50 TONS DE BARULHO VAZIO

Por Maria Emmir Oquendo Nogueira

image

Não dá outra. Na academia, na escola, no Pilates, na web, só dá 50 Tons de Cinza. Uma barulhada sem fim de opiniões, análises, risos, exclamações, gritinhos. Tudo bem típico da artificialidade comercial que vem faz um barulho enorme, eleva o saldo de contas bancárias e …Puf!… desaparece como se nunca tivesse existido.

Durante cerca de 80 semanas, no Brasil, milhões de leitores elevaram a ficção da Sra. E.L. James às listas de best-sellers. Nas últimas semanas, adolescentes fraudam carteiras para ter acesso ao filme e, no caso do ardil não funcionar, “baixam” facilmente um dos vários vídeos piratas. Mulheres que se querem emancipadas, alongam as filas, a sacudir os cabelos, loucas para serem vistas em sua adesão pública à “liberdade sexual”. Outras, com formação mais sólida – mas não o suficiente para resistir à curiosidade – fazem de tudo para se esconder.

Os homens engrossam o borbulhante caldo barulhento projetando-se no milionário Grey e acorrendo às livrarias e salas de cinema, para “aprender” a ser mais eficientes agentes do ídolo prazer, ainda que envolva sevícia, grosseria, violência física e moral, mentira, manipulação, desprezo, desrespeito. É o prazer que importa. Não o amor.

Na contramão, educadores, psicólogos, psiquiatras, postam nas redes sociais alertas, opiniões, protestos, discussões. Dra. Miriam Grossman divulgou artigo breve e excelente sobre o filme e, após inúmeros alertas e desmascaramentos da mídia, conclui:

“Ouça, é da sua segurança e do seu futuro que estamos falando aqui. Não há margem para dúvidas: uma relação íntima que inclui violência, consensual ou não, é completamente inaceitável. É preto e branco. Não existem tons de cinza aqui. Nem mesmo um.”

Entretanto, o barulho ensurdecedor da mídia une-se à vaidade de “ser moderno” e impede a voz da sensatez de ser escutada. Afinal, ler e assistir “50 Tons de Cinza” é selo de estar ligado, por dentro de tudo. É certificado de emancipação, garantia de integração no grupo, passaporte para participação.

Filme e livro são, na verdade, a “cereja do bolo” do culto ao prazer que invadiu nosso tempo. Prazer pelo prazer. Prazer como fim e não como a bela linguagem do amor. Ambos são mais um marco na ascensão da mentalidade que, na minha adolescência era tipificada pelo “La Belle du Jour”. De lá para cá, dezenas de livros e filmes do tipo fizeram, sempre, furioso barulho e foram, literalmente esquecidos após fazer tilintar ruidosamente as caixas registradoras de salas de cinema e livrarias dos anos. 

Seu silencioso e invisível malefício restou, entretanto, atuante, destruindo corações e almas de gerações inteiras, que não foram corajosas o suficiente para viver em coerência com o que creem e em fidelidade a si mesmos.

Posted from WordPress for Android

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s