clérigos, e na palavra ovelha, os Bispos que são condutores dos clérigos e dos fiéis.

3. ― PEDRO, PRIMEIRO PAPA, FIXOU RESIDÊNCIA EM ROMA

ATOS, XII, 17: ― “Em seguida (Pedro depõe de libertado da perseguição de (Herodes), saiu daí (de Jerusalém) e retirou-se “para outro lugar”.

Qual é este outro lugar para onde S. Pedro se retirou, o Autor dos Atos não o diz, devido à época de perseguição que a Igreja atravessava. Convinha que ficasse oculto o Pastor Supremo, e não se expusesse à perseguição.

O outro lugar para onde ele foi, certamente é Antioquia.

ATOS, XV, 4 e 7 ― Vemos, neste texto, que se reúne um Concílio em Jerusalém , e Pedro, de novo, está presente, e é quem decide a questão.

Depois disto, os Atos se ocupam exclusivamente das atividades de Paulo e não mais se referem a Pedro.

Mas existe uma tradição histórica segura que prova ter Pedro se estabelecido em Roma. E esta tradição é confirmada por um texto, embora não inteligível à primeira vista, da Iª Epístola de S. Pedro.

Iª PED. V, 13: ― “A Igreja eleita de Babilônia saúda-vos, assim como também Marcos, meu filho”.

Esta Igreja eleita de Babilônia” ― concordam os intérpretes ― é Roma. Pois a antiga Babilônia não mais existia.

Era com o designativo de Babilônia que os cristãos perseguidos designavam a cidade pagã de Roma. S. Pedro, escrevendo desta cidade, afim de se ocultar aos profanos, designa a Igreja que chefia, com o nome só conhecido talvez a seus leitores.

Assim explicado, este tópico nos prova, escriturísticamente, a estadia de Pedro em Roma. E eis porque ele chama a esta Igreja de eleita porque Pedro a escolhera para “mãe de todas as demais Igrejas”.

Outra prova de que Babilônia ai designa Roma, é que Pedro menciona Marcos, “seu  filho”. E este Marcos esteve também em Roma, pois S. Paulo daí escrevendo aos Colossenses, e a Filêmon, envia saudações em nome dele para todos os fiéis de Colossos e da casa de Filêmon:

COL. IV, 10: ― “Saúdo-vos Aristarco meu companheiro de prisão, e Marcos primo de Barnabé”…

FILÊMON, 23 E 24: “Epaíras meu companheiro de prisão em Cristo Jesus te saúda. “Também Marcos” Aristarco Demas e Lucas, meus colaboradores”.

Destarde, é escriturísticamente provado que S. Pedro foi PAPA EM ROMA.

PURGATÓRIO

Purgatório é um estado médio entre o céu  e o inferno, onde as almas expiarão suas culpas leves e as conseqüências dos pecados mortais já perdoados nesta vida. Os hereges negam a sua existência.

APOC. XXI, 27: ― “Nela (na Jerusalém celeste) não entrará coisa alguma contaminada ou quem cometa abominação e mentira, mas somente aqueles que estão escritos no livro da vida do Cordeiro”.

Ora, por mais puro que seja o homem neste mundo, sempre ele terá máculas contraídas em sua natureza viciada, já que “o justo cai sete vezes”. Condená-lo ao inferno por ter pequenas fraquezas não o quer a bondade de Deus. Dar-lhe logo o céu, obsta-o a infinita pureza do Senhor.

Logo, é necessária uma expiação ou  purgação na outra vida, num estado denominado Purgatório.

MAT. V, 25-26: ― “Acomoda-te sem demora com teu adversário, enquanto estás em caminho (enquanto vives) com ele, para que não suceda que este adversário te entregue ao juiz, e o juiz te entregue ao ministro, e sejas posto na prisão. Pois na verdade te digo: Não sairás dali até que pagues o último ceitil”.

NOTE-SE que aqui não se trata do inferno, donde não se pode cair; nem do céu, lugar de gozo, e não de expiação; mas do purgatório, único lugar onde se deve expiar “até pagar o último ceitil” das faltas leves cometidas nesta vida terrena.

MAT. XII, 32: ― Todo o que falar palavra contra o Filho do homem, ser-lhe-á perdoado. Mas o que disser contra o Espírito Santo, não lhe  será perdoado neste século nem no futuro”.

NOTA: ― Por esta expressão: “não lhe será perdoada nem neste século nem no futuro”, vemos que há pecados perdoáveis também no século futuro, isto é, no outro mundo. Este lugar, no outro mundo, chama-se purgatório.

Iª COR. 11-16: ― “Quanto ao fundamento, ninguém pode por outro fundamento senão o que foi posto: Cristo Jesus. Agora, se alguém edifica sobre este fundamento com ouro, ou com prata, ou com pedras preciosas, com  madeira, com feno, ou com palha, manifestar-se-á a obra de cada um. O dia  (do juízo) demonstrálo-a. Será revelado “pelo fogo” e o “fogo provará” o que vale o trabalho de cada um. Se a obra construída subsistir, o construtor receberá a recompensa. Se a obra de alguém se extinguir, sofrerá a perda. Ele mesmo, porém, “será salvo, mas passando de qualquer maneira através do fogo”.

O Apóstolo afirma, pois, que alguns, ainda que construindo sua vida sobre Cristo, entretanto a constroem com obras imperfeitas (palha, feno). Serão salvos, mas deverão passar pelo fogo. É o que ensina a Igreja Católica: muitos se salvam, mas devido às suas imperfeições deverão “passar pelo fogo” antes de entrarem no céu.

RELÍQUIAS

Relíquias milagrosas são objetos santificados pelo contato dos servos de Deus e deixados aos cristãos neste mundo.

Não raro, operam grandes milagres.

Este culto é tão antigo quanto o Evangelho e a Igreja.

MAT. IX, 20: ― “Eis que uma mulher que havia doze anos padecia de um fluxo de sangue se achegou por detrás dele (de Jesus) e tocou a fímbria do seu vestido…

E, voltando-se Jesus, disse: Tem confiança, filha, a tua fé te salvou. E ficou sã a mulher, desde aquela hora”.

MAT. XIV, 36: ― “…E lhe apresentaram todos os que padeciam algum mal: rogando-lhe que os deixasse tocar sequer a orla do seu vestido. E todos os que à tocaram, ficaram sãos”.

ATOS, V, 15: ― “De  maneira que traziam os doentes para as ruas e punham-nos em leitos e padiolas, afim de que, quando Pedro passasse, ao menos a sua sombra cobrisse alguns deles”.

ATOS, XIX, 11-12: ― “Deus fazia milagres não vulgares pelas mãos de Paulo, de sorte que até sendo aplicados aos enfermos lenços e aventais que tinham tocado em seu corpo, não só saiam deles as doenças, mas também os espíritos maus”.

NOTA: ― Ainda hoje, objetos tocados nos santos, continuam operando os mesmos milagres que no tempo de S. Paulo, as relíquias de Sta. Teresinha, de Frei Fabiano, etc. Isto prova a santidade de vida daqueles que as deixaram e a santidade da Fé que praticaram.

VESTES SACERDOTAIS

ÊXODO, XXXIX, 1: ― “Depois fez de púrpura e escarlate e de linho fino as vestes com que devia ser revestido Arão quando ministrava no Santuário, como o Senhor ordenou a Moisés”.

IDEM, ib, v.25: ― “Fizeram também para Arão e seus filhos as túnicas tecidas de linho fino e as mitras de linho fino…”etc.

IDEM, ib, v. 41: ― “E também as vestes, de que usam no santuário os sacerdotes… ofereceram-na os filhos de Israel conforme o Senhor tinha mandado”.

NOTA: ― Por estes textos se vê que Deus queria, no Antigo Testamento, o esplendor das vestes litúrgicas. As vestes sacerdotais são, assim, perfeitamente conformes à doutrina da Escritura.

VIRGEM MARIA

IS. VII, 14: ― “Por  isto, o próprio Senhor  vos dará um sinal: Uma virgem conceberá e dará à luz um filho, e o seu nome será Emanuel”.

LUC. I, 26 e segs.: ― “Foi o Anjo Gabriel enviado por Deus… a uma Virgem desposada… e o nome da Virgem era Maria”.

LUC. I, 34-35: ― “Maria perguntou ao Anjo: “Como se fará isto? Pois eu não conheço varão”. Respondeu-lhe o Anjo: “O Espírito Santo descerá sobre ti e o Altíssimo te cobrirá com a sua sombra”.

MAT. I, 18: ― “Estava Maria, sua Mãe, desposada com José; e antes de conviverem, “Maria achou-se grávida por obra do Espírito Santo”.

NOTA: ―  Estes textos mostram insofismavelmente que Maria Sma. concebeu seu divino Filho, ficando intacta sua virgindade. Seu parto, com o fato de Ela conceber um filho, foi um prodígio, dia Isaias, e foi por obra do Espírito Santo, como assegura o Evangelho.

A pergunta que Maria fez ao Anjo ― “Como se fará isto, pois eu não conheço varão?” ― indica que Nossa Senhora tinha propósito de guardar virgindade, apesar de já estar desposada. Porquanto, se não tivesse feito este propósito, não havia por onde perguntar ao Anjo como sucederia a concepção de um filho, de vez que ela estava desposada. Dizer, pois: ― “não conheço varão” ― equivale  a  dizer: ― “Tenho propósito de ser virgem, apesar de estar desposada”.

A virgindade, pois, anterior ao parto de Maria, seguiu-se a virgindade posterior, e Ela foi sempre Virgem.

Pe. Antônio Miranda, S. D. N.
Manhumirim, 1960